14/12/2015

Florence Nightingale

Juramento (atual) de enfermagem
«Solenemente, na presença de Deus e desta assembleia juro:
dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana; exercer a Enfermagem com consciência e fidelidade; guardar os segredos que me forem confiados, respeitando o ser humano desde a sua concepção até depois da morte; não praticar atos que coloquem em risco a integridade física ou psíquica do ser humano; atuar junto à equipe de saúde para o alcance da melhoria do nível de vida da população; manter elevados os ideais de minha profissão, obedecendo aos preceitos da ética, da legalidade e da moral, honrando seu prestígio e suas tradições.»




 "A britânica Florence Nightingale (1820-1910) foi, entre 1854 e 1856, durante a Guerra da Crimeia, a responsável pela enfermagem em hospitais militares otomanos. Foram-lhe dadas condições deploráveis, mas desenvolveu um trabalho simplesmente notável. Foi, para os soldados, a mulher da candeia.
Nightingale acreditou ter ouvido a voz de Deus, a 7 de Fevereiro de 1837, informando-a de que tinha uma missão para cumprir. Apenas nove anos mais tarde percebeu qual era a tarefa: prestar ajuda humanitária.
Depois de ter sido impedida de estudar enfermagem numaunidade hospitalar, simplesmente por ser mulher, conseguiu, em 1850, entrar para uma instituição protestante diaconisa, em Kaiserswerth, na Alemanha, onde aprendeu a tratar doentes.
Em 1954, os relatos da Guerra da Crimeia apontavam para um elevado número de soldados britânicos feridos e sensibilizaram Nightingale, que, imediatamente, se voluntariou para, na companhia de mais três enfermeiras, rumar a Constatinopla.

A seu cargo ficou, a partir de 5 de Novembro de 1854, todo o sector da enfermagem dos hospitais militares do Império Otomano, particularmente da unidade Scutari.
Nightingale ficou chocada com o que viu: enfermarias infestadas de ratos e de moscas, reduzido número de camas, inexistência de lençóis e cobertores... Deitou mão à obra e, à custa de muito sacrifício e imaginação, conseguiu melhorar espetacularmente este estado de coisas.
Em Maio de 1855, a principal preocupação de Nightingale passou a ser, mais do que o tratamento de doentes, o bem estar dos soldados britânicos. Transferiu-se, então, para a Crimeia, mais concretamente para Balaklava, onde sentiu mais do que nunca a incompreensão de vários homens, entre os quais o inspector-geral dos hospitais. 
De regresso a Inglaterra foi recebida como uma heroína nacional, mas continuou a ter como objectivo melhorar as condições de vida dos soldados. E dos seus esforços junto da corte resultou a Real Comissão para a Saúde do Exército, da qual viria a resultar a Escola Médica do Exército, em 1857.
Em 1860 estabeleceu em Londres a Escola Nightingale para Enfermeiras, a primeira do género no Mundo.»

Grandes Batalhas da História Universal - Sebastopol 1855, 2003 QN - Edições e Conteúdos


