09/11/2015

Vénus


DADOS OBSERVACIONAIS

Distância Média da Terra
41.4x106 km
Brilho visual-4.4m
CARACTERÍSTICAS ORBITAIS

Semi-eixo maior
108,208,926 km (0.72333199 UA)
Circunferência orbital
0.680 Tm (4.545 UA)
Excentricidade0,00677323
Periélio
107,476,002 km (0.71843270 UA)
Afélio
108,941,849 km (0.72823128 UA)
Período orbital
224.70096 dias (0.6151977 anos)
Período sinódico
583.92 dias
Velocidade orbital média35.020 km/s
Velocidade orbital máxima
35.259 km/s
Velocidade orbital mínima34.784 km/s
Inclinação3.39471º (3.86º do equador do Sol)
Longitude do nodo ascendente
76.68069º
Argumento do periélio
54.85229º
Número de satélites0
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
Diâmetro Equatorial12,103.7 km (0.949 Terras)
Área da superfície4.60x108 km(0.902 Terras)
Volume9.28x1011 km(0.857 Terras)
Massa0.8685x1024 kg (0.815 Terras)
Densidade Média5.204 g/cm3
Gravidade equatorial8.87 m/s(0.904 g)
Velocidade de escape no equador10.36 km/s
Período de rotação
-243.0185 dias
Velocidade de rotação6.52 km/h (equador)
Inclinação do eixo
2.64º
Ascenção recta Pólo Norte272.76º (18h 11 min 2s)
Declinação
67.16º
Albedo
0.65
Temperatura à superfície (temperatura mínima diz respeito apenas ao topo das nuvens)
mínima: 228 K
média: 737 K
máxima: 773 K
CARACTERÍSTICAS ATMOSFÉRICAS
Pressão atmosférica
9321.9 kPa
Dióxido de Carbono~96,5%
Azoto~3,5%
Dióxido de enxofre0,015%
Vapor de água0,002%
Monóxido de Carbono0,0017%
Árgon0,007%
Hélio0,0012%
Néon0,007%
Sulfureto de CarbonoVestígios
Cloreto de HidrogénioVestígios
Fluoreto de HidrogénioVestígios

O planeta Vénus é o segundo planeta do Sistema Solar em ordem a partir do Sol, situado entre Mercúrio e a Terra.
Vénus possui uma composição, tamanho e massa parecidos com as do planeta Terra. 
A sua órbita é a mais circular, com uma excentricidade menor do que 1%.
Dado que Vénus é um planeta interno, mostra fases quando observado com um telescópio a partir da perspectiva da Terra. A observação deste fenómeno por Galileu foi uma importante prova a favor da teoria heliocêntrica do sistema solar desenvolvida por Copérnico.
A primeira sonda a visitar Vénus foi a Mariner 2 em 1962. Foi, posteriormente, visitada por muitas outras (mais de 20 até agora), incluindo as famosas Pioneer Vénus, a soviética Venera 7, a primeira sonda a aterrar noutro planeta e a Venera 9, que enviou as primeiras fotografias da superfície de Vénus. Mais recentemente, a sonda americana Magalhães produziu mapas detalhados da superfície de Vénus utilizando radar.

Características Gerais  
  •  A área da superfície de Vénus é de 4.60×108 km².
  • A massa deste planeta é de 4.8685×1024 kg.
  •  Vénus é um planeta extremamente quente. A temperatura média na superfície deste planeta é de 461°C
  • Possui uma órbita eclíptica circular com excentricidade abaixo de 1%.
  • A velocidade orbital média deste planeta é de 35,02 km/s.
  • Vénus não possui satélites naturais (luas).
  • A atmosfera de Vénus é formada principalmente por: dióxido de carbono (96,5%), azoto (3,5%) e outros gases em menor quantidade (dióxido de enxofre, argónio, monóxido de carbono, vapor de água, hélio, neón).
  • A pressão atmosférica na superfície de Vénus é extremamente alta (cerca de 90 vezes a da Terra).
  • Os ventos na parte superior das nuvens podem alcançar os 400 km/h.
  • O núcleo do planeta Vénus é parecido com o da Terra, pois é formado por ferro coberto com manto rochoso. Já a superfície é constituída basicamente por basalto. 
  • Vénus é um dos quatro planetas telúricos do Sistema Solar, o que significa, que tal como a Terra, é um corpo rochoso.
  • Em tamanho e massa é muito similar à Terra, e é frequentemente descrito como "irmão" ou "gémeo" da Terra.
  •  O diâmetro de Vénus é apenas 650 Km menor do que o da Terra, e a sua massa é 81,5% a da Terra.

