04/12/2015

A alma da borboleta


«Um homem e uma mulher jovens, que partilhavam uma grande paixão pela jardinagem, eram casados. Viviam juntos no meio de grande felicidade, sendo o amor que sentiam pelas plantas apenas suplantado pelo prazer que tinham na companhia um do outro. Mais tarde, já numa idade avançada, tiveram um filho que, felizmente, herdou o interesse dos pais pelas plantas. O casal morreu de velhice quando o filho era ainda jovem. 
O rapaz responsabilizou-se pelo jardim, cuidando deste com o carinho e a devoção que aprendera com os pais. Na Primavera que se seguiu às suas mortes, via todos os dias duas borboletas no jardim. Uma noite, sonhou que a mãe e o pai vagueavam pelo jardim que tanto amavam, inspeccionando as plantas, que tão bem conheciam, para ver como tinham sido tratadas pelo rapaz. Repentinamente, o idoso casal transformou-se em duas borboletas, prosseguindo o seu passeio pelo jardim, pousando em cada flor, uma de cada vez. Na manhã seguinte, o par de borboletas ainda se encontrava no jardim, tendo o rapaz percebido que elas encerravam as almas dos pais, que continuavam a tirar prazer do trabalho das suas vidas.»


Introdução à Mitologia Oriental, Coordenação de Clio Whittaker, Editorial Estampa, Abril 2000

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...