03/12/2015

Apolo - o culto

Percebe-se pelos escritos de Homero (século VIII) que o culto de Apolo já se encontrava estabelecido antes mesmo dos registos escritos na Grécia, embora os artefactos arqueológicos remetam para a mesma altura que o poeta. 
Os dois templos maiores dedicados ao deus, Delfos e Delos, eram dos que possuíam uma maior influência na Grécia Antiga. O seu culto também era importante noutros locais como Atenas, Dídima, Claros, Cnossos e Abas. Também foram encontrados outros templos de Apolo em Egína, Quios, Mileto, Oropos, Hierápolis Bambyce, Corinto, Bassae, Patara, Segesta, entre outros.
O culto do deus tinha como actividades centrais a música, dança, divinação, procissões, sacrifícios e rituais purificatórios, com variações de local para local, ou de época para época, não se podendo assim descrever um sistema homogéneo, se se tiver em conta a extensão do período histórico do seu culto, a vasta região e os vários sincretismos que a imagem  de Apolo sofreu. Existem relatos de grandes festivais pan-helénicos até simples oferendas de indivíduos.
Apesar de a lenda dizer que o primeiro local de culto a Apolo deu-se em Delos, a ilha onde nascera, achados arqueológicos sugerem que o templo mais antigo de Apolo foi possivelmente construído em Naxos, no final do século VII a.C., uma estrutura relativamente simples, mas contendo uma estátua de culto ao deus de dimensões colossais, com uma cerca de seis metros, que se conservou de forma fragmentária.


Templo de Apolo em Naxos


Alguns exemplos de cultos ao deus Apolo

Delos
Delos
Só no final do século VI a.C é que os gregos dominaram Delos, erguendo então aí um santuário dedicado a Apolo, o qual viria a adquirir grande importância, parte devido ao facto de a ilha ser a sede da Liga de Delos. Em 426 a.C. os gregos consagraram toda a ilha ao culto de Apolo, e devido ao seu carácter sagrado, os nascimentos e mortes eram proibidos, e todas as mulheres grávidas que se encontrassem perto de dar à luz e os doentes graves deveriam abandonar Delos. O templo primitivo foi reconstruído e ampliado e foi instituído um grande festival em honra de Apolo que reunia as cidades da Liga a cada quatro anos, e outro a cada seis anos. Anualmente os membros da Liga enviavam para Delos um coro de catorze jovens num navio sagrado, que reconstituía a chegada mítica de Teseu à ilha de Creta (heróis que viria a matar o Minotauro),  sete rapazes e sete virgens enviados em sacrifício. Segundo a tradição, os jovens haviam prometido que, se Teseu derrotasse o monstro e eles sobrevivessem, enviariam todos os anos um navio-oferenda para perpetuar a memória da façanha. As famílias que se diziam seus descendentes  mantiveram o costume, e era uma cerimónia cercada de grande sacralidade. Desde a partida do navio, após a benção solene do sacerdote de Apolo, até ao seu retorno, as execuções eram proibidas. O Apolo Delios tornou-se muito venerado em Atenas, juntamente com o Apolo Pítio. Ao longo do domínio helenista o seu prestígio permaneceu e cresceu, com um pico por volta do século II A.C., mas a 69 a.C. a ilha foi devastadas pelas tropas do rei do Ponto.


