16/12/2015

Massacre de Nanquim

O Massacre de Nanquim, também conhecido como a Violação de Nanquim, foi um episódio de homicídio em massa e violação em massa cometido pelas tropas japonesas contra Nanquim durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa em 1937. O massacre durante um período de seis semanas, com começo a 13 de Dezembro de 1937, o dia em que os Japoneses capturaram Nanquim, que era na altura a capital chinesa. Durante este período, dezenas de milhar, se não mais, civis chineses e combatentes desarmados foram mortos pelos soldados do Exército do Império Japonês. Também ocorreram saques e violações de uma forma generalizada. O número de mortos ainda é tema de discussão entre os estudiosos, que estimam um valor entre 40.000 e 200.000. No entanto, a posição do governo Chinês, e de uma minoria de historiadores, é de que foram mortos cerca de 300.000 ou mais, enquanto que no Japão, alguns ultranacionalistas negam o massacre por completo. Vários dos autores principais pelas atrocidades, na altura consideradas como crimes de guerra, foram mais tarde julgados e considerados culpados no Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim, e foram executados. Outro autor principal, o Príncipe Asaka, um dos membros da Família Imperial, escapou à execução por lhe ter sido aplicado anteriormente imunidade pelos Aliados.
O evento continua a ser um assunto político controverso, pelo facto de vários aspectos terem sido contestados por alguns revisionistas históricos e nacionalistas japoneses, que defendem que o massacre foi exagerado ou completamente fabricado com propósitos propagandistas. Como resultado dos esforços nacionalistas para negar ou racionalizar os crimes de guerra, a controvérsia à volta do massacre continua a ser um obstáculo nas relações Sino-Japonesas, assim como com as relações japonesas com outras nações da Ásia-Pacífico como a Coreia do Sul e Filipinas.
Não foi possível obter-se uma estimativa precisa dos números de mortos pois os registos militares japoneses das mortes foram destruídas propositadamente, ou tornadas secretas após a rendição do Japão em 1945. O Tribunal Militar Internacional do Extremo Oriente estima à volta de 200.000 baixas no incidente. Por outro lado, John Rabe, Presidente do Comité Internacional e da Zona de Segurança de Nanquim, estima que foram mortas entre 50.000 e 60.000 pessoas.
Embora o governo japonês tenha admitido as mortes de um grande número de não combatentes, de saques e outras violências perpetradas pelo Exército Imperial Japonês após a queda de Nanquim, uma pequena mas sonora minoria têm defendido que o número de mortos era por natureza militar e que tais crimes de guerra nunca aconteceram. A negação do massacre (ou divergência no número de mortos) tem-se tornado um selo no nacionalismo japonês. A opinião pública do massacre no Japão varia, e são poucos os que negam o massacre de forma aberta.

No entanto, as tentativas continuas pelos negacionistas despromover uma versão revisionista da história daquele incidente, criou controvérsia suficiente para ser sentida pelos media internacionais, principalmente pela China, Coréia do Sul e outras nações da Ásia do Leste.

Situação militar

Em Agosto de 1937, o exército japonês invadiu Xangai, onde encontraram uma forte resistência e sofreram um número elevado de baixas. A batalha foi sangrenta, pois ambos os lados se enfrentaram num combate, corpo-a-corpo, urbano. Pelos meados de Novembro os japoneses tinham capturado Xangai com a ajuda de bombardeamento naval. O Pessoal da Sede Geral em Tóquio inicialmente havia decidido não expandir a guerra devido às pesadas baixas e à moral das tropas que se encontrava em baixo. No entanto, a 1 de Dezembro, a sede ordenou aos Exército da Área da China Central e ao 10º Exército para capturarem Nanquim, a então capital da República da China.

Deslocação da Capital

Após ter perdido a Batalha de Xangai, Chiang Kai-shek sabia que a queda de Nanquim iria ser apenas uma questão de tempo. Ele e o seu pessoal perceberam que não poderiam arriscar a aniquilação das suas tropas de elite num simbólico, mas sem esperança, combate na defesa da capital No sentido de preservar o exército para batalhas futuras, retiraram-se a maioria das tropas.
A estratégia de Chang foi em seguimento de uma sugestão dos seus conselheiros alemães para atrair o exército japonês para o interior da China, usando o vasto território Chinês como uma força defensiva. Chiang tinha planeado uma guerra longa de desgaste no interior da China.
Deixando o General Tang Shengzhi encarregue da cidade para a Batalha de Nanquim, Chiang e muitos outros fugiram para Wuhan, onde ficaram até esta cidade ser atacada em 1938.

