21/12/2015

Sahelanthropus tchadensis


Sahelanthropus tchadensis é uma das espécies conhecidas mais antigas na árvore da família dos humanos. Esta espécie viveu algures, entre 7 e 6 milhões de anos atrás, no Mioceno, na África Central Ocidental, atual Chade. Apelidada de "Toumai", pode ser o elo perdido que separou a linhagem humana da linhagem dos chimpanzés.
O bipedismo pode ter ajudado esta espécie a sobreviver em habitats diferentes, incluindo florestas e pradarias.
Apesar de só haver fósseis do crânio do Sahelanthropus, os estudos feitos até à atualidade mostram que esta espécie apresentava uma combinação de características simiescas e humanas. As primeiras incluem um cérebro pequeno, de 320 a 380 cm3 (um pouco menor do que o dos chimpanzés), uma face plana, arcadas supraorbitais bastante pronunciadas, o crânio alongado. Já as características humanas incluem caninos pequenos, uma parte central da face curta e uma abertura da medula espinhal por baixo do crânio.

Bipedismo

Algumas das evidências mais antigas das espécies tipo-humanas é o bipedismo, que vem do Sahelanthropus. O buraco occipital (grande abertura em que a medula espinal sai para fora do crânio a partir do cérebro) está localizado mais à frente (no lado inferior do crânio) do que nos macacos ou noutros primatas, com exceção dos seres humanos. Esta característica é indicadora de que a cabeça do Sahelanthropus pertencia a um corpo ereto, muito provavelmente associado ao caminhar sobre duas pernas.


História da descoberta

Os primeiros (e, até agora, únicos) fósseis de Sahelanthropus são nove espécimes cranianos, descobertos no Deserto Djurab, no norte do Chade. Uma equipe de cientistas, liderados pelo paleontólogo francês Michel Brunet, descobriu os fósseis em 2001. Antes de 2001, só se tinham encontrado vestígios dos primeiros humanos no Grande Vale do Rift, na África Oriental e em locais da África do Sul. Assim, a descoberta dos fósseis do Sahelanthropus na África Centro-Ocidental mostra que os primeiros seres humanos ancestrais encontravam-se muito mais distribuídos do que aquilo que se julgava anteriormente.

Características físicas

Devido ao facto de se ter apenas recuperado um único crânio e alguns fragmentos de mandíbulas e de dentes pertencentes ao Sahelanthropus (sem fósseis pós-cranianos) ainda não se sabe com exatidão quais as características físicas desta espécie. Dadas as dimensões do crânio, os cientistas especulam que os indivíduos Sahelanthropus teriam provavelmente a altura de um chimpanzé, com cerca de 1,3 metros de altura e à volta de 30 quilogramas de peso.


No entanto, os cumes da testa muito grandes são inesperados, pois esta característica não aparece nos ancestrais humanos até ao Homo erectus, cerca de 5 a 6 milhões de anos mais tarde. A planicidade relativa facial é igualmente inesperada. Ambos os macacos e os hominídeos, como os Australopitecos, apresentam faces projetadas.
Algumas das dúvidas acerca do Sahelanthropus tchadensis são:
  1. Como seria o corpo do Sahelanthropus tchadensis?
  2. Qual seria o seu principal tipo de locomoção?
  3. O que comiam?
  4. Porque os machos apresentam caninos mais pequenos? Esta característica é diferente dos chimpanzés macho e da maioria dos outros primatas que usam os seus longos caninos para ameaçar os outros, principalmente quando competem por fêmeas.
  5. O tamanho dos machos e das fêmeas era diferente?
  6. Seria o Sahelanthropus tchadensis  um ancestral comum aos chimpanzés e humanos?

Sobrevivência

Infelizmente, a maior parte dos dentes do Sahelanthropus estão muito desgastados, e ainda não foram feitos estudos aos isótopos aos dentes para indicar o tipo de dieta, mas é possível deduzir que a espécie teria uma alimentação baseada em folhas, frutas, sementes, raízes, nozes e insectos.

Informação da Árvore evolucionária

Os primeiros humanos iniciais, ou hominídeos, divergiram dos macacos algures entre 6 e 7 milhões de anos atrás, em África. O Sahelanthropus tchadensis tem duas características anatomicamente humanas:
  1. Dentes caninos pequenos;
  2. Caminha sobre duas pernas, em vez de usar os quatro membros.

Relação entre humanos e chimpanzés

Apesar de o Sahelanthropus poder representar um ancestral comum entre humanos e chimpanzés, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso total. A colocação original da espécie como como um ancestral humano, mas não um ancestral do chimpanzé, viria a complicar o quadro da filogenia humana. Se o Sahelanthropus tchadensis foi de facto um ancestral direto dos humanos, então as suas características faciais colocam em dúvida o estatuto do Australopitecos, porque os seus cumes grossos da testa haviam sido relatados como sendo semelhantes aos de alguns fósseis de hominídeos posteriores (nomeadamente o Homo erectus) ao passo que a morfologia deste cume da testa difere da observada em todos os australopitecos e da maioria dos hominídeos e humanos existentes.
Outra possibilidade é a de que o Sahelanthropus estar relacionado tanto com humanos quanto com chimpanzés, mas não ser o ancestral de nenhum deles. Brigitte Senut e Martin Pickford, que descobriram o Orrorin tugenensis, sugeriram que as características do Sahelanthropus seriam consistentes com uma proto-gorila fêmea.
Outra possibilidade, avançada em 2012, é a de que a separação entre humanos e chimpanzés ser anterior ao que se pensava anteriormente, com uma possível faixa de 7 a 13 milhões de anos atrás (sendo que a extremidade desta faixa tem sido favorecida pela maior parte dos académicos), com base numa mudança do ADN mais lenta do que se julgava. 


Fontes:

http://humanorigins.si.edu/evidence/human-fossils/species/sahelanthropus-tchadensis
http://www.avph.com.br/sahelanthropustchadensis.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Sahelanthropus

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...