17/12/2015

Primeira Guerra Mundial - O Início

A Primeira das Duas Grandes Guerras - Fim de uma época, início de outra.




"Quais são as razões que explicam as atuais rivalidades em matéria de armamento na Europa? Elas baseiam-se na hipótese [...] segundo a qual uma nação que quer encontrar escoamento para a sua população em crescimento e para a sua indústria em pleno desenvolvimento acaba necessariamente por recorrer à expansão territorial e ao uso da força política [...] Como as nações são unidades em concorrência [...] caberá às que forem militarmente mais fortes, com sacrifício das mais fracas".

Normal Angell, A Grande Ilusão, 1909

A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra mundial centrada na Europa com início a 28 de Julho de 1914 e fim a 11 de Novembro de 1918. Desde a época da I GM até ao início da Segunda Guerra Mundial, foi apenas designada como Guerra Mundial ou Grande Guerra. Na América foi inicialmente designada de Guerra Europeia.
Morreram mais de 9 milhões de combatentes, um número causado pela nova tecnologia bélica, sofisticação industrial e novas tácticas.
Foi o 5º conflito mais mortal da História, abrindo o caminho para grandes mudanças políticas, incluindo revoluções, em muitas das nações envolvidas.
A guerra arrastou todas as maiores potências económicas mundiais da altura, que ficaram divididas em duas alianças opostas: os Aliados (com base na Triple Entente do Reino Unido, França e Império Russo) e os Poderes Centrais da Alemanha e Austro Hungria. Embora a Itália também tenha sido um membro da Triple Alliance juntamente com a Alemanha e Austro-Hungria, não se juntou aos Poderes Centrais, pois a Austro-Hungria tinha tomado medidas contrárias aos temos da Alliance. Ambas as alianças sofreram reorganizações e expansões à medida que o número de nações envolvidas na guerra aumentava: Itália, Japão e os Estados Unidos juntaram-se aos Aliados; o Império Otomano e Bulgária aos Poderes Centrais.
Ao todo foram mobilizadas mais de 70 milhões de militares, incluindo 60 milhões de europeus, para aquela que seria uma das maiores guerras da História da Humanidade.




Primeira Guerra Mundial
Data
 28 de Julho de 1914 a 11 de Novembro de 1918 (Armisticio)
    Tratado de Versalhes assinado a 28 de Junho 1919
        4 anos e 11 meses
Localização
Europa, África, Médio Oriente, Ilhas do Pacífico, China e costa do Sul e Norte da América
Resultado
Vitória dos Aliados
    Fim dos Impérios Alemão, Russo, Otomano e Austro-Hungaros
    Formação de novos países na Europa e Médio Oriente
    Transferencia das colónias alemãs e regiões do antigo Império Otomano para outras potências.
    Estabelecimemnto da Liga das Nações.


Aliados
Poderes Centrais
Mortos militares - 5.525.000
Mortos militares - 4.386.000
Feridos Militares - 12.831.500
Feridos militares - 8.388.000
Militares desaparecidos - 4.121.000
Militares desaparecidos - 3.629.000