Atenas
Segundo Demóstenes, Atenas tinha como ancestral Apolo Pítio, onde foi sempre venerado. Um dos festivais mais conhecidos era o da Thargelia, celebrado em Atenas e cidades gregas da Ásia no mês de Targelion (Maio). Tratava-se de um rito  purificador, às vezes acompanhado de ritos de fertilidade em celebração das colheitas. Tinha início com a escolha de duas pessoas, que serviriam de bode expiatório, geralmente um escravo ou um membro em dívida como criminosos ou assassinos, que seriam banidos para sempre - embora Gregory Nagy, em The Best of the Acheans, refira o facto de haver poucas evidências para se ter a certeza de que estas reconstituições destas vítimas que tinham o papel de atrair o miasma e através da sua "morte", libertar a comunidade do mesmo, seriam apenas na forma de exílio, se alguma vez terão sido efectuadas através de execuções reais. Os pharmakoi eram em geral vestidos com um colar de figos de preto e outro de branco, representando os membros masculinos e femininos da comunidade respectivamente. Apesar de um sentimento negativo que se mantinha por estes indivíduos, geralmente eram bem cuidados até ao dia do ritual, altura em que eram vestidos com boas roupas e soltos. Nesta altura os pharmakoi passavam a ser perseguidos pela população que lhes lançava pedras, bulbos de cebola, alho e outros elementos que se acreditava repelirem o miasma, maus espíritos e má sorte. Enquanto isto acontecia, realizava-se uma procissão onde se apresentavam os frutos da terra entre cantos de hinos a Apolo.
Outro festival era o da Pyanopsia, quando se levava numa procissão geral um ramo de oliveira enfeitado com um tecido de lã e vários tipos de frutos. Ao mesmo tempo ocorriam várias procissões privadas, e as portas das casas eram adornadas com um ramo semelhante que permanecia ali durante todo o ano, renovado no festival seguinte.  Desconhece-se o significado exacto do festival, podendo ter sido uma ação de graças pelo bom resultado das colheitas, uma vez que era realizado no outono, quando as safras já se encontravam no seu final.
Várias casas de Ática tinham um altar ou um pilar em frente ao pórtico dedicado a Apolo Aguieus, na sua condição de protetor das ruas e do caminho de entrada, sendo honrado com sacrifícios e preces antes de cada assembleia pública, junto com outros deuses. 
Quando os atenienses enviavam oficialmente as suas oferendas para Delfos, a procissão era precedida por dois homens carregados com machados, numa reencenação da lenda que se dizia que Apolo havia desbravado o terreno para a fundação da cidade e reafirmando o carácter civilizador do deus. 
Outro festival ateniense era a Boedromia, no qual era agradecida a ajuda de Apolo durante as guerras.

