21/12/2015

Ardipithecus kadabba


O Ardipithecus kadabba foi um primata que viveu há cerca de 5,2 a 5,8 milhões de anos atrás, na região do Vale Awash, no noroeste da atual Etiópia. O primeiro fóssil foi descoberto pelo paleoantropólogo etíope Yohannes Haile-Selassie, na depressão de Affar. Era bípede, muito provavelmente semelhante aos modernos chimpanzés a nível do tamanho do cérebro, e tinha caninos que se assemelhavam aos dos hominídeos posteriores, mas que ainda se projetavam para além da fileira de dentes, mais primitivos que os do Australopithecus afarensis, Australopithecus anamensis e Ardipithecus ramidus, que surgiu cerca de um milhão de anos depois. 
Esta espécie humana ancestral só é conhecida no registo fóssil através de alguns ossos pós-cranianos e conjuntos de dentes. Um osso do dedo grande do pé, com aspecto amplo e aparência robusta, sugere o seu uso na locomoção bípede.
A espécie viveu na África Oriental (Middle Awash Valley, na Etiópia) entre 5,8 e 5,2 milhões de anos atrás.

História da descoberta

Quando o paleontropologista etíope Yohannes Haile-Selassie encontrou uma parte de uma mandíbula inferior no solo na região do Middle Awash, na Etiópia, em 1997, não se apercebeu de que tinha descoberto uma nova espécie. Mas 11 espécimes de, pelo menos, cinco indivíduos fizeram com que Haile-selassie ficasse convencido de que tinha encontrado um novo ancestral humano. Os fósseis - que também incluíam ossos das mãos e pés, ossos parciais do braço e uma clavícula - foram datados de há 5,6 a 5,8 milhões de anos atrás. Um dos fragmentos, um osso do dedo do pé, foi datado como tendo 5,2 milhões de anos (este osso mostra características de bipedismo). Os fósseis animais encontrado no local, mostram que estes primeiros humanos viviam numa mistura de florestas e pradarias, e tinham acesso a quantidades abundantes de água através dos lagos e fontes, em condições pantanosas, uma forte contraproposta à teoria que diz que o bipedismo surgiu em savanas.

Em 2002, foram descobertos seis dentes no Middle Awash, em Asa Komo. O desgaste dental confirma que os fósseis dos primeiros humanos eram únicos e não uma sub-espécie do Ardipithecus ramidus. Com base nestes dentes, os paleontropologistas Yohannes Haile-Selassie, Gen Suma e Tim White atribuiram os fósseis, em 2004, a uma nova espécie que nomearam de Ardipithecus kadabba ("kadabba" significa "ancestral mais antigo" na língua afar).

Características físicas

Não existem certezas quanto às características do Ardipithecus kadabba, mas pensa-se que este teria um tamanho aproximado ao dos chimpanzés.
Os incisivos são menores que os dos atuais macacos, mas mais amplos que os do Australopithecus e outros hominídeos. Os dentes caninos apresentam dimensões primitivas, sendo ligeiramente menores que os caninos de uma chimpanzé fêmea, demonstrando o que viria a ocorrer aos posteriormente aos hominídeos. O formato do canino superior difere da forma dos caninos dos outros hominídeos mais antigos, como o Orrorin tugenensis, sendo em geral muito parecidos com os do seu descendente Ardipithecus ramidus, incluindo tamanho, proporções e padrões de desgaste. Outras características primitivas da dentição do Ardipithecus kadabba é o esmalte fino e a coroa do terceiro pré-molar inferior ter um formato assimétrico. A mandíbula apresenta uma estrutura pequena e longa, semelhante á de espécies como o Sahelanthropus tchadensis e Ardipithecus ramidus.
Existem relativamente poucos fósseis do Ardipithecus kadabba e a maioria são dentes e fragmentos de mandíbula, mas também foram encontradas peças fragmentárias do antebraço, dois ossos dos dedos, um fragmento da clavícula e um osso do quarto dedo do pé, de pelo menos cinco indivíduos.


