19/12/2015

Batalha de Estalinegrado

A batalha de Estalinegrado (23 de Agosto de 1942 a 02 de Fevereiro de 143) foi uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial, na qual a Alemanha Nazi e os seus aliados lutaram contra a União Soviética pelo controlo da cidade de Estalinegrado (atual Volgogrado), no sudoeste da União Soviética.
Apesar da falta de recursos e efetivos do exército alemão, depois do fracasso da invasão da União Soviética em 1941, Hitler insistiu na estratégia de defesa, numa tentativa de consolidar os avanços que efetuara, tendo desistido de conquistar a vastidão territorial que era a URSS, mas criando uma linha defensiva natural do Báltico ao Mar Negro. Mas o problema da falta de recursos continuava a colocar-se, e assim, a investida no sul, nos campos de petróleo do Cáucaso era algo que se lhe mostrava natural, logo as divisões alemãs eram forçadas a atravessar o Volga.
A 28 de Junho, Bock fez o seu primeiro movimento, lançando o IV Exército Panzer contra Voronezh, importante cidade no sistema lateral de comunicação soviético, 
situada atrás da linha de frente. Dois dias depois, colocou o VI Exército em movimento, dirigindo-o para Nordeste, contra o mesmo alvo, visando formar um bolsão centralizado em Stary Oskol, onde os VI, XI e XXI exércitos soviéticos ficariam cercados.
No entanto,  o marechal Timoshenko, que comandava o setor, dificultou a vida aos alemães, até porque tinha acesso a informações privilegiadas sobre os planos nazis. De facto, a 19 de Junho, o oficial  de operações da XXII Divisão Panzer, major Reichel, fez uma aterragem forçada perto das linhas russas. Reichel tinha consigo alguns documentos, incluindo os objetivos para a primeira fase da ofensiva, que caíram nas mãos dos russos.
As forças soviéticas conseguiram travar a ofensiva de Bock, que foi demitido, enquanto as divisões de Timoshenko conseguiram recuar sem ser praticamente importunadas e aniquiladas, como pretendia o Alto Comando Nazi.

Hitler, desconfiando da habilidade estratégica dos seus generais, decidiu assumir o comando das operações e ordenou ao Grupo de Exércitos do Sul que se dividisse em dois - um deveria avançar para o Cáucaso e o outro encarregar-se-ia da travessia do Volga.
Naquilo que se viria a mostrar ser um grande erro, Hitler ordenou, a 13 de Julho, que o IV Exército Panzer, que avançava sobre Estalinegrado, se desviasse para Sudoeste, a fim de ajudar o I Exército Panzer de Kleist na tomada de travessia sobre o Baixo Don, a leste de Rostov. Mas Kleist não precisava de qualquer ajuda, pois naquele mesmo dia o Stavka (Alto Comando soviético) ordenou uma retirada geral da Frente Sul sobre o Don. O comandante do IV Exército recebeu então novas instruções - deveria ir para Estalinegrado, depois de ter esgotado tempo e reservas para nada.
O Exército Vermelho não ficara passivamente à espera e reforçara as defesas de Estalinegrado, cidade-símbolo da URSS e do seu ditador, um gigante industrial que se estendia por 40 km ao longo da margem ocidental do Volga.
Nesta cidade viviam cerca de 600 mil pessoas, basicamente operários em grandes fábricas, como a siderúrgica "Outubro Vermelho", a fábrica de material bélico "Barricadas" e a Fábrica de Tractores, que se enfileiravam ao longo do rio, no sector Norte da cidade. O Volga tem ali 1.500 metros de largura. A margem, muito recortada, abriga numerosas cavernas. No interior da cidade salientam-se várias colinas de pequena altitude, uma das quais, a Mamayev Kurgan (Túmulo de Mamay), com os seus 110 metros de altura, oferece excelente panorama de todo o centro. Embora não houvesse pontes sobre o rio, existiam grandes barcaças ferroviárias e rodoviárias.
Os soviéticos atribuíram tal importância à defesa de Estalinegrado que todo o sector passou a ser designado por "frente", inicialmente chefiada por Timoshenko, depois substituído por Gordov, um dos homens da nova geração do alto oficialato representado por Zhukov.
Os alemães, por sua vez, seguindo as instruções de Hitler, organizaram o Grupo de Exércitos B para capturar a cidade. A enorme formação dispunha de três subgrupos - o Norte, formado por duas divisões Panzer; o Central, com três divisões; e o Sul, com seis divisões. Existia ainda o VI Exército, que deveria varrer tudo no seu caminho.
Para a execução desse plano, o comandante-chefe do Grupo de Exércitos B, coronel-general Freiherr von Weichs, tinha uma força total equivalente a 30 divisões - embora menos de dois terços destas fossem alemãs - e mais de 1.200 aviões, superando numericamente as forças soviéticas na curva do Don na proporção de dois para um. Contudo, para uma operação defensiva, essa proporção não era desesperadamente desfavorável para os comandantes soviéticos.
Porém, os nazis esmagaram de forma relativamente rápida as divisões comandadas por Gordov, que foi prontamente substituído pelo coronel-general Andrey Yeremenko, de apenas 39 anos de idade e um dos favoritos de Estaline.
O novo responsável pela frente recebeu instruções precisas do ditador: parar os alemães e, depois, lançar um contra-ataque através do Don. Yeremenko partiu sem demora para Estalinegrado, onde foi recebido pelo responsável local da propaganda soviética, o comissário Nikita Khrushchev, que mais tarde se viria a tornar no homem-forte da URSS. O novo comandante não demorou a dar provas do seu valor, parando, a 9 de Agosto, um ataque lançado pelos blindados de Hoth no flanco sul da cidade. Hitler começou a mostrar nervosismo e disse aos seus generais que tinham 15 dias para atravessar o Volga. Assim, Paulus recebeu instruções para atacar pelo norte com o VI Exército, enquanto Hoth, à frente do IV Exército, investiria novamente pelo sul.
Nos dias que antecederam a grande ofensiva alemã, Estalinegrado foi duramente castigada pela Luftwave, que dispunha de total supremacia aérea na região. Contudo, o facto de grande parte da cidade ter ficado reduzida a escombros acabou por favorecer os defensores, que transformaram as ruínas em fortalezas. Paulus começou por lançar uma coluna de uma centena de tanques, apoiada por infantaria e pela aviação, em direção a Estalinegrado, ao mesmo tempo que Hoth investia no flanco oposto.
Andrey Yeryomenko
A resposta de Yeremenko foi rápida, mas as colunas alemãs aproximaram-se rapidamente da cidade, a ponto de os responsáveis das grandes fábricas terem pedido autorização para destruir a maquinaria pesada, hipótese que foi prontamente recusada pelo general soviético. No entanto, os defensores encontravam-se numa situação desesperada, pois para além das investidas terrestres tinham de enfrentar centenas de bombardeiros inimigos. Em poucas horas, havia milhares de civis mortos e a cidade fora praticamente destruída. Tudo tinha sido calcinado, inclusive o asfalto das ruas, a ponto de os cães, num espectáculo inesquecível, terem optado por se lançar ao Volga para escaparem ao braseiro.
No dia 24, as tropas de assalto de Paulus lançaram-se à conquista das ruínas, mas foram recebidas por uma chuva de aço que rapidamente os fez recuar. Obrigado a marcar passo no Norte, o VI Exército tentou abrir caminho pelo Oeste, mas as tropas alemãs foram novamente detidas pelos seus adversários que começaram a dar provas de uma combatividade a toda a prova.
Num dos sectores, um pelotão de 30 homens da XLVII Divisão de Fuzileiros foi cercada por uma coluna de 70 blindados. Durante dois dias, bateram-se apenas a tiro e com "cockteils Molotov", obrigando o inimigo a recuar e a deixar no terreno as carcaças de 27 tanques.
Depois de travar, embora parcialmente, as investidas alemãs, Yeremenko teve tempo para respirar e começar a preparar o contra-ataque que tanto desejava, até porque do outro lado do Volga alinhavam-se algumas divisões soviéticas.
Foram lançadas algumas investidas através do Don, rapidamente travadas pelos nazis. No sector sul, contudo, os alemães não registavam quaisquer progressos, o que obrigou Hoth a deslocar o seu exército para sudoeste, mas precisava da ajuda de Von Paulus para poder explorar esse êxito e avançar para Estalinegrado. O comandante do VI Exército, contudo, receava novos contra-ataques soviéticos no norte e no oeste e não se mexeu, para desespero de Hoth, que via escapar-se uma oportunidade de ouro para conquistar a cidade. Yeremenko aproveitou então para romper o contacto com o IV Exército e ordenou às tropas que defendiam o sector sul que recuassem.
A cidade oferecia agora um quadro terrível de destruição. Das estepes situadas a dezenas de quilómetros de distância eram visíveis os incêndios que ardiam em Estalinegrado. Do ponto de vista militar, o pior era que as barcas que cruzavam o Volga, agora o único meio de manter o abastecimento das forças soviéticas, estavam sob bombardeamento constante, não só por aviões mas também por artilharia. À noite, os alemães iluminavam o rio com foguetes, criando maiores dificuldades para o comando soviético, que já fora obrigado a abandonar quase que inteiramente os transportes diurnos. De uma forma ou de outra, porém, o fluxo de munições, alimentos e reforços continuou a chegar.
A 2 de setembro, a situação dos defensores era de tal forma difícil que Yeremenko recebeu a visita de Zhukov. As tropas de Paulus estavam apenas a três quilómetros da cidade. Zhukov ordenou de imediato um vigoroso contra-ataque ao norte, através do Don, de forma a aliviar o torniquete, pois viu-se forçado a deslocar parte das suas forças
O contra-ataque ordenado por Zhukov concedeu apenas um ligeiro compasso de espera aos defensores, que começavam a dar mostras de fraquejar devido ao facto de estarem há tantas semanas expostos aos mais duros combates.
Yeremenko procurou injetar novo fôlego e, a 12 de setembro, nomeou um dos seus mais valorosos lugares-tenentes, o general Chuikov, como comandante da guarnição.
Chuikov era um estudioso das táticas alemãs. Depressa  percebeu que os nazis evitavam o combate próximo, pois as tropas de assalto precisavam de coordenar a sua ação com a Luftwaffe. Dessa forma, ordenou às suas divisões que se mantivessem o mais próximo possível dos inimigos. A partir de então, a aviação alemã não podia continuar a flagelar os soviéticos sem o risco de atingir as suas próprias forças. Paulus, fortemente pressionado por Hitler, continuava a investir contra a cidade, conquistando metro após metro e privando os soviéticos de posições vitais. As grandes fábricas, como a "Barrikady" e a "Outubro Vermelha", continuavam porém a resistir, defendidas por soldados e operários.
Em meados de setembro, os alemães consideraram a captura de Estalinegrado como um dado adquirido. O que restava das tropas de Chuikov combatia a pouca distância do Volga. O general soviético, contudo, sabia que se aguentasse mais uns dias receberia reforços importantes, com os quais poderia lançar um contra-ataque. Essas tropas chegaram efetivamente, mas muitos dos soldados que conseguiram atravessar o Volga nem sequer dispunham de armas. Os novos efetivos foram de imediato lançados na fornalha e conseguiram deter o que parecia ser o ataque final. Os combates atingiram tal violência que, em apenas cinco dias, a estação ferroviária mudou 15 vezes de mãos. Outro cenário de ferocidade foi a colina Mamayev Kurgan, que dominava a cidade. A luta foi ali de tal forma que o calor libertado pelas sucessivas explosões não permitiu que a zona se cobrisse de neve. 
Com a chegada gradual de reforços, Chuikov conseguiu manter as poucas posições  ainda em seu poder. Paulus patinhava, enquanto Yeremenko continuava a lançar contra ataques através do Don, procurando aliviar a pressão dos defensores da cidade. Em Berlim, Hitler encontrava-se furioso, até porque a investida contra o Cáucaso também não corria nada bem. O ditador não aceitou as justificações dos seus generais e substituiu o comando, destituindo Halder e nomeando para seu lugar o subserviente Zeitzler. Von Paulus enviou um telegrama ao Fuhrer, congratulando-o pela sua decisão, e ficou a saber que o seu nome começava a ser uma forte hipótese para a chefia do Estado-Maior-General, em substituição de Jodl. Em troca, teria "apenas" de conquistar Estalinegrado.
O que os alemães ignoravam era que tinham concedido demasiado tempo a Zhukov, que tinha preparado uma gigantesca contra-ofensiva. O marechal soviético aproveitara o compasso que lhe fora concedido no sector Centro (zona de Moscovo) e retirara para a retaguarda divisão atrás de divisão. O Estado Maior nazi sabia que essas tropas estavam de reserva e esperava um contragolpe no Centro, mas Zhukov planeava usar essas forças no sul, na zona de Estalinegrado, onde, através de um movimento de pinças, planeava destruir os IV e VI exércitos, para além dos aliados que protegiam os flancos - romenos, italianos e húngaros.
No outono de 1942, Chuikov recebeu como reforços 10 divisões, o que permitiu que o seu LXII Exército continuasse a fazer frente a Paulus e Hoth, mas Zhukov manteve na margem oposta 27 divisões, capazes de intervir a qualquer momento. Zhukov, ao mesmo tempo, reestruturou o comando, passando Yeremenko (o comandante da frente) a repartir tarefas com o general Rokossosky, enquanto Valukin foi encarregado das tropas que enfrentavam o IV Exército de Hoth. Paulus, ignorando os planos soviéticos, desfechou a 14 de outubro uma nova investida para empurrar o seu adversário para lá do Volga. O general alemão sabia que o Inverno estava a chegar e, por outro lado, desejava regressar a Berlim o mais depressa possível para disputar a chefia do Estado-Maior a Jodl.


