21/12/2015

Ardipithecus kadabba


O Ardipithecus kadabba foi um primata que viveu há cerca de 5,2 a 5,8 milhões de anos atrás, na região do Vale Awash, no noroeste da atual Etiópia. O primeiro fóssil foi descoberto pelo paleoantropólogo etíope Yohannes Haile-Selassie, na depressão de Affar. Era bípede, muito provavelmente semelhante aos modernos chimpanzés a nível do tamanho do cérebro, e tinha caninos que se assemelhavam aos dos hominídeos posteriores, mas que ainda se projetavam para além da fileira de dentes, mais primitivos que os do Australopithecus afarensis, Australopithecus anamensis e Ardipithecus ramidus, que surgiu cerca de um milhão de anos depois. 
Esta espécie humana ancestral só é conhecida no registo fóssil através de alguns ossos pós-cranianos e conjuntos de dentes. Um osso do dedo grande do pé, com aspecto amplo e aparência robusta, sugere o seu uso na locomoção bípede.
A espécie viveu na África Oriental (Middle Awash Valley, na Etiópia) entre 5,8 e 5,2 milhões de anos atrás.

História da descoberta

Quando o paleontropologista etíope Yohannes Haile-Selassie encontrou uma parte de uma mandíbula inferior no solo na região do Middle Awash, na Etiópia, em 1997, não se apercebeu de que tinha descoberto uma nova espécie. Mas 11 espécimes de, pelo menos, cinco indivíduos fizeram com que Haile-selassie ficasse convencido de que tinha encontrado um novo ancestral humano. Os fósseis - que também incluíam ossos das mãos e pés, ossos parciais do braço e uma clavícula - foram datados de há 5,6 a 5,8 milhões de anos atrás. Um dos fragmentos, um osso do dedo do pé, foi datado como tendo 5,2 milhões de anos (este osso mostra características de bipedismo). Os fósseis animais encontrado no local, mostram que estes primeiros humanos viviam numa mistura de florestas e pradarias, e tinham acesso a quantidades abundantes de água através dos lagos e fontes, em condições pantanosas, uma forte contraproposta à teoria que diz que o bipedismo surgiu em savanas.

Orrorin tugenensis

Tendo vivido há cerca de seis milhões de anos atrás, durante o Mioceno, o Orrorin tugenensis foi um dos ancestrais humanos mais antigos na árvore genealógico humana. Os indivíduos desta espécie tinham mais ou menos as dimensões de um chimpanzé e dentes pequenos com esmalte espesso, semelhantes aos dentes dos humanos modernos. O fóssil mais importante desta espécie é um fémur superior, que mostra uma acumulação de osso típica de um bípede - o que mostra que o Orrorin tugenensis trepava às árvores mas, muito provavelmente, caminhava ereto sobre duas pernas no solo. Mas de grande importância é igualmente um úmero direito, sugestivo de habilidades de escalador, mas não de braquiação, um osso da falange e dentes e fragmentos da mandíbula inferior que sugerem uma dieta parecida com a dos humanos modernos.
Nomeado Orrorin tugenensis em julho de 2001, viveu na África Oriental, no atual Quénia, em Cheboit, Kapsomi e Aragai. Os trinta fósseis encontrados foram datados de entre 6,2 e 5,8 milhões de anos atrás, através do uso dos métodos radioisótopos, paleomagnetismo e biocronologia, compondo um total de cinco individuos.
Apesar de alguns investigadores estarem convencidos de que as características desta espécie parecem ser indicadoras de que o Orrorin praticou o bipedalismo, outros permanecem céticos. Se o Orrorin tugenensis foi de facto um bípede, marcaria alguns dos primeiros indícios para esta forma de locomoção no registo fóssil humano e lançaria luz sobre as causas evolutivas da mudança para a bipedalidade. No entanto, as datas para o período de tempo em que se teria dado a divergência das linhagens evolutivas entre humanos e os macacos atuais, calculada com base em estudos moleculares, indica uma diferença de dois milhões de anos, com as defendidas acima.

Sahelanthropus tchadensis


Sahelanthropus tchadensis é uma das espécies conhecidas mais antigas na árvore da família dos humanos. Esta espécie viveu algures, entre 7 e 6 milhões de anos atrás, no Mioceno, na África Central Ocidental, atual Chade. Apelidada de "Toumai", pode ser o elo perdido que separou a linhagem humana da linhagem dos chimpanzés.
O bipedismo pode ter ajudado esta espécie a sobreviver em habitats diferentes, incluindo florestas e pradarias.
Apesar de só haver fósseis do crânio do Sahelanthropus, os estudos feitos até à atualidade mostram que esta espécie apresentava uma combinação de características simiescas e humanas. As primeiras incluem um cérebro pequeno, de 320 a 380 cm3 (um pouco menor do que o dos chimpanzés), uma face plana, arcadas supraorbitais bastante pronunciadas, o crânio alongado. Já as características humanas incluem caninos pequenos, uma parte central da face curta e uma abertura da medula espinhal por baixo do crânio.

Bipedismo

Algumas das evidências mais antigas das espécies tipo-humanas é o bipedismo, que vem do Sahelanthropus. O buraco occipital (grande abertura em que a medula espinal sai para fora do crânio a partir do cérebro) está localizado mais à frente (no lado inferior do crânio) do que nos macacos ou noutros primatas, com exceção dos seres humanos. Esta característica é indicadora de que a cabeça do Sahelanthropus pertencia a um corpo ereto, muito provavelmente associado ao caminhar sobre duas pernas.