Embora uma revitalização do Imperialismo fosse a causa que estivesse entre linhas, o facto que levou a causas imediatas foi o assassinato a 28 de Junho de 1914 do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria, herdeiro do trono Austro-Hungaro, pelo nacionalista jugoslavo Gavrilo Princip em Sarajevo. Isto levou a uma crise diplomática quando a Austro-Hungria entregou um ultimato ao Reino da Sérvia, e as alianças internacionais que se haviam formado nas décadas anteriores foram chamadas. Dentro de semanas, as maiores potências encontravam-se em guerra e o conflito rapidamente se espalhou pelo mundo.
A 28 de Julho, os Austro-Hungaros dispararam os primeiros tiros em preparação para a invasão da Sérvia. Como a Rússia se mobilizou, a Alemanha invadiu  as neutras Bélgica e Luxemburgo antes de seguir para território francês, fazendo com que a Inglaterra declarasse guerra à Alemanha. Após a marcha alemã em Paris, iniciou-se uma estagnação que veio a ser conhecida como a Frente Ocidental, baseada numa guerra de desgaste, com uma linha de trincheiras que pouco iria mudar até 1917. Entretanto, na Frente Oriental, o exército russo foi bem sucedido contra os austro-hungaros, mas a invasão russa foi parada na Prússia do Leste pelos Alemães. Em Novembro de 1914, o Império Otomano juntou-se à guerra abrindo frentes no Cáucaso, Mesopotâmia e Sinai. A Itália e Bulgária juntaram-se à guerra em 1915, a Roménia em 1916 e os Estados Unidos em 1917.
A guerra chegou a um final quando o Império Russo caiu a Março de 1917 e a revolução de Novembro que se seguiu fez com que os russos entrassem em acordo com os Poderes Centrais.
A 4 de Novembro de 1918 o Império Austro-Hungaro concordou com um armistício. E após um ataque alemão, em 1918, na linha ocidental, os Aliados fizeram recuar os alemães através de uma série de ofensivas bem sucedidas e começaram a entrar nas trincheiras. A Alemanha, que tinha os seus próprios problemas com revolucionários, concordou com um armistício a 11 de Novembro de 1918, acabando a guerra com uma vitória para os Aliados.
Pelo final da guerra, quatro dos maiores poderes imperiais - a Alemanha, a Rússia, a Áustria-Hungria e o Império Otomano - tinham acabado de existir. Os estados sucessores dos dois primeiros perderam vastas áreas de território, enquanto que os últimos dois foram desmantelados. O mapa da Europa foi redesenhado, com a recuperação de diversas nações independentes e criação de outras. 
A Liga das Nações foi formada com o objectivo de prevenir a repetição de outro conflito apavorante como o que tinha ocorrido. Este objectivo falhou, o nacionalismo europeu teve uma renovação e o sentimento de humilhação alemão contribuíram para a ascensão do fascismo e nacionalismo, assim como as condições que levaram à Segunda Guerra Mundial.

Antecedentes

Os impérios coloniais europeus
Em 1815, a Grã-Bretanha continuava a ser a única grande potência colonial: a França, a Espanha e a Holanda tinham sido levados a ceder aos ingleses uma boa parte das suas possessões ultra-marinas. Durante a década seguinte, com a conquista da independência dos países da América Latina, os impérios coloniais europeus tornaram-se mais pequenos. Na mesma época a Grã-Bretanha, única potência com o domínio dos mares, abandonava pouco a pouco a sua política mercantil por uma abordagem livre-cambista. 
Esta mudança de política poderia fazer crer que a primeira metade do século XIX seria desfavorável  a uma expansão do Império Britânico. No entanto, entre 1815 e 1914 os impérios coloniais europeus não paravam de crescer. Se o declínio de escravos e a subsequente crise económica fizeram com que as Antilhas perdessem importância, as novas conquistas na Índia e uma forte corrente migratória em direcção à Austrália e à Nova Zelândia permitiu que o Reino Unido alargasse ainda mais os seus limites. E também outras potências europeias continuaram com o alargamento, em 1867 os EUA compram o Alasca à Rússia, esta por sua vez continua a sua expansão pela Sibéria, entre 1830 e 1859 a França conquista a Argélia, anexa o Taiti e as ilhas Marquesas, estende as suas possessões no Senegal e começa a conquista da Indochina.
A partir de 1880, o ritmo desenfreado das colonizações, alimentado pela competição comercial, pelas rivalidades, entre os Estados e pelas mudanças políticas na Ásia e África, assumiu novos contornos. Em 1914 a Europa já dominava nove décimos da África e uma grande parte da Ásia. Entre 1871 e 1914, o Império Francês adquiriu territórios que totalizavam 10.360.000 km2 e 47 milhões de habitantes. A derrota da França com a Alemanha em 1870 exacerbou a ambição dos franceses de recuperarem o prestigio no ultramar. A Alemanha adquiriu territórios com uma superfície total de 2.590.000 km2, com cerca de 14 milhões de indivíduos, no Sudoeste Africano, nos Camarões, na África Oriental e nas ilhas do Pacífico. Para não ficar para trás, a Itália lançou-se na corrida às colónias com a conquista de Trípoli, da Líbia, da Eritreia e de uma parte da Somália, mas fracassou na Abíssinia em 1896. A Grã-Bretanha, porém, foi o país que fez as aquisições mais rentáveis, com a Nigéria, o Quénia, o Uganda, a Rodésia, o Egito, o Sudão, as ilhas Fiji e partes do Bornéu e Nova Guiné. Mas a Índia era a jóia da Coroa. 
Norte-americanos e japoneses também participaram nas guerras coloniais, os primeiros nas Filipinas, cedidas pela Espanha em 1898, e os segundos na Formosa (1895) e na Coreia (1910). De todas as potências comerciais europeias, a Holanda foi praticamente a única a satisfazer-se com as suas possessões no Sudeste Asiático.
Impérios coloniais em 1914