Durante alguns dias, a posição de Chuikov continuou a ser pouco mais do que desesperada - as tropas soviéticas defendiam apenas uma estreita-cabeça-de ponte e combatiam a escassos metros do Volga. Nunca os alemães estiveram tão certos de tomar Estalinegrado. Combatia-se agora à pistola e à granada, em pequenos grupos que se atiravam literalmente à garganta uns dos outros. A linha da frente não era agora medida em metros, mas em andares - os alemães ocupavam o rés do chão e os russos o primeiro andar. Cada ruína era uma fortaleza. A ofensiva de Paulus seria travada, mas o que restava da cidade transformara-se num imenso cemitério, com dezenas de milhar de mortos de ambos os lados em poucos dias. A 30 de outubro, o ataque foi cancelado, mas os soviéticos conservavam agora apenas um décimo de Estalinegrado.
A norte, no Don, Zhukov ultimava os preparativos para a contra-ofensiva. Conseguira reunir sete exércitos, com uma força de mais de um milhão de homens, equipados com 13.500 canhões, 900 tanques e 1.115 aviões. Os soviéticos não ignoravam que, se lançassem essa força diretamente contra os IV e VI exércitos  alemães, teriam de enfrentar um inimigo temível, motivo porque foi decidido atacar os flancos, protegidos pelos III e IV exércitos romenos e pelo VIII italiano, mal equipados e desmoralizados.
O último esforço do VI Exército de Paulus foi feito a 11 de novembro, lançando  nove divisões contra a cabeça-de-ponte soviética, mas esse ataque durou apenas 24 horas, porque findo esse período os alemães estavam a marcar passo, sendo mesmo obrigados  a enfrentar um duro contra-ataque de Chuikov, que foi informado por Yeremenko que a grande ofensiva de Zhukov estava iminente.
Na manhã de 19 de novembro, o III exército romeno foi despertado por uma tempestade de fogo. Quando os canhões se calaram, vaga após vaga de infantaria, apoiada pelos temíveis T-34, lançou-se ao assalto do flanco norte que protegia o VI Exército de Paulus. Em pânico, os romenos lançaram-se numa fuga desordenada e em breve as divisões de Zhukov colocaram-se atrás das tropas alemãs. Nove dias depois, as tropas de Yeremenko  atacavam pelo sul, fechando Paulus e Von Hoth numa ratoeira mortal.
Em Berlim, a surpresa foi total.Alguns generais do Estado-Maior propuseram que os IV e VI exércitos fizessem uma investida em força para sair do cerco, o que era mais do que possível, pois as posições soviéticas não estavam ainda devidamente consolidadas. Paulus, em posição mais desfavorável do que Hoth, informou que não tinha munições e alimentos para mais do que uma semana. Hitler vacilou, mas o comandante da Luftwaffe, Hermann Goering, assegurou que a Força Aérea era perfeitamente capaz de abastecer os sitiados durante todo o Inverno. O ditador tomou então uma decisão - o VI tinha de resistir até à Primavera, altura em que uma contra-ofensiva permitiria o fim do cerco.
Para o VI Exército a questão era outra. Hoth não era Paulus e não precisava pedir licença ao Fuhrer para salvar os seus homens. De uma forma ordenada, retirou combatendo, juntando o que restava das suas colunas blindadas às posições alemãs. Ousado, lançou-se ainda em direção a Estalinegrado, tentando estender a mão ao VI Exército, mas Paulus, mais uma vez, não se mexeu. Hoth, ameaçado pelas divisões soviéticas, foi forçado a recuar e os sitiados ficaram entregues à sua sorte.
Goering foi incapaz de cumprir a promessa. Durante três meses, os 330 mil homens provaram do mesmo remédio que, desde o Verão, tinham dado a tomar aos defensores de Estalinegrado. Constantemente bombardeados, mortos pelo frio e pela doença, os homens de Paulus resistiram até ao fim de Janeiro, sendo forçados a capitular. No fim, após uma resistência inútil, restava apenas um quarto das tropas.
A batalha durou cinco meses, uma semana e três dias.



