24/02/2016

Australopithecus garhi

Não existe muita informação acerca desta espécie de hominídeo. O pouco que se sabe acerca do Australopithecus garhi é com base no fóssil de um crânio, outros quatro fragmentos de crânio. Assim como também de  foi encontrado perto destes fragmentos, na mesma camada, um esqueleto incompleto que é geralmente incluído como fazendo parte da amostra do Australopithecus garhi. O esqueleto fragmentado associado à espécie mostra um fémur longo (mesmo comparado com outras espécies de Australopithecus), mas que apesar do seu comprimento, os braços seriam fortes. O que sugere que dava passos mais largos na marcha bípede.

A espécie viveu na África Oriental, no local de Bouri, no Awash Central, na Etiópia ( Depressão de Afar), há cerca de 2,5 milhões de anos atrás., durante o Plioceno, à beira de lagos e cercados por planícies.

A pequena quantidade de material existente permite apenas saber que viveu entre 3 a 2 milhões de anos atrás, o que faz com que os achados do Awash Central sejam de particular importância. Primeiro em 1990, depois de 1996 a 1998, uma equipa de investigadores liderada pelo paleantropólogo Tim White, descobriu a parte de um crânio, e outros restos de esqueletos de hominídeos datando de há 2,5 milhões de anos, próximo da cidade de Bouri, no rio Awash.

Em 1997, a equipe nomeou a espécie de Australopithecus garhi, em que garhi significa "surpresa" no idioma Afar, pois os antropólogos não imaginavam que o género Australopithecus pudesse ter existido até uma data tão recente e que na altura era o Australopithecus mais avançado (mais tarde foi descoberto o Australopithecus sediba que mostra traços ainda mais avançados do que o Aust. garhi). A espécie foi confirmada e estabelecida como Australopithecus garhi a 20 de novembro de 1997 pelo paleantropólogo etíope Haile-Selassie.
Os Aust. garhi apresenta diversos traços primitivos que compartilha com os seus ancestrais; no entanto,Aust. afarensis e da do Aust. africanus. Devido às características dos maxilares, os pré-molares e os molares do Aus.garhi, este mostrava uma certa semelhança com os hominídeos do género Paranthropus, que são maiores e mais robustos do que os Australopithecus, gerando uma adaptação à mastigação de alimentos mais duros ou mais difíceis de digerir e, ao mesmo tempo, alimentar-se de diferentes maneiras.
também mostra características que os tornavam mais adaptados às condições ambientais. A sua dentição era diferente da do
O Aust. garhi é conhecido a partir de poucos espécimes, sendo que entre eles encontram-se fósseis de crânios, maxilares inferiores e superiores, partes frontal superior e laterais de crânios, dentes, membros e troncos. Estes fósseis mostram um comprimento dos membros mais parecido com os do Homo sapiens do que com os atuais símios, excepto os antebraços que tinham proporções idênticas às dos símios; os fémures (osso da coxa) eram mais longos que os do Aust. afarensis. Estas características indicam grandes probabilidades de bipedismo. Possuíam uma face prognata (projetada para a frente), caninos grandes em comparação com os seus molares, apresentavam crista sagital (linha levantada ao longo do topo do crânio, onde o músculo temporal responsável pelo fechamento da mandíbula durante a mastigação fica preso). Estima-se que tenha uma capacidade craniana de 450 centímetros cúbicos, idêntica à do Aust. afarencis.
Não se tem bases suficientes para se fazer uma estimativa acerca do peso e da altura da espécie, sendo que o crânio pode pertencer a um macho.

Alguns cientistas defendem que os dentes molares largos mostram que o Australipithecus garhi encontra-se relacionado com o Paranthropus aethiopicus. No entanto, é pouco provável que a combinação dos traços da face, da caixa craniana e dos dentes pertença ao Paranthropus. Os investigadores que anunciaram os achados pensam que o Aust. garhi pode representar um ancestral do género Homo.


Os fósseis do Australopithecus garhi estão associados a algumas ferramentas de pedra mais antigas de que se tem conhecimento, datando de há 2,6 milhões de anos, juntamente com os ossos de animais que foram cortados e abertos com o auxilio de utensílios de pedra. Será então possível que esta espécie esteja entre as primeiras a fazer a transição para o fabrico de utensílios de pedra e a ingerir a carne e o tutano de animais maiores e o Aus. garhi seria a espécie de hominídeo mais antiga a confecionar ferramentas de pedra, que se tenha conhecimento, o que vai em contradição à crença de muitos paleantropólogos que acreditavam que apenas o género Homo tinha capacidade cerebral para fabricar ferramentas. Estes utensílios consistem em cerca de 3.000 artefactos toscos com cantos talhados e lascas de pedras em Bouri (lembrando vagamente a tecnologia de Olduvay e St Acheul, sendo estas as ferramentas mais antigas conhecidas do Homo habilis).

Dúvidas acerca do Australopithecus garhi:

  • Irão os investigadores recuperar mais fósseis de indivíduos desta espécie? Até que isso aconteça é difícil determinar com exactidão onde se encaixa esta espécie na árvore genealógica humana.
  • Terá o Australopithecus garhi fabricado e usado as ferramentas de pedra que se encontravam próximas?
  • É possível que o crânio do Australopithecus garhi BOU-VP-12/130 seja na realidade um fragmento de um fóssil de uma fêmea do Parathropus aethiopicus ou de um specimen de um Australopithecus afarensis tardio?



Fontes:
http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/australopithecus-garhi
http://www.avph.com.br/australopithecusgarhi.htm


Imagens: Google


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