19/12/2015

Batalha de Estalinegrado

A batalha de Estalinegrado (23 de Agosto de 1942 a 02 de Fevereiro de 143) foi uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial, na qual a Alemanha Nazi e os seus aliados lutaram contra a União Soviética pelo controlo da cidade de Estalinegrado (atual Volgogrado), no sudoeste da União Soviética.
Apesar da falta de recursos e efetivos do exército alemão, depois do fracasso da invasão da União Soviética em 1941, Hitler insistiu na estratégia de defesa, numa tentativa de consolidar os avanços que efetuara, tendo desistido de conquistar a vastidão territorial que era a URSS, mas criando uma linha defensiva natural do Báltico ao Mar Negro. Mas o problema da falta de recursos continuava a colocar-se, e assim, a investida no sul, nos campos de petróleo do Cáucaso era algo que se lhe mostrava natural, logo as divisões alemãs eram forçadas a atravessar o Volga.
A 28 de Junho, Bock fez o seu primeiro movimento, lançando o IV Exército Panzer contra Voronezh, importante cidade no sistema lateral de comunicação soviético, 
situada atrás da linha de frente. Dois dias depois, colocou o VI Exército em movimento, dirigindo-o para Nordeste, contra o mesmo alvo, visando formar um bolsão centralizado em Stary Oskol, onde os VI, XI e XXI exércitos soviéticos ficariam cercados.
No entanto,  o marechal Timoshenko, que comandava o setor, dificultou a vida aos alemães, até porque tinha acesso a informações privilegiadas sobre os planos nazis. De facto, a 19 de Junho, o oficial  de operações da XXII Divisão Panzer, major Reichel, fez uma aterragem forçada perto das linhas russas. Reichel tinha consigo alguns documentos, incluindo os objetivos para a primeira fase da ofensiva, que caíram nas mãos dos russos.
As forças soviéticas conseguiram travar a ofensiva de Bock, que foi demitido, enquanto as divisões de Timoshenko conseguiram recuar sem ser praticamente importunadas e aniquiladas, como pretendia o Alto Comando Nazi.

Adolf Hitler - Biografia

Adolf Hitler nasceu a 20 de Abril de 1889 e morreu a 30 de Abril de 1945, era um político germano-austríaco e o líder do Partido Nacional Socialista Trabalhista Alemão (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP), referido geralmente como o Partido Nazi. Foi o chanceler da Alemanha entre 1933 e 1945 e ditador da Alemanha Nazi de 1934 a 1845. Hitler está associado à ascensão do fascismo na Europa.
Era um veterano condecorado da Primeira Guerra Mundial, juntou-se ao Partido Trabalhista Alemão, percursor do Partido Nazi, em 1919, vindo a tornar-se o líder do NSDAP em 1921.

Em 1923 fez uma tentativa de golpe de Estado, conhecido como o Putsch da Cervejaria, em Munique. O golpe falhou e resultou no encarceramento de Hitler, durante o qual ele escreveu as suas memórias, Mein Kampf (Minha Luta).
Após a sua libertação, em 1924, Hitler ganhou apoio ao promover o Pan-germanismo, anti-semitismo, e anti-comunismo com uma oratória carismática e propaganda Nazi.
Foi nomeado chanceler em 1933 e transformou a República de Weimer no Terceiro Reich, uma ditadura de um só partido, baseada no totalitarismo e na ideologia autocrática dos Nazis. O seu objetivo, declarado, era criar uma Nova Ordem de absoluta hegemonia do partido Nazi na Europa continental.
As políticas internas e externas de Hitler tinham como objetivo ganhar Lebensraum ("espaço vital") para o povo alemão. Supervisionou o rearmamento da Alemanha e a invasão da Polónia pela Wehrmacht em Setembro de 1939, a qual levou ao início da Segunda Guerra Mundial na Europa.
Sob a direção de Hitler, em 1941, as forças alemãs e os seus aliados, ocuparam a maior parte da Europa e do Norte de África. Estas conquistas foram perdidas gradualmente após 1941, e em 1945 os Aliados derrotaram o exército Alemão.
A supremacia de Hitler e as políticas raciais resultaram no homicídio de onze milhões de pessoas, incluindo quase seis milhões de judeus.
Nos últimos dias de guerra, durante a batalha de Berlim, em 1945, Hitler casou com a companheira de longa data, Eva Braun. A 30 de Abril de 1945 - pouco menos de dois dias depois - ambos cometeram suicídio para evitar a captura pelo Exército Vermelho, e os seus corpos foram queimados.

Mein Kampf - A minha luta



(Ebook-Portugues) Adolf Hitler - Minha Luta - Mein Kampf.pdf



O Mein Kampf é o título do livro constituído por dois volumes da autoria de Adolf Hitler, no qual ele expressa os seus ideais anti-semitas, racialistas e nacional-socialistas, então adoptados pelos partido Nazi.
O primeiro volume foi escrito na prisão e editado em 1925, o segundo, escrito já fora da prisão, foi editado em 1926.
A obra foi um guia ideológico para os nazis e, ainda hoje, influencia os neonazis, sendo denominado por alguns como a Bíblia Nazi.
É importante ressaltar que as ideias propostas no Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas sim de teorias e argumentos então vigentes na Europa.
Na Alemanha nazi era uma exigência não oficial possuir o livro. Era um presente comum às crianças recém-nascidas ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam aquando da sua formatura.
Hitler começou a ditar o livro a Emil Maurice, enquanto estava preso em Landsberg, e depois de Julho de 1924 passou a ditar a Rudolf Hess que, posteriormente, com a ajuda de especialistas, aos poucos, editou o livro.
Devido à sua peculiar natureza verbal, a obra original mostrava-se repetitiva e de difícil leitura, pelo que precisou de ser escrita e rescrita, antes de chegar à editora.
A obra foi dedicada a Dietrich Eckart, membro da Sociedade de Thule.
O título original da obra era Viereinhalb Jahre [des kampfes] gegen Lüge, Dummheit und Feigheit (Quatro anos e meio de luta contra mentiras, estupidez e cobardia), mas Max Amann, o responsável pelas publicações nazis, achou que o título para além de confuso era longo, acabou por abreviá-lo para Mein Kampf (A minha luta). Amann ficou desapontado com o conteúdo da obra, pois esperava uma história pessoal detalhada de Hitler, com ênfase no Putch da Cervejaria, que acreditava, ser uma boa leitura. Hitler, no entanto, preferiu não entrar em demasiados detalhes acerca da sua vida pessoal e não escreveu nada acerca do Putch.

O primeiro volume, intitulado Eine Abrechnung, é essencialmente autobiográfico e foi publicado a 18 de Julho de 1925. Já o segundo volume, Die Nationalsozialistische Bewegung (O movimento nacional-socialista), expressa a doutrina nazi e foi publicado a 11 de Dezembro de 1926, no qual incluiu a dedicatória a Eckart.
É aqui que o autor esclarece quando é que se tornou um nacionalista, logo na infância, na época de estudante:
«Incomparavelmente melhores eram os meus trabalhos em geografia e, sobretudo, em história. Eram essas as duas matérias favoritas, nas quais eu fazia progressos na classe.
Quando, depois de muitos anos, examino o resultado daqueles tempos, vejo dois fatos de muita significação:
Tornei-me nacionalista.
Aprendi a entender a história pelo seu verdadeiro sentido.»

