15/12/2015

Sigmund Freud - Ideias


Trabalho Inicial

Freud começou a estudar Medicina na Universidade de Viena em 1873. Levou quase nove anos a completar os estudos devido ao seu interesse pela pesquisa da neurofisiologia, especificamente sobre a investigação da anatomia sexual das enguias e a fisiologia do sistema nervoso (assim como o interesse de Freud em estudar com Franz Brentano). 
Começou a praticar clínica privada por questões monetárias, recebendo o diploma de Medicina em 1881 com a idade de 25 anos.
Entre os principais interesses de Freud na década de 1880 estava a anatomia do cérebro, principalmente do bulbo raquidiano. Participou em debates importantes sobre a afasia com a sua monografia de 1881, Zur Auffassung der Aphasien, na qual Freud criou o termo agnosia e desaconselhou contra uma visão demasiado localizada nas explicações dos deficits neurológicos. Tal como o seu contemporâneo Eugen Bleuler, Freud deu ênfase à função em vez da estrutura cerebral.
Ainda cedo, Freud também trabalhou na investigação da paralisia cerebral. Publicou diversos artigos sobre o assunto e mostrou que a doença existia antes de outros repararem nela e começarem a investigá-la. Freud sugeriu que William Little, o primeiro a reparar na paralisia cerebral, estava errado quanto ao facto de a falta de oxigénio durante o parte ser a causa da doença, sugerindo que as complicações no partos eram apenas um sintoma. Freud tinha a esperança de que a sua pesquisa fornecesse as bases científicas para a sua técnica terapêutica. O objectivo da terapia Freudiana, ou psicanálise, é a de trazer  os pensamentos e emoções reprimidos para o consciente, de forma a libertar o paciente do sofrimento de viver com emoções repetitivas distorcidas. 
Classicamente, o trazer os pensamentos e emoções para o consciente era feito pelo encorajamento do paciente a falar dos seus sonhos e a fazer uma associação livre, na qual os pacientes relatam os seus pensamentos sem reservas sem fazer nenhuma tentativa de se concentrar enquanto o faz. Outro elemento importante da psicanálise é a transferência, o processo pelo qual os pacientes deslocam para os seus analistas emoções e ideiaas que derivam de figuras anteriores da sua vida. A transferência foi inicialmente vista como um fenómeno lamentável que interferia com a recuperação de memórias reprimidas e confundem a objectividade do paciente, mas por volta de 1912, Freud via esta transferência como parte fundamental do processo terapêutico.


A origem do trabalho inicial de Freud com a psicanálise pode ser ligada a Josef Breuer. Freud credibilizou Breuer por este ter aberto o caminho para a descoberta do método psicanalítico pelo tratamento que efectuou a Anna O. Em Novembro de 1880, Breuer foi chamado para tratar uma jovem de 21 anos extremamente inteligente (Bertha Pappenheim) por causa de uma tosse persistente que Breuer diagnosticou como histérica. Breuer descobriu que enquanto Anna O cuidava do pai moribundo, tinha desenvolvido diversos sintomas transitórios, incluindo desordens visuais, paralisia, e contraturas nos membros, os quais Breuer diagnosticou igualmente como histerias. Breuer começou a ver a paciente quase diariamente à medida que os sintomas aumentavam e tornaram-se mais persistentes e reparou que a paciente entrava em estados de ausência. Descobriu que quando, com o encorajamento dele, Anna O contou-lhe estórias de fantasia nos seus estados nocturnos de ausência, a condição da paciente melhorou, e a maioria dos sintomas haviam desaparecido em Abril de 1881. No entanto, após a morte do pai nesse mês, a condição da paciente piorou. Breuer registou que alguns dos sintomas desapareceram espontaneamente e que a recuperação completa foi possível através da incentivação para que a paciente se lembrasse de eventos que haviam precipitado a ocorrência de um sintoma especifico. Nos anos a seguir ao tratamento de Breuer, Anna O, passou três ocasiões em sanatórios com o diagnóstico «histeria» com «sintomas somáticos»