Estratégia para a defesa de Nanquim

Numa conferência de imprensa para os jornalistas estrangeiros, Tang Shengzhi anunciou que a cidade não se iria render e iria lutar até à morte. Tang conseguiu juntar cerca de 100.000 soldados, a maioria sem treino, incluindo tropas que tinham participado na Batalha de Xangai. Para prevenir a fuga dos civis da cidade, ordenou às tropas que guardassem os portões, tal como instruído por Chiang Kai-shek. A força defensiva bloqueou as estradas, destruiu barcos e queimou as vilas mais próximas, de forma a prevenir uma evacuação generalizada. 
O governo chinês deixou a cidade a 1 de Dezembro e o presidente a 7 de Dezembro, deixando o destino de Nanquim a um Comité Internacional liderado por John Rabe.
O plano de defesa desfez-se rapidamente. Aqueles que defendiam a cidade encontraram tropas chinesas a fugir de derrotas anterior como a Batalha de Xangai, fugindo ao avanço das tropas japonesas. O que não ajudou em nada à moral dos defensores, muitos dos quais foram mortos durante a defesa e durante a ocupação japonesa.

Os crimes de guerra japoneses durante a marcha para Nanquim

Embora o Massacre de Nanquim seja em geral descrito como tendo ocorrido durante um período de seis semanas, os crimes cometidos pelo exército japonês não ficaram limitados a este período. Foram relatadas muitas atrocidades cometidas pelos japoneses à medida que estes avançavam de Xangai para Nanquim.
De acordo com um jornalista japonês incorporado nas Forças Imperiais da altura: " A razão pela qual o [10º Exército] está a avançar muito rapidamente para Nanquim é devido ao acordo tácido entre os oficiais e homens que podiam saquear e violar como quisessem."
O romancista Ishikawa Tatsuzo descreveu de forma muito viva como a 16ª Divisão da Força Expedionária de Xangai cometeu atrocidades na marcha entre Xangai e Nanquim no seu romance Ikiteiru Heitai, que se baseou nas entrevistas que Tatsuzo fez com as tropas em Janeiro de 1938.

Provavelmente, a maior atrocidade, foi uma competição de morte entre dois oficiais japoneses, como relatado no Tokyo Nichi Nichi Shimbun e no jornal em inglês Japan Advertiser. A competição - uma corrida entre dois oficiais (mais tarde executados por atrocidades durante tempo de guerra) para ver qual deles conseguiria matar primeiro cem pessoas usando apenas uma espada - foi coberto como um evento desportivo, com atualizações das contagens ao longo doa dias. No Japão, a veracidade do artigo foi tema de discussão furiosa durante décadas, com início em 1967.
Em 2000, um historiador concordou com vários estudiosos japoneses de que a competição teria sido uma história inventada, com a cumplicidade dos próprios soldados com a finalidade de aumentar o espírito de luta nacional. Em 2005, um juiz do distrito de Tóquio indeferiu um processo pelas famílias dos tenentes afirmando que "os tenentes admitiram o facto de terem concorrido para matarem 100 pessoas" e que a história não podia ser provada como sendo claramente falsa. O juiz também decidiu contra o o pedido dos queixosos, por o artigo ter mais de 60 anos. A historicidade deste evento ainda é assunto de argumentação no Japão.

