02/12/2015

Apolo - o deus


Apolo é uma das divindades principais da mitologia grego-romana, um dos deuses do Olimpo. Filho de Zeus e de Leto, e irmão gémeo de Ártemis, possuía muitos atributos e funções, e possivelmente depois de Zeus foi o deus mais influente e venerado de todos na Antiguidade Clássica. As origens do mito de Apolo são obscuras, mas no
tempo de Homero (século VIII a.C.) já era de grande importância, sendo um dos deuses mais citados na Ilíada. Era descrito como o deus da divina distância, que ameaçava ou protegia desde o alto dos céus, sendo identificado como o sol e a luz da verdade. Fazia com que os homens tivessem consciência dos seus pecados e era o agente da sua purificação; presidia sobre as leis da religião e sobre as constituições das cidades, era o símbolo da inspiração profética e artística, sendo o patrono do oráculo mais famoso da Antiguidade - Delfos. Também era o líder das Musas.
Extremamente poderoso, era temido pelos restantes deuses. Deus da morte súbita, das pragas e doenças, mas também o deus da cura e da protecção contra as forças malignas. Deus da beleza, da Perfeição, da Harmonia, do Equilíbrio e da Razão, iniciador dos jovens no mundo adulto, estava ligado à Natureza, às ervas e aos rebanhos, protector dos pastores, marinheiros e arqueiros.
Embora tenha tido inúmeros amores, foi infeliz nesse terreno, mas teve vários filhos.
Foi representado inúmeras vezes desde a Antiguidade até à época Contemporânea, geralmente como um homem, nu e imberbe, no auge do seu vigor, às vezes com um manto, um arco e uma aljava de flechas, ou uma lira, e com alguns dos seus animais simbólicos, como a serpente, o corvo ou o grifo.
Apolo foi identificado sincreticamete com um grande número de divindades maiores e menores nos seus vários locais de culto, e sobreviveu veladamente ao longo do florescimento do cristianismo primitivo, que se apropriou de vários dos locais de culto deste deus, para adornar os seus próprios personagens sagrados, Como Cristo e o arcanjo São Miguel. Apesar desta apropriação, durante a Idade Média, Apolo foi muitas vezes identificado com o Demónio. Mas desde que o Imperador romano Augusto associou Apolo ao poder profano, que este deus se tornou um forte símbolo da sustentação do imperialismo das monarquias e da glória pessoal dos réis e príncipes.
O mito de Apolo tem sido trabalhado ao longo dos séculos por filósofos, artistas e outros intelectuais para a interpretação e ilustração de uma variedade de aspetos da vida humana, da sociedade e dos fenómenos da Natureza, e atualmente a sua imagem continua presente numa grande variedade de formas. 
Até mesmo o seu culto foi recentemente ressuscitado por correntes de paganismo.

Amantes e descendência

Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, mas geralmente não foi correspondido, ou quando foi, alguma tragédia interrompeu o romance. 