Estrutura Interna
Sem dados sísmicos ou conhecimento do seu momento de inércia, existe pouca informação sobre a estrutura interna e a geoquímica de Vénus. A semelhança em tamanho e densidade entre Vénus e a Terra sugere que eles possuem uma estrutura interna idêntica: núcleo, manto e crosta. O núcleo de Vénus é, como o da Terra, pelo menos parcialmente líquido, porque os planetas têm arrefecido mais ou menos à mesma taxa.
O tamanho ligeiramente menor de Vénus sugere que as pressões são significativamente menores no seu interior do que na Terra. A principal diferença entre os dois planetas é a inexistência de placas tectónicas em Vénus, provavelmente devido à superfície  e mantos secos. Isto resulta numa perda reduzida de calor pela parte do planeta, impedindo-o de arrefecer, e é a provável explicação para a falta de um campo magnéticos gerado internamente.

Geografia
Cerca de 80% da superfície venusiana é coberta por suaves planícies vulcânicas, sendo que 70% são planícies com cadeias enrugadas e 10% são planícies suaves ou lobuladas.
Duas mesetas principais, em forma de continentes, compõem o restante da superfície, uma situando-se no hemisfério Norte e a outra ao Sul do Equador.
 A meseta ao Norte é denominada de Ishtar Terra, em homenagem a Ishtar, a deusa babilónica do amor, e tem, aproximadamente, a superfície da Austrália. Maxwell Montes, a montanha mais alta de Vénus, fica em Ishtar Terra. O seu pico fica 11 km acima da elevação média da superfície venusiana. O continente setentrional é chamado de Afrodite Terra, e é a maior das duas mesetas, com o tamanho aproximado da América do Sul. Uma rede de fracturas e falhas cobre a maior parte desta área.
Além  das crateras de impacto, montanhas e vales comummente encontrados nos planetas rochosos, Vénus reúne um conjunto de acidentes únicos. Entre esses, há vulcões com topo plano, chamado farras, que se parecem com panquecas e têm diâmetros que variam entre 20 a 50 km e altura que vai dos 100 aos 1000 m; sistemas de fracturas radiais estrelados, chamados novac; acidentes geográficos com fracturas radiais e concêntricas parecidas com teias de areia, conhecidas como aracnoides; e coronae, anéis circulares de fractura, às vezes cercado por depressões. Esses acidentes têm origem vulcânica.
As longitudes das características físicas em Vénus são expressas em relação à linha do meridiano principal. A linha do meridiano inicialmente passava pela mancha clara ao radar no centro do acidente oval Eva, localizada ao Sul de Alpha Regia.
Depois das missões Venera, a linha do meridiano foi redefinida para passar pelo pico central da Cratera Ariadne.

Geologia da superfície
A maior parte da superfície venusiana parece ter sido formada por actividade vulcânica. Vénus tem um número de vulcões várias vezes superior ao da Terra e possui 167 enormes vulcões com mais de 100 km de diâmetro.  No entanto, isto não acontece por Vénus ser vulcanicamente mais activo do que a Terra, e sim porque a sua actividade é mais antiga (a crosta oceânica da Terra é continuamente reciclada por subducção nas bordas das placas tectónicas e tem uma idade média de cerca de 100 milhões de anos, enquanto a idade da superfície venusiana é estimada entre 300 a 600 milhões de anos).


