09/11/2015

Mercúrio


DADOS OBSERVACIONAIS
Distância Média da Terra91.7x105 km
Brilho visualEntre -0.4m e 5.5m
CARACTERÍSTICAS ORBITAIS

Semi-eixo maior57.909,176 km (0,38709893UA)
Circunferência orbital0,360 Tm (2,406 UA)
Excentricidade0,20563069
Periélio46.001,272 km (0,30749951 UA)
Afélio69.817,272 Km (0,46669835 UA)
Período orbital87,96935 dias (0,240847 anos)
Período sinódico115,8776 dias
Velocidade orbital média47,36 km/s
Velocidade orbital máxima58,98 km/s
Velocidade orbital mínima38,86 km/s
Inclinação7,00487º (3,38º do equador do Sol)
Longitude do nodo ascendente48,33167º
Argumento do periélio29,12478º
Número de satélites0
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
Diâmetro Equatorial4879,4 km (0,383 Terras)
Área da superfície7,5x107km2 (0,147 Terras)
Volume6,1x1010 km3 (0,056 Terras)
Massa3,302x1023kg (0,055 Terras)
Densidade Média5,427 g/cm3
Gravidade equatorial3,701 m/s(0,377g)
Velocidade de escape no equador4,435 km/s
Período de rotação58,6462 dias (58d 15,5088h)
Velocidade de rotação10,892 km/h (equador)
Inclinação do eixo~0,01º
Inclinação recta Pólo Norte281,01º (18h 44min 2s)
Declinação61,45º
Albedo0,10-0,12
Temperatura média durante o dia623 K
Temperatura média durante a noite103 K
Temperatura à superfíciemínima: 90 K; média: 440 K; máxima: 700 K
CARACTERÍSTICAS ATMOSFÉRICAS
Pressão atmosféricaTraços
Potássio31,7%
Sódio24,9%
Oxigénio atómico9,5%
Árgon5,9%
Oxigénio molecular5,6%
Nitrogénio5,2%
Dióxido de Carbono3,6%
Água3,4%
Hidrogénio3,2%


Mercúrio é o planeta de menores dimensões, com um raio equatorial de 2.439,7 Km,  e o mais interno do Sistema Solar. Trata-se de um dos quatro planetas telúricos (planeta sólido) do Sistema Solar. É formado por cerca de 70% de materiais metálicos e 30% de silicatos. A sua densidade é a segunda maior do Sistema Solar, com 5,427 g/cm3 (a da Terra é de 5,515 g/cm3). A densidade de Mercúrio pode ser utilizada para deduzir detalhes acerca da sua estrutura interna. Como estas não são fortemente comprimidas, devido à densidade, o núcleo deve ser relativamente rico em ferro.
Os geólogos estimam que o núcleo de Mercúrio ocupa cerca de 42% do seu volume total e pesquisas recentes sugerem que este esteja fundido.
O núcleo está envolvido por um manto com cerca de 500 a 700 quilómetros de espessura e constituído por silicatos.
Baseando-se nos dados da missão Mariner 10 e das observações terrestres, acredita-se que a crosta do planeta tenha entre 100 a 300 quilómetros de espessura.
Um dos detalhes característicos da superfície do planeta é a presença de numerosas cristas estreitas, que podem estender-se  por centenas de quilómetros. Acredita-se que estas estruturas foram formadas quando o núcleo e o manto arrefeceram e contraíram, numa altura em que a crosta já se encontrava solidificada.
O núcleo de Mercúrio tem um teor de ferro maior do que qualquer outro planeta no Sistema Solar e foram propostas várias teorias para explicar esta característica:
  1. A mais aceite sugere que originalmente Mercúrio teria uma razão de metal/silicato idêntica aos meteoros condritos, os quais são considerados como matéria prima do Sistema Solar, e uma massa de cerca 2,25 vezes a actual. Mas no início da história do Sistema Solar o planeta teria sido atingido por um planetesimal com aproximadamente um sexto da sua massa e várias centenas de quilómetros. Este impacto pode ter removido grande parte da crosta e manto originais, deixando o núcleo como componente maioritário (um processo idêntico foi sugerido para a formação da Lua).
  2. Outra teoria sugere que o planeta se terá formado a partir da nebulosa solar, antes da estabilização da energia solar. O planeta teria duas vezes a massa actual, mas à medida que o proto-Sol se contraiu, as temperaturas nas proximidades de Mercúrio poderiam rondar os 2.500 a 3.500 K, podendo atingir temperaturas até 10.000 K. Grande parte da superfície rochosa do planeta ter-se-ia evaporado a estas temperaturas, formando uma atmosfera de "vapor de rocha" que teria sido levada pelo vento solar.
  3. Esta última hipótese sugere que a nebulosa solar provocou o arrasto das partículas a partir das quais Mercúrio vinha a fazer a acreção, o que significa que as partículas leves foram perdidas do material acretante.
Cada uma destas hipóteses conduz a uma composição diferente da superfície e duas missões espaciais Messenger e BepiColombo têm como objectivo fazer observações para verificar a sua constituição.