Plano de fundo

Rivalidades e alianças na Europa
Durante os quarenta anos que antecederam o início da I Guerra Mundial, as grandes potencias ocidentais dominaram como nunca a política internacional. Baseando-se na sua supremacia militar, lançaram-se numa vaga de conquistas imperialistas. Esta evolução agravou as rivalidades entre as grandes potências e diminuiu o espírito de cooperação e de resolução colectiva dos diferendos que caracterizavam as relações europeias desde 1815.
No interior da Europa, a tradição de «diplomacia concertada» foi colocada em causa pelas alterações que se deram na hierarquia das grandes potências europeias. A ascensão da Alemanha e da Itália coincidiu com o declínio dos Impérios Austro-Húngaro e Otomano. Depois da morte de Bismarck, em 1880, os dirigentes alemães escolheram, em matéria de política estrangeira, a Welpolitik, o que provocou conflitos com as potências coloniais estabelecidas.
A partir de 1890, a França e a Grâ-Bretanha rearmaram-se, reagindo ao crescimento da ameaça alemã.
O declínio de alguns países constitui, tanto quanto o crescimento do poderio de outros, uma fonte de instabilidade. Era o que acontecia com o Império Otomano, que, apoiado pelas grandes potências desde 1815, impedia que cada uma delas se impusesse no Médio Oriente. Mas a partir de década de 1870, a influência do Império Otomano teve uma grande queda. Vencido pela Rússia em 1876-1877 e obrigado a conceder a independência à Roménia, à Sérvia e à Bulgária, viu-se ameaçado em todo o Médio Oriente e Norte de África.
Os acordos em si tiveram início em 1815 com a Santa Aliança entre a Prússia, a Rússia e a Áustria. Então, em Outubro de 1917, o Chanceler alemão Otto von Bismarck negociou a Aliança dos Três Imperadores entre os monarcas da Áustria-Hungria, Rússia e Alemanha. Este acordo falhou porque a Áustro Hungria e a Rússia não se entenderam relativamente à política dos Balcãs, fazendo com que a Alemanha e a Austro-Hungria formassem uma aliança em 1879, designada de Aliança Dupla. Isto foi visto como um método de contrabalançar a influência russa nos Balcãs à medida que o Império Otomano continuava a enfraquecer. Em 1882, esta aliança cresceu de forma a incluir a Itália naquela que viria a tornar-se a Triple Alliance. Bismarck tinha trabalhado especialmente no sentido de manter a Rússia ao lado da Alemanha para evitar uma guerra de duas frentes com a França e a Rússia. Quando Guilherme II subiu ao trono como Imperador Alemão (Kaiser), Bismarck foi forçado a retirar-se e o seu sistema de alianças veio a decair gradualmente. Por exemplo, o Kaiser recusou-se a renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia em 1890. Dois anos mais tarde foi assinada uma aliança Franco-Russa como contrabalanço da Triple Alliance. Em 1904 a Grã-Bretanha assinou uma série de acordos com a França, a Entende Cordiale, e em 1907 assinaram com a Rússia a Convenção Anglo-Russa. Apesar de estes acordos não tornarem, oficialmente a Grã-Bretanha aliada da Rússia ou França, fizeram com que na possibilidade de futuros conflitos que envolvessem a Rússia ou França ficassem a seu lado, o que veio a tornar-se a Triple Entente.


Causas

As causas da Primeira Guerra Mundial têm vindo a ser debatidas desde 1926, em que é indiscutível que a causa imediata foi o assassinato em Sarajevo do Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Hungaro, pelo sérvio Gravillo Princip.
Imediatamente após o fim da visita oficial à Rússia do presidente da França, Raymond Poincaré, cerca de um mês depois do assassinato, o conde Leopold von Berchtold, Ministro das Relações Exteriores do Império Áustro-Húngaro instigado pelo aliado Império Alemão, apresentou ao imperador Francisco José, a 21 de Julho, um ultimato que chegou a Belgrado a 23 de Julho.
De entre as exigências feitas no ultimato estavam a responsabilização do governo sérvio pelo assassinato do arquiduque e esposa, e a de agentes austríacos fazerem parte das investigações. Esta última parte acabou por ser recusada pela Sérvia, uma vez que constituía, na opinião do Estado, uma afronta à sua soberania. Esta recusa sérvia deu-se também pela esperança de um apoio russo no caso de uma eventual guerra, pela política Pan-eslavista. Este resultado do ultimato fez com que o Império Áustro-Hungaro declarasse guerra à Sérvia a 28 de Julho. 

