11/12/2015

Magia Enoquiana

A magia enoquiana tem como base o misticismo e a teologia do Livro de Enoque. Este livro foi escrito por volta do século II a.C., não tendo sido incluído no Cânone (Lei ou Antigo Testamento). O Livro mais próximo ao de Enoque é o Génesis, o qual foi escolhido para fazer parte das Escrituras Sagradas, como a fonte que relata tanto a Criação, como o início da Humanidade. Já o Livro de Enoque, que se baseia sobre o mesmo tema, tornou-se apócrifo.
Alguns teólogos e historiadores defendem que o motivo principal para a exclusão do Livro do Cânone, deveu-se ao seu conteúdo místico e teológico. 
Enquanto que o Livro do Génesis divulga a versão mais ortodoxa do judaísmo, na qual o Homem é um ser pecador, frágil, um ser mortal caído nas malhas das tentações, das transgressões e dos consequentes castigos divinos, no Livro de Enoque, o Homem é visto como um ser cósmico, parte de uma grande criação celestial, um ser detentor de uma forte essência espiritual que, se bem orientada, pode levar o Homem à imortalidade e a um estado divino. Segundo o Livro de Enoque, é no próprio Homem que reside a fonte da salvação, e este tem plena capacidade de ascender à esfera divina.
Neste Livro, entre outras histórias, conta-se o relato da Criação pelas próprias palavras de Deus, assim como a história do sumo-sacerdote Melquisec que ascendeu aos céus na altura do dilúvio, devido ao elevado estado espiritual que havia atingido.
A ideia defendida no Livro de Enoque de que Deus é Nada, é partilhada pelos gnósticos e cabalístas. No entanto, há que ter em atenção que este Nada, é referente ao mundo material em que existe o Homem, isto é, Deus não se pode ver, medir, pesar, assim como não pode ser localizado em parte alguma. Deus, escapa assim à compreensão, estando para além das fronteiras do «espaço-tempo», sendo por isso um Nada Eterno (está para além das fronteiras da matéria, do espaço e do tempo).

E o Livro de Enoque, revela como esse Eterno gerou a criação de tudo aquilo que existe.

«No sexto dia, dei ordens para dar origem ao ser humano a partir dos 7 elementos que constituem o universo. (…) a carne foi retirada da própria terra (..) o sangue foi obtido a partir do orvalho e do Sol (…) os olhos foram feitos a partir da profundeza dos oceanos (…) os ossos a partir de pedras (…) a razão derivou dos anjos (...) as veias e os cabelos foram feitos com a erva dos campos (…) em sétimo lugar, o espírito derivou do Meu próprio espírito, bem como do vento. Eu criei-o como Segundo Anjo na terra, para ser grandemente enaltecido»

II Livro Enoch

O não ser, gerou o ser. O que não tem matéria, gerou as bases e mecanismos que deram origem ao nascimento do mundo material.
Nesta versão, o Homem é visto não como matéria impura e pecadora, como defende a versão ortodoxa do Génesis, mas segundo a condição de anjo, o Segundo Anjo de Deus.
Assim, a magia enoquiana parte deste princípio: professa a crença que o Homem possui essência angelical, isto é, que dentro de si brilha a essência de Deus, tendo, por isso, o poder de realizar atos mágicos.

O Mito Enoquiano

Inicialmente, tudo se formou através das palavras divinas do Criador, as quais foram escritas em letras de fogo, por cima de uma série de tabelas celestiais, o Livro do Discurso de Deus. Este livro contém a linguagem celestial da Criação, as chaves para os portões do céu e todo o conhecimento e sabedoria do universo, a passada, a presente e a futura. Aparece sob muitas formas nas diferentes religiões, as Tábuas Celestiais, as Tábuas do Destino, o Livro dos Segredos de Deus, o Livro do Cordeiro, o Livro de Thoth, os Registos Akáshicos e até mesmo sob a forma do Livro T (ou Tarot).


