16/12/2015

O plano secreto japonês


 Algo de muito interessante, ao ler este documento, é o facto de ter sido escrito antes da 2ª Grande Guerra ter terminado, e assim podemos comparar os escritos do jornalista com os resultados finais.

O Plano Secreto Japonês Para a Conquista do Mundo.pdf 


O Memorando de Tanaka é um plano estratégico, alegadamente japonês, de 1927, que supostamente o Barão e Primeiro Ministro Tanaka Giichi terá dado ao Imperador Hiroshito, com vista da conquista  do Mundo.
Hoje, os investigadores, na sua generalidade, consideram o documento uma falsificação.

Antecedentes
O Memorando de Tanaka foi conhecido pela primeira vez aquando da sua publicação em 1929, pela edição chinesa de "Reportagem", de Nanking, uma publicação Nacionalista Chinesa (também foi reproduzido a 24 de Setembro de 1931, pp. 923-34, pela "Critica da China", uma publicação inglesa de Sangai).
«Para se tomar o mundo, é preciso tomar a China.»
«Para se tomar a China, é preciso tomar a Manchúria e a Mongólia.»
«Se nós conseguirmos conquistar a China, o resto dos países asiáticos e os países do Mar do Sul, irão temer-nos e render-se a nós.»
«Então o Mundo compreenderá que a Ásia do Leste é nossa»
A tradução inglesa deste documento entrou em circulação antes de Fevereiro de 1934 e foi capa da 1ª edição de «A Pura Verdade», revista publicada por Herbert W. Armstrong, em Fevereiro desse ano, apesar de já ter aparecido anteriormente, em 1931, na revista «Comunista Internacional», revista com menor circulação.
O Plano Tanaka foi aprofundado extensivamente pelos EUA, como uma contrapartida japonesa ao Mein Kampf de Adolf Hitler.

A série de filmes, premiada pela Academia, de Frank Capra «Porque nós lutamos», a prestação de »Batalha da China» e o «Prelúdio para a Guerra», sequenciam em quatro etapas o objetivo de conquista do Japão: Conquista da Manchúria.
  1. Conquista da China.
  2. Estabelecimento de bases no Pacífico.
  3. Conquista dos EUA.

Apesar de a sua autenticidade não ser aceite pelos investigadores da atualidade, o Memorando de Tanaka foi fortemente aceite como autêntico nas décadas de 1930 e 1940, devido ao fato de as ações japonesas da altura corresponderem de forma tão fiel a estes planos.
O Incidente de Mukden, em 1931; a Segunda Guerra Sino-Japonesa de 1937; e o ataque de 1941 a Pearl Harbor, assim como a consequente Guerra do pacífico, pareciam confirmar estas suspeitas.
Alguns peritos de História, como Edwin P. Hoyt, disseram que «... o Memorando de Tanaka era real. Era uma cópia demasiado boa do plano do que o Primeiro Ministro Tanaka havia declarado e do que os supernacionalistas tinham vindo a declarar durante meses, para ser de outra forma.» Outros, como Meirion Harries declararam que o Memorando de Tanaka «... foi um dos "truques sujos" mais bem sucedidos do século XX - um documento falso concebido de forma tão brilhante que trinta anos depois, os ocidentais ainda caiam nele.» Da mesma forma, o historiador W.G. Beasley declarou que «... a natureza deste documento, publicado tanto em inglês quanto em chinês, não leva à convicção da sua autenticidade.» Segundo o Dr. Haruo Tohmatsu, Professor de Diplomacia e História das Relações Internacionais na Academia Nacional do Japão, «O Memorando de Tanaka nunca existiu, mas a Conferência de Darien desse ano adoptou resoluções que reflectem essas ideias.»

Leon Trostsky, apesar de ser um oponente da URSS e do Partido Comunista da China, atestou a autenticidade deste documento.
Já para John Whitney Hall, o Memorando é um texto demonstrativo do isolacionismo que parece constituir um traço reativo inerente a algumas culturas asiáticas.
Os chineses argumentam que a meio da década de 1950 se publicou um memorando por um dos principais envolvidos na divulgação do plano, um empresário tailandês, nascido no Japão, de nome Tsai Chih-kan, que dizia ter, pessoalmente, feito uma cópia do memorando original, da Biblioteca Imperial, na noite de 20 de Junho de 1928, durante uma acção secreta que foi apoiada por vários políticos antes da guerra e oficiais que estavam contra Tanaka. Com este testemunho, muitos livros históricos da China consideram o documento como autêntico.
Este memorando é uma manifestação típica da invocação do "perigo amarelo", em versão anti-japonesa, teoria da conspiração.
Este plano, ao contrário do que o título de José de Freitas pronuncia, não é um plano de conquista do mundo e sim um conjunto de orientações militares para a ocupação da China e uma eventual guerra contra os EUA para o domínio do Pacífico.
O texto de José Freitas pretende fazer ressaltar as coincidências da guerra no Pacífico com os supostos intuitos do "plano secreto.

