25/11/2015

Glossário de Biologia


Aberração Cromossómica
Mutação cromossómica.

Abiótico
Diz-se dos fatores físico-químicos do meio ambiente, como é o caso da luz, da humidade, da temperatura do ar, etc. por oposição aos fatores bióticos, que estão ligados à presença de vida. Num meio abiótico não existe qualquer vestígio de vida.

Ácido Aminado
Aminoácido.

Ácido Nucleico
Macromolécula orgânica, polímero, de nucleótidos, que constitui o suporte bioquímico fundamental do genoma dos seres vivos.

Acomodação
Variação adaptativa somática (ou seja, não hereditária) que ocorre em populações submetidas a condições ambientais constrangedoras ou diferentes das que caracterizam o seu habitat. Algumas espécies de plantas podem, por exemplo, ser frondosas e altas na planície e apresentar um fenótipo de dimensões reduzidas e rasteiras em meio montanhoso.

Adaptação
Ajustamento da morfologia, da fisiologia ou do comportamento de uma espécie às condições particulares do meio.

ADN ou DNA
Ácido desoxirribonucleico. Macromolécula orgânica que constitui o suporte quase universal da informação hereditária no mundo vivo.

ADN lixoADN que não codifica proteínas. No entanto, uma grande parte dele é transcrita para o ARN e regula a expressão genética.
ADN recombinanteSequência de ADN artificial obtida por engenharia genética, utilizada com frequência para a produção de fármacos a partir de bactérias.
Aerobiose
Modo de vida dos organismos – sejam eles animais ou vegetais – para os quais a presença de oxigénio no meio (aéreo ou aquático) é estritamente necessária.

Aglutinação
Aglomeração, numa massa compacta, de glóbulos vermelhos, bactérias, etc., por ação de aglutininas.

Aglutinina
Proteína específica constituinte dos anticorpos presentes em diferentes soros e responsável pela aglutinação de certos microrganismos ou dos glóbulos vermelhos que contêm o aglutinogénio característico.

Aglutinogénio
Proteínas constituintes dos antigénios da membrana dos glóbulos vermelhos ou de determinados microrganismos.

Albinismo
Ausência total ou parcial de pigmentação da pele, das iris, dos pelos, e dos cabelos provocada por uma deficiência, de origem genética, na síntese de um pigmento escuro, a melanina. Têm sido observados albinos entre muitas espécies animais, mesmo entre os invertebrados. Na espécie humana, este fenómeno manifesta-se tanto entre os Brancos como entre os Negros. No mundo vegetal, o fenómeno de albinismo total ou parcial deve-se à ausência de clorofila, como ocorre, por exemplo, entre algumas plantas de tabaco.
Alelo
Uma das variantes possíveis de um gene, que se exprime no fenótipo de uma forma específica.
Alérgeno
Antigénio capaz de desenvolver uma resposta alérgica. São muitas as substâncias que podem ter um efeito alérgico: medicamentos, bactérias, ácaros, pólenes, determinadas poeiras, etc.
Alergia
Reacção violenta de hipersensibilidade de uma substância antigénica designada, neste caso, de alergénica.
Aloenxerto
Enxerto entre tecidos ou órgãos alogénicos, ou seja, de animais pertencentes à mesma espécie biológica mas que apresentam uma constituição antigénica diferente.

Alogamia
Polinização de uma flor pelo pólen de outra pertencente ao mesmo indivíduo ou a outro da mesma espécie, mantendo-se o carácter cruzado (por oposição à autogamia).

Alopátrica (especiação)
Desenvolvimento de subespécies e de espécies e de espécies biológicas em áreas geográficas relativamente afastadas ou inacessíveis, tornando-se assim impossível qualquer hibridação natural entre elas.

Alternância das gerações
Alternância do modo de reprodução de uma mesma espécie biológica de uma geração para outra.

Amido
Macromoléculo glucídica que constitui a principal forma de reserva dos vegetais. O amido encontra-se, por exemplo, nos grãos de cereais, como o trigo ou o milho, e nos tubérculos das batatas.

Aminoácido ou Ácido aminado
Molécula orgânica que possui simultaneamente um radical carboxilo (COOH) e um radical amina(NH2). Quando o número de ácidos aminados é superior a dois e inferior a cem, estamos na presença de péptidos. As proteínas resultam da ligação de mais de cem aminoácidos.

Âmnio
Membrana que delimita uma cavidade (a cavidade amniótica) que contém um liquido salgado (o liquido amniótico), no qual se desenvolve, ao abrigo da desidratação, o embrião dos répteis, aves e mamíferos.

Amniocentese
Função médica efetuada através da parede do abdómen com vista a extrair uma pequeníssima quantidade de líquido amniótico da cavidade amniótica que contém o feto.

Amniota
Vertebrados cujo embrião se desenvolve numa cavidade amniótica cheia de um líquido salgado e delimitada por uma membrana, o âmnio. Fazem parte dos amniotas os répteis, as aves e os mamíferos.

Anabiose
Regresso à vida normal, por parte de algumas espécies biológicas, depois de um período de vida latente. No reino vegetal, isso ocorre entre os musgos após uma dessecação prolongada e, no reino animal, entre as marmotas após a hibernação.

Anabolismo
Conjunto das reações químicas do metabolismo, caracterizadas pela síntese, a partir de moléculas simples, dos compostos moleculares complexos constitutivos dos seres vivos.

Anaerobiose
Adaptação e modo de vida dos organismos (certas bactérias e certos fungos microscópicos) num meio desprovido de oxigénio.

Anafase
Divisão celular.

Anafilaxia
Reação patológica – por vezes mortal – a uma substância cuja fraca dosagem não é, em si, perigosa, mas que, num meio interior inadequado, desencadeia uma forte reação imunitária, acompanhada por uma forte reação inflamatória e por uma produção anormal de anticorpos. A anafilaxia representa uma forma extrema da alergia, em que o organismo se torna progressivamente mais sensível ao antigénio, em vez de se lhe tornar imune.

Anagénese
Especiação que consiste na transformação gradual de uma espécie ao longo do tempo. Ao contrário da cladogénese, este processo não implica uma multiplicação das espécies a partir de uma ancestral comum, mas sim a sua evolução progressiva.

Anatoxina
Toxina microbiológica cuja ação patogénica se encontra diminuída ou mesmo anulada, mas que continua a ser capaz de induzir reações imunitárias especificas. Determinadas vacinas – antitétano e antidifteria, por exemplo – são preparadas através do tratamento  das toxinas das doenças em questão com formol a 40º. Obtêm-se assim, anatoxinas diftéricas e tetânicas que podem resultar numa vacinação eficaz.

Androginia
Estado de um organismo que apresenta simultaneamente caracteres sexuais masculinos e femininos.
A androginia é frequente no mundo vegetal, pois são várias as espécies de plantas que possuem flores masculinas e flores femininas na mesma inflorescência. Através da andogénese artificial pode conseguir-se a regeneração de uma planta, tendo como ponto de partida grãos de pólen.
No mundo animal – não obstante o mito do andrógino ter estado bastante presente na Antiguidade grego-romana -, a androginia é, sobretudo, um defeito biológico: a presença num macho (cromossomas sexuais masculinos) de caracteres sexuais femininos ( individuo andrógino) ou numa fêmea de atributos sexuais masculinos (individuo ginantropo) costuma ser vista como patológica.