O planeta Mercúrio é caracterizado por mares extensos e planos e por grandes crateras, indicativo de que a actividade geológica está inactiva há biliões de anos. Este pequeno planeta possui Dorsas (as chamadas "cristas enrugadas"), Terras Altas, Montes (montanhas), planícies ou planos, Escarpas e Vallis (vales).

Mercúrio foi intensamente atingido por cometas e asteróides durante e logo após a sua formação há 4,6 mil milhões de anos, assim como durante um possível episódio subsequente denominado "Intenso bombardeio tardio", que acabou há 3,8 mil milhões de anos. Durante este período de intensa formação de crateras, o planeta recebeu impactos sobre toda a sua superfície, o que foi facilitado pela ausência de qualquer atmosfera que os  diminuísse. Neste período o planeta teve actividade vulcânica e bacias como a Caloris foram preenchidas por magma do interior planetário, que produziram planícies suaves idênticas aos mares lunares.
Os dados fornecidos em 2008 pela Messenger mostraram uma superfície mais heterogénea do que as de Marte e da Lua.

As crateras de impacto em Mercúrio variam de um diâmetro menor do que uma bola a bacias de impacto com multi-anéis com centenas de quilómetros de diâmetro. Aparecem em todos os níveis de degradação, desde crateras relativamente recentes a altamente degradadas.
A maior cratera conhecida é a Bacia Caloris, que possui um diâmetro de 1.550 quilómetros. O impacto que criou a Bacia Caloris foi tão forte que causou erupções de lava e deixou um anel concêntrico com mais de dois quilómetros de altura em volta do local de impacto. Na antípoda da Bacia de Caloris existe uma região conhecida como "Terreno Estranho". Uma das hipóteses para a sua origem é a de que as ondas de choque que formaram a Bacia Caloris viajaram ao longo do planeta, convergindo no antípoda. O resultado foi uma superfície extremamente fracturada por stress.
Ao todo, foram identificadas quinze bacias de impacto na área mapeada de Mercúrio. Outra bacia notável, é a Bacia Tolstoj, com 390 quilómetros de diâmetro e multi-anéis, cujo material ejectado, devido ao impacto, cobre mais de 500 quilómetros.
A bacia Beethoven tem um diâmetro de 643 quilómetros.
Existem duas regiões planas geologicamente distintas em Mercúrio:
  1. Planícies suavemente onduladas, nas regiões entre as crateras de Mercúrio. Tratam-se das superfícies visíveis mais antigas. Estão distribuídas uniformemente por todo o planeta e parecem ter obliterado muitas crateras anteriores. Mostram uma escassez geral de crateras com diâmetros inferiores a 30 quilómetros. Não se sabe ainda se são de origem vulcânica ou causadas por impactos.
  2. As planícies suaves são áreas achatadas espalhadas, que preenchem depressões de várias dimensões, tendo uma forte semelhança com os mares lunares, mas ao contrário destes, têm o mesmo albedo que as mais antigas inter-crateras. Apesar da ausência de características vulcânicas inequívocas a localização e o formato redondo destas planícies suportam fortemente a sua origem vulcânica.
Uma característica típica da superfície do planeta são as numerosas dobras de compressão, ou Rupes, que cruzam as planícies. À medida que o interior do planeta arrefeceu, pode ter-se contraído e a superfície começou a deformar-se e criando estas formações. As dobras podem ser vistas por cima de outras formações geológicas, indicando que são mais recentes.