Alguns exemplos: 
  • Nas Metamorfoses de Ovídio, o poeta declarou que o primeiro amor do deus foi a ninfa Dafne, mas o amor acabou frustrado por Eros, que lançando a sua flecha de chumbo contra a ninfa, fazendo-a rejeitar o deus, enquanto que dirigindo uma flecha de ouro para Apolo, provocou-lhe uma intensa paixão. Teve motivos para isso, pois Apolo havia desdenhado da habilidade do deus do amor com o arco e gabado as suas próprias vitórias. Depois de ser incansavelmente perseguida por Apolo, Dafne suplicou ao seu pai para que fosse transformada num loureiro. Apolo declarou então que o loureiro seria a sua árvore sagrada. 
  • Ciparisso era especialmente afeiçoado a um cervo domesticado. Acidentalmente o jovem matou o cervo com o seu dardo, e, inconsolável, pediu para Apolo, que o amava, para pranteá-lo para sempre. Apolo atendeu ao pedido transformando-o num cipreste, que se tornou uma árvore símbolo do luto.
  • Hermes e Apolo disputaram o amor de Quione, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes tocou os lábios da jovem com o seu caduceu, fê-la dormir e possuiu-a. No entanto, Apolo disfarçado de uma velha, penetrou no quarto de Quione e também a amou. De Hermes Quione concebeu Autólico, e de Apolo, Filamon, mas orgulhou-se demasiado disso, julgando-se mais bela que Ártemis . Então a deusa injuriada, matou-a. O pai de Quione, tomado pela dor, lançou-se de um penhasco, mas Apolo transformou-o numa águia feroz.
  • Corónis deu-lhe como filho Asclépio, mas por ter traído o deus, foi morta por uma seta do deus ultrajado. Asclépio, tornou-se de tal forma num mestre de curar tão grandioso que conseguia ressuscitar os mortos, ameaçando assim o poder soberano de Zeus, ofendia Témis e roubava subditos a Hades, pelo que foi morto pelo raio de Zeus. Para vingar-se, como não podia voltar-se contra o pai, Apolo matou os ciclopes, que haviam forjado os raios, e por isso foi castigado. Deveria ter sido desterrado para o Tártaro, mas graças à interferência da mãe o castigo foi comutado num ano de trabalhos forçados como um mortal para o rei Admeto. Sendo bem tratado pelo rei durante a sua expiação, Apolo ajudou-o a obter Alceste e a ter uma vida mais longa do que aquela que o destino lha havia reservado. (outra versão da história, diz que enquanto Apolo esteve entre os mortais ensinou-lhes a música, a dança e todas as artes e ofícios que tornam a vida mais agradável; ensinou às pessoas os jogos atléticos, a caça, a contemplação da natureza e a percepção de suas belezas próprias, e todo o dia parecia um dia de festa. Os deuses, vendo que a vida na Terra se tornava mais aprazível que a sua, chamaram Apolo de volta para o Olimpo).
  • Apolo também disputou o amor de Marpessa com Idas, e Zeus ordenou que ela escolhesse entre ambos. Temendo ser rejeitada quando ficasse velha e perdesse a sua beleza, optou por Idas.
  • Desejou a princesa troiana Cassandra, e deu-lhe como presente o dom da profecia. Mesmo assim Cassandra repudiou o deus, e Apolo puniu-a fazendo com que ninguém acreditasse nela, embora as profecias desta se viessem a revelar sempre verdadeiras.
  • Destino semelhante teve Sibila de Cumas, que pediu o prolongamento da sua vida em tantos anos quantos os grãos de areia que tinha na mão. Concedido o favor, Sibila negou o amor de Apolo. Despeitado o deus fez com que a beleza e juventude de Sibila não fossem preservadas durante a longa vida desta, envelhecendo até se tornar uma criatura horrenda, seca e encarquilhada, escondida dentro de um vaso, cujo único desejo era Morrer.
  • Já com a ninfa Cirene, Apolo conheceu a felicidade, da qual teve um filho Aristeu, que se tornou uma deidade da vegetação e agricultura.
  • Com Creúsa gerou Íon, o fundador mítico do povo jónico.
  • De Dríope gerou Anfiso.
  • Diz-se que com Hécuba, esposa de Príamo, gerou Troilo, príncipe de Tróia.
  • Da vidente Manto, obteve o profeta Mopso.
  • Teve ainda romances com algumas Musas: com Tália doi o pai da geração dos Coribantes, monstros e seguidores de Dionísio, e com Urânia gerou os músicos Lino e Orfeu.

Origens

Apolo era chamado pelos gregos de Apollon ou Apellon, e pelos romanos de Apollo e pelos etruscos de Apulu ou Aplu. A origem do nome de Apolo é incerta, assim como a do seu mito. Apolo é um nome que não tem paralelos claros noutras línguas indo-europeias, e é o único deus olímpico que não figura nas cerca de mil tabuletas conhecidas, escritas em Linear B, uma fonte de dados sobre a Grécia na Idade do Bronze. Embora essa omissão possa ser apenas casual e achados arqueológicos futuros possam trazer outras conclusões, em termos estatísticos permanece uma evidência significativa, o que aponta para uma origem possivelmente oriental e uma chegada à Grécia em período relativamente tardio. Graf sugere as seguintes hipóteses para a sua origem: ele pode ter sido uma divindade indo-europeia, presente mas não documentada na Idade do Bronze grega, ou foi introduzido após a Idade das Trevas grega, ou proveio do Próximo Oriente, possivelmente da Anatólia ou da região semita.
Para Plotino o seu nome significava a negação da pluralidade: "não-muitos" (a-poli), acrescentando que para os pitagóricos significava o Uno. Plutarco seguia essa linha de pensamento, afirmando que os pitagóricos associavam nomes divinos, e que a Mónada era identificada com Apolo. Platão também pensava de forma semelhante, ligando Apolo com "o simples", e "o verdadeiro". Burket sugeriu que deriva de "manter uma assembleia sagrada", o que Nagy considerou plausível, baseado no que Hesíquio de Alexandria também referira, mas essa etimologia foi rejeitada por Frisk, Chantraine e Dietrich, que consideram a origem do nome simplesmente desconhecida. Bernal apresentou a hipótese de que derivou de Hórus, deus solar egípcio, através de adaptações de fonéticas intermédias na Fenícia. Heródoto dizia que Apolo e Hórus eram o mesmo deus.