Delfos
Algumas versões do mito dizem que antes da chegada de Apolo existia um oráculo instalado na encosta do Monte Parnaso, consagrado a Gaia, e cuja profetisa era Témis ou Febe. Mais tarde tarde o oráculo teria passado para Posíden, e só numa data relativamente tardia viria a ser assumido por Apolo. Esta versão é confirmada pela arqueologia, que encontrou no local artefactos ritualisticos de cerca de 1.600 a.C. Tomlinson acredita que Delfos permaneceu  como um santuário de natureza apenas local até ao século VI a.C., altura em que foi dedicado a Apolo e começou a adquirir importância, embora não haja consenso entre os historiadores; De Boer & Hale, assim como Malkin, fazem a sua influência pan-helénica recuar para o século VIII a.C, altura em que o templo já havia sido consultado sobre projectos de fundação de colónias distantes. Ésquilo, filho de um sacerdote de Eleusis e ele mesmo um dos iniciados nos seus Mistérios, também defendia esta visão de dedicações sucessivas e disse que certa vez a pitonisa o havia confirmado. Diodoro Sículo afirmou que a origem da sacralidade do lugar se devia a certa vez um pastor ter ido à procura das suas cabras perdidas e, entrando numa gruta, ter ficado inebriado com estranhos vapores e ter visto o passado e o futuro. Ao relatar o acontecimento aos companheiros, ergueram um altar, pois consideraram os fenómenos como sinal da presença divina, e escolheram uma virgem para assumir a função de profetisa.
O santuário délfico mais recente, quando já presidido por Apolo, foi construído no fim do século VI a.C., numa série de terraços interligados por uma Via Sacra, que era usada como caminho de procissões, culminando no terraço do templo propriamente dito, uma estrutura dórica erguida a mando de Clístenes, que foi destruída por uma avalanche no século IV a.C. Foi então reconstruído uma estrutura idêntica à anterior no mesmo local, financiada por toda a Grécia. Ao longo da Via Sacra, com o tempo, foram erguidas várias capelas de tesouros, por cada cidade grega, e serviam como depósitos das oferendas para Apolo. Algumas eram ricamente ornamentadas, como os tesouros de Sifnos e de Atenas. Também foi erguido um muro à volta de toda a área, além de oratórios menores, um estádio, um teatro, casas para os sacerdotes e pitonisas, memoriais e outras estruturas.
Os registos históricos relatam que depois da consolidação da presença apolínea, as pitonisas (profetisas cujo
nome celebrava a vitória de Apolo sobre Píton) eram escolhidas entre as virgens de Delfos, e deviam ter uma reputação imaculada, permanecendo toda a vida consagradas ao deus. Algumas parecem ter sido casadas, mas depois de assumirem a sua função rompiam todos os laços familiares e perdiam a sua identidade privada. No período de apogeu do oráculo as pitonisas eram de famílias distintas, e com uma cultura vasta e refinada. Ricas, detentoras de grandes propriedades isentas de impostos, podiam assistir a cerimónias profanas e usavam coroas de ouro, elementos indicativos do seu imenso prestígio. Nas fases finais do culto do oráculo, o nível cultural e social das pitonisas decaiu imenso. As pitonisas proferiam os seus oráculos num estado de transe, sentadas sobre uma trípode que ficava sobre uma fenda rochosa no solo, de onde saíam vapores subterrâneos, depois de mascarem folhas de loureiro e beberem água da fonte sagrada. Só profetizavam nove vezes por ano, no sétimo dia após a lua nova. Aristófanes relatou que quando a pitonina proferia o oráculo o loureiro sagrado era agitado numa encenação orgiástica, e Diodoro mencionou o sacrifício de bodes, cuja presença é documentada por moedas cunhadas em Delfos. Esta forma de divinação não era típica de deuses solares mas era comum a outras divindades ctónicas, o que parece indicar a ligação do templo aos cultos primitivos dedicados a Gaia e outras deidades da terra e do mundo subterrâneo. Também foi sugerido que é uma indicação de uma origem  cretense ou oriental para o rito. Estudos recentes têm sugerido que certos gases tóxicos emanados de fissuras subterrâneas podem ser uma explicação para a origem do estado alterado de consciência das pitonisas. Eram assistidas por uma equipe de sacerdotes e funcionários, que organizavam o funcionamento do templo, recebiam os peregrinos e as embaixadas, interpretavam as palavras muitas vezes obscuras das pitonisas, realizavam sacrifícios e conduziam o canto de hinos e outras cerimónias. 
Delfos era considerada o centro do mundo e o umbigo da Terra estava dentro do Templo, simbolizado pela pedra do onfalos. Desta forma Delfos era uma imagem de estabilidade numa cultura definida por um aglomerado de cidades e grupos étnicos independentes, e estruturava toda a cosmografia grega num plano de círculos concêntricos de graus decrescentes da civilização que era reproduzido em menor escala em cada pólis. Os gregos viviam no círculo central, e para além deles viviam os estrangeiros, seguidos pelos bárbaros, os selvagens e finalmente os monstros. Um círculo cósmico formado pelas águas infinitas do oceano envolviam o mundo conhecido, de onde se originavam os quatro ventos e onde residiam os povos míticos. Em cada inverno Apolo viajava até ao país dos Hiperbóreos, que segundo algumas lendas haviam ajudado o deus na fundação de DElfos, um povo eterno e não sujeito aos males da humanidade e que Heródoto considerava ser constituído por sacerdotes de Apolo. Esta peregrinação mítica era um símbolo da sucessão das estações, regidas pelo deus através do deslocamento aparente da posição do sol no céu ao longo do ano, e criava um elo entre o mundo dos homens e as forças dos mundos superiores. 
O Oráculo de Delfos tornou-se o árbitro e legislador de toda a Grécia: Não tomava a iniciativa de impor regras ou políticas, mas quando surgia alguma questão delicada as cidades geralmente consultavam o Oráculo. As consultas variavam nos assuntos, desde a resolução de disputas e guerras, quando desejavam criar legislação ou fundar colónias, e mesmo acerca da saúde e bem estar colectivos, na emergência de pragas e outras calamidades. Também impunha penalidades para maus governantes e regulava os requisitos para admissão em cargos públicos. As decisões do oráculo eram geralmente aceites. Delfos adquiriu uma enorme autoridade e respeito por parte de todos os gregos, não apenas porque era a voz de um deus, mas porque conseguiu manter-se neutro nos conflitos públicos que administrou. Por sua vez, para o individuo, as respostas dadas incentivavam a reflexão e o auto-exame.
O santuário manteve-se em atividade ao longo dos períodos helenista e romano, e o oráculo foi consultado e respeitado até ao século II d.C., mas com a expansão do cristianismo caiu em abandono. Ainda foram feitas algumas tentativas de restaurá-lo, mas com a conversão do Império Romano ao cristianismo acabou por perder o sentido.O imperador Juliano, o Apóstata, tentou revitalizá-lo por volta de 360 d.C. quando quis restaurar o Paganismo no império, no entanto o próprio oráculo disse aos enviados imperiais: "Digam ao imperador que a minha casa ruiu até aos alicerces. Apolo já não mora aqui, nem a luz da sua profecia, e a águia da sua fonte secou".
A maior festividade de Delfos eram os Jogos Píticos, celebrados a cada quatro anos em honra de Apolo, Leto e Ártemis, e segundo a lenda haviam sido instituídos pelo próprio Apolo. Era uma das maiores celebrações pan-helénicas, incluía competições atléticas, teatrais, poéticas e musicais, e também se faziam concursos de pintura e escultura. AS competições artísticas eram as mais importantes, e em certos períodos parece mesmo que os jogos atléticos foram suprimidos. As festividades duravam vários dias e atraíam muitos estrangeiros, e todas as cidades gregas enviavam oferendas para Apolo.
Outras cidades da Grécia onde Apolo também era venerado, instituíram igualmente pequenos Jogos Píticos. Sobrevivem duas peças de música dedicadas ao Apolo Délfico, dois hinos encontrados em inscrições em pedra no santuário, mas não se sabe como eram executados. A transcrição da notação musical grega ainda conserva muitas incógnitas, para além de se encontrarem num estado fragmentário, sendo que a reconstrução que se dispõe actualmente das melodias é conjectural. De qualquer forma estão entre as partituras mais antigas conhecidas do mundo ocidental. O primeiro hino foi escrito por um ateniense anónimo por volta de 138 a.C, e descoberto em 1893 por Pierre Coubertin. O segundo hino foi composto por Limenios, cerca de 128 a.C.

