04/12/2015

Elfos

Os elfos são seres originários da mitologia nórdica e céltica, diferindo nas suas carateristicas, de região para região. Eram
personagens frequentes na literatura medieval europeia, devido ao encanto misterioso que emanam, assim como a um toque de "proibido".
Os mitos dos elfos nunca foram gravados. Homens famosos ou considerados de grande valor podiam ser elevados a elfos após a a sua morte. Foi o que aconteceu com o rei Olaf Geirstad - Elf da Noruega ou o herói ferreiro Völundre, o qual é identificado como "Soberano dos Elfos" (visi Alfa) e "Um entre... , no poema Völundarkvida.
Também existe a crença no cruzamento entre elfos e humanos, como é possível ver na Old Norse, em que uma rainha que tem um amante elfo dá à luz o herói Högni; ou um rei, Helgi, que viola e engravida uma elfa, na saga de Hrolf Kraki. Já na saga de Thidrek, uma rainha surpreende-se ao descobrir que engravidou de um elfo e não de um humano. Entre outros casos.
Originalmente os elfos eram divindades menores da natureza e da fertilidade, dotados de poderes mágicos, com a aparência de homens e mulheres jovens e belos. Viviam nas florestas, cavernas, lagos e fontes. Tinham uma longevidade extremamente longa, podendo mesmo ser dotados de imortalidade, semelhantes a fadas ou ninfas.
Há quem especule e diga que os Vanir e os elfos pertenciam a uma religião nórdica da Idade do Bronze na Escandinávia e que mais tarde teriam sido substituídos pelos /-Esir como deuses principais. Outros, como Georges Dumézil, defendem que os Vanir seriam os deuses dos noruegueses comuns e os /-Esir das castas guerreiras.
Nas mitologias nórdica e céltica os elfos eram chamados de Alfs ou Alfr, também chamados de "elfos de luz". O seu país era Alfheim e era o domínio de Freyr, o deus do sol, em cuja luz estavam sempre a brincar.
No entanto haviam outros elfos, não tão luminosos, feios, negros, de nariz comprido, castanho sujo, que evitavam o sol, pois os raios solares transformavam-nos em pedras.
Nas sagas Thidrek, Hrolf Kraki, Heimskringla e Thorstein os elfos são descritos como semi-deuses.. Nas Norma-Gests báttr eram, igualmente, espíritos incorpóreos e como tal podiam atravessar portas e paredes.
O culto a estas divindades permaneceu, na Escandinávia, muito após a chegada do cristianismo, com a associação dos elfos à fertilidade, ao culto dos antepassados e à força da vida familiar. Era comum fazerem-se oferendas aos elfos de carnes assadas, pão, bolos e frutas, principalmente  na época perto do equinóceo do outono.


Mitologia Nórdica - Islandesa
O mitógrafo e historiador islandês, Snorri Sturtuson faz a distinção entre dois tipos de elfos:
  • os elfos negros (ou elfos da escuridão), os anões.
  • os elfos da luz.
«Há um lugar [no céu] que é chamado o lar dos Elfos [Álfheimr]. Os seus habitantes são chamados de elfos da luz. Mas os da escuridão vivem sob a terra e são diferentes em aparência - totalmente diferentes, na verdade. Os elfos da luz parecem mais brilhantes que o Sol, mas os elfos da escuridão são mais negros que piche.» Snorri, Gylfaginning 17, Edda em Prosa.
Embora na poesia e sagas nórdicas os elfos estejam ligados aos /-Esir, sendo frequentemente comparados aos Vanir (deuses da fertilidade), no Alvissmal ("Os ditos do Conhecimento de tudo"), os elfos são considerados diferentes tanto dos /-Esir como dos Vanir, possivelmente devido a uma distinção de estatuto entre as divindades de fertilidade.
Os poemas compostos por volta de 1020, o Austrfaravisur ("Versos da Jornada para o Leste"), Sigvad Thordarson fala de sacrificio aos elfos, que seria, muito provavelmente, uma oferenda aos deuses, a par com o cristianismo, demonstrando como os os mitos dos elfos estavam (estando ainda na atualidade) enraizados na população e que era mais do que estórias, fazendo parte das crenças religiosas.
Também é de referir que se faziam sacrifícios ou rituais para obter curas, como a Saga de Kormák demonstra, em que é ensinado como fazer um sacrifício aos elfos para curar uma ferida de guerra.

