17/12/2015

Primeira Guerra Mundial - O Conflito

A guerra, enquanto tribunal que decide o que é certo e o que é errado numa contenda, é um processo brutal, incerto e oneroso [...] e cujo custo é exorbitante. A morte de dez milhões de pessoas e a mutilação de vinte milhões de outras [...] são um preço terrível a pagar para determinar quem foram os autores  do assassínio de dois indivíduos e que pena lhe deve ser aplicada.

David Lloyd George, Memórias de Guerra



Impasse
Nenhum dos campos imaginava que o conflito duraria mais do que seis meses. Ambas as partes estavam mal preparadas para uma guerra prolongada e brutal. A Alemanha contava vencer de forma rápida a Bélgica e a França cercando as tropas francesas antes de concentrar as suas forças na frente leste, para então enfrentar o exército russo, cuja mobilização deveria ser mais lenta. Mas a decisão de manter as tropas de reserva nas regiões da Alsácia-Lorena e do Sarre limitou os efectivos alemães. Os alemães, fragilizados foram detidos no rio Marne pelas forças anglo-francesas entre 5 e 8 de Setembro. A partir de Novembro, as duas partes entrincheiraram-se ao longo de uma linha com mais de 650 km, desde a Mancha até à Suiça. Atrás do arame farpado, eriçado de metralhadoras e peças de artilharia, os dois campos entregaram-se a quase quatro anos de uma impiedosa guerra de desgaste.

A frente oriental
No Leste, a frente teve de início mais mobilidade. Os russos repeliram os alemães e austro-húngaros em Gumbinem e Lemberg. No final de Agosto, os alemães bateram os russos  em Tannenberg e nos lagos da Masúria. Mas a Alemanha, obrigada a lutar em duas frentes, não tinha recursos suficientes para explorar as suas vitórias no Leste. O mesmo aconteceu com as outras potências Centrais, que não conseguiram avanços decisivos. Quando a Itália abriu uma nova frente contra as potências do Centro, em 1915, as tropas austro-húngaras chegaram ao limite das suas forças, obrigando os alemães a interferirem e esmagando, em 1917, os italianos em Caporetto. A conquista da Roménia e da Sérvia pelas forças austríacas e alemãs, em 1916, com a ajuda da Bulgária, foi contrabalançada pela ofensiva russa de Brussilov, em Junho, que limitou o risco de novas perdas territoriais russas. O elemento decisivo para as potências centrais na frente leste foi a queda do regime czarista, em Fevereiro de 1917, que precipitou a retirada russa da guerra: em Março de 1918, o Tratado Brest-Litovsk pôs fim à guerra contra a Rússia e permitiu à Alemanha concentrar as suas forças na frente oeste.

Vitória na frente ocidental
A entrada dos EUA na guerra faz pender a balança a favor dos Aliados. Os americanos emprestam cerca de 10 biliões de dólares, além de enviarem ajuda material e víveres. Em Março de 1918 o general alemão Ludendorff desencadeia uma última ofensiva. As forças alemãs rompem a frente aliada e marcham em direcção a Paris até serem detidas, esgotadas e quase sem munições. Os Aliados repelem os alemães e os austríacos em França e na Itália. Em Setembro, Ludendorff pede o Armistício. Quando este é concedido, a 11 de Novembro, a Áustria, a Turquia e a Bulgária já tinham sido vencidas. A derrota alemã e a Revolução russa transformaram a paisagem europeia e abriram o caminho a violentos conflitos sociais.


Início de hostilidades

Confusão entre os Poderes Centrais
A estratégia dos Poderes Centrais sofreu devido a má comunicação. A Alemanha tinha prometido apoiar a invasão da Áustria-Hungria da Sérvia, mas houve várias interpretações do que isto significava. Os planos de implementação que haviam sido anteriormente testados foram substituídos no início de 1914, mas estes nunca haviam sido testados em exercícios. Os líderes austro-húngaros acreditavam que a Alemanha iria cobrir o flanco norte contra a Rússia. A Alemanha, por sua vez, estava convencida que a Áustria-Hungria iria direcionar a maior parte das suas tropas contra a Rússia, enquanto que a Alemanha lidava com a França. Esta confusão forçou a Áustria-Hungria a dividir as suas forças entre as frentes russas e sérvias.
A 9 de Setembro de 1914, o Chanceler Alemão Theobald von Bethmann-Hollweg esboçou o  Septemberprogramm, um plano detalhado que especificava os objectivos de guerra da Alemanha e as condições que a Alemanha procurava impôr aos Poderes Aliados. Nunca foi adoptado de forma oficial.


Campanha Sérvia
A Áustria invadiu a Sérvia e iniciou a luta contra o exército desta nas Batalha de Cer e Batalha de Kolubara a 12 de Agosto. Durante as próximas duas semanas, os austríacos  sofreram bastantes baixas, sendo estas as primeiras vitórias dos Aliados da guerra, e desfez as ideias austríacas de uma vitória rápida. Como resultado a Áustria viu-se forçada a manter um número considerável de forças na frente sérvia, enfranquecendo os seus esforços contra a Rússia. 
Esta campanha tinha o soldado mais jovem conhecido da I Guerra Mundial. Momcilo Gavric, nascido na Trbusnica, juntou-se à 6ª Divisão de Artilharia do Exército Sérvio quando tinha apenas oito anos, após as tropas austro-húngaras terem mortos os seus pais, avó e mais sete irmãos. Com a idade de dez foi promovido a Cabo e com a idade de onze anos tornou-se um Sargento de Lança.


Forças Alemãs na Bélgica e França
Aquando da erupção do I Guerra Mundial, o exército alemão realizou uma versão modificada do Plano Schlieffen. O exército alemão marchou através da neutra Bélgica até à França, antes de se voltar em direção ao sul  para cercar o exército francês  na fronteira alemã. Uma vez que a França tinha declarado que iria "manter total liberdade de ação em caso de uma guerra entre a Alemanha e a Rússia", a Alemanha tinha de contar com um ataque pela parte da França de um lado e da Rússia do outro. Em tal cenário, o Plano Schlieffen ditava que a Alemanha deveria tentar derrotar a França num ataque rápido. O Plano ainda sugeria que para conseguir a vitória através de um ataque rápido a ocidente, não deveria atacar através do difícil terreno da Alsácia-Lorraine, invés, a ideia era cortar o acesso de Paris ao Canal Inglês e à assistência inglesa, e tomar Paris, logo, ganhando a guerra. Então, os exércitos mover-se-iam em direcção a Leste de encontro à Rússia. Acreditava-se que a Rússia precisariam de bastante tempo para mobilizar as tropas antes que se tornasse numa verdadeira ameaça aos Poderes Centrais.
O único plano alemão existente para qualquer guerra colocaram os exércitos alemães a marchar através da Bélgica. A Alemanha queria escolta livre para invadir a França. A Bélgica, neutra, rejeitou a ideia, e então a Alemanha decidiu fazer a invasão através da Bélgica. A França também queria deslocar as suas tropas através da Bélgica, mas a Bélgica rejeitou inicialmente esta "sugestão" igualmente, de forma a tentar evitar qualquer guerra em território belga. No final, quando após a invasão alemã, a Bélgica tentou juntar o seu exército ao francês, mas grande parte do exército belga viu-se forçado a recuar até Antuérpia onde foram forçados à rendição.
Inicialmente os alemães tiveram sucesso com o plano de cercar as forças francesas e marcharem em direção a Paris, principalmente na Batalha das Fonteiras (de 14 a 24 de Agosto). Mas a 12 de Setembro os franceses, com a ajuda dos britânicos, conseguiram interromper o avanço alemão em direção à capital francesa na Primeira Batalha do Marne (5 a 12 de Setembro), e empurraram as forças alemãs em cerca de 50 km. Os últimos dias desta batalha significou o fim da guerra de movimento no ocidente. A ofensiva francesa no sul da Alsácia, , iniciada a 20 de Agosto com a Batalha de Mulhouse obteve sucessos limitados.
Na parte oriental, os russos invadiram com dois exércitos, surpreendendo os alemães que não esperavam que os russos se movimentassem tão rápido. Um exército de campo, o 8º, rapidamente se deslocou do seu papel de reserva para a invasão de França , para a Prússia do Leste por comboio através do Império Alemão.  Este exército, liderado pelo general Paul von Hindenburg derrotou a Rússia numa série de batalhas sucessivas conhecidas como a Primeira Batalha de Tannenberg (17 de Agosto a 2 de Setembro). Mas a invasão falhada da Rússia que fez com que as tropas frescas alemãs tivessem de se deslocar para leste, permitiu uma vitória táctica dos Aliados na Primeira Batalha do Marne. Foi negada uma vitória rápida aos Poderes Centrais na França e foram forçados a lutar em duas frentes. A Alemanha conseguiu obter uma boa posição defensiva dentro da França e conseguiu incapacitar cerca de 230.000 tropas francesas e britânicas. No entanto, problemas de comunicação e decisões de comando questionáveis fizeram com que a Alemanha perdesse a oportunidade de uma vitória inicial.