A temperatura média da superfície do planeta é de 442,5 K (169,35ºC), mas varia numa faixa que vai desde 100K (-173,15ºC) a 700 K (426,85ºC), devido à ausência de atmosfera e um abrupto gradiente de temperatura entre o equador e os pólos. O ponto subsolar alcança aproximadamente 700 K durante o periélio, caindo para 550 K aquando do afélio. No lado escuro do planeta a temperatura é de 110 K (-163,15ºC). A intensidade da luz solar na superfície varia entre 4,59 e 10,61 vezes a constante solar (1.370 w.m-2).
As observações sugerem a presença de gelo no planeta. Os pisos das crateras profundas no solo nunca são directamente expostos à luz solar, tendo uma temperatura inferior a 102 K. O gelo é reflectido com grande intensidade no radar. Embora a causa da reflexão do radar perto dos pólos possa não ser causada por gelo, os astrónomos acreditam que esta é a causa mais plausível.
Acredita-se que as regiões tenham aproximadamente 1014 a 1015 kg de gelo e podem estar cobertas por uma camada de regolitos que inibe a sublimação.
Em comparação, a camada de gelo sobre a Antárctida tem uma camada de aproximadamente 4x1015 Kg e a calote polar do sul de Marte tem 1016Kg de água.
A origem de gelo em Mercúrio ainda não é conhecida, mas as duas fontes prováveis são a desgaseificação do interior do planeta ou a deposição de gelo pelo impacto de planetas.
Mercúrio é muito pequeno  para a sua gravidade reter qualquer atmosfera significativa por um longo período de tempo. No entanto tem uma ténue exosfera na superfície, a qual contém hidrogénio, hélio, oxigénio, sódio, cálcio e potássio. Esta exosfera não é estável - os átomos são continuamente perdidos e repostos de várias fontes. O hidrogénio e o hélio provêm, provavelmente, do vento solar, difundidos na magnetosfera mercuriana antes de escapar de volta para o espaço. O decaimento radioactivo dos elementos do interior da crosta é outra fonte de hélio, assim como de sódio e de potássio. A sonda Messenger encontrou altas proporções de cálcio, hélio, hidróxidos, magnésio, oxigénio, silício e sódio na exosfera. O vapor de água provém de uma combinação de processos tais como cometas a atingirem a superfície, pulverização catódica do hidrogénio do vento solar e oxigénio do solo e sublimação dos reservatórios de gelo na sombra permanente das crateras polares.
A detecção de grandes quantidades dos iões O+, OH- e H2O+ foi uma surpresa. Os cientistas pensam que estas moléculas foram arrancadas da superfície do planeta ou exosfera pelo vento solar.
O sódio e o potássio foram descobertos durante as décadas de 1980 e 1990 e acredita-se que sejam o resultado da vaporização da superfície da rocha  pelo impacto de meteoritos. Há estudos que indicam que, pontualmente, são localizadas emissões de sódio em locais que correspondem ao dipólo magnético do planeta, indicando a interacção entre a magnetosfera e a superfície do planeta.
Apesar do seu pequeno tamanho e lenta velocidade de rotação em 59 dias, Mercúrio tem um campo magnético significativo e aparentemente global. De acordo com as medições realizadas pela sonda Mariner 10, a força do campo é  de 1,1% da terrestre, sendo de 300 nT na linha do equador do planeta. As medições efectuadas pelas sondas Mariner 10 e Messenger indicaram que a força e formato do campo magnético são estáveis. Assim como na Terra, o campo magnético mercuriano é de natureza dipolar, todavia está quase alinhado com o eixo de rotação do planeta, ao contrário do terrestre.

