15/12/2015

Sigmund Freud - A Vida


Sigmund Freud, nascido como Sigismund Schlomo Freud, a 6 de  Maio de 1856, tendo falecido a 23 de Setembro de 1939, foi um neurologista austríaco, que ficou conhecido como o fundador da psicanálise. 
Freud formou-se como médico na Universidade de Viena em 1881, continuando então a fazer pesquisa sobre paralisia cerebral, afasia e neuroatonomia microscópica no Hospital Geral de Viena.
Foi nomeado docente universitário em neuropatologia no ano de 1885 e tornou-se Professor em 1902.
Ao criar a psicanálise, um método clínico para tratamento de psicopatologias através do diálogo entre o paciente e o psicanalista, Freud desenvolveu técnicas terapêuticas como o uso de associação livre (na qual os pacientes relatam os seus pensamentos sem reservas e na ordem em que eles aparecem, espontaneamente) e descobriu a transferência (o processo no qual os pacientes deslocam para os seus analistas sentimentos derivados dos seus apegos de infância), estabelecendo o seu papel central no processo analítico. A redefinição sexual de Freud para incluir as suas formas infantis levou-o a formular o complexo de Édipo como o principio central da teoria psicanalítica. A análise dos seus sonhos e dos seus pacientes como o desejo de realizações providenciou a Freud modelos de análises clínicas da formação de sintomas assim como dos mecanismos de repressão para a elaboração da sua teoria do inconsciente como um agente perturbador dos estados conscientes da mente.
Freud postulou a existência da libido, uma energia na qual os processos e estruturas mentais são aplicados e que geram apegos eróticos, e uma pulsão de morte, a fonte da repetição, do ódio, da agressão e da culpa neurótica.
Nos seus últimos trabalhos Freud levou a teoria da psicanálise a desenvolver um vasto leque de interpretações e de critica religiosa e cultural.
Os psicanalistas mantêm-se influentes dentro da psicoterapia, dentro de algumas áreas da psiquiatria e ao longo das humanidades. Assim, continua a gerar um debate extensivo e bastante contestado sobre a sua eficácia terapêutica, o seu status científico e se apoia ou se retarda a causa feminista. O trabalho de Freud tem-se, no entanto, impregnado no pensamento contemporâneo e popular, de tal forma que em 1939 W.H. Auden.
Freud nasceu de pais judeus galicianos, na cidade moraviana de Príbr, no Império Austriaco, parte da atual Republica Checa, o primeiro de nove filhos.

O pai, Jacob Freud (1815-1896), um comerciante de lãs, já tinha dois filhos Emanuel (1833-1914) e Filipe (1836-1914) do primeiro casamento.
família de Jacob pertencia era judia hassidiaca e pensava que este se tinha afastado da tradição, o qual veio a ser conhecido pelos seus estudos da Tora. Jacob e a mãe de Freud, Amália Nathansohn (1835-1930) - a sua terceira esposa-, foram casados pelo Rabi Isaac Noah Mannheimer a 29 de Julho de 1855.
O casal lutava contra dificuldades financeiras e viviam num quarto alugado quando o filho Sigismund nasceu. A criança nasceu com uma coifa cefálica, ao que a mãe atribuiu como um bom presságio para o futuro do filho.
Em 1859 a família Freud deixou Freiberg. Os meio-irmãos de Freud emigraram para Manchester, Inglaterra, levando consigo o companheiro de brincadeiras inseparável do rapaz, o filho de Emanuel, João.
Jacob levou a sua mulher e os dois filhos, Freud e Ana (o casal tivera outro flho Julius, que morrera) primeiro para Leipzig e depois, em 1860, para Viena, onde nasceram quatro irmãs (Rosa, Maria, Adolfina e Paula) e um irmão (Alexandre).
Em 1865, Freud com nove anos, entrou na prestigiada escola secundária Leopoldstädter Kommunal-Realgymnasium. Provou ser um proeminente aluno e graduou-se com honras em 1873 de Matura.
Adorava literatura, e era proeficiente em alemão, francês, italiano, espanhol, inglês, hebreu, latim e grego. Freud leu Shakespeare em inglês durante toda a vida, tendo sido sugerido muitas vezes que o seu conhecimento da psicologia humana derivava desta leitura.
Freud entrou na universidade com 17 anos. Tinha planeado estudar Direito, mas juntou-se à Faculdade de Medicina, onde os seus estudos incluíam filosofia por Franz Brentano, fisiologia por Ernst Brücke e zoologia com o professor darwinista Carl Claus. 
Em 1876 Freud passou quatro semanas na Estação de Pesquisa Zoológia Claus, em Trieste, dissecando centenas de enguias numa pesquisa inconclusiva sobre os órgãos sexuais masculinos desta espécie. 
Graduou-se com um MD em 1881.