Teoria da Sedução 

No início da década de 1890, Freud usou uma forma de tratamento baseado num que Breuer havia usado nele, modificando-a pelo que designou de «técnica de pressão» e a sua nova técnica analítica, recentemente desenvolvida, de interpretação e reconstrução. De acordo com a explicação tardia de Freud dessa época, como resultado do uso deste procedimento a maior parte dos pacientes dos meados da década de 1890 relataram abuso sexual na infância. Freud acreditou nestas histórias, que usou como base para a sua teoria de sedução, mas então veio a acreditar que eram fantasia. Explicou isto a principio como tendo a função de «cortar»as memórias de masturbação infantil, mas em anos posteriores Freud escreveu que as memórias representavam fantasias Odiepais, decorrentes de impulsos inatos que são sexuais e destrutivos por natureza.
Outra versão dos eventos foca-se na proposta de Freud de que as memórias inconscientes de abuso sexual infantil foram a raíz das psiconeuroses em cartas para Fliess em Outubro de 1895, antes mesmo de ter relatado ter descobertos tais abusos nos pacientes. Na primeira metade de 1896, Freud publicou três artigos, que levaram à sua teoria de sedução, afirmando que ele havia revelado, em todos os pacientes actuais, memórias profundamente reprimidas de abuso sexual na primeira infância. Nestes artigos, Freud registou que os pacientes não estavam totalmente conscientes destas memórias, e que logo, deveriam ser apresentadas como memórias inconscientes se foram o resultado de sintomas histéricos ou neuroses obsessivas. Os pacientes foram sujeitados a uma pressão considerável para «reproduzir»  «cenas» de abuso sexual infantil que Freud estava convencido que estavam reprimidas nas suas memórias inconscientes. Os pacientes, na sua generalidade, não ficaram convencidos que as suas experiências no procedimento clínico de Freud indicavam realmente abuso sexual. Freud relatou que mesmo após uma suposta «reprodução» das cenas sexuais, os pacientes mostraram a sua descrença.
A par da técnica de pressão, os procedimentos clínicos de Freud incluíam conclusões analíticas e a interpretação simbólica dos sintomas para se traçarem até abusos sexuais infantis. A sua reivindicação de uma confirmação de cem por cento da sua teoria apenas serviu para reforçar as reservas anteriores  dos colegas acerca da validade das descobertas feitas através da técnica de pressão. Posteriormente Freud mostrou inconsistência se a sua teoria de sedução ainda era compativel com as descobertas posteriores.

Cocaína

Como investigador médico, Freud foi um usuário inicial e defensor da cocaína tanto como estimulante quanto analgésico. Freud acreditava que a cocaína era a cura para muitos problemas mentais e físicos, e no seu artigo de 1884 "Sobre a Coca" exaltou as suas virtudes. Enre 1883 e 1887 Freud escreveu vários artigos a recomendar a aplicação médica da cocaína, incluindo o seu uso como antidepressivo. Falhou por pouco na prioridade cientifica em descobrir as suas propriedades anestésicas das quais estava consciente, mas que só mencionara de forma passageira (Karl Koller, um colega de Freud em Viena, recebeu essa distinção em 1884, após reportar a uma sociedade médica as formas como a cocaína poderia ser usada em cirurgias delicadas aos olhos.) 
Freud também recomendou a cocaína como uma cura para o vício da morfina. Introduziu a cocaína ao amigo Ernst von Fleischl-Marxow que se tinha tornado viciado em morfina, por a ter tomado durante anos para o alívio de uma dor nervosa excruciante que resultou de uma infecção apanhada quando fazia uma autópsia. No entanto, a pretensão de que Fleischl-Marxow estava curado do vício foi prematura, apesar de nunca ter percebido o erro. Fleischl-Marxow desenvolveu um caso agudo de «psicose de cocaína», e cedo voltou a usar a morfina, morrendo poucos anos depois, após ter sofrido mais uns anos de uma dor intolerável.
A aplicação como anestésico acabou por ser um dos poucos usos seguros da cocaína, e à medida que os relatórios de vício e overdoses começaram a aparecer em muitos locais do mundo, a reputação médica de Freud ficou um pouco danificada.
Após o «Episódio da Cocaína», Freud deixou de fazer publicações a recomendar o uso da droga, mas continuou a tomá-la pessoalmente para a depressão, enxaquecas e inflamações durante o princípio da década de 1890, após interromper em 1896. Nesta altura Freud ficou sob a influência do amigo e confidente Fliess, que havia recomendado a cocaína para o tratamento do então chamado neurose reflexo-nasal. Fliess, que operou o nariz de diversos pacientes, também operou Freud e um dos pacientes de Freud, que ele acreditava estar a sofrer desta desordem, Emma Eckstein. No entanto, a cirurgia mostrou-se desastrosa.
Foi sugerido que muito da teoria psicanalítica de Freud foi um sub-produto da cocaína.