Ásia e Pacífico
A Nova Zelândia ocupou a Samoa Alemã (mais tarde a Samoa Ocidental) a 30 de Agosto de 1914. A 11 de Setembro a Marinha Australiana e a Força Militar Expedicionária desembarcaram na ilha de Neu Pommern ( mais tarde a Nova Britania), que fazia parte da Nova Guné Alemã. A 28 de Outubro, o cruzeiro alemão SMS Emden afundou o cruzeiro russo Zhemchug na Batalha de Penang, o Japão cercou as colónias alemãs na Micronésia e, após o Cerco de Tsingtao, o porto de abastecimento alemão de Qingdao na península chinesa de Shandong. Como Viena se recusou a recuar o cruseiro austro-húngaro AMS Kaiserin Elisabeth de Tsingtao, o Japão declarou guerra não só à Alemanha, mas também à Áustria-Hungria; o navio participou na defesa de Tsingtao onde foi afundado em Novembro de 1914. Dentro de poucos meses, as forças Aliadas tinham cercado todos os territórios alemães no Pacífico, só permanecendo alguns corsários comerciais e alguns redutos na Nova Guiné.



Campanhas em África
Alguns dos  primeiros confrontos da guerra envolveram forças coloniais Britânicos, Franceses e Alemãs em África. A 6 e 7 de Agosto as tropas francesas e britânicas invadiram o protectorado alemão de Togoland e Kamerun. A 10 de Agosto as forças alemãs no sudoeste de África atacaram o Sul de África, lutas esporádicas e violentas continuaram a ocorrer durante o resto da guerra.
As forças coloniais alemãs na África Alemã Oriental, lideradas pelo Coronel Paul von Lettow-Vorbeck, usaram uma tática de guerrilha durante a I Guerra Mundial e só se renderam duas semanas depois do armistício na Europa.

Apoio indiano aos Aliados
Contrariamente aos receios britânicos de uma revolta indiana, o rebentar da guerra assistiu a um nascer de lealdade sem precedentes e apoio para com a Grâ-Bretanha. Os líderes políticos indianos do Congresso Nacional Indiano e outros grupos estavam ansiosos para apoiar os esforços de guerra britânicos, uma vez que acreditavam que um apoio forte à causa de guerra iria beneficiar a causa da Liga de Autogoverno de Toda a Índia. De facto o exército indiano superou em efectivos o número dos do exército britânico ao principio, cerca de 1,3 milhões de soldados indianos e trabalhadores serviram na Europa, Árica e no Médio Oriente, enquanto que o governo central e os principados enviaram abastecimentos de alimentação, dinheiro e munições. No todo, 140.000  serviram na Frente Oriental e perto de 700.000 no Médio Oriente. 
As baixas dos soldados indianos foram de 47.746 mortos e 65.126 feridos. O sofrimento criado pela guerra, assim como o fracasso do governo britânico de criar um auto-governo para a Índia após as hostilidades, aumentou ainda mais a desilusão e alimentou a campanha por uma independência completa liderada por Mohandas Karamchand Gnadhi e outros.

Frente Ocidental

A guerra de trincheiras começa ...
As táticas militares antes da I Guerra Mundial tinham falhado em manter a paz perante o avanço da tecnologia. Estes avanços permitiram a construção de sistemas defensivos extraordinários, que as tácticas militares antiquadas não conseguiam romper na maior parte da guerra. O uso do arame farpado mostrou-se como um verdadeiro obstáculo ao avanço da infantaria. A artilharia, muito mais mortífera do que na década de 1870, juntamente com metralhadoras, fez com que atravessar os campos abertos se tornasse extremamente difícil. Os comandantes de ambos os lados falharam no desenvolvimento de tácticas no rompimento das posições entrincheiradas sem haver um forte número de baixas. Com o tempo, no entanto, a tecnologia começou a produzir novas tecnologias ofensivas, como o gás de guerra e os tanques.
Logo após a Primeira Batalha do Marne (5 a 12 de Setembro de 1914), tanto as forças da Entente quanto as alemãs continuaram à procura de uma maneira de rodear as forças contrárias em direcção  ao norte - esta série de manobras ficou conhecida como a Corrida ao Mar. Quando estas manobras falharam, os britânicos e franceses viram-se a enfrentar uma linha ininterrupta de forças alemãs entrincheiradas desde o Lorraine até à costa belga. Os franceses e britânicos procuraram tomar a ofensiva, enquanto que os alemães defendiam os territórios ocupados. Consequentemente, as trincheiras alemãs foram muito melhor construídas do que as do inimigo; as trincheiras anglo-francesas pretendiam ser temporárias, só até as suas forças conseguirem romper com as defesas alemãs.
Ambos os lados tentaram romper o impasse com o recurso de avanços científicos e tecnológicos. A 22 de Abril de 1915, na Segunda Batalha de Ypres, os alemães (em violação da Convenção de Haia) usaram gás de cloro pela primeira vez na Frente Ocidental. Rapidamente ambas as partes começaram a usar diversos tipos de gases, e embora nunca se tenha mostrado como uma arma decisiva para vencer as batalhas, o gás tornou-se um dos horrores mais temidos e lembrados da guerra.
Os tanques foram primeiramente usados em combate pelos britânicos durante a Batalha de Flers-Courcelette, a 15 de Setembro de 1916, mas apenas com um sucesso parcial. No entanto, a sua eficácia viria a crescer à medida que a guerra progredia; os alemães usaram apenas alguns de seu próprio desenho, que complementavam com tanques capturados aos Aliados.


... e continua
Nenhum dos lados conseguiu obter um golpe decisivo durante os próximos dois anos. Ao longo de 1915-17, o Império Britânicos e a França sofreram mais baixas do que a Alemanha, devido às forças e tácticas escolhidas por ambos os lados. Estrategicamente, enquanto que os alemães apenas montaram uma grande ofensiva, os Aliados fizeram várias tentativas de romper as linhas alemãs.
A 16 de Fevereiro de 1916 os alemães atacaram a posição defensiva francesa em Verdun. Indo até Dezembro de 1916 a batalha teve vitórias no princípio alemãs, mas os contra-ataques franceses fizeram com que as posições retornassem às iniciais. As baixas foram maiores na parte francesa, mas os alemães tiveram fortes baixas igualmente, com valores que vão de 700.000 a 975.000 baixas sofridas entre os dois lados. Verdun tornou-se um símbolo da determinação e auto-sacrifício francês.
A Batalha do Somme foi uma ofensiva anglo-francesa que durou de Julho a Novembro de 1916. O inicio desta ofensiva (1 de Julho de 1916) viu os britânicos a sofrerem os dias mais sangrentos da sua história, com 57.470 baixas, incluindo 19.240 mortos, só no primeiro dia. A ofensiva Somme custou ao exército britânico 420.000 baixas, aos franceses cerca de 200.000 e aos alemães cerca de 500.000.
A acção prolongada no Verdun durante o ano de 1916 mais o derramamento de sangue no Somme, trouxe a exaustão ao exército francês, à beira do colapso. Tentativas fúteis de assaltos frontais trouxeram um preço elevado aos britânicos e franceses e levou à generalização dos motins no exército francês, após ao fracasso da ofensiva Nivelle, na costa, em Abril e Maio de 1917. A Batalha Britânica de Arras foi mais limitada no âmbito, mas mais bem sucedida, embora de pouco valor estratégico. Uma pequena parte da ofensiva de Arras, a captura do cume Vimy pelo Corpo Canadiano, tornou-se bastante significante para aquele país: a ideia de que a identidade nacional do Canadá nasceu a partir desta batalha foi uma opinião bastante espalhada entre os militares e pela generalidade dos historiadores do Canadá.
A última ofensiva em grande escala deste período foi um ataque britânico (com o apoio francês) a Passchendaele (Julho-Novembro de 1917). Esta ofensiva começou como uma grande promessa para os Aliados, antes de se atolar na lama de Outubro. Embora se discuta o número de baixas, rondam entre 200.000 a 400.000 de cada lado.