Existem várias evidências que apontam para uma actividade vulcânica em Vénus, entre as quais um fluxo constante de raios e o ruído de um trovão captado pela sonda Venera 12. Outra evidência vem do facto de os níveis de dióxido de enxofre na atmosfera venusiana, terem registado uma queda entre 1978 e 1986, o que pode ser uma indicação de que os níveis estavam inicialmente elevados devido a uma erupção vulcânica.
Há quase mil crateras de impacto em Vénus, distribuídas igualmente pela superfície. 85% das crateras estão na sua condição natural, sem degradação.
O número de crateras, assim como a sua condição de boa conservação, são indicadores de que o planeta passou por um recobrimento superficial entre 300 a 600 milhões de anos atrás, seguidos por uma queda de vulcanismo.
A crosta da Terra está em movimento continuo, mas acredita-se que Vénus não possa sustentar um processo idêntico.
Sem placas tectónicas para dissipar o calor do manto, Vénus passa por um processo cíclico no qual as temperaturas do manto se elevam até atingir um nível critico que enfraquece a crosta.
Os diâmetros das crateras venusianas variam entre 3 km e 280 km. Devido aos efeitos da densa atmosfera nos objectos que caem, não há crateras com um diâmetro menor do que 3 km.
Os objectos com energia cinética inferior a um determinado valor são tão desacelerados pela atmosfera que não criam uma cratera de impacto. Projécteis com menos de 50 m de diâmetro fragmentam-se e incendeiam-se na atmosfera antes de atingir o solo.

Atmosfera e Clima
Vénus tem uma atmosfera extremamente densa, que consiste principalmente em dióxido de carbono e uma pequena quantidade de azoto.
A massa atmosférica é 93 vezes a da atmosfera da Terra, enquanto a pressão na superfície do planeta é 92 vezes a da superfície da Terra.
A densidade na superfície é de 65 kg/m3 (6,5% da densidade da água).
A atmosfera rica em dióxido de carbono, juntamente com as espessas nuvens de dióxido de enxofre, gera o mais forte efeito de estufa do Sistema Solar, criando temperaturas na superfície acima dos 460ºC. Isto torna a superfície venusiana mais quente do que a de Mercúrio, apesar de Vénus estar a uma distância duas vezes superior do que a de Mercúrio e receber apenas 25% da irradiação solar que Mercúrio recebe (2.613,9 W/m2 na atmosfera superior e 1.071,1 W/m2 na superfície).
Há milhares de milhões de anos atrás, a atmosfera venusiana era muito mais parecida com a da Terra do que é na actualidade, e havia, provavelmente, quantidades substanciais de água líquida na superfície, mas a evaporação da água original causou um efeito de estufa, o que gerou um nível crítico de gases de efeito de estufa na atmosfera.
A inércia térmica e a transferência de calor por ventos na atmosfera inferior fazem com que a temperatura na superfície venusiana não varie significativamente entre o dia e a noite, apesar da rotação extremamente lenta do planeta. Os ventos na superfície são lentos, movendo-se a poucos quilómetros por hora, mas, por causa da alta densidade da atmosfera na superfície  do planeta, exercem uma força significativa contra obstáculos e transportam poeiras e pequenas pedras pela superfície.
Acima da densa camada de dióxido de carbono estão espessas nuvens constituídas principalmente por dióxido de enxofre e ácido sulfúrico. Estas nuvens reflectem cerca de 60% da luz solar.
A capa permanente de nuvens implica que, embora Vénus esteja muito mais próximo do Sol do que a Terra, a sua superfície não é tão bem iluminada. Fortes ventos a 300 km/h no topo das nuvens circulam o planeta a cada 4 a 5 dias terrestres. Os ventos venusianos movem-se até 60 vezes a velocidade de rotação do planeta, enquanto na Terra os ventos mais fortes chegam a apenas 10% a 20% da velocidade de rotação.
A superfície de Vénus é efectivamente isotérmica, mantendo uma temperatura constante entre dia e noite e entre os equadores e os pólos.
A pequena inclinação axial do planeta (menos de 3º, comparados com os 23º da Terra), também minimiza as variações sazonais de temperatura. A única variação apreciável de temperatura ocorre com a altitude.
Em 1995 a sonda Megallan localizou uma substância extremamente reflexiva no topo das montanhas, que tinha grande semelhança com a neve terrestre. Presume-se que esta substância ter-se-á formado num processo semelhante ao da neve, embora a uma temperatura muito superior. Sendo demasiado volátil para condensar na superfície, subiu na forma de gás  para as elevações maiores e mais frias, onde então precipitou. A identidade desta substância não foi determinada, mas as especulações variam entre o telúrio e o sulfato de chumbo.

