01/12/2015

Afrodite

Etimologia

A pronúncia arcaica (homérica) do nome Ἀφροδίτη era, aproximadamente, [ˌapʰroˈdiːtɛː]. No grego koiné esta pronúncia tornou-se [ˌafroˈdiːtɛː], passando posteriormente para [ˌafroˈditi] no grego bizantino, devido ao fenómeno do iotacismo.

Não se conhece com certeza a etimologia do nome. Hesíodo associou-o a ἀφρός (aphros), "espuma", interpretando-o como "erguida da espuma". No entanto, vários autores classificaram  a origem desta etimologia como "etimologia popular", que por sua vez ofereceram outras etimologias especulativas, muitas derivadas de nomes não gregos. O indo-europeísta Michal Janda (2010) considera genuína a ligação com "espuma", identificando o mito de Afrodite em que esta ser ergue das águas após Crono ter derrotado Urano como um mitema do período proto-indo-europeu. De acordo com esta interpretação, o nome seria derivado de aphrós, "espuma", e déatai "[ela] parece" ou "brilha", significando "aquela que brilha da espuma [do oceano]", uma alcunha atribuída igualmente à deusa da alvorada (Eos).
J.P.Mallory e D.Q. Adams (1997) também propuseram uma etimologia baseada na ligação com a deusa indo-europeia da alvorada, a partir de *abhor-, "muito", e *dhei, "brilhar".
Diversos académicos sugeriram várias etimologias não-gregas. A ligação com a religiõ fenícia alegada por Heródoto levou a várias tentativas inconclusivas de se derivar o Aphrodite grego com um Aštoret semita, através de uma hipotética transmissão hitita. Outra etimologia semita compara com o assírio barīrītu, nome de um demónio feminino encontrado em textos babilónicos médios e tardios. O nome também poderá significar "aquela que  [vem] no alvorecer", o que identificaria  Afrodite com a sua personificação como a estrela d'alva, um paralelo importante que partilha com a deusa mesopotâmica Ishtar.
Outra etimologia não-grega sugerida por M. Hammarström,8 aponta para o etrusco, comparando (e)pruni, "senhor', uma denominação honorífica etrusca que passou para o grego na forma πρύτανις (prytanis). Isto faria com que a origem do teônimo fosse uma expressão honorífica, "a senhora". O linguista sueco Hjalmar Frisk, no entanto, rejeita esta etimologia, considerando-a "implausível".
O Etymologicum Magnum apresenta uma pseudo-etimologia medieval que explicaria o nome Aphrodite como derivado do composto ἁβροδίαιτος, habrodiaitos ("aquela que vive delicadamente"), de ἁβρός, habros + δίαιτα, diaita - explicando a alternância entre b e ph como uma característica "familiar" do grego, "obviamente [derivada] dos macedónios."


Mitologia

Nascimento

A versão mais geral para o local de nascimento de Afrodite, é perto do seu principal local de culto, Pafos (local de culto, desde o início da Idade do Ferro, para outras deusas, Ishtar e Astarte) , na ilha de Chipre, razão pela qual a deusa é muitas vezes chamada de "Cipriana", principalmente nos trabalhos poéticos de Safo. No entanto, outras versões do mito de Afrodite colocam o local de nascimento desta perto da ilha de Citera, daí o outro dos seus nomes Citereia. Citera era um local de paragem de comércio e cultura entre Creta e Peloponeso, logo estas histórias podem ter traços de migração do culto de Afrodite do Médio Oriente para a Grécia.
Na versão mais famosa do mito, o nascimento da deusa foi uma consequência de uma castração: Cronos cortou os genitais de Urano e atirou-os ao mar. A espuma dos genitais deu origem a Afrodite, enquanto que as Eríneas (fúrias), e as Melíade emergiram das gotas do sangue do deus castrado. Hesíodo diz que os genitais "foram conduzidos sobre o mar durante muito tempo, e surgiu espuma branca da carne imortal; com esta nasceu uma rapariga." A rapariga, Afrodite, flutuou até à costa na concha de uma vieira. Esta representação iconográfica de Afrodite como uma amadurecida "Venus surgindo do mar" (Venus Anadyomene) foi representada numa pintura muito admirada de Apeles, agora perdido, mas descrito na História Natural de Plínio o Velho.
Noutra versão sobre a sua origem, Afrodite era considerada a filha de Zeus e de Dione, a deusa ma~e cujo oráculo estava situado em Dodona. A própria Afrodite era muitas vezes chamada de Dione. Parece que "Dione" é uma forma feminina de "Dios", o exemplo do genitivo de Zeus, e poderia simplesmente referir-se "a deusa" de uma forma geral. Afrodite poderia, então, ser o equivalente a Reia, a Mãe Terra, que Homero recolocou para o Olimpo.

