03/12/2015

Odin

O nome Odin tem várias variantes:
  • Nórdico arcaico é Óðinn (latinizado como Othinus); 
  • Germânico: Wotan (primitivo alemão Wodanaz)
  • Alto alemão: Wuotan
  • Gótico: Vôdans
  • Ilhas Faroé: Ouvin
  • Anglo-Saxão: Wudan
  • Lombardos e Vestefália: Guodan ou Gudan
  • Frísia: Weda
  • Alamanos e borgundos: Vut (usada ainda hoje em simbolismos)
Estas denominações estão ligadas, pela raiz, ao nórdico arcaico, às palavras Vada e od, e, no antigo alemão, a watan e wuot, que inicialmente tinham o significado de razão, memória ou sabedoria mas que mais tarde tornou-se equivalente a tempestuoso ou violento.
Nos Baldr Draumer e VafÞrúðnismál, o autor anónimo faz relato das interferências de Odin na criação de humanidade ao designar o deus como velho criador e pai dos homens assim como a informação de que “Odin dera fôlego (Völuspá) a um casal inanimado”. No Grímnismál tem o cognome de príncipe dos homens, na Völuspá, de pai dos exércitos, no Gríssipá de pai das profecias ou pai dos mortos em batalha.

Odin era o deus principal e mais poderoso  da mitologia nórdica. Era o deus da sabedoria, da guerra, da morte, da magia, da poesia, da profecia, caça e dos viajantes
Morava em Asgard, no palácio de Valaskjálf, que construiu para si.
A partir do seu trono, o Hliðskjálf, Odin observava o que acontecia em cada um dos nove mundos.
Quando combatia, Odin brandia a sua lança, Gungnir, a qual fora um presente dos anões ferreiros mágicos e que só parava quando atingia o seu alvo e montava o corcel, Sleipnir, de oito patas, o qual movia-se com rapidez pelos céus, entre a esfera humana e a divina.
Odin era ajudado por dois corvos: Hugin, Espírito e Razão e Munin, Memória e Entendimento, que de dia percorriam o Mundo e à noite voltavam para os ombros do deus a fim de lhe fazer o relato daquilo que haviam visto e sabiam.
Era acompanhado por dois lobos, os quais ficavam de guarda a seus pés e alimentavam-se de toda a carne que era sacrificada aos deuses, incluindo a humana.
Odin era filho de Borr e da jotun (“gigante”) Bestla, irmão de Vili e Ve. Casou-se com Frigg e foi o pai de muitos deuses, entre os quais Thor, Baldr, Vidar e Váli.
Como deus da guerra enviava as suas filhas, as valquírias,  para recolher os corpos dos heróis mortos em combate, os einherjer, que se sentavam ao lado do deus, nos banquetes presididos pelo deus dos deuses.

Diz a lenda que, no fim dos tempos, Odin conduzirá os deuses e homens contra as forças do caos na batalha do fim do mundo, o Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto e devorado pelo veroz lobo Fenrir, o qual será, imediatamente, morto por Vidar, que com um pé sobre a sua garganta, lhe arrancará a mandíbula.
Odin aparece muitas vezes na Terra disfarçado como um velho viajante baixo e de cabelos escuros, envolvido numa capa azul ou cinzenta, com um chapéu de abas largas, dobradas sobre o olho perdido e o outro olho negro, faiscante.
Outros disfarces usados foram os de Gagnarad, Gimnir, Hávalmál, Hár e Vegtam. 

Odin foi sofrendo evoluções, não sendo desde logo o deus conhecedor de tudo. Assim,  antes de chegar ao grau de divindade, Odin possuira uma tropa de guerreiros-sacerdotes. Eram os camisas  de Urso ou Pele de Lobo, eram treinados nas artes xamânicas e usavam cogumelos alucinogénos para alterar a mente.
Na mitologia nórdica nada é conseguido sem esforço, e o conhecimento ainda menos. Seja para homens ou para deuses.  
E assim foi que, Odin desejoso de conhecer os mistérios mágicos entregou-se a um ritual no qual teve de ficar pendurado na árvore do mundo, Yggdrasil, de cabeça para baixo, ferido pela própria lança, durante nove dias e nove noites, sem bebida ou alimento.
Ao fim desse período viu os caracteres rúnicos no chão e apanhou-os.
Na continuação da sua busca de Conhecimento, Odin foi numa humilde peregrinação até ao poço de Mimir, a fim de lhe pedir a ciência que havia nas águas. Mimir exigiu um olho em troca, o qual Odin não hesitou em entregar. Após recebê-lo, Mimir lançou o olho para o poço.
Uma vez bebida a água do poço, Odin soube, imediatamente, tudo o que havia a saber, inclusive o fim que esperava os deuses e o Universo.
Esse conhecimento tornou o antes jovial e alegre deus, num ser taciturno, pois a responsabilidade do Conhecimento comportava a maturidade, a consciência da temporalidade de todo o Universo, divino e humano.
A fim de confirmar o conhecimento que obtivera através das águas do poço de Mimir, Odin continuou o seu percurso, agora mascarado de pobre viajante, ao encontro do sábio Vafthrudnir.
 Seguindo o conselho da sua prudente esposa, Frigg, Odin apresentou-se perante Vafthrudnir como Gangrad, para dar inicio ao mútuo e mortal interrogatório. Pois a vida era o preço a pagar por uma quetão não respondida.
O gigante teve a primazia e Odin respondeu a todas as perguntas, desde a origem do Universo até às palavras que o Pai supremo havia dito ao seu filho Baldr, junto à pilha funerária. Foi com esta resposta que o gigante percebeu que estava em frente ao próprio Odin e que perderia a vida. No entanto tal não aconteceu, pois esse não era o objetivo do deus e sim confirmar o seu Conhecimento.
Há autores que defendem a hipótese que um Ódin-homem, chefe de uma tribo asiática com conhecimentos xamânicos, ter emigrado para a Escandinávia e lá ter instalado uma religião primitiva, baseada no código secreto de mensagens secretos.
Esse homem, após a morte, teria sido elevado à categoria de divindade local, sendo o seu culto difundido pelos sacerdotes.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...