Mitologia Escandinava
No folclore escandinavo praticamente só existem elfas, que vivem em colinas e montes de pedra. As älvor suecas são jovens de beleza extraordinária que vivem com o elfo-rei. Têm vida longa e são de natureza jovial, mas podem ser terríveis caso sejam ofendidas.
Nos contos escandinavos as älvor, geralmente, são responsáveis pelo aparecimento de doenças. As alvablàst ("golpe élfico"), são as mais comuns e menos perigosas, as sarnas ou brotejas, podendo ser curadas com um forte contragolpe (um par de foles serve para isso).
Na Escandinávia acreditava-se que um tipo de petroglifo, os skàlgropar - "moinhos élficos-, eram para uso das elfas, podendo apaziguá-las colocando oferendas, de preferência manteiga, num dos moinhos.
Para se protegerem das elfas malévolas, os escandinavos costumavam grafar a chamada "cruz élfica" em edifícios ou objetos. Haviam duas formas: 
  • Um pentagrama;
  • Uma cruz comum, gravada numa placa de prata redonda forjada durante três tardes com prata de nove fontes diferentes de prata herdada. Em alguns lugares também precisava de ser colocada num altar de uma igreja durante três domingos consecutivos.
As elfas podiam ser vistas a dançar nos prados. Diz a lenda que se um humano observar a dança das elfas, mesmo que só por umas horas, virá a descobrir que se passaram muitos anos no mundo real.
Elas deixam um círculo no local onde estiveram a dançar e acredita-se que urinar sobre esse circulo causa doenças venéreas. Pisá-los ou destruí-los também é perigoso. Geralmente, os círculos élficos são formados por pequenos cogumelos, ou então, por áreas circulares onde a erva foi achatada.


Mitologia alemã
Na Canção dos Nibelungos há um anão que é chamado rei dos elfos, o que contribui para a confusão de que os anões são elfos.
Após o cristianismo os elfos passaram a ser vistos como seres traquinas que causavam doenças às pessoas e ao gado. Também se lhes atribuía a responsabilidade pelos maus sonhos, cuja palavra alemã para pesadelo, Albatraum ("sonho élfico"), o confirma. Acreditava-se que os pesadelos eram causados por elfos que se entavam no tórax a pessoa a dormir. Este aspeto da crença alemã corresponde à crença nos mara e às lendas cristãs sobre incubos e súcubos.

Mitologia inglesa
A palavra elf inicialmente referia-se aos elfos da mitologia nórdica, assim como às ninfas dos mitos gregos e romanos, que foram trazidos pelos monges anglo saxões como aelf.
Os escoceses atribuíam às pontas lascadas no neolítico usos em rituais de cura pelos elfos.
Os tufos de cabelo entrelaçado também eram atribuídos às travessuras dos elfos, assim como paralisias repentinas.
A maioria dos elfos mencionados nas canções medievais inglesas são do sexo masculino e frequentemente de carácter sinistro, inclinados para a violação e assassinato, como o Elf-Knight que raptou a Lady Isabel. A única elfa mencionada com frequência é a Rainha dos Elfos, ou Elfland.
Já nos contos do inicio da Idade Moderna, os elfos são descritos como entidades pequenas, esquivas e travessas, que aborrecem os humanos ou interferem nos seus assuntos. às vezes são considerados invisíveis. Nesta tradição os elfos tornam-se sinónimos de fadas, originárias da antiga mitologia céltica.
Mais tarde a palavra "elf" evoluiu para se referir aos espíritos da natureza na sua generalidade.
William Shakespeare imaginou os elfos pequenos, comparáveis a fadas. Embora Edmundo Spenser tenha dado o nome de elf a seres do tamanho humano, foi a influência de Shakeaspeare e Michael Dayton que prevaleceu.

Mitologia de Tolkien
Os elfos de Tolkien são baseados na mitologia nórdica, mas com elementos cristãos.
Há os bons, livres do mal, e os maus (orcs), feios e pervertidos.
Na mitologia tolkiana, tanto humanos como elfos são filhos de Ilúvatar, mas os elfos são imortais, pelo menos enquanto Arda (o Mundo) existir. Não envelhecem nem morrem mas no caso de serem mortalmente feridos ou sofrerem um grande desgosto, reencarnam nas Mansões de Mandos, em Valinor. Ouvem e vêem muito melhor do que os humanos e são portadores de uma sensibilidade mistica e natural que escapa aos humanos.
Os primeiros elfos ("quendi" são originários de Cuiviénen, no extremo Oeste da Terra Média. Terão surgido Eras antes da ascensão do Sol ou da Lua, no tempo em que as Duas Árvores ainda brilhavam. Foram inicialmente vistos por Oromé, mas os elfos viram primeiro as estrelas e por isso reverenciam Varda Elentári, a "Senhora das Estrelas", acima de todos os outros Valar. Convidados pelos Valar a juntarem-s~e-lhes no Reino Abençoado, os Elfos empreenderam uma longa viagem desde Cuivrénen até à costa Oeste da Terra Média.