O Inconsciente

O conceito de inconsciente foi central para a explicação da mente de Freud. Freud acreditava que enquanto os poetas e pensadores desde há muito que conheciam a existência do inconsciente, assegurou que recebeu reconhecimento pelo campo científico. No entanto, o conceito tem uma apresentação informal nos escritos de Freud.
O inconsciente foi primeiramente introduzido em ligação com o fenómeno da repressão, para explicar o que acontece às ideias que são reprimidas.
Freud deu uma disse explicitamente que o conceito do inconsciente era baseado na teoria da repressão. Postulou um ciclo em que as ideias são reprimidas, mas permanecem na mente, fora do consciente no entanto ainda operacionais, aparecendo no consciente debaixo de certas circunstâncias. Esta crença foi baseada na investigação de casos de histeria traumática, que revelou casos onde o comportamento dos pacientes não podia ser explicado sem a referencia a ideias ou pensamentos de que estes não estavam conscientes. Este facto, combinado com a observação de que este comportamento podia ser induzido sob hipnose, na qual ideias eram inseridas na mente das pessoas, sugeriu que estas ideias eram activas nos casos originais, apesar dos sujeitos não as conhecerem.
Freud, tal como Josef Breuer, achou que a hipótese das manifestações histéricas serem geradas por ideias não apenas como garantido, mas dada em observação. O desacordo entre os dois, porém surgiu, quando ambos tentaram dar uma explicação causal dos dados: Breuer era a favor da hipótese de estados hipnódicos, enquanto que Freud defendia o mecanismo de defesa. Richard Wollheim comentou que dado a correspondência próxima entre a histeria e o resultado da hipnose, a hipótese de Breuer parece ser mais plausível, e é só quando a repressão é levada em conta que a hipótese de Freud se torna preferível.
Originalmente Freud argumentou que a repressão poderia ser um processo consciente, mas pela altura em que escreveu o segundo artigo no  "Neuro-Psicoses de Defesa" (1896), aparentemente acreditava que a repressão, que referiu como «o mecanismo psíquico de defesa (inconsciente)», ocorria a um nível inconsciente. Mais tarde Freud desenvolveu as suas teorias acerca do inconsciente na Interpretação dos Sonhos (1899) e em Os chistes e a sua relação com o Inconsciente (1905), onde Freud tratou da condensação e o deslocamento como características inerentes da actividade mental inconsciente. Freud apresentou o seu primeiro argumento sistemático das suas hipóteses dos processos mentais inconscientes em 1912, em resposta a um convite da London Society of Psychical Reasearch para contribuir para os seus Proceedings. Em 1915, Freud extendeu o argumento para um artigo mais ambicioso metapsicológico, intitulado "O Inconsciente". Em ambos os artigos, quando Freud tentou fazer a distinção do seu conceito de inconsciente daqueles que precederam a psicanálise, ele encontrou-a na sua argumentação que as ideias são simultaneamente latentes e operativas.

Sonhos

Freud acreditava que a função dos sonhos era a de preservar o sono ao representar desejos não concretizados que de outra forma iriam acordar a pessoa adormecida. Também acreditava que há uma técnica psicológica específica pela qual os sonhos podem ser  interpretados, e se a te´cnica tivesse sucesso, cada sonho é revelado como uma estrutura psicológica, que tem um significado importante e funcional nas actividades mentais quando a pessoa se encontra acordada.