Background histórico

Aquando da primavera de 1942, e apesar do falhanço da Operação Barbarossa de derrotar de forma decisiva a União Soviética numa única campanha, a guerra estava a correr bem para os alemães: a ofensiva dos U-Boat no Atlântico teve bastante sucesso e Rommel tinha acabado de capturar Tobruk. No Leste, tinham estabilizado a frente numa linha que ia de Leninegrado, no norte, até Rostov, no sul. Havia uma série de saliências na linha onde as ofensivas soviéticas tinham empurrado os alemães (notavelmente a noroeste de Moscovo e a sul de Kharkov) mas estas não eram particularmente ameaçadoras. Hitler estava confiante de que conseguiria derrotar o Exército Vermelho após o inverno de 1942, porque apesar de o Grupo de Exércitos Central (Heeresgruppe Mitte) ter sofrido bastante no Moscovo ocidental no inverno anterior, 65% da infantaria do Grupo não se tinha envolvido e tinha descansado e sido reequipada. Nem o Grupo do Exército do Norte nem o Grupo do Exército do Sul tinham sofrido grandes pressões durante o inverno. Estaline estava à espera do primeiro impulso dos alemães ser durante o verão, novamente contra Moscovo.
Os alemães decidiram que a sua campanha de verão de 1942 seria direccionada para as partes sul da União Soviética. Os objectivos iniciais na região à volta de Estalinegrado eram os de destruir a capacidade industrial da cidade e a mobilização das forças para bloquear o rio Volga. O rio era uma chave principal das rotas entre os mares Caucasso e Cáspio para a Rússia Central. A sua captura iria interromper o tráfico comercial do rio. Os alemães cortaram o oleoduto dos campos de petróleo quando capturaram Rostov a 23 de julho. A captura de Estalinegrado iria fazer com que a entrega dos abastecimentos do Empréstimo e Arrendamento (Land Lease) através do Corredor Persiano se tornasse muito mais dificil. 
Inicialmente as operações alemãs tiveram bastante sucesso. A 23 de julho de 1942, Hitler, pessoalmente, reescreveu os objectivos operacionais para a campanha de 1942, expandindo-os bastante de forma a incluir a cidade de Estalinegrado. Ambos os lados começaram a fazer propaganda de forma a valorizar a cidade, com base no facto de o nome desta provir do nome do líder da União Soviética. Assumiu-se que a queda da cidade iria assegurar de forma segura os flancos norte e ocidental dos exércitos alemães à medida que avançavam em Baku, com o objetivo de assegurar os recursos petrolíferos estratégicos para a Alemanha. A expansão dos objetivos foi um factor significativo para a falha alemã em Estalinegrado. Era baseada numa espécie de febre de vitória, e subestimou as reservas soviéticas.

Prelúdio

«Se eu não conseguir o petróleo de Maikop e Grozny então eu devo acabar [liquidieren; mata, liquidar] esta guerra.»
O Grupo do Exército do Sul foi selecionado para uma frente de primavera através das estepes do sul da Rússia até ao Cáucaso, para capturar os campos de petróleo existentes na região. A ofensiva de verão planeada foi nomeada de Fall Blau (Plano Azul). Incluia os exércitos alemães Panxer I, IV, VI e XVII. O Grupo de Exército do Sul tinha derrotado a República Socialista Soviética Ucraniana em 1941. Estabeleceu-se na Ucrânia do Leste para liderar a ofensiva.
No entanto, Hitler interviu, ordenando ao Grupo do Exército para se dividir em dois. O Grupo do Exército do Sul (A), sob o comando de Wilhelm List, iria continuar a avançar a sul em direção ao Cáucaso, como planeado, co o XVII Exército e Primeiro Exército Panzer. O Grupo do Sul (B), que incluia o VI Exército de Friedrich Paulus e o IV Exército Panzer de Hermann Hoth, deslocar-se-ia para Este para o Volga e Estalinegrado. O Grupo do Exército B era comandado inicialmente pelo Marechal de Campo fedor von Bock e mais tarde pelo General Maximilian von Weichs.
O começo do Plano Azul tinha sido planeado para ter começo no final de Maio de 1942. No entanto, um conjunto de unidades alemãs e romenas que iriam tomar parte no Blau, estavam a ser usadas no cerco de Sevastopol, na Península da Crimeia. Os atrasos em conseguir acabar com o cerco, fizeram com que o Blau fosse adiado várias vezes, e a cidade só caiu no final de junho. Entretanto, deu-se uma ação mais pequena, ao comprimir uma saliencia soviética na Segunda Batalha de Kharkov, que resultou no envolvimento de uma grande força soviética a 22 de maio.
O Blau finalmente começou com o Grupo do Exército do Sul a iniciar o seu ataque no sul da Rússia a 28 de junho de 1942. A ofensiva alemã teve um bom início. As forças soviéticas ofereciam uma resistência fraca nas vastas estepes e começaram a transferirem-se para leste. Foram efetuadas diversas tentativas para restabelecer uma linha defensiva que falharam quando as unidades alemãs os flanquearam. Formaram-se duas grandes bolsa, que foram destruídas: a primeira, a nordeste de Kharkov, a 2 de julho, e uma segunda, à volta de Millerovo, Rostov Oblast, uma semana depois. Entretanto, o 2º Exército Hungaro e o IV Exército Panzer alemão lançaram um assalto a Voronezh, capturando a cidade a 5 de julho.
O avanço inicial do VI Exército teve tal sucesso que Hitler interviu e ordenou ao IV Exército Panzer para se juntar ao Grupo do Exército do Sul (A), a sul. O resultado foi um engarrafamento quando tanto o IV Panzer quanto o I Panzer precisaram das poucas estradas existentes na área. Ambos os exércitos ficaram parados enquanto se tentava organizar a passagem dos mesmos. O atraso foi longo, e pensasse que custou uma semana de avanço. Com um avanço vagaroso, Hitler mudou de ideias e deu ordens para o IV Exército Panzer voltar a Estalinegrado.
Pela altura dos finais de julho, os alemães tinham empurrado os soviéticos para além do rio Don. Neste ponto, os rios Don e Volga tinham uma distância entre si de apenas 65 km, e os alemães deixaram os seus abastecimentos principais em depósitos a oeste do Don, o que viria a ter implicações importantes no futuro curso da batalha. Os alemães começaram a usar os exércitos dos seus aliados italianos, húngaros e romenos para guardar o seu flanco norte. Nos comunicados oficiais alemães, os italianos tinham ganho vários louvores. Mas na realidades, eram muitas vezes tidos em pouca conta pelos alemães, e foram mesmo acusados de cobardia e baixa moral, o que não correspondia propriamente à verdade, uma vez que as divisões italianas lutaram relativamente bem, com as 3ª Divisão de Infataria de Montanha Ravenna e a 5ª Divisão de Infantaria Cosseria a provarem terem boa moral, de acordo com um oficial de ligação alemão e só foram obrigados a retirar após um ataque massivo blindado no qual os reforços alemães tinham falhado em chegar a tempo. De facto, os italianos distinguiram-se em numerosas batalhas, como por exemplo na batalha de Nikolayevka.
O VI Exército Alemão estava a apenas algumas dúzias de quilómetros de Estalinegrado, e o IV Exército Panzer agora a sul destes, deram a volta para norte para ajudar a tomar a cidade. A sul, O Grupo de Exército A estava a entrar longe para dentro do Cáucasso, mas o avanço abrandou à medida que as linhas de abastecimento ficavam cada vez mais afastadas. Os dois grupos de exército não estavam posicionadas de forma a apoiarem-se, devido às grandes distancias envolvidas.
Após as intenções dos alemães se terem tornado claras em julho de 1942, Estaline nomeou o Marchal Andrey Yerymenko como comandante da Frente Sudeste a 1 de agosto de 1942. Yeremenko e o Comissário Nikita Khrushchev foram incumbidos com o planeamento da defesa de Estalinegrado. A fronteira oriental de Estalinegrado era o amplo rio Volga, tendo sido colocadas unidades soviéticas adicionais para além do ro. Estas unidades tornaram-se o recém formado 62º Exército, que Yeryomenko colocou sob o comando do Tenente General Vasili Chuikov a 11 de setembro de 1942.  A situação era extremamente má. Quando lhe foi perguntado como interpretava a tarefa, respondeu: «Nós vamos defender a cidade, ou morrer a tentar.» A missão do 62º Exército era de defender Estalinegrado a todo o custo. A liderança de Chuikov durante a batalha garantiu-lhe uma das suas duas medalhas de Herói da União Soviética.