Campo Magnético e núcleo
Em 1967 a sonda Venera 4 descobriu que o campo magnético de Vénus é muito mais fraco do que o da Terra. Este campo magnético é induzido por uma interacção entre a ionosfera e o vento solar e não por um dínamo no núcleo, como o do interior da Terra.
A pequena magnetosfera induzida de Vénus dá pouca protecção contra a radiação cósmica, e esta pode provocar descargas de raios de nuvem para nuvem.
A falta de um campo magnético intrínseco em Vénus foi surpreendente porque o planeta tem dimensões idênticas às da Terra, e era esperado que também contivesse um dínamo no seu núcleo. Pensasse que a inexistência de um dínamo se deve à falta de convecção no núcleo de Vénus. Um evento global de recobrimento da superfície  pode ter fechado as placas tectónicas, levando a um fluxo reduzido de calor através da crosta. Isto levou à elevação da temperatura do manto, reduzindo assim o fluxo de calor para fora do núcleo.. Como resultado não há um dínamo que possa criar um campo magnético e a energia calorífica do núcleo é usada para aquecer a crosta.
Vénus não tem um núcleo interno sólido, ou não se encontra em processo de arrefecimento, estando toda a parte líquida do núcleo aproximadamente à mesma temperatura. Outra possibilidade é a de que o núcleo já se tenha solidificado completamente. O estado do núcleo está dependente da concentração de enxofre, que ainda é desconhecida.

Órbita e rotação
Vénus orbita o Sol a uma distância média de cerca de 108 milhões de quilómetros (cerca de 0,7 UA) e completa uma órbita a cada 224,65 dias. Embora todas as órbitas planetárias sejam elípticas, a de Vénus é a mais próxima da circular, com uma excentricidade menor a 1%.


Quando Vénus se coloca entre a Terra e o Sol, numa posição conhecida como "conjunção inferior", faz a maior aproximação de todos os planetas, ficando a uma distância média de 41 milhões de quilómetros. O planeta atinge a conjunção inferior a cada 584 dias, em média. Devido à decrescente excentricidade da órbita da Terra, as distâncias mínimas tendem a ficar maiores. Durante o período de grande excentricidade, Vénus pode ficar a 38,2 milhões de quilómetros.
Observados de um ponto de vista sobre o pólo Norte do Sol, todos os planetas orbitam no sentido anti-horário, mas enquanto todos os planetas também giram sobre o próprio eixo no sentido anti-horário, Vénus gira no sentido horário, numa rotação "retrógrada".
O actual período de rotação de Vénus representa um estado de equilíbrio entre a maré gravitacional do Sol, que tende a reduzir a velocidade de rotação , e uma maré atmosférica criada pelo aquecimento solar da espessa atmosfera venusiana. Quando se formou a partir da nebulosa solar, Vénus pode ter tido um período de rotação e obliquidade diferentes, e depois migrou para o estado actual por causa de  mudanças caóticas por perturbações planetárias e efeitos de maré sobre a sua densa atmosfera. Esta mudança no período de rotação aconteceu provavelmemnte ao longo de milhares de milhões de anos.
Vénus gira sobre o seu eixo a cada 243 dias terrestres. No equador, a superfície venusiana gira a 6,5 km/h, enquanto que na Terra, a velocidade de rotação é de 1 670 km/. Devido à rotação retrógrada, a duração do dia solar em Vénus é mais curta que a do dia sideral. Para um observador na superfície de Vénus o tempo entre um nascer do Sol e outro seria de 116,75 dias terrestres. Além disso, o Sol iria nascer a Oeste e Pôr-se a Leste. Como resultado, um ano em Vénus dura aproximadamente 1,92 dias venusianos.
Vénus não possui satélites naturais, embora o asteróide 2002 VE mantenha actualmente uma relação de quasi-satélite.
A órbita venusiana é ligeiramente inclinada em relação à órbita da Terra.
Os trânsitos de Vénus acontecem quando a conjunção inferior do planeta coincide com a sua presença no plano da órbita da Terra. Dão-se em ciclos de 243 anos, sendo que o padrão actual consiste em pares de trânsitos separados em 8 anos, em intervalos de 105,5 ou 121,5 anos. O trânsito mais recente aconteceu a Junho de 2004, sendo o próximo a Junho de 2012.
Historicamente os trânsitos de Vénus foram importantes porque permitiram aos astrónomos determinar directamente o tamanho da Unidade Astronómica e, portanto, o tamanho do Sistema Solar.