É provável que o campo magnético seja gerado por meio de um efeito dínamo, como o campo terrestre. Este efeito seria o resultado da circulação do núcleo líquido rico em ferro. O efeito de maré provocado pela alta excentricidade orbital do planeta serviria para manter o núcleo no estado líquido necessário para manter este efeito dínamo.
O campo magnético mercuriano é forte o suficiente para deflectir o vento solar em torno do planeta, criando uma magnetosfera que, apesar de ser menor que a da Terra, é forte o suficiente para capturar o plasma do vento solar, contribuindo assim para a erosão espacial na superfície do planeta.
Observações efectuadas pela Mariner 10 detectaram plasma de baixa energia na magnetosfera do planeta no lado escuro e foram detectadas explosões de partículas energéticas na magnetocauda do planeta, o que é indicador da qualidade dinâmica da magnetosfera.
A 6 de Outubro de 2008 a sonda Messenger encontrou "tornados" magnéticos - feixes do campo magnético deformados, que ligam o campo ao espaço sideral - que tinham até 800 km de diâmetro. Estes tornados são formados quando o campo magnético carregado pelo pelo vento solar são ligados ao campo mercuriano. À  medida que o vento solar empurra o campo magnético, estes campos são carregados em conjunto e misturados em estruturas parecidas com um vórtex. Estes tubos de fluxos magnéticos misturados, tecnicamente conhecidos como eventos de transferência de fluxos, formam aberturas no escudo magnético do planeta através do qual o vento solar pode penetrar e atingir directamente a superfície de Mercúrio.
Mercúrio tem a maior excentricidade orbital de todos os planetas, com um valor de 0,21 com a distância do Sol a variar entre 46 a 70 milhões de quilómetros, cim um período de translação de 88 dias.
Um dia solar em Mercúrio dura cerca de 176 dias terrestres.
A órbita mercuriana está inclinada em 7º em relação ao plano da órbita da Terra (a eclíptica). Como resultado, o trânsito de Mercúrio sobre o Sol só ocorre quando o planeta está a cruzar o plano da eclíptica terrestre quando está entre a Terra e o Sol, evento que acontece em média a cada sete anos.
A inclinação axial mercuriana é quase zero, sendo o maior valor medido de 0,27. Em certos pontos da superfície do planeta, um observador veria o Sol a nascer a cerca de metade do caminho e então reverter e pôr-se antes do nascer novamente. Isto acontece, porque, aproximadamente quatro dias antes do periélio, a velocidade orbital angular iguala-se à velocidade rotacional angular. Então, o movimento aparente do Sol finda; no periélio, a velocidade orbital angular então excede a rotacional e assim o Sol aparece num movimento retrógado. Quatro dias após o periélio, o movimento aparente do Sol reinicia-se nesses pontos.
O planeta tem uma ressonãncia roto-translacional de 3:2, rotacionando 3 vezes para cada duas translações em volta do Sol. A excentricidade da órbita de Mercúrio torna a ressonância estável - no periélio, quando a maré solar é mais forte, o Sol está quase parado no céu mercuriano.
Devido à ressonância  de 3:2 roto-translcional mercuriana, um dia solar dura cerca de 176 dias terrestres e um dia sideral (período de rotação) dura cerca de 58,7 dias terrestres.
A longitude de Mercúrio aumenta na direcção Oeste e uma pequena cratera chamada Hun Kal é o ponto de referência para a medida da longitude. O centro de Hun Kal está a 20º da longitude Oeste.
A magnitude aparente mercuriana varia entre -2,3 (mais brilhante do que Sirius) e 5,7, ocorrendo os extremos quando Mercúrio está mais próximo do Sol, uma vez que o planeta se perde no brilho solar a maior parte do tempo. Só pode ser observado durante o crepúsculo matinal ou vespertino.
Assim como a Lua, mercúrio possui fases quando observado da Terra, sendo a "nova" a conjunção inferior e a "cheia" a conjunção superior. O planeta fica invisível em ambas as ocasiões por causa da proximidade relativa do Sol. O primeiro e último quarto de fases ocorrem na elongação máxima a Leste e Oeste, respectivamente, quando a separação de Mercúrio do Sol varia de 17,9º no periélio a 27,8 no afélio.
Na maior elongação a Oeste, Mercúrio nasce no céu antes do nascer do Sol, e na maior a Leste, põe-se após o pôr-do-Sol.
Mercúrio atinge a conjunção inferior, em média, a cada dezasseis dia, mas o intervalo  pode variar entre 105 a 129 dias, devido à excentricidade orbital do planeta. A distância mínima entre o planeta e a Terra pode atingir 77,3 milhares de quilómetros. Em 871, ocorreu a menor aproximação em relação à Terra, com menos de 82,2 Gm, tendo-se repetido 68 vezes desde então, tendo ocorrido a última no ano de 2008 (sendo a próxima, com um valor de 82,1 Gm, no ano de  2679 e a 82 Gm em 4487. Uma distância menor do que 80 Gm só ocorrerá em 28622).
O seu período de movimento retrógrado aparente, conforme acompanhado da Terra, pode variar de 8 a 15 dias, tanto na conjunção inferior quanto na superior, sendo esta grande variação devida à excentricidade orbital do planeta.