Campanha Naval
No início da guerra, o Império Alemão tinha navios espalhados ao longo de todo o globo, alguns dos quais vieram a ser usados para atacar os navios de mercadorias dos Aliados. A Marinha Real Britânica caçava-os sistematicamente, embora não sem algum embaraço pela sua incapacidade de proteger as embarcações dos Aliados.
Pouco depois do começo das hostilidades, a Grâ-Bretanha abriu um bloqueio naval à Alemanha. A estratégia mostrou ser eficaz, cortando abastecimentos vitais, tanto militares quanto civis, embora este bloqueio violasse diversas leis de vários acordos internacionais dos dois séculos passados. A Grâ-Bretanha minou as águas internacionais de forma a prevenir a entrada de qualquer navio em secções completas dos oceanos, levando o perigo igualmente navios neutros. Uma vez que houve pouca resposta a esta táctica, a Alemanha esperava uma resposta idêntica à sua guerra ilimitada submarina.
A Batalha da Jutlândia em 1916 veio a desenvolver-se na maior batalha naval da guerra, a única de larga escala entre navios de guerra durante a guerra, e uma das maiores na história. Teve lugar a 31 de Maio a 01 de Junho de 1916, no Mar Norte da Jutlândia. A Frota de Mar Alto Kaiserliche, comandada pelo vice almirante Reinhard Scheer, confrontou a Grande Frota da Marinha Real, liderada pelo Almirante Sir John Jellicoe. O final foi um impasse, pois os alemães em menor número conseguiram escapar e infligir mais danos à frota britânica do que aqueles que receberam. No entanto, estrategicamente, os britânicos reivindicaram o seu controle sobre o mar, e a maior parte da superfície alemã permaneceu restringida aos portos durante o resto da guerra.
Os U-Boat alemães tentaram cortar as linhas de abastecimento entre a América do Norte e a Grã-Bretanha. A natureza da guerra submarina significava que os ataques vinham muitas vezes sem qualquer aviso, deixando poucas possibilidades de sobrevivência às tripulações dos navios pequenos de mercadorias. Os Estados Unidos iniciaram um protesto, e a Alemanha mudou as regras de compromisso.
Após ter afundado o navio de passageiros RMS Lusitânia em 1915 a Alemanha prometeu não voltar a atingir navios de passageiros, enquanto que a Grã-Bretanha armou os seus navios de mercadorias, colocando-os sob a protecção das "regras dos cruzeiros", que exigiam avisos e a colocação dos passageiros num "local de segurança". Finalmente, no início de 1917, os alemães adoptaram uma política de guerra submarina sem limites, ao perceberem que os americanos eventualmente viriam a participar na guerra. A Alemanha procurou estrangular as rotas marítimas dos Aliados antes de os Estados Unidos poderem transportar um grande número de tropas até ao continente europeu, mas só conseguiam manter cinco U-Boats de longo alcance, com efeitos limitados.
A ameaça dos U-Boats alemães diminuiu em 1917, quando os navios de mercadorias começaram a viajar em comboio, seguidos por contratorpedeiros. Esta táctica fez com que fosse difícil para os U-Boat encontrarem o seu alvo. Após a introdução dos hidrofones e das cargas de profundidade, os navios tinham de esperar pois os comboios estavam reunidos. A solução para este atraso foi um programa extensivo de produção de novos cargueiros. 
As tropas foram demasiado rápidas para os submarinos e não viajaram no Atlântico Norte em comboios. Os U-Boats afundaram mais de 5.000 navios dos aliados, com um custo de 199 submarinos.

A I Guerra Mundial também assistiu ao uso pela primeira vez de aeroplanos  em combate, com o HMS Furious a lançar Biplanos num raide de sucesso contra os hangares de zeppelins em Tondern, em Julho de 1918, assim como dirigíveis contra patrulhas anti-submarinas.

Teatro do Sul

Guerra nos Balcãs
Tendo de enfrentar a Rússia, a Áustria-Hungria só podia dispensar um terço do seu exército para atacar a Sérvia. Depois de ter sofrido perdas pesadas, os austríacos vieram a ocupar durante um período breve a capital sérvia, Belgrado. No entanto um contra-ataque sérvio na batalha de Kolubara fez com que os sérvios expulsassem os austríacos do país nos finais de 1914. Durante os dez primeiros meses de 1915, a Áustria-Hungria usou a maior parte das suas reservas militares na luta contra a Itália. Os diplomatas austro-húngaros, no entanto, conseguiram convencer a Bulgária a atacar a Sérvia. A província austro-húngara da Eslovénia, Croácia e Bósnia forneceram tropas para a Áustria-Hungria invadir a Sérvia, assim como lutar contra a Rússia e Itália. Montenegro, por sua vez, aliou-se à Sérvia.
A Sérvia foi conquistada em pouco mais de um mês, pois os Poderes Centrais, que agora incluíam a Bulgária, enviaram 600.000 tropas. O exército sérvio, lutando em duas frentes e enfrentando uma derrota certa, retirou-se para o norte da Albânia (que haviam invadido no início da guerra). Os sérvios sofreram a derrota na batalha de Kosovo. Montenegro cobriu a retirada dos sérvios até à costa do Adriático na batalha na Batalha de Mojkovac a 6-7 de Janeiro de 1916, mas no final os austríacos acabaram por conquistar igualmente Montenegro. Os soldados sérvios sobreviventes foram enviados para a Grécia por navio. Após a conquista, a Sérvia foi dividida entre a Áustria-Hungria e a Bulgária.
Nos finais de 1915, uma força franco-britânica desembarcou em Salonica, na Grécia, para oferecer assistência e pressionar o governo a declarar guerra contra os Poderes Centrais. No entanto, o rei Constantino pró-germânicos demitiu o governo pró-Aliados de Eleftherios Venizelos antes da força expedicionária dos Aliados ter chegado. A fricção entre o rei da Grécia e os Aliados continuou a aumentar com o Cisma Nacional, que de facto dividiu a Grécia entre regiões que se mantiveram leais ao rei e o novo governo provisório de Venizelos em Salonica. Após intensas negociações e um confronto armado em Atenas entre Aliados e forças reais, o rei da Grécia demitiu-se e o seu segundo filho Alexandre subiu ao trono; A Grécia, então, juntou-se oficialmente aos Aliados.
A princípio a Frente Macedónia estava principalmente em estado estático. Forças francesas e sérvias retomaram áreas limitadas da Macedónia ao recapturarem Bitola a 19 de Novembro de 1916, em seguimento da ofensiva costeira de Monastir, que trouxe estabilização à frente.
As tropas francesas e sérvias finalmente conseguiram um avanço em Setembro de 1918, após a maior parte das forças alemãs e austríacas se terem retirado. Os búlgaros sofreram então a sua única derrota durante a guerra na Batalha de Dobro Pole: a Bulgária capitulou duas semanas depois, a 29 de Setembro de 1918. O alto comando alemão respondeu enviando tropas para aguentar a linha, mas estas forças eram demasiado fracas para restabelecer a frente.
O desaparecimento da Frente Macedónica significou que o caminho para Budapeste e Viena estava finalmente aberto para as forças Aliadas. Hindenburg e Ludendorff concluíram que o balanço estratégico e táctico tinha agora mudado decisivamente contra os Poderes Centrais e, um dia depois do colapso da Bulgária, insistiram num acordo de paz imediato.