Início de carreira e casamento

Em 1882 Freud iniciou a sua carreira médica no Hospital Geral de Viena. O seu trabalho de pesquisa sobre anatomia cerebral levou-o à publicação de um artigo pioneiro sobre os efeitos paliativos da cocaína em 1884, e o trabalho sobre afasia seria a base para o primeiro livro de Freud, A Interpretação da Afasia, publicado em 1891.
Durante um período de três anos Freud trabalhou em vários departamentos do hospital. O tempo que passou na clínica psiquiátrica Theodor Meynert e num asilo levaram a um aumento do seu interesse sobre o trabalho clínico. O conjunto substancial de publicações de investigação, levaram-no a tornar-se professor universitário em neuropatologia, em 1885.
Em 1886 Freud demitiu-se do seu lugar no hospital e iniciou-se no privado na especialidade de desordens nervosas. Neste mesmo ano casou-se com Martha Berneys, a neta de Isaac Bernays, um Rabino Chefe em Hamburgo. O casal teve seis filhos: Matilde, nascida em 1897, Jean-Martin, 1889, Oliver, 1891, Ernst, 1892, Sofia, 1893 e Ana em 1895.
Freud era grande admirador do seu tutor de filosofia, Brentano, o qual era conhecido pela sua teoria de percepção e introspeção; assim como de de Theodor Lipps, o qual era um dos teóricos contemporâneos principais dos conceitos do inconsciente e da empatia. Brentano discutiu a possibilidade da existência da mente inconsciente no seu livro de 1884, Psicologia sobre um ponto de vista Empírico. Embora Brentano tenha negado a existência do inconsciente, a sua discussão sobre a possibilidade ajudou Freud a introduzir-se no assunto. Freud possuía as obras de Charles Darwin, e usava-as; também foi influenciado pela obra de Eduard von Hartmann, a Filosofia do Inconsciente.
Leu Friedrich Nietzsche enquanto era estudante e foram apontadas várias analogias entre o trabalho de Freud e Nietzche logo desde o início. No ano da morte de Nietzsche, 1900, Freud comprou as suas obras; Freud disse ao amigo Fliess que esperava encontrar nos trabalhos de Nietzsche "as palavras que continuam silenciosas em mim". Mais tarde veio a dizer que ainda não as tinha encontrado. Freud veio a tratar os trabalhos do filósofo como "textos para se resistirem, mais do que para serem estudados". O interesse de Freud por filosofia foi diminuiu quando decidiu por uma carreira na neurologia e psiquiatria.
As origens judaicas de Freud e a sua fidelidade à sua identidade secular judaica foram de uma influencia significante na formação do intelecto de Freud e da sua perspetiva moral, especialmente no que diz respeito ao seu não conformismo intelectual, como foi apontado no seu Estudo Autobiográfico. Viriam a ter igualmente um forte impacto no conteúdo das ideias psicanalíticas "particularmente em respeito aos valores racionalistas aos quais se comprometeu.