História
As observações efectuadas a Mercúrio, de que se tenha conhecimento, são as da tabela Mul Apin. Supõe-se que estas observações foram feitas por
DatasImportantes
1610
O astrónomo Galileu Galilei faz as primeiras observações telescópicas de Mercúrio.
1631
O astrónomo francês Pierre Gassendi faz as primeiras observações do trânsito de Mercúrio pela face do Sol.
1639
O astrónomo italiano Giovanni Zupus descobre que Mercúrio tem fases, uma prova de que o planeta orbita o Sol.
1641
O astrónomo alemão Johann Franz Encke faz a primeira determinação da massa de Mercúrio usando o efeito de gravidade do cometa Encke.
1889
O astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli produz o primeiro mapa das características da superfície de Mercúrio.
1965
Os rádio-astrónomos americanos Gordon Pettengil e Rolf Dyce medem o periodo de rotação de Mercúrio, que se situa à volta de 59 dias.
1968
A Surveyor 7 tira as primeiras fotos de Mercúrio a partir da superfície lunar.
1974
A sonda Mariner 10 faz o seu primeiro voo rasante a 705 km de Mercúrio
 um astrónomo assírio, cerca do século XIV a.C. A escrita cuneiforme utilizada para designar o planeta na tabela é transcrita como UDU.IDIM.Gu4.UD ("O planeta que salta"). Os registos babilónicos de Mercúrio datam do primeiro milénio a.C., quando chamavam o planeta de Nabu, o mensageiro dos deuses na sua mitologia.
Os gregos da antiguidade do período de Hesíodo conheciam o planeta como Στίλβων (Stilbon) - "o resplandecente" e Ἑρμάων (Hermaon). Mais tarde denominaram o planeta de Apolo quando está visível no céu da manhã e de Hermes quando está visível no entardecer.  Por volta do século IV a.C. os astrónomos gregos perceberam que os dois nomes correspondiam ao mesmo corpo celeste.
Os romanos baptizaram o planeta com o nome do mensageiro dos seus deuses, Mercúrio (em latim, Mercurius), equivalente ao grego Hermes, em virtude do astro cruzar o firmamento mais rápido do que qualquer outro planeta.