Nota austríaca de declaração de guerra:
"Não tendo o Governo Real da Sérvia respondido de maneira satisfatória à nota que lhe foi enviada pelo ministro da Áustria-Hungria, para Belgrado, com data de 28 de Julho de 1914, o Governo encontra-se na necessidade de salvaguardar os seus direitos e interesses e de recorrer para isso à força das armas. A Áustria-Hungria considera-se, por isso, deste momento em guerra com a Sérvia".

Os russos mobilizaram então as suas tropas em apoio aos sérvios. Inicialmente a mobilização era apenas parcial dirigida à fronteira austro-hungara, mas a 31 de Julho, após o alto comando russo ter dito ao Império que tal movimento era logisticamente impossível, ordenou-se uma mobilização geral.
O Plano Schlieffen era uma estratégia militar alemã que previa um ataque rápido à Rússia, aliada da França, enquanto as tropas russas se encontrassem no início da mobilização, de forma a evitar um ataque a leste. O Plano foi accionado e a 1 de Agosto a Alemanha declarou guerra à Rússia e dois dias depois à França, tendo invadido logo Luxemburgo e a Bélgica, apesar de serem países neutros, de forma a colocar fortificações ao longo da fronteira francesa. Mas a invasão à Bélgica fez com que, por sua vez,  o Reino Unido declarasse guerra à Alemanha a 4 de Agosto. Com esta declaração, cinco das seis grandes potências europeias ficaram envolvidas na primeira guerra europeia, desde as Guerras Napoleónicas.
Apesar de a Primeira Guerra Mundial ter sido desencadeada após a cadeia de eventos que se seguiu ao assassinato, as origens da guerra são muito mais profundas, envolvendo uma série de questões em torno de políticas nacionais, culturas, economia e uma rede complexa de alianças e contra-alianças que se desenvolveram ao longo do século XIX após a derrota de Napoleão Bonaparte em 1815 e do Congresso de Viena.
Algumas das principais causas para o início do conflito foram:
  • Imperialismo
  • Disputas anteriores não resolvidas
  • Um complexo sistema de alianças
  • Governos não unificados
  • Atrasos e discrepâncias nas comunicações diplomáticas
  • Corrida armamentista
  • Planeamento militar rígido
  • Movimentos ultranacionalistas

Causas ideológicas
A Ascenção do sentimento nacionalista
O sistema de Estados, por vezes referido como o sistema de Vestefália, desenvolveu-se na Europa desde meados do século XVII. O Nacionalismo ou Patriotismo podem, em parte, ser encarados como uma expressão ideológica popular deste sistema. Muitos historiadores acreditam ser necessário analisar as origens dessa ideologia para se entender o porquê de as populações europeias estarem predispostas a uma guerra em 1914.
No seguimento da Revolução Francesa (1789-1799), Napoleão Bonaparte tomou o poder na França. Os exércitos de Napoleão marcharam sobre toda a Europa, trazendo à mesma não só um domínio francês, mas também as suas ideias. O surgir de ideais nacionalistas, de devoção e amor pelas ideias de uma massa colectiva de pessoas, tornou-se cada vez maior à medida que decorriam as Guerras Napoleónicas. Napoleão encorajou a difusão do nacionalismo, o que a seu entender "oleava" a grande "máquina de guerra" francesa. A população francesa começou a ter orgulho na sua cultura e etnia. O Mundo assistiu pela primeira vez ao fenómeno nacionalista e ao enorme poder que os franceses retiravam dele.

