04/12/2015

Os amantes separados

Um jovem e pobre camponês conseguira sobreviver, no árido terreno que possuía, graças à ajuda da sua maior riqueza, o seu boi. Era honesto, trabalhador e apreciado e respeitado por todos, mas sentia que a sua vida não era completa sem a presença de uma mulher e uma família.
Um dia, o boi revelou-lhe que, na realidade, era a Estrela Touro, enviada para a Terra como castigo pelos seus atos. "Como foste bondoso para mim, vou recompensar-te, ajudando-te a encontrar uma mulher".
A Estrela Touro disse ao jovem que, no dia seguinte, se deveria esconder entre a vegetação que rodeava um lago que havia ali perto, o qual, disse, era usado pelas donzelas celestiais para se banharem. Seguindo estas instruções, o pastor escondeu-se perto do lago de águas claras e, na verdade, em breve chegou um grupo de jovens raparigas. Deixaram as roupas brilhantes na margem e entraram na água. Enquanto as raparigas se banhavam, o pastor escondeu o monte de roupa que lhe ficava mais perto. Quando as raparigas saíram da água, o jovem apareceu do seu esconderijo, causando pânico entre as jovens que, agarrando as roupas, voaram em direção ao céu. Uma delas, não as conseguindo encontrar, ficou estática, em pânico. Todavia, quando o jovem lhe falou tão bondosamente compreendeu que ele não lhe faria mal e concordou em tornar-se sua mulher. Após o casamento, anunciou que era, na realidade, neta do paraíso e deusa das tecedeiras. Graças à habilidade da mulher, enriqueceram e foram muito felizes juntos, felicidade acrescida pelo nascimento de duas crianças, um rapaz e uma rapariga.
Contudo, os deuses não estavam satisfeitos, quando pensavam que a bela tecedeira se encontrava na Terra, pelo que enviaram mensageiros para a levarem de volta para o seu verdadeiro lar. Os pastores e os filhos nada puderam fazer quando a tecedeira, a chorar, foi levada de volta para o céu. O velho boi vem então mais uma vez em auxílio do dono. "Em breve morrerei e, quando isso acontecer, deverás tirar-me a pele e embrulhar-me nela; dessa forma, poderás ir em busca da tua mulher." O pastor fez exatamente o que lhe fora dito e, colocando os filhos em dois cestos, pendurados numa vara que pôs aos ombros, levantou voo.
O pastor em breve descobriu onde a esposa se encontrava, mas antes de a conseguir alcançar, foi agarrado pelo avô desta ou, segundo alguns, pela avó, Xiwangmu, Rainha-Mãe do Ocidente. Uma linha desenhada no céu transformou-se numa torrente furiosa, correndo entre os jovens. A menina incitou os pais a usar a colher de concha, que ele colocara no cesto, junto a ela, como lastro, para assim despejar as águas do rio. Vendo aquela devotada família indefesa, os deuses sentiram-se emocionados e ficou decidido que a família se poderia unir uma vez por ano. No sétimo dia do sétimo mês, todas as pegas levantaram voo, formando uma ponte que atravessa o rio, tornando assim possível ao pastor atravessá-lo e visitar a mulher. Há quem diga que, quando chove nesse dia, são as lágrimas da bela tecedeira que chora de alegria.»


Introdução à Mitologia Oriental, Coordenação de Clio Whittaker, Editorial Estampa, Abril 2000


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...