01/12/2015

Eros

Em grego,  Ἔρως, "Desejo". Na mitologia grega, Eros era o deus do amor. A sua contraparte romana era o Cupido. Alguns mitos tornam este deus primordial, enquanto que noutros é filho de Afrodite.
Eros era considerado a energia que organiza e unifica tudo. Através de Eros tudo passava de caótico para a condição cósmica.

Culto e representação

O deus Eros aparece nas fontes da antiga Grécia sob diversas formas. Nas primeiras fontes (na cosmogonia, primeiros filósofos e nos textos com referência às religiões de mistério), é um dos deuses primordiais envolvido no surgimento do cosmos. Mas nas fontes mais tardias, Eros é representado como o filho de Afrodite, cujas intervenções travessas nos assuntos dos deuses e mortais são a causa de ligações amorosas, muitas vezes ilícitas. Para último, nos poemas satíricos, o deus é representado como uma crianças de olhos vendados, o percursor do rechonchudo Cúpido Renascentista - enquanto que na poesia e arte gregas iniciais, Eros era representado como um homem adulto que encarna o poder sexual e um profundo artista.
Existia um culto de Eros na Grécia pré-clássica, mas era muito menos importante do que o de Afrodite. No entanto, em tempos mais antigos, Eros era venerado por um culto de fertilidade em Téspias. Em Atenas partilhou de um culto muito popular com Afrodite, e o quarto dia de cada mês era consagrado a Eros.

Deus Primordial

De acordo com Hesíodo (c. de 700 a.C), uma das fontes gregas mais antigas, Eros era um deus primordial, isto é, nasceu do Caos. Foi o quarto deus a ter existência, após Caos, Gaia (a Terra)  e Tártaro (O Abismo ou Submundo).
Homero não menciona Eros. No entanto, Parmenides (c. de 400 a.C.), um dos filósofos pré-socráticos, torna Eros o primeiro deus ganhar existência antes de todos os outros.

Os mistérios Órficos e Eulisinos caracterizam Eros como um deus original, embora não primordial, uma vez que era filho da Noite (Nix). Aristófanes (c. de 400 a.C), influenciado pelo Orfismo, narra o nascimento de Eros  e depois o da raça humana:

No início havia apenas o Caos, a Noite (Nix), a Escuridão (Erebus) e o Abismo (Tártaro). A Terra, o Ar e o Céu não existiam. Em primeiro, a Noite de asas negras depositou um ovo não fecundado no seio das infinitas profundezas da escuridão, e a partir disto, após a revolução de longas eras, surgiu o gracioso Amor (Eros) com as suas reluzentes asas douradas, ligeiro como os redemoinhos das tempestades. Ele acasalou no profundo Abismo com o escuro Caos, com asas como ele mesmo, e assim eclodiu em diante a nossa raça, a primeira a ver a luz.

Filho de Afrodite

Na época clássica, Eros era considerado filho de Afrodite e Zeus, Hermes ou Ares, havendo várias referências a este facto:

Hera para Atena: "Nós temos de ter uma palavra com Afrodite. Vamos juntas e pedimos-lhe para persuadir o seu filho [Eros], se é possível, lançar uma flecha à filha de Eetes, Medeia dos muito feitiços, e fazê-la apaixonar-se por Jason..." - Apolonio de Rodes, Argonautas - um épico grego do terceiro século antes de Cristo.
"Ele [Eros] fere os peitos das criadas com calor desconhecido, e propõem aos próprios deuses de deixarem o céu e habitarem na terra em formas emprestadas." - Séneca, Faedra


"Uma vez, quando o filho de Vénus [Eros] a estava a beijar, sua aljava pendurada oscila para baixo, uma seta projecta-se, sem que se apercebesse, tinha arranhado o peito dela. Ela empurrou-o. De facto a ferida era mais profunda do que parecia, embora despercebida de início. [E ela ficou] prisioneira pela beleza de um homem chamado Adónis" - Ovídio, Metamorfoses.

Certa vez, Afrodite desabafado com Métis (ou Témis), queixando-se que seu filho continuava sempre criança, a deusa lhe explicou que era porque Eros era muito solitário. Haveria de crescer se tivesse um irmão. Anteros (considerado por alguns a divindade responsável pelo amor mútuo, o que eventualmente o opunha ao irmão) nasceu pouco depois e, Eros começou a crescer e tornar-se robusto.

Platão

Por sua vez, Platão, em Banquete, descreve o nascimento do Amor (Eros), como sendo filho da Pobreza (Pínia) e de Recurso (Poros):

"[...] E esses génios, é certo, são muitos e diversos, e um deles é justamente o Amor.
- E quem é seu pai - perguntei-lhe - e sua mãe?
- É um tanto longo de explicar, disse ela; todavia, eu te direi. Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e ficou pela porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar - pois vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio ele recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância."

Eros e Psique

A história de Eros e Psique já tinha uma longa tradição no folclore do mundo Grego-Romano Antigo antes de ser passado para a literatura por Apuleio, na sua novela, O Asno de Ouro. A novela em si mesma é escrita num estilo picaresco, ao estilo romano, no entanto Psique mantém o seu nome grego. Eros e Afrodite, por sua vez, são designados pelos seus nomes latinos de Cúpido e Vénus, e Cúpido é mostrado como um jovem adulto em vez de uma criança.
A história conta a luta pelo amor e confiança entre Eros e Psique. Afrodite, ciumenta da beleza da princesa mortal Psique, uma vez que os homens estavam a deixar de irem ao seu altar para venerarem, em vez disso, uma simples mortal, ordenou ao filho Eros, que fizesse com que Psique se apaixonasse pela criatura mais feia da terra. No entanto, Eros apaixona-se por Psique e leva-a para a sua casa. A paz frágil entre os dois é arruinada pela visita das irmãs invejosas de Psique, que fazem com que Psique traía a confiança do marido. Ferido, Eros deixa a mulher, e Psique vagueia pela Terra, à procura do seu amor perdido. Eventualmente aborda Afrodite e pede a ajuda da deusa. Esta impõe uma série de tarefas difíceis a Psique, que a jovem consegue concretizar através de assistência sobrenatural.
Depois de ter conseguido completar as tarefas com sucesso, Afrodite arrepende-se  e Psique torna-se imortal e passará a viver junto com Eros. Juntos têm uma filha, Voluptas ou Hedone (que significa prazer físico, êxtase).






Fontes
wikipédia
http://www.infoescola.com/biografias/eros/
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras2/links/O_banquete.pdf

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...