Darwinismo Social
No final do século XIX, surgia uma nova linha de pensamento, emergida do Nacionalismo. Enquanto que as anteriores formas de nacionalismo davam ênfase à comunidade e à auto-determinação, o darwinismo social emergia com ênfase na competição entre os diferentes grupos étnicos. Inspirado nas teorias de Charles Darwin e Herbert Spencer, o darwinismo social foi muito influente entre as elites europeias. A nova ideologia defendia a ideia de uma luta entre "raças" e "nações" na qual os mais fracos seriam destruídos pelos mais fortes. Muitos dos líderes germânicos e austro-hungaros, temiam uma inevitável batalha entre os "eslavos" e a "civilização germânica".
O Darwinismo Social também exerceu influência na competição dos estados pelas colónias. A Expansão Colonial era vista como sendo de importância fundamental no asseguramento de uma vantagem económica e militar face aos rivais. 
Um aspecto importante do darwinismo social do século XIX foi o sentimento de desespero que o mesmo provocou. Para uma nação, o facto de ser vista como não-crescente quando comparada com as suas vizinhas e rivais era como uma sentença de morte. Desta forma, o Darwinismo Social injectou uma nova urgência, desespero e forte ansiedade sobre a derrota nas relações internacionais. A competição pelas colónias e a corrida ao poder militar naval no principio do século XX foram, em parte, derivadas deste sentimento. Ainda que a realidade não fosse de acordo com esta visão, em 1970 o país mais pobre da Europa era Portugal com um enorme império africano, e os mais ricos era a Suécia, que abandonara há muito a sua única colónia - nas Caraíbas -, e a Suiça, que nunca tivera um império.

Mitteleuropa 
Em 1914 Berlim era o centro, o local onde se ia aprender tudo o que fosse importante - física, filosofia, música, engenharia.
O engenho dos químicos e engenheiros alemães era enorme e as Potências Centrais estiveram perto da vitória nos trilhos da Frente Italiana porque Ferdinand Porsche inventou a tracção a quatro rodas.
A ideia de uma Europa alemã fazia sentido. Um espaço económico europeu protegido da concorrência britânica ou americana, incluindo o minério da Suécia e da rança, as indústrias do aço e do carvão da Alemanha, e com zonas de influência no Norte de África e até Bagdad, onde o petróleo já se tornara importante. Friedrich Naumann, em Mitteleuropa defendeu não um império germânico e sim uma comunidade alemã, com Berlim a indicar o caminho aos povos mais pequenos a sudeste. Mas estes pequenos povos engolidos pelos impérios da Áustria, Rússia e Turquia estavam a tornar-se cada vez mais nacionalistas, e Berlim achava que lhes estava a ser dada demasiada liberdade. Naumann defendia o controle através da economia, mas havia outros que tinham ideias mais bélicas. E à medida que a industria nacional se expandia, também a confiança do povo alemão chegava a um píncaro, à arrogância mesmo.

Corrida ao armamento

A indústria e poder económico obtiveram um enorme crescimento após a unificação e unificação do Império em 1871. A partir de meados da década de 1890, o governo de Guilherme II usou esta base para injectar recursos económicos significativos na construção da Kaiserliche Marine (Marinha Alemã Imperial), estabelecida pelo Almirante Alfred von Tirpitz, em rivalidade directa com a British Royal Navy (Marinha Britânica) pela supremacia naval mundial. Como resultado, cada nação esforçou-se por suplantar a outra na construção de navios capitais. Com o lançamento do HMS Dreadnought em 1906, o Império Britânico superou de forma significativa o rival alemão.
HMSDreadnought, 1906
A construção da marinha alemã custou um terço do orçamento para a Defesa.
A corrida armamentista entre Britânicos e Alemães eventualmente veio a estender-se ao resto da Europa, com a maior parte das potências a devotarem a sua base industrial na produção de equipamento militar e armas, necessários para um conflito pa-europeu.
Entre 1908 e 1913, os gastos militares das potências europeias cresceram cerca de 50%.


Conflitos nos Balcãs

A Áustria-Hungria precipitou a crise bósnia de 1908-1909 ao anexar oficialmente o antigo território otomano da Bósnia e Herzegovina, que tinha ocupado desde 1878. Isto irritou os Reino da Sérvia, o seu patrono, o Pan-Eslávico e o Império Ortodoxo Russo. As manobras políticas russas na região trouxeram instabilidade aos acordos de paz, que já se encontravam em fase de fracturamento naquilo que ficou conhecido como "o barril de pólvora da Europa".