O Mito

"Como te devo cantar, tu que por tudo que és mereces louvor?" - Hino Homérico a Apolo

As primeiras referências literárias a Apolo encontram-se em Homero, na própria fundação da literatura grega. E neste momento o deus já aparecia tão carregado de atributos que o poeta considerava difícil escolher por onde começar o seu elogio. Como fica evidente, apesar das incertezas sobre a origem do mito e da ausência de documentação anterior, no século VIII já se encontrava consolidada. Apolo é citado na Odisseia, é o foco de um dos Hinos Homéricos e é um dos deuses protagonistas na Ilíada, e destas fontes provêm as primeiras descrições do mito de Apolo.
Na Ilíada Apolo está contra os gregos, lutando ao lado dos troianos. Surge para se vingar do ultraje efectuado ao seu sacerdote Crises, cuja filha Criseida havia sido capturada por Agamemnon, e o deus já mostra algumas das facetas do seu carácter, a belicosidade e a violência de que era capaz e os atributos de causador e curador de doenças, semeando a peste entre os soldados gregos e derramando sobre eles raios de fogo através de uma chuva de flechas. De forma a aplacar o irado deus, não só Criseida foi devolvida ao pai, como os gregos tiveram de oferecer "uma perfeita hecatombe de touros e cordeiros", além de cantos e danças. Satisfeito suspendeu a praga.
Apolo foi igualmente o responsável pelo antagonismo entre Agamemnon e Aquiles, protegeu os heróis troianos



vista parcial do templo de Apolo Epikurios em Bassae, no sul da Grécia


Pandaros, Páris e Eneias, e também Heitor enquanto pode, frustrou as investidas de Pátroclo, Diomedes e Aquiles. Quando Glauco foi ferido por uma flecha de Teucros, orou por Apolo, que imediatamente fechou a ferida e devolveu-lhe as forças. Macaon e Podalírio, dois filhos de Asklepios, um dos filhos de Apolo, também estavam presentes na batalha. Foi quem curou as feridas de Sarpeden, foi o instrumento de Zeus para evitar a profanação do corpo do guerreiro quando este foi morto, e velou pelo corpo de Heitor. Na Ilíada Apolo também apareceu como deus da música, tocando a sua lira para deleite dos imortais e como guardião dos cavalos de Eumelo, e do gado de Laomedonte.
No Hino a Apolo, Homero descreveu a vida do deus desde o nascimento deste em Delos até à sua Apoteose em Delfos. O Hino inicia-se com um Apolo já adulto, como arqueiro sublime, entrando no palácio dos deuses e inspirando o temor de todos. Leto, mãe de Apolo, recebe o filho e conduz o deus ao seu assento entre os imortais, enquanto que o pai, Zeus, lhe dá as boas vindas, junto com os outros deuses. Depois o poeta passa a descrever as circunstâncias do nascimento de Apolo: Leto, uma ninfa filha do Titã Céos, foi amada por Zeus e engravidou de Apolo e Ártemis. Hera, esposa legítima de Zeus, descobriu o romance e voltou a sua ira contra Leto, a qual se viu impelida numa longa peregrinação para encontrar um lugar onde pudesse dar à luz, sempre perseguida pela serpente Píton, colocada no seu alcance. Parando na ilha de Ortígia, deu à luz Ártemis, mas só encontrou abrigo final numa ilha flutuante, Delos, pois Hera ordenara a Gaia, a Terra, que esta não oferecesse nenhum lugar de repouso a Leto. Ao chegar à ilha, Leto implorou para que esta a recebesse e fazendo o grande juramento em nome do Estige, prometeu-lhe erguer um templo e consagrá-la