16/02/2016

Australopithecus afarensis

Criança afarensis
O Australopithecus afarensis, cujo nome tem origem no local onde foi encontrado, na Depressão de Afar, é uma das espécies de hominídeos iniciais com um dos períodos mais longos de existência, assim como uma das mais conhecidas, tendo os paleontropólogos encontrado os restos de mais de 300 indivíduos. Viveram entre 3,85 a 2,95 milhões de anos atrás, durante o Plioceno, na África do Leste (Etiópia, Quénia, Tanzânia). Esta espécie sobreviveu durante mais de 900.000 anos, o que é cerca de quatro vezes mais do que o tempo da nossa própria espécie, mostrando que foi uma espécie de grande sucesso e adaptabilidade ao meio que a rodeava.
Conhece-se o Aust. afarensis  a partir dos locais da Hadar, na Etiópia ("Lucy" a a "Primeira Família"), Dikika (o esqueleto da "criança" de Dikika) e em Laetoli (fósseis desta espécie assim como o rasto de pegadas bipedes mais antigas de que se tem conhecimento).
Semelhantemente aos chimpanzés, as crianças do Australopithecus afarensis cresciam de forma rápida após o nascimento e chegavam à fase adulta mais cedo do que os humanos modernos. Isto significava que o Austr. afarensis tinha um período de crescimento mais curto do que os humanos modernos têm atualmente, deixando-lhes menos tempo para a orientação parental e socialização durante a infância.

Reconstrução de Lucy
Em 1970 Donald Johanson encontrou um joelho em Afar, na Etiópia, na região de Hadar. A partir de entãoAust. afarensis a ocupar um lugar de destaque na árvore genealógica dos hominídeos. Além dessa descoberta, em 1974 Mary Leaky e a sua equipe descobriram outros vestígios, na Tanzânia, em Laetoli, onde foram encontrados traços de fósseis de pegadas de centenas de animais, conservadas numa camada de cinzas, com 3,6 milhões de anos. Entre estas pegadas de animais foram encontradas cerca de 70 pegadas de hominídeos que caminhavam sobre duas pernas.
Esqueleto Lucy
foi efectuada uma sucessão de descobertas que incluíram uma articulação do joelho, o famoso esqueleto de Lucy (AL288-1) e os restos de um grupo familiar, levando o
A espécie foi formalmente nomeada em 1978, tendo sido descrita por Tim White e Don Johanson. Consequentemente, os fósseis encontrados na década de 1930 foram incorporados neste grupo taxónico. Atualmente já foram encontrados mais de 400 fragmentos desta espécie, pertencentes a mais de 300 indivíduos, todos na região norte do Grande Vale do Rift, incluindo fósseis masculinos e femininos, adultos e jovens.
O Australopithecus afarensis apresentava tanto características simiescas quanto humanas: o cérebro, que variava entre 380 a 550 cm cúbicos (cerca de 1/3 do cérebro humano atual), sendo um pouco maior que o cérebro de um chimpanzé atual. A espécie mostrava um cérebro caracterizado por uma face prognática (saliente), músculos da mandíbula muito grandes (evidenciado pelas grandes cristas no crânio). Tinha uma postura bípede, erecta ou semi-recta, passando pequenos períodos de tempo a escalar às árvores, demonstrado pelas pernas proporcionalmente curtas e braços longos, pelos ossos curvos das mãos e pés, e pelas diferenças subtis nos ossos do quadril quando comparado aos hominídeos posteriores. Os caninos eram relativamente pequenos, idênticos aos de outras espécies de homínideos.

A sua adaptação para viverem tanto no chão quanto nas árvores ajudou-os a sobreviverem durante quase um milhão de anos à medida que o ambiente e o clima sofriam alterações.
As fêmeas chegavam a medir  1,3 metros e a pesar 30 kg e os machos chegavam até 1,5 metros e a pesar 45kg.