Estabelecimento da Zona de Segurança de Nanquim

Haviam muitos ocidentais a viver naquela zona na altura, fosse por ligações comerciais ou em viagens missionárias. À medida que o Exército Japonês se aproximava de Nanquim, a maioria saiu da cidade, ficando apenas 27 estrangeiros. Cinco destes eram jornalistas que permaneceram na cidade durante alguns dias após a captura da cidade, deixando Nanquim a 16 de Dezembro. Dos restantes 22 estrangeiros, quinze formaram um comité, o chamado Comité Internacional para a Zona Segura de Nanquim, no bairro ocidental da cidade. O empresário alemão John Rabe foi eleito como líder, em parte devido ao seu status como membro do partido NAZI e a existência do Pacto de Anti-Comunista Germânico-Japonês.
O governo japonês tinha concordado anteriormente em não atacar partes da cidade que não contivessem forças militares chinesas, e os membros do Comité persuadiram o governo chinês a retirar as suas tropas da área. 
A 1 de Dezembro de 1937 o Prefeito de Nanquim Ma Chao-chun ordenou a todos os cidadãos chineses que permaneciam em Nanquim para se deslocarem para a Zona Segura. Muitos fugiram da cidade a 7 de Dezembro, e o Comité Internacional assumiu o governo de Nanquim.

Príncipe Asaka nomeado como comandante

Num memorandum para os rolos do palácio, Hiroshito tinha escolhido o Príncipe Asaka Yasuhito fora de censura, como aquele parente imperial cuja atitude "não era boa". Designou Asaka para Nanquim como oportunidade para fazer emendas.
A 5 de Dezembro, Asaka deixou Tóquio de avião e chegou à frente três dias depois. Asaka reuniu-se com os comandantes das divisões,  o tenente general Kesago Nakajima e Heisuke Yanagawa, que o informaram de que as tropas japonesas já tinham praticamente cercado por completo 300.000 tropas chinesas nas proximidades de Nanquim, e que as negociações preliminares sugeriam que os chineses estavam prontos para se renderem.
Alegadamente, o Príncipe Asaka terá emitido uma ordem para "matar todos os prisioneiros", logo providenciando uma sanção oficial para os crimes que aconteceram durante a após a batalha. Alguns autores registaram que que o Príncipe Asaka assinou a ordem para os soldados japoneses em Nanquim "matarem todos os prisioneiros". Outros alegam que o Tenente-Coronel Isamu Cho, o ajudante de campo de Asaka, enviou esta ordem sob o nome do Príncipe, mas sem o conhecimento, ou consentimento, deste. No entanto, mesmo que Cho tivesse tomado a iniciativa, o Príncipe Asaka era o oficial nomeada encarregue, e não deu ordens para parar a carnificina. Quando o General Matsui chegou à cidade quatro dias depois após o massacre ter começado, emitiu ordens rigorosas que resultaram no fim do massacre.

O Cerco à Cidade

O exército japonês continuou a seguir em frente, rompendo com as últimas linhas de resistência chinesa, e chegaram ao exterior das muralhas de Nanquim a 9 de Dezembro.

Ordem de rendição

ao meio dia de 9 de Dezembro os militares lançaram panfletos sobre a cidade, persuadindo a rendição de Nanquim dentro de 24 horas, prometendo a aniquilação em caso de recusa.
Entretanto, os membros do Comité contactaram Tang e sugeriram um plano de três dias de cessar fogo, período durante o qual as tropas chinesas poderiam retirar-se sem lutar enquanto que as forças japonesas continuavam na sua posição presente.
O General Tang concordou com esta proposta se o Comité Internacional conseguisse permissão do Generalissimo Chiang Kai-shek, que já havia fugido para Hankow para onde ele tinha mudado a sede militar temporariamente, dois dias antes. 
John Rabe embarcou no torpedeiro americano Panay a 9 de Dezembro e enviou dois telegramas, um para Chiang Kai-shek através do embaixador americano em Hankow, e outro para a autoridade militar japonesa em Xangai. No dia a seguir foi informado que Chiang Kai-shek, que havia ordenado que Nanquim fosse defendido "até ao último homem", recusou-se a aceitar a proposta.

Assalto e captura de Nanquim

Os japoneses aguardaram por uma resposta à sua exigência de rendição, mas nunca receberam nenhuma resposta pelos chineses até ao final do prazo a 10 de Dezembro. O General Matsui Iwane esperou outra hora antes de dar a ordem de tomar Nanquim à força. O exército japonês montou o assalto a Nanquim através de diversas frentes; a 16ª Divisão SEF atacou três portões no lado oriental, a 6ª Divisão da 10A lançou a ofensiva nos muros ocidentais e a 9ª Divisão do SEF avançou pela área no meio.
A 12 de Dezembro, debaixo do fogo de pesada artilharia e bombardeamento aéreo, o General Tang Sheng-chi ordenou a retirada aos seus homens. O que se seguiu foi o caos. Alguns soldados despiram os civis das suas roupas numa tentativa desesperada de se misturarem, e muitos outros foram mortos pelos supervisores chineses quando tentaram fugir.
A 13 de Dezembro, as 6ª e 9ªs Divisões do Exército Japonês foram os primeiros a entrar na cidade, enfrentando uma fraca resistência pela parte dos chineses. 