Tanaka Giichi   田中 義一

O Barão Tanaka Giichi (22 de Junho de 1864 a 29 de setembro de 1929) foi um general da Armada Imperial Japonesa, político e o 26º Primeiro-Ministro do Japão ( 20 de Abril de 1927 - 2 de Julho de 1929).
Tanaka Giichi nasceu de uma família de samurais de Hagi, província de Nagato (atual prefeitura de Yamaguchi), Japão. Graduou-se na Academia da Armada Imperial do Japão e no Colégio de Guerra da Armada, em 1892. serviu na Primeira Guerra Sino-Japonesa e, posteriormente, na Guerra Russo-Japonesa, apoiando o General Kodama Gentarou.
Em 1906 elaborou um plano de defesa que seria tomado em conta pelo Gabinete Administrativo do general da Armada Imperial Japonesa e foi adoptado como uma política base na Primeira Grande Guerra.
Tanaka era fluente no idioma russo, que aprendeu aquando da sua colocação  em Moscovo.
Em 1911 foi promovido a Major-General, sendo colocado directamente no Gabinete dos Assuntos Militares no Ministério da Guerra, onde recomendou um aumento das forças do exército, com duas divisões de infantaria adicionais.
Foi promovido a General em 1920 e serviu como Ministro da Guerra durante os mandatos de Hara Takashi (1918-1921) e o segundo de Yamamoto Gonbee (1923-1824), altura que teve de anunciar a retirada do Japão da Intervenção Siberiana.
Mal se retirou do exército, foi convidado a aceitar o posto de presidente do partido Rikken Seiyakai, em 1925, tornando-se um dos membros da Câmara dos Pares.
Posteriormente foi-lhe dado o título de danshaku (barão), sob o sistema de pares kasoku.
Tornou-se Primeiro Ministro do Japão em 1927 durante a crise económica Shouwa, servindo, simultaneamente, como Ministro dos Assuntos Exteriores.
Internamente suprimiu os movimentos de esquerda, comunistas e simpatizantes destas correntes, com detenções massivas (Incidente de 15 de Março de 1928 e o Incidente de 19 de Abril de 1929).
Externamente continuou as políticas intervencionistas iniciadas quando era oficial militar na China, Manchúria e Mongólia. Em três ocasiões  diferentes, em 1927 e 1928, enviou tropas para intervir militarmente na China, de forma a bloquear a Expedição do Norte de Chiang Kai-shek, que tinha o objetivo de unificar a China sob o regime do Kuomitang, o que viria a ser conhecido como o Incidente de Jinan.
As suas acções são consideradas como definitivas para o início da intervenção militar japonesa na China, levando o Japão para a Segunda Guerra Mundial.
No entanto, em 1928, os objetivos deste plano, comandados pelo Exército de Kwantung, resultaram numa crise: o assassinato do Senhor de Guerra manchuriano Zhang Zuolin e na falha de intenção de ocupar a Manchúria.
Tanaka ficou surpreendido com este assassinato e defendeu que os responsáveis deviam ser julgados, publicamente no Tribunal Marcial, por homicídio. O quadro oficial, do qual Tanaka já não fazia parte, insistiu em manter o ato em segredo oficial. Sem qualquer apoio e com bastantes criticas da Dieta e, inclusive, do Imperador Hiroshito, Tanaka e o seu gabinete, foram forçados  a renunciar aos cargos, em massa.
Foi sucedido por Hamaguchi Osachi, falecendo uns meses depois.
Em 1929 a China acusou Tanaka de ser o autor de um "plano de conquista imperialista", chamado de Memorando de Tanaka. 



Fontes

O Plano Secreto Japonês Para a Conquista do Mundo, José de Freitas, Livraria Francesa, 1944


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...