Desenvolvimento da psicanálise

Em Outubro  de 1885, Freud foi a Paris numa associação para estudar com Jean-Martin Charcot, um neurologista célebre que estava a conduzir um estudo sobre hipnose. Mais tarde, Freud recordou a esperiencia desta estadia como um catalisador que o transformou na direção da prática da psicopatologia médica e para longe de uma carreira financeiramente menos promissora na pesquisa neurológica.
Charcot especializou-se no estudo da histeria e susceptibilidade à hipnose, que demonstrou frequentemente com pacientes em palcos em frente a uma audiência.
Uma vez iniciada a prática privada em 1886, Freud começou a usar a hipnose no seu trabalho clínico. Adoptou a abordagem do seu colega e amigo Josef Breuer, num uso da hipnose diferente dos métodos franceses que havia estudado, na medida em que não usava a sugestão. O tratamento de um paciente de Breuer em particular mostrou ser transformativo para o trabalho de Freud. Descrita como Anna O foi convidada a falar sobre os seus sintomas debaixo de hipnose. No curso desta forma de conversação, os sintomas reduziram-se bastante à medida que recuperava memórias de incidentes traumáticos associados ao inicio destes.
Isto levou a que Freud, viesse a estabelecer, no curso da sua prática clínica, um conjunto de práticas mais consistentes e efetivas no alívio dos sintomas sem a hipnose, do que aqueles que poderiam vir a ser alcançados com este recurso, ao encorajar os pacientes a falarem livremente sobre quaisquer ideias ou memórias que lhe ocorressem. Para além deste procedimento, a que Freud designou de "associação livre", descobriu que os sonhos dos pacientes eram um recurso valioso e rico que quando analisados poderiam revelar estruturas complexas do inconsciente e mostrar a ação de repressão da psique que era a causa, muitas vezes, da formação dos sintomas. Em 1986 Freud já tinha abandonado a hipnose e usava o termo "psicanálise" ao referir-se ao seu novo método clínico e às teorias em que se baseava.
O desenvolvimento de Freud destas novas teorias deram-se durante um período em que ele sofreu de problemas cardíacos, distúrbios de sono e períodos de depressão, uma "neurastenia" que o próprio associou à morte do pai em 1896 e incitou-o a fazer uma auto análise dos seus próprios sonhos e memórias de infância. A exploração dos seus sentimentos de hostilidade para com o pai e rivalidade ciumenta pelo afecto da mãe levou-o a fazer uma revisão profunda das causas para a origem das neuroses. 
Baseando-se no seu trabalho clínico anterior, Freud tinha postulado que memórias inconscientes de molestação sexual na primeira infância eram uma precondição paras as psiconeuroses (histeria e neuroses obsessivas), uma formulação conhecida atualmente como a teoria freudiana de sedução. À luz da sua própria autoanálise, Freud abandonou a teoria que cada neurose provém de abusos infantis, argumentando que cenários sexuais infantis tinham uma função causativa, não importanto se eram reais ou imaginados e que só se tornavam patogénicos quando agiam como memórias reprimidas.
Esta transição da teoria do trauma sexual infantil como uma explicação geral de como todas as neuroses tinham origem para uma que pressumunha uma sexualidade infantil autonoma providenciou as bases para a formulação da teoria posterior do Complexo de Édipo.
Freud descreveu a evolução do seu método clínico e estabeleceu a sua teoria psicogenética para as origens da histeria, demonstradas nas histórias de vários casos, em Estudos de Histeria, publicado em 1895 em co-autoria com Josef Breuer. Em 1889 publicou A Interpretação dos Sonhos que, seguido de uma revisão crítica das teorias existentes, Freud fornece interpretações detalhadas dos seus próprios sonhos e dos seus pacientes em termos de a realização de desejos serem submetidos à repressão e censura do "trabalho dos sonhos". Estabelece então o modelo teórico da estrutra mental (o inconsciente, o pré-consciente e o consciente) no qual esta obra se baseia. Em 1901 foi publicada uma versão resumida, Em Sonhos.
Noutros trabalhos, que fariam com que Freud ganhasse um público mais alargado, Freud aplicou as suas teorias para além do contexto clínico, em Psicopatologias da Vida Quotidiana (1901) e em Partidas e a sua Relação com o Inconsciente (1905). Em Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, publicado em 1905, Freud elaborou a sua teoria sobre a sexualidade infantil, descrevendo as suas formas de "perversos polimorfos" e a função dos "movimentos" a que dá origem, na formação da sexualidade infantil. No mesmo ano, publicou "Fragmento da Análise de um Caso de Histeria", o qual se tornou um dos casos de estudo mais famosos e controversos.