Perseguição e acontecimentos seguintes

As tropas japonesas perseguiram as unidades chinesas em retirada, primeiro em Xiakuan, área a norte das muralhas da cidade e à volta da Montanha Zijin a este. Embora a maior parte das fontes sugira que a fase final da batalha tenha consistido num massacre unilateral das tropas chineses pelos japoneses, alguns historiadores japoneses mantêm que as forças militares chinesas remanescentes ainda eram ameaça séria aos japoneses. O Príncipe Yasuhiko Asaka disse a um correspondente de guerra, mais tarde, que ele estava numa posição muito perigosa quando a sua sede foi emboscada pelas forças chineses quando estas se encontravam a fugir pela parte leste da cidade. No outro lado da cidade, a 11ª Companhia do 45ª Regimento encontrou cerca de 20.000 soldados chineses que estavam a fugir para Xiakuan
O exército japonês conduziu as suas forças de eliminação de resistência e ou ameaça remanescentes, tanto dentro quanto fora da Zona de Segurança de Nanquim. Uma vez que a área fora da Zona tinha sido praticamente toda evacuada, o esforço final foi concentrado na Zona de Segurança. A Zona de Segurança, uma área de 3,85 km2, estava literalmente cheia com a população que havia restado de Nanquim. Os líderes do exército japonês designaram secções da zona de segurança a algumas unidades de forma a separar alguns militares que se encontravam vestidos de civis.

Massacre

Testemunhos de chineses e ocidentais presentes em Nanquim nas semanas que se seguiram após a queda de Nanquim, dizem que durante as 
seis semanas seguintes, as tropas japonesas envolveram-se em violações, assassínios, roubo, incêndios criminosos, e outros crimes de guerra. Alguns destes testemunhos vieram de estrangeiros que optaram ficar para trás de forma a protegerem civis chineses de serem feridos, incluindo os diários de John Rabe e a americana Minnie Vautrin. Outros relatos incluem os testemunhos em primeira pessoa de sobreviventes do Massacre de Nanquim, reportagens de testemunho de jornalistas (tanto ocidentais quanto japoneses), assim como os diários de campo do pessoal militar. O emissário americano John Magee ficou para trás para providenciar um documentário de filme de 16 mm e fotografias em primeira mão do Massacre.

Competição de Massacre

Em 1937 o Osaka Mainichi Shimbun e o Tokyo Nichi Nichi Shimbun fizeram a cobertura sobre uma competição entre dois oficiais japoneses, Toshiaki Mukai e Tsuyoshi Noda, ambos pertencentes às tropas insulares, a 16ª Divisão Japonesa, na qual os dois homens foram descritos como em competição um contra o outro para ver quem matava mais rapidamente 100 pessoas com a espada antes da captura de Nanquim. De Jurong a Tangshan (duas cidades na Província de Jiangshu, China), Toshiaki Mukai matou 89 pessoas enquanto Tsuyoshi Noda matou 78 pessoas. A competição continuou porque nenhum dos dois chegou a matar 100 pessoas. Quando chegaram à Montanha de Zijin, Tsuyoshi Noda havia morto 105 pessoas enquanto Toshiaki Mukai chegou ao número 106. Supostamente, ambos os oficiais ultrapassaram o valor durante o calor da batalha, tornando-se difícil saber quem realmente ganhou a competição. Logo (de acordo com os jornalistas Asami Kazuo e Suzuki Jiro, no artigo para o Tokyo Nichi-Nichi Simbun a 13 de Dezembro), eles decidiram começar outra competição, com o objectivo de chegarem às 150 vitimas. No Nichi-Nichi, podia ler-se a manchete a 13 de Dezembro "'Record Incrível' Decapitação de 100 pessoas - Mukai 106 - Noda 105 - ambos os 2º Tenentes vão a turnos suplementares".
Após a rendição do Japão, Toshiaki Mukai e Tsuyoshi Noda são presos e executados em Nanquim, com a acusação "Inimigos de Público Civilizado".