Roma
Apolo era conhecido pelos romanos desde uma época recuada, e ainda durante o reinado o Oráculo de Delfos já era consultado, mas o seu culto só foi instituído em Roma no ano de 430 a.C., quando ele foi invocado para evitar uma praga, em que se construiu um templo nos Campos Flamínios dedicado a Apolo Sosiano. Em 350 a.C. foi construído um segundo templo e durante a II Guerra Púnica foram instituídos os Jogos Apolíneos. Mas Apolo não conheceu grande popularidade entre os romanos senão durante o império de Augusto, que se colocou a si e ao Estado sob a protecção deste deus, homenageou-o instituindo Jogos quinquenais, ampliando o templo e doando-lhe riquezas obtidas na Batalha de Áccio, para além de construir um novo templo a Apolo no Palatino, que se tornou a sede da culminação dos Jogos seculares celebrados no ano 17 para comemorar o início de uma nova era, quando o poeta Horácio celebrou Apolo e a irmã Diana (Ártemis) acima de todos os deuses romanos.
Apolo também teve templos romanos em Megapólis, Ortígia, Figaleia, Corinto e Delos, entre outros locais. O culto do deus Apolo espalhou-se pela maior parte da área de influência do Império Romano e foi identificado com vários deuses regionais associados à cura, principalmente celtas.

Etrúria
Apolo era conhecido pelos etruscos sob o nome de Apulu ou Aplu. Até onde se pode descobrir, dada a ausência de testemunhos literários, teve um papel importante na religião etrusca, e os seus atributos eram em tudo semelhantes aos do deus grego. Não são conhecidas muitas representações, mas sobrevive uma estátua de Apulu em terracota policroma em tamanho natural de qualidade superior, o chamado Apulu de Veios, provavelmente criada pelo escultor Vulca para os romanos cerca de 510 a.C. Encontrada em 1916, foi de grande importância para a reavaliação da arte etrusca no século XX. Plínio, o Velho, descreveu-a como sendo a mais bela estátua do seu tempo, e que era mais estimada do que ouro.


Epítetos e títulos de culto

Apolo, tal como outras deidades, tinha diversos títulos, que lhe eram aplicados para reflectir a diversidade dos seus papéis, obrigações e funções:
  • Epítetos gregos
Aguieus, protetor da entrada das casas; Loxias, oblíquo, pelos oráculos ambíguos; Hélios, o sol; Egletes, radiante; Febo, brilhante; Lício, luminoso, matador de lobos ou Lykegenes, nascido de uma loba ou nascido na Lícia; Acestor, Acésio, Alexikakos, Apotreu, Iatromantis, Epicuro, Paian, todos ligados à sua capacidade de prover a saúde e afastar o mal; Mântico, profeta; Arcagetes, diretor da fundação (por ser fundador das muralhas de Mégara); Esminteu, caçador de ratos; Nomios, andarilho; Delfínio, do útero que associa Apolo com Delfos; Pítio, por ter morto a Píton; Genétor, gerador, produtor de frutos (era associado ao atributo de regente da Idade Dourada). Parnópio; salta montes; Karneios, chifrudo; Aphetoros, deus do arco; Argurotoxos, do arco de prata; Hekaergos ou Hekebolos, que atira longe, em referência às flechas do deus; Ninfagetes, líder das ninfas; Klarios, doador de terras (devido à sua supervisão sobre as cidades e colócias); Musagetes, líder das musas.
  • Epítetos romanos
Medicus, médico; Febo, brilhante; Averruncus, aquele que afasta o mal; Culicarius, o que afasta os mosquitos; Articenens, o que leva o arco; Coelispex, o que observa o céu; Lesquenório, porque presidia as assembléias poéticas e musicais e as reuniões das musas.
  • Epítetos celtas
Atepomarus, grande ginete, ou dono de um grande cavalo; Belenus, belo ou brilhante; Grannus, Vindonius, brilhante; Borvo, quente, borbulhante, patrono das fontes termais; Maponos, grande mancebo, filho divino; Morigastus, marítimo; Oenghus, mancebo; Mac ind Óg, jovem filho, e na literatura arturiana sobreviveu com o nome de Mabon, Mabuz e Mabonagrain.