Fase adulta

Afrodite é constantemente representada, em todas as imagens e histórias, como não tendo tido infância, invés tendo nascido em idade núbil, uma adulta infinitamente desejável. É representada frequentemente nua, e muitas vezes vaidosa, com mau temperamento e facilmente ofendida. Embora seja casada (sendo um dos poucos deuses do panteão casados), não raras vezes é infiel ao marido.
O marido de Afrodite, Hefestos, é uma das divindades mais calmas da mitologia grega, mas na Odisseia mostra-se que Afrodite prefere Ares, o volátil deus da guerra pois sente-se atraída pela natureza violenta deste. Afrodite  é uma das poucas personagens com enorme influência para a Guerra de Tróia: oferece Helena de Tróia a Páris, e como deusa do desejo, é responsável pelo desejo de Páris por Helena de Tróia se tornar tão forte quando este a vê pela primeira vez, fazendo com que a raptasse.
De acordo com uma versão da história de Afrodite, devido à sua enorme beleza, Zeus temendo que os outros deuses se viessem a tornar violentos entre si, na rivalidade de a possuir, força-a a casar-se com Hefestos, o sisudo deus da metalurgia. Noutra versão, Afrodite casa-se com Hefestos após a mãe deste, Hera o atirar do Olimpo, julgando-o demasiado feio e disforme para habitar a casa dos deuses. Como vingança, Hefestos aprisiona Hera ao trono desta, em retorno da libertação da mãe, exigiu a mão de Afrodite.
Hefestos na felicidade de ser casado com a deusa da beleza, produz-lhe joelharia de imensa beleza, incluindo o cestus, um cinturão que a torna ainda mais irresistível aos homens. A infelicidade da deusa com o casamento faz com que esta procure frequentemente companhia masculina, geralmente Ares, mas também Adonis.

ConsortesFilhos
Hefestos
AresFobos

Deimos

Harmonia

Adrestia (ou Adrasteia, a ninfa, ou Adrasteia, a deusa)

Os Erotes (Eros, Anteros, Himeros, Pothos)
PoseidonRhode (possivelmente)
HermesTyche (possivelmente)

Hermafrodito
DionisioAs Graças (Tália, Eufrosina Aglaea)

Príapo (algumas versões dizem que Adónis e não Dionísio era o pai de Príapo)
ZeusTyche (possivelmente)
AdónisBeroe

Golgos
Faéton (filho de Eos)Astynoos
AnquisesEneias

Lyrus
ButesÉrix
Pai desconhecidoMeligounis e outras filhas desconhecidas

Peitho

Culto moderno de Afrodite
Sendo uma das divindades dos Doze Olimpianos do Panteão Grego, e logo uma das divindades mais importantes, o culto de Afrodite como deusa viva, é um dos cultos de destaque do Reconstrucionismo Politeísta Helénico (RPH). O RPH, o Helenismo, revive as antigas práticas religiosas gregas na atualidade.
As práticas devocionais do Culto de Afrodite contemporâneo é difere do da Antiguidade de diversas formas. Entre os Reconstrucionistas Helénicos, a visão de uma Afrodite lasciva deu, em grande parte, a um entendimento mais alargado do seu papel como deusa do amor e da paixão. Situações como prostituição fora do templo de Afrodite são vistas, na melhor das hipóteses, como anacronismos fora da sociedade da Antiga Grécia, se não mesmo completamente desaprovadas. Invés, o culto moderno faz oferendas e invoca o nome da deusa para obter a benção desta e os seus favores para relações românticas, incluindo para as relações monógamas. Neste culto, as convicções éticas dos politeístas modernos são inspirados pelas virtudes da Antiga Grécia de auto-controlo e moderação.
Os politeístas helénicos da atualidade celebram a sua devoção religiosa durante três dias que dura o festival mais célebre da deusa do amor. Aphrodisia, é o dia  principal do festival de Afrodite e é celebrado de acordo com o calendário ático (ou grego) no dia 4 do Hekatombaion, equivalente aos meses de Julho ou Agosto do calendário gregoriano, dependendo dos anos. Adonia, um festival composto pelo culto de Afrodite e do companheiro Adonis, é celebrado na primeira lua cheia após o equinócio da Primavera do Norte, muitas vezes na mesma altura que a Pásco cristã. O quarto dia de cada mês é considerado um dia sagrado a Afrodite e ao filho Eros.
As ofertas a Afrodite incluem incenso, fruta (particularmente maçãs e romãs), flores (principalmente com fragrância de rosas), vinho doce (especialmente Commandaria, de Chipre) e bolos feitos com mel.

Mitologia comparativa

As religiões do Antigo Médio Oriente têm várias deusas em que se pode argumentar serem semelhantes em certos aspetos a Afrodite.
O culto de Afrodite foi importado, ou pelo menos influenciado, pelos cultos de Astarte da Fenícia. Hans George Wunderlich liga a deusa grega à deusa cobra minóica. A deusa cobra egipcia Wadjet também foi associada com a cidade conhecida pelos gregos de Aphroditopolis (a cidade de Afrodite).
Os primeiros a estabelecer o culto de Afrodite nos Estados de Pausanias foram os Assírios, após estes os Pafianos de Chipre e depois os Fenícios em Ascalon. Foram estes últimos que espalharam o culto da deusa entre o povo.
Há muito que se aceita que Afrodite (apesar da sua possivel influencia oriental) preserva alguns aspectos da deusa da aurora indo-europeia Hausos (em grego Eos, a latina Aurora e em sânscrito Ushas).



Fonte
Wikipédia


Desejo

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