Violação

O Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente estimou que terão sido violadas cerca de 20.000 mulheres, incluindo crianças e idosos. A maior parte destas violações terão sido sistematizadas num processo no qual os soldados iriam procurar, porta a porta, por raparigas jovens, em que muitas mulheres foram capturadas e violadas por grupos. Muitas vezes as mulheres foram mortas logo após terem sido violadas, frequentemente através de mutilação explicita ou sendo trespassadas com as baionetas, com canas de bambu ou outros objectos na vagina. As crianças jovens não ficaram livres destas atrocidades, e foram cortadas de forma a permitir que os soldados japoneses as pudessem violar.
A 19 de Dezembro de 1937, o Reverendo James M. McCallum escreveu no seu diário:
«Eu não sei onde acabar. Nunca eu havia ouvido ou lido tal brutalidade. Violação! Violação! Violação! Nós estimamos pelo menos 1.000 casos por noite, e muitos por dia. Em caso de resistência ou qualquer coisa que se assemelhe a desaprovação, há um golpe de baioneta ou uma bala... As pessoas estão histéricas... As mulheres estão a ser levadas todas as manhãs, tardes e noites. Todo o Exército Japonês parece estar livre de ir e vir conforme lhe apetece, e de fazer o que bem lhe apetece.»
A 7 de Março de 1938, Robert O. Wilson, um cirurgião no Hospital Universitário de administração americana na Zona de Segurança, escreveu numa carta à sua família, «uma estimativa conservadora de pessoas a serem chacinadas a sangue frio é qualquer coisa como 100.000, incluindo naturalmente milhares de soldados que tinham largado as suas armas.»
Existem igualmente relatos de incesto forçado pelas tropas japonesas. Filhos foram forçados a violar as mães, pais forçados a violar as filhas. Uma mulher grávida que foi violada por um grupo de soldados japoneses deu à luz apenas algumas horas depois; embora aparentemente o bebé tivesse não tivesse ficado lesado. (Robert B. Edgerton, Warriors of the Rising Sun). Monges que haviam declarado uma vida de celibato também foram forçados a violar mulheres.

O Massacre de Civis

Após a captura de Nanquim, foi perpetrado pelo exército japonês que levou à morte de mais de 60.000 residentes da cidade, um número difícil de calcular devido aos muitos corpos deliberadamente queimados, enterrados em valas comuns ou atirados para o rio Yangtze. Os ultra-nacionalistas japoneses têm refutado fortemente estes números, com a defesa de que teriam apenas sido mortos várias centenas de civis durante o massacre. 
B. Campbell, num artigo publicado no jornal Sociological Theory, descreveu o massacre de Nanquim como um genocídio considerando o facto de os residentes continuarem a ser mortos em massa após a queda de Nanquim.
A 13 de Dezembro de 1937, John Rabe escreveu no seu diário:
«Só depois de darmos uma volta pela cidade é que aprendemos sobre a extensão da destruição. Cruzamo-nos com corpos a cada 100 a 200 yards (91,44 m a 182,88m). Os corpos dos civis que eu examinei tinham buracos de balas nas costas. Estas pessoas supostamente estavam a fugir e foram mortas por detrás. A marcha japonesa através da cidade em grupos de dez a vinte soldados e pilharam as lojas (...) Eu vi com os meus próprios olhos quando eles pilharam o café do nosso padeiro alemão Herr Kiessling. O hotel Hempel  foi invadido igualmente, como quase todas as lojas em Chung Shang e Taiping Road.»
A 10 de Fevereiro de 1938, o Secretário da Embaixada Alemã, Rosen, escreveu ao seu Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre um filme produzido em Dezembro pelo Reverendo John Magee, a recomendar a sua aquisição. 
As mulheres grávidas eram um alvo de assassínio, vindo a ser feridas com as baionetas no estômago, algumas vezes após violação. Tang Junshan, sobrevivente e testemunha de um dos sistemáticos assassinatos em massa japoneses, declarou:
«A sétima e última pessoa na primeira ronda era uma mulher grávida. O soldado pensou que poderia muito bem violar a mulher antes de a matar, então ele puxou-a para fora do grupo para um lugar a uns dez metros. À medida que ele estava a tentar violá-la, a mulher resistiu ferozmente... o soldado esfaqueou-a brutalmente com a baioneta. Ela deu um último grito enquanto os seus intestinos se derramavam. Então, o soldado esfaqueou o fetus, com o cordão umbilical claramente visivel e atirou-o para o lado.»
De acordo com o veterano da Marinha Sho Mitani, «O Exército usou um som de trompeta que significava "Matem todos os chineses que estejam em fuga"». Milhares foram levados e executados em massa numa escavação conhecida como "A Vala dos Dez Mil Corpos", uma trincheira com 300 metros de comprimento e 5 de largura. Uma vez que não foram guardados registos, as estimativas dos corpos atirados para a vala variam entre 4.000 e 20.000. No entanto, a maior parte dos estudiosos e historiadores considera que o número seja de mais de 12.000.