ao seu filho, com o que a ilha aquiesceu à súplica da ninfa. Entretanto, mesmo assistida pelas deusas Dione, reia, Icneia, Témis e Anfitrite, por nove dias e nove noites Leto sofreu as dores do parto sem que Apolo Nascesse, uma vez que Hera havia impedido Ilitia, a deusa dos partos, de socorrê-la. Mas as deusas finalmente enviaram Iris, mensageira dos deuses, para que seduzisse Ilitia com a oferta de um magnífico colar de ouro e âmbar de nove cúbitos de comprimento, e assim, antes que Hera protestasse, carregada pela veloz Íris desceu do Olimpo para ajudar Leto, fazendo com que Apolo nascesse. O infante foi então banhado pelas deusas, envolto em faixas e ornado com uma coroa de ouro. Antes que mamasse em sua mãe, Témis deu-lhe de beber o néctar dos deuses, e fê-lo comer a ambrósia divina, conferindo-lhe a imortalidade. De imediato tornou-se adulto, soltou-se das faixas, bradou reivindicando a lira e o arco, e declarou-se o porta-voz da vontade de Zeus. A luz do deus refulgiu e Delos floresceu em ouro.
Em seguida, Homero mostra Apolo de novo no Olimpo, tocando a sua lira e presidindo o coro das Musas, para logo o fazer descer do céu e percorrer a Terra à procura de um local onde fundar o seu culto. Chegando junto `fonte Telfusa, viu que era um local bastante aprazível para erguer um Templo e estabelecer um oráculo, mas a fonte advertiu-o que ali os homens ergueriam uma localidade barulhenta e não lhe dariam a devida atenção, sugerindo que ele fundasse o seu oráculo nas silenciosas encostas do monte Parnaso, o que fez, não sem antes matar o monstro Tífon, filho partogénico de Hera, que vivia devastando a região, e a serpente Píton, que perseguia a sua mãe. De seguida procurou os seus primeiros sacerdotes. Disfarçado de delfim, capturou um navio cretense e levou os marinheiros para o local que escolhera, impondo-lhes obediência, deu-lhes a direcção do Templo e do oráculo e prescreveu os rituais que deviam ser realizados. Por se ter revelado aos cretenses sob a forma de um delfim, disse que deveria ser invocado sob o epíteto de Apolo Delfinio, e o oráculo se chamaria Oráculo de Delfos.
Na sua Teogonia, Hesíodo, mais ou menos contemporâneo de Homero, fez apenas uma breve alusão a Apolo, mas autores posteriores deram versões alternativas para a história do deus.
Diversas localidades reivindicam o privilégio de serem o local de nascimento deste poderoso deus: Éfeso, Tegyra, Zostar e Creta. Os egípcios e Cícero diziam que ele era o filho de Ísis e Dionísio, e também foi identificado com os deuses solares Febo e Hélios, o egípcio Hórus, o Aplu etrusco e o Mitra oriental. Dizia-se que nascera num dia sete, ou que nascera de sete meses, e por isso o número sete era-lhe consagrado. Os dias sete de todos os meses eram-lhe dedicados com sacrifícios, e os seus festivais caiam geralmente num dia sete. Era membro do Concílio dos Deuses principais no Olimpo. Tinha o sol como a sua carruagem e como regente das Musas residia no Monte Parnaso, em cuja base estava o seu oráculo principal. Os animais associados a Apolo eram a serpente, o lobo, o delfim e o corvo, e alguns autores acrescentam o cisne, o abutre e o grifo, e era amiúde representado com o arco e flechas, ou com a lira. A sua planta sagrada era o loureiro, com cujas folhas eram feitas as coroas dos vencedores dos jogos atléticos.