Anemocoria
Disseminação, pelo vento, de fragmentos de plantas, sementes e frutos. Algumas plantas mostram adaptações específicas à anemocoria, como é o caso dos aquénios (frutos secos) plumosos do dente-de-leão.

Aneuploidia
Alteração do número específico de cromossomas nas células de um ser vivo.

Anexos embrionários
Órgãos desenvolvidos durante o desenvolvimento embrionário de certas espécies biológicas que asseguram a protecção, a nutrição e a respiração do embrião. Os amniótas possuem quatro anexos embrionários( o âmnio, a alantóide, o córion e a vesícula vitelina), que têm uma formação mais precoce entre os mamíferos e mais tardia entre os répteis e as aves (sauropsídeos). Nos mamíferos, o córion e a alantóide unem-se no útero formando a placenta.

Animal
Organismo heterotrófico e geralmente móvel. Se a distinção entre animais e plantas é evidente quando se comparam as suas formas mais evoluídas (plantas com flor e mamíferos), a linha de demarcação que separa o reino vegetal do reino animal é infinitamente menos nítida à medida que recuamos na escala evolutiva.

Anisogamia
Modo de reprodução sexuada em que dois gâmetas são fortemente diferenciados. Assim, o gâmeta feminino pode ser grande e imóvel e estar repleto de reservas nutritivas, contrastando com o gâmeta mais pequeno e dinâmico. A anisogamia, também designada heterogamia, é o tipo de reprodução mais frequente no mundo vivo, nomeadamente entre as espécies biológicas evoluídas, onde constitui, aliás, o único tipo identificado.
Antibiótico
Substância natural ou de síntese com a capacidade para matar ou inibir o crescimento de bactérias ou outros organismos patogénicos.
Anticorpo
Substância de natureza proteica (imuglobina) elaborada pelos linfócitos B (nomeadamente sob a sua forma ativada e diferenciada, os plasmócitos) para neutralizar um antigénio.
Antigénio ou Antígeno
Substância que produz uma reação imunitária. Assim, a penetração no organismo de um determinado antigénio desencadeia a produção do anticorpo que lhe corresponde, dada a ativação imunitária que o antigénio provoca. Faz-se a distinção entre os auto-antigénios, que têm como fonte o mesmo organismo, e os heteroantigénios, que provêm de corpos estranhos ou de outros organismos vivos.
Antropocentrismo
Tendência para considerar o homem como o centro do Universo. Este tipo de atitudes pode trazer grandes prejuízos para o mundo vivo, incluindo para a própria espécie humana, através da destruição do equilíbrio relativo das espécies biológicas na biosfera.
Antropologia
Ciência que estuda o homem nas suas dimensões físicas e sociais. Situada na intersecção das ciências biológicas com as ciências humanas, a antropologia apresenta duas especialidades principais: a antropologia física ou biológica, que estuda a variação e a diversidade, no espaço e no tempo, das características anatómicas, fisiológicas, bioquímicas e genéticas; a antropologia social e cultural, que se interessa pelo homem através do conjunto das manifestações da vida em grupos estruturados (modos de vida, ritos, costumes, etc.) e que, apoiada na etnologia, procede a comparações entre as diferentes sociedades humanas.
Antropomorfismo
Tendência para atribuir aos animais características da espécie humana.
Aparelho vocal
Aparelho que permite a linguagem articulada da espécie humana.
Apogamia
Reprodução de certas espécies vegetais, sem fecundação, a partir de uma qualquer célula somática. Trata-se de um caso particular de apomixia (e de partenogénese).
Apomixia
Modo de reprodução que se encontra, por exemplo, entre as espécies vegetais superiores, quando a multiplicação não recorre à participação dos dois gâmetas, com a alternância das fases diplóides e haplóides.
Apoptose
Lise ou morte celular prevista no programa genético de uma espécie biológica e que ocorre durante o desenvolvimento do organismo. É por esse processo que o embrião da espécie humana perde as membranas interdigitais e as vértebras caudais. No caso de ocorrerem mutações que obstem ao bom funcionamento do programa genético, o indivíduo adulto pode apresentar os dedos soldados (sindactilia).
Apossemático
Diz-se dos arabescos e dos motivos coloridos que servem de ornamentos ameaçadores a algumas espécies biológicas e que noutras constituem uma forma particular de mimetismo.
Arco reflexo
Trajeto efetuado pelo influxo nervoso graças a um ato reflexo que não implica a intervenção do cérebro.
ARN ou RNA
Ácido ribonucleico. Macromolécula orgânica, semelhante ao ADN mas formada por uma única cadeia de nucleótidos, cada um deles constituído por uma base azotada pirimidínica (citosina ou uracilo) ou purínica (adenina ou guanina), por um açucar de cinco átomos de carbono (ribose) e por uma molécula de ácido fosfórico.
ARN de interferência (ARNi)Processo de silenciamento da expressão de determinadas proteínas por parte de pequenas moléculas de ARN.
ARN mensageiro (ARNm)Molécula adaptadora para a qual o ADN codificante de uma proteína é transcrito e que transporta a informação necessária à síntese de uma proteína.
ATP
(trifosfato de adenosina) → Bioenergética.
Audição
Função sensorial que permite captar as informações sonoras e transmiti-las ao cérebro, onde são tratadas e analisadas.
Aurícula
Cada uma das duas cavidades superiores do coração dos vertebrados superiores – neles se incluindo o homem – que recebem o sangue que reflui para o coração e cujas contrações dirigem o sangue para os ventrículos. A aurícula direita recebe o sangue que as veias cavas transportam de todo o corpo, ao passo que a aurícula esquerda recebe apenas, pelas veias pulmonares, o sangue proveniente dos pulmões.
Autoecologia
→Ecologia
Autoenxerto
O enxerto é retirado do próprio organismo que vai ser enxertado
Autofecundação
Fecundação de um gâmeta feminino por um gâmeta masculino pertencente ao mesmo organismo, por isso designado hermafrodita. Extremamente rara entre os animais (ex. nos cístodos), a autofecundação é muito frequente no mundo vegetal (autopolinização).
Autogamia
→Alogamia, Autofecundação.
Autoimunidade
Situação de um organismo vivo que se torna incapaz de tolerar os seus próprios antigénios. Esse estado desencadeia doenças auto-imunes, caracterizadas pela produção de anticorpos dirigidos contra o próprio organismo.
Autorreprodução
Reprodução de um sistema biológico original através de cópias sucessivas dos moldes iniciais. A autorreprodução  do ADN (e no caso de certos vírus, do ARN) implica autorreprodução dos órgãos celulares que o contêm, nomeadamente dos cromossomas, dos plastos e das mitocôndrias. Um exemplo típico é a mitose.
AutossomaCromossoma não sexual que tem sempre um par correspondente. Os seres humanos têm 22 pares.
Autotrófico
Diz-se dos organismos com capacidade para sintetizar os seus próprios constituintes orgânicos a partir de substâncias inorgânicas disponíveis no meio ambiente. As plantas utilizam a radiação solar e mediante o pigmento verde clorofila transformam-na, no decurso da fotossíntese, em energia química. Certas bactérias, por quimiossíntese, são também autotróficas.
Auxina
Hormonas do crescimento dos vegetais elaborada pelas terminações dos eixos vegetativos. Ao aumentar a capacidade de extensão da parede das células, as auxinas produzem a sua elongação. Concentradas sobretudo nas extremidades de crescimento, as auxinas participam nos diferentes tropismos, encontrados nas plantas.
Avitaminose
Patologia provocada por uma carência de vitaminas.
Axónio
Prolongamento, de natureza citoplasmática, de um neurónio (célula nervosa).
Azigoto
Organismo resultante, por partenogénese, de uma célula haplóide (n cromossoma), como é o caso dos machos das abelhas.


