03/12/2015

Æsir


“Áss” é o singular de Aesir e aparentemente é derivada do proto-indo-europeu ansu, que significa ‘respiração, deus’ relacionada ao sânscrito “asura” e ao avestan “ahura”, com o mesmo significado (embora a palavra em sânscrito tenha vindo a significar demónio).
Em inglês arcaico o cognato de “áss” é os, com significado de “deus, divindade.

A palavra “áss” pode ainda significar feixe ou correio na língua nórdica arcaica, mas não há nenhuma demonstração da conexão etnológica das duas palavras.
Schefferus, um proto-etnologista do século XVII, afirmou que o Æsir referia-se aos imperadores da Ásia, isto é, uma liderança pseudo-feudal (de hereditariedade xamanística) que saíra das estepes asiáticas para a Europa em tempos ancestrais. Nenhum outro estudioso dos séculos seguintes encontrou qualquer evidência que corroborasse tal sugestão.

Na mitologia nórdica é um clã de deuses que residem em Ásgarðr (Asgard), formando o panteão principal dos deuses nórdicos.
Só quatro divindades Ǽsir (Aesir) é que são comuns às outras tribos germânicas fora da Escandinávia:
  • Óðinn (Odin), como Wotan;
  • Þórr (Thor) como Donan
  • Tyr como Tiw ou Tiwaz
  • Frigga como Freia
Os Æsir eram agraciados com a juventude esterna enquanto comessem as maçãs de Iðunn, embora pudessem ser mortos. Quase todos estavam predestinados a morrer durante o Ragnarok.
A contraface dos Aesir são os Vanir, divindades mais ligadas à natureza e à fertilidade, enquanto os Aesir são mais belicosos.
Após a Guerra dos Deuses, os Vanir entregaram como reféns os deuses Njörðr (Niord), Freyr e Freyja para os Æsir, os quais eram importantes deuses no panteão dos Vanir.

As relações entre estes dois clãs é interessante, pois enquanto em outras mitologias uma família de deuses mais jovem substituía outra mais velha, como é o caso da mitologia Grego-Romana, em que os deuses do Olimpo substituem os Titãs, na mitologia nórdica não há uma verdadeira substituição e os dois clãs de deuses continuam as suas relações ao longos dos tempos, lutando entre si, trocando reféns, fazendo as pazes…
Há várias hipóteses explicativas para o caso:
  1. Trata-se de um reflexo das relações entre clãs dos povos nórdicos da antiguidade;
  2. Ter havido uma guerra religiosa entre dois povos e os deuses mais guerreiros Æsir, de um povo indo-europeu que terá invadido certas regiões da Escandinávia, terem vencido aos mais pacíficos e calmos deuses Vanir, ligados à natureza, fertilidade e fecundidade, de um povo autóctone. – Esta hipótese coloca a Guerra dos Deuses como um paralelo ao histórico conflito entre os romanos e os sabinos.
  3. O estudioso Mircea Eliade especula que na verdade trata-se de uma versão diferente de um mito indo-Europeu mais antigo sobre um conflito que integrou as divindades da terra e da fertilidade, sem nenhum ascendente histórico estrito.
Os deuses masculinos do panteão Aesir:
  • Balder, Bragi, Delling, Freyr, Forseti, Hermod, Heimdall, Hoder, Honir, Kvasir, Magni, Modi, Mimir, Narfi, Njord, Od, Odin, Thor, Tyr, Ull, Vali, Vali (2), Ve, Vidar, Vili.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...