04/12/2015

Mitologia Oriental


Na mitologia oriental serão abordadas as crenças de um terço da população mundial. As civilizações desta região incluem algumas das mais antigas do mundo e é de sublinhar o facto de as crenças destes povos apesar de remontarem à antiguidade continuam vivas, e sempre mutáveis, que como qualquer vivente vai sempre sofrendo alterações. E, no entanto, são ainda como eram há milhares de anos atrás, uma tentativa dos povos do oriente de encontrarem o significado e a razão para a sua existência na Terra.
Encontram-se muitas interligações entre as diversas mitologias do mundo, como são o caso do dilúvio presente nos mitos dos diversos continentes, ou do significado do ovo, o qual está intimamente ligado à criação e ao nascimento.
Esta ligação ainda se mostra mais estreita entre as próprias mitologias orientais, encontrando-se mitos muito semelhantes entre si, que mostram um passado comum, como é o caso do mito chinês de Nugua e o mito japonês de Izanami e Izanagi.
Retratada de forma bastante acentuada está a preocupação dos povos locais, agrícolas, com as estações do ano e condições climatéricas. As sociedades agrícolas, sedentárias, dão bastante valor à estabilidade social e familiar, pois desejam um padrão de vida ordenado e previsível. O sistema de castas indiano, referido pela primeira vez no Rig Veda dos invasores arianos (c. de 1000 a.C.), e ainda presente nos dias de hoje, é uma forma de assegurar o lugar e a função de cada classe na sociedade.
A crença na reencarnação, que já fora difundida na Índia no tempo de Buda, foi aperfeiçoada e desenvolvida a partir do budismo com origem no norte da Índia, no século VI a.C.. A propagação do budismo por todo o continente asiático mostra como a religião e os seus mitos, se desenvolve e cresce sob a influência de diferentes condições culturais. O budismo e as práticas que este originou ligam as populações deste continente mais do que qualquer outro factor.
Como em todos os outros lugares, a mitologia oriental foi uma manifestação de arte. E ainda o é actualmente, pois na maior parte do Oriente o mito não é visto como algo "morto", mas antes fazendo parte do quotidiano, tendo uma função vital e necessária em todos os aspectos da vida.


Como é possível ver em  Introdução à Mitologia Oriental:
  • Mitologia chinesa - «O povo chinês nunca procurou uma clara separação entre os mundos do mito e da realidade - de facto, estes estão de tal forma interligados que se torna difícil distinguir onde começa um e termina o outro. Figuras históricas são transformadas em deuses e mitos são contados como fazendo parte da História. Mesmo na China revolucionária, o mesmo processo pode ser observado: o presidente Mao, no auge da Revolução Cultural (1968-1978), era frequentemente visto como um deus todo-poderoso, responsável por tudo o que de bom acontecia. Quando uma hospedeira de bordo pode dar a explicação de que "não há necessidade de usar o cinto de segurança, porque Mao, o Grande Timoneiro, cuida de nós", sentimos que as personagens sobrenaturais com poderes fantásticos, como os encontrados nos textos antigos, estão vivos e de boa saúde no século XX.»
  • Mitologia Indiana - «Por toda a Índia, milhões de pequenas  lamparinas de azeite são acesas ao anoitecer. Brilham, fila atrás de fila, do alto dos telhados e dos parapeitos das janelas. É Outono, a noite da grande festa de Diwali. As crianças instalam-se à volta da mãe e das avós para ouvir a história de Lakshmi, a inconstante deusa da saúde e de outras é a sua distração enquanto se encontram ao colo das mães. São absorvidas por um mundo de fantasia, povoado de deusas e de demónios, de príncipes e de princesas, de animais amistosos e de aventuras excitantes. A sua imaginação tem livre acesso ao conceito de bem e de mal, explorando diferentes formas de viver e de encarar a morte. Encontram estas histórias em livros, filmes, teatro, dança, escultura e pintura e em banda desenhada, mas nada se compara ao poder de uma história antiga, transmitida oralmente, passada palavra por palavra de geração em geração desde há milhares de anos.»
  • Mitologia Japonesa - «Em janeiro de 1989, morre o imperador Hiro-hito do Japão. A cerimónia de entronização do novo imperador, Aki-hito, decorreu com a tradição Xintoísta, pois o imperador foi sempre o chefe da religião nacional do Japão. Todavia, os partidos da oposição da democracia japonesa criticaram fortemente a ideia de serem empregues rituais xintoístas nas cerimónias de funeral e do entronozinamento. O estado xintoísta é um fenómeno relativamente novo, iniciado há século e meio, aproximadamente para unificar o Japão após um longo período de feudalismo. Apenas em algumas décadas, este estado xintoísta artificial ficou completamente fora de controlo, tendo a posição do imperador, como deus humano, sido abusivamente utilizada, principalmente pelo exército, para justificar a invasão de países vizinhos. E do Xintoísmo que a verdadeira mitologia japonesa é originária, particularmente do Kojiki, o Registo das Coisas Antigas (completado no século VIII), que se tornou uma espécie de declaração da ortodoxia xintoísta.»
Mitologia Chinesa
A mitologia chinesa foi transmitida tanto de forma oral como por escrita. É constituída por diversos temas e inclui
os mitos que envolvem a fundação da cultura chinesa e do Estado chinês.
Os historiadores pensam que esta terá tido início por volta de 1100 a.C. Os mitos e lendas foram passados de forma oral durante cerca de mil anos antes de serem escritos nos primeiros livros como o Shui Jing Zhu e o Shan Hai Jing. Outros mitos continuaram a ser passados através de tradições orais como o teatro e canções, antes de serem escritos em livros como no Fengshen Yanyi.
Religião e mitologia
O intercâmbio entre as principais religiões chinesas, o confucionismo, o taoísmo foi extremamente vasto, o que veio a originar as religiões tradicionais chinesas. Os elementos mitológicos pré-existentes, das culturas arcaicas, também foram fundidos com estas religiões. Por exemplo, a crença taoísta num paraíso foi incorporado pela mitologia, como o lugar onde os imortais e as divindades residem. Outro exemplo é o dos mitos dos governantes benevolentes do passado, na forma dos Três Augustos e Cinco Imperadores, tornaram-se parte da filosofia política confuncionista do primitivismo.
A religião tradicional chinesa, fruto de todo este intercâmbio e sincretismo, foi a religião oficial da China até à queda da monarquia (1911). Ela foi praticada na sua expressão máxima pelo imperador chinês e centrava-se no culto a Shangdi ou Tian, que é o Deus supremo chinês.
"Qual é, ou qual era a religião oficial? Seu centro era o culto de Shang Ti (ou Tian), o ser supremo, o coordenador universal. Na circunferência, situava-se o culto e o império dos demónios. Entre o centro e a circunferência , ficavam em circulos concêntricos, as diversas divindades, os sábios, os antepassados e os homens deificados. O acto supremo  do culto nacional era o sacrificio imperial a Shang Ti. So o Imperador, o grão-sacerdote do mundo, o filho do Céu, podia oferecer esse sacrificio que remontava à maior antiguidade, e que permaneceu até à queda  do Império." - John Wo, Para além do Oriente e do Ocidente. São Paulo: Flamboyant, 1956