Evolução e Interpretação do Mito

Como se lê em Homero, os primeiros atributos do deus foram o da morte súbita com as suas flechas infalíveis, a música, a vingança e a punição de violação da lei sagrada, o causador de doenças, e apenas secundariamente curador. Com o passar do tempo o seu mito foi sendo esquecido, como prova a enorme quantidade de epítetos associados a Apolo. O seu carácter primitivo, marcado pela violência, tornou-se mais brando, e foi erigido como um deus civilizador, curador, protector, harmonizador e organizador, num justiceiro mais equilibrado e num profeta completo.
Pitágoras teve um papel nessa transformação. Considerado por uns um filho de Apolo, e por outros como uma encarnação do próprio deus, que descera ao mundo dos homens numa missão terapêutica, e é significativo que Pitágoras fizesse sacrifícios em altares de Apolo, chamasse a si mesmo curador, tocasse lira e desse grande importância à música e à divinação. Ensinando uma doutrina de forte base ética e que enfatizava a harmonia e a pureza, a influência de Pitágoras sobre a cultura grega foi enorme, na mesma época em que o culto de Apolo crescia. Para além disso, desenvolveu uma teoria musical complexa baseada num sistema de proporções matemáticas onde os números simbólicos de Apolo ocupam lugar central. Esta teoria foi a base de toda a música grega da sua geração em diante e ainda permanece influente na atualidade.
Importante, também foi a assimilação de Apolo pelo Orfismo, cujo patrono mítico, o músico Orfeu, era acreditado como sendo filho de Apolo. Os seus rituais incluíam a música e a divinação, a doutrina órfica enfatizava a disciplina moral rigorosa, a purificação e o ascetismo, e incluía a crença numa vida beatífica após a morte. O Hino a Apolo dos órficos declara a função do deus harmonizador dos pólos opostos do cosmos com a sua lira. Apolo assumiu então outros atributos, apareceram outras lendas, e diversos autores gregos, e depois os helenistas e romanos, mostram-no em poemas, dramas e iconografia. Até a letalidade assustadora das suas flechas foi expandida para transformá-lo num deus misericordioso. Para Denis Huisman a influência da imagem apolínea foi determinante para a filosofia de Sócrates e, por consequência, a de Platão. Aristóteles referiu o mesmo, dizendo que de Delfos ele tornara o moto Conhece a ti mesmo, que se tornou o motivo organizador central do seu modo de vida e pensamento. Platão enfatizou a sua faceta organizadora na Religião, declarando que o Oráculo de Delfos devia ser consultado acerca de todas as questões relativas ao estabelecimento de santuários, sacrifícios e outras formas de culto de deuses, daimones e heróis; também sobre as tumbas e os ritos fúnebres, e as indicações para cargas religiosas públicas.
Afirmou igualmente, que havia descoberto a Medicina, a arte do arco e a divinação sob o impulso do desejo e do amor, e por isso era um discípulo de Eros. O poeta Calímaco mostrou o deus como sendo o inventor da flauta e da lira - embora a tradição mais corrente diga que ele recebeu ambas do seu irmão Hermes - e canonizou a identificação entre Apolo e Hélios, o deus especificamente solar, criticando os que ainda faziam alguma distinção entre ambos, embora já Homero o chamasse de Febo, brilhante. O papel de Apolo enquanto guardador de rebanhos veio a tornar-se mais marcado do que em Homero, e por extensão tornou-se o protetor dos pastores. Pelo que se pode deduzir dos hinos fragmentários de Píndaro, Apolo surge como o regulador do céu e preservador da ordem do mundo, mantendo o sol sempre no seu curso, fazendo disso um símbolo do caminho da sabedoria. Com a pontaria infalível das suas flechas de luz, ilumina o intelecto humano, ressaltando a sua ligação com o dom da profecia. Também atribuiu o deus como sendo o patrono das migrações dóricas.
Por sua vez, o poeta Alkaios descreveu o deus Apolo como sendo o instrumento de Justiça de Zeus, o guardião dos juramentos e das sentenças da lei, vingador das suas transgressões e punidor da húbris. A faceta do seu carácter ligado à Justiça foi explorada de forma interessante na tragédia Euménides, parte da trilogia Oresteia, de Ésquilo, retratando Apolo de forma ambígua. Primeiro o autor faz Tétis protestar, dizendo que Apolo estivera no seu festim, cantara para ela e lhe prometera a felicidade, e em seguida matara o seu filho. Após o que Orestes é obrigado por Apolo a assassinar a sua própria mãe Clitemnestra, mas ao fazer isso tornou-se culpado de um crime contra o próprio sangue, um terrível tabu. Assim o personagem, apesar de ter cumprido um mandamento divino. é atormentado por uma fúria igualmente divina, personificada pelas Erínias, até que Apolo intervém como seu advogado num julgamento em Atenas. Mas, não obstante a defesa de tão excelso advogado, o caso acabou empatado no júri. Orestes foi resgatado, no entanto, pelo voto de Atena a seu favor. No final, Apolo purificou Orestes com o sangue de um porco. É válido assinalar que Platão, na República, teceu severas críticas contra esta maneira de retratar os deuses, dizendo que era indecorosa, falsa e nada de útil poderia trazer para a sociedade, nem podia ser bom exemplo para a formação dos jovens. Acrescentou que era um atrevimento e uma decadência fazer de deus um personagem, atribuindo-lhes traços próprios dos homens, privando a arte, assim, de seu propósito ético e da sua capacidade como instrumento educativo.