Os ossos do membro anterior são bastante primitivos, assemelhando-se aos dos grandes símios atuais. Os ossos dos dedos são relativamente grandes, com articulações fortes e o osso do antebraço é mais curvo. Outra característica que distingue esta espécie de outras espécies de hominídeos é encontrada na morfologia da articulação do cotovelo, que permite uma maior mobilidade, atributo que se assemelha mais aos macacos atuais e menos nos não tão móveis cotovelos dos hominídeos. Estes fósseis são de grande importância pois são demonstrativos dos argumentos sobre os primeiros sinais de bipedalismo. Sendo uma das possíveis espécies mais antigas do ancestral humano, o Ardipithecus kadabba "empurraria" a origem dos hominídeos até ao Mioceno Superior (cerca de 11,6 a 5,3 milhões de anos). A principal evidência para o Ardipithecus kadabba ter caminhado de forma erecta é  a orientação do quarto dedo do pé, especificamente a orientação para cima da superfície articular do pé. Este recurso é semelhante à condição encontrada, não só no Australopithecus afarensis, mas também noutros hominídeos posteriores, incluindo o Homo sapiens; os grandes macacos atuais, por outro lado, têm esse osso mais inclinado, com a superfície da articulação descendente. 

Algumas das questões que ainda não foram respondidas acerca do Ar.kadabba:
  1. Era o Ar.kadabba um bípede regular? Até à altura, a única evidência de que o Ar.kadabba caminhava ereto veio de um único dedo do pé que data de há 5,2 milhões de anos e foi encontrado a 10 milhas de outros espécimes de Ar.kadabba.
  2. Se o Ardipithecus kadabba caminhava ereto, como era a sua marcha?
  3. Terá o bipedismo desenvolvido-se de forma independente na linhagem Ardipithecus? Ou estará o Ardipithecus kadabba relacionado de alguma forma com o Orrorin tugenensis e/ou com o Sahelanthropus tchadensis, duas outras espécies de ancestrais humanos?
  4. Como se relaciona a linhagem do Ardipithecus com a do Australopitecus?
  5. Quais seriam as dimensões médias dos indivíduos machos e fêmeas do Ar.kadabba? Haveria um nível elevado de dimorfismos sexual nestas primeiras espécies humanas?

Como sobreviviam

Em vez de se alimentarem essencialmente de frutas e folhas macias como os chimpanzés, existem evidências de que o Ardipithecus kadabba ingeria uma vasta gama de alimentos fibrosos. Sabe-se disto devido aos dentes de trás do Ar.Kadabba serem mais largos que os do chimpanzé, mas os da frente serem mais finos. Estes factores são demonstrativos que esta espécie fazia a maior parte da mastigação na parte de trás da boca.

Informação da árvore genealógica

As relações evolutivas entre o Ardipithecus kadabba e outras espécies de hominídeos posteriores são de grande interesse para os paleontropólogos. 
Inicialmente os investigadores consideraram o Ardipithecus kadabba como uma sub-espécie do posterior Ardipithecus ramidus, até que o renomearam como sendo uma espécie distinta, tendo como base as diferenças dentais. No entanto, uma taxionomia de hominídeos recente indica que o Ardipithecus ramidus, que viveu na mesma região da Etiópia, pode ser um descendente direto do Ardipithecus kadabba, pois estas duas espécies compartilham muitas características comuns, como o esmalte do dente relativamente fino e caninos grandes. Atualmente, alguns investigadores ainda sugerem que o Ardipithecus kadabba e o Ardipithecus possam ser apenas subespécies diferentes. De qualquer forma eles representam as primeiras espécies numa linhagem de descendentes do leste africano, que começa com Ardipithecus kadabba, Ardipithecus ramidus, Australopithecus anamensis e termina com o o Australopithecus afarensis. Estas espécies são encontradas no leste de África e possuem algumas tendências morfológicas, tais como a redução no tamanho e morfologia canina e pré-molar.


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...