Observação
Vénus é mais brilhante que qualquer estrela vista no céu, e a sua magnitude aparente máxima é de -4,6. Por ser um planeta inferior encontra-se até 47º do Sol.
Vénus "ultrapassa" a Terra a cada 584 dias, enquanto orbita o Sol. Nestas ocasiões, passa de Estrela Vespertna, visível após o Pôr do Sol, para Estrela Matutina, visível antes do Nascer do Sol.
À medida que se move na sua órbita, Vénus apresenta, na visão telescópia, fases como as da Lua.
O planeta apresenta uma iluminação semelhante ao quarto crescente quando atinge a máxima enlongação do Sol, numa fase semelhante à Lua Nova ao se posicionar entre a Terra e o Sol (conjunção inferior) e uma fase semelhante à Lua Cheia quando atinge a conjunção superior.
Além das alterações na iluminação também é possível observar uma variação no seu tamanho aparente, resultado da aproximação e do afastamento do planeta em relação à Terra. A fase de menor tamanho aparente e menor magnitude aparente é a fase cheia, pois o planeta encontra-se mais distante, enquanto que a fase de maior magnitude aparente (-4,1) é a crescente.

História da Observação
O planeta Vénus era conhecido nas civilizações antigas como a "Estrela Matutina" ou a "Estrela Vespertina". Diversas culturas acreditaram que a estrela da manhã e a da tarde eram dois corpos celestes distintos.