As primeiras ideias do livro são aquelas que mais tarde foram aplicadas durante a Alemanha Nazi, na Segunda Guerra Mundial.
Destaca-se o amor ao povo alemão de Hitler, o qual aceita, entre outras teorias, Os Protocolos dos Sábios de Sião.
Hitler desejava transformar a Alemanha num novo tipo de Estado, que se alicerçasse com o conceito de raças humanas e incluísse todos os alemães que viviam fora da Alemanha, estabelecendo o Führeprizip - conceito de líder -, em que Hitler dita que ele deveria deter grandes poderes, estabelecendo uma ideologia universal (Weltanshauung).

17/12/2015

Primeira Guerra Mundial - As Consequências

Armistício e Capitulações




O colapso dos Poderes Centrais veio de forma rápida. A Bulgária foi a primeira a assinar o armistício a 29 de Setembro de 1918 em Salaniki. A 30 de Outubro o Império Otomano rendeu-se  em Moudros, assinando o Armistício de Moudros.
A 24 de Outubro, os Italianos começaram a recuperar o território perdido na Batalha de Carporeto. Culminou na Batalha de Vittorio Veneto, que marcou o fim do Exército Austro-Húngaro como uma força efectiva de combate. A Ofensiva também desencadeou a desintegração do Império Austro-Húngaro. Durante a última semana de Outubro, foram feitas várias declarações de independência em Budapeste, Praga e Zagreb. A 29 de Outubro, as autoridades imperiais pediram um armistício à Itália, mas os italianos continuaram a avançar, chegando a Trento, Udine e Trieste. A 3 de Novembro a Áustria-Hungria enviou uma bandeira de tréguas a pedir novamente por armistício. Os termos, designados pelas Autoridades Aliadas em Paris, foram comunicadas ao comando austríaco e aceites. O Armistício com a Áustria foi assinado na Villa Giusti, perto de Padua, a 3 de Novembro. A Áustria e a Hungria assinaram armistícios separados, após a queda da Monarquia dos Habsburgos. Como consequência  da revolução alemã de 1918-19, foi proclamada uma república a 9 de Novembro. O Kaiser fugiu para a Holanda.
Às cinco horas da manhã de 11 de Novembro, foi assinado um armistício numa carruagem de comboio em Campiègne. Às onze horas, de 11 de Novembro de 1918 - "às 11 horas, do dia 11 do mês 11" - entrou em vigor um cessar fogo. Durante as seis horas entre a assinatura do armistício e este entrar em vigor os exércitos inimigos começaram a retirar-se das suas posições, mas os combates continuaram em muitas áreas, pois muito comandantes queriam recuperar território antes que a guerra terminasse.
Em Novembro de 1918, os Aliados tinham homens e materiais em quantidade ampla para invadirem a Alemanha, no entanto à altura do armistício, nenhuma força Aliada atravessou a fronteira alemã, a Frente Ocidental encontrava-se a 720 km de distância de Berlim, e os exércitos do Kaiser tinham-se retirado do campo de batalha de forma ordeira. Estes factores permitiram que Hindenburg e outros líderes séniores alemães espalhassem a história que não era bem verdade que o exército alemão havia sido derrotado. Isto resultou na lenda de traição, que atribuiu a derrota alemã não à sua incapacidade de continuar a lutar, mas ao fracasso público em responder ao "chamamento patriótico" e à suposta sabotagem intencional ao esforço de guerra, particularmente por Judeus, Socialistas e Bolcheviques.

Primeira Guerra Mundial - O Conflito

A guerra, enquanto tribunal que decide o que é certo e o que é errado numa contenda, é um processo brutal, incerto e oneroso [...] e cujo custo é exorbitante. A morte de dez milhões de pessoas e a mutilação de vinte milhões de outras [...] são um preço terrível a pagar para determinar quem foram os autores  do assassínio de dois indivíduos e que pena lhe deve ser aplicada.

David Lloyd George, Memórias de Guerra



Impasse
Nenhum dos campos imaginava que o conflito duraria mais do que seis meses. Ambas as partes estavam mal preparadas para uma guerra prolongada e brutal. A Alemanha contava vencer de forma rápida a Bélgica e a França cercando as tropas francesas antes de concentrar as suas forças na frente leste, para então enfrentar o exército russo, cuja mobilização deveria ser mais lenta. Mas a decisão de manter as tropas de reserva nas regiões da Alsácia-Lorena e do Sarre limitou os efectivos alemães. Os alemães, fragilizados foram detidos no rio Marne pelas forças anglo-francesas entre 5 e 8 de Setembro. A partir de Novembro, as duas partes entrincheiraram-se ao longo de uma linha com mais de 650 km, desde a Mancha até à Suiça. Atrás do arame farpado, eriçado de metralhadoras e peças de artilharia, os dois campos entregaram-se a quase quatro anos de uma impiedosa guerra de desgaste.

A frente oriental
No Leste, a frente teve de início mais mobilidade. Os russos repeliram os alemães e austro-húngaros em Gumbinem e Lemberg. No final de Agosto, os alemães bateram os russos  em Tannenberg e nos lagos da Masúria. Mas a Alemanha, obrigada a lutar em duas frentes, não tinha recursos suficientes para explorar as suas vitórias no Leste. O mesmo aconteceu com as outras potências Centrais, que não conseguiram avanços decisivos. Quando a Itália abriu uma nova frente contra as potências do Centro, em 1915, as tropas austro-húngaras chegaram ao limite das suas forças, obrigando os alemães a interferirem e esmagando, em 1917, os italianos em Caporetto. A conquista da Roménia e da Sérvia pelas forças austríacas e alemãs, em 1916, com a ajuda da Bulgária, foi contrabalançada pela ofensiva russa de Brussilov, em Junho, que limitou o risco de novas perdas territoriais russas. O elemento decisivo para as potências centrais na frente leste foi a queda do regime czarista, em Fevereiro de 1917, que precipitou a retirada russa da guerra: em Março de 1918, o Tratado Brest-Litovsk pôs fim à guerra contra a Rússia e permitiu à Alemanha concentrar as suas forças na frente oeste.

