01/12/2015

Caos

Do grego Khaos, refere-se à forma informe e vazia que precedeu a criação do universo ou cosmos nos mitos de Criação Gregos, ou o espaço inicialmente criado aquando da separação do céu e da terra.
No grego significa "vácuo, grande vazio, abismo", do Proto-Indo-Europeu *ǵheh2n,. Também pode significar espaço, a expansão do ar, e o abismo inferior, a escuridão infinita.
Férecides de Siros (século IV a.C.) interpretou o caos como água, como algo sem forma que pode ser diferenciado.
Hesíodo e os Pré-Socráticos usaram o termo no contexto da cosmologia . O "caos" de Hesíodo tem sido interpretado como uma massa sem forma, em movimento, que o cosmos e os deuses originaram, ou então como creatio ex-nihilo. Segundo Hesíodo a origem deveria ser indefinida e indeterminada, e representa desordem e escuridão. A palavra Caos tem sido relacionada ao termo tohu wa-bohu, do Génesis 1:2, que descreve a condição antes de Deus dizer "Que se faça luz". O termo pode referir-se a um estado de não-ser antes da criação ou a um estado sem forma. No Livro dos Génesis, o espírito de Deus move-se sob a face das águas, e o estado inicial do universo é como "caos aquoso".
Dos usos da palavra caos na Teogonia, na criação  a palavra refere-se a "uma lacuna no vazio" que dá origem ao nascimento do céu, mas mais tarde a palavra refere-se à lacuna entre a terra e o Céu, após a separação destes. Pode ser encontrado um paralelo no Génesis. No início Deus cria o céu e a terra. A terra "não tem forma e é vazia" (tohu wa-bohu), e mais tarde Deus divide as águas debaixo do firmamento das águas sob o firmamento, e chama ao firmamento "céu".
De qualquer forma, o termo caos tem sido adoptado nos estudos religiosos como referindo-se ao estado primordial antes da criação, combinando de forma estrita as noções de águas primordiais ou escuridão primordial da qual emerge uma nova ordem e um estado primordial de opostos, como o céu e a terra, que têm de ser separados por uma divindade criadora num acto  de cosmogonia. Em ambos os casos, o caos refere-se a uma noção de um estado primordial que contem o cosmos in potentia  mas que precisa de ser formado por um demiurgo antes de o mundo poder começar a existir.
Este modelo de estado primordial de matéria passou a estar em oposição às noções dos Pais da Igreja, a partir do século II, que defendem a criação ex nihilo por um Deus omnipotente.
Nos estudos bíblicos modernos, o caos é usado geralmente no contexto da Torah e de forma mais generalizada, nas narrativas cognatas da mitologia do Antigo Médio Oriente. H. Gunkel, em 1910, estabeleceu paralelos entre o Génesis Hebreu e os Enuma Elish Babilónicos.


Na Teogonia de Hesiodo, "caos" é uma condição divina primordial, que é a origem dos deuses e de todas as coisas. Segundo Hesíodo a origem deveria ser indefinida e indeterminada, e pode representar um espaço infinito, ou matéria sem forma. A noção de infinidade temporal era familiar ao pensamento grego desde a antiguidade remota no conceito religioso da imortalidade. Esta ideia do "divino" como uma origem, influenciou os primeiros filósofos gregos.