Ao mesmo tempo, na época de Platão já se tornar uma visão corrente de que Apolo era a antítese e o complemento de Dionísio, seu irmão, o deus dos excessos, das relações entre o corpo e a alma, da embriaguez, da orgia, das emoções descontroladas, da transgressão, dos mistérios ocultos, do teatro e das ménades; enquanto que Apolo estava mais ligado à esfera racional, à vida quotidiana, à arte e à ordem social, preservando contudo o seu papel de inspirador da profecia e portador da palavra divina, ou Logos, também um símbolo do espírito e do intelecto. Também para os iniciados nos Mistérios Órficos, Apolo e Dionísio eram manifestações polares da mesma divindade. Como o arqueiro infalível e deus da luz, matador da serpente Píton, que era um símbolo das forças do mundo subterrâneo e do caos irracional, Apolo era uma imagem do iniciado que penetra nos mistérios da Natureza através da ciência e domina a animalidade da natureza humana através da vontade, do conhecimento e da disciplina; era, também por isso, o deus das expiações, purificações e penitências. Uma das versões do mito de Apolo diz que ele mesmo, após matar o monstro Píton, que apesar de tudo era uma criatura divina, teve de se purificar e fazer expiações por oito anos, exilando-se no vale de Tempe, sob a proteção de um loureiro.
Sendo um deus curador e ligado à ordem social, foi associado com os ritos de passagem da infância para a idade adulta, tornando-se a imagem do educador ideal, provendo inspiração e instrução para o cultivo do corpo e da mente num equilíbrio harmonioso e para uma correcta inserção social do jovem na vida comunitária. Para os gregos esse equilíbrio era um dos objectivos de um amplo sistema ético-pedagógico conhecido como paideia, concebido para a realização da kalokagathia, ou seja, a reunião de todas as Virtudes dentro da esfera da Beleza, o que incluía a excelência física como reflexo da excelência moral, cívica e espiritual. Nos seus atributos de iniciador e educador, Apolo foi elevado também à condição de patrono dos exercícios ginásticos - embora este papel fosse compartilhado com Hermes e secundariamente com Hércules -, com o resultado de ser-lhe atribuído o carácter de deus da beleza física. Por isso os ginásios eram colocados sob a sua tutela, não só por associação com o cultivo do corpo e a educação intelectual, artística, social e moral, mas também porque a ginástica era tida como tão valiosa para a promoção da saúde quanto a Medicina, da qual ele era igualmente padroeiro. Em Atenas o ginásio fora posto sob a tutela de Apolo Likeios - daí a origem da palavra Liceu como um local de aprendizado.
Uma consequência desses atributos reflete-se nas histórias em que Apolo tomou jovens amantes masculinos, como Jacinto e Ciparisso. 
Proclo, na sua Teologia Pltónica, estabeleceu uma hierarquia divina onde Apolo era uma emanação de Hélios e figurava, junto com Hermes e Afrodite, como uma deidade intermediária entre os deuses do universo primordial e da esfera superior e o mundo dos mortais, formando juntos uma trindade cujo atributo principal era o de elevar as almas humanas até eles mesmos. Hermes seria o responsável pela elevação da alma até ao conhecimento do Bem, e Afrodite até ao plano da Beleza. Apolo teria a função de elevar a alma até à esfera da Verdade e da Luz da Razão através da música, cuja virtude residia na sua capacidade de produzir harmonia e ritmo. As Musas seriam, nessa hierarquia, emanações secundárias de Apolo. Mais tarde, em Philebus, Proclo sintetizou o conceito de Bem como englobando a Verdade, a Beleza e Simetria, e ligou esses três aspectos respectivamente a três formas de vida, a do filósofo, protegido de Hermes, a do amante, devoto de Afrodite, e a do músico, seguidor de Apolo, e ligou essas formas a três tipos de loucura produzida pela inspiração divina, respectivamente a mania profética e filosófica, a mania erótica e a mania profética.
Entre os romanos, o seu oráculo era conhecido desde o tempo dos reis, mas o culto só se consolidou sob o império de Augusto. Ovídio fez dele o conhecedor do passado, do presente e do futuro, e dono do poder de todas as ervas medicinais, Horácio cantou o deus mais alto que os deuses romanos, e Virgílio disse que na sequência das Idades do mundo, a última seria regida por Apolo, o que era confirmado pelos célebres Livros Sibilinos , mas o seu perfil era mais divulgado como curador e patrono das artes, e mais do que uma divindade real, era mais um símbolo. Entretanto Augusto reavivou o culto, colocou o Estado Romano sob a protecção de Apolo, mais identificado com Febo, a deidade solar romana, e ao longo dos séculos seguintes, por influência do Mitraísmo do Oriente, o culto voltou-se mais para o Sol do que para Apolo propriamente dito, que teve as suas múltiplas atribuições e o seu antigo lugar preponderante entre os gregos resumidos à arte e à cura. Desde então tanto o poder religioso como o profano competiram pelo uso da simbologia solar.

