03/12/2015

O pagamento do gigante


Uma vez, quando os deuses construíram as suas moradas, e Midgard e Valhalla já estavam prontos, um certo artificie chegou e ofereceu-se para lhes construir uma residência tão bem fortificada que eles estariam em perfeita segurança contra as incursões dos gigantes de gelo e das montanhas. Mas pediu como recompensa a
deusa Freya, juntamente com o sol e a lua. Os deuses acederam às suas condições, desde que completasse ele mesmo o trabalho sem a assistência de ninguém, e tudo dentro do intervalo de um Inverno. Mas se alguma coisa ficasse incompleta no primeiro dia de Verão, ele perderia a recompensa acordada. Ao serem-lhe apontados estes termos, o artificie estipulou que lhe deveria ser permitido o uso do seu cavalo Svadilfari, o que, por conselho de Loki, lhe foi garantido. Começou então o trabalho no primeiro dia do Inverno, enquanto durante a noite o cavalo reunia a pedra para a construção. O enorme tamanho das pedras impressionou os deuses, que viram claramente que o cavalo  fazia mais de metade do trabalho duro do que o dono. O contrato tinha contudo sido concluído e firmado por juramentos solenes, pois sem estas precauções um gigante não se teria considerado em segurança entre os deuses, especialmente quando Thor regressasse de uma expedição que empreendera contra os demónios maus.
O Inverno aproximando-se do fim, o edifício estava bastante avançado e os baluartes suficientemente altos e maciços para tornar o lugar inexpugnável. Ao faltarem apenas três dias para o Verão a única parte que faltava completar era o portão. Sentaram-se então os deuses nos seus assentos de justiça e consultaram-se, inquirindo uns aos outros quem de entre eles poderia ter aconselhado a dar Freya, ou a mergulhar os céus na escuridão, ao permitir o gigante levar o sol e a lua. 

Concordaram em que só Loki, o autor de tantos feitos malévolos, poderia ter dado tão mau conselho, e que ele deveria ser submetido a uma cruel morte se não concebesse alguma maneira de evitar que o artífice completasse a tarefa e obtivesse a recompensa estipulada. Lançaram então mãos a Loki que, amedrontado, prometeu sob juramento que, custasse o que lhe custasse, arranjaria as coisas de tal maneira que o homem perderia a sua recompensa. Nessa mesma noite, quando o homem saiu com Svadifari para carregar pedra, uma égua apareceu subitamente vinda da floresta e começou a relinchar.O cavalo ao ouvi-la soltou-se e correu para a floresta atrás da égua, o que obrigou também o homem a correr atrás do cavalo e assim, entre um e o outro, toda a noite foi perdida, de modo que ao amanhecer o trabalho não tinha tido o progresso usual. O homem, vendo que assim não completaria a sua tarefa, reassumiu a sua estatura gigantesca, apercebendo-se agora os deuses claramente que se tratava na realidade de um gigante da montanha que se intrometera no meio deles. Já não se sentindo obrigados pelos seus juramentos, chamaram Thor, que imediatamente correu em seu auxílio e, levantando o martelo, pagou ao trabalhador o seu salário, não com o sol e a lua, e nem sequer enviando-o de volta a Jotunheim, pois com o primeiro golpe fez-lhe o crânio em pedaços, arremessando-o de cabeça para baixo para Niffleheim.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...