Bactéria
Microrganismo unicelular rodeado por uma membrana revestida por uma parede protetora rígida (parede bacteriana) e por um citoplasma onde se encontra um único cromossoma – constituído por uma macromolécula de ADN circular. Este tipo de células, designada procariota, não possui, portanto, um núcleo claramente delimitado por uma membrana, como acontece nas células eucariotas.
Bacteriófagover fago
Banco de ADN
Sistema de conservação do ADN nos clones celulares cultivados in vitro, que permite o armazenamento, em condições artificiais, do material genético de uma determinada espécie.
Banco de Esperma
O mais conhecido é o banco que, nos Estados Unidos, conserva o esperma de alguns Prémios Nobel para o distribuir por mulheres que desejem proceder a inseminação artificial. Será necessário que um tal banco, resultado de uma utopia eugénica, é muito bem capaz de desiludir as suas utilizadoras? É que até os Prémios Nobel podem ser portadores de anomalias no seu património hereditário…
Barreira genética
Barreira que impede o cruzamento de espécies biológicas demasiado diferentes do ponto de vista genético.
Barreira placentária
Filtro constituído pela placenta, entre a circulação do organismo materno e a do feto e cuja função é proteger este último de microrganismos nocivos e de hormonas indesejáveis durante o período de gestação.
Bentónicos
Conjunto dos organismos que vivem no fundo dos lagos e dos oceanos. Também designados por bênticos. Alguns são sedentários e mantêm-se fixos a um suporte (corais, lírios do mar, etc.), ao passo que outros se deslocam rastejando ou escavando no lodo (moluscos, peixes chatos, etc.)
Biocenose
Comunidade dos microrganismos, das plantas e dos animais que resulta de um equilíbrio entre as diferentes populações biológicas que a compõem e um determinado meio (ou biótopo). Uma biocenose fechada não permite, nas condições habituais, a penetração de novas populações no biótopo, ao passo que uma biocenose aberta apresenta nichos ecológicos vazios, susceptíveis de serem preenchidos por outras populações.
Biodiversidade
Diversidade das espécies biológicas constituintes da biosfera, bem como das suas características genéticas.
Bioenergética
Estudo dos diferentes processos metabólicos e fisiológicos que asseguram aos seres vivos, em todos os níveis da sua organização (nomeadamente ao nível dos organitos celulares, a produção e as transferências de energia necessárias à realização das diferentes funções biológicas.
Bioespeleologia
Disciplina biológica consagrada ao estudo da vida cavernícola. A adaptação específica da fauna das grutas, pode constituir uma fonte de informação essencial para a compreensão de determinados mecanismos da evolução.
Bioética
Ética relativa à aplicação das investigações biológicas fundamentais, genéticas, médicas e agronómicas, aos seres vivos.
Biofísica
Na confluência da biologia e da física, esta disciplina vai buscar às «ciências da matéria» determinados métodos e descobertas para depois os aplicar às «ciências da vida». Assim, por exemplo, a utilização dos isótopos radioativos em biogronomia e em medicina permitiu uma série de investigações de grande importância no quadro destas disciplinas científicas.
Além disso, o recurso aos fatores físicos na genética – graças, nomeadamente, à radio genética – permitiu ao homem criar novas variedades de plantas agrícolas e ornamentais.
Biogeografia
Parte da biologia que estuda a distribuição das espécies vivas sobre o globo terrestre.
Biognoseologia
Teoria do conhecimento baseada na teoria sinérgica da evolução, que põe em evidência a dinâmica que vai do ser vivo ao conhecimento.
Biologia
Ciência que estuda todos os aspetos dos seres vivos.
Bioluminescência
Capacidade que determinadas espécies de bactérias, de animais (artrópodes, moluscos, peixes) ou de plantas (algas) possuem para emitir luz.
Bioma
Grande unidade de paisagens com uma fisionomia homogénea e os mesmos fatores ecológicos e climáticos caraterizada por uma grande comunidade ecológica (biocenose) ou grupo de comunidades. As florestas temperadas da Europa, as pradarias da América do Norte e as savanas de África, bem como as estepes e as taigas são exemplos de biomas.
Biomassa
Relação entre massa biológica total dos seres vivos de um ecossistema e a superfície que essa massa ocupa de cerca de 500 000 kg por hectare numa floresta na Amazónia, pode descer para menos de 10 000 kg por hectare num deserto.
Biometria
Estatística matemática aplicada às ciências biológicas. Os exemplos mais conhecidos são a curva de Gauss – que apresenta a distribuição estatística de todas as características de uma população em torno de uma média – e as leis de Mendel, que seguem a transmissão dos fatores hereditários através das hibridações e das gerações sucessivas de acordo com as probabilidades matemáticas. A biometria humana chama-se antropometria.
Biónica
Disciplina científica que tenta transpor, para o mundo da cibernética, diferentes sistemas de transmissão, receção, autorregulação e decisão características dos seres vivos.
Bioquímica
Na fronteira flutuante entre a biologia e a química, a bioquímica, no início relativamente estática enquanto disciplina descritiva dos componentes químicos dos organismos vivos, foi-se tornando cada vez mais dinâmica, esforçando-se por seguir o metabolismo em toda a sua complexidade e diversidade.
A biologia molecular e a genética molecular são, sobretudo no que se refere às técnicas de investigação e à manipulação, os ramos mais dinâmicos da bioquímica.
Biorritmo
Conjunto das variações funcionais características que pontuam regularmente  a vida de um organismo. Os ritmos circadianos, por exemplo, têm um período de 24 horas e podem manifestar-se inclusivamente nos seres vivos que estão impossibilitados de se aperceber da alternância entre o dia e a noite.
Biosfera
Conjunto dos seres vivos que povoam a superfície do globo terrestre e dos seus múltiplos nichos ecológicos, situados na hidrosfera, na superfície da litosfera e na parte baixa da atmosfera.
Biossíntese
Síntese química realizada pelos seres vivos.
Biotecnologias
Toda uma série de técnicas, aplicadas em processos biológicos, que têm por objetivo melhorar as espécies biológicas existentes e criar novas espécies e variedades de plantas cultivadas ou de animais domésticos.
Biótico
Diz-se de um fator ecológico relacionado com a presença de seres vivos.
Biótopo
Parte de um ecossistema correspondente ao espaço, definido pelas suas dimensões e por caraterísticas físico-químicas particulares (fatores abióticos), em que se encontra uma biocenose. Os biótopos apresentam dimensões muito variadas, que podem ir de um pequeno lago de montanha a um continente, como é o caso das regiões polares.
Blastogénese
Tipo de reprodução assexuada semelhante a uma germinação: uma gema consegue reproduzir-se dando origem a novos organismos vegetais.
Blástula
Etapa do desenvolvimento embrionário que se segue à fase da mórula e no decorrer da qual o ovo (designado blastocisto) se implanta na mucosa uterina (o que na espécie humana ocorre entre o quinto e o sétimo dia). Nos mamíferos, o blastocisto desenvolve rapidamente uma cavidade interna, o blastocélio, e divide-se em dois conjuntos celulares principais: uma camada unicelular externa, que constitui o trofoblasto e dá origem à placenta, e várias camadas de células situadas no outro pólo, que formam o botão embrionário e dão origem ao embrião propriamente dito.
Boca
A boca é uma espécie de «órgão encruzilhada» na entrada dos sistemas digestivo e respiratório, fazendo também parte do aparelho vocal.
Bolbo raquidiano
Parte do encéfalo que estabelece a ponte com a espinal medula. O bolbo raquidiano não é apenas uma via de passagem das fibras nervosas motoras e sensitivas que relacionam os hemisférios cerebrais com a espinal medula, mas também um centro de regulação automática que envolve vários órgãos.
Assim, o bolobo raquidiano preside a movimentos automáticos (respiração, por exemplo) e desempenha um papel moderador do ritmo cardíaco. Controla também certos reflexos, como os da mastigação e da deglutição.
Botânica
Ciência do mundo vegetal, a botânica, compreende várias disciplinas biológicas, entre as quais a paleobotânica, que remonta aos organismos primitivos do passado evolutivo da biosfera.

