01/12/2015

Ciclopes

Os ciclopes (do grego antigo Κύκλωψ, "olho redondo", de κύκλος, transl. kúklos, 'círculo', e ωψς, transl. ṓps, 'olho') eram, na mitologia grega, gigantes imortais com um só olho no meio da testa que, segundo o hino da Calímaco, trabalhavam com Hefesto como ferreiros, forjando os raios usados por Zeus.



Estes gigantes podem ser divididos em dois grupos de acordo com o seu tempo de existência: os ciclopes antigos (ou primeira geração) e os jovens (nova  geração).
Aparecem em bastantes mitos gregos, no entanto, com uma origem controversa. De acordo com a sua origem, os ciclopes estão organizados em três grupos diferentes: os urânios, filhos de Urano e Gaia, os sicilianos, filhos do deus dos mares Poseidon, e os construtores, que provêm do território de Lícia.

Os urânios

Arges, Brontes e Estéropes são considerados os ciclopes mais antigos, filhos de Urano e Gaia. Segundo os mitos antigos, por terem nascido com imenso poder, o pai destes, Urano, senhor dos céus, encerrou-os no interior de Gaia (Terra), juntamente com os irmãos destes, os Hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinquenta cabeças. Gaia, em sofrimento e encolerizada por ter os filhos presos no Tártaro, incita-os a apoiar a guerra travada por cinco dos seis Titãs (também filhos de Urano e Gaia), com o fim de tomar o trono do pai que, à época, governava o céu. Os titãs vencem, mas os ciclopes são enviados de novo para o abismo do Tártaro.
Em certas ocasiões, Zeus, Poseidon e Hades libertaram os ciclopes com a intenção de os ter como aliados na guerra contra Cronos e os Titãs. Os ciclopes, sendo bons ferreiros, forjaram armas de grande poder para Zeus e para os irmãos deste: Zeus recebeu os raios e os relâmpagos, Poseidon, um tridente capaz de provocar tempestades terríveis e Hades, o Elmodo Terror, que lhe dava invisibilidade.
 Mais tarde, quando os ciclopes já eram os ferreiros permanentes de Zeus, o grande deus recebeu uma ameaça no médico Asclépio, filho do deus Apolo. Asclépio, através de muito estudo, conseguiu fazer ressuscitar os mortos. Então, para que este não causasse qualquer impacto com a ordem do mundo, Zeus decidiu exterminá-lo. Transtornado e ofendido com a ira de Zeus sobre o seu filho, Apolo decidiu matar os ciclopes que fabricavam os raios do deus. Há versões que apontam para o facto de não terem sido os próprios ciclopes a morrerem, mas os filhos destes.


Os sicilianos

Esta raça aparece nos poemas homéricos como gigantescos e insolentes pastores fora da lei, os quais habitavam na  Hypereia, conhecida entre os romanos como Sicília. Não se importavam muito com a agricultura e todos os pomares cultivados nestas terras eram invadidos pelos gigantes, quando estes procuravam por alimento, chegando mesmo a alimentarem-se de carne humana. Devido a este motivo, eram considerados como seres que não possuíam leis ou moral, que moravam em cavernas, cada um deles com a sua esposa e filhos, os quais eram disciplinados de forma bastante arbitrária pelos mesmos.
Foi exatamente um desses ciclopes, Polifemo, que Ulisses encontrou quando de sua viagem de regresso à Ítaca, seu lar.
Diz-se que essa nova raça de ciclopes nasceu do sangue do deus Urano que espirrou sobre a Terra, Gaia. Entretanto, Polifemo não era filho de Urano e Gaia, mas de Posidon com a ninfa Teosa
Homero ressalta ainda que, os ciclopes descritos nos seus poemas já não serviam Zeus, desrespeitando-o.


Outros mitos sobre os sicilianos

Segundo Virgílio e Eurípedes, os ciclopes eram assistentes de Hefesto e trabalhavam dentro dos vulcões junto com o deus, tanto no monte Etna, na Sicília, como noutras ilhas mais próximas. Os dois autores não os descreviam como pastores, mas como ferreiros que trabalhavam para os deuses e heróis, forjando as armas destes. O poder dos ciclopes era tão grande que a Sicília, e outros locais próximos, conseguiam ouvir o som das suas marteladas  quando os gigantes se encontravam a trabalhar na forja. Acredita-se que o número de ciclopes tenha aumentado, segundo os poetas, e que a sua moradia tenha sido remanejada para a parte sudeste da Sicilia.
Existe, ainda, um mito sobre os ciclopes mais jovens, ou nova geração. Estes ciclopes eram, igualmente, gigantes com apenas um olho, no entanto, diferentes das raças anteriores.

Terceira geração

Existe ainda uma terceira geração de ciclopes, os quais são designados de construtores, provenientes do território da Lícia. Estes detinham grande poder físico, mas não eram violentos. Os seus trabalhos eram muito pesados, sendo impossível para qualquer humano realizá-los com a mesma facilidade. Pensa-se que estes ciclopes terão sidos os responsáveis pela construção das muralhas de Tirinto e Micenas.



Fonte: wikipédia


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