Império Otomano
O Império Otomano juntou-se aos Poderes Centrais durante a guerra, a secreta Aliança Otomano-Germanica que foi assinada em Agosto de 1914. Ameaçava os territórios russos no Cáucaso e as comunicações britânicas com a Índia através do Canal Suez.
Na própria Ásia Menor, os Turcos Otomanos, junto com os aliados curdos e circassianos, conduziram massacres de larga escala aos gregos indígenas, fazendo com que estes se juntassem ao lado russo e britânico.
Os franceses e britânicos iniciaram frentes ultramarinas com as campanhas Gallipoli (1915) e Mesopotâmica. Em Gallipoli, o Império Otomano repeliu com sucesso as tropas britânicas, francesas, australianas e neozelandesas (ANZAC). Pelo contrário, na Mesopotâmia, após o desastroso Cerco de Kut (1915-16), as forças do Império Britânico reorganizaram e capturaram Bagdad em Março de 1917. Os britânicos foram ajudados na Mesopotâmia por árabes locais e homens tribais assírios, enquanto que os otomanos usaram curdos locais e tribos turcas.
Mais para ocidente, o Canal de Suez foi defendido com sucesso dos ataques otomanos em 1915 e 1916. Em Agosto uma força conjunta germânica e otomana foi derrotada na Batalha de Romani pela Cavalaria ANZAC e a 52º Divisão de Infantaria. Após esta vitória a Força Expedicionária do Império Britânico Egípcio avançou através da Península do Sinai, empurrando as forças otomanas até à Batalha de Magdhaba em Dezembro e à Batalha de Rafaon, na fronteira entre o Sinai egípcio e a Palestina Otomana, em Janeiro de 1917.
Os exércitos russos, na sua generalidade, conseguiram os maiores sucessos no Caucassus. Enver Pasha, o comandante supremo das forças armadas otomanas, foi ambicioso e sonhou em reconquistar a Ásia Central e áreas que haviam sido perdidas para a Rússia anteriormente. No entanto, era um comandante fraco.. Lançou uma ofensiva contra os russos no Cáucaso em Dezembro de 1914 com uma tropa de 100.000 homens, insistindo num ataque frontal contra a Rússia montanhosa no Inverno. Perdeu 86% das suas tropas na Batalha de Sarikamish.
Em Dezembro de 1914 o Império Otomano, com o apoio alemão, invadiu a Pérsia (o atual Irão) num esforço de cortar o acesso às reservas de petróleo aos russos e britânicos à volta do Mar Cáspio. A Pérsia, supostamente neutra, já há muito que se encontrava na esfera de influência britânica e russa. Os otomanos e alemães foram ajudados pelas forças curdas e azeri, juntamente com um grande número de tribos iranianas, como as de Qashqai, Tangistanis, Luritanis e Khamseh, enquanto que os russos e britânicos tiveram o apoio de assírios e arménios. A Campanha Pérsia iria durar até 1918 e iria acabar num insucesso para os otomanos e aliados destes; no entanto a retirada das forças russas em 1917 fez com que as forças arménias e assírias, que tinham vindo a infligir derrotas embaraçosas aos otomanos e aliados, ficassem com a linhas de abastecimento cortadas, em menor número com menor número de armamento e isolados, tendo sido forçados a lutar e retirarem-se para as linhas britânicas no norte da Mesopotâmia.
O general Yudenich, o comandante russo de 1915 a 1916, dirigiu a maior parte dos turcos para o sul do Cáucaso com uma série de vitórias. Em 1917 o grão-duque russo Nicolau assumiu o comando da frente do Cáucaso. Nicolau tinha planeado uma linha férrea através da Geórgia russa de forma a fornecer abastecimentos frescos de forma a iniciar uma nova ofensiva em 1917. No entanto em Março de 1917 (Fevereiro no calendário russo pré-revolucionário), o Czar abdicou no curso da Revolução de Fevereiro e o exército russo do Cáucaso começou a desmoronar-se. 
Ao longo da fronteira da Líbia italiana e do Egipto britânico, a tribo Senussi, incitada e armada pelos turcos, travou uma luta de guerrilha contra as tropas Aliadas. Os britânicos foram forçados a enviar 12.000 homens para se oporem à Campanha de Senussi. A rebelião da tribo foi finalmente esmagada por meados de 1916.

O número total de baixas dos Aliado nas frentes otomanas rondou os 650.000 homens. O total de baixas otomanas foi de 725.000 (325.000 mortos e 400.000 feridos).


A participação italiana
A Itália tinha sido aliada da Alemanha e da Áustria-Hungria desde 1882 como parte da Triple Alliance. No entanto, tinha os seus próprios objectivos no território austríaco em Trentino, Trieste, Istria, Gorizia e Dalmatia. Mas Roma tinha um pacto secreto de 1902 com a França que efectivamente anulava esta aliança. No início das hostilidades, a Itália recusou-se a enviar tropas, com o argumento de que a Triple Alliance era defensiva e de que a Áustria-Hungria era um agressor. O governo Áustro-Hungaro começou as negociações de forma a assegurar a neutralidade da Itália, oferecendo a colónia francesa da Tunísia como retorno. Por sua vez, os Aliados fizeram uma contra-oferta na qual a Itália iria receber o sul de Tirol, o litoral austríaco e território na costa da Dalmácia após a derrota da Áustria-Hungria. Isto foi formalizado pelo Tratado de Londres. Com o encorajamento da invasão da Turquia pelas forças Aliadas em Abril de 1915, a Itália juntou-se à Triple Entente e declarou guerra à Áustria-Hungria a 23 de Maio. Quinze meses depois a Itália declarava guerra à Alemanha.
A entrada da Itália foi planeada em segredo por três indivíduos - o Primeiro Ministro Antonio Salandra, O Ministro do Exterior Sidney Sonnino e o Rei Victor Emanuel III.
Militarmente os italianos encontravam-se em maior número. Esta vantagem, no entanto perdeu-se devido não só ao terreno difícil no qual as lutas ocorreram, mas também devido às estratégias e tácticas escolhidas. O Marchal de Campo Luigi Cadorna, um defensor acérrimo do ataque frontal, desejava invadir o planalto esloveno, tomar Ljubljana e ameaçar Viena. O plano de Cadorna não levava em conta as dificuldades do terreno acidentado do Cárstico Alpino, ou a mudança tecnológica que criou a guerra de trincheiras, levando a uma série de ofensivas sangrentas inconclusivas.
Na frente Trentino, os austro-húngaros tiraram vantagem do terreno montanhoso, que favorecia a defesa. Após uma retirada inicial estratégica, a frente manteve-se em grande parte inalterada, enquanto que o Kaiserschützen e o Standschützen colocaram os italianos de Alpini num amargo confronto face-a-face ao longo de todo o Verão. Os austro-húngaros contra-atacaram no Altopiano di Asiago, através de Verona e Pádua, na Primavera de 1916, mas fizeram poucos progressos.
No início de 1915, os italianos sob o comando de Cadorna montaram onze ofensivas na frente do rio de Isonzo. Todas as onze ofensivas foram repelidas pelos austro-húngaros, que se encontravam no terreno mais elevado. No Verão de 1916, os italianos capturaram a cidade de Gorizia. Após esta vitória menor, a frente manteve-se estática ao longo de um ano, apesar de várias ofensivas italianas. No Outono de 1917, graças à melhoria na frente oriental, as forças austro-hungaras obtiveram um grande número de reforços, incluindo as Stormtroopers alemãs e a força de elite Alpenkorps.
Os Poderes Centrais lançaram então uma ofensiva esmagadora a 26 de Outubro de 1917, liderada pelos alemães. Conseguiram uma vitória em Carporetto. O exército italiano foi derrotado e recuou mais de 100 quilómetros para se reorganizar, estabelecendo a frente no rio Piave. Uma vez que o exército italiano tinha tido baixas pesadas na Batalha de Carporetto, o governo italiano chamou os denominados os Rapazes de '99, isto é, todos os rapazes que tivessem 18 anos ou mais. Em 1918, os austro-húngaros não conseguiram vencer uma série de batalhas no rio Piave, e foram derrotados de forma decisiva  na Batalha de Vittorio Veneto em Outubro desse mesmo ano. De 5 a 6 de Novembro de 1918, as forças italianas haviam chegado a Lissa, Lagosta, Sebenico e outras localidades na costa da Dalmácia. Pelo final das hostilidades em Novembro de 1918, os militares italianos tinham tomado o controle de toda a porção da Dalmácia que havia sido garantida à Itália pelo Tratado de Londres. Em 1918, o Almirante Enrico Millo declarou-se a si mesmo Governador Italiano da Dalmácia. Os austro-húngaros renderam-se no princípio de Novembro de 1918.

