07/01/2016

Antoine Watteau


Jean-Antoine Watteau, mais conhecido por Antoine Watteau ou simplesmente Watteau (10 de outubro de 1684, Valenciennes, França - 18 de julho de 1721, Nogent-sur-Marne, França), foi um pintor francês do precursor e maior artista do rococó. Nasceu no centro da região de Hainaut, recém-incorporada ao território francês pelas tropas de Luís XIV.
 Não se pode dizer que tenha nascido com grande sorte, mas apesar de ter sofrido bastante, quando se exprime na sua arte, a sua obra não é uma lamentação, mas um longo desejo. O riso, a alegria de viver o que o seu pincel capta, tempera-se sempre de inquietação e de melancolia. A sua arte é um sorriso que surge entre lágrimas.
Filho de um pobre operário de Valenciennes, Watteau teve uma juventude difícil; viveu quase na miséria, o que bem cedo afetou a sua saúde. Feio, timido, enfezado e sem um tostão, encontrou na arte tudo o que a vida lhe não queria dar. Quando Paris descobriu a sua obra, Watteau era decorador ao serviço de Gillot. Os seus motivos, duma graça inigualável, ia buscá-los diretamente à natureza.
Infatigável, Watteau soube, na sua curta vida, afastar todos os obstáculos que a doença opunha à sua necessidade de criação; soube dominar as formas, as cores e os motivos.

Watteau começou a pintar cerca de 1710, tendo por modelo Rubens, os dois Teniers e os quadros do género flamengo, uma arte ainda bem vista no século XVIII. 
Traçou primeiramente, com mão bastante firme, cenas da vida militar e campesina. Mas, pouco depois, passou a escolher temas mais adequados a mostrarem os prazeres da Regência e o seu sonho de felicidade perfeita. Com um pincel discreto e gracioso, pintou então um mundo semi-real, cheio de poesia, onde os atores populares das máscaras italianas dão a vida a paisagens idílicas, 

O Indiferente
O seu quadro O Indiferente descreve muito bem esta época. O alegre jovem, incapaz de abandonar a dança, é uma personagem típica e encantadora do rococó. No Mezzetin, outro italiano toca o alaúde; a doce melodia e a beleza sonhadora da natureza circundante mergulham o músico numa melancolia feita de desejos reprimidos, Mas é quando pinta as "festas galantes", os parques sombrios, a ilha do amor, que Watteau é o melhor, o mais vivo, o mais poeta. A sua obra prima é, certamente, o Embarque para Cítera; vários pares, com ar terno, tomam lugar num barco dourado e vão, após a travessia de uma toalha de água calma, visitar Vénus no seu santuário. Os cavaleiros elegantes e discretos, as coquetes de sorrisos maliciosos, as pequenas faces graciosas, os olhares brejeiros, os tecidos brilhantes... Watteau descreve tudo isto com um gosto requintado. Mas, em oposição às obras de Pater, por exemplo, as "festas" de Watteau não deixam de ter sombras, inquietação: a inquietação duma sociedade brilhante que dá o seu último espetáculo antes da derrocada.
O realismo de Watteau, que aparece sobretudo nos seus minuciosos pastéis, tinge-se de aspirações românticas: as perspetivas das árvores perdem-se nos longes, personagens viram as costas (As Duas Primas), o infinito, isto é, o inacessivel é sugerido.
Mezzetin


A morte levou Watteau em 1721; com 36 anos quando se encontrava no apogeu do seu poder criador. As suas cores doces e quentes, os seus motivos semi-reais, semifeéricos, as suas irisações imprecisas, a liberdade da sua composição e o lirismo dos seus temas tinham rompido com as tradições académicas. Os seus temas, a sua concepção da paisagem, as suas cores e o seu estilo de composição vão ser retomados por vários artistas, que farão finca-pé em seguir Watteau. Mas nenhum deles conseguirá desvendar o segredo dessa melancolia sorridente.




Embarque para Citera

As duas primas






Fontes
História Universal 14, Carl Grimberg, Publicações Europa-América
wikipédia


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...