Enquanto se encontrava no Jardim do Paraíso, Adão falava fluentemente o idioma celestial, com a qual comunicava com Deus e Anjos, e com o qual deu o nome verdadeiro às coisas, mas quando perdeu o seu lugar no Jardim, perdeu igualmente o conhecimento dessa mesma língua sagrada, tornando-se difícil comunicar com os Anjos. Mas para conseguir falar com a família, Adão criou uma linguagem humana primordial, com base nas poucas memórias imperfeitas que ainda lhe restava do discurso celeste.
Passadas sete gerações desde Adão, e da sua linguagem primordial, o profeta Enoque estabelece um novo diálogo com os anjos, os quais acharam que este era digno de visitar o céu e ver os Coros dos Anjos, o Trono de Deus e as Tábuas Celestiais. É a partir destas que Enoque escreve os 366 livros de sabedoria terrena, com os quais tinha a esperança de restaurar a humanidade à sua antiga glória. Mas, infelizmente, a sabedoria de Enoque foi perdida pouco depois, quando se deu o dilúvio que destruiu o mundo.
A língua construída por Adão persistiu (através da linhagem de Noé), até que se deu a confusão na Torre de Babel. Nesta altura, a língua primordial foi dividida em diversos idiomas para que os trabalhadores não se pudessem entender entre si e acabassem o projeto (esta é a versão bíblica para as várias línguas do mundo). De todas as línguas antigas, a que permaneceu mais próxima à língua original de Adão é o hebraico bíblico. Mas não sobreviveu nenhum conhecimento ou memória da língua celestial angélica.

Origens

O sistema enoquiano de magia, tal como é praticado na atualidade, é principalmente o produto da pesquisa e trabalho de quatro homens: John Dee, Edward Kelley, Samuel Liddell MacGregor Mathers e Aleister Crowley. Para além destes, as pesquisas de Thomas Rudd, Elias Ashmole, William Wynn Westcott e Israel Regardie foram de grande importância para o desenvolvimento do sistema.
A maior parte do sistema de magia enoquiano foi "ditado" através de uma série de comunicações angélicas entre o período de 1582-1589. Dee e Kelley alegaram que receberam as instruções diretamente dos anjos. Enquanto Kelley conduzia as operações psíquicas conhecidas como vidência, Dee fazia registos escritos meticulosos do que acontecia.
Estas comunicações angélicas são levadas em conta pela maior parte dos ocultistas enoquianos, no entanto, alguns deles apontam para a grande semelhança destas com os antigos textos grimórios como o Heptamoron, que Dee conhecia. Outras influências para o trabalho de Dee terão vindo igualmente do Livro de Soyga (o qual Dee tinha uma cópia), a Arte Pauline e outros trabalhos sobre magia de Agrippa e Reuchlin. O sistema reivindica dar a conhecer os segredos contidos no Livro Apócrifo de Enoque. 

Liber Logaeth - O Sexto e Livro Sagrado dos Mistérios

Liber Logaeth (Livro do Discurso de Deus, 1583) está preservado no Museu Britânico. Foi escrito por Edward Kelley, e é composto por 65 fólios que contêm 101 redes de cartas mágicas excessivamente complexas. Foi a partir deste Livro que Dee e Kelley construíram as 48 Invocações ou Chaves (em forma de versos poéticos), e nas quais estão escondidas as chaves para a Heptarca Mística, um trabalho relacionado de Dee. Este, por sua vez, deixou  pouca informação no seu Sexto Livro Sagrado para além de que continha "Os Mistérios da Criação, a Idade de muitos anos, e a conclusão do Mundo" que a primeira página do livro significava Caos.
Note-se que O Livro de Enoque, atribuído ao texto de Liber Logaeth não é o mesmo que o Livro Apócrifo Bíblico "O Livro de Enoque", assim como não deve ser confundido com o Liber Chanokh de Crowley (O Livro de Enoque), embora estes três textos estejam relacionados entre si. 