Participação Romena
A Roménia havia sido aliada dos Poderes Centrais desde 1882. No entanto,  quando a guerra começou declarou a sua neutralidade, com o argumento de que tinha sido a própria Áustria-Hungria a declarar guerra à Sérvia, logo a Roménia não tinha qualquer obrigação de se juntar à guerra. Quando os Poderes da Entente prometeram à Roménia vastos territórios da Hungria Oriental (Transilvania e Banat), que tinham uma larga população romena, em troca de a Roménia declarar guerra aos Poderes Centrais, o governo romeno renunciou à neutralidade e, a 27 de Agosto de 1916, o exército romeno lançou um ataque contra a Áustria-Hungria, com um apoio russo limitado. A ofensiva romena teve um sucesso inicial, empurrando as tropas austro-hungaras na Transilvannia, mas um contra-ataque dos Poderes Centrais fez com que as tropas russo-romenas recuassem. Como resultado da Batalha de Bucareste, os Poderes Centrais ocuparam Bucareste a 6 de Dezembro de 1916. A luta na Moldávia continuou até 1917, resultando num empate caro para as Potências Centrais. Com a retirada das tropas em 1917 a Roménia foi forçada a assinar um armistício com os Poderes Centrais a 9 de Dezembro de 1917.
Em Janeiro de 1918, as forças romenas obtiveram o controlo da Bessarábia uma vez que o exército russo abandonou a província. Embora fosse assinado um tratado entre a Roménia e o governo bolchevique russo após as conversações que foram de 5 a 9 de Março de 1918 sobre a retirada das forças romenas da Bessarábia dentro de dois meses, a 27 de Março de 1918 a Roménia anexou a Bessarábia ao seu território.
A Roménia entrou em paz oficialmente com os Poderes Centrais ao assinar o Tratado de Bucareste a 7 de Maio de 1918. Neste Tratado, a Roménia era obrigada a terminar a guerra com os Poderes Centrais e fazer algumas concessões de pequenos territórios à Áustria-Hungria, cedendo o controlo de algumas passagens nas Montanhas dos Cárpatos e conceder concessões petrolíferas à Alemanha. Em troca, os Poderes Centrais reconheciam a soberanidade da Roménia sobre a Bessarábia.
O governo de Alexandru Marghiloman renunciou ao Tratado em Outubro de 1918, e a Roménia reentro nominalmente em guerra a 10 de Novembro de 1918. No dia seguinte, o Tratado de Bucareste foi anulado pelos termos do Armistício de Compiègne.
O número total de mortes entre 1914-18, militares e civis, dentro das fronteiras romenas actuais, estão estimadas em 748.000.

Frente Oriental

Acções iniciais
Enquanto que a Frente Ocidental tinha chegado a uma estagnação, a guerra continuou na Europa do Leste. Os planos iniciais russos obrigavam a invasões simultâneas à Galícia austríaca e à Prússia do Leste alemã. Embora os avanços iniciais russos na Galícia fossem de sucesso, as tropas russas foram empurradas de volta por Hindenburg e Ludendorff nos lagos Tanneberg e Masuria em Agosto e Setembro de 1914. A base industria russa menos desenvolvida e liderança militar ineficaz foram decisivos para os eventos que se seguiram. Durante a Primavera de 1915, os russos já se tinha retirado da Galicia e em Maio, os Poderes Centrais conseguiram um avanço extraordinário até às fronteiras do sul da Polónia. A 5 de Agosto, capturaram Varsóvia e forçaram os russos a retirarem-se da Polónia.

Revolução russa
Apesar do sucesso de Junho de 1916 na Ofensiva de Brusilov, na Galícia do leste, a insatisfação com o governo russo  continuou à medida que a guerra crescia. O sucesso da ofensiva estava a ser prejudicada pela relutância de outros generais em comprometer as suas forças para apoiar a vitória. As forças Aliadas e Russas só foram reavivadas com a entrada da Roménia na guerra a 27 de Agosto. As forças alemãs vieram em ajuda às unidades austro-húngaras que se encontravam em apuros na Transilvânia, enquanto que as forças germano-búlgaras atacavam a partir do sul, e Bucareste foi tomada pelos Poderes Centrais a 6 de Dezembro. Entretanto, a inquietação crescia na Rússia, pois o Czar permanecia na frente. O governo incompetente  da czarina Alexandra trouxe novos protestos, que resultaram na morte do favorito desta, Rasputin, no final de 1916.
Em Março de 1917, as manifestações em Petrogrado acabaram na abdicação do Czar Nicolau II e na designação de um Governo Provisório fraco, que partilhava o poder com os socialistas Soviéticos de Petrogrado. Este compromisso levou à confusão e caos tanto na frente quanto na própria Rússia. O exército tornou-se cada vez mais ineficaz.
O descontentamento e a fraqueza do Governo Provisório levaram a um aumento da popularidade do Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lenin, que exigia um fim imediato à guerra. O sucesso do levantamento armado pelos Bolcheviques em Novembro foi seguido por um armistício em Dezembro e negociações com a Alemanha. Inicialmente, os bolcheviques recusaram os termos alemães, mas quando as tropas alemãs começaram a marchar através da Ucrânia sem oposição, o novo governo aceitou o Tratado de Brest-Litovsk a 3 de Março de 1918. No tratado foram cedidos vastos territórios aos Poderes Centrais que incluíam a Finlândia, províncias do Báltico, partes da Polónia e da Ucrânia. Apesar deste aparente sucesso alemão,  os recursos humanos alemães necessários para ocupar estes antigos territórios russos, podem ter vindo a contribuir para o insucesso da Ofensiva da Primavera e vieram a trazer poucos bens alimentícios ou outros materiais.
Com a adopção do Tratado de Brest-Litovsky, a Entente deixou de existir. Os Poderes Aliados levaram em acção uma invasão de pequena escala da Rússia, em parte para parar a Alemanha de explorar os recursos russos e, a uma menor escala, para apoiar os "Brancos" (oponentes dos "Vermelhos") na Guerra Civil Russa. As tropas Aliadas desembarcaram  em Arkhangelsk e Vladivostok como parte da Intervenção da Rússia Norte.