Vitória na frente ocidental
A entrada dos EUA na guerra faz pender a balança a favor dos Aliados. Os americanos emprestam cerca de 10 biliões de dólares, além de enviarem ajuda material e víveres. Em Março de 1918 o general alemão Ludendorff desencadeia uma última ofensiva. As forças alemãs rompem a frente aliada e marcham em direcção a Paris até serem detidas, esgotadas e quase sem munições. Os Aliados repelem os alemães e os austríacos em França e na Itália. Em Setembro, Ludendorff pede o Armistício. Quando este é concedido, a 11 de Novembro, a Áustria, a Turquia e a Bulgária já tinham sido vencidas. A derrota alemã e a Revolução russa transformaram a paisagem europeia e abriram o caminho a violentos conflitos sociais.


Início de hostilidades

Confusão entre os Poderes Centrais
A estratégia dos Poderes Centrais sofreu devido a má comunicação. A Alemanha tinha prometido apoiar a invasão da Áustria-Hungria da Sérvia, mas houve várias interpretações do que isto significava. Os planos de implementação que haviam sido anteriormente testados foram substituídos no início de 1914, mas estes nunca haviam sido testados em exercícios. Os líderes austro-húngaros acreditavam que a Alemanha iria cobrir o flanco norte contra a Rússia. A Alemanha, por sua vez, estava convencida que a Áustria-Hungria iria direcionar a maior parte das suas tropas contra a Rússia, enquanto que a Alemanha lidava com a França. Esta confusão forçou a Áustria-Hungria a dividir as suas forças entre as frentes russas e sérvias.
A 9 de Setembro de 1914, o Chanceler Alemão Theobald von Bethmann-Hollweg esboçou o  Septemberprogramm, um plano detalhado que especificava os objectivos de guerra da Alemanha e as condições que a Alemanha procurava impôr aos Poderes Aliados. Nunca foi adoptado de forma oficial.

Primeira Guerra Mundial - O Início

A Primeira das Duas Grandes Guerras - Fim de uma época, início de outra.




"Quais são as razões que explicam as atuais rivalidades em matéria de armamento na Europa? Elas baseiam-se na hipótese [...] segundo a qual uma nação que quer encontrar escoamento para a sua população em crescimento e para a sua indústria em pleno desenvolvimento acaba necessariamente por recorrer à expansão territorial e ao uso da força política [...] Como as nações são unidades em concorrência [...] caberá às que forem militarmente mais fortes, com sacrifício das mais fracas".

Normal Angell, A Grande Ilusão, 1909

A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra mundial centrada na Europa com início a 28 de Julho de 1914 e fim a 11 de Novembro de 1918. Desde a época da I GM até ao início da Segunda Guerra Mundial, foi apenas designada como Guerra Mundial ou Grande Guerra. Na América foi inicialmente designada de Guerra Europeia.
Morreram mais de 9 milhões de combatentes, um número causado pela nova tecnologia bélica, sofisticação industrial e novas tácticas.
Foi o 5º conflito mais mortal da História, abrindo o caminho para grandes mudanças políticas, incluindo revoluções, em muitas das nações envolvidas.
A guerra arrastou todas as maiores potências económicas mundiais da altura, que ficaram divididas em duas alianças opostas: os Aliados (com base na Triple Entente do Reino Unido, França e Império Russo) e os Poderes Centrais da Alemanha e Austro Hungria. Embora a Itália também tenha sido um membro da Triple Alliance juntamente com a Alemanha e Austro-Hungria, não se juntou aos Poderes Centrais, pois a Austro-Hungria tinha tomado medidas contrárias aos temos da Alliance. Ambas as alianças sofreram reorganizações e expansões à medida que o número de nações envolvidas na guerra aumentava: Itália, Japão e os Estados Unidos juntaram-se aos Aliados; o Império Otomano e Bulgária aos Poderes Centrais.
Ao todo foram mobilizadas mais de 70 milhões de militares, incluindo 60 milhões de europeus, para aquela que seria uma das maiores guerras da História da Humanidade.

16/12/2015

Japão na China


Sabe-se que o Japão sempre teve interesses no território chinês, e muito se fala da invasão deste de Xangai e Nanquim, com o desastre que foi (ver o 
Massacre de Nanquim), no entanto o que pouco se sabe é que estes não tinham intenção de invadir este território, pelo menos na altura, e não da forma efectuada. Pouco se conhece do papel e interesse, que os próprios chineses, das forças maoístas, tinham nesta invasão, pelo próprio interesse de invadirem o território chinês e de usarem as forças japonesas como um meio contra as forças nacionalistas de Chiang Kai-shek e do papel dos russos, que desejavam orientar a atenção dos japoneses para longe das suas fronteiras, e que para tal usava as forças de Mao (e este por sua vez usava Estaline para os seus próprios interesses). Também muito pouco conhecido são as "toupeiras adormecidas" que em momentos chaves "acordavam" e seguiam os interesses de Mao Tsé-Tung. Nem os nacionalistas queriam uma guerra aberta de grandes dimensões contra os japoneses.

Para tal, leiamos o que diz Chang Chung, autora de Cisnes Selvagens, no capítulo 19 de A História Desconhecida de Mao:
«A 7 de julho de 1937, deflagraram combates entre as tropas chinesas e japonesas num local, mesmo à saída de Pequim, chamado a Ponte Marco Polo. No final do mês, os japoneses tinham ocupado as duas principais cidades no Norte da China, Pequim e Tianjin. Chiang não declarou guerra. Não queria uma guerra em grande escala - não ainda, de qualquer forma. E os japoneses também não.
Neste ponto o Japão não tinha o objectivo de alargar os combates para além do Norte da China. Contudo, numa questão de semanas, a guerra aberta tinha deflagrado a mil quilómetros para sul, em Xangai, um local onde nem Chiang nem o Japão desejavam, ou planeavam ter uma guerra. O Japão tinha apenas cerca de 3.000 fuzileiros navais estacionados perto de Xangai, conforme o acordo de tréguas de 1932. O plano de Tóquio até meados de Agosto continuava a ser: "Exército para o norte da China apenas". Acrescentava especificamente: "Não há qualquer necessidade de enviar o Exército para Xangai."

O bem informado correspondente do New York Times, H.Abend, escreveu depois:
Foi um lugar-comum... declarar que os japoneses atacaram Xangai. Nada estava mais longe das suas intenções ou da verdade. Os japoneses não queriam e não esperavam hostilidades no vale Yangtze. Eles... tinham aí uma força tão pequena mesmo já a 13 de Agosto... que foram quase empurrados para o rio nos dias 18 e 19.