Os Cinco Livros de Mistério

Mysterriorum Libri Quinque é o diário para o período de 22 de dezembro de 1581 a 23 de maio de 1583: o final dos cinco primeiros Livros dos Mistérios (e Apêndice) é o princípio de Uma Verdadeira e Fiel Narração de Causubon. Descreve o mobiliário do Templo, o Selo de Deus (Sigillum Dei); as Tábuas da Luz; o Grande Círculo e a respetiva Tabela Recolhida de 49 Anjos de Deus; a Heptarchia Mistica e as Tábuas da Criação; o Alfabeto Angélico. Existem duas transcrições deste manuscrito disponíveis atualmente, de Joseph Peterson e C.L. Whitby.

Outros manuscritos Enoquianos

Outro manuscrito central é Sloane 3191, que engloba as 48 Chaves Angélicas, O Livro da Ciência Terrena, Ajuda e Vitória; Na Heptarquia Mistica e Invocações dos Anjos de Deus.
Ainda são de salientar mais dois trabalhos de Dee e Kelley com importância para a magia enoquiana:
  • O diário do período que vai de 28 de maio de 1583 a 15 de agosto de 1584, que inclui o Sexto (e Sagrado) Livro Paralelo dos Mistérios (não confundir  com o "Sexto e Sagrado Livro dos Mistérios", que é parte do Liber Logaeth) e o "Sétimo Livro dos Mistérios" (Kraków), que começa onde "Uma Verdadeira e Fiel Narração" começa. Inclui a chegada do Príncipe Adalberto Laski, a viagem para Kraków e a ditação das 48 Invocações ou Chaves (incluindo a descrição das 91 Partes da Terra), assim como a Visão das Quatro Torres de Vigia e da Grande Tabela.
  • O diário relativo ao período de 15 de Agosto de 1584 a 23 de maio de 1587 (e 20 de março a 7 de setembro de 1607): O Livro de Praha, Os Mistérios Stefanicos Reais, A Ação Puciana, O Livro da Ressurreição, a Terceira Ação de Trebon e o resto das Ações Espíritas em Mortlake em 1607, acabando onde Uma Verdadeira e Fiel Narração acaba.
A edição de 1659 de Meric Casaubon de parte destes diários, intitulados "Uma Verdadeira e Fiel Narração Sobre o que se Passou durante muitos anos entre o Dr. John Dee e Alguns Espíritos" contém alguns erros de transcrição notáveis que foram transmitidos durante muitas das futuras publicações do material de Dee/Kelly; a edição de Casaubon tinha como intenção desacreditar Dee e Kelly, ao acusá-los de trabalharem com o Demónio Cristão. Uma edição mais completa de Casanon foi editada pela Magickal Cilde em 1992.
Os manuscritos de Dee e Kelley que sobreviveram mais tarde, ficaram na posse de Elias Ashmole, que os preservou e fez cópias de alguns, com anotações.

Redescoberta pela Ordem Hermética da Aurora Dourada

Dee e Kelly nunca se referiram à sua magia como "Enoquiana", mas antes como "Angélica". No entanto, no ocultimo moderno é comummente conhecida como Enoquiana. Não está bem claro quanto de magia enoquiana foi usada por Dee e Kelley. De facto ainda se encontra em debate se tanto Dee quanto Kelley praticaram magia enoquiana. Os anjos disseram-lhes para não praticarem Enoquiano, e não existem registos nos diários de trabalhos feitos com exceção de um talismã de cura. Os diários de Dee e Keley são livros de notas essenciais que registam os elementos essenciais do sistema, em vez do registo dos trabalhos que eles efetuaram usando o sistema.
Alguns escritores dizem que Thomas Rudd era o elemento central do grupo de mágicos que usaram o material de Dee e Kelley. O material angelical de Dee e Kelley também foi de extrema influencia na magia do Rosacrucianismo. No entanto, pouco mais foi usado do material de Dee até ao século XIX, quando foi incorporado e adoptado por uma sociedade secreta, em Inglaterra, que se designavam a si mesmos a Ordem Hermética da Aurora Dourada. 
O Enoquianismo é um sistema de dificil reconstrução se se tiver por base os manuscritos originais, como a coleção de Sir Hans Sloane, que se encontra no Museu Britânico, mas organizações de ocultimo contemporâneas têm feito tentativas para tornar o material mais acessível. A Aurora Dourada foi o primeiro, mas os seus conhecimentos eram baseado em apenas um dos diários de Dee, e o seu sistema planetário, elemental ou atribuições zodiacais não são fundamentadas nas fontes originais.
A Aurora Dourada também inventou o jogo Xadrez Enoquiano, de forma a que certos aspetos das Tábuas enoquianas possam ser usadas para adivinhação.
Os registos do Grupo da Esfera, um sub-grupo da Aurra Dourada, fundado por Florence Farr, que trabalhou com magia enoquiana foram editados e publicados em Kuntz, 1996.