Seguidores Iniciais

Freud passou a maior parte da sua vida em Viena. De 1891 até 1938 ele e a família viveram num apartamento em Berggasse 19. Como docente da Universidade de Viena, desde meados da década de 1880, Freud tinha estado a dar palestras sobre as suas teorias todos os sábados à tarde no hall clinica de psiquiatria da Universidade todos os anos desde 1886 a 1919. O trabalho e Freud gerou um interesse considerável por parte de um grupo de médicos vienenses. Desde o Outono de 1902 até pouco depois da promoção de Freud com o título honorífico de auBerordentlicher Professor,  formou-se um pequeno grupo de seguidores, encontrando-se com no apartamento de Freud todas as quartas feiras à tarde, para discutirem assuntos relacionados com a psicologia e neuropatologia. Este grupo chamava-se Sociedade Psicológica das Quartas e marcou o início de um movimento psicanalítico internacional.
Este grupo inicial fundou-se à volta de Freud por sugestão do Dr. Wilhelm Stekel, que havia estudado medicina na Universidade de Viena sob a orientação de Richard von Krafft-Ebing.
Os outros três membros originais que Freud convidou, Alfred Aldler, Max Kahane e Rudolf Reitler também eram médicos e todos os cinco eram judeus de nascimento.
Por volta de 1906 o grupo já tinha dezasseis membros, incluindo Otto Rank que foi empregado como o secretário do grupo. Neste mesmo ano, Freud começou a corresponder-se com Jung que na altura era assistente de Eugen Bleuler no Hospital Psiquiátrico Burghölzli em Viena. Em 1907 Jung, junto com Ludwig Binswanger - um psiquiatra suiço -, viajaram para Viena para visitar Freud e assistir ao grupo. Logo após o encontro estabeleceram um pequeno grupo psicoanalitico em Zurique. Em 1908, reflectindo o crescimento do grupo e aumento de status, o Grupo das Quartas foi renominado para Sociedade Psicanalitica de Viena.
Em 1911 foram admitidas as primeiras mulheres no grupo. Tatiana Rosenthal e Sabina Spielrein eram ambas psiquiatras russas e graduadas da Faculdade de Medicina de Zurique. Antes de acabar os estudos Spielrein tinha sido paciente de Jung no Burghölzli e a relação clinica e pessoal entre Jung e a paciente tornaram-se objecto de correspndência entre Freud e Jung. Ambas as mulheres viriam a dar contribuições importantes para a Sociedade Psiquiatra Russa que foi fundada em 1910.
O primeiro encontro oficial do grupo inicial de Freud deu-se a 27 de Abril de 1908 no Hotel Bristol em Salzburgo. Este encontro viria a tornar-se  Congresso Internacional Psicanalítico. Foram efectuados importantes avanços que viriam a ter impacto no trabalho de Freud. Esta Convenção foi efectuada por sugestão de Ernest Jones um neurologista de Londres que havia descoberto os escritos de Freud e tinha começado a aplicar os métodos na sua clinica.
Mais tarde Freud virou-se para Jones e Abraham Brill no sentido de aumentar a sua causa psicanalítica nos países de língua inglesa.

