07/12/2015

Figuras do Cristianismo


Santo Agostinho (c.350-430)
O teólogo e filósofo Agostinho foi decisivo para a moldagem do pensamento ocidental. Compôs tanto textos teológicos quanto científicos, e a sua filosofia contém elementos platónicos.
Filho de mãe cristã, numa cidade do Norte de África, ele próprio só aceitou o Cristianismo e batismo já em adulto. De grande importância para o desenvolvimento deste grande professor da Igreja foi o fato de ele ter seguido uma vida «selvagem», na qual deixou alguns pecados sem julgamento, durante décadas antes de se converter ao Cristianismo.
Em 389, estabeleceu uma comunidade com um estilo de vida de monge, no seu país: os servi dei - «os servos de Deus».
Agostinho propôs a noção de dualidade do corpo e da alma. Na sua procura da verdade, ele viu-se a si mesmo como prova para a sua existência. Séculos mais tarde o filósofo francês René Descartes (1596-1650) iria expressar esta mesma ideia na sua famosa declaração cogito, ergo sum («Penso, logo existo»).
Agostinho entrou na experiência mística quando começou a procurar a verdade dentro de si mesmo. Chegou à conclusão que a última verdade estava com Deus, que a garante aos seres humanos através da iluminação.
Agostinho entendeu a Trindade como três existências iguais e considerou o tempo como um fenómeno puramente subjetivo.



Hildegard de Bingen (1098-1179)
Hildegard de Bingen continua a ser uma figura fascinante ainda nos dias de hoje.
Nasceu como a 10ª criança e considerava-se a si mesma como uma pessoa simples e sem educação. No entanto, tornou-se abadessa de um convento perto de Bingen, na Alemanha e ocupou-se não só com religião, mas também com política e medicina.
Com grande cuidado juntou o conhecimento antigo sobre ervas e outras plantas nos seus escritos.
Não se reservou perante as suas visões e publicou-as em latim. Trabalhou na sua obra mais importante Liber Scivias Domini (scivias Domini "Reconhece o caminho do Senhor") durante 6 anos e diz-se que curou um rapaz cego com água, assim como outras pessoas ao colocar as suas mãos sobre os doentes.
O seu imenso conhecimento médico, evidenciado na sua escrita, coloca os seus escritos entre os mais importantes do século XII (e posteriores).
Ainda durante a sua vida foi considerada a "profeta alemã" e uma grande mística, com visões sobrenaturais «Eu estou amarrada no abraço dos segredos de Deus» declarou Hildegard, ao explicar que via o que estava escondido como se tivesse olhado para um grande espelho cheio de consciência.


Tomás Aquino (1225-1274)
Aquino nasceu em 1225 de Duke Lanulfe, que o enviou para um mosteiro em criança para o preparar para uma carreira na política. Tomás, no entanto, decidiu ser monge, e entrou para a Ordem Dominicana.
Nas suas viagens Aquino Também estudou com Albertus Magnus.
Definiu Deus como «puro ser»; tudo o resto só participa neste ser, uma árvore, por exemplo, está num grau inferior ao de uma pessoa.
Os seus escritos não são só importantes para a teoria e ética religiosas, mas também para a política e filosofia.
As suas declarações acerca da liberdade religiosa são especialmente impressionantes, como por exemplo, que uma pessoa que acredita firmemente que pode encontrar Deus fora do Catolicismo é justificado, não perante a Igreja, mas perante Deus. O crente deve apresentar a sua decisão perante Deus.
As provas de Aquino da existência de Deus tornaram-se bem conhecidas, a partir do seu principal trabalho, o Summa Theologica.
Em 1323 foi canonizado (considerado santo) e em 1879 o seu trabalho foi aceite como a base da escola Católica e, desde então, tem tido muita influência na fé.

Meister Eckhart (1260-1327)
Não se sabe muito acerca de Meister Eckhart. Sabe-se que entrou na Ordem dos Dominicanos em 1275.
No trabalho Questiones («Questões»), Eckhart diz que a criação é omnipresente sem um princípio ou um fim. A criação está sempre a decorrer e é a essência de Deus. Para Deus nascer numa pessoas, esta tem de aprender a desfazer-se de todos os bens materiais. No sentido de viver para Deus, a pessoa tem de se libertar da sua própria vontade.
Eckhard declarou que Deus é nada, não possuindo nenhuma das características da existência finita, e nem imagens nem termos podem descrevê-lo. Por esta razão, as pessoas não deviam tentar formar conceitos do que Deus é.
Argumentou  que as pessoas imaginam Deus como uma vaca que podem ordenhar de acordo com os seus desejos. Mas isso está errado.

Nicolas de Cusa (1401-1464)
Filho do mercador Johan Cryfftz, Nicolas de Cusa iniciou os seus estudos em matemática, física, medicina e direito - e mais tarde em teologia - em Heidelberg, Pádua e Colonha. Este escolar universal rapidamente chegou à posição de cardial e cedo tinha um papel central nas políticas da Igreja na altura.
É considerado o filósofo mais importante do século XV. Os seus pensamentos filosóficos-místicos definem a transição da Idade Média para a Idade Moderna.
Antecipou leis físicas como a gravidade e a rotação da Terra.
Casanus, como era tratado de forma respeitosa, entendia Deus como a Coincidência dos Opostos (a coincidentia oppositorum). Como resultado, nem Deus nem o Universo podem ser entendidos racionalmente.
Todas as religiões só se cingem a uma parte da verdade divina, porque cada um só é capaz de entender partes parciais dos aspetos de Deus, no qual todas as contradições estão unificadas.
Para a Idade Média este era um pensamento ousado e atroz.




World Religions,Franjo Terhart e Janina Schulze, Parragon Books, Uk; 2007

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...