O sistema

Os dois pilares da magia moderna enoquiana, tal como sublinhado no Liber Chanokh, Guardiães Elementares (incluindo a Tabela da União) e o "Mundo dos 30 Éteres (aethyrs)". Os Éteres são "céus" ou  "Ares" do sistema. Ao começar com os 30 Éteres e trabalhando a partir do primeiro, o mágico explora apenas aquele que o seu nível de iniciação lhe permite.

As Invocações ou "Chaves" e o "Mundo" dos 30 Éteres
A essência do sistema enoquiano depende da utilização das dezoito Chamadas ou Chaves dos 30 Aethyrs. As chamadas são usadas para entrar nos vários Aethyrs, na forma de visão. Concebe-se os Aethyr como formando um mapa de todo o universo na forma de anéis concêntricos que se expandem a partir do interior para o exterior Aethyr.
O mapa enoquiano do universo é retratado por Dee como um quadrado - composto pelas 4 Tábuas Elementares / Torres de Vigia que incorporam a Tabela da União (Espírito) cercado por 30 círculos concêntricos (os 30 Éteres ou Céus). Os 30 Éteres estão numerados desde o 30 (TEX, o mais baixo e, consequentemente, o mais próximo das Torres de Vigia) a 1 (LIL, o mais elevado, que representa a Realização Suprema). De forma semelhante aos métodos usados  para usar a vidência pelos mágicos na Árvore da Vida Cabalística, que envolve a viagem astral a cada patamar e Séfira, os mágicos que trabalham no sistema enoquiano registam as suas impressões e visões obtidas dentro de cada um dos Éteres Enoquianos. Os sistemas são comparáveis, mas não equivalentes: enquanto que o sistema enoquiano tem 30 Éteres, o cabalístico contém 32 Séfiras e percursos dentro da Árvore da Vida. Tal como um mágico pode falar acerca da exploração da Árvore da Vida de Markuth até Kether, o mágico enoquiano poderá falar de explorar os Éteres enoquianos a partir de TEX até LIL.
Cada um dos Éteres está povoado por "Governadores" (3 para cada Éter, excepto TEX que tem quatro, sendo assim um total de 91 governadores). Cada um dos governadores tem um sigil (símbolo criado com um propósito mágico especifico) que pode ser traçado até à Grande Tabela da Terra.
Nos trabalhos práticos enoquianos, o Invocações/Chave Dezanove, dos 30 Éteres é o único necessário para trabalhar com os Aethyrs. Só é necessário variar de forma apropriada o nome do próprio Éter no inicio do da chamada. Uma vez que a Invocação é recitada, os nomes dos Governadores são vibrados de uma vez só e o registo das visões é guardado. O uso das Invocações 1 a 18 é bastante complexo.

