01/12/2015

Tártaro

Na mitologia grega da antiguidade, o Tártaro era o abismo usado tanto como local de tormenta e castigo para os perversos como prisão para os Titãs.Está abaixo do Hades, como a Terra está abaixo do Céu. O Tártaro é o local onde, segundo Platão em Górgias (c. 400 a.C), as almas eram julgadas após a morte e onde os prevaricadores recebiam o castigo pelos seus actos. Como outras entidades primárias (como a terra e o tempo), o Tártaro era considerado uma força ou divindade primordial do submundo.


Nas fontes órficas da antiguidade e nos mistérios escolásticos é a primeira entidade existente da qual nascem a Luz e o Cosmos.
Na Teogonia de Hesíodo, cerca de 700 a.C., o Tártaro era a terceira das divindades primordiais, após Caos e Gaia, e antes de Eros. Quanto ao local, Hesíodo afirma que uma bigorna de bronze caindo do Céu levaria nove dias a chegar à Terra e outros nove da Terra ao Tártaro.
Enquanto que, de acordo com a mitologia grega, o reino de Hades é o local dos mortos, o Tártaro também teve vários habitantes. Quando Cronos chegou ao poder como o Rei dos Titãs, aprisionou os Ciclopes e os Hecantonquiros no Tártaro e colocou o monstro Campe a guardá-los. Zeus matou Campe e libertou os gigantes aprisionados para o ajudarem na guerra contra os Titãs. Os deuses do Olimpo virião a triunfar. Cronos e muitos dos outros Titãs foram banidos para o Tártaro, embora Prometeus, Epimeteu, Metis e a maior parte das Titãs femeninas tenham sido poupados (de acordo com Píndaro, Cronos veio a obter o perdão de Zeus e foi libertado do Tártaro, vindo a tornar-se o governante do Elísio). Outro Titã, Atlas, foi sentenciado a suportar o Céu nos seus ombros para prevenir que o Céu desse o seu abraço primordial com a Terra. Os outros deuses podiam ser sentenciados ao Tártaro igualmente. Apolo é o primeiro exemplo, embora Zeus o tenha libertado. Os Hecantônquiros tornaram-se os guardas dos prisioneiros do Tártaro. Mais tarde, quando Zeus venceu o monstro Tifão, o filho de Tártaro e Gaia, o deus lançou Tifão para o "extenso Tártaro".

Originalmente o Tártaro era usado para restringir os perigos dos deuses do Olimpo, mas nas mitologias mais tardias, o Tártaro tornou-se o local onde se faziam os castigos pelos crimes cometidos. Por exemplo:
  • O rei Sisífo foi enviado para o Tártaro por ter morto os convidados e viajantes no seu castelo, violando as leis da hospitalidade, por ter seduzido a sobrinha e por ter contado ao deus dos rios Asopus do paradeiro da filha Egina, que havia sido conquistada por Zeus É que independentemente da inconveniência das conquistas frequentes de Zeus, Sisífo ultrapassou os seus limites ao colocar-se ao lado dos deuses, achando que poderia dar conhecimento das indiscrições destes. Quando Zeus ordenou a Tanatos para acorrentar Sisífo no Tártaro, este enganou Tanatos ao perguntar-lhe como é que as correntes funcionavam e acabou  por acorrentar Tanatos, como resultado, não houve mais mortes. Isto fez com que Ares libertasse Tanatos e lhe entregasse Sísifo. Algum tempo mais tarde, Sísifo fez com que Perséfone o mandasse à superfície para repreender a esposa por não lhe fazer um enterro apropriado. Sísifo foi forçado a voltar ao Tártaro por Hermes quando se recusou a voltar ao submundo após a missão. No Tártaro, Sísifo viria a ser forçado a empurrar uma grande rocha subindo-a por uma montanha que, quando Sisífo chegava quase ao fim, rolava montanha abaixo e este tinha de voltar a subi-la repetidamente. Este acto representava o castigo por Sísifo ter afirmado que a sua esperteza era superior à de Zeus, fazendo com que o deus provocasse a queda da rocha pela montanha, impondo uma eterna frustração a Sísifo.
  • O rei Tântalo também foi para o Tártaro depois de cortar o seu filho Pélope, cozinhá-lo e servi-lo aos deuses quando foi convidado para jantar com estes. Também roubou a ambrósia dos deuses e contou ao seu povo os segredos destes. Outra história menciona o facto de ter mantido um cão de ouro forjado por Hefesto  e roubada pelo seu amigo Pandareu. Tantalo manteve o cão por segurança e mais tarde negou ao amigo tê-lo. O castigo de Tântalo pelas suas ações foi o de não poder saciar a fome ou sede, pois apesar de se encontrar num vale com bastante água e fruta, ao aproximar-se da água esta escoava e ao tentar apanhar os frutos, os ramos afastavam-se.
  • Ixião era o rei de Lápitas, a tribo mais antiga da Tessália. Ixião manteve um ódio pelo sogro durante muito tempo e acabou por empurrá-lo para um leito de carvão e madeiras a arder, cometendo assim o primeiro homicidio familiar. Os príncipes de outras terras ordenaram que fosse negado a Ixião qualquer perdão dos pecados. Zeus, com pena de Ixião, convidou-o para uma refeição no Olimpo. Mas quando Ixião viu Hera, apaixonou-se por esta e fez algumas carícias por baixo da mesa, até que Zeus o mandou parar. Após ter encontrado um local para Ixião dormir, Zeus criou um clone de nuvem de Hera chamado Nefele para testar quanto Ixião amava Hera. Ixião fez amor com Nefele, resultando no nascimento de Centauro, que viria a acasalar com algumas éguas magnesianas no Monte Pelion, iniciando assim a raça dos centauros. Zeus tirou Ixião do Monte Olimpo e atingiu-o com um raio. Foi punido a estar amarrado a uma roda flamejante que se encontrava sempre a rodar, primeiro no céu e depois no Tártaro. Só quando Orfeu foi ao submundo para salvar Eurídice parou de girar pois a música de Orfeu estava a tocar. O estar preso a uma roda flamejante representava a luxuria ardente de Ixião.
  • Nalgumas versões, as Danaides que assassinaram os maridos foram forçadas ao Tártaro a carregar água em jarros para encher uma banheira que usariam para lavar os pecados, mas os jarros eram na verdade peneiras, pelo que vazavam sempre.
  • O gigante Tício foi morto por Apolo e Artemis após ter  tentado raptar Leto por ordem de Hera. Como castigo, ficou esticado no Tártaro, preso pelos pulsos e pernas e torturado por dois abutres que comiam o figado do gigante.. Este castigo é extremamente parecido com o do Titã Prometeu.
  • Também foi mencionado o facto de o  rei Salmoneu tam ter sido aprisionado no Tártaro após ter-se passado por Zeus, fazendo com que o deus verdadeiro o atingisse com um raio.

De acordo com Platão (cerca de 427 a.C), Radamanco, Éaco e Minos eram os juízes dos mortos e escolhiam quem ia para o Tártaro. Radamanto julgava as almas asiáticas, Éaco as europeias e Minos os gregos.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...