Massacre de Nanquim

O Massacre de Nanquim, também conhecido como a Violação de Nanquim, foi um episódio de homicídio em massa e violação em massa cometido pelas tropas japonesas contra Nanquim durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa em 1937. O massacre durante um período de seis semanas, com começo a 13 de Dezembro de 1937, o dia em que os Japoneses capturaram Nanquim, que era na altura a capital chinesa. Durante este período, dezenas de milhar, se não mais, civis chineses e combatentes desarmados foram mortos pelos soldados do Exército do Império Japonês. Também ocorreram saques e violações de uma forma generalizada. O número de mortos ainda é tema de discussão entre os estudiosos, que estimam um valor entre 40.000 e 200.000. No entanto, a posição do governo Chinês, e de uma minoria de historiadores, é de que foram mortos cerca de 300.000 ou mais, enquanto que no Japão, alguns ultranacionalistas negam o massacre por completo. Vários dos autores principais pelas atrocidades, na altura consideradas como crimes de guerra, foram mais tarde julgados e considerados culpados no Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim, e foram executados. Outro autor principal, o Príncipe Asaka, um dos membros da Família Imperial, escapou à execução por lhe ter sido aplicado anteriormente imunidade pelos Aliados.
O evento continua a ser um assunto político controverso, pelo facto de vários aspectos terem sido contestados por alguns revisionistas históricos e nacionalistas japoneses, que defendem que o massacre foi exagerado ou completamente fabricado com propósitos propagandistas. Como resultado dos esforços nacionalistas para negar ou racionalizar os crimes de guerra, a controvérsia à volta do massacre continua a ser um obstáculo nas relações Sino-Japonesas, assim como com as relações japonesas com outras nações da Ásia-Pacífico como a Coreia do Sul e Filipinas.
Não foi possível obter-se uma estimativa precisa dos números de mortos pois os registos militares japoneses das mortes foram destruídas propositadamente, ou tornadas secretas após a rendição do Japão em 1945. O Tribunal Militar Internacional do Extremo Oriente estima à volta de 200.000 baixas no incidente. Por outro lado, John Rabe, Presidente do Comité Internacional e da Zona de Segurança de Nanquim, estima que foram mortas entre 50.000 e 60.000 pessoas.
Embora o governo japonês tenha admitido as mortes de um grande número de não combatentes, de saques e outras violências perpetradas pelo Exército Imperial Japonês após a queda de Nanquim, uma pequena mas sonora minoria têm defendido que o número de mortos era por natureza militar e que tais crimes de guerra nunca aconteceram. A negação do massacre (ou divergência no número de mortos) tem-se tornado um selo no nacionalismo japonês. A opinião pública do massacre no Japão varia, e são poucos os que negam o massacre de forma aberta.

O plano secreto japonês


 Algo de muito interessante, ao ler este documento, é o facto de ter sido escrito antes da 2ª Grande Guerra ter terminado, e assim podemos comparar os escritos do jornalista com os resultados finais.

O Plano Secreto Japonês Para a Conquista do Mundo.pdf 


O Memorando de Tanaka é um plano estratégico, alegadamente japonês, de 1927, que supostamente o Barão e Primeiro Ministro Tanaka Giichi terá dado ao Imperador Hiroshito, com vista da conquista  do Mundo.
Hoje, os investigadores, na sua generalidade, consideram o documento uma falsificação.

Antecedentes
O Memorando de Tanaka foi conhecido pela primeira vez aquando da sua publicação em 1929, pela edição chinesa de "Reportagem", de Nanking, uma publicação Nacionalista Chinesa (também foi reproduzido a 24 de Setembro de 1931, pp. 923-34, pela "Critica da China", uma publicação inglesa de Sangai).
«Para se tomar o mundo, é preciso tomar a China.»
«Para se tomar a China, é preciso tomar a Manchúria e a Mongólia.»
«Se nós conseguirmos conquistar a China, o resto dos países asiáticos e os países do Mar do Sul, irão temer-nos e render-se a nós.»
«Então o Mundo compreenderá que a Ásia do Leste é nossa»
A tradução inglesa deste documento entrou em circulação antes de Fevereiro de 1934 e foi capa da 1ª edição de «A Pura Verdade», revista publicada por Herbert W. Armstrong, em Fevereiro desse ano, apesar de já ter aparecido anteriormente, em 1931, na revista «Comunista Internacional», revista com menor circulação.
O Plano Tanaka foi aprofundado extensivamente pelos EUA, como uma contrapartida japonesa ao Mein Kampf de Adolf Hitler.

A série de filmes, premiada pela Academia, de Frank Capra «Porque nós lutamos», a prestação de »Batalha da China» e o «Prelúdio para a Guerra», sequenciam em quatro etapas o objetivo de conquista do Japão: Conquista da Manchúria.
  1. Conquista da China.
  2. Estabelecimento de bases no Pacífico.
  3. Conquista dos EUA.

Apesar de a sua autenticidade não ser aceite pelos investigadores da atualidade, o Memorando de Tanaka foi fortemente aceite como autêntico nas décadas de 1930 e 1940, devido ao fato de as ações japonesas da altura corresponderem de forma tão fiel a estes planos.
O Incidente de Mukden, em 1931; a Segunda Guerra Sino-Japonesa de 1937; e o ataque de 1941 a Pearl Harbor, assim como a consequente Guerra do pacífico, pareciam confirmar estas suspeitas.
Alguns peritos de História, como Edwin P. Hoyt, disseram que «... o Memorando de Tanaka era real. Era uma cópia demasiado boa do plano do que o Primeiro Ministro Tanaka havia declarado e do que os supernacionalistas tinham vindo a declarar durante meses, para ser de outra forma.» Outros, como Meirion Harries declararam que o Memorando de Tanaka «... foi um dos "truques sujos" mais bem sucedidos do século XX - um documento falso concebido de forma tão brilhante que trinta anos depois, os ocidentais ainda caiam nele.» Da mesma forma, o historiador W.G. Beasley declarou que «... a natureza deste documento, publicado tanto em inglês quanto em chinês, não leva à convicção da sua autenticidade.» Segundo o Dr. Haruo Tohmatsu, Professor de Diplomacia e História das Relações Internacionais na Academia Nacional do Japão, «O Memorando de Tanaka nunca existiu, mas a Conferência de Darien desse ano adoptou resoluções que reflectem essas ideias.»