Demissões do AIP

Alguns dos seguidores de Freud viriam a apresentar a resignação do AIP (Associação Internacional Psicanalítica) e fundaram as suas próprias escolas.
A partir de 1909 as visões de Adler como por exemplo da neurose começaram a diferir grandemente das de Freud. Como a visão de Adler aparentava um crescente incompatibilidade com o Freudenismo, uma série de confrontos entre os respectivos pontos de vista deram lugar nos encontros de Janeiro e Fevereiro de 1911 da Sociedade Psicanalítica Vienense. Em Fevereiro, o então presidente da sociedade apresentou a sua resignação da sua posição. Nesta altura, Stekel também se resignou da vice presidência da sociedade. Adler deixou o grupo por completo em Junho desse ano e fundou a sua própria organização com outros nove membros que haviam saído do grupo. Esta nova formação inicialmente designou-se como Sociedade Para Psicanálise Livre, mas cedo veio a alterar a denominação para Sociedade de Psicologia Individual.
Em 1912 Jung publicou Wandlungen und Symbole der Libido (em português, Psicologia do Inconsciente) mostrando claramente que a sua visão estava a tomar um rumo completamente diferente do de Freud. De forma a diferenciar o seu sistema do de Freu, Jung designou-o de psicologia analítica.
Antecipando uma separação final na relação entre Freud e Jung, Ernest Jones começou a formar um comité de lealistas encarregados de salvaguardar a coerência teórica e o legado institucional do movimento psicanalítico. Formado no Outono de 1912 o comité incluía Freud, Jones, Abraham, Ferenczi, Rank e Hans Sachs. Max Eitingon viria a juntar-se ao comité em 1919.
Depois deste desenvolvimento Jung reconheceu que a sua posição era insustentável e apresentou a demissão como editor do Jarhbuch e da então presidência do AIP em Abril de 1914.
A sociedade de Zurique desistiu do AIP em Julho de 1914.
Ainda neste ano, Freud publicou A História do Movimento Psicanalítico, dando assim a conhecer o seu ponto de vista do nascimento e evolução do movimento psicanalítico e das desistências de Jung e Adler.
A última resignação veio a dar-se em 1926, após a publicação de O Trauma do Nascimento de Rank, que os outros membros do comité viram como um abandono do Complexo de Édipo como ponto central da psicanálise. O lugar de Rank veio a ser tomado por Anna Freud.
Rank veio a estabelecer-se nos EUA onde as suas revisões das teorias de Freud foram de bastante influencia para uma nova geração de terapeutas que se encontravam inconfortáveis com a ortodoxia do AIP.

Primeiros movimentos psicanalíticos

Após a fundação do AIP em 1910 uma rede internacional de sociedades psicanalíticas, institutos de formação e clínicas ficaram bem estabelecidas e um horário regular bianual de Congressos começaram a coordenar as suas actividades após a I Guerra Mundial. Freud compareceu ao seu último congresso em 1922 na cidade de Berlim.
Abraham e Eitingon fundaram a Sociedade Psicanalítica de Berlim em 1910 e de seguida o Instituto Psicanalítico de Berlim e o Poliklinik em 1920. As inovações do Poloklinik de livre tratamento e análise infantil e a estandardização da formação psicanalítica pelo Instituto de Berlim foram de enorme influência no movimento da psicanálise. Em 1927 Ernst Simmel fundou Sanatório Schloss Tegel na periferia de Berlim, o primeiro a providenciar tratamento psicanalítico num quadro institucional.
A Sociedade Psicanalítica de Moscovo de 1910 veio a tornar-se  a Sociedade Psicanalítica Russa e Instituto em 1922. Os seguidores russos de Freud foram os primeiros a beneficiar da tradução do seu trabalho. A tradução de 1904 de A Interpretação dos Sonhos apareceu nove anos antes da edição de Brill em inglês. O Instituto russo também se encontrou numa situação única ao receber ajuda estatal para as suas atividades, que incluía a tradução dos trabalhos de Freud. Esta ajuda estatal acabou em 1924 quando Joseph Stalin subiu ao poder, após  a qual a psicanálise foi denunciada com base na ideologia.
Após ter ajudado a fundar a Associação Americana Psicanalítica em 1911, Ernest Jones voltou para a Grã-Bretanha do Canadá, em 1913 - ano em que fundou a Sociedade Psicanalítica de Londres. Em 1919 dissolveu esta organização e com os membros da antiga Sociedade, sem os seguidores da teoria junguiana, formou a Sociedade Psicanalítica Britânica, tendo sido presidente até 1944. O Instituto de Psicoanálise foi fundado em 1924 e a Clínica de Londres de Psicanálise estabeleceu-se em 1926, ambos sob a orientação de Jones. O Ambulatório de Viena abriu em 1922 e o Instituto Psicanalítico de Viena foi fundado em 1924 sob a orientação de Helene Deutsch. Ferenczi fundou o Instituto Psicanalítico de Budapeste em 1913 e uma clínica em 1929.
Também foram fundadas sociedades e institutos na Suiça (1919), França (1926), Nova Iorque (1931), Itália (1932), Holanda (1933), Noruega (1933), Jerusalém (1933).