A Legião Checoslovaca
A Legião Checoslovaca lutou ao lado da Entente - o objectivo destes era o de obter apoio para a independência da Checoslováquia. A Legião na Rússia foi estabelecida em 1917, na França, a Dezembro de 1917 e na Itália em Abril de 1918. As tropas da Legião Checoslovaca derrotaram o exército austro-húngaro na vila ucraniana de Zborov em Julho de 1917. Após este sucesso, o número de legionários checoslovacos aumentou, assim como o poder militar da Checoslováquia.. Na Batalha de Bakhmach, a Legião derrotou os alemães e forçaram-nos a pedir tréguas.
Na Rússia, estavam bastante envolvidos na Guerra Civil, lutando contra os Bolcheviques, tendo durante algum tempo controlado a maior parte da linha férrea Trans-Saberiana e conquistando a maior parte das cidades na Sibéria. A presença da Legião Checoslováquia perto de Yekaterinburgo parece ter sido um dos motivos para a execução por parte das forças Bolcheviques do Czar e da família deste em Julho de 1918. Os legionários chegaram à cidade em menos de uma semana e capturaram-na.

O início das propostas de paz por parte dos Poderes Centrais
Em Dezembro de 1916, após dez meses brutais na Batalha de Verdun e uma ofensiva de sucesso contra a Roménia, os Alemães tentaram entrar em negociações de paz com os Aliados. Pouco depois de o presidente dos EUA, Woodrow Wilson, tentar uma intervenção no sentido da paz, colocando em notas para ambos os lados dizerem quais eram as suas exigências. O Gabinete de Guerra de Lloyd George considerou que a oferta da Alemanha era um estratagema da Alemanha para criar divisões entre os Aliados. Depois de indignação inicial e de muita deliberação, tomaram a nota de Wilson como um esforço à parte, sinalizando que os EUA estavam prestes a entrar na guerra contra a Alemanha, seguindo os "ultrajes submarinos". Enquanto os Aliados debatiam a oferta de Wilson, os alemães rejeitaram-na em troca de "uma troca directa de pontos de vista". Desta forma, os Aliados ficaram livres de tornar claras as suas exigências na resposta a 14 de Janeiro. Procuravam a restauração de danos, a evacuação de territórios ocupados, reparações para a França, Rússia e Roménia, e um reconhecimento do princípio das nacionalidades. Isto incluía a libertação dos italianos, dos eslavos, dos romenos, dos checoslovacos e a criação de "uma Polónia livre e unida". Relativamente à segurança, os Aliados procuravam garantias de forma a prevenir ou limitar guerras no futuro, completadas com sanções, como uma condição de qualquer acordo de paz. As negociações falharam e os poderes da Entente rejeitaram a oferta alemã, porque a Alemanha não indicou quaisquer propostas específicas. Para Wilson, a Entente declarou que eles não iriam começar nenhuma oferta de paz enquanto os Poderes Centrais não evacuassem todos os territórios Aliados que ocupavam e providenciassem indemnizações para todos os danos que haviam sido causados.




1917 - 1918

Os desenvolvimentos de 1917
Os eventos de 1917 providenciaram o fim da guerra, embora os seus efeitos só tenham sido sentidos em 1918.
O bloqueio naval britânico começou a ter um impacto sério na Alemanha. Em resposta, em Fevereiro de 1917, o Estado Maior Alemão convenceu o Chanceler Theobold von Bethmann-Hollweg a declarar guerra submarina sem limites, com o objectivo de retirar a Grã-Bretanha da guerra através da fome. Os planeadores alemães estimavam que uma guerra submarina sem limites iria ter um custo para a Grã-Bretanha mensal de 600.000 toneladas. Calculavam que esta política trouxesse os EUA para a guerra, mas que os britânicos fossem obrigados a pedir paz num período de 5 a 6 meses, antes da intervenção americana vir a ter impacto. Na realidade, as toneladas afundadas elevaram-se a mais de 500.000 toneladas por mês de Fevereiro a Julho, com um pico de 860.000 toneladas em Abril. Após julho, o novo sistema de comboio (referido acima) tornou-se extremamente eficaz na redução da ameaça dos U-Boat. Os britânicos ficaram livre da fome, enquanto que a indústria alemã caiu e as tropas americanas entraram na guerra em grande número e muito mais cedo do que os alemães haviam antecipado.
A 3 de Maio de 1917, durante a Ofensiva Nivelle, a cansada 2ª Divisão Francesa Colonial, veteranos da Batalha de Verdun, recusaram as ordens dadas, chegaram embriagados e sem as armas. Os oficiais não tinham para castigar uma Divisão completa, e não foram logo tomadas medidas severas. Então, os motins do exército francês espalharam-se por 54 divisões e viram 20.000 homens desertarem. As outras forças Aliadas atacaram, mas obtiveram imensas baixas. No entanto, os apelos ao patriotismo e dever, assim como detenções em massa e julgamentos, encorajaram os soldados a voltarem e defenderem as suas trincheiras, embora os soldados franceses recusassem em participar em mais acções ofensivas. Robert Nivelle foi retirado do comando a 15 de Maio e substituído pelo General Philippe Pétain que suspendeu os sangrentos ataques em larga escala.
A vitória da Áustria-Hungria e Alemanha na Batalha de Caporetto levou os Aliados a convocar a Conferência Rapallo na qual formaram o Concelho Supremo de Guerra para coordenar o planeamento. Previamente, os exércitos britânicos e franceses haviam operado debaixo de comandos diferentes.
Em Dezembro, os Poderes Centrais assinaram um armistício com a Rússia, o que veio a libertar um número enorme de tropas alemãs para uso no ocidente. Com o reforço alemão e as novas tropas americanas, o final viria a ser decidido na Frente Ocidental. Os Poderes Centrais sabiam que eles não poderiam ganhar uma guerra prolongada, mas tinham grandes esperanças no sucesso baseado numa rápida ofensiva final. Além disso, os líderes dos Poderes Centrais e os Aliados tornavam-se cada vez mais receosos da inquietação social e consequentes revoluções na Europa; e ambos os lados procuravam uma vitória decisiva..
Em 1917, o Imperador Carlos I da Áustria tentou secretamente proceder a negociações de paz, com o irmão da esposa Sixtus na Bélgica, a servir de intermediário, sem o conhecimento da Alemanha. A Itália opôs-se a estas negociações. Quando as negociações falharam, a tentativa de paz foi revelada o que causou uma crise diplomática.


Conflito do Império Otomano, 1917-1918

Em Março e Abril de 1917, nas Primeira e Segundas Batalhas de Gaza, os exércitos otomano e alemão pararam o avanço da Força Expedicionária egípcia, que havia começado em 1916 na Roménia. No fim de Outubro, a Campanha do Sinai e Palestina acabou quando o XX Corpo do General Edmund Allenby o XXI Corpo e o Desert Mounted Corps venceram a Batalha de Beersheba. Foram derrotados dois exércitos otomanos duas semanas depois na Batalha do Monte Mughar e, no início de Dezembro, Jerusalém foi capturada após outra derrota otomana na Batalha de Jerusalém. Por volta desta altura, Friedrich Freiherr Kress von Kressentein foi libertado dos seus deveres como comandante do 8º Exército, substituído por Djevad Pasha, e uns meses depois o comandante do Exército otomano na palestina, Erich von Falkenhayn, foi substituído por Otto Liman von Sanders.
No início de 1918, a linha da frente foi estendida até ao Vale do Jordão, que continuava a ser ocupado, após o Primeiro e Segundo ataque do Transjordão, pelas forças do Império Britânico em Março e Abril de 1918, até ao Verão. Durante o mês de Março a maior parte da Força Expedicionária de Infantaria Britânica do Egipto e a Cavalaria de Yeomanry foram enviadas para a frente ocidental como consequência da Ofensiva da Primavera. Foram substituídos por tropas indianas. Durante os vários meses de reorganização e treino no Verão, deram-se uma série de ataques na linha da frente do Império Otomano. Isto fez com que a linha fosse empurrada mais para norte, para posições mais vantajosas na preparação de um ataque e de forma a ambientar o recém-chegado exército de infantaria indiano. Foi só em meados de Setembro que a força integrada se encontrava pronta para operações de larga-escala.
A reorganização da Força Expedicionária Egípcia, com uma divisão montada adicional, quebrou as forças otomanas na Batalha de Megiddo em Setembro de 1918. Em dois dias a infantaria britânica e indiana quebraram a linha da frente otomana e capturaram a sede do 8º Exército (do Império Otomano) em Tulkarn, as trincheiras continuas em Tabsor, Arara e a sede do 7º Exército do Império Otomano em Nablus. O Corpo Montado do Deserto cavalgou através da ruptura na linha da frente criada pela infantaria e, durante operações continuas do Light Horse australiano, a cavalaria britânica Yeomanry, os lanceiros italianos e a infantaria montada da Nova Zelândia no Vale Jazreel, capturaram Nazaré, Afulah e Beisan, Jenin, juntamente com Haifa na costa mediterrânica e o Daraa. Também tomaram Samakh e Tiberias no Mar da Galileia quando as forças se encontravam a caminho do norte em direcção a Damasco. Entretanto a Força australiana de cavalos leves Chaytor, a infantaria montada da Nova Zelândia, a Índia, a Índia Britânica do Oeste e a infantaria judaica capturaram os cruzamentos do rio Jordão, Es Salt, Amman e em Ziza a maior parte do 4º Exército otomano. O armistício de Mudros, assinado no fim de Outubro, acabou com as hostilidades com o Império Otomano, enquanto que a luta continuava a norte de Aleppo.