Em 1912 e 1913, deu-se a Primeira Guerra dos Balcãs, um confronto entre a Liga Balcã e o fracturado Império Otomano. O Tratado de Londres, que daí resultou, ainda encolheu mais o Império Otomano, criando o estado independente da Albânia, enquanto aumentou os territórios da Bulgária, Sérvia, Montenegro e Grécia. Quando a Bulgária atacou tanto a Sérvia quanto a Grécia a 16 de Junho de 1913, perdeu a maior parte da Macedónia para a Grécia e Sérvia e o Deobrujado sul da Roménia em trinta e três dias. A segunda guerra dos Balcãs ainda veio a desestabilizar mais a região.


Assassinato em Sarajevo

A 28 de Junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando visitou a capital da Bósnia, Sarajevo. Um grupo de seis assassinos  (Cvjetko Popović, Gavrilo Princip, Muhamed Mehmedbašić, Nedeljko Čabrinović, Trifko Grabež, Vaso Cubrilovic) do grupo nacionalista Mlada Bosna, apoiados pela Mão Negra, juntaram-se na rua quando a coluna de automóveis do arquiduque passava. Čabrinović atirou uma granada ao carro mas falhou. Feriu algumas pessoas que se encontravam perto, mas a escolta do arquiduque conseguiu continuar o caminho. Os outros assassinos falharam pois os carros passavam demasiado depressa. Cerca de uma hora depois, quando Francisco Ferdinando voltava de uma visita ao Hospital de Sarajevo, a coluna de carros virou a uma esquina errada, por coincidência, Princip levantou-se. Com uma pistola, Princip disparou e matou Francisco Ferdinando e a esposa deste, Sofia. 


A reação das pessoas na Áustria foi calma, quase indiferente. Como um historiador Zbynek Zeman mais tarde escreveu, " o evento quase que falhou em causar qualquer impressão. No domingo e segunda feira (28 e 29 de Junho) a população de Viena ouviu música e bebeu vinho, como se nada tivesse acontecido".

Escalada de violência na Bósnia e Herzegovina

No entanto, dentro da própria Sarajevo, as autoridades austríacas encorajaram  a violência contra os residentes sérvios, que veio a resultar nas manifestações anti-sérvia, nos quais muçulmanos croatas e bósnios mataram  dois sérvios e destruíram diversos edifícios de propriedade de indivíduos sérvios. Os acontecimentos têm sido descritos como tendo as característicos de um pogrom. O escritor  Ivo Andric referiu-se à violência como "o frenesim de ódio de Sarajevo". Foram organizadas ações de ódio contra grupos étnicos sérvios não só em Sarajevo, mas também noutras grandes cidades da Áustria-Hungria, na moderna Croácia e na Bósnia e Herzegovina.
As autoridades austro-hungaras na Bósnia e Herzegovina deteram e extraditaram cerca de 5.500 sérvios proeminentes, em que 700 a 2.200 morreram na prisão. Foram sentenciados 460 sérvios à morte  e foi estabelecida uma milícia maioritariamente muçulmana conhecida como Schutzkorps para perseguir os sérvios.

Crise de Julho

O assassinato do arquiduque levou a uma série de manobras diplomáticas entre a  Áustro-Hungria, Alemanha, Rússia, França e Britânicos, a qual foi chamada a Crise de Julho.  Acreditando correctamente que os oficiais sérvios estavam envolvidos, e aguardando por finalmente colocarem um fim à influência sérvia na Bósnia,  a Áustro-Hungria entregou um ultimato à Sérvia, o Ultimato de Julho, uma série de dez condições, elaboradas de forma a serem intencionalmente inaceitáveis, de forma a provocar uma guerra com a Sérvia. Quando a Sérvia só concordou com oito das dez condições, a Áustria-Hungria declarou guerra. Strachan afirma "Se uma resposta equívoca e rápida pela Sérvia teria feito alguma diferença ao comportamento austro-hungaro deverá ser duvidoso. Francisco Ferdinando  não era o tipo de personalidade que tivesse popularidade, e o seu desaparecimento não colocou o império num luto profundo".
O Império russo, não querendo que a Áustria-Hungria eliminasse a sua influência nos Balcãs, e em apoio ao seu protégé de longa data, a Sérvia, ordenou uma mobilização parcial um dia depois, a 29 de Julho de 1914. A Alemanha mobilizou as suas tropas a 30 de Julho, e a Rússia respondeu com uma mobilização total nesse mesmo dia. A Alemanha impôs um ultimato à Rússia, através do seu embaixador em Berlim, para que os russos desmobilizassem dentro de 12 horas ou iriam enfrentar a guerra. A Rússia respondeu oferecendo uma negociação dos termos da desmobilização. No entanto a Alemanha recusou-se a negociar, declarando guerra à Rússia a 1 de Agosto.
O plano de guerra alemão, o Plano Schlieffen, baseava-se numa rápida e massiva invasão da França, eliminando assim a ameaça a ocidente, antes de se voltar para leste contra a Rússia. Ao mesmo tempo que se mobilizava contra a Rússia, a Alemanha emitiu a exigência de que a França se mantivesse neutra. O gabinete francês resistiu à pressão militar de começar uma mobilização imediata, e ordenou às tropas que recuassem dez quilómetros da fronteira, de forma a evitar qualquer incidente.. A Alemanha atacou Luxemburgo a 2 de Agosto, e a 3 de Agosto declarou guerra à França. A 4 de Agosto, após a recusa belga de permitir as tropas alemãs de atravessarem as suas fronteiras para invadirem a França, a Alemanha declarou guerra à Bélgica. O Reino Unido declarou guerra à Alemanha a 4 de Agosto de 1914, após uma "resposta insatisfatória" ao ultimato britânico para que a Bélgica continuasse neutra.