Desenvolvimento Psico-sexual

Freud tinha a esperança de poder provar que o seu modelo era universalmente válido, tendo então virado-se para a mitologia antiga e etnografia contemporânea de forma a obter material comparativo. Freud denominou a sua nova teoria de Complexo de Édipo baseado na famosa tragédia grega Oedipus Rex de Sofocles. Freud procurava ancorar os seus padrões de desenvolvimento na dinâmica da mente. Cada fase na progresso para o amadurecimento sexual adulto, caracterizado por forte ego e a habilidade de atrasar a gratificação. Usou o conflito de Édipo para mostrar o quanto acreditava que as pessoas desejam o incesto mas que são obrigadas a reprimir esse desejo. O conflito de Édipo foi descrito como um estado de desenvolvimento psicossexual e desconhecimento. Freud também se virou para os estudos antropológicos de totosmo (verivicar palavra – original: Totemism) e argumentou que o totemismo reflectia um estabelecimento ritualizado de um conflito Édipal tribal. Freud também acreditava que o complexo de Édipo era bissexual, envolvendo uma atração por ambos os pais.
Os julgamentos tradicionais mantiveram-se fiéis a este pressuposto, como resultado de diversos relatos de pacientes. Durante os meados de 1890 Freud argumentou que as psiconeuroses eram uma consequência de abuso sexual na primeira infância. Especificou, em três artigos, em 1896, defendeu que memórias inconscientes de abuso sexual infantil eram uma condição necessária para o desenvolvimento de psiconeuroses nos adultos. No entanto, o exame aos papéis originais de Freud revelaram que as suas reivindicações clínicas não eram baseadas nos relatórios dos pacientes mas derivativos da sua metodologia de análise clínica, que na altura incluía procedimentos coersivos. A nível particular, Freud expressou ao amigo Fliess, em Setembro de 1897, a perda de fé na sua própria teoria, dando várias razões para atl, incluindo o facto de não ter conseguido uma conclusão de sucesso de um único caso. Em 1906, ainda que mantendo as antigas afirmações da descoberta de abusos sexuais infantis continuassem válidos, postulou uma nova teoria da existência de fantasias sexuais infantis de abuso sexual. Freud havia incorporado as suas noções de fantasias inconscientes na Interpretação do Sonhos (1899), mas não relatou com detalhes a sua reivindicação da teoria sexual para o complexo de Édipo até 1925. Freud mostrou inconsistência se a sua teoria posterior invalidaria ou não a sua anterior. Numa nota ao The Aetiology of Hysteria, afirmou: "Tudo isto é verdade [o abuso sexual de crianças]; mas tem de ser lembrado que na altura em que escrevi isto eu ainda não me tinha liberto da minha sobrevalorização da realidade e da minha baixa avaliação da fantasia." Mais tarde Freud rejeitou explicitamente a reivindicação do seu colega Ferenczi de que os relatórios dos pacientes, de abuso sexual eram de facto memórias em vez de fantasias, e tentou dissuadir Ferenczi de tornar estas visões públicas.
Freud também acreditava que a libido se desenvolvia nos indivíduos por mudar de objecto, um processo codificado pelo conceito de sublimação. Argumentou que os humanos nascem "polimorficamente perversos", isto é, que um qualquer objecto poderia ser uma fonte de prazer. Acrescentou que, à medida que os humanos se desenvolvem, tornam-se fixados em objectos diferentes e específicos através das várias fases de desenvolvimento - primeiro a fase oral (exemplificado pelo prazer de amamentação da criança), depois a fase anal (exemplificado pelo prazer de uma criança a evacuar os seus intestinos), depois a fase fálica. Freud afirmou que, numa fase tardia, os rapazes tornam-se fixados na mãe como um objecto sexual (conhecido como o Complexo de Édipo), uma fase que tem um fim através da ameaça da castração, o que resulta na ansiedade de Castração, o trauma mais severo na sua jovem vida.
Nos escritos tardios Freud  postulou um equivalente da situação Édipo para as jovens raparigas, em que a fixação sexual é o pai. Embora não defendido pelo próprio Freud, o termo "Complexo de Electra" às vezes é usado neste contexto.  A fase de latência dormente repressivo de desenvolvimento psicossexual precede a maturação genital das raparigas do desenvolvimento psicossexual. A criança precisa de receber a quantidade certa de satisfação em cada uma das fases para poder passar com facilidade para a fase seguinte; a sob ou sobre gratificação pode levar a uma fixação naquele fase, o que poderia levar a uma regressão a essa fase, noutra altura da vida.
Freud sentiu que a masturbação era desaconselhável e prejudicial. Ele e o colega Fliess escreveram acerca do assunto durante um período em que os pontos de vista acerca do tópico estavam a tornar-se mais liberais devido à influência de médicos como Havelock Ellis. Freud continuou a ser um opositor da masturbação, vendo-a como parte das causas das neuroses. 