Pacientes

Freud recorreu a pseudónimos para relatar casos clínicos. Alguns nomes conhecidos são Cäcilie M. (Anna von Lieben); Dora (Ida Bauer, 1882 - 1945); Frau Emmy von N. (fanny Moser); Fräulein Elisabeth von R. (Ilona Weiss); Fräulein Katharina (Aurelia Kronich); Fräulein Lucy R; Little Hans (Herbert Graf, 1903-1973); Rat Man (Ernst Lanzer, 1878-1914); Enos Fingy (Joshua Wild, 1878-1920); Wolf Man (Sergei, 1887-1979). Outros pacientes famasos incluiram  H.D. (1886-1961), Emma Eckstein (1865-1924); Gustav Mahler (1860-1911), com o qual Freud só teve uma única e longa consulta e a Princesa Marie Bonaparte.

Luta com o cancro

A Fevereiro de 1923 foi detetado leucoplasia a Freud, um tumor benigno na boca, associado com o facto de Freud fumar muito. Inicialmente Freud manteve isto em segredo, mas em Abril de 1923 informou Ernest Jones, dizendo-lhe que o tumor havia sido removido. Freud consultou o dermatologista Maximilian Steiner que o aconselhou a deixar de fumar mas mentiu acerca da seriedade do tumor, minimizando a importância. Freud mais tarde consultou Felix Deutsch que o informou que o tumor era cancerígeno, identificando-o como uma "má leucoplasia" em vez do termo técnico de epitilioma. Deutsch avisou Freud para para este parar de fumar e retirar o tumor. Freud foi tratado por Marcus Hajek, um rinologista que antes havia questionado. Hajek realizou uma cirurgia plástica desnecessária. Freud sangrou durante e após a operação, e escapou por pouco à morte. Devido a isto, Freud consultou mais uma vez Deutsch, mas este inibiu-se de dizer ao paciente que tinha cancro, por receio que Freud cometesse suicídio.