Cadeia alimentar
Também designada cadeia trófica, assenta nas relações complexas entre as espécies biológicas, interdependentes do ponto de vista da alimentação.
Cadeia respiratória
Complexo enzimático localizado na membrana interna das mitocôndrias que intervêm na fase terminal dos processos de respiração celular.
Caenorhabditis elegansEspécie de nemátodo microscópico usado com frequência na investigação genética.
Canais iónicos
Canais constituídos por proteínas transmembranares de células vegetais e animais capazes de assegurar a migração dos iões no sentido do seu gradiente eletroquímico. Regra geral, estes canais apresentam uma grande seletividade à passagem dos iões (sódio, potássio, cloretos, cálcio, etc.) e a sua abertura é frequentemente condicionada pela presença de uma substância química específica, um neuromediador, por exemplo (canais quimiodependentes), ou pelo gradiente elétrico da membrana.
Canal cístico
Via que conduz a bílis do fígado até à vesícula biliar, onde é armazenada.
Canal Colédoco
Via que encaminha a bílis do fígado para o intestino delgado. Na espécie humana, o canal colédoco, situado na confluência do canal cística com o canal hepático, conduz ao duodeno.
Canal hepático
Via que recolhe a bílis dos canais biliares do fígado para a dirigir até à vesícula biliar, através do canal cístico.
Canal pancreático
Via que conduz as secreções digestivas do pâncreas para o intestino delgado.
Cancro
Proliferação patológica de células anormais (cancerosas) que escapam ao controlo geral que invadem tecidos saudáveis, destruindo o órgão doente e, numa fase mais avançada, o organismo.
Carácter MendelianoCaracterística transmitida por simples genes dominantes ou recessivos.
Caracteres sexuais primários
Conjunto formado pelos órgãos reprodutivos e seus anexos, que estão diretamente implicados na função da reprodução.
Carateres sexuais secundários
Conjunto de caracteres que permitem distinguir os organismos masculinos dos femininos, mas que não estão diretamente implicados na função reprodutiva.
Carência
Falta de um elemento indispensável ao desenvolvimento ou ao bom funcionamento de um organismo e que pode gerar distúrbios anatómicos ou funcionais mais ou menos graves.
Carga genética
Conjunto das anomalias hereditárias que se podem encontrar  no genoma dos indivíduos pertencentes a diferentes populações.
Cariogamia
Fusão do núcleo dos gâmetas haploides, que ocorre durante o processo de fecundação, dando origem ao núcleo diploide do zigoto.
De um modo geral, a fusão dos núcleos produz-se imediatamente após a fusão dos gâmetas (plasmogamia). Alguns fungos superiores fazem exceção à regra: à plasmogamia segue-se uma fase de crescimento dicariótico (os núcleos, saídos dos gâmetas haploides, desenvolvem-se lado a lado, sem se fundirem). A fusão dos núcleos não se dá logo a seguir à formação do zigoto. As hifas resultantes são designadas por hifas dicarióticas.
Cariograma
Representação fotográfica ordenada de todos os cromossomas pertencentes a um determinado cariótipo.
Cariologia
Ramo da citologia que estuda o núcleo celular e os seus organitos, designadamente os cromossomas.
Cariopatia
Anomalia relativa à estrutura e ao desenvolvimento de um núcleo celular enxertado numa outra célula. No caso de uma incompatibilidade do núcleo com o citoplasma de acolhimento podem surgir perturbações – como uma aceleração anormal do ritmo de duplicação do ADN – que, através das divisões celulares, são suscetíveis de provocar anomalias na estrutura e no funcionamento do genoma que impossibilitem a sobrevivência.
Cariopse
Nome científico atribuído ao fruto seco e indeiscente das gramíneas, cuja parede dura do fruto aparece soldada à semente, como acontece com o trigo e a cevada, por exemplo.
Cariótipo
Representação desenhada ou micrografada do conjunto dos cromossomas de um núcleo celular.
Cartilagem
Tecido conjuntivo maleável e elástico formado por células (condrócitos) contidas em pequenos compartimentos (condroplastos) e rodeadas pela cápsula cartilagínea. Tudo isto é rodeado por uma substância intersticial ou matriz (condrina) percorrida por fibras proteicas de colagénio.
Casta
Para a sociobiologia animal, uma casta apresenta um grupo de indivíduos com um papel determinado e, muitas vezes dotado de características anatómicas e morfológicas particulares.
Castração
Ablação ou destruição das gónadas (testículos ou ovários) que leva ao desaparecimento da função da reprodução. Geralmente é acompanhada por modificações fisiológicas, morfológicas ou comportamentais características.
Catabolismo
Processo metabólico dos seres vivos que consiste na degradação dos compostos orgânicos complexos em elementos mais simples e que é acompanhada pela libertação de energia. O processo de respiração celular e as fermentações são exemplos de catabolismo.
Catálise
Processo durante o qual as reações químicas e bioquímicas são aceleradas ou retardadas por catalisadores – como as enzimas nas células -, eficazes mesmo em quantidades mínimas, e que no final não revelam qualquer alteração.
Caule
Parte de uma planta que parte da raiz e sustenta o aparelho foliar e os órgãos de reprodução.
Caules (tipos de)
Os caules das plantas são habitualmente aéreos, mas algumas plantas possuem-nos subterrâneos ou mesmo aquáticos, estes últimos estão adaptados à vida em meio aquático e possuem cavidades cheias de ar que lhes permitem efetuar a respiração.
Os caules subterrâneos podem ser rizomas, tubérculos e bolbos. Os bolbos, como as cebolas, podem constituir órgãos de multiplicação vegetativa como os tubérculos cheios de amido, substância de reserva. Os rizomas cruzados são horizontais e apresentam o aspeto de raízes, mas têm folhas e rebentos, na medida em que representam uma modificação do caule.