Datas Importantes
1962
A sonda americana Mariner 2 passa por Vénus; verifica altas temperaturas.
1970
A soviética Venera 7 aterra suavemente em Vénus.
1972
Venera 8 aterra em Vénus; transmite dados por volta de uma hora.
1974
Mariner 10, a caminho de Mercúrio, passa por Vénus; pesquisa a circulação atmosférica global dentro do espectro visível e do ultravioleta.
1975
Venera 9 envia as primeiras imagens da superfície de Vénus.
1978
A sonda americana Pioneer Venus Orbiter faz um mapa de radar de Vénus; a Pioneer Venus Multiprobe envia 4 sondas através das nuvens venusianas.
1983
As Venera 15 e 16 enviam mapas de radar a alta-resolução e análises atmosféricas.
1984
As sondas soviéticas Vega 1 e 2 enviam landers e sondas-balões para Vénus a caminho do Cometa Halley.
1989
A sonda americana Magalhães foi lançada para Vénus.
1990-94
Magalhães mapeia cerca de 98% da superfície de Vénus utilizando radar.
2004
Primeiro trânsito de Vénus pelo Sol observado desde 1882.
2006
A Venus Express alcança o seu alvo e começa a estudar Vénus.
O filósofo grego Pitágoras foi o primeiro a reconhecer ambos os corpos como um só, no século VI a.C., embora pensasse que Vénus orbitava a Terra.
O trânsito de Vénus foi observado pela primeira vez pelo astrónomo persa Avicena, que concluiu que o planeta estava mais próximo do que o Sol e estabeleceu que Vénus estava, pelo menos algumas vezes, abaixo do Sol.
No século XII, o astrónomo andaluz Ibn Bajjah observou «dois planetas como manchas pretas na face do Sol», o que mais tarde foi identificado como o trânsito de Vénus e Mercúrio pelo astrónomo Qotb al-Din Shirazi, do observatório Maragha, no século XIII.
Quando o físico italiano Galileu Galilei observou o planeta pela primeira vez no início do século XVII, descobriu que apresentava fases como a Lua, variando de crescente a oval e para cheia e vice versa.
A atmosfera de Vénus foi descoberta em 1761 pelo russo Mikkail Lomonov.
Em 1790 o astrónomo alemão Johann Schröter, descobriu que quando o planeta estava em fase de crescente fina, as pontas estendiam-se. Supôs, corretamente, que o fenómeno se devia á dispersão da luz do Sol numa atmosfera densa.
Mais tarde, os astrónomo americano Chester Smith Lyman observou um anel completo em torno do lado escuro do planeta, quando este estava em conjunção inferior, fornecendo uma prova adicional para a existência de uma atmosfera.
A atmosfera complicou os esforços para determinar o período de rotação do planeta, e observadores como o italiano Giovanni Cassini e Schröter estimaram, incorrectamente, períodos de 24 horas, a partir do movimento de marcas na superfície aparente do planeta.
Pouco mais foi descoberto sobre Vénus até ao século XX. O seu disco quase sem incidentes não fornecia indícios de como a sua superfície deveria ser, e só com o desenvolvimento das observações por espectroscopia, radar e radiação ultravioleta é que foram revelados mais alguns dos seus segredos.
As primeiras observações por ultravioleta ocorreram nos anos de 1920, quando Frank E. Ross descobriu que fotografias com ultra-violeta revelavam um número de detalhes consideráveis que estavam ausentes nas radiações visíveis e infravermelha. Sugeriu que este facto se devia a uma atmosfera amarela baixa, muito densa com nuvens tipo Cirrus.
As observações por espectroscopia, efectuadas nos anos  de 1900 deram as primeiras pistas sobre a rotação venusiana.
Vesto Melvin Slipher tentou medir o efeito Doppler da luz por Vénus, mas descobriu que não podia detectar nenhuma rotação. Supôs que o planeta tinha um período de rotação muito  mais longo do que se pensara anteriormente.
Mais tarde, trabalhos efectuados na década de 1950, forneceram as primeiras medidas do período de rotação que se aproximavam do valor actualmente conhecido.
Já na década de 1970, as observações através do radar, revelaram pela primeira vez, detalhes da superfície venusiana. Foram emitidos pulsos de ondas de rádio para o planeta usando o rádio-telescópio de 300m do Observatório de Arecibo e os ecos revelaram duas regiões altamente reflexivas, designadas por Alpha e Beta. As observações também revelaram uma região brilhante atribuída a montanhas, que foi denominada de Maxwell Montes.