Execução Extrajudição de prisioneiros de guerra chineses (PdG)

A 6 de Agosto de 1937, Hiroshito tinha pessoalmente ratificado a sua preposição do exército de retirar as restrições da lei internacional no tratamento dos prisioneiros chineses. Esta diretiva também visava oficiais do Estado-Maior usando o termo de "prisioneiros de guerra".
Imediatamente após a queda da cidade, as tropas japoneses embarcaram numa busca determinada de ex-soldados, na qual milhares de jovens foram capturados. Muitos foram levados para o Rio Yangtze, onde foram mortos com metralhadoras. Naquele que foi provavelmente o maior massacre de tropas chinesas ocorrido ao longo das margens do Rio Yangtze a 18 de Dezembro no que é chamado o Straw String Gorge Massacre. Os Japoneses levaram a maior parte da manhã a amarrar as mãos juntas dos PdG chineses  e ao anoitecer dividiram-nos em quatro colunas, e abriram fogo sobre elas. incapazes de escapar, os PdG só podiam gritar e debaterem-se em desespero. Levou cerca de uma hora para os sons de morte acabarem, e ainda mais para os japoneses serem apunhalados com a baioneta. A Maior parte foi atirada para o Rio Yangtze. Estima-se que pelo menos 57.500 PdG chineses tenham sido mortos.
As tropas japonesas juntaram 1.300 soldados chineses e civis junto ao portão Taiping e mataram-nos. As vitimas foram explodidas com minas terrestres, depois regadas com petróleo e queimadas. Aqueles que foram deixados vivos, viriam a ser mortos com baionetas. 
F. Tillman Durdin e Archibald Steele, correspondentes de notícias americanos, relataram que haviam visto corpos de chineses mortos a formarem montes de seis pés (1,83m) de altura no portão norte de Yijiang de Nanquim.  Durdin, que estava a trabalhar para o New York Times, deu uma volta pela cidade antes de a deixar. Ouviu ondas de fogo de metralhadoras e viu soldados japoneses a matar a tiro cerca de duzentos chineses em dez minutos. Dois dias depois, na sua reportagem do New York Times, afirmou que os becos e ruas estavam cheios de corpos de civis, incluindo mulheres e crianças.
De acordo com um testemunho entregue pelo missionário Ralph L. Phillips ao Comité de Investigação da Assembleia Estatal dos Estados Unidos, ele foi "forçado a ver os japoneses enquanto desmembravam um soldado chinês" e "assaram o coração e fígado dele e comeram-nos".

Roubo e Pilhagem

Um terço da cidade foi destruída como resultado da pilhagem. De acordo com os relatos, as tropas japonesas incendiaram os recém construídos edifícios do governo assim como as casas de muitos civis. Houve uma destruição considerável em áreas fora das muralhas da cidade.Os soldados pilharam desde os pobres aos ricos. A falta de resistência das tropas chinesas e civis em Nanquim significou que os soldados japoneses ficaram livres para dividir os valores  da cidade como eles acharam melhor. Isto resultou  em saques e roubos generalizados. 