Apolo no cristianismo, nas artes e no Estado moderno

Com a ascensão do cristianismo os deuses pagãos caíram em progressivo esquecimento. Os Padres da Igreja e os filósofos cristãos contribuíram ativamente para esse processo, denunciando-os como falsos deuses. Lactâncio, por exemplo, ridicularizou os mitos de Apolo e os demais deuses como uma impossibilidade óbvia - haviam nascido de uniões sexuais, o que via como inconciliável com a natureza divina, e dizia que se tratavam de simples mortais magnificados. Quanto a Apolo propriamente dito, Aristides analisou o seu carácter e acusou-de de violador, assassino e embusteiro, invejoso e iracundo, defendendo que era um absurdo que alguém que não deveria reinar nem entre os mortais fosse considerado uma das potestades celestes. 


Entre toda a condenação do paganismo, a teologia paleocristã foi largamente devedora da filosofia e da metafísica clássicas, especialmente dos neoplatónicos, como se prova na leitura da literatura patrística e na própria Bíblia, onde o Evangelho de João abre com as frases: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se faz. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens". Se diz que Cristo é a encarnação do Verbo, o que imediatamente remete à identificação grega de Apolo com a Palavra Divina através da profecia. A rigor Apolo não reivindica a profecia como sua; ele é um deus poderoso, mas subordinado a seu pai, Zeus, o deus Supremo, logo colocando-se muito próximo deste como seu porta-voz. Homero, no seu Hino a Apolo, faz o deus dizer: "Possa a lira ser-me cara, e também o arco encurvado, e para os homens eu proclamarei em oráculos o infalível conselho de Zeus.", e no Hino a Apolo órfico o deus é descrito como "a luz da vida", de modo que as similaridades entre as teologias cristã e pagã são evidentes.
A visão negativa da mitologia grega continuou ao longo de toda a Idade Média, e Apolo chegou a ser identificado com o Diabo. Mas a tradição popular de culto dos deuses solares encontrava-se demasiado enraizado entre as populações para que os cristãos os conseguissem fazer desaparecer, sendo que vários atributos apolíneos foram transferidos para novos personagens da cena religiosa em mudança, numa "política de solarização", como referiu Christian Mandon. São Jerónimo orientou a liturgia do batismo ao dizer que o cristão deveria morrer para o pecado e voltar-se para leste - onde nasce o sol - estabelecendo uma aliança com o "Sol da Justiça", o Cristo, em quem poderá renascer.Por volta do século VI surgiu o culto do arcanjo São Miguel, em substituição do de Apolo, cuja vitória sobre a "Antiga Serpente" - um dos nomes do Diabo - é o exemplo mais claro de paralelismo com a vitória de Apolo sobre Píton. Este novo culto disseminou-se rapidamente na Idade Média, muitas vezes instituído sobre antigos santuários de Apolo, e em alguns lugares da Europa suplantou o do próprio Cristo. Ao mesmo tempo, a iconografia de Apolo, especialmente a desenvolvido durante o período helenista-romano, foi absorvida rapidamente pelo Cristianismo para as primeiras representações de Cristo. Desde o século IV apareceram imagens de Cristo com atributos típicos de Apolo, como a auréola ou uma coroa de raios de luz, às vezes conduzindo uma quadriga, da mesma forma como Apolo-Febo-Mitra era figurado em pinturas e mosaicos mais antigos. Também na poesia dos séculos VI-VII Cristo imita Apolo, sendo descrito em hinos ambrosianos como o "Sol Verdadeiro" que dissipa as trevas. 
A associação entre ambos continuou viva pelos séculos seguintes. São Francisco de Assis compôs um hino em honra ao Irmão Sol onde dizia que o sol era a imagem mais próxima da divindade, e Petrarca elaborou uma teologia pessoal onde Cristo e Apolo aparecem ligados, numa imagem que penetra todo o seu trabalho poético. 
Ao longo do Renascimento houve um resgate dos mitos grego-romanos sem travestismos, e não deixa de ser simbólico o facto de que umas das representações clássicas mais expressivas de Apolo, o Apolo Belvedere, de Leocarés, tenha sido reencontrado numa escavação arqueológica nesta época, suscitando o entusiasmo generalizado entre toda a intelectualidade europeia e influenciando gerações de artistas pelos séculos seguintes. Neste momento Apolo, como deus da luz, da beleza, das artes e da razão, tornou-se uma imagem tutelar para os artistas e teóricos da arte, que estavam empenhados em desenvolver uma arte figurativa baseada no racionalismo, no estudo anatómico científico e na geometria, junto com uma conceção de arte como uma inspiração divina. Pela sua interpretação como uma imagem da busca humana por um universo compreensível e organizado e por uma localização do homem na ordem cósmica, o mito de Apolo e Mársias foi objecto de representação renascentista particularmente rica, uma tradição que continuou durante a época Barroca. Também para os humanistas do Renascimento Apolo foi uma figura importante, muitas vezes associado a Cristo no seu carácter purificador e redentor.
No terreno político, desde a época de Augusto que se tornara comum a associação do sol com o poder, a majestade e a glória régias, ao mesmo tempo esta associação pessoal do monarca com o astro do dia veio a ser um pretexto fácil para os soberanos justificarem pretensões imperialistas e absolutistas. 