As Forças

Para a pinça do Norte, ao longo do Don, Hitler tinha o IV Exército Panzer (coronel-general Hermann Hoth) e o VI Exército (coronel-general Paulus); para a pinça Sul, o I Exército Panzer (Kleist) e o XVII Exército (coronel-general Richard Ruoff), enquanto que o XI Exército (coronel-general Erich von Manstein) também estaria disponível assim que tivesse conquistado a Crimeia e a fortaleza de Sebastopol.
Bock contava ainda com forças auxiliares, nomeadamente os III e IV exércitos romenos, o VIII italiano e o II húngaro; assim, o total das forças atingia 89 divisões, nove delas blindadas. 
No começo de Maio de 1942, as forças soviéticas no flanco Sul consistiam em 78 divisões (14 de cavalaria) e 17 brigadas de tanques.  Contudo, esses números devem ser interpretados com um certo cuidado:
  1. Em primeiro lugar, uma divisão soviética, com todos os seus efetivos, tinha apenas dois terços ou três quartos da divisão alemã; 
  2. em segundo, em todos os aspetos, exceptuando a coragem pessoal, o soldado de infantaria soviético e os seus oficiais subalternos não eram iguais aos alemães; 
  3. em terceiro as tácticas soviéticas ainda eram estereotipadas e lentas; 
  4. em quarto, as forças blindadas soviéticas não tinham a experiência dos alemães em penetração profunda (exploração do sucesso).
É de notar ainda que mesmo o facto de os soviéticos disporem de melhores blindados, designadamente o T-34, não significava uma vantagem face às divisões blindadas alemãs, cujos oficiais sabiam tirar um proveito sem igual dos seus veículos, dado que tinham grande experiência de combate e conhecimentos muito superiores de logística e comunicações.

Ataque a Estalinegrado

A 23 de Agosto o VI Exército Alemão chegou à periferia de Estalinegrado em perseguição dos 62º e 64º Exércitos Soviéticos que tinham recuado para a cidade. Após a guerra, Kleis afirmou:
«A captura de Estalinegrado era controlada pelo objetivo final. Só tinha importância como um local conveniente, no afunilamento entre o Don e o Volga, onde poderíamos bloquear um ataque aos nossos flancos pelas forças russas que viesse de leste. No início, Estalinegrada nada era mais do que um nome no mapa para nós.»
Os soviéticos tinham tido avisos suficientes dos avanços dos alemães em que poderiam ter transportado cereais, gado e vagões ferroviários por todo o Volga, para longe do perigo, mas nem os civis foram evacuados. Uma "vitória da colheita" deixou a cidade com pouca comida até mesmo antes de os alemães voltarem a atacar. Antes do Heer ter chegado propriamente à cidade, a Luftwaffe tinha tornado o rio Volga, meio vital para levar abastecimentos para a cidade, inutilizável para a navegação soviética. Entre 25 e 31 de julho, foram afundados 32 navios soviéticos e outros nove danificados.
A batalha iniciou-se com o bombardeamento intenso da cidade pelo Generaloberst Wolfram von Richthofen da Luftflotte 4, que no verão e outono de 1942 eram o mais a formação única aérea mais poderosa do mundo. Foram largadas cerca de 1.000 toneladas em 48 horas, mais do que em Londres no pico do Blitz. Grande parte da cidade foi transformada rapidamente em escombros, embora algumas fábricas continuassem a produzir enquanto os trabalhadores se juntaram às lutas. O 369º Regimento de Infantaria Armado (Croata) era a única unidade não alemã selecionada pela Wehrmacht para entrar em Estalinegrado durante as operações de assalto. Lutou como parte da 100º Divisão Jäger.
Estaline despachou todas as tropas disponíveis para o banco leste do Volga, algumas de áreas longínquas como a Sibéria. Todos os ferries regulares foram rapidamente destruídos pela Luftwaffe, que então miraram as barcaças com tropas que estavam a ser puxadas lentamente por rebocadores. Muitos civis foram evacuados através do Volga. Foi dito que Estaline impediu que os civis deixassem a cidade na crença que a presença deles iria encorajar uma maior resistência na defesa da cidade. Os civis, incluindo crianças e mulheres, foram colocados na construção de tricheiras e fortificações. Um bombardeamento massivo estratégico alemão a 23 de agosto causou uma tempestade de fogo, matando milhares e tornando Estalinegrado numa paisagem vasta de destroços e ruínas queimadas. Noventa por cento do espaço habitável na área de Voroshilovskly foi destruída. Entre 23 e 26 de agosto, os relatórios soviéticos indicavam que 955 pessoas haviam morrido e outras 1.181 feridas como resultado do bombardeamento. As baixas de 40.000 foram largamente exageradas, e após 25 de agosto, os soviéticos não registaram nenhuma baixa civil ou militar como resultado dos raides aéreos.
A Força Aérea soviética, a Voyenno- Vozdushnye Sily (VVS) foi derrotada pela Luftwaffe. As bases da VVS na área imediata perderam 201 aeronaves entre 23 e 31 de agosto, e apesar do reforço de cerca de 100 aeronaves em agosto, ficou com apenas 192 aeronaves utilizáveis, 57 das quais eram caças. Os soviéticos continuaram a colocar reforços aéreos na área de Estalinegrado no final de setembro, mas continuaram a sofer perdas pesadas>; a Luftaffe tinha controlo completo dos céus.
O encargo da defesa inicial da cidade recaiu sobre o 1077º Regimento Anti-Aéreo, uma unidade composta principalmente de jovens mulheres voluntárias que não tinham qualquer treino para se envolverem em alvos terrestres. Apesar disto, e com nenhum apoio disponível de outras unidades, os Artilheiros AA permaneceram nos seus postos e viraram-se contra os Panzers que avançavam. A 16ª Divisão Panzer relatou ter tido de lutar os artilheiros 1077 "tiro por tiro" até que todo o armamento anti-aéreo foi destruído ou capturado. A 16ª Divisão Panzer ficou chocada ao descobrir que, devido à falta de mão de obra, tinham estado a lutar contra mulheres. Nas fases iniciais da batalha, o NKVD organizou "milícias de trabalhadores" fracamente armados compostas por civis não relacionados de forma direta com a produção de guerra, para o uso imediato na batalha. Os civis foram enviados com frequência para a batalha sem armas. O pessoal e estudantes da universidade técnica local formaram uma unidade de "destruição de tanques". Reuniram tanques a partir de partes  na fábrica de tractores. Estes tanques, sem pintura e com falta de armamento, foram direcionados a partir da fábrica para a linha da frente. Só podiam visar à queima roupa, através do cano da arma.
Pelo final de agosto, o Grupo Armado do Sul (B) tinha chegado finalmente ao Volga, a norte de Estalinegrado. A 1 de setembro os soviéticos só podiam obter abastecimentos e reforços por passagens perigosas do Volga sob bombardeamento constante pela artilharia e aeronaves.
A 5 de setembro, os 24º e 66º Exércitos Soviéticos organizaram um ataque massivo contra o XIV Corpo Panzer. A Luftwaffe ajudou a repelir a ofensiva ao atacar fortemente as posições da artilharia soviética e as linhas defensivas. Os soviéticos foram forçados a retirar ao meio dia, após apenas algumas horas. Dos 120 tanques que os soviéticos haviam utilizado na iniciativa, 30 foram destruídos devido aos ataques aéreo.
As iniciativas soviéticas foram dificultadas constantemente pela Luftwaffe. a 18 de setembro, a 1ª Guarda Soviética mandou o 24º Exército lançar uma ofensiva contra o VIII Corpo de Exército em Kotluban. A VIII Fliegerkorps disparou onda após onda de bombardeiros de mergulho Stuka para prevenir um avanço dos soviéticos. A ofensiva foi repelida. Os Stukas reclamaram 41 dos 106 tanques soviéticos nessa manhã, enquanto que os 109 Bf destruíram 77 aeronaves soviéticas. No meio dos escombros da cidade destruída, os 62º e 64º Exércitos, que incluiam a 13ª Divisão de Guardas Fuzileiros estabeleceram as suas linhas de desfesa em pontos fortes em casas e fábricas.
A luta dentro da cidade em ruínas foi feroz e desesperada. O Tenente General Alexander Rodimtsev estava encarregue da 13ª Divisão de Guardas Fuzileiros, e recebeu uma das duas medalhas dos Heróis da União Soviética durante a batalha devido às suas ações. A Ordem de Estaline n. 227 de 27 de julho de 1942 decretou que todos os comandantes que autorizassem retiradas não autorizadas seriam sujeitos a tribunal marcial. No entanto, foi o NKVD  que ordenou que o exército regular e deu uma aula, sobre a necessidade de mostrar alguma coragem. Através de coerção brutal para o auto-sacrifício, 14.000 soldados do Exército Vermelho foram executados com a intenção de manter a formação. "Nem um passo atrás!" e "Não há terra para além do Volga!" eram os slogans. Os alemães que empurravam as suas forças para Estalinegrado, sofreram baixas pesadas.