A revitalização do culto de Apolo

Além da importante presença simbólica de Apolo no mundo de hoje, abordada na secção do mito, deve ser mencionada o recente renascimento do culto efectivo de Apolo através da proliferação de credos neopagãos na cultura Nova Era. Já existem uma série de ritos estabelecidos para este novo culto de Apolo, e Vasilios Makrides nota que setores conservadores da Igreja Ortodoxa grega estão a fazer a denúncia de um suposto projeto "oficial" de paganização da Grécia, tornado evidente para eles através da renovação do ensino da mitologia e da introdução de literatura neopagã nas escolas, da atribuição de nomes de divindades pagãs para ruas e parques públicos, da criação de estátuas de Apolo e outros deuses na Academia de Atenas, da emissão de selos como efígies de deuses, da organização de festivais revivalistas em Delfos e da criação de um centro cultural internacional para a promoção do espírito délfico de cooperação internacional por exemplo. Diversos pregadores ortodoxos também têm protestado contra a introdução de elementos pagãos nas recentes Olimpíadas, e já houve confrontos violentos entre ambas as facções, que tiveram de ser administrados pelo poder público, o que parece comprovar que o Neopaganismo já se torna, na Grécia contemporânea, uma força social com uma influência social significativa. Tais cultos neopagãos fazem em linhas gerais uma crítica ao monoteísmo cristão-judaico e propõem uma ressacralização do mundo natural e uma reintegração do do homem a este de uma forma espontânea, despida de um dogmatismo religioso que julgam limitador da plena expressão da natureza humana tal como ela é e da percepção do divino na globalidade do mundo manifesto. 
Para Alain Benoit o Paganismo moderno prima pela tolerância e respeito pelas diferenças, e invés de constituir um saudosismo romântico ou uma utopia (apesar de considerar muitas das manifestações actuais ingénuas, quando não patéticas), baseia-se numas concepção não-linear da história, numa escolha deliberada por uma vida mais autêntica, integrada e harmoniosa, num desejo de corrigir a oposição dualista entre o Homem e Deus que contamina o monoteísmo, trazendo o divino para o mundo quotidiano, e aponta para a eternidade efectiva dos mitos e da vida que eles animam.



Notas
Pharmakos e farmacologia - o termo "pharmakos" tornou-se mais tarde o termo "pharmakeus" que se refere a "uma droga, uma poção mágica, a um droguista, envenenador, e por extensão um mágico ou feiticeiro". Uma variante do termo é "pharmakon" um termo complexo que significa sacramento, remédio, veneno, talismã, cosmética, perfume ou intoxicação". A partir daqui surgiu o termo moderno farmacologia.

Divindade ctónica - Na mitologia, principalmente na grega, o termo ctónico (do grego χθονιος khthonios, "relativo à terra" designa ou refere-se aos deuses ou espíritos do mundo subterrâneo, por oposição às divindades olímpicas. Às vezes são denominadas de "telúricas" (do latim tellus). A palavra grega χθών (khthōn) é um dos vários termos usados para designar "terra", e refere-se mais ao interior do solo do que à superfície (como γαιη gaia ou γε ) ou à terra como território (como χορα khora). Evoca ao mesmo tempo a abundância e a sepultura.




Fontes

http://www.press.jhu.edu/books/nagy/BofATL/chapter16.html
http://ta-hiera.blogspot.pt/2010/05/sobre-o-pharmakos.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Apolo

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...