15/12/2015

Sigmund Freud - Ideias


Trabalho Inicial

Freud começou a estudar Medicina na Universidade de Viena em 1873. Levou quase nove anos a completar os estudos devido ao seu interesse pela pesquisa da neurofisiologia, especificamente sobre a investigação da anatomia sexual das enguias e a fisiologia do sistema nervoso (assim como o interesse de Freud em estudar com Franz Brentano). 
Começou a praticar clínica privada por questões monetárias, recebendo o diploma de Medicina em 1881 com a idade de 25 anos.
Entre os principais interesses de Freud na década de 1880 estava a anatomia do cérebro, principalmente do bulbo raquidiano. Participou em debates importantes sobre a afasia com a sua monografia de 1881, Zur Auffassung der Aphasien, na qual Freud criou o termo agnosia e desaconselhou contra uma visão demasiado localizada nas explicações dos deficits neurológicos. Tal como o seu contemporâneo Eugen Bleuler, Freud deu ênfase à função em vez da estrutura cerebral.
Ainda cedo, Freud também trabalhou na investigação da paralisia cerebral. Publicou diversos artigos sobre o assunto e mostrou que a doença existia antes de outros repararem nela e começarem a investigá-la. Freud sugeriu que William Little, o primeiro a reparar na paralisia cerebral, estava errado quanto ao facto de a falta de oxigénio durante o parte ser a causa da doença, sugerindo que as complicações no partos eram apenas um sintoma. Freud tinha a esperança de que a sua pesquisa fornecesse as bases científicas para a sua técnica terapêutica. O objectivo da terapia Freudiana, ou psicanálise, é a de trazer  os pensamentos e emoções reprimidos para o consciente, de forma a libertar o paciente do sofrimento de viver com emoções repetitivas distorcidas. 
Classicamente, o trazer os pensamentos e emoções para o consciente era feito pelo encorajamento do paciente a falar dos seus sonhos e a fazer uma associação livre, na qual os pacientes relatam os seus pensamentos sem reservas sem fazer nenhuma tentativa de se concentrar enquanto o faz. Outro elemento importante da psicanálise é a transferência, o processo pelo qual os pacientes deslocam para os seus analistas emoções e ideiaas que derivam de figuras anteriores da sua vida. A transferência foi inicialmente vista como um fenómeno lamentável que interferia com a recuperação de memórias reprimidas e confundem a objectividade do paciente, mas por volta de 1912, Freud via esta transferência como parte fundamental do processo terapêutico.

Sigmund Freud - A Vida


Sigmund Freud, nascido como Sigismund Schlomo Freud, a 6 de  Maio de 1856, tendo falecido a 23 de Setembro de 1939, foi um neurologista austríaco, que ficou conhecido como o fundador da psicanálise. 
Freud formou-se como médico na Universidade de Viena em 1881, continuando então a fazer pesquisa sobre paralisia cerebral, afasia e neuroatonomia microscópica no Hospital Geral de Viena.
Foi nomeado docente universitário em neuropatologia no ano de 1885 e tornou-se Professor em 1902.
Ao criar a psicanálise, um método clínico para tratamento de psicopatologias através do diálogo entre o paciente e o psicanalista, Freud desenvolveu técnicas terapêuticas como o uso de associação livre (na qual os pacientes relatam os seus pensamentos sem reservas e na ordem em que eles aparecem, espontaneamente) e descobriu a transferência (o processo no qual os pacientes deslocam para os seus analistas sentimentos derivados dos seus apegos de infância), estabelecendo o seu papel central no processo analítico. A redefinição sexual de Freud para incluir as suas formas infantis levou-o a formular o complexo de Édipo como o principio central da teoria psicanalítica. A análise dos seus sonhos e dos seus pacientes como o desejo de realizações providenciou a Freud modelos de análises clínicas da formação de sintomas assim como dos mecanismos de repressão para a elaboração da sua teoria do inconsciente como um agente perturbador dos estados conscientes da mente.
Freud postulou a existência da libido, uma energia na qual os processos e estruturas mentais são aplicados e que geram apegos eróticos, e uma pulsão de morte, a fonte da repetição, do ódio, da agressão e da culpa neurótica.
Nos seus últimos trabalhos Freud levou a teoria da psicanálise a desenvolver um vasto leque de interpretações e de critica religiosa e cultural.
Os psicanalistas mantêm-se influentes dentro da psicoterapia, dentro de algumas áreas da psiquiatria e ao longo das humanidades. Assim, continua a gerar um debate extensivo e bastante contestado sobre a sua eficácia terapêutica, o seu status científico e se apoia ou se retarda a causa feminista. O trabalho de Freud tem-se, no entanto, impregnado no pensamento contemporâneo e popular, de tal forma que em 1939 W.H. Auden.
Freud nasceu de pais judeus galicianos, na cidade moraviana de Príbr, no Império Austriaco, parte da atual Republica Checa, o primeiro de nove filhos.

Porquê a Guerra?

Albert Einstein & Sigmund Freud

A Correspondência Einstein-Freud (1931-1932)


A correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud acerca da paz e guerra foi publicada num panfleto com o título "Porquê a Guerra?".

O panfleto "Correspondências" onde se encontravam as cartas de Einstein-Freud foi publicada ao mesmo tempo em três línguas:
  • Alemão, Warum Krieg?, pelo Internationales Institut fur geistige Zusammenarbeit, Volkerbund, Paris
  • Inglês, Why War?, traduzido por Stuart Gilbert, International Institute of Intellectuel Co-operation, League of Nations, Paris
  • Francês, Porquoi la guerre?, traduzido por Blaise Briod, Institut International de Coopération Intellectuelle, Société des Nations, Paris
O panfleto surgiu logo após a subida de Hitler ao poder na  Alemanha, e teve uma circulação muito pequena. Tendo sido logo proibida a sua circulação neste país.
Einstein era conhecido como pacifista, tendo mesmo sido acusado por uma alta patente do Exército dos Estados Unidos de ensinar traição à juventude americana. O físico acreditava que a agressão tinha uma base biológica, como é demonstrado na sua correspondência com o seu amigo Heinrich Zangger de Zurique, em 1915: "O que leva as pessoas a matar e a mutilarem-se tão selvagicamente? Eu penso que é o caracter sexual masculino que leva a explosões selvagens."