A Grande Tábua da Terra: As Torres de Vigia Elementares e as suas subdivisões

No sistema enoquiano, as Torres de Vigia Elementares são as quatro regiões principais do mundo que permeia e transcende o mundo físico, sendo estas que simbolizam os anjos dos quatro quadrantes - quatro tábuas mágicas correspondendo aos quatro elementos (ar, água, terra, fogo), que coletivamente são designadas de "Grande Tábua da Terra". A maior parte dos anjos conhecidos enoquianos são atraídos a partir das Torres de Vigia da Grande Tábua.
Cada uma das quatro Torres é no seu conjunto governada por uma hierarquia de entidades espirituais que funcionam como Os Três Nomes Sagrados, o Grande Rei Elementar, os Seis Seniores (Anciãos - estes perfazem um total de 24 Anciãos como visto no Livro da Revelação de S. João), os Dois Nomes Divinos da Cruz do Calvário, os Querubins e os Dezasseis Anjos Inferiores. Cada Torre é ainda dividida em quatro sub-quadrantes onde são encontrados os nomes de diversos Arcanjos e Anjos que governam os quadrantes do mundo. Desta forma todo o universo, visível e invisível, é descrito como estando repleto de vida inteligente. Cada uma das tábuas Elementares também se encontra dividida em quatro secções por uma figura conhecida como a Grande Cruz Central, a que contém os quadrados espiritualmente mais elevados. A Grande Cruz Central consiste nas duas colunas centrais verticais da Tábua Elementar (a Linea Patris e a Linea Filii) e a linha central horizontal (conhecida como a Linea Spiritus Sancti).
Para além das Quatro Torres Elementares, um vigésimo quadrado conhecido como a Tábua da União (também conhecida como a Cruz Negra, que representa o espírito, ou Tabela da União) completa a representação dos cinco elementos tradicionais usados na magia - Terra, Ar, Água, Fogo e Espírito. A Tábua da União é derivada a partir da Grande Cruz Central da Grande Tábua.
Os quadrados das Torres Elementares e os da Tábua da União não são simples quadrados, mas na realidade pirâmides truncadas, ou pirâmides com topos planos - logo, pirâmides que têm quadro lados e um topo, um total de cinco lados, representando os cinco elementos mágicos tradicionais (Terra, Ar, Água, Fogo e Espírito) através de várias combinações. Existem 20 pirâmides na Tábua da União e 156 em cada uma das Tábuas Elementares. Cada pirâmide aloja um "anjo" com um nome de uma só letra. Os atributos do anjo (isto é, os seus poderes e a sua natureza) são "lidos" de acordo com a sua posição dentro da Tábua e proporções dos diferentes Elementos representados nos seus lados. Quando duas pirâmides são combinadas formam um "anjo" com um nome de duas letras, cujos atributos são um pouco mais complexos. Isto dá origem a "anjos" ainda mais complexos dependendo do número de pirâmides sob exame. A atribuição de vários Elementos às várias pirâmides é mais visível numa versão colorida da várias Tábuas, e um Livro didáctico enoquiano é de bastante utilidade.


Sul - Fogo
Responsável pelas constantes mudanças no mundo físico. Região das primeiras forças motivadoras que por meio da sua força causam um efeito em cadeia nas outras regiões, até provocarem transformações no mundo físico. É a região do verbo criador e destruidor.
Norte - Terra
Responsável pela criação e manutenção do mundo físico (não confundir com o planeta Terra)

Oeste - Água
Reflete as imagens do mundo físico nos mundos superiores. Região de forças vitais e criadoras. Neste plano, o físico é visto segundo a sua forma espiritual.

Este - Ar
Plano de onde surgem todas as ideias que virão a materializar-se nos outros planos. Região da Inteligência que conduz a lógica e a razão.

Cruz Negra - Tabela da União
Origem última de todas as coisas que existem. Região das forças causais de onde nasce tudo do universo. Plano do Logos de onde nasce a Vontade que dá origem às forças motivadoras.