Florence Nightingale nasceu a 12 de maio de 1820 no seio de uma família abastada e bem relacionada, na Villa Colombaia, perto da Porta Romana em Bellosguardo, Florença, Itália, tendo falecido a 13 de Agosto de 1910, com 90 anos, no seu quarto em 10 South Street, Mayfair, Londres.
Reconhecida reformadora social, foi a fundadora da enfermagem moderna.
Tornou-se famosa quando servia como enfermeira na Guerra da Crimeia, onde tratou os soldados feridos.
Os comentadores do princípio do século XXI defendem que os feitos de Nightingale durante a guerra da Crimeia foram exagerados pela comunicação social da altura, devido à necessidade que o povo britânico tinha de um herói.
Em 1860, Nightingale iniciou as fundações para a enfermagem profissional com a abertura da sua escola de enfermagem em St. Thomas Hospital, em Londres.
Foi a primeira escola secular de enfermagem no mundo, integrante agora do King's College London.
O Juramento Nightingale, feito pelas novas enfermeiras, foi nomeado em sua honra, assim como o Dia Internacional dos Enfermeiros, celebrado no dia de aniversário de Florence Nightingale.
As reformas sociais desta filha de aristocratas, incluiram o melhoramento nos cuidados de saúde para todas as secções da sociedade britânica e o apelo à diminuição da fome na Índia, assim como a ajuda na abolição das leis que regulamentavam a prostituição (excessivamente duras para as mulheres) e defesa da aceitação das mulheres nos vários sectores do mercado de trabalho.
Nightingale era uma escritora prodigiosa e versátil. A maior parte do seu trabalho que foi publicado durante a sua vida, mostrou a preocupação da escritora em espalhar  conhecimentos médicos. Algumas das suas publicações foram efetuadas num inglês simples, de forma a serem facilmente compreendidas por aqueles sem grande literacia. Também ajudou a popularizar a apresentação dos dados estatísticos, através de gráficos.
A amior parte do seu trabalho acerca da religião e misticismo, foi publicada pós-morte.
Florence Nightingale, nasceu numa família de classe alta, numa altura em que era esperado que as mulheres da sua classe se focassem no casamento e nos cuidados dos filhos. As crenças religiosas unitaristas inspiraram-na a dedicar a sua vida a servir os outros, tanto diretamente como reformadora. Desta forma, rejeitou as propostas de casamento, de forma a poder dedicar-se ao seu chamamaneto.
 pai de Nightingale, tinha visões sociais progressivas, providenciando, assim, à filha uma vasta educação que incluíram a matemática, e apoiou o desejo desta de ter uma vida activa.
A habilidade de Florence de fazer reformas, deveu-se à sua excecional destreza analítica, à sua elevada reputação, e à sua rede de amigos influentes.
A partir dos seus trinta, começou a ter uma saúde frágil, mas continuou o seu trabalho até falecer aos trinta.

Guerra da Crimeia
A contribuição mais famosa de Nightingale veio da época da Guerra da Crimeia, que se tornou o seu foco central ao relatar as condições degradandes ás quais os feridos estavam expostos.
A 21 de Outubro de 1854, Nightingale mais a sua equipe de 38 enfermeiras voluntárias, treinadas por si, foram enviadas para o Império Otomano. Chegaram nos princípios de Novembro a Selimiye Barracks, em Scutari (a atual Üsküdar em Istambul). A equipe de enfermagem veio a descobrir que os soldados feridos estavam a ser tratados por um pessoal médico sobrecarregado, cuja resposta ao problema era a indiferença. Não havia medicamentos suficientes, a higiene estava a ser negligenciada, e as infecções em massa eram comuns, muitas delas fatais. Nem sequer havia equipamentos para preparar as refeições dos pacientes.
Depois de Nightingale enviar um apelo para o The Times a uma solução governamental relativamente às condições das instalações, O Governo Britânico designou Isambard Kindom Brunel para projetar um hospital pré-fabricado, o qual poderia ser construído na Inglaterra e despachado para Dardanelles. O resultado foi o Hospital Renkioi, umas instalações civis em que, sob a gestão do Dr. Edmund Alexander Parks teve uma mortandade um décimo inferior à de Scutari.
A primeira edição do Dicionário Biográfico Nacional (1911), declarou que Florence Nightingale reduziu a percentagem de morte de 42% para 2%, tanto por fazer melhoramentos na higiene, pessoalmente, como por ter chamado a Comissão Sanitária. No entanto, as taxas de morte elevaram-se ao máximo em todos os hospitais na região. Durante o primeiro Inverno da estadia de Nightingale, morreram 4.077 soldados, falecendo dez vezes mais soldados de tifo, tifóide, cólera e desinteria.
Com sobrelotamento, esgotos ineficazes e falta de ventilação, a Comissão Sanitária teve de ser enviada pelo Governo Britânico em Março de 1855 a Scutari. A Comissão desentupiu os esgotos e melhorou a ventilação. Nessa altura, as taxas de morte desceram drasticamente, no entanto, Florence Nightingale nunca reconheceu a falta de higiene  como sendo a principal causa de morte na altura, e nunca reinvidicou qualquer crédito por ter ajudado na redução da taxa de mortalidade.
Em 2001  e 2008 a BBC lançou documentários criticos em relação à performance de Nightingale na Guerra da Crimeia, sendo igualmente criticos alguns artigos que se seguiram, publicados no The Guardian e no Sunday Times. A professora L. McDonald acusou estas criticas de serem, frequentemente, absurdas, defendendo que não eram suportadas por fontes originais.
Nightingale continuou a acreditar que a taxa de mortalidade devia-se à fraca nutrição, falta de provisões e ao excesso de trabalho dos soldados.
Após ter regressado à Grã-Bretanha e ter começado a recolher dados, antes da Comissão Real da Saúde do Exército o ter feito, passou a acreditar que a maior parte dos soldados morreu devido às miseráveis condições a que estavam sujeitos. Esta experiência influenciou o seu trabalho posterior, quando passou a defender que as condições sanitárias nos hospitais eram de extrema importância . Consequentemente, veio a reduzir a mortandade em tempos de paz no exército e voltou a sua atenção para os projetos sanitários dos hospitais.