14/12/2015

Guerra da Crimeia

Guerra da Crimeia, que teve início a Outubro de 1853 e fim em Fevereiro de 1856, foi um conflito que se deu entre o Império Russo e uma aliança entre o Império Francês, Império Britânico e o Reino de Sardenha. A guerra foi parte uma contestação entre as maiores potências europeias relativamente aos territórios do Império Otomano, que então se encontrava em declínio.
A maior parte do conflito deu-se na Península da Crimeia, tendo havido, no entanto, pequenas campanhas na Anatólia Oriental, no Caucasus, no Mar Báltico, no Oceano Pacífico e no Mar Branco. 
Na Rússia esta guerra é conhecida também como a Guerra do Oriente e os Britânicos também a denominaram da Guerra Russa, na altura.
A Guerra da Crimeia é conhecida pelos erros logísticos e tácticos durante as campanhas terrestres de ambos os lados (os Aliados tiveram bastante sucesso na sua campanha naval ao eliminar a maior parte dos navios da Marinha Russa no Mar Negro). No entanto, a Guerra da Crimeia é muitas vezes considerada uma das primeiras guerras modernas, pois foram «introduzidas mudanças técnicas que afetaram o futuro do curso das guerras», incluindo a primeira vez que foram usados os caminhos de ferro e o telégrafo.
É igualmente famoso o trabalho de Florence Nightingale e Mary Seacole, a qual foi pioneira na enfermagem moderna enquanto cuidava dos feridos no Império Britânico.
A Guerra da Crimeia foi uma das primeiras guerras a ser documentadas extensivamente devido ao uso de relatórios e fotografias (de destacar os trabalhos do jornalista William Russel do The Times, e do fotógrafo Roger Fenton). Chegaram notícias a todos os países envolvidos em conflito através dos correspondentes de guerra e mantiveram os cidadãos desses países muito melhor informados e actualizados acerca dos eventos do que em qualquer outra guerra. No entanto, em mais lado nenhum o público esteve melhor informado do que na Grâ-Bretanha acerca das realidades da guerra na Crimeia. Consequentemente, a opinião pública desempenhou um papel importante neste conflito, mais do que em qualquer outro anterior.  Para além disso, o uso dos navios a vapor e do telegrafo fez com que as notícias desde a zona de guerra na Crimeia chegavam à Europa Ocidental e a Londres em cinco dias. Após a França ter estendido o telégrafo de Bucareste para Varna, na costa do Mar Negro, durante o Inverno de 1854, as notícias passaram a chegar a Londres em dois dias. Após o que, a Abril de 1855, os Britânicos colocaram um cabo subaquático desde Varna, através do Mar negro, até ao seu porto de fornecimento no sul da costa da península Crimeia, as notícias passaram a chegar a Londres em poucas horas. As notícias quase instantâneas criaram um patriotismo entre a classe média de Inglaterra que fez com que a colisão governamental  Aberdeen fosse abaixo e Lord Palmerston se tornasse Primeiro Ministro.

(site de interesse - Fotos da Guerra da Criméia )


As tensões antes da batalha: A Questão do Oriente

O conflito acerca da autoridade no Mediterrâneo Oriental

A Rússia, como membro da Sacra Aliança, tinha operado como a "Polícia da Europa", mantendo o balanço de poder que havia sido estabelecido com o Tratado de Viena em 1815. A Rússia deu assistência à Áustria nos esforços desta de suprimir a Revolução Húngara de 1848, e esperava que a Europa permitisse que fosse a Rússia a tratar dos problemas com o Império Otomano - «o homem doente da Europa«. Denomino-se a discussão acerca do futuro do Império Otomano como «A Questão do oriente», um termo que continuaria em uso como referência ao Império Otomano até ao início do século XX.

Florence Nightingale

Juramento (atual) de enfermagem
«Solenemente, na presença de Deus e desta assembleia juro:
dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana; exercer a Enfermagem com consciência e fidelidade; guardar os segredos que me forem confiados, respeitando o ser humano desde a sua concepção até depois da morte; não praticar atos que coloquem em risco a integridade física ou psíquica do ser humano; atuar junto à equipe de saúde para o alcance da melhoria do nível de vida da população; manter elevados os ideais de minha profissão, obedecendo aos preceitos da ética, da legalidade e da moral, honrando seu prestígio e suas tradições.»




 "A britânica Florence Nightingale (1820-1910) foi, entre 1854 e 1856, durante a Guerra da Crimeia, a responsável pela enfermagem em hospitais militares otomanos. Foram-lhe dadas condições deploráveis, mas desenvolveu um trabalho simplesmente notável. Foi, para os soldados, a mulher da candeia.
Nightingale acreditou ter ouvido a voz de Deus, a 7 de Fevereiro de 1837, informando-a de que tinha uma missão para cumprir. Apenas nove anos mais tarde percebeu qual era a tarefa: prestar ajuda humanitária.
Depois de ter sido impedida de estudar enfermagem numaunidade hospitalar, simplesmente por ser mulher, conseguiu, em 1850, entrar para uma instituição protestante diaconisa, em Kaiserswerth, na Alemanha, onde aprendeu a tratar doentes.
Em 1954, os relatos da Guerra da Crimeia apontavam para um elevado número de soldados britânicos feridos e sensibilizaram Nightingale, que, imediatamente, se voluntariou para, na companhia de mais três enfermeiras, rumar a Constatinopla.

11/12/2015

Budismo


O budismo é uma religião  e filosofia não teísta (não inclui a ideia de uma deidade), que abrange uma variedade de tradições, crenças e práticas baseadas nos ensinamentos de Sidarta Gautama, mais conhecido como Buda "O Iluminado". De acordo com a tradição budista, Gautama viveu e ensinou na parte leste do subcontinente indiano, entre os séculos VI e IV a.C.
Sidarta Gautama é reconhecido pelos seus seguidores como tendo sido um mestre iluminado que compartilhou o seu conhecimento aos seres sencientes de forma a que estes pudessem alcançar o fim do sofrimento (ou Dukkha), alcançando, assim, o Nirvana e escapando daquilo que é visto como um ciclo de sofrimento do renascimento.
Dois  ramos principais do são o Maaiana e o Teravada. O ramo Teravada (literalmente "Ensino dos Sábios") é mais tradicional e encontra-se mais próximo do budismo inicial, tendo-se espalhado principalmente pelas regiões do sudoeste asiático, em países como o Sri Lanka, a Tailândia, o Laos e o Cambodja. Enquanto que o budismo Maaiana (Grande Veículo), sofreu uma maior influência das crenças locais das tradições onde se espalhou, e engloba escolas como o Zen, amidismo e o budismo tibetano. Este ramo influenciou principalmente regiões como o Japão, China e Tibete.
Diversas fontes colocam o número de budistas a nível mundial entre os 230 e os 500 milhões de seguidores, tornando-a assim a quinta maior religião do mundo (por ordem, em primeiro o cristianismo, seguida do Islão, sem religião, hinduísmo e budismo).
As escolas budistas variam sobre a natureza exata do caminho da libertação, a importância e a canonicidade de vários ensinamentos e, principalmente, das práticas. No entanto, as bases das diversas tradições e práticas são as Três Jóias: o Buda (como o seu mestre), o Dharma (ensinamentos baseados nas leis do universo) e a Sangha (a comunidade budista).
Encontrar refúgio espiritual nas três Jóias, ou Três Tesouros, é, em geral, o que distingue um budista de um não budista.
Outras práticas podem incluir a renúncia convencional da vida secular para se tornar um monge ou monja.