A magia enoquiana na atualidade

Comparada com outros sistemas de magia, a enoquiana é geralmente considerada bastante complexa e de difícil compreensão na sua totalidade. Uma das dificuldades é o facto de muitos dos documentos de origem estarem desaparecidos, e aqueles que existem serem apenas fragmentos, devido à história de dispersão da biblioteca de Dee. Uma vez que partes dos documentos de Dee estão perdidas, as restantes deram origem a várias interpretações, algumas das quais solidificadas em escolas de pensamento, com individualidade e literatura próprias.
Outra razão para a dificuldade do sistema são as muitas e variadas formas pelas quais o sistema pode ser interpretado, e as possibilidades complexas das permutações matemáticas das diversas letras, tábuas e diagramas fundamentais ao sistema.
Uma terceira dificuldade reside no uso da linguagem enoquiana para as invocações, e as letras terem de ser memorizadas e a sua pronúncia aprendida. 
A magia enoquiana forma a base dos sistemas de magia de Crowley e da Aurora Dourada. Outras teorias posteriores dizem que John Dee tinha conhecimento do Livro Eslavo dos Segredos de Enoque assim como do Livro Etíope de Enoque.
Muitos mágicos individuais e pequenos grupos preferem a magia enoquiana a outros sistemas, uma vez que a cerimónia exigida é, muitas vezes, menor que outros sistemas. Por outro lado, é necessário equipamento elaborado para realizar a magia enoquiana de forma adequada.
Uma vez que Dee era um espião para a corte de Elisabete I, existem muitas interpretações modernas de que os seus manuscritos angélicos seriam na realidade documentos criptográficos que escondiam mensagens políticas. Apesar desta possibilidade, não é uma preocupação para a  maior parte dos praticantes de magia enoquiana.

Alfabeto enoquiano

Segundo Tobias Churton, em The Golden Builders, o conceito de uma linguagem angélica era comum na época de Dee. Acreditava-se que se se conseguisse interagir com os anjos, seria possível obter uma linguagem divina. Em 1581, Dee menciona nos seus diários que Deus lhe havia enviado "anjos bons" de forma a que fosse possível comunicar diretamente com os profetas. A partir de 1582, depois de ter tentado trabalhar com vários videntes, Dee juntou-se a Edward Kelley e, com a ajuda deste, conseguiu, entre outras coisas, desenvolver a linguagem angélica (ou enoquiana). Dee dizia que se tratava da linguagem que Deus usara para criar o mundo e comunicar-se com Adão.

Por se acreditar que o alfabeto contém demasiado poder, muitos dos nomes viram a sua posição invertida, de modo a prevenir a conjuração acidental de algumas entidades.
Cada letra do Alfabeto Enoquiano apresenta a sua correspondência planetária, elemental e de Arcanos Maiores do Tarot, para além do seu valor gemátrico, conhecido através dos trabalhos de Crowley.

Carac.
Nome
Equiv.
Corresp.Planetaria ou Elemental
Corresp. no Tarot
Valor Gematrico
A
Un
A
Touro
Papa
6
B
Pe
B
Áries
Estrela
5
C
Veh
C | K
Fogo
Julgamento 
300
D
Gal
D
Espírito
Imperatriz
4
E
Graph
E
Virgem
Heremita
10
F
Orth
F
Cauda Draconis
Mago
3
G
Ged
G
Câncer
Carro
8
H
Na-hath
H
Ar
Louco
1
I
Gon
I | Y | J
Sagitário
Temperança
60
L
Ur
L
Câncer
Carro
8
M
Tal
M
Aquário
Imperador
90
N
Drun
N
Escorpião
Morte
50
O
Med
O
Libra
Justiça
30
P
Mals
P
Leão
Força
9
Q
Ger
Q
Água
Enforcado
40
R
Don
R
Peixes
Lua
100
S
Fam
S
Gêmeos
Amantes
7
T
Gisa
T
Leão
Força
9



Caput Draconis
Alta Sacerdotiza
3
U
Vau
U | V | W
Capricórnio
Diabo
70
X
Pal
X
Terra
Universo
400
Z
Ceph
Z
Leão
Força
9



Caput Draconis
Alta Sacerdotiza
3



Para saber mais sobre este sistema e como o usar:

Magia Enoquiana - Scribd






Fontes
http://www.astrologosastrologia.com.pt/magia_enoch_livro_enoch_magia_enochiana&enoquiana.htm
https://en.wikipedia.org/wiki/Enochian_magic
http://croatoam-huntersofsupernatural.blogspot.pt/p/enoquiano-lingua-original.html
http://forgetthefear.blogspot.pt/2011/07/linguagem-dos-anjos-enoquiano.html
http://www.mortesubita.org/enoquiano/textos-enoquianos/torres-de-vigia-do-sistema-enoquiano

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...