Na antiga China, o planeta era conhecido como Ch'em-Hsing, a estrela da hora, e estava associado com a direcção do Norte e a fase da água  no Wu Xing.
A mitologia hindu utilizava o nome de Buda para Mercúrio e acreditava-se que este deus presidia a quarta-feira; no paganismo germânico, o astro era representado pelo deus Odin (ou "Woden"), também associado a este dia da semana.
A civilização maia provavelmente representou o planeta como uma coruja (ou possivelmente quatro corujas, duas para a manhã e duas para para  a tarde), que servia como mensageira para o mundo dos mortos.
Na astronomia indiana antiga, o Surya Siddharta, um texto astronómico indiano do século V, estima o diâmetro de Mercúrio em 4.840,91 quilómetros, um erro de menos  de 1% do diâmetro actualmente aceite, de 4.879,53 quilómetros (no entanto, esta indicação baseava-se numa estimativa imprecisa do diâmetro angular do planeta de três minutos de arco).
Na astronomia islâmica medieval, o astrónomo de Al-Andaluz Abū Ishāq Ibrāhīm al-Zarqālī, no século Xi, representou o epiciclo da órbita geocêntrica mercuriana como uma elipse, partindo da noção dos antigos gregos do movimento circular uniforme. No século XII, Ibn Bajjah observou "dois planetas como pontos pretos na superfície do Sol" que foi sugerido posteriormente como sendo o trânsito de Mercúrio e/ou Vénus pelo astrónomo Maragha Qotb al-Din Shirazi no século XIII, apesar de a maioria dos registos medievais de trânsitos terem sido posteriormente interpretados como observações de manchas solares. No século XIV, Ibn Qayyim Al-Jawziyya reconheceu Mercúrio como sendo o menor planeta conhecido na altura, enquanto Ibn al-Shatir, como uma alternativa ao modelo de Ptolomeu, produziu o seu próprio modelo geocêntrico de Mercúrio.
Na Índia, o astrónomo Nilakantha Somayaji, da escola Kerala, desenvolveu no século XV um sistema planetário parcialmente heliocêntrico em que Mercúrio orbitava o Sol, que por sua vez orbitava a Terra, idêntico ao Sistema de Tycho proposto posteriormente por Tycho Brahe, no final do século XVI. No entanto, o sistema Nilakantha era mais exacto na predição da órbita de Mercúrio, do que os posteriores Tycho e Copérnico, e permaneceu como o mais exacto até ao século XVII, quando Johannes Kepler reformulou os cálculos para o planeta de um modo semelhante ao que Nilakantha havia feito.
As primeiras observações telescópicas de Mercúrio foram feitas por Galileu no início do século XVII, e embora ele tenha observado fases enquanto observava Vénus, o seu telescópio não foi potente o suficiente para visualizar as fases mercurianas.
Em 1631 Pierre Gassendi fez a primeira observação do trânsito astronómico de um planeta sobre o disco solar quando observou o trânsito de Mercúrio previsto por Johannes Kepler. Em 1639, Giovanni Zupi descobriu que o planeta tinha fases orbitais assim como a Lua e o planeta Vénus. Esta observação demonstrou conclusivamente que Mercúrio orbitava em torno do Sol.
Um evento raro na astronomia é a passagem de um planeta à frente de outro (ocultação), quando observado da Terra. A frequência de ocultação de Mercúrio e Vénus é de séculos, e a última vez que tal fenómeno foi observado foi a 28 de Maio de 1737 por John Bevis do Observatório de Greenwich. A próxima ocultação de Mercúrio por Vénus irá acontecer a 3 de Dezembro de 2133.
As dificuldades inerentes à observação de Mercúrio implicam que este foi, de longe, o menos estudado dos planetas. 
Em 1800, Johann Schröter fez observações de características da superfície, afirmando ter observado montanhas de 20 quilómetros de altura. Friedrich Bessel utilizou os desenhos de Schröter e, erradamente, estimou o período de rotação em 24 horas e uma inclinação axial de 70º. Na década de 1880, Giovanni Schiaparelli mapeou o planeta com uma exactidão maior e sugeriu que o período rotacional era de 88 dias, o mesmo que o período orbital, devido ao efeito de maré. Este fenómeno é conhecido como rotação sincronizada e é observado na Lua terrestre. Os esforços para mapear a superfície de Mercúrio foram continuados por Eugenios Antoniadi, que publicou um livro em 1934 que incluía mapas e as suas próprias observações. Muitas das características da superfície do planeta, particularmente os albedos, têm os seus nomes retirados dos mapas de Antoniadi.
Em Junho de 1962, um grupo de cientistas soviéticos do Instituto de Rádio-Engenharia  e Electrónica da academia de Ciências da União Soviética, liderados por Vladimir Kotelnikov, tornaram-se os primeiros a enviar sinais de radar para Mercúrio e receber respostas, iniciando as observações  por radar para ao planeta. Três anos mais tarde, observações de radar feitas pelos americanos Gordon Petengrill e R. Dyce, utilizando um radiotelescópio de 300 m do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, demonstraram de forma conclusiva que o período rotacional do planeta era de cerca de 59 dias terrestres.
O astrónomo italiano Giuseppe Colombo percebeu que o valor da rotação era aproximadamente dois terços do período de translação mercuriano e propôs que a relação entre a translação e a rotação estavam sincronizadas em 3:2, em vez de uma ressonância de 1:1. Os dados fornecidos pela sonda Mariner 10 vieram a confirmar esta teoria. Isto significa que os mapas de Schiaparelli e Antoniadi não estavam "errados". Na verdade, os astrónomos viram as mesmas características durante cada "segunda" órbita e registaram-nas, mas negligenciaram as observadas no meio tempo, quando a outra face estava voltada para o Sol, uma vez que a geometria orbital implicava que estas observações fossem feitas em más condições de visibilidade.
As observações terrestres não revelaram muito acerca da estrutura do planeta e só quando a primeira sonda espacial foi enviada é que muitas das propriedades mais fundamentais do planeta foram conhecidas. No entanto, os recentes avanços tecnológicos têm melhorado as observações terrestres.
Em 2000, as observações de alta resolução, através do método Lucky Imaging, foram conduzidas pelo Observatório Monte Wilson e forneceram as primeiras visões que solucionaram as características da superfície que não forma fotografadas pela missão Mariner. Imagens posteriores mostraram evidências de uma grande bacia de impacto com um anel duplo, de dimensões superiores à Bacia Caloris, na região não fotografada pela Mariner, a qual foi informalmente apelidada de Bacia Skinakas.
A maior parte da superfície foi mapeada pelos telescópios de Arecibo, com uma resolução  de 5 quilómetros, incluindo depósitos polares nas regiões de sombra da cratera, que podem ser de gelo.

