01/12/2015

Perséfone


Na mitologia grega, Perséfone ou Koré, corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e da deusa Deméter, deusa da agricultura, tendo nascido antes do casamento entre Zeus e Hera.
Os deuses Hermes, Ares, Apolo e Hefestos cortejaram a jovem deusa, no entanto, Deméter rejeitou-os e escondeu a filha, longe da companhia dos deuses.
Quando os sinais da sua grande beleza começaram a dar sinais, na sua juventude, o deus Hades pediu a mão da jovem ao seu irmão  Zeus, que aceitou sem, no entanto, ter consultado Deméter, que rejeitou o pedido. Hades, impaciente, de uma vez que a jovem deusa se encontrava a apanhar narcisos juntamente com as ninfas, entre as quais se encontravam Leucipe e Ciana (segundo os hinos homéricos a deusa estava também acompanhadas das irmãs Atena e Artemis), raptou-a. Hades levou-a para os seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
A sua mãe ficou inconsolável e acabou por descurar as suaas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos (Perséfone, por sua vez recusou-se a aceitar qualquer alimento, começando, por isso a definhar). Ninguém queria contar a Deméter o que se havia passado com a filha desta, mas, depois de muito procurar descobriu, finalmente, através de Hécate e Hélios, que a jovem deusa havia sido levada para o mundo dos mortos e, junto com Hermes, foi buscá-la ao reino de Hades (segundo outras fontes, Zeus ordenou a Hades que este devolvesse Perséfone à mãe). Como, entretanto, Perséfone havia ingerido uma semente de romã, concluiu-se que esta não havia rejeitado completamente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, a jovem deusa passaria metade do ano junto com Deméter, altura em que seria Koré, a eterna jovem, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica o ciclo anual das colheitas.
Perséfone é descrita como a mulher dos olhos negros, por Oppiano, possuidora de uma beleza estonteante, pela qual muitos homens se apaixonavam, entre eles Pírito e Adónis. Foi por causa deste último que Perséfone se tornou rival de Afrodite, pois ambas disputavam o amor do jovem, mas também porque Afrodite tinha inveja da beleza de Perséfone. Embora Adónis fosse o seu amante, o amor que Perséfone sentia por Hades era maior. Os dois tinham uma relação calma e amorosa. As brigas eram raras, com excepção de quando Hades se sentiu atraído por pela ninfa Menthe e, Perséfone, tomada de ciúmes, transformou a ninfa numa planta, destinada a vegetar nas entradas das cavernas, ou, noutra versão, na porta de entrada do reino dos mortos.
Perséfone interferia nas decisões nas decisões de Hades, intercedendo sempre a favor dos heróis e mortais (estava sempre disposta a receber e atender os mortais que visitavam o reino dos mortos à procura de ajuda). Apesar disso, os gregos temiam-na e, salvo excepções, evitavam pronunciar o seu nome no quotidiano, chamando-a de Hera Infernal.
O culto
Entre os muitos rituais atribuídos à entidade, cita-se que ninguém podia morrer sem que a rainha do mundo dos mortos lhe cortasse o fio de cabelo que o ligava à vida. O culto de Perséfone foi muito desenvolvido na Sicília, onde ela presidia aos funerais. Os amigos ou parentes do morto cortavam os cabelos e atiravam-nos em honra à deusa infernal. Em sua honra, eram imolados cães, e os gregos acreditavam que Perséfone fazia reencontrar objetos perdidos.
Descendência e consortes
Nos cultos órficos, Dionisio também era amante de Perséfone, o deus passava intervalos de tempo na casa da rainha dos mortos, e junto com Perséfone era cultuado nos mistérios órficos como símbolo de renascimento. Conta-se, ainda, que Zeus teve relações com Perséfone na forma de serpente. Antigos textos gregos citam que Perséfone teve um filho e uma filha com Zeus: Sabázio e Melinoe, o qual era de uma habilidade notável e foi quem coseu Baco na coxa de Zeus. Com Heracles (algumas fontes citam Zeus ou mesmo Hades) teve Zegreus, que seria a primeira reencarnação de Dionísio. Perséfone, com Hades, foi mãe de Macária, deusa da boa morte.
Outras relações
Apesar de Perséfone ter vários irmãos por parte do seu pai Zeus, tais como Ares, Hermes, Dionisio, Atena, Hebe, Apolo, entre outros, por parte da mãe Deméter tinha um irmão, Pluto, um deus secundário que presidia às riquezas. Tinha também como irmã, filha de Deméter, uma deusa chamada Despina, a qual foi abandonada pela mãe à nascença. Por isso, Despina tinha inveja da deusa do mundo dos mortos, até porque Deméter se excedia em atenções para a rainha. Em resposta, a filha rejeitada destruía tudo o que Perséfone e a sua mãe amavam, o que resultava no Inverno.
Representação
A rainha é representada ao lado do marido, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. A papoila foi-lhe dedicada por ter servido de lenitivo à sua mãe na altura do seu rapto. O narciso também lhe é dedicado, pois encontrava-se a colher esta planta quando foi surpreendida e levada por Hades. A Perséfone também estão associadas as serpentes.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...