Zona de Segurança de Nanquim e o papel dos estrangeiros

As tropas japonesas respeitaram a zona de segurança só até um certo nível; nenhuma bomba japonesa entrou naquela parte da cidade, apenas alguns tiros. Durante o caos que se seguiu ao ataque da cidade, houve algumas mortes na Zona de Segurança, mas os crimes ocorridos no resto da cidade foram a um nível muito superior em todos os aspectos.
Apesar de tudo os soldados japoneses cometeram crimes na Zona de Segurança quando se deu O Massacre de Nanquim. O Comité Internacional apelou várias vezes ao exército japonês, com John Rabe a usar as suas credenciais como membro do partido Nazi, mas sem sucesso. Rabe escreveu que de tempos a tempos os japoneses entravam na Zona de Segurança à vontade, levando consigo algumas centenas de homens e mulheres, ou mesmo executá-los ou violá-los e depois matá-los.
A 5 de Fevereiro de 1938, o Comité Internacional tinha enviado para a embaixada japonesa um total de 450 casos de assassínio, violação e desordem geral causada pelos soldados japoneses que haviam sido relatados após os diplomatas americanos, britânicos e alemães terem voltado para as suas embaixadas.
Diz-se que Rabe salvou entre 200.000 a 250.000 chineses.

Causas

Jonathan Spence escreveu «não há nenhuma explicação óbvia para este evento sombrio, nem nenhuma pode ser encontrada. Os soldados japoneses,  esperavam uma vitória fácil, invés tinham estado a lutar duramente durante meses e tinham havido indefinidamente mais baixas do que haviam antecipado. Estavam fartos, irados, frustrados, cansados. As mulheres chineses estavam indefesas, os seus homens impotentes ou ausentes. A guerra, ainda que não declarada, não tinha um objectivo ou propósito claro. Talvez todos os chineses, independentemente do sexo ou idade, parecessem marcados como vítimas.

A reação de Matsui ao Massacre

A 18 de Dezembro de 1938, à medida que o  General Iwane Matsui começou a compreender a extensão total da violação, assassínio e pilhagens na cidade, começou a ficar cada vez mais consternado. Teria tido a um dos seus assessores civis: «Agora compreendo que nós temos inadvertidamente tido um efeito grave sobre esta cidade. Quando eu penso nas sensações e sentimentos de muitos dos meus amigos chineses que haviam fugido de Nanquim e no futuro dos dois países, não me posso sentir se não deprimido. Eu estou muito só e nunca poderei ficar num estado para celebrar esta vitória.» Mostrou mesmo algum remorso nas declarações que fez à imprensa nessa manhã: «Eu pessoalmente sinto pena pelas tragédias povo, mas o Exército tem de continuar a menos que a China se arrependa. Agora, no Inverno, a estação oferece tempo para reflectir. Eu ofereço a minha simpatia, com emoção profunda, a um milhão de pessoas inocentes.» No Dia de Ano Novo, Matsui ainda se encontrava perturbado com o comportamento dos soldados japoneses em Nanquim. Durante um brinde, confidenciou com um diplomata japonês: «Os meus homens fizeram algo de muito errado e extremamente lamentável.»

Fim do Massacre

No final de Janeiro de 1938, o exército japonês forçou todos os refugiados da Zona de Segurança a voltarem para casa, afirmando que já haviam «restaurado a ordem.»
Após o estabelecimento do "weixin zhengfu" (o governo de colaboração) em 1938, a ordem foi gradualmente restabelecida em Nanquim e as atrocidades cometidas pelos japoneses diminuíram consideravelmente.
A 18 de Fevereiro de 1938, o Comité Internacional da Zona de Segurança de Nanquim foi forçada a mudar o nome para "Comité de Resgate Internacional de Nanquim" e a Zona de Segurança terminou efectivamente as suas funções. O último campo de refugiados foi fechado em Maio de 1938.
A Fevereiro de 1938, tanto o Príncipe Asaka quanto o General Matsui foram chamados ao Japão. Matsui voltou para a reforma, mas o Príncipe Asaka permaneceu no Conselho Supremo de Guerra até ao fim da guerra em 1945. Foi promovido a General em Agosto de 1939, embora não tivesse mais nenhum comando militar.

A 12 de Novembro de 1948, Matsui e Hirota, juntamente com outros condenados Classe A de crimes de guerra, foram sentenciados à morte por enforcamento.


Fonte: wikipédia


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...