Tal como a Lua, a superfície de Mercúrio mostra cicatrizes de crateras de impacto
Crédito: Mariner 10, Equipa de Astrogeologia, U.S. Geological Survey, Enciclopédia do Espaço e do Universo, DK Multimedia
A maior característica da superfície de Mercúrio é a Bacia Caloris, que resultou da colisão com um grande asteróide. A bacia, que tem mais de 1000 km de comprimento, contém fendas, crateras e planícies que aumentam de tamanho mais para o centro da bacia. Características similares, como o Mar Oriental, podem ser vistas na Lua. A bacia Caloris torna-se muito quente devido a estar perto do "ponto sub-solar" - o ponto na superfície de Mercúrio que está directamente sobre o Sol quando Mercúrio está mais próximo do Sol.
Crédito: NASA, Mariner 10, Calvin J. Hamilton

"Terreno estranho" é o que melhor define esta região montanhosa e delineada de Mercúrio. Esta área é a região antípoda da grande Bacia Caloris. A onda de choque provocada pelo impacto do asteróide (que provocou a bacia) foi reflectida e focada no ponto antípoda, remexendo a crosta e quebrando-a numa série de complexos blocos. A área coberta é de cerca de 100 quilómetros de um lado.
Crédito: NASA, Mariner 10, Calvin J. Hamilton




Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Merc%C3%BArio_(planeta)
http://www.ccvalg.pt/astronomia/sistema_solar/mercurio.htm




Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...