Fuga do Nazismo

Em 1930 Freud foi premiado com o Prémio Goethe em reconhecimento pelas contribuições deste para a psicologia e cultura literária alemãs. Em Janeiro de 1933, os Nazis tomaram o controle da Alemanha, e os livros de Freud estavam entre os que foram queimados e destruídos, Freud ironizou: "Que progresso que nós estamos a fazer. Na Idade Média eles queimar-me-iam. Hoje, contentam-se em queimar os meus livros."
Freud manteve uma atitude optimista de subestimação da ameaça nazi e continuou determinado a ficar em Viena, mesmo após o Anschluss de 13 de Março de 1938, em que a Alemanha Nazi anexou a Austria, e a erupção de violência anti-semítica que se seguiu. Ernst Jones, o então Presidente da Associação Internacional de Psicanálise, foi de avião de Londres para Viena determinado a fazer com que Freud mudasse de ideias e procurasse exílio na Inglaterra. Esta perspectiva e o choque da detenção e interrogatório da filha Anna Freud pela Gestapo, convenceram finalmente Freud a deixar a Áustria. Jones partiu na semana seguinte para Londres com uma lista fornecida por Freud, com os nomes de quem seria necessário permitir a imigração. Já em Londres, Jones usou a influência pessoal junto de Sir Samuel Hoare para conseguir a concessão de licenças. Eram dezassete no seu total. Jones também usou da sua influência junto aos círculos científicos, persuadindo o Presidente da Royal Society, Sir William Bragg, a escrever ao Secretário das Relações Exteriores Lord Halifax, a pedir que se fizesse pressão diplomática em Berlim e Viena a favor de Freud. Freud também teve o apoio de diplomatas americanos, principalmente do ex-paciente e embaixador francês, William Bullit.
A partida de Viena foi feita por fases, em Abril e Maio de 1938. O neto de Freud Ernst Halberstadt e a esposa do filho Martin partiram para França em Abril. A cunhada de Freud, Minna Bernay, partiu para Londres a 5 de Maio. Martin Freud na semana a seguir e a filha de Martin, Matilde e o marido, Robert Hollitscher, a 24 de Maio.
Pelo final do mês, os preparativos para a partida do próprio Freud para Londres tinham-se tornado lentos, imersos num processo legal tortuoso, e financeiramente exorbitante, de negociações com as autoridades nazis. No entanto o Kommissar encarregado do processo e os membros do AIP mostraram-se a favor de Freud.
Anton Sauerwald, que estudou Química na Universidade de Viena sob a orientação do Professor Josef Herzig, um velho amigo de Freud que apesar da lealdade para com o partido Nazi, mantinha relações amigáveis e respeito para com o trabalho de Freud. Era suposto Sauerwald fornecer os detalhes das contas bancárias de Freud aos superiores e seguir as instruções destes e destruir toda a biblioteca histórica de livros guardados no AIP, no entanto não fez nenhuma das coisas, escondendo as provas das contas bancárias que Freud tinha no estrangeiro no próprio cofre e organizando o armazenamento dos livros na Biblioteca Nacional de Áustria, onde ficaram até ao final da guerra.
Apesar da intervenção de Sauerwald ter diminuído o encargo financeiro relativamente ao tributo de "fuga" nos bens declarados de Freud, foram cobrados outros encargos de valor substancial relativos às dívidas deste para com AIP e sobre a colecção de antiguidades. Incapaz de aceder às próprias contas, Freud virou-se para a princesa Marie Bonaparte, a mais rica e eminente dos seguidores franceses do psicanalista, que havia viajado para Viena de forma a oferecer o seu apoio, sendo ela a fornecer os fundos necessários. Isto permitiu que Sauerwald assinasse os visas de saída de Freud, e da esposa e filha, Anna, deste. Deixaram Viena no Expresso do Oriente a 4 de Junho, acompanhados pelo pessoal doméstico e um médico, chegando a Paris no dia seguinte, onde ficaram como convidados da Princesa Bonaparte antes de viajarem para Londres, onde chegaram a 6 de Junho.
Vários nomes famosos rapidamente foram ter com Freud, como Salvador Dalí, Stefan Zweig, Leonard Woolf, Virginia Woolf e H.G.Wells, representantes da Royal Society com a Carta da Sociedade para Freud assinar e tornar-se ele mesmo um dos membros. A Princesa Bonaparte chegou nos finais de Junho para discutir o destino das quatro irmãs mais velhas de Freud que ficaram em Viena. As suas futuras tentativas para lhes obter visas falharam e estas haveriam de morrer nos campos de concentração nazis.
Na Primavera de 1939 chegou Anton Sauerwald para ver Freud, aparentemente para discutir com Freud assuntos relacionados com o AIP. Haveria de fazer um último favor a Freud. Voltou a Viena para levar o especialista vienense de cancro de Freud, Hans Pichler, para Londres para operar Freud.
Sauerwald foi a tribunal e preso em 1945 por um Tribunal Austríaco devido às suas actividades como oficial Nazi. Respondendo a um apela da esposa de Sauerwald, Anna Freud escreveu a confirmar que Sauerwald «usou o seu escritório como nosso comissário apontado de forma a proteger o meu pai». A intervenção de Anna Freud ajudou a assegurar a libertação de Sauerwald em 1947.
O quarto de consulta de Freud foi recriado em pormenor na nova casa de Freud, na 20 Maresfield Gardens, Hamstead, North London. Continuou a ver atender paciente até à fase terminal da sua doença. Também trabalhou nos seus últimos livros, Moisés e o Monoteísmo, publicado na Alemanha em 1938 e em inglês no ano a seguir e o incompleto Esboço de Psicanálise, que viria a ser publicado postumamente.

Pdf dos livros: 

Morte

Por meados de Setembro de 1939, o cancro de Freud  na mandíbula estava a causar-lhe uma dor crescente e forte e havia sido declarado inoperável. O último livro que haveria de ler, La Peau de Changrin de Balzac, levaram a reflexões sobre a sua própria fragilidade crescente e alguns dias depois virou-se para o seu médico e companheiro de refúgio, Max Schur, lembrando-o que tinham anteriormente discutido as fases finais da doença: «Schur, tu lembras-te do nosso "contrato", não me deixando ao abandono quando o tempo chegar. Agora não é nada para além de tortura e nada faz sentido.», após «Fala com Anna, e se ela achar que está bem, então põe um fim nisto.» Anna quis adiar a morte do pai, mas Schur achando que não havia sentido em manter Freud vivo, a 21 e 22 de Setembro administrou doses de morfina que vieram a resultar na morte de Freud a 23 de Setembro de 1939.




Fontes

http://en.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud
http://portugues.free-ebooks.net/



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...