Os caules aéreos são os que se encontram com maior frequência e os mais diversificados na natureza. Quer se trate do caule simples de algumas ervas, do caule oco – colmo – do trigo ou do bambu, do espique das palmeiras ou do tronco das árvores, o papel deste órgão essencial é o mesmo em todas as plantas. As adaptações específicas à seca encontram-se nas espécies de plantas gordurosas ou suculentas presentes nas regiões áridas ou desérticas. Outras adaptações caracterizam as espécies trepadeiras, como a hera ou a videira, que possuem torções para se agarrarem em volta de um suporte natural ou artificial. Por fim, o estolho dos morangueiros é um conjunto de caules rastejantes deitados sobre a terra.
Cavernícola
Fenómeno de diferenciação evolutiva do sistema nervoso central, acompanhado por uma forte concentração de órgãos sensoriais na parte anterior, que conduz à formação da cabeça nos organismos animais.
Célula
Unidade básica da construção do edifício do ser vivo, a célula é geralmente constituída por uma membrana, um citoplasma e um núcleo (células eucarióticas).
Célula-Alvo
Célula que apresenta sensibilidade a uma determinada hormona, pois possui recetores específicos dessa hormona. Tais recetores encontram-se situados na membrana da célula (no caso de se tratar de uma hormona péptida) ou no seu citoplasma (no caso de se tratr de uma hormona esteroide).
Células de Langerhans
Células de forma alongada e com diversos prolongamentos na pele, que representam cerca de 5% da demografia celular da epiderme.
Células de Leydig
Situadas no tecido intersticial dos testículos dos vertebrados, as células de Leydig, também designadas células intersticiais, segregam a testosterona – hormona masculina -, que é libertada para os capilares. Esta atividade de secreção de testosterona realiza-se sob o controlo do complexo hipotálamo-hipofisário.
Célula estaminalCélula indiferenciada que tem o potencial de originar vários tipos de tecidos. As mais versáteis são as células estaminais embrionárias, que podem dar origem a qualquer tipo de célula.
Célula germinativaCélula adulta que dá origem aos gâmetas.
Células mucosas
Células que segregam mucos. São muito numerosas nas glândulas do aparelho digestivo, nas vias traqueobrônquicas e nos trajetos urogenitais.
Célula somáticaCélula cujo núcleo se pode apenas dividir por mitose; este tipo de células inclui todas as células especializadas, à excepção das células germinativas, os gâmetas e as células estaminais indiferenciadas.
CentrómetroEstrutura central que une os braços longos e curtos de um cromossoma.
Cerebelo
Situado na parte posterior do cérebro, o cerebelo é formado pelo vérmis – a parte central – e pelos dois hemisférios cerebelosos que o rodeiam.
É responsável pela coordenação dos movimentos e representa o centro de equilíbrio dos organismos.
Cérebro
Órgão central do sistema nervoso, o cérebro – situado na caixa craniana – é constituído por dois hemisférios e representa a parte anterior do encéfalo dos vertebrados evoluídos.
Ciclo celular
As diferentes fases porque passa uma célula entre duas divisões.
Quando se consideram apenas o núcleo celular, fala-se de ciclo nuclear.
A síntese do ADN cromossómico passa por quatro fases: a fase de repouso (fase G1), por vezes prolongada: a biossíntese e duplicação (fase S) do ADN; o repouso que se segue à duplicação (fase G2); por fim, a mitose.
Ciclo de Calvin
Conjunto de reações que se produzem durante a fase bioquímica «fase escura» da fotossíntese, no estroma dos cloroplastos. A partir do dióxido de carbono atmosférico e do hidrogénio (protões) resultante da quebra de moléculas da água dá-se uma síntese de hidratos de carbono.
Ciclo de Krebs
Ciclo que tem lugar nas mitocôndrias e que também é conhecido como ciclo do ácido cítrico. No seu decorrer, e após várias transformações, o ácido pirúvico, obtido através da degradação da glicose, provoca a degradação de dióxido de carbono (CO2) e de água. A energia libertada durante o ciclo de Krebs, convertida em ATP (principalmente na cadeia respiratória), pode servir mais tarde para a síntese de outras moléculas úteis para o ser vivo, como os aminoácidos e os ácidos gordos.
Ciclo ovárico
O ovário das fêmeas dos mamíferos liberta regularmente um oócito, que chega aos canais do sistema reprodutor. Esta ovulação pode ser acompanhada de fecundação por parte de um espermatozoide, seguida de um período de gestação - a gravidez das mulheres -, caso em que o embrião se desenvolve no útero da mãe até ao nascimento.
Na ausência de fecundação, o oócito sofre uma degenerescência; dá-se uma rutura na parede do útero e depois uma hemorragia. O fluxo de sangue para o exterior da vagina constitui a menstruação, característica da fase menstrual, depois da qual o ciclo ovárico recomeça.
Na mulher, este ciclo que dura quatro semanas, começa no primeiro dia da menstruação. O fluxo sanguíneo pára quatro ou cinco dias mais tarde e a ovulação tem lugar no 14º dia. Naturalmente, o ciclo ovárico é interrompido durante a gravidez e a gestação.
Este ciclo desenvolve-se sob o controlo da hipófise, glândula endócrina situada na base do cérebro que segrega duas hormonas específicas: a FSH (estimulante dos folículos), que induz o crescimento dos folículos ováricos, produtores de estrogénios; a LH (luteoestimulina), que favorece o amadurecimento do folículo e a sua transformação em corpo amarelo, bem como a ovulação do oócito na trompa. A progesterona, segregada pelo corpo amarelo, e os estrogénios favorecem a implantação do óvulo fecundado no útero (nidação do ovo).
Se a fecundação for realizada, o invólucro do ovo elabora uma substancia semelhante à hormona luteinizante (LH), favorecendo assim a manutenção do corpo amarelo e facilitando o início do desenvolvimento embrionário.
Na ausência de fecundação, a maior concentração de estrogénio e de progesterona na circulação sanguínea leva a que a hipófise diminua a produção de LH e de FSH. O corpo amarelo degenera, a parede do útero apresenta uma rutura e as regras começam (menstruação).
As pilulas contracetivas contem quantidades elevadas de progesterona e de estrogénios.