Divindades
Acredita-se que o Imperador de Jade seja o deus ou divindade mais importante. As origens do Imperador do jade e como veio a ser considerado uma divindade são desconhecidos. Também conhecido como Yu Huang Shang-ti, o seu nome significa o "Augusto Personalidade de Jade". É considerado o primeiro deus responsável por todos os outros deuses e deusas.
Na sua maioria os mitos chineses envolvem temas morais que informam o povo de sua cultura e de seus valores.

Mitologia Japonesa

A mitologia japonesa junta as tradições xintoístas e  budistas, assim como as de uma religião folclórica de uma cultura agrícola local.
O panteão xntoísta engloba numerosos kami (deuses e espiritos em japonês).
Os mitos japoneses, como são geralmente conhecidos hje, são baseados no Kojiki, o Nihon Shoki e alguns livros complementares. O Kojiki, ou Registo das Coisas Antigas, é a obra de mitos, lendas e história japoneses mais antigo. O Shintoushuu descreve as origens das divindades japonesas a partir de uma perspectiva budista, enquanto que o Hotsuma Tsutae apresenta uma versão do registo mitológico bastante diferente.
Uma característica a se notar na mitologia japonesa é a sua explicação para a origem da família imperial, que tem sido usada como uma justificação histórica para a manutenção da linhagem imperial.

Mitologia Hindu

A mitologia hindu é provavelmente uma das mais antigas do mundo. Os seus primeiros mitos remontam a, talvez, 8.000 anos e nasceram numa região conhecida como o Vale do Indo.
Trata-se de um vasto corpo de narrativas tradicionais relacionadas com o hinduísmo contidas na literatura sanscrita (como os épicos Mahabharata e Ramayana, os Puranas e os Vedas), a Antiga Literatura Tamil (como a literatura Sangam e a Periya Puranam), e muitos outros trabalhos, dos quais se destaca a Bhagavata Purana que reivindica o status de Quinto Veda e outra literatura religiosa do Sul da Ásia.
Como tal, trata-se de um subconjunto das culturas indiana e nepalesas.
Invés de ser uma estrutura consistente e monolitica, é um conjunto de diversas tradições, desenvolvida por diferentes sectores, povos e escolas filosóficas, em diferentes tempos, que não são tidos, necessáriamente, por todos os hindus como acontecimentos históricos, mas antes tendo um significado mais profundo, simbólico, e aos quais tem sido dado um leque vasto e complexo de interpretações.





Fontes

Introdução à Mitologia Oriental, Coordenação de Clio Whittaker, Editorial Estampa, Abril 2000
wikipédia


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...