Luta na cidade

A 12 de setembro, na altura da retirada para a cidade, o 62º Exército Soviético tinha sido reduzido a 90 tanques, 700 morteiros e 20.000 indivíduos. Os tanques restantes foram usados pontos fortes imóveis dentro da cidade. O ataque inicial alemão era o de tentar capturar a cidade de forma rápida. Uma divisão de infantaria destinou-se a Mamayev Kurgan, uma atacou a central dos caminhos de ferro e outra em direção ao cais central, no Volga.
Apesar do sucesso inicial, os ataques alemães estagnaram face aos reforços soviéticos trazidos através do Volga. A 13ª Divisão de Guardas Fuzileiros, designados para fazer o contra-ataque a Mamayev Kurgan e à Estação de Caminhos de Ferro nº.1 sofreram perdas pesadas. Mais de 30% dos seus soldados foram mortos nas primeiras 24 horas, e só sobreviveram 320 soldados dos 10.000 iniciais à batalha toda. Ambos os objetivos foram retomados, mas apenas temporariamente. A estação de caminhos de ferro mudou de mãos catorze vezes em seis horas. Pelo anoitecer seguinte, a 13ª Divisão de Guardas Fuzileiros deixou de existir. As perdas soviéticas eram tão grandes na altura, que a expetativa de vida de um soldado acabado de chegar era de menos de um dia, e a expetativa de vida de um oficial soviético era de três dias.
O combate durou três dias no elevador gigante de grãos no sul da cidade. Cerca de  cinquenta defensores do Exército Vermelho, cortados do reabastecimento, mantiveram as posições durante cinco dias e lutaram em dez assaltos diferentes antes de ficarem sem munições e armas. Só se encontraram quarenta combatentes soviéticos, apesar de os alemães terem pensado que haviam muitos devido à intensidade da resistência. Os soviéticos queimaram grandes quantidades de grão durante a sua retirada de forma a negar alimento ao inimigo. 
A doutrina militar alemã era baseada no princípio de equipas de armamento combinadas e cooperação próxima entre tanques, infantaria, engenheiros e ataques aéreos. Alguns comandantes soviéticos adoptaram a tática de estarem em posições o mais fisicamente próximo possível dos alemães; Chuikov chamou a isto "abraçar" os alemães. Esta tática abrandou o avanço alemão e reduziu a eficácia de alemã do apoio de fogo.
Gradualmente o Exército Vermelho adoptou a estratégia de aguentar tanto tempo quanto possível o terreno na cidade. Desta forma, converteram blocos de apartamentos de vários andares, fábricas, armazéns, residências em esquinas de ruas e outros edifícios oficiais numa série de pontos fortificados com pequenas unidades de 5 a 10 homens. A mão de obra na cidade estava a ser renovada constantemente por tropas que eram atravessadas sobre o rio Volga. Quando se perdia uma posição, rapidamente eram feitas tentativas de a recuperar com forças frescas.
Surgiram lutas renhidas em cada ruína, rua, fábrica, casa, cave e escadas. Até mesmo os esgotos foram locais de luta. Os alemães chamaram a este tipo de guerra urbana pouco usual de Rattenkrieg ("Guerra de Rato"), uma piada amarga pela captura da cozinha mas ainda continuar a lutar pela sala de estar e quartos. Os edifícios tinham de ser passados divisão a divisão através entre os escombros bombardeados nos bairros residenciais, blocos de escritórios, caves, andar por andar. Nalguns dos edifícios mais altos, destruídos pelo bombardeamento alemão, a luta entre andares era feita pelos buracos existentes.
A luta ao redor de Mamayev Kurgan, uma elevação proeminente sobre a cidade, foi particularmente impiedosa; de facto a posição mudou de mãos várias vezes.
Noutra parte da cidade, um pelotão soviético sob o comando do Sargento Yakov Pavlov fortificou um edifício de quatro andares que cobria uma praça de 300 metros da margem do rio, mais tarde designada de Casa Pavlov. Os soldados cercaram-na com campos minados, montaram as  metralhadoras nas janelas e quebraram as paredes nas caves para uma melhor comunicação. Os soldados descobriram dez civis soviéticos escondidos na cave. Não foram aliviados, nem tiveram reforços significativos durante dois meses. O edifício foi denominado de Festung ("Fortaleza"), nos mapas alemães. O Sargento Pavlov ganhou a medalha de Herói da União Soviética pelas suas ações.
Os alemães fizeram um progresso lento mas firme através da cidade. As posições eram tomadas individualmente, mas os alemães nunca foram capazes de capturar pontos chave de passagem ao longo das margens do rio. Os alemães usaram poder aéreo, tanques e artilharia pesada para limpar a cidade com diversos graus de sucesso. Pelo final da batalha, a gigantesca arma ferrovia denominada de Dora foi levada para a área. Os soviéticos construíram uma série de baterias de artilharia ao longo da margem leste do rio Volga. Esta artilharia conseguiu bombardear com sucesso as posições alemãs ou pelo menos oferecer um contra-ataque de artilharia.
Um debate controverso gira à volta do terror no Exército Vermelho. O historiador britânico Antony Beevor reparou na mensagem "sinistra" Do Departamento Político da Frente de Estalinegrado de 8 de Outubro de 1942 que: " O estado de espírito derrotista está quase eliminado e o número de incidentes de traição está a ficar menor." como um exemplo do tipo de coerção a que os soldados soviéticos estavam sujeitos sob os Destacamentos Especiais. Por outro lado, Beevor reparou na bravura extraordinária dos soldados soviéticos na batalha que só era comparável a Verdun, e defendeu que o terror por si só era incapaz de explicar este tipo de auto-sacrifício. Por sua vez Richard Overy aborda a questão de quão importante foram os métodos coercivos do Exército Vermelho para o esforço de guerra em comparação com outros factores motivacionais como o ódio ao inimigo. Argumenta que, embora seja "fácil argumentar que a partir do verão de 1942, o exército soviético lutou porque foi forçado a lutar", para se concentrar exclusivamente na coerção não deixa de ser "distorcer a nossa visão do esforço de guerra Soviético". Após a realização de centenas de entrevistas com veteranos soviéticos sobre o terror na Frente Oriental e, especificamente, sobre o Despacho n.º 227 ("Nem um passo atrás!") em Estaliinegrado, Catherine Merridale observa que, apesar de ser aparentemente paradoxal, a resposta foi de "frequentemente alívio". A explicação do soldado de infantaria Lev Lvovich, por exemplo, é típica, como ele lembra: "Foi um passo necessário e importante. Após termos ouvido isso todos nós sabíamos a nossa situação. E todos nós - é verdade - nos sentimos melhor. Sim, sentimo-nos melhor."
Muitas mulheres lutaram no lado soviético, ou debaixo de fogo. Como o general Chuikov reconheceu, "Ao lembrar a defesa de Estalinegrado , eu não posso deixar de ver uma muito importante questão... sobre o papel das mulheres na guerra, na retaguarda, mas também na frente. Igualmente como os homens, elas suportaram todos os fardos da vida de combate e  junto com os homens, elas foram todo o caminho até Berlim. No principio da batalha haviam 75.000 mulheres e raparigas na área de Estalinegrado que tinham acabado treino médico ou militar, e todas serviram em batalha. As mulheres preencheram muito das baterias anti-aéreas que lutaram não só contra a Luftwaffe mas também os tanques alemães. As enfermeiras soviéticas não só trataram dos feridos debaixo de fogo mas também se envolveram no trabalho altamente perigoso de trazer os soldados feridos para os hospitais debaixo do fogo inimigo. Muitos dos operacionais de rádio e telefone eram mulheres que frequentemente sofreram ferimentos graves quando os seus postos estavam sob fogo inimigo. Embora as mulheres não fossem geralmente treinadas na infantaria, muitas mulheres soviéticas trabalharam com metralhadoras, como operadoras de morteiros e batedouras. As mulheres também foram snipers em Estalinegrado. Três regimentos aéreos em Estalinegrado eram completamente compostos por mulheres. Pelo menos três mulheres ganharam o título de Herói da União Soviética enquanto conduziam tanques em Estalinegrado.
Tanto para Hitler quanto para Estaline, Estalinegrado tornou-se uma questão de prestígio muito mais do que por uma questão estratégica. O comando soviético deslocou unidades da reserva estratégica do Exército Vermelho da área de Moscovo para o baixo Volga, e transferiu aeronaves do país inteiro para a região de Estalinegrado.