Cissiparidade
Reprodução assexuada por divisão, frequente entre as bactérias e a maior parte dos protozoários, e mesmo no caso de alguns filos mais primitivos do sub-reino dos metazoários.
Cistrao
Gene funcional constituído por uma sequência característica de nucleótidos da molécula de ADN e que define a informação genética necessária a síntese de uma proteína.
Citocinese
Trata-se da divisão do citoplasma no fim da mitose.
Citoesqueleto
Reticulado de filamentos proteicos implantados no citoplasma das células. As estruturas do citoesqueleto dirigem os movimentos celulares e intracelulares.
Citologia
Parte da biologia que estuda a estrutura e funcionamento celular através das microestruturas características, postas em evidência pelos métodos atuais da microscopia óptica e eletrónica ou das técnicas radioativas aplicadas a biologia citomolecular.
Citoplasma
Na célula dos eucariotas (que possuem o material genético envolvido numa membrana, formando o núcleo), o citoplasma representa o conteúdo celular com exceção do núcleo. O citoplasma banha os organitos celulares – o núcleo, cloroplastos, mitocôndrias – e assegura o metabolismo celular.
Visto ao microscópio o óptico clássico, o citoplasma parece uma geleia amorfa. Recorrendo ao microscópio eletrónico, podem observar-se ultra-estruturas específicas, designadamente a rede proteica do citoesqueleto que lhe da o aspeto de um microcosmo vivo.
Cladismo
Método de classificação taxonómica que, acima das semelhanças morfológicas e anatómicas, leva em consideração as relações filogenéticas das espécies biológicas.
Cladística
O método cladístico pretende representar, sob forma de diagramas – designados – cladogramas -, uma serie de dicotomias sucessivas, na intersecção dos pontos de divergência das diversas linhagens biológicas. Permite assim esboçar o quadro da génese evolutiva das ramificações do mundo vivo (classificação filética). Os nos dos cladogramas sublinham as homologias, ou seja, os carateres partilhados por várias espécies biológicas aparentadas.
Clado
Grande unidade taxonómica correspondente a uma ramificação biológica onde todas as espécies integradas derivam de um ancestral comum.
Cladogénese
Formação simultânea de duas ou mais espécies biológicas a custa da espécie ancestral comum.
Classificação
A disciplina que permite estabelecer classificações objetivas dos seres vivos, ou taxonomia, reconhece um certo número de níveis hierárquicos sucessivos. A classe biológica e uma subdivisão do filo e abarca varias ordens que, por sua vez, são constituídas por famílias. De cada família fazem parte vários géneros, que se dividem em espécies aparentadas. Por fim, a espécie pode subdividir-se em subespécies, populações, raças e variedades. Os filos agrupam-se em reinos. Cada um dos táxones pode ter subníveis (super ou sub). A classificação atual continua a ser a de Lineu, mas os critérios utilizados foram enriquecidos graças as técnicas da bioquímica e da biologia molecular, que permitem agora determinar o grau de parentesco genético entre as espécies ou os grupos de espécies.
Clonagem
Técnica de engenharia genética que permite separar e retirar fragmentos de ácidos nucleicos, de que se podem fazer reproduções idênticas, susceptíveis de serem realizadas para a realização de manipulações genéticas em células hospedeiras.
Clone
Grupo de células ou de indivíduos gerados a partir de um único antepassado através de reprodução geneticamente idênticos.
Clorofila
Pigmento verde das plantas que se encontra nos cloroplastos e tem um papel essencial na fotossíntese. As clorofilas absorvem certas radiações do espectro, como o amarelo, o azul, o cor-de-laranja ou o vermelho – mas não o verde. Ao absorver os fotões, a clorofila excitada, cede eletrões (ou seja, sofre uma oxidação). Esses eletrões vão alimentar uma cadeia de transportadores de eletrões, a cadeia fotossintética, localizada na membrana dos tilacoides cujo funcionamento é comparável à cadeia respiratória das mitocôndrias – e acompanhada pela produção de ATP
Cloroplasto
Organito que se encontra no citoplasma das células vegetais de plantas verdes e que contém a clorofila.
Codão (tripleto)Sequência de 3 nucleótidos pertencentes ao ADN ou ARN que codifica um aminoácido.
Código genético
Correspondência natural estabelecida entre a sequência dos nucleótidos do ADN (ou a do ARN mensageiro resultante da sua transcrição) e a sequência específica dos aminoácidos constituintes das proteínas.
Co-evolução
Dinâmica evolutiva interdependente de duas ou mais populações biológicas. Os casos de co-evolução são muito frequentes, quer se trate de simbiose, de adaptações recíprocas de um parasita ao seu hospedeiro ou de relações entre a presa e o predador.
Colesterol
Substância química do grupo dos esteroides que entram, juntamente com os fosfolípidos, na constituição da membrana plasmática da célula.
Comensalismo
Associação de dois seres vivos em que um dos parceiros retira vantagem e o outro mantém-se indiferente.
Complemento
Termo utilizado em imunologia para designar um conjunto de proteínas do sangue que assegura a amplificação da resposta imunitária humoral e completa a sua ação (ao fazer com que os macrófagos se dirijam para os complexos antigénio-anticorpo, de forma a eliminá-los). O complemento é próprio de cada espécie e possui uma certa especificidade em relação a certos complexos antigénio-anticorpo. Determinadas proteínas do complemento têm, além disso, uma atividade bactericida própria.
Complexo de Golgi
Organito situado no citoplasma por um vários dictiossomas empilhados e vesículas.
Complexo maior de histocompatibilidade
O MHC (major histocompatibility complex), também conhecido por sistema HLA (human leucocyte antigen), foi descoberto por Jean Dausset , valendo-lhe, aliás, o Prémio Nobel. Trata-se de um grupo de genes que codifica as proteínas da membrana dos leucócitos, que são antigénios de compatibilidade dos tecidos orgânicos (histocompatibilidade).
Estes genes encontram-se em todos os vertebrados superiores. São em grande quantidade e cada um deles apresenta numerosos alelos, o que permite um grande número de combinações para a codificação das proteínas constituintes dos antigénios de histocompatibilidade do sistema HLA. Tais antigénios são, portanto, muito específicos de cada individuo do ponto de vista biológico, o que explica a dificuldade de encontrar doadores compatíveis com os eventuais recetores quando se pretende proceder a enxertos de tecidos orgânicos.                
Com efeito os antigénios do complexo maior de histocompatibilidade - responsáveis pelo auto-reconhecimento do organismo biológico – provocam rejeições dos enxertos incompatíveis, atacando-os como intrusões estranhas.
Coração
Bomba viva e automática, o coração é um órgão musculoso, oco, muito resistente aos esforços e capaz de uma atividade rítmica – independente de qualquer influência nervosa voluntária – durante toda a vida de um organismo.
Cordado
Animal dotado de um notocórdio, um centro embrionário que preside à formação do sistema nervoso dorsal e sem o qual o cérebro, animal ou humano, não se poderia desenvolver.
Córion
  1. Derme ou tecido conjuntivo que cobre as cavidades do organismo abertas para o meio exterior, como as vias respiratórias e genitais e o tubo digestivo.
  2. Na embriologia, o córion constitui uma membrana de proteção para os ovos de determinada de determinadas espécies. Nos insetos pode constituir uma casca bastante dura e impermeável, ao passo que nos mamíferos esta membrana tem um papel protetor para o embrião, sobrepondo-se ao âmnio.
Criptogâmicas
Plantas cujos órgãos reprodutores, escondidos ou pouco visíveis, não se agrupam em cones ou em flores. As criptogâmicas compreendem as algas, as briófitas (musgos). Esta designação provém do sistema de classificação de Lineu.
Crisálida
Fase da metamorfose das borboletas e de outros insetos (também designado por ninfa) em que a larva é envolvida num «sarcófago» quitinoso (pupa ou casulo), onde fica imóvel. No decorrer da metamorfose, depois da transformação da lagarta (larva) começam a aparecer os órgãos da borboleta adulta, como as asas, a probóscite e as antenas.
Cromatídeo
Um dos dois elementos constitutivos dos cromossomas, resultante da sua clivagem longitudinal (duplicação) durante a divisão celular. Cada um dos dois cromatídeos, de estrutura idêntica, possui a mesma informação hereditária.
Cromatina
Elemento fundamental dos cromossomas, presente no núcleo celular, e que pode ser posto em evidência com certos corantes básicos. A cromatina é uma associação caraterística de macromoléculas de ADN e de proteínas básicas, as histonas.
Cromossoma
Estrutura nuclear em forma de bastonete, que se torna visível na divisão celular. O seu principal componente – o ADN – contém, de forma codificada, a informação hereditária. Os seres humanos tê 46 cromossomas constituídos por 22 pares de autossomas e 2 cromossomas sexuais.
Cromossoma sexualCromossoma que determina o sexo de um organismo: por exemplo, os cromossomas X e Y nos seres humanos. O genótipo XX é feminino e o XY é masculino.
Cronobiologia
Parte da biologia que estuda os ritmos biológicos.
«Crossing-over»
Fenómeno que se produz no início da primeira divisão da meiose e ao longo do qual os cromossomas de um par se juntam e trocam fragmentos homólogos de genes.
Cultura «in vitro»
Técnica artificial de multiplicação de células e tecidos em condições laboratoriais específicas. Esta técnica permite efetuar culturas de microrganismos, mas também a proliferação de células, tecidos e órgãos fora do organismo vivo.
Cutícula
Camada protetora extracelular, resistente e impermeável, produzida pela epiderme de certos vegetais e animais.