Chaoskampf

O tema do Chaoskampf (em alemão "a luta contra o caos") é omnipresente nos mitos e lendas, retratando uma batalha de um herói ou divindade contra um monstro caótico, cuja forma é muitas vezes a de uma serpente ou um dragão. O mesmo termo estendeu-se aos seus paralelos nas religiões do Antigo Médio Oriente, como um conflito abstracto de ideias na dualidade egípcia de Maat e Isfet.
As origens do mito 'Chaoskampf? terá tido a sua origem mais provável nas religiões Proto-Indo-Europeias cujos descendentes mostram quase todos alguma variação do mito de um deus da tempestade a lutar contra uma serpente do mar, em representação do conflito entre as forças do bem e do mal.
Os primeiros trabalhos dos académicos alemães na mitologia comparada popularizada traduziu a serpente do mar mitológica como um "dragão". Exemplos Indo-Europeus desta mitologia incluem Thor vs Jörmungandr (Nórdica), Tarhunt vs. Illuyanka (Hitita), Indra vs Vritra (Védica), Θraētaona vs. Aži Dahāka (Avéstica) e Zeus vs Tifão (Grego), entre outras.
Este mito acabou por ser transmitido inicialmente às religiões do Antigo Médio Oriente  muito provavelmente através do contacto com os Hititas nas regiões da Siria e Crescente Fértil. O mito terá então sido integrado nos mitos Sumérios e Acadianos como as provações de Ninurta, antes de se disseminar ao resto da região do Antigo Médio Oriente. Podem ser encontrados exemplos de mitos de deuses da tempestade contra uma serpente marinha em Ba'al vs Yam (Cananita), Marduk vs Tiamat (Babilónio), Ra vs Apep (Egipcio) e Yahweh vs Leviatã (Judaico), entre outros.
Existem indícios que sugerem a possível transmissão deste mito a regiões tão longiquas  quanto o Japão e Xintoísmo como é visível na estória de Susanoo vs Yamata no Orochi, muito provavelmente através da influencia budista.
Eventualmente o Chaoskampf viria a ser herdado por descendentes destas antigas religiões, muito notavelmente pelo cristianismo.  Exemplos do mito incluem Santo Jorge contra o Dragão assim como Santo Miguel contra o Demónio. De forma mais abstracta, alguns aspectos  da crucificação de Jesus.

Influência na filosofia grega

Na Teogonia de Hesiodo, "caos" é uma condição divina primordial, que é a origem dos deuses e de todas as coisas. Segundo Hesíodo a origem deveria ser indefinida e indeterminada, e pode representar um espaço infinito, ou matéria sem forma. A noção de infinidade temporal era familiar ao pensamento grego desde a antiguidade remota no conceito religioso da imortalidade. Esta ideia do "divino" como uma origem, influenciou os primeiros filósofos gregos. O principal objecto dos primeiros esforços para explicar o mundo, permaneceu a descrição do seu crescimento a partir de um princípio.Acreditavam que o mundo havia emergido a partir de uma unidade primeira, e que esta substancia era a base permanente para todos os seus seres. Parece que Anaximandro foi influenciado pelos conceitos tradicionais populares e pelo pensamento de Hesíodo, quando defende que a origem é "apeiron" ( o ilimitado), uma substancia divina e perpétua menos definida que os elementos comuns. Tudo é gerado a partir do apeiron, e deve retornar a ele de acordo com a necessidade. Uma concepção popular da natureza do mundo, era a de que a terra abaixo da superfície estendia-se para baixo indefinidamente e tinha as raízes no, ou em cima, do Tártato, a parte inferior do submundo. Numa frase de Xenofanes "O limite superior da terra faz fronteira com o ar, perto dos nossos pés. A parte inferior chega abaixo ao 'apeiron' (i.e. ao ilimitado)". Algumas passagens na Teogonia, entre as v. 734-819, são provavelmente adições ao texto original. As origens e os limites da terra, do mar, do céu, do Tártaro e de todas as coisas estão localizadas numa grande fenda ventosa, que parece ser infinitae que é uma especificação tardia do "caos".  Foi dito algumas vezes que o Caos Primordial foi a verdadeira fundação da realidade, principalmente por filósofos como Heráclito.

Na tradição grego-romana

Para Hesíodo e os primeiros mitos gregos Olimpianos (sec.VIII a.C.), o Caos foi a primeira das divindades primordiais, seguido pela Terra (Gaia), pelo Tártaro e por Eros (Amor). Do Caos veio o Érabo e Nix.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...