Ataques aéreos

Determinados a acabar com a resistência soviética, a Luftflotte 4 Stkawaffe voaram 900 investidas individuais contra as posições soviéticas na Fábrica de Tratores Dzerzhinskly a 5 de Outubro. Desapareceram vários regimentos soviéticos. Todo o 339º Regimento de Infantaria Soviético desapareceu na manhã seguinte durante o ataque aéreo.
Em meados de Outubro, a Luftwaffe intensificou os seus esforços contra o que restava das posições do Exército Vermelho que se encontravam na margem ocidental. O Luftflotte 4 sobrevoaram 2.000 ataques  a 14 de de outubro e foram largadas 550 toneladas de bombas enquanto a infantaria alemã cercava as três fábricas. Os Stukageschwader 1, 2 e 77 tinham silenciado a artilharia soviética na margem oriental do Volga antes de virarem a atenção para o transporte marítimo que estava a tentar mais uma vez levar reforços para as bolsas de resistência soviéticas próximas. O 62º Exército foi cortado em dois, e devido ao intenso ataque nos caminhos de ferro de abastecimento, estava a receber muito menos material de apoio. Com os soviéticos forçados a uma faixa de terreno de um quilómetro na margem ocidental do Volga, mais de 1.208 missões Stuka sobrevoaram a área num esforço de os eliminar.
A Luftwaffe manteve a superioridade aérea até novembro e não existia resistência aérea diurna soviética. No entanto, a combinação de constantes operações de apoio aéreo do lado alemão e a rendição soviética durante o dia, começou a afetar o equilíbrio estratégico no ar. Depois do vôo de 20.000 saídas individuais, a força original de 1.600 aviões utilizáveis da Luftwaffe passou para 950. O Kampfwaffe (força de bombardeamento) foi a mais atingida, sobrando apenas 232 unidades de uma força de 480.
A força de bombardeamento soviético, o Aviatsiya Dal'nego Deytviya (Aviação de Longo Alcance, ADD), após perdas consideráveis ao longo de 18 meses, foi restringida a vôos noturnos. Os soviéticos procederam a 11.317 saídas noturnas sobre Estalinegrado e o setor da faixa do rio Don, entre 17 de julho e 19 de novembro. Estes ataques causaram poucos danos e tiveram apenas um valor de incómodo.
A 8 de novembro, um número substancial de unidades aéreas da Luftflotte 4 foi deslocada para combater o desembarque dos Aliados no Norte de África. A força aérea alemã viu-se assim espalhada um pouco por toda a Europa, lutando para manter a sua força nos setores a sul da frente soviética-alemã. Os soviéticos começaram a receber assistência material por parte do governo americano no âmbito do programa de Empréstimo e Arrendamento.
Segundo o historiador Chris Bellamy, os alemães pagaram um preço estratégico muito elevado ao enviarem a Luftwaffe para Estalinegrado. Esta viu-se obrigada a dividir grande parte da sua força para longe do Cáucaso rico em petróleo, o qual tinha sido o objetivo inicial estratégico de Hitler.

Os alemães chegam ao Volga
Após três meses de avanços lentos, os alemães chegam finalmente às margens do rio Volga, capturando 90% da cidade em ruínas e dividindo o que restava das forças soviéticas em duas pequenas bolsas. Blocos de gelo no Volga impediam, então, que os barcos e rebocadores levassem abastecimentos aos defensores da cidade. No entanto, a luta, principalmente nas encostas de Mamayev Kurgan e dentro da área industrial, na parte norte da cidade, continuou.

Contra Ofensiva soviética

Percebendo que as tropas alemãs estavam mal preparadas para operações de ofensivas no inverno de 1942, e que a maior parte destas encontrava-se recolocada na parte sul da Frente Oriental, o Stavka decidiu conduzir uma série de ofensivas entre 19 de novembro de 1942 e 02 de fevereiro de 1943. Estas operações abriram a Campanha de Inverno de 1942-43 (19 de novembro de 1942 a 3 de março de 1943), que envolveram operações de 15 exércitos em diversas frentes.

Enfraquecimento dos flancos alemães
Durante o cerco, os exércitos alemães e os aliados destes, italianos, húngaros e romenos que protegiam os flancos do Grupo de Exército B tinham pedido ao quartel general por apoio. Foi dada a tarefa ao 2º Exército Húngaro de defender uma secção 200 km da frente norte de Estalinegrado entre o Exército Italiano e o Voronezh. Isto resultou numa linha muito fina, onde alguns setores com 1 a 2 km eram defendidos por apenas um pelotão. Para mais, estas forças tinham falta de armamento anti-tanque.
Devido à focalização absoluta na cidade, as forças do Eixo negligenciaram durante meses até mesmo a consolidação das suas posições ao longo das defesas naturais ao longo do rio Don.  Desta forma, foi permitido aos soviéticos manter cabeças de ponte na margem direita a partir de onde operações de ofensiva poderiam ser lançadas de forma rápida. Estas posições apresentavam uma ameaça séria ao Grupo de Exército B.
De forma semelhante, o flanco sul do setor de Estalinegrado sudoeste de Kotelnikovo, mantinha-se apenas pelo 7º Corpo de Exército Romeno, e para além deste, por apenas uma única Divisão alemã, a 16ª Infantaria Motorizada.

Operação Urano: a ofensiva soviética
No outono, os generais soviéticos Georgy Zhukov e Aleksandr Vasilevsky , responsáveis pelo planeamento estratégico na área de Estalinegrado, concentraram forças nas estepes a norte a sul da cidade. O flanco norte era defendido por unidades húngaras e romenas, muitas vezes em posições abertas nas estepes. A linha de defesa natural, o rio Don, nunca tinha sido estabelecido de forma apropriada pelo lado alemão. O armamento anti-tanque das áreas também era fraco. O plano era abrir uma brecha nos sobrecarregados e fracamente defendidos, flancos alemães e rodear as forças alemãs na região de Estalinegrado
Durante as preparações para o ataque, o Marshal Zhukov visitou pessoalmente a frente e reparando na fraca organização insistiu num atraso de uma semana para o início do ataque planeado. O nome da operação era "Urano" e foi lançada em conjunto com a Operação Marte, que era direcionada ao Grupo do Exército Central. O plano era semelhante ao que Zhukov havia usado para obter a vitória em Khalkhin Gol, três anos antes.
A 19 de novembro de 1942, o Exército Vermelho lanou a Operação Urano. As unidades de ataque soviéticas, sob o comando do general Nikolay Vatutin, consistia no uso de três exércitos completos, O I Exército de Guardas, o V Exército de Tanques e o XXI Exército, que incluía um total  de dezoito divisões de infantaria, oito brigadas de tanques, duas brigadas motorizadas, seis divisões de cavalaria e uma brigada anti.tanque. As preparações para o ataque podiam ser ouvidas pelos romenos, que continuaram a pedir reforços, apenas para ver os pedidos recusados. Bastante espalhados, com posições expostas, em baixo número e pouco equipados, o III Exército Romeno, que mantinha o flanco norte do VI Exército Alemão, estava em desvantagem.
Para além das linhas da frente, não foram feitas nenhumas preparações para defender os pontos chave na retaguarda, como Kalach. A resposta local pela Wehrmacht foi tanto caótica quanto indecisa. O mau tempo também impediu uma ofensiva efectiva contra a ofensiva soviética.
A 20 de novembro, foi lançada uma segunda ofensiva soviética (de dois exércitos) no sul de Estalinegrado contra os pontos mantidos pelo IV Corpo de Exército Romeno. As forças Romenas, constituidas principalmente por forças de infantaria, foram devastadas por um grande número de tanques. 