Notas

Declarações de Guerra

1914

Declarou
A
23.Jul
Austria
Sérvia
01.Ago
Alemanha
Russia
03.Ago
Alemanha
França
04.Ago
Alemanha
Bélgica
04.Ago
R.Unido
Alemanha
05.Ago
Montenegro
Austria
06.Ago
Áustria
Rússia
06.Ago
Sérvia
Alemanha
09.Ago
Montenegro
Alemanha
11.Ago
França
Áustria
12.Ago
Rússia
Áustria
22.Ago
Áustria
Bélgica
23.Ago
Japão
Alemanha
25.Ago
Japão
Áustria
01.Nov
Rússia
Imp.Otom.
02.Nov
Sérvia
Imp.Otom.
05.Nov
Rússia
Imp.Otom.
05.NovFrançaImp.Otom.
1915

Declarou
A
23.Mai
Itália
Áustria
03.Jun
San Marino
Áustria
21.Ago
Itália
Imp.Otom.
14.Out
Bulgária
Sérvia
15.Out
R.Unido
Bulgária
15.Out
Montenegro
Bulgária
16.Out
França
Bulgária
19.Out
Itália
Bulgária
19.Out
Rússia
Bulgária
1916

Declarou
A
09.Mar
Alemanha
Portugal
15.Mar
Áustria
Portugal
27.Ago
Roménia
Áustria
27.Ago
Itália
Alemanha
28.Ago
Alemanha
Roménia
30.Ago
Imp.Otom.
Roménia
01.Nov
Bulgária
Roménia
1917

DeclarouA
06.Abr
EUA
Alemanha
07.Abr
Cuba
Alemanha
07.Abr
Panamá
Alemanha
10.Abr
Bulgária
EUA
13.Abr
Bolívia
Alemanha
20.Abr
Imp.Otom.
EUA
02.Jul
Grécia
Alemanha
02.Jul
Grécia
Áustria
02.Jul
Grécia
Imp.Otom.
02.Jul
Grécia
Bulgária
22.Jul
Sião
Alemanha
22.Jul
Sião
Áustria
04.Ago
Libéria
Alemanha
14.Ago
China
Alemanha
14.Ago
China
Áustria
06.Out
Peru
Alemanha
07.Out
Uruguai
Alemanha
26.Out
Brasil
Alemanha
07.Dez
EUA
Áustria
07.Dez
Equador
Alemanha
10.Dez
Panamá
Áustria
16.Dez
Cuba
Áustria
1918

Declarou
A
23.Abr
Guatemala
Alemanha
08.Mai
Nicarágua
Alemanha
08.Mai
Nicarágua
Áustria
23.Mai
Costa Rica
Alemanha
12.Jul
Haiti
Alemanha
19.Jul
Honduras
Alemanha
10.Nov
Roménia
Alemanha





Fontes

http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_I
http://pt.wikipedia.org/wiki/Causas_da_Primeira_Guerra_Mundial
Primeira Guerra Mundial, Uma História Concisa, Norman Stone, Edições D.Quixote, 1ª edição Fevereiro 2011
Atlas da História do Mundo, Selecções Reader's Digest, 1ª edição, Agosto 2001


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