Vénus na Cultura
Por ser um dos objectos mais brilhantes do céu, Vénus é conhecido desde os tempos pré-históricos e, como tal, ganhou uma posição importante na cultura humana.
Foi descrito em textos babilónicos cuneiformes, como a placa de Vénus de Ammisduqa, que relata observações que, possivelmente, datam de 1600 a. C. Os babilónios chamavam o planeta de Ishtar (do sumério Inanna), a personificação da feminilidade.
Os antigos egípcios acreditavam que Vénus era dois corpos diferentes e conheciam a estrela da manhã como Tiourmoutiri e a da noite como Quaiti. Da mesma forma, os antigos gregos chamavam a estrela da manhã de Phosphoros ("o que traz a luz") ou Eosphoros ("o que traz o amanhecer"). A estrela da noite era chamada de Hésperos ("a estrela da noite"). No auge da antiga Grécia, os gregos compreenderam que os dois corpos eram um só, ao qual deram o nome da sua deusa do amor Afrodite (do fenício Astarte). Hésperos seria traduzido para o latim como Vésper e Phosphoros como Lúcifer("Portador da Luz"), um termo poético que mais tarde foi usado para chamar o anjo caído expulso do Paraíso. Os romanos, que derivaram muito do seu panteão religioso da tradição grega, chamaram o planeta de Vénus, a partir da sua própria deusa do amor. O naturalista romano Plínio, o Velho, identificou o planeta Vénus com Isís.
Na mitologia iraniana, especialmente na mitologia persa, o planeta geralmente corresponde à deusa Anahita. Em algumas partes da literatura Pahlavi as divindades Aredvi Sura e Anahita são vistas como entidades separadas; a primeira como a personificação do rio mítico e a última como uma deusa da fertilidade que é associada com o planeta Vénus. Como a deusa Aredvi Sura Anahita, ambas as divindades são unificadas noutras descrições, como na Grande Bundahishn, e são representadas pelo planeta.
No texto avéstico Mehr Yasht (Yasht 10) há uma possível ligação a Mitra. O nome actual persa do planeta é Nahid, que deriva de Anahita e, mais tarde, do termo anahid, na linguagem Pahlavi.
O planeta Vénus foi importante para a civilização maia, que desenvolveu um calendário religioso baseado parcialmente nos movimentos deste planeta, considerando-os como auspicios para a determinação do momento propício para acontecimentos como a guerra. Deram-lhe o nome de Noh Ek, a Grande Estrela, e Xux Ek, a Estrela Vespa. Os maias conheciam o período sinódico do planeta e podiam calculá-lo dentro da centésima parte de um dia.
O povo Masai chamou o planeta de Kilekan e tem uma tradição oral sobre ele chamada "O Menino Órfão".
Vénus também é importante em muitas culturas aborígenes australianas, como a do povo Yolngu na Austrália Setentrional. os Yolngu reúnem-se depois do Pôr-do-Sol para esperar pelo aparecimento de Vénus, a que eles dão o nome de Barnumbirr. Quando se aproxima, nas primeiras horas antes do amanhecer, ele traça atrás de si uma corda de luz ligasda à Terra e, ao longo da corda, com a ajuda de um ricamente decorado "Mastro da Estrela Matutina", as pessoas podem comunicar-se com os seus ente queridos mortos, mostrando que ainda os amam e se lembram deles.
Na astrologia ocidental, derivada da conotação histórica com deusas da feminilidade e amor, considera-se que Vénus influencia o desejo sexual e a fertilidade.
Na astrologia védica indiana, Vénus é conhecido como Shukra ("claro, puro" ou "brilho, clareza" em sânscrito). Um dos nove Navagraha considera que ele afeta a riqueza, o prazer e a reprodução.
As modernas culturas chinesa, coreana, japonesa e vietnamita referem-se ao planeta, literalmente, como a "estrela de metal", baseada nos cinco elementos.
No sistema metafísico da Teosofia, acredita-se que no plano etéreo de Vénus haja uma civilização que existiu centenas de milhões de anos antes da da Terra; acredita-se também que a deidade que governa a Terra, Sanat Kumara, provém de Vénus.
O símbolo astronómico de Vénus é o mesmo que o usado na biologia para a representação do sexo feminino.
O símbolo de Vénus também apresenta a feminilidade, e na Alquimia refere-se ao cobre.

Notas
As nuvens de Vénus são capazes de produzir raios de forma idêntica às nuvens da Terra. A existência de raios foi controversa desde que as primeiras explosões foram detectadas pelas sondas soviéticas Venera. Entretanto, em 2006-07 a Venus Express identificou com clareza ondas electromagnéticas de raios. A sua aparição intermitente indica um padrão associado à actividade do clima. A frequência de raios é, pelo menos, metade da da Terra. Em 2007, a sonda Venus Express descobriu que existe um enorme vórtex atmosférico duplo no pólo sul do planeta

Talvez a mais estranha aparição de Vénus na literatura seja como o arauto da destruição em "Mundos em Colisão" de Immanuel Velikovsky (1950). Neste livro intensamente controverso, Velikovsky argumentou que muitas histórias do Velho Testamento são verdadeiras recordações da vezes que Vénus esteve quase a colidir com a Terra. Sustentou que Vénus causou a maioria dos estranhos eventos no Êxodo. Citou lendas de muitas outras culturas que indicam que os efeitos da quase colisão foram globais. A comunidade científica rejeitou este livro não-ortodoxo, mas entretanto, este já se tinha tornado um best-seller.


Fontes

http://www.suapesquisa.com/astronomia/planeta_venus.htm
http://www.ccvalg.pt/astronomia/sistema_solar/venus.htm
http://www.planetariodorio.com.br/

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...