Id, ego e super ego

No seu trabalho mais tardio, Freud propôs que a psique humana poderia ser dividida em três partes: Id, ego e super ego. Freud discutiu este modelo no ensaio de 1920 "Para Além do Princípio do Prazer", em que ficou completamente elaborado "O Ego e o Id", de 1923, que Freud desenvolveu como alternativa ao seu esquema topográfico prévio (i.e., consciência, inconsciência e pré-consciência). O id é a porção ta psique completamente inconsciente, impulsiva e infantil que opera sobre o tema "princípio do prazer" e é a primeira fonte dos impulsos básicos e orientações; procura o prazer e a gratificação imediatos.
Freud reconheceu que o termo Id derivava dos escritos de Georg Groddeck. 
O super-ego é a componente moral da psique, que não leva em conta que uma circunstancia moralmente correcta pode não ser a coisa certa para uma dada situação. 
O ego racional tenta encontrar um equilíbrio entre o hedonismo impraticável do id e o moralismo impraticável do super-ego; é a parte da psique que geralmente se reflecte nas acções do individuo. Quando o ego se vê sobrecarregado com a sua tarefa, pode empregar mecanismos de defesa que incluem a negação de repressão, a destruição, a racionalização, repressão e o deslocamento.
Este modelo é geralmente representado como o "Modelo Icebergue", representando os papéis do Ig, Ego e Super-ego no pensamento consciente e inconsciente dos indivíduos.

Pulsões de Vida e Morte

Freud acreditava que as pessoas eram guiadas pelos desejos de dois conflitos centrais: a pulsão da vida (libido ou Eros - sobrevivência, propagação, fome, sede e sexo) e a pulsão da morte (Tanatos - embora Freud não tenha usado este termo, que foi introduzido neste contexto por Paul Federn). Freud admitiu a hipótese de a libido ser uma forma de energia mental com a qual os processos, estruturas e representações-objecto são investidos.
Antes da guerra, Freud acreditava que a ficção constituía um modo diferente de relação com a morte, um local de compensação no qual "a condição para nos reconciliarmos com a morte é cumprida, nomeadamente, se sob todas as vissitudes da vida, uma vida permanente continua para nós."
Em Para Além do Princípio do Prazer, Freud supôs a existência de um instinto de morte. A sua premissa era um princípio regulatório que havia sido descrito como "o princípio da inércia psíquica", "o principio do Nirvana" e "o instinto de conservação". A sua base foi o trabalho anterior de Freud Projecto para uma Psicologia Científica, onde Freud tinha definido o principio que regulava o mecanismo mental como a tendência para reduzir a quantidade de tensão, ou eliminá-la. Freud viu-se obrigado a abandonar esta definição, uma vês que só se mostrou adequada às funções mentais mais rudimentares, e substituiu a ideia de um mecanismo que tende para um nível de tensão zero pela ideia de um nível de tensão mínima.
Freud, de facto, readoptou a definição original em Para Além do Princípio do Prazer. Afirmou que, em certas ocasiões, a mente age de forma como se pudesse eliminar a tensão por completo, ou se de facto a pudesse reduzir até uma fase de extinção, a chave para isto era a existência da compulsão de repetição. Exemplos de tal repetição incluíam  a vida de sonho dos neuróticos e as brincadeiras das crianças. No fenómeno de repetição, Freud viu uma tendência da psique para trabalhar sobre impressões anteriores, para dominá-las e retirar prazer delas, a tendência era anterior ao princípio do prazer mas não oposta. Para além deste tendência, no entanto, havia também um princípio a trabalhar que se opunha, e logo "para além", ao principio do prazer.
Se a repetição é um elemento necessário na ligação da energia ou adaptação, quando realizada a níveis extremos, torna-se um meio de de abandono das adaptações e reinstalar posições psiquícas anteriores ou menos evoluídas. Ao combinar estas ideias com a hipótese de que todas as repetições são uma forma de descarga, Freud chegou à conclusão que a compulsão para a repetição é um esforço para restabelecer um estado que é historicamente primitiva marcado pelo escoamento total de energia - a morte.