Entrada dos Estados Unidos
Aquando da erupção da guerra, os EUA mantiveram uma política de não-intervenção, evitando conflitos enquanto tentavam intermediar uma paz. Quando os U-Boats alemães afundaram o RMS Lusitania britânico a 7 de Maio de 1915 com 128 americanos entre os mortos, o presidente Woodrow Wilson insistiram que "a América é demasiado orgulhosa para lutar" mas exigiu um fim aos ataques nos navios de passageiros. A Alemanha concordou. Wilson tentou, sem qualquer sucesso, mediar um acordo. No entanto, avisou repetidamente de que os Estados Unidos não iriam tolerar uma guerra submarina sem limites, uma violação da lei internacional. O presidente anterior Theodore Roosevelt denunciou os actos alemães como "pirataria". Wilson foi reeleito com uma pequena margem em 1916 por, como os apoiantes referiram, "ele manteve-nos fora da guerra".
Em Janeiro de 1917, a Alemanha retomou a guerra submarina sem limites, apesar de realizar que isso significaria a entrada dos EUA na guerra. O Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, no telegrama Zimmermann, convidou o México a juntar-se à guerra como aliado da Alemanha contra os Estados Unidos. Em retorno, os alemães financiariam a guerra do México e ajudá-los-iam a recuperar os territórios perdidos do Texas, Novo Texas e Arizona. Os britânicos interceptaram a mensagem e apresentou-a à embaixada americana no RU. A partir daí seguiu o seu caminho até ao presidente Wilson, que tornou público o telegrama e oa americanos viram-no como a casus belli - uma causa para a guerra. 
Após o afundamento de sete navios de mercadorias americanos e da publicação do telegrama Zimmerman, Wilson declarou guerra à Alemanha, declaração feita pelo Congresso a 6 de Abril de 1917.
Os EUA nunca foram um membro formal dos Aliados, mas tornaram-se um auto intitulado "Poder Associado". Os Estados Unidos tinham um exército pequeno, mas após a passagem do Acto de Serviço Selectivo, conseguiram 2,8 milhões de homens e, pelo Verão estavam a enviar 10.000 soldados frescos todos os dias para a França. Em 1917, o Congresso americano deu cidadania americana a Porto Rico uma vez que estes foram convocados para participar na guerra, como parte do Acto Jones. A Alemanha calculou mal, julgando que a chegada dos soldados americanos só viria a acontecer dentro de vários meses e que a sua chegada poderia sser travada pelos U-Boats.
A Marinha dos Estados Unidos enviou um grupo de navios de guerra para Scapa Flow para se juntar à Grande Frota Britânica, contratorpedeiros para Queenstown, Irlanda e submarinos para ajudar a proteger os comboios marítimos. Foram enviados vários regimentos de Marines US para a França. Os britânicos e franceses queriam usar as unidades americanas para reforçar as suas tropas de forma imediata nas linhas de batalha invés de usar os raros navios no transporte de abastecimentos. No entanto, o General John J. Pershing, comandante das Forças Expedicionárias Americanas (FEA), recusou separar as unidades americanas de forma a serem usadas como reforço às unidades britânicas e francesas. Mas como exceção, permitiu aos regimentos de combate afro-americanos de serem usados nas divisões francesas. Os Harlem Hellfighters lutaram como parte da 16ª Divisão Francesa, ganhando uma Croix de Guerre  pelas suas acções em Château-Thierry, Belleau Wood e Sechault. A doutrina das FEA era de combate frontal, método há muito descartado pelos comandantes britânicos e franceses devido ao enorme número de mortes que causava.

Ofensiva Alemã da Primavera de 1918
O general alemão Erich Ludendorff elaborou os planos para a ofensiva de 1918 (com o codinome Operação Michael) para a Frente Ocidental. A Ofensiva da Primavera procurava dividir as forças britânicas e francesas com uma série de simulações e avanços. O líder alemão esperava acabar a guerra antes que um número significante de tropas americanas chegasse ao continente europeu. As operações tiveram início  a 21 de Março  de 1918, com um ataque às forças britânicas perto de Amiens. As forças alemãs conseguiram um avanço sem precedentes de 60 quilómetros.
Conseguiram entrar nas trincheiras britânicas e francesas através do uso de novas tácticas de infiltração, as chamadas tácticas Hutier, em honra do general Oskar von Hutier, por ter treinado unidades especializadas, as Stosstruppen. Os ataques anteriores tinham sido característicos por longos bombardeamentos de artilharia e assaltos massivos. No entanto, na Ofensiva da Primavera de 1918, Ludendorff apenas usou a artilharia durante um espaço curto de tempo e infiltrou pequenos grupos de infantaria em pontos fracos. Atacaram áreas de comando e logísticas e contornaram os pontos de forte resistência.  Uma infantaria mais forte e mais armada destruiu depois estes pontos isolados. O sucesso alemão dependeu em grande parte do elemento surpresa. A frente dirigiu-se para 120 km de Paris. Três pesados canhões Krupp ferroviários dispararam 183 vezes sobre a capital, o que fez com que muitos parisienses fugissem. A ofensiva inicial teve um tal sucesso que o Kaiser Guilherme II declarou que o dia 24 de Março seria um feriado nacional. Muitos alemães pensaram que a vitória estava perto. No entanto, após uma forte luta a ofensiva foi detida. Com falta de tanques ou artilharia motorizada, os alemães viram-se incapazes de consolidar os seus ganhos. Esta situação ainda foi mais prejudicada pelas linhas de abastecimento que se encontravam cada vez mais esticadas, à medida que os alemães avançavam sobre um território devastado.
Foi criado um Concelho Supremo de Guerra das Forças Aliadas na Conferência de Doullens a 5 de Novembro de 1917. O general Foch foi designado como comandante supremo das forças Aliadas. Haig, Petain e Pershing mantiveram o controlo táctico sobre os respectivos exércitos. O general Foch fez pressão para se usar as recém chegadas tropas americanas como substitutos, enquanto que Pershing tentava usar as unidades americanas como forças independentes. Estas unidades foram atribuídas aos comandos franceses e britânicos a 28 de Março. 
Após a Operação Michael, a Alemanha lançou a Operação Georgette contra os portos do canal inglês no norte. Mas os Aliados conseguiram parar o avanço alemão. Então, o exército alemão no sul conduziu as Operações Blücher e Yorck, empurrando a linha em direcção a Paris. A Operação Marne foi lançada a 15 de Julho, numa tentativa de cercar Reims e iniciar a Segunda Batalha do Marne. O contra-ataque, os Cem Dias de Ofensiva, marcaram a primeira ofensiva de sucesso dos Aliados na guerra.
Por 20 de Julho foram expulsos através do Marne, de volta às linhas iniciais, conseguindo muito pouco. Após esta fase da guerra no ocidente, os alemães nunca mais conseguiram obter a iniciativa. As baixas alemãs entre Março e Abril de 1918 foram de 270.000 homens, incluindo tropas com treino especial.
Entretanto, dentro do próprio território nacional, a Alemanha encontrava-se em plena ruptura. As marchas anti-guerra eram frequentes e a moral do exército havia decaído imenso.