VI Exército Alemão cercado

Cerca de 265.000 soldados alemães, romenos, italianos e o 369º Regimento de Reforço de Infantaria croata, para além de outras tropas auxiliares voluntárias que incluíam cerca de 40.000 voluntários soviéticos a lutar pelos alemães, foram cercados. A força alemã era de 210.000 soldados de acordo com a repartição de forças de 20 divisões de campo (tamanho médio de 9000) e de 100 unidades do batalhão do VI Exército a 19 de novembro de 1842. Dentro da bolsa também se encontravam cerca de 10.000 civis soviéticos e vários milhares de soldados soviéticos que os alemães haviam capturado durante a batalha. Nem todo o VI Exército ficou preso, 50.000 soldados ficaram de fora. Pertenciam principalmente às outras duas divisões do VI Exército que se encontravam entre os Exércitos italianos e romenos: as 62ª e 298ª Divisões de Infantaria. Dos 210.000 alemães, 10.000 continuaram a lutar, 105.000 renderam-se, 35.000 escaparam por ar e 60.000 morreram.
A unidades do Exército Vermelho formaram rapidamente duas frentes defensivas: uma circunvalação virada para dentro e uma contravalação virada para fora. O Marchal de Campo Erich von Manstein avisou Hitler para não dividir o VI Exército, afirmando que este poderia romper as linhas soviéticas e enfraquecer o cerco ao VI Exército. Os historiadores americanos Williamson Murray e Alan Millet escreveram que foi a mensagem de Manstein a Hitler a 24 de novembro  a avisá-lo de que o VI Exército não se deveria dividir, juntamente com as declarações de Goring de que a Luftwaffe podia abastecer Estalinegrado por ar que "... selaram o destino do VI Exército." Após 1945, Manstein afirmou que ele disse a Hitler que o VI Exército se deveria dividir. O historiador americano Gerhard Weinberg escreveu que Manstein distorceu o seu registo na matéria. Foi dada uma tarefa de socorro a Manstein, a Operação de Tempestade de Inverno, contra Estalinegrado, que ele pensou ser possível se fosse abastecido por ar.
Adolf Hitler havia declarado num discurso público a 30 de setembro de 1942 que o exército alemão nunca haveria de deixar a cidade. Numa reunião, pouco depois do cerco soviético, os chefes do exército alemão  pressionaram por um rompimento imediato para uma nova linha a ocidente do Don, mas Hitler estava no seu retiro na Baviera de Obersalzberg em Berchtesgaden com o chefe da Luftwaffe, Hermann Goring. Quando questionado por Hitler, Goring respondeu, após ter sido convencido por Hans Jeschonnek, que a Luftwaffe poderia abastecer o VI Exército por uma "ponte aérea". Isto iria permitir aos alemães lutar na cidade temporariamente enquanto uma força de socorro não fosse enviada. Um plano semelhante havia sido usado um ano antes na Bolsa de Demyansk, embora a uma escala muito menor: um corpo na Dinamarca, em vez de um exército inteiro.
O diretor da Luftflotte 4, Wolfram von Richthofen, tentou que esta decisão não fosse para a frente. As forças sob o comando do VI Exército eram quase duas vezes maiores do que uma unidade regular do exército alemão, e ainda havia os corpos do IV Exército Panzer que se encontravam presos. O máximo de 107 toneladas que poderiam entregar por dia, era muito menos do as mínimas necessárias de 750 toneladas. O general Richthofen informou Manstein a 27 de novembro que da pouca capacidade de transporte da Luftwaffe e da impossibilidade de fornecer 300 toneladas por dia por ar.  Manstein apercebeu-se então das enormes dificuldades técnicas de um abastecimento destas dimensões. No dia seguinte fez um relatório de seis páginas para o pessoal. Baseado na informação de Richthofen, declarou que contrariamente ao exemplo da bolsa de Demjansk o abastecimento permanente seria impossível. Se apenas fosse possível estabelecer uma estreita ligação ao VI Exército, Manstein propôs que deveria ser usada para sair do cerco. Reconheceu o que significaria  o pesado sacrifício moral da desistência de Estalinegrado, mas seria muito mais fácil desta forma de manter o poder combativo do VI Exército, para que depois pudesse ser usado para recomeçar a iniciativa. No entanto, ignorou a mobilidade limitada do exército e as dificuldades de separar os soviéticos. Hitler, reafirmou que o VI Exército permaneceria em Estalinegrado e que a ponte aérea os abasteceria até que o cerco fosse rompido por uma nova ofensiva alemã.
A Luftwaffe conseguiu entregar uma média de 85 toneladas de abastecimentos por dia. No dia de maior sucesso, conseguiu entregar 262 toneladas de abastecimentos em 154 voos.
Nas fases iniciais da operação, o combustível foi enviado com maior prioridade que os alimentos e munições porque existia a crença de que haveria uma fuga da cidade. O transporte aéreo também evacuou os especialistas técnicos e o pessoal ferido ou doente do enclave cercado.
Apesar do fracasso da ofensiva alemã de chegar o VI Exército, a operação de abastecimento aéreo continuou continuou mesmo debaixo de circunstâncias ainda mais difíceis. O VI Exército começou a ficar cada vez mais fraco devido à fome. Os pilotos ficavam surpreendidos ao verem os soldados demasiado fracos para descarregarem os abastecimentos. Os alemães lutavam pelo mais pequeno pedaço de pão. O general Zeittzler, comovido pela situação das tropas, começou a limitar-se a si mesmo às mesmas rações que os soldados. Após algumas semanas nesta dieta, tinha perdido 12 kg e ficou tão magro que Hitler, aborrecido, ordenou-lhe que começasse a tomar as refeições normais novamente.

O fim da batalha

As forças soviéticas consolidaram as suas posições à volta de Estalinegrado e começou uma luta feroz para diminuir a área ocupada pelos alemães. Na Operação Tempestade de Inverno, os alemães liderados por Erich von Manstein tentaram aliviar o exército da armadilha no sul, tiveram um sucesso inicial. A capacidade dos tanques alemães de atravessarem o país na neve, fez com que as tentativas de alivio do exército se tornassem mais lentas. A 19 de dezembro, o Exército Alemão tinha empurrado o circulo em 48 km a partir das posições iniciais. As forças cercadas em Estalinegrada não fizeram qualquer tentativa de quebrar o cerco ou de se associarem ao avanço de Manstein. Alguns oficiais alemães pediram que Paulus desafiasse as ordens de Hitler de se manter firme e em vez disso de tentar cortar a linha do cerco. Paulus recusou.  A 23 de dezembro, a tentativa de aliviar Estalinegrado foi abandonada e as forças de Manstein mudaram de tática, para uma defensiva, devido a novas ofensivas soviéticas.

Operação Pequeno Saturno
A 16 de dezembro, os soviéticos lançaram a operação Pequeno Saturno, que tentou perfurar o exército do eixo, principalmente na parte italiana, no rio Don e tomaram Rostov. Os alemães estabeleceram uma "defesa móvel" de pequenas unidades que deveriam manter as cidades até que o exército de apoio chegasse. A partir da ponte soviética em Mamon, 15 divisões - apoiadas por pelo menos 100 tanques - atacaram as divisões italianas de Cosseria e Ravena, e apesar de estarem em menor número, numa proporção de um italiano para nove soviéticos, os italianos inicialmente lutarem bem, com os alemães a elogiarem a qualidade dos defensores italianos, mas a 19 de dezenbro, com as linhas italianas a desintegrarem-se, o quartel general ARMIR ordenou às tropas para se retirarem para novas linhas.
O combate forçou a uma reavaliação da situação alemã. A tentativa de fugir através de Estalinegrado foi abandonada e foi ordenado ao Grupo A do Exército para se retirar do Cáucaso.
O VI Exército estava agora para além de qualquer esperança de libertação. Enquanto que uma fuga motorizada poderia tetr sido possível nas primeiras semanas, o VI Exército encontrava-se agora sem combustível e as tropas alemãs teriam tido muita dificuldade em atravessar as linhas soviéticas a pé nas condições de um inverno rigoroso. Mas nas suas posições defensivas no Volga, o VI Exército continuava a proteger as suas posições contra um exército soviético em muito maior número.