Questões que ainda se colocam acerca do Australopithecus afarensis:

  1. Foi encontrado no Chade um fóssil semelhante ao Australopithecus afarensis, datando de há 3,5 milhões de anos atrás - terá esta espécie expandido-se para tão longe quanto a África Central?
  2. Sabe-se que o Aust. afarensis era capaz de se deslocar sobre duas pernas, mas seria o seu caminhar diferente do dos humanos modernos. Assim sendo, como seria a sua locomoção bípede?
  3. Terá o Aust. afarensis usado a deslocação bípede como meio habitual de locomoção, como os humanos modernos, ou passaram mais tempo a trepar às árvores como fazem os símios atuais?
  4. A espécie do Aust. afarensis existiu durante um período de flutuações ambientais sem no entanto mostrar adaptações ao ambiente em mudança - porquê? Terá sido porque eles eram capazes de migrar para os locais habituais onde as suas fontes alimentares se encontravam localizadas? Ou, de qualquer forma, as suas fontes alimentares não foram afectadas?
  5. O Aust. afarensis mostrava um grande dimorfismo sexual, no sentido em que o corpo dos machos e das fêmeas era bastante diferente. No entanto o dimorfismo sexual nos outros primatas é geralmente caracterizado pela diferença no tamanho do corpo e dos dentes. As evidências fósseis mostram que  dimensões dos caninos entre machos e fêmeas idêntica. Não terá a dominação dos machos nos Aust. afarensis incluído a necessidade de suportar caninos grandes, como acontece em muitos outros primatas?
  6. Os dentes e as mandíbulas do Aust. afarensis são suficientemente fortes para mastigar comidas duras, mas os estudos do desgaste dentário mostram que estes ingeriam alimentos moles como plantas e insectos. Apesar de a maior parte dos cientistas defender que esta espécie ingeria alimentos duros nas épocas em que a vegetação não era fácil de encontrar, outros estudos mostram que a ingestão de alimentos mais duros não correspondia com épocas de seca ou de pouca vegetação. Sendo assim, como é que as características dentárias do Aust. afarensis se relaciona com a sua dieta?
Macho A. afarensis
O Aust. afarensis tinha uma dieta constituída principalmente por folhas, frutas sementes, raízes, nozes e insectos e, ocasionalmente, por pequenos vertebrados, como lagartos.

Esta espécie pode ser uma descendente directa do Aust. anamensis e pode ser ancestral de espécies posteriores do Paranthropos, Australopithecus e Homo.



Nota:

Foram encontradas as ferramentas de pedra mais antigas de que se tem conhecimento em Gona, na Etiópia em 1994, cuja datação radiométrica mostrou terem 2,6 milhões de anos de idade (note-se que o Aust. afarensis viveu até há 2,95 milhões de anos atrás), mas não foi encontrado nenhum resto de hominídeo junto das ferramentas, não se podendo assim identificar com certeza a qual espécie de hominídeo estas pertenceriam. Especula-se se teriam sido utilizadas pelo Aust. afarensis. Alguns anos antes haviam sido descobertas ferramentas de pedra em Olduvai, onde se encontravam igualmente os restos de várias espécies de Australopithecus e Homo. Estas ferramentas foram datadas como tendo 2 milhões de anos. No entanto, mais uma vez não se conseguiu confirmar se teriam sido usadas por Australopithecus ou por um Homo, mas acredita-se que seja necessário o tamanho de um cérebro ligeiramente maior para a utilização de ferramentas.
Em 2009 foram encontradas novas ferramentas, que usadas para contestar esta última teoria. Encontrou-se um osso de antílope e outro de bovino, que contêm marcas estriadas realizadas por ferramentas de pedra, que indicam o uso da pedra para raspar a carne dos ossos e fracturá-los para extrair a medula. Estes ossos foram encontrados em Dikita, na Etiópia e foram datados de há 3,4 milhões de anos, sendo que a única espécie conhecida de hominídeos a habitar essa região na altura foi o Aust. afarensis. Mas há que ter em atenção que se deve fazer a distinção entre confeccionar e utilizar ferramentas de pedra. Usar uma ferramenta de formato natural como ferramenta ocorre atualmente com diversas espécies de animais. Porém para confeccionar uma ferramenta, moldando-a para usos particulares, exige uma capacidade intelectual mais avançada, a qual só foi desenvolvida milhões de anos depois.



Fontes
http://www.avph.com.br/australopithecusafarensis.htm
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/australopithecus-afarensis



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