Manuscritos do Mar Morto


Os manuscritos do Mar Morto são vários conjuntos de escritos religiosos encontrados em diversos locais, sendo que os mais conhecidos são Os Manuscritos das Cavernas de Qumranb (981 textos), que foram encontrados em onze cavernas, entre 1946 e 1956, nas vizinhanças de um assentamento em Khirbet Qumran. As cavernas encontram-se localizadas a cerca de dois quilómetros do interior a partir da costa noroeste do Mar Morto.
Também foram descobertos outros manuscritos, escondidos por refugiados fugidos da guerra, constituídos principalmente por documentos e cartas em papiros, noutras cavernas.
Embora alguns destes manuscritos tenham sobrevivido relativamente intactos, a maior parte dos documentos é constituída por pequenos fragmentos em papiro ou pergaminho. 
Existe um consenso de que os Manuscritos das Cavernas de Qumran datem entre os três últimos séculos a.C e o primeiro século d.C. As moedas de bronze encontradas nos mesmos locais formam uma série que começa com João Hircano (135-104 a.C) e continuam até à Primeira Guerra Judaico-Romana (66-73 d.C), apoiando a datação radiocarbono e paleográfica dos pergaminhos.
Já os outros pergaminhos encontrados em vários locais do deserto da Judeia chegam até ao século VIII a.C até aos século XI d.C.
Os textos são de grande importância histórica, religiosa e linguística pois incluem o terceiro manuscrito mais antigo de que se tem conhecimento, de trabalhos que mais tarde viriam a ser incluídos no Cânone da Bíblia Hebraica, juntamente com manuscritos deuterocanónicos e outros manuscritos não incluídos na Bíblia e que preservam provas da diversidade do pensamento religioso durante a época do Segundo Templo Judeu. Existem apenas dois manuscritos de prata que contêm textos bíblicos e que são mais antigos que os Manuscritos do Mar Morto - os manuscritos de prata foram escavados em Jerusalém em Ketef Hinnom e datam de cerca de 600 a.C. Uma peça queimada do Levítico data do século V a.C foi analisado recentemente e quanto se sabe é a quarta peça mais antiga da Tora a existir.

Magia Enoquiana

A magia enoquiana tem como base o misticismo e a teologia do Livro de Enoque. Este livro foi escrito por volta do século II a.C., não tendo sido incluído no Cânone (Lei ou Antigo Testamento). O Livro mais próximo ao de Enoque é o Génesis, o qual foi escolhido para fazer parte das Escrituras Sagradas, como a fonte que relata tanto a Criação, como o início da Humanidade. Já o Livro de Enoque, que se baseia sobre o mesmo tema, tornou-se apócrifo.
Alguns teólogos e historiadores defendem que o motivo principal para a exclusão do Livro do Cânone, deveu-se ao seu conteúdo místico e teológico. 
Enquanto que o Livro do Génesis divulga a versão mais ortodoxa do judaísmo, na qual o Homem é um ser pecador, frágil, um ser mortal caído nas malhas das tentações, das transgressões e dos consequentes castigos divinos, no Livro de Enoque, o Homem é visto como um ser cósmico, parte de uma grande criação celestial, um ser detentor de uma forte essência espiritual que, se bem orientada, pode levar o Homem à imortalidade e a um estado divino. Segundo o Livro de Enoque, é no próprio Homem que reside a fonte da salvação, e este tem plena capacidade de ascender à esfera divina.
Neste Livro, entre outras histórias, conta-se o relato da Criação pelas próprias palavras de Deus, assim como a história do sumo-sacerdote Melquisec que ascendeu aos céus na altura do dilúvio, devido ao elevado estado espiritual que havia atingido.
A ideia defendida no Livro de Enoque de que Deus é Nada, é partilhada pelos gnósticos e cabalístas. No entanto, há que ter em atenção que este Nada, é referente ao mundo material em que existe o Homem, isto é, Deus não se pode ver, medir, pesar, assim como não pode ser localizado em parte alguma. Deus, escapa assim à compreensão, estando para além das fronteiras do «espaço-tempo», sendo por isso um Nada Eterno (está para além das fronteiras da matéria, do espaço e do tempo).

10/12/2015

O Livro de Enoque




O Livro de Enoque é um documento religioso antigo judaico, atribuído pela tradição a Enoque, o bisavô de Noé, embora os estudiosos modernos estimem que as secções mais antigas (principalmente no Livro dos Vigilantes) date de cerca de 300 a.C., e a última parte do Livro seja provavelmente do século I a.C.

Com exceção dos Beta Israel, este Livro não faz parte do Cânone bíblico judaico. A maioria das denominações e tradições cristãs aceitam os livros de Enoque como tendo valor histórico ou teológico, mas na sua generalidade o cristianismo considera os livros de Enoque como não-canónicos ou não inspirados. Na realidade só é considerado canónico pelas Igreja Etíope Ortodoxa Tewahedo e Igreja Ortodoxa Eritreia Tewahido.
O Livro só existe na íntegra no idioma Ge'ez, com fragmentos em aramaico dos Manuscritos do Mar Morto e outros em grego e latim. Entre outras, esta é a principal razão para a crença etíope de que a língua original do trabalho seja o Ge'ez, enquanto que os académicos não-etíopes tendem a defender que o Livro tenha sido escrito pela primeira vez ou em aramaico ou em hebraico. E. Isaac sugere que o Livro de Enoque, tal como o Livro de Daniel, tenha sido parcialmente escrito em aramaico e parcialmente em hebraico. Não se conhece nenhuma versão em hebraico que tenha sobrevivido.
Os autores do Novo Testamento estavam familiarizados com o conteúdo da história e foram influenciados por ela.

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...