A atualidade do mito

"Conhece a ti mesmo, Nada em Excesso" - Inscrições no templo de Apolo em Delfos


Desde a sua reanimação que o mito de Apolo vem sendo trabalhado. Durante o Iluminismo o seu papel como fonte de luz da Razão e dissipador da ignorância e do erro, tornou-se generalizadamente reconhecido, mas a universalidade da sua luz também deu margem para a interpretação que justificavam a erradicação de potenciais divergências e particularismos individuais. Winckelmann, o maior teórico dos neoclássicos, colocou-o, no entanto, num patamar muito elevado, ao dizer que a "a descrição de Apolo exige o estilo mais sublime: uma devoção a tudo o que se refira à humanidade". Já com os românticos, a posição do mito de Apolo variava; Shelley viu o deus como um símbolo da tirania cultural e política, John Ruskin considerava-o como um símbolo da luz, em combate com as trevas, e o poder da vida em combate contra a decrepitude. Oscar wilde, por sua vez, via-o como uma imagem de pureza do mundo natural em contraste com a decadência da civilização, mas entre os académico, a partir do século XIX, que se tornou evidente a importância dos mitos para prover uma chave de interpretação da sociedade e do homem moderno, com os estudos pioneiros de Friedrich Max Müller no campo da Religião Comparada e Friedrich von Schelling na área da Filosofia da Mitologia, entre outros.
Para Nietzcsche, Apolo era o deus dos sonhos, em contraste com Dionísio, o deus das intoxicações, e ambos os estados eram para ele os protótipos originais de toda a arte (Urbilder), nos quais os instintos artísticos da Natureza, a Unidade Primordial, encontram a satisfação suprema e imediata. Nietzsche acreditava que as figuras divinas gloriosas apareceram aos mortais primeiro em sonhos, O valor que o homem esteticamente sensível mantinha com os sonhos era o mesmo que os filósofos mantinham com a realidade da existência; o homem sensível era, assim, também um observador da vida, pois as imagens oníricas forneciam uma interpretação para a sua vida, e por isso os sonhos eram vivenciados pelos homens como uma necessidade jubilosa e como uma fonte de prazer intenso.. Continuava, afirmando que essa necessidade jubilosa da experiência onírica havia sido incorporada pelos gregos em Apolo, que se elevava, então, como uma imagem gloriosa e como o agente da individualização, um processo que se caracteriza pelo equílibrio e moderação. Por outras palavras, Apolo e Dionísio eram pólos complementares de uma mesma essência, e a desordem irracional, a vitalidade exuberante, a instabilidade e fugacidade das impressões dionisíacas deviam ser tornadas objectivas, fixas, compreensíveis e transmissíveis através do poder moderador, articulador e organizador de Apolo. Com a sua teoria de contraste complementar entre o apolíneo e o dionisíaco - que de facto já era clara para os próprios gregos da antiguidade - Nietzsche lançou as bases para a sua elaboração posterior pela Psicologia, Estética, Arte e Filosofia modernas, numa discussão que continua até aos dias de hoje e que vem sendo expandida por um grande número de autores.
Para Carl Jung, Apolo representava uma tipologia psicológica específica, caracterizada pela introspecção, introversão e contemplação. James Hillman e William Guthrie consideraram o princípio apolíneo, ou pelo menos uma absorção de traços do seu perfil, como indispensável quando uma pessoa necessita de um senso de forma, de disciplina, de distanciamento, de clareza de pensamento e objectividade, e, para Gregory Nagy, Apolo é uma imagem da palavra à espera de concretização, de uma juventude que nunca chega à maturidade, de um homem que jamais supera o seu pai. Vincenzo Vitiello viu em Apolo uma prefiguração mítica do conceito de que toda a tradição filosófica do ocidente pode ser descrita como um esforço continuado para o desenvolvimento da faculdade de pensar. Trindade e Schwarts usaram as relações entre Témis e Apolo para debater o processo de dessacralização do sistema judiciário moderno, considerando que Témis dera a ambrósia e o néctar para Apolo no seu nascimento, e que ela era uma divindade tutelar anterior do oráculo que Apolo assumiu em Delfos. Para os autores, Témis representa a Justiça em abstracto, e Apolo o instrumento da sua difusão entre os homens, mas através de uma sensibilidade que chamam de poética e divinamente inspirada. Diante do que vêem como uma banalização tanto da Justiça como da Arte nos dias atuais, advogam a restauração da conexão entre Apolo e Témis, a fim de se reconduzir as pessoas a um plano que seja possível compreender a beleza da Lei, reconhecer a distinção entre o certo e o errado e aceitar a autoridade da Justiça como essencial para o processo civilizador, do qual Apolo é o símbolo.
De acordo com Vilanova Artigas, Apolo é um símbolo da aceitação da sociedade como ela é, mas também de um projecto de melhoramento potencialmente infinito através da fidelidade a princípios de ordem, disciplina, consciência e lei, e das tecnologias que a cultura possa desenvolver, em benefício de todos. Mas para cosgrove a imagem do universalismo apolíneo tem aspectos problemáticos para a contemporaneidade, tendo gerado políticas imperialistas que se por um lado foram importantes para consolidar um senso de identidade para os ocidentais, por outro repercutiram de forma negativa noutras religiões do planeta, com o resultado de dominação injustificada de outras nações pelos países do ocidente e a aparição de profundos dilemas éticos a respeito dos direitos humanos, assim como deram margem a ideias de domínio sobre a Natureza que trouxeram graves consequências para a ecologia mundial. Também o patriarcalismo que norteou a concepção apolínea representou uma fonte de opressão para o universo feminino. O autor, porém, pensa que a imagem de Apolo é excessivamente complexa e rica para ser reduzida a qualquer abordagem focal, e a sua importância prova-se pela vata gama de ecos que produziu em inúmeras áreas da vida humana ao longo da história. 


Nota
Húbris - A búbris ou hybris é um conceito grego que pode ser traduzido como "tudo o que passa da medida, descomedimento" e que atualmente alude a uma confiança excessiva,  um orgulho exagerado, presunção, arrogância ou insolência (originalmente contra os deuses, que terminava geralmente com uma punição).
Na Grécia Antiga aludia a um desprezo temerário pelo espaço alheio, unido à falta de controlo sobre os próprios impulsos, um sentimento violento inspirado pelas paixões exageradas, consideradas doenças pelo seu carácter irracional e desequilibrado, e concretamente por Até (a fúria ou o orgulho). Opõem-se à sofrósina, a virtude da prudência, do bom senso e do comedimento.



Fonte
wikipédia

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...