Carreira Posterior 
A 29 de Novembro de 1855, na Crimeia, foi estabelecido o Fundo Nightingale, reservado para o treino de enfermeiras, durante um encontro público, tendo havido um inesperado número de doações de valor elevado. Sidney Herbert serviu como secretário honorável do fundo e o Duque de Cambridge como presidente.
Florence Nightingale foi considerada, igualmente, uma pioneira do conceito de turismo médico, de acordo com as suas cartas, de 1856, a descrever os spas no Império otomano. Descreveu as condições de saúde, as condições físicas, forneceu informação diatética, e outros detalhe vitais  dos pacientes de quem ela cuidou. Nesta região os tratamentos eram significativamente mais baratos do que na Suiça.
Nightingale tinha à sua disposição £45.000 do Fundo Nightingale para iniciar a Escola de Treino Nightingale no St. Thomas Hospital a 9 de julho de 1860. As primeiras enfermeiras Nightingale, treinadas, começaram a trabalhar na Casa de Enfermagem em Liverpool. Também promoveu campanhas e criou fundos para o Royal Buckinghamshire Hospital, em Aylesbury, perto da casa da irmã, a Claydon House.
As Notas Sobre Enfermagem tiveram uma boa aceitação pelo publico geral e foi considerado um clássico na Introdução de Enfermagem. Nightingale passou o resto da vida a promover e a organizar a profissão de enfermagem. 
Tal como Mark Bostridge demonstrou recentemente, uma das realizações alcançadas por Nightingale foi a introdução de enfermeiras treinadas nos asilos, em Inglaterra e Irlanda, a aprtir de 1860. Isto significou que os doentes mais pobres deixaram de ser tratados por outros pobres, sem formação, e sim por enfermeiras.
Apesar de, às vezes, ser dito que Nightingale negou a teoria da infecção durante toda a sua vida, os biografos recentes discordam, dizendo que Nightingale simplesmente se opôs a uma teoria precursora à teoria do germe, conhecida como "contagionismo". Esta teoria defendia que os doenças só podiam ser transmitidas através do toque. Antes das experiências efetuadas na década de 1860, por Pasteur e Lister, praticamente ninguém levava a teoria do germe a sério; mesmo posteriormente, muitos médicos não se convenceram. Bostridge aponta para o facto de no início de década de 1880, Nightingale ter escrito um artigo no qual defendia restritas medidas preventivas, no sentido de matar os germes.

Em 1883 a rainha Vitória condecorou Nightingale com a Real Cruz Vermelha. Em 1904 foi designada como Lady of Grace da Ordem de St. John. Em 1907, tornou-se a primeira mulher a ser premiada com a Ordem de Mérito. No ano seguinte, foi-lhe dada a Cidadania Honorária da Cidade de Londres.


Fonte: wikipédia


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