Os elfos tolkianos dividem-se em várias raças:
  • Eldar - também chamados Calaquendi, ou Elfos-da-luz. Incluem todos os elfos que partiram para Valinor.
  1. Vanyar: os maiores poetas dos elfos, são louros de olhos azuis e considerados os mais belos. O seu rei é Ingwë, o Rei Supremo dos Elfos. Aprenderam muito com Manwë e Varda.
  2. Noldor: São os mais sábios e habilidosos, com cabelos negros e olhos cinzentos. O seu rei é Finwë e aprenderam muito com Aulè.
  3. Teleri: São grandes marinheiros e cantores. São morenos ou de olhos e cabelos castanhos. Demoraram-se na viagem a Valinor e formam o mais numeroso dos elfos. Os seus reis são Olwë e Elwë, este último conhecido por Thingol, que abandonou a viagem para ficar com Melian, a Maia. Aprenderam muito com Ossè.
  • Moriquendi - elfos da escuridão. São chamados assim os elfos que não aceitaram o convite dos Valor e ficaram na Terra Média:
  1. Avari: são os elfos que se recusaram a ir para Valinor.
  2. Umanyar: Nome dado aos elfos que partiram para Valinor mas não chegaram. Estão incluídos na classe dos Moriquendi, mas não pertencem aos Avari:    
                a)  Eglath ("O Povo Abandonado") - de origem Teleri, eles ficaram na Terra Média à procura de Elwë enquanto os outros partiam para Valinor.
                b)  Sindar ("Os Elfos Cinzentos") - são todos os elfos Teleri que os Noldor encontraram em Beleriand à exceção dos Laiquendi.
                c)  Nandor ("Os que dão meia volta") - elfos de origem Teleri que não quiseram atravessar as Montanhas Nevoentas:
                        §) Laiquendi ("Elfos Verdes") - atravessaram as montanhas azuis e foram morar em Ossiriand.
                        §) Elvos Silvestres: Permaneceram no Vale do Anduin e na Grande Floresta Verde.



Os elfos no pós Tolkien

Atualmente os elfos tendem a ser mostrados como seres mais bonitos e sábios que os seres humanos, com perceções sensoriais superiores a estes, assim como capacidades mágicas. São considerados mais fortes mentalmente que os humanos e, embora fisicamente fossem considerados mais fracos, a fantasia dos jogos de computador tem vindo a modificar essa imagem, colocando-os a par e par ou mesmo mais fortes que os humanos, sendo mostrados como grandes guerreiros.
Também é de referir o mundo élfico trazido por Jean-Louis Fetjaine no final do século XX, principio do século XXI. De compleição mais pequena que os humanos, têm uma emocionalidade e psicologia mais ambígua que os anteriores, tornando-os mais intensos.
Ao contrário da influencia nórdica de Tolkien, Fetjaine influenciou-se na mitologia arturiana.


Notas
Correio da Manhã, 19 de Setembro de 2011

«Islandeses acreditam em elfos e fantasmas

Um estudo sobre superstição na Islândia conclui que um número significativo de cidadãos desse país acredita na existência de Elfos e fantasmas.
Os resultados deste estudo são similares a outro, realizado em 1974 pelo Professor Erlendur Haraldsson.
Terrey Gunnel afirmou que “os islandeses são muito mais abertos para os fenómenos como sonhar com o futuro, pressentimentos, fantasmas e elfos, do que outras nações”, segundo o site ‘Iceland Review’.
Apenas 13 por cento dos participantes do estudo disseram que era impossível a existência de elfos, 19 por cento acham improvável, 37 por cento disse que era possível que os elfos existam, 17 por cento acham provável e oito por cento considera mesmo que existem. Cinco por cento não tem opinião.
Uma maior percentagem admitiu a existência de fantasmas. Apenas sete por cento disse que a sua existência era impossível, 16 por cento disse que era improvável, 41 por cento acredita que seja possível, 18 por cento acha provável, 13 por cento tem a certeza da sua existência e apenas quatro por cento não tem opinião.
Gunnel ficou surpreendido com os resultados, porque a sociedade islandesa mudou desde 1974, quando Haraldsson revelou que os islandeses acreditavam mais em fenómenos sobrenaturais do que outras nações, acreditando que os filmes de Hollywood e o facto das cidades e as casas estarem a ficar velhas e o campo mais misterioso contribuam para estes resultados.
O estudo foi feito em 2006 e 2007 pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da Islândia e patrocinado pelo fundo de pesquisa da Universidade. Participaram cerca de 1000 pessoas nos questionários.
Os resultados ainda não estão completos, pelo que estarão prontos em Dezembro.»



Fontes



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...