Feminilidade e sexualidade feminina

Iniciando aquilo que se tornou o primeiro debate sobre a psicanálise ou feminidade, Karen Horney do Instituto de Berlim, propôs-se a desafiar as considerações de Freud acerca do desenvolvimento da sexualidade feminina. Rejeitando as teorias de Freud do complexo de castração feminina e inveja do pénis, Horney defendeu uma feminilidade primária e inveja do pénis, como uma formação defensiva em vez do aparecimento do facto em si, ou "ferimento", de uma assimetria biológica como defendido por Freud. Horney teve o influente apoio de Melanie Klein e Ernest Jones que criou o termo de "falocentrismo" na sua critíca à posição de Freud.
Na defesa de Freud desta crítica, a académica feminista Jacqueline Rose argumentou que pressupõe uma visão mais normativa do desenvolvimento sexual feminino do que o indicado por Freud. Ela observa que Freud passou de uma descrição da menina presa à 'inferioridade' ou 'lesão' em face à anatomia do menino, para uma posição nas obras posteriores, que explicitamente descreve o processo de tornar-se "feminino" como uma "lesão" ou "catástrofe", pela complexidade da sua vida psíquica e sexual inicial. 
De acordo com Freud, "A eliminação da sexualidade do clítoris é uma pré-condição para o desenvolvimento da feminilidade, uma vez que é imatura e masculina por natureza". Freud separou o  conceito de "orgasmo vaginal" do orgasmos clitorial, alcançado pela estimulação externa do clítoris. Em 1905, afirmou que os orgasmos clitoriais eram um fenómeno puramente da adolescência e ao alcançar o fim da puberdade, a resposta adequada da mulher é passar para os orgasmos vaginais, isto é, para os orgasmos sem estimulação clitorial. Esta teoria tem sido criticada na base de que Freud não deu qualquer prova para esta assumpção básica, e por alegadamente, fazer com que as mulheres se sentissem inadequadas quando não podiam alcançar o orgasmo por um meio apenas vaginal.

Religião

Freud via o Deus monoteísta como uma ilusão baseada na necessidade emocional infantil de uma família patriarcal poderosa. Afirmou que a religião, tendo sido necessária para reprimir  a natureza violenta do homem nas fases iniciais da civilização, nos tempo modernos pode ser colocada de parte, favorecendo a razão e a ciência. Em "Acções Obsessivas e Prácticas Religiosas" (1907) Freud faz nota entre a ligação da fé (crença religiosa) e a obsessão neurótica. Em Totem e Tabu (1913) propõe que a sociedade e a religião começaram com o patrícidio e absorção da poderosa figura paternal, que então torna-se a memória  colectiva de uma figura reverenciada. Estes argumentos tiveram um desenvolvimento posterior em O Futuro de uma Ilusão (1927) na qual Freud defendeu que a crença religiosa serve para a função de consolação psicológica. A crença de um protector sobrenatural serve como tampão do "medo da natureza" do homem, tal como a crença de uma vida após a morte serve como um tampão para o medo da morte do homem. A ideia central do trabalho é de que todas as crenças religiosas podem ser explicadas através da sua função na sociedade, e não através da sua relação com a verdade. É por isto que, segundo Freud, as crenças religiosas são ilusões.
Em A Civilização e os Seus Descontentamentos (1930), Freud cita o amigo Romain Rolland, que descreveu a religião como uma "sensação oceânica", mas diz nunca ter experimentado este sentimento. Em Moisés e o Monoteísmo (1937) propõe que Moisés foi o pai da família tribal, morto pelos judeus, que psicologicamente lidaram com o patrícidio através da formação de uma reação condutiva ao estabelecimento do seu monoteísmo judaico. análogo ao rito da Igreja Católica da Santa Comunhão como prova cultural dessa morte e devoramento do pai sagrado.
Para além disso, Freud via a religião, com a sua supressão de violência, como mediadora entre os conflitos entre o Eros e o Tanatos (as forças da vida e da morte) da sociedade e do privados, o publico e o privado.



Fonte: wikipédia


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...