Novos Estados debaixo da Zona de Guerra
Na Primavera de 1918, formaram-se três novos Estados no sul do Cáucaso: a República da Arménia, a República Democrática do Azerbaijão e a República Democrática da Geórgia, que declararam independência do Império Russo. Também foram estabelecidas outras duas entidades menores, a Ditadura do Cáspio Central e a República do Sudoeste Caucasiano. Com a retirada dos exércitos russos do Cáucaso no Inverno de 1917-18, as três maiores repúblicas prepararam-se para um avanço do Império Otomano, que começou nos primeiros meses de 1918. A solidariedade manteve-se brevemente quando a República Federativa do Trans-Caucaso foi criada na Primavera de 1918, mas teve uma breve existência, tendo um fim em Maio desse mesmo ano, quando os georgeanos pediram e obtiveram protecção da Alemanha e o Azerbaijão concluíram um tratado com o Império Otomano que era mais semelhante a uma aliança militar. A Arménia foi deixada a si mesma, lutando contra a ameaça de uma ocupação por parte dos otomanos turcos durante cinco meses.

A Vitória dos Aliados: a partir do Verão de 1918

A Ofensiva dos Cem Dias 
A contra-ofensiva dos Aliados, conhecida como a Ofensiva dos Cem Dias, começou a 8 de Agosto de 1918, com a Batalha de Amiens. A batalha envolveu o uso de mais de 400 tanques e  120.000 tropas britânicas, francesas e americanas, e pelo final do primeiro dia os alemães haviam recuado 24 km. A moral dos alemães caiu imenso, fazendo com que Erich Ludendorff se referisse a este dia como "o Dia Negro para o exército alemão". Após mais um avanço de 23 km, a resistência alemã aumentou e a batalha foi concluída a 12 de Agosto.
Em vez de continuarem a batalha de Amiens até ao ponto inicial do passado, tal como havia sido feito tantas vezes no passado, os Aliados mudaram a sua atenção para outra zona. Os líderes dos Aliados compreenderam que continuar um ataque após a resistência se ter tornado mais forte era uma perda de vidas, e era melhor mudar a linha do que tentar insistir no mesmo ponto. Começaram a levar a cabo ataques rápidos para tirar a vantagem do sucesso dos avanços nos flancos, e partir quando cada ataque perdesse a impetuosidade inicial.
As forças britânicas e francesas lançaram então a próxima fase da campanha com a Batalha de Albert a 21 de Agosto. Durante a última semana de Agosto a pressão sobre a frente de 113 km foi pesada e implacável. Segundo o testemunho alemão "cada dia foi passado numa luta sangrenta contra um inimigo sempre 
Setembro assistiu ao avanço dos Aliados até à Linha Hindenburgo no norte e no centro. Os alemães continuaram a lutar usando fortes acções de retaguarda a e lançar numerosos contra-ataques em posições perdidas, mas só com sucesso em poucas e temporariamente. Cidades impugnadas, aldeias, alturas, trincheiras e postos avançados continuavam a cair para as mãos dos Aliados. A 24 de Setembro um assalto por forças britânicas e francesas empurrou a linha mais 3,2 km. Os alemãs encontravam-se agora completamente na linha de Hidenburgo.
Em quase quatro semanas de luta, iniciadas a 8 de Agosto, fizeram-se mais de 100.000 prisioneiros alemães. No "Dia Negro para o Exército Alemão", o Supremo Comando Alemão (Oberste Heeresleitung - OHL) percebeu que a guerra estava perdida e tentaram chegar a um fim satisfatório. No dia a seguir Ludendorff disse: "Nós não podemos continuar a ganhar a guerra, mas também não a podemos perder também." A 11 de Agosto apresentou a sua demissão ao Kaiser, que a recusou, dizendo "Eu vejo que devemos chegar a um balanço. Nós chegamos praticamente ao limite do poder da nossa resistência. A guerra tem de ser acabada." A 13 de Agosto, em Spa, Hindenburg, Ludendorff, o Chanceler e o Ministro dos Negócios Estrangeiros Hintz, concordaram que a guerra não podia ser finalizada militarmente e, no dia seguinte, o Concelho da Coroa Alemã decidiu que a vitória no campo era muito improvável. A Áustria e Hungria avisaram de que só conseguiriam continuar a guerra até Dezembro, e Ludendorff recomendou negociações de paz imediatas. A 10 de Setembro Hindenburg exortou a movimentos de paz ao Imperador Carlos da Áustria, e a Alemanha apelou aos Países Baixos para que servissem de mediadores. A 14 de Setembro a Áustria enviou uma nota a todos os beligerantes e países neutros a sugerir um encontro para conversações de paz em território neutro, e a 15 de Setembro a Alemanha fez uma oferta de paz à Bélgica. Ambas as ofertas de paz foram recusadas e a 24 de Setembro a OHL informou os líderes em Berlim que as conversações sobre um armistício eram inevitáveis.
O assalto final na Linha Hindenburgo começou com a Ofensiva Meuse-Argonne, lançada pelas tropas francesas e americanas a 26 de Setembro. Na semana que se seguiu, as unidades francesas e americanas entraram em Champagne, na Batalha de Mont Blanc, forçando os alemães dos comandos, e fechando a linha em direcção à fronteira belga. A 8 de Outubro a linha foi rompida novamente na Batalha de Cambrai.
Quando a Bulgária assinou separadamente um armistício a 29 de Setembro, Ludendorff, que se encontrava sob grande pressão durante meses, sofreu um colapso. Era evidente que a Alemanha não podia continuar com uma defesa de sucesso.
Entretanto, as noticias sobre a derrota militar iminente haviam-se espalhado através das Forças Armadas Alemãs. A ameaça de um motim era grande. O Almirante Reinhard Scheer e Ludendorff decidiram lançar uma última tentativa para restaurar o "valour" da Marinha Alemã. Sabendo que o governo do Príncipe Maximiliano de Baden iria vetar qualquer acção desse tipo. Ludendorff decidiu não o informar. De qualquer forma, a palavra sobre um ataque muito próximo espalhou-se entre os marinheiros de Kiel. Muitos, recusando-se em fazer parte de uma ofensiva naval, que acreditavam ser suicida, rebelaram-se e foram presos. Ludendorff ficou com a culpa, o Kaiser demitiu-o a 26 de Outubro. O colapso nos Balcãs significava que a Alemanha estava prestes a perder a sua principal fonte de abastecimentos de petróleo e alimentos. As reservas alemãs estavam gastas, e até as tropas americanas continuavam a chegar num número de 10.000 homens por dia. Os americanos forneceram cerca de 80% do petróleo dos Aliados durante a guerra, o que significava que os Aliados não se iriam confrontar com o mesmo problema.
Após terem sofrido 6 milhões de baixas, a Alemanha seguiu o caminho no sentido da paz. O Princípe Maximiliano de Baden tomou a seu cargo o novo governo como Chanceler da Alemanha para negociar a paz com os Aliados. Negociações telegráficas com o Presidente Wilson começaram imediatamente, numa esperança vã de que este pudesse oferecer melhor termos do que os britânicos ou os franceses. Invés, o Wilson exigiu a abdicação do Kaiser. Não houve resistencia quando o social-democrata Philipp Scheidemann, a 9 de Novembro, declarou que a Alemanha era uma República.
A Alemanha Imperial estava morta, tinha nascido uma nova Alemanha - a República Weimer.


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...