Daltonismo
Anomalia hereditária ligada aos heterocromossomas sexuais que impede a visão clara das cores. O verde, por exemplo, é muitas vezes confundido com o vermelho.
O daltonismo é transmitido por um gene recessivo situado no cromossoma X. Assim, um daltónico que forme casal com uma mulher normal, terá rapazes normais, ao passo que as raparigas possuirão o gene do daltonismo e irão transmiti-lo aos filhos pelo cromossoma X que recebem da mãe.
Darwinismo
Teoria evolucionista cujo núcleo é constituído pela seleção natural, desenvolvida pela primeira vez em Origem das Espécies, a obra fundamental de Charles Darwin.
Darwinismo social
Extensão, à sociedade humana, de algumas das noções do darwinismo geral, como é o caso da luta pela sobrevivência e da seleção natural.
Deleção
Tipo de mutação caraterizado pela perda de um fragmento mais ou menos importante de ADN.
Dente
Órgão de natureza principalmente calcária, desenvolvido ao longo da evolução dos vertebrados, que tem um papel de pretensão e de mastigação dos alimentos.
Dentição
Número e posição dos dentes específicos de cada espécie biológica.
Deriva genéticaProcesso evolutivo pelo qual certos genes podem fixar-se ou eliminar-se de uma população, sem ser por seleção natural.
Diagnóstico Genético Pré-implantório, Pré-implantacional ou de Pré-implantação (DGPI)Técnica pela qual uma célula única é removida do embrião fertilizado in vitro, utilizada para detecção de genes ou cromossomas portadores de doenças genéticas.
Diapausa
Estádio durante o qual a vide decorre a um ritmo lento. Em determinadas espécies, designadamente no mundo dos insetos, é uma fase obrigatória.
Dicogamia
Diferença de desenvolvimento fisiológico dos estames e dos carpelos em flores hermafroditas.
Digestão
Conjunto dos processos físicos e químicos que asseguram a transformação dos alimentos ingeridos em moléculas suficientemente simples para serem utilizadas pelo organismo.
Dimorfismo sexual
Diferença mais ou menos acentuada do fenótipo de cada um dos dois sexos dentro de uma mesma espécie.
Diploide
Diz-se de um núcleo, célula ou organismo que possui duas séries de cromossomas.(2n cromossomas, ou seja, um par de cada tipo). As células somáticas são diploides, ao passo que as sexuais são haploides, isto é, apresentam apenas metade dos cromossomas.
Dominância
As leis de Mendel revelaram que um fator hereditário, ou seja, um gene, pode exprimir-se no fenótipo, ao passo que outro pode permanecer recessivo. Por exemplo, ao fazer o cruzamento de ervilhas de flor vermelha com outras de flor branca verifica-se que o vermelho é dominante. O fenómeno da dominância incompleta observa-se no caso de uma outra planta (Mirabilis jallapa), em que o cruzamento de flores brancas e vermelhas resulta na cor intermédia, o cor-de-rosa. Ao redescobrir as leis de Mendel no reino animal, Lucien Cuénot verificou, no início do século, que no caso dos ratos a cor cinzenta domina sobre o branco. Da mesma forma, na espécie humana a cor castanha dos olhos é dominante relativamente à azul.
Drosophila melanogasterEspécie de mosca-do-vinagre, usada geralmente na investigação genética.
Duplicação
  1. Duplicação do ADN: Replicação (é o mecanismo e não o resultado);
  2. Tipo de alteração cromossómica que implica a presença de um segmento supranumerário no cariótipo normal.
Duplicação génica
Duplicação acidental de um gene no seio de um mesmo núcleo celular. Este tipo de duplicação pode ser um acidente negativo se o gene tiver sofrido, além disso uma mutação nociva; no entanto, caso o gene duplicado tenha registado uma mutação favorável, esta pode ser transmitida aos descendentes sem que o gene inicial seja eliminado. Nestas circunstâncias, o genoma fica enriquecido pela duplicação génica.