Vitória soviética
Os alemães dentro da bolsa retiraram-se das suas posições nos subúrbios para dentro da cidade. A perda de dois aeródromos, o de Pitomnik a 16 de janeiro de 1943 e o de Gumrak na noite de 21/22 de janeiro, significaram um fim ao abastecimento e à evacuação dos feridos. A terceira e possível saída encontrava-se na escola de vôo Stalingradskaja, que segundo os relatórios teve as suas últimas aterragens e saídas na noite de 22-23 de janeiro. Após a madrugada de 23 de janeiro, não houve mais relatórios de aterragens, a não ser quedas aéreas ocasionais de munições e alimentos até ao fim.
Os alemães encontravam-se agora não apenas a morrer de fome, como estavam a ficar sem munições. Ainda assim, continuaram a resistir, em parte porque acreditavam que os soviéticos iriam executá-los caso se rendessem.. Particularmente, os designados HiWis, soviéticos a lutarem pelos alemães,  não tinham qualquer dúvida quanto ao seu destino caso fossem capturados. Os soviéticos ficaram inicialmente surpreendidos com o número de alemães que haviam aprisionado no cerco, e reforçaram as suas tropas. Uma guerrilha urbana sangrenta teve início em Estalinegrado, mas desta vez eram os alemães que estavam a ser empurrados para as margens do Volga. Os alemães adoptaram uma defesa simples de fixar telas de arame em todas as janelas para se protegerem das granadas. A resposta dos soviéticos foi a de fixar anzóis às granadas para que estas ficassem presas às redes.
Os alemães não tinham tanques utilizáveis na cidade, e aqueles que ainda funcionavam podiam ser no máximo utilizados como fortins improvisados. Os soviéticos enviaram um grupo de hierarquia inferior (que compreendia o major Aleksandr Smyslov, o capitão Nikolay Dyatlenko e um trompetista) para fazerem uma oferta a Paulus: se ele se rendesse dentro de 24 horas, ele receberia a garantia de segurança para todos os prisioneiros, cuidados médicos para os feridos e doentes, seria permitido aos prisioneiros manterem os seus bens pessoais, rações alimentares "normais" e repatriação para qualquer país que eles quisessem após a guerra; mas Paulus - por ordem de Hitler para não se render - não respondeu.
A 22 de janeiro Paulus pediu permissão para se render a Hitler. O Fuher recusou por uma questão de honra. Telegrafou ao VI Exército mais tarde nesse dia, afirmando que o Exército tinha feito uma contribuição histórica para a maior luta na história alemã e que devia firme "até ao último soldado e última bala". Hitler disse a Goebbels que o sofrimento do VI Exército era um "drama heróico da história alemã".
A 28 de janeiro de 1943, as forças alemãs que se encontravam dentro de Estalinegrado foram divididas em duas partes. A parte norte centrou-se na fábrica de tratores e uma parte mais pequena a sul, no centro da cidade. A parte norte era comandada pelo general Walter Heitz enquanto que o grupo sul era comandado por Paulus.
A 30 de janeiro de 1943, no 10º aniversário da subida de Hitler ao poder, Goebbels leu  uma proclamação que incluía a afirmação: " A luta heróica dos nossos soldados no Volga deve ser um aviso para todos ao máximo para a batalha pela liberdade da Alemanha  e para o futuro do nosso povo, e logo, no sentido mais vasto, para a manutenção do continente inteiro". Hitler promoveu Paulus a Generalfeldmarschall. Nunca nenhum marchal de campo havia-se alguma vez rendido, e a implicação era clara: se Paulus se rendesse, ele iria trazer a vergonha a si mesmo e viria a ser o oficial com maior patente alguma vez capturado. Hitler acreditava que Paulus iria lutar até ao último homem ou suicidar-se. Paulus, no entanto, comentou: "Eu não tenho qualquer intenção de atirar em mim mesmo por este cabo Boemiano."
No dia seguinte, o grupo alemão no sul de Estalinegrado colapsou. As forças soviéticas chegaram à entrada da sede alemã na arruinada loja GUM. O general Schmidt negociou uma rendição do quartel general enquanto Paulus aguardava noutra divisão. Quando interrogado pelos soviéticos, Paulus defendeu que ele não se tinha rendido. Disse ter sido tomado por surpresa. Negou ser o comandante das restantes forças alemãs no norte em Estalinegrado e negou-se a enviar-lhes uma ordem em seu nome para que estas se rendessem.
Foram enviados quatro exércitos soviéticos contra o grupo que restava a norte. Às quatro da manhã de 2 de fevereiro, o general Strecker foi informado que um dos seus oficiais tinha ido ter com os soviéticos para negociar os termos da rendição. Vendo que não havia nenhum sentido em continuar, enviou uma mensagem de rádio a dizer que o seu comando tinha cumprido o seu dever e lutado até ao último homem. Então, rendeu-se. Foram feitos cerca de 91.000 prisioneiros famintos, doentes e exaustos, que incluía 3.000 romenos (os sobreviventes das 20ª Divisão de Infantaria, 1ª Divisão de Cavalaria e o Destacamento do "Coronel Voicu"). Entre os prisioneiros estavam 22 generais. Hitler ficou furiosos e disse que "Paulus poderia ter-se libertado de todo o sofrimento e ter ascendido à eternidade e imortalidade nacional, mas ele prefere ir a Moscovo."

No pós-batalha

Segundo os registos soviéticos, mais de 10.000 soldados continuaram a resistir em grupos isolados dentro da cidade ao longo do mês seguinte.
O público alemão não foi avisado oficialmente do desastre iminente até final de janeiro de 1943, embora os relatórios positivos tenham parado semanas antes do anunciado. Estalinegrado marcou a primeira vez em que o governo Nazi reconheceu um fracasso no seu esforço de guerra, não sendo apenas o seu primeiro maior revés no militarismo alemão, mas uma derrota devastadora onde as perdas alemãs foram quase tanto quanto quanto as soviéticas, o que não tinha precedentes. As perdas anteriores tinham sido um alemão para cada três soviéticos. A 31 de janeiro, o programa regular da estação estatal alemã, foi substituída pelo Adágio sombrio da Sétima Sinfonia de Anton Bruckner, seguido do anuncio da derrota em Estalinegrado.
A 18 de fevereiro o Ministro da Propaganda Joseph Goebbels deu o famoso discurso Sportpalast, em Berlim, encorajando os alemães a aceitarem uma guerra total que iria reclamar todos os recursos e esforços da população inteira.
De acordo com o documentário alemão de 1993 Stalingrad, mais de 11.000 recusaram-se a entregar as armas na rendição oficial. Alguns continuaram na crença que era melhor a morte na luta do que uma morte lenta no cativeiro soviético. O historiador israelita Omer Bartov afirma que estavam motivados pelo Nacional Socialismo. Estudou 11.237 cartas enviadas por soldados dentro de Estalinegrado no período de 20 de dezembro de 1942 e 16 de janeiro de 1943 para as suas famílias na Alemanha. Quase todas as cartas expressavam uma crença numa vitória última da Alemanha e a sua vontade de lutar e morrer em Estalinegrado para alcançar esta vitória. Bartov relatou que muitos soldados estavam conscientes que não viriam a conseguir escapar de Estalinegrado, mas nas suas cartas vangloriaram-se que estavam orgulhosos de "sacrificarem-se pelo Fuher".
As restantes forças continuaram a resistir, escondidas em porões e esgotos, mas pelo início de março de 1943, as pequenas e isoladas bolsas de resistência já se haviam rendido. De acordo com os documentos soviéticos, um relatório notável do NKVD  de março mostra a tenacidade de alguns destes grupos alemães.
Dos cerca de 110.000 prisioneiros alemães capturados em Estalinegrado, apenas cerca de 5.000 conseguiram retornar à Alemanha. Já enfraquecidos pela doença, fome e falta de assistência médica durante o cerco, foram enviados em marchas de morte (75.000 sobreviventes morreram no espaço de 3 meses de captura) para campos de prisioneiros e depois para campos de trabalho, por toda a União Soviética. Cerca de 35.000 foram finalmente enviados em transportes, dos quais 17.000 não viriam a sobreviver. A maioria morreu de ferimentos, doenças (principalmente tifo), de frio, excesso de trabalho, maus tratos e  desnutrição. Foram mantidos alguns prisioneiros alemães na cidade de Estalinegrado, para ajudar na reconstrução desta.
Um grupo de oficiais foi enviado para Moscovo e utilizado para fins de propaganda, e alguns juntaram-se à Comissão Nacional por uma Alemanha Livre. Houve quem, incluindo Paulus, que assinasse declarações anti-Hitler que foram transmitidas às tropas alemãs. Paulus testemunhou para a acusação durante os julgamentos e assegurou às famílias na Alemanha que os prisioneiros se encontravam seguros. Permaneceu na União Soviética até 1952, quando se mudou para Dresden, na Alemanha Oriental, onde passou o resto dos seus dias a justificar as suas ações em Estalinegrado e foi citado como tendo dito quie o Comunismo era a melhor esperança para a Europa no pós-guerra. O general Walther von Seydlitz-Kurzbach ofereceu-se para levantar um exército anti-Hitler dos sobreviventes de Estalinegrado, mas os soviéticos não aceitaram. Só em 1955 é que foi repatriado o último dos sobreviventes (para a Alemanha Ocidental) após um apelo para o Poliptburno por Konrad Adenauer.

Importância

A batalha de Estalinegrado tem sido descrita como sendo a maior derrota do exército alemão. É identificada frequentemente como o ponto de viragem na Frente Oriental, e na guerra contra a Alemanha no geral, e até mesmo como o ponto de viragem na Segunda Guerra Mundial.
Antes de Estalinegrado, a Alemanha tido ido de vitória em vitória, com um recuo limitado no inverno de 1941-42. Depois de Estalinegrado os alemães não obtiveram nenhuma vitória significativa, mesmo no verão. O Exército Vermelho teve a iniciativa, a Wehramacht estava em retirada. Os ganhos alemães de um ano durante o Plano Azul desapareceram. O VI Exército Alemão deixou de existir, e as forças aliadas da Alemanha, com excepção das finlandesas, tinham sido destruídas. Num discurso, a 9 de novembro de 1944, o próprio Hitler culpou Estalinegrado pela desgraça iminente da Alemanha.
Alguns historiadores minimizaram a importância de Estalinegrado, apontando tanto para a Batalha de Moscovo como para a Batalha de Kursk como mais significativas estrategicamente. Outros afirmam que a destruição de um exército inteiro e a frustração da grande estratégia alemã, fez da Batalha de Estalinegrado um momento decisivo. Com o tempo, no entanto, a batalha foi percepcionada como tendo tido consequências estratégicas globais.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...