Ecologia
Ciência que estuda as correlações entre as espécies biológicas e o seu meio ambiente, nas suas inter e intra-relações e evoluções recíprocas.
Ecossistema
Sistema constituído por uma comunidade equilibrada de seres vivos (biocenose) que vivem num biótipo específico onde se estabelecem numerosas relações entre os fatores bióticos e abióticos que o constituem.                
Ecótipo
Populações de uma espécie biológica que se encontram adaptadas às condições locais de um nicho ecológico mas que são descendentes férteis quando se cruzam com indivíduos de uma outra população da mesma espécie.
Ectoblasto ou Ectoderme
Folheto externo do embrião que está na origem da epiderme e do sistema nervoso.
Ectomicorriza
Simbiose entre a raiz de uma planta e um fungo que a envolve e que a faz perder as radículas absorventes. Os fungos ascomicetas, genericamente conhecidos por trufas, formam muitas vezes ectomicorrizas com as raízes de certos carvalhos.
Ectopia
Caso teratológico caraterizado por uma anomalia na posição de um órgão. A ectopia pode resultar de uma anomalia congénita natural ou ser provocada pelo investigador com fins experimentais.
Ectotérmico
Diz-se de um animal cuja temperatura corporal varia em função da temperatura do meio exterior. Entre os vertebrados, os peixes, os anfíbios e os répteis são ectotérmicos, ao passo que as aves e os mamíferos são endotérmicos.
Ectrómetro
Malformação congénita caraterizada pela ausência ou deficiência de vários membros. Estes casos teratológicos podem ser acidentes naturais ou provocados por substâncias teratogénicas. Um dos exemplos mais tristemente célebres é o da talidomida, que, tendo sido administrada a mulheres grávidas, esteve na origem de numerosas deformações em recém-nascidos.
Edáfico
Designa, em ecologia, aquilo que tem relação com o solo. Os fatores edáficos representam os fatores físico-químicos que caraterizam os solos. O conjunto da fauna e da flora edáficas (animais, vegetais, fungos e bactérias) constitui um édafon, sendo muito importantes para a decomposição da matéria orgânica e para a formação do húmus.
Efeito de estufa
Fenómeno de aquecimento das camadas baixas da atmosfera terrestre, induzido por determinados gases (nomeadamente o dióxido de carbono, CO2) que absorvem as radiações infravermelhas emitidas pela Terra, não permitindo a perca de calor e levando a um sobreaquecimento da superfície terrestre.
Efeito de grupo
Modificações etológicas, fisiológicas e anatómicas sofridas por membros de certas espécies biológicas sob influência de estímulos emitidos pelos seus congéneres. O agente de influência pode ser químico – a ação das feromonas é bastante conhecida – ou sensorial. O caso mais citado é o do efeito de grupo na migração dos gafanhotos.
Efeito de posição dos genes
Modificação da expressão fenotípica de um ou mais genes em função da sua posição respetiva nos cromossomas. Se a distribuição normal dos genes for perturbada por uma inversão, a influência que eles exercem uns sobre os outros pode alterar-se.
Embrião
Na dinâmica da ontogénese, um embrião é considerado o futuro ser vivo a partir do instante em que as estruturas morfológicas e anatómicas se podem distinguir (as regiões dorsal, ventral, caudal ou cefálica, por exemplo).
Na ontogénese da espécie humana, o embrião é um esboço do futuro indivíduo desde a conceção até cerca dos três meses. Quando entra no quarto mês, o embrião passa a designar-se feto.
Para a botânica, um embrião resulta da divisão do ovo que contém uma plântula com um ou dois cotilédones. Geralmente acompanhados por tecidos de reservas nutritivas, o embrião desenvolve-se numa semente que, depois da germinação, dá origem a uma nova planta.
Embriogénese
Desenvolvimento do embrião desde o zigoto – óvulo fecundado – até à eclosão (no caso das espécies ovíparas) ou ao nascimento (no caso das espécies vivíparas, nas quais se inclui a espécie humana). Nos casos de partenogénese, trata-se do desenvolvimento embrionário de um óvulo que não foi fecundado.
Embriologia
Disciplina da biologia que estuda o desenvolvimento do embrião, desde a sua formação até à eclosão (no caso dos ovíparos) ou ao nascimento (no caso dos vivíparos.
Encéfalo
Conjunto de centros nervosos que se encontram na caixa craniana dos animais vertebrados e que compreende o cérebro, o cerebelo, a epífise, a hipófise, os pedúnculos cerebrais e o bolbo raquidiano.
Endoblasto ou Endoderme
Folheto interno dos embriões animais, que está na origem do sistema digestivo.
Endocitose
Absorção, por parte da célula, de substâncias ou corpos estranhos, graças a uma invaginação da membrana, formando uma vesícula. Em função das dimensões dos elementos absorvidos, distingue-se a fagocitose, relativa aos compostos sólidos e de volume importante, da pinocitose, relativa aos líquidos e às pequenas partículas em solução.
Endócrino
Diz-se de uma célula, de uma glândula ou de um órgão que lança no sangue os produtos que segrega.
Endocrinologia
Ciência que estuda o funcionamento das glândulas endócrinas, glândulas hormonais sem canal excretor, que vertem as suas excreções diretamente no sangue (tiróide, tecido intersticial dos testículos, hipófise, epífise, etc.).
A endocrinologia experimental estuda as interações hormonais entre os órgãos. A endocrinologia médica consagra-se às patologias do sistema endócrino e tenta corrigir os efeitos dos desequilíbrios hormonais.
Endogamia
Reprodução no seio de um grupo de indivíduos, caraterizada por numerosos cruzamentos consanguíneos. Uma endogamia perfeita pode ser realizada por autofecundação ou, na seleção animal, por cruzamentos pai-filha ou mãe-filho. Em casos muito raros de endogamia extrema, podem surgir linhagens puras com um genótipo homozigótico.
Endorfina ou endomorfina
Substância peptídica  (neuropeptídeo) segregada pelo sistema nervoso central, também designada morfina endógena em virtude dos seus efeitos morfinominéticos acentuados.
Endotérmico
Diz-se de certos animais – aves e mamíferos – que possuem a capacidade de manter uma temperatura corporal constante, não obstante as oscilações da temperatura ambiente.
Engenharia genética
Conjunto das técnicas que permitem manipular ADN, genes ou cromossomas e modificar a arquitetura do património genético.
Enxerto animal
Transplante de órgãos ou de tecidos nos animais, efetuado geralmente com fins terapêuticos.
EnzimaForma especializada de proteína, que catalisa uma reação química no organismo.
Enzima de restriçãoElemento que corta o ADN sempre que aparece uma sequência específica; em engenharia genética é utilizado com frequência como "tesoura molecular".
Epífise
Pequena glândula endócrina localizada no cérebro intermédio dos vertebrados. Produz a serotonina, de onde deriva a melatonina, uma hormona que age sobre a pigmentação da pele e intervém na regulação dos ritmos biológicos. A epífise é influenciada pelas variações de luminosidade sazonais e diárias.
Epigénese
Teoria que se opõe à da pré-formação, já ultrapassada, e segundo a qual o ser vivo se desenvolve, a partir do óvulo fecundado, por uma diferenciação progressiva das estruturas que o compõem, em função do seu programa genético. Já implicitamente reconhecida por Aristóteles, a conceção epigenética do desenvolvimento será apresentada como teoria pelo fisiologista inglês William Harvey (1578-1656). A epigénese foi amplamente confirmada pela embriologia moderna.
EpigenéticaFenómeno pelo qual as modificações químicas do ADN e cromatina alteram a expressão genética, sem mudar o código genético propriamente dito.
Epistemologia biológica
Teoria do conhecimento científico aplicada à biologia.
Epitélio
Tecido constituído por células pouco diferenciadas sobrejacentes numa lâmina basal, solidarizadas por junções celulares (desmossomas), e que cobrem a superfície externa e a superfície das cavidades internas dos organismos pluricelulares.
Equílibrio Pontuado (Teoria do )
Teoria segundo a qual a evolução das espécies é um fenómeno fundamentalmente descontínuo e a especiação um processo muito rápido ou até mesmo brusco.
Eritrócito
Célula sanguínea, designada glóbulo vermelho em virtude da presença da hemoglobina, que, nos vertebrados, assegura o transporte de oxigénio a partir dos pulmões e a sua distribuição por todo o organismo.
Esclerênquima
Tecido de suporte das plantas superiores, constituído por células mortas, cuja parede está lenhificada, e que é desprovido de meatos ou lacunas. As células podem ser longas, fibras ou com diferentes formas e tamanhos, escleritos.
O esclerênquima pode ser utilizado – no caso do linho e do canhâmo, por exemplo – na indústria têxtil, após a separação das fibras através do processo de curtilamento.
Escravatura animal
Podem encontrar-se associações de tipo esclavagista nas sociedades de formigas: as formigas esclavagistas raptam larvas de outras espécies e criam-nas nas suas colónias para serem obreiras.
Espécie
Conjunto de indivíduos animais ou vegetais, geralmente semelhantes no seu aspeto, habitat e comportamento, que são real ou potencialmente interfecundos.
Esperma
Substância fluída produzida pelo sistema reprodutor masculino, constituída por células sexuais (espermatozoides) que flutuam num líquido proveniente das glândulas anexas, designadamente a próstata e as vesículas seminais. Todas as espécies de vertebrados produzem esperma, o mesmo acontecendo no caso de alguns invertebrados, entre eles os anelídeos.
Espermatócito
Célula germinal masculina, situada nos testículos, com origem num espermatogónio, e que é sujeito à meiose durante a espermatogénese.
Espermatogénese
Processo de elaboração e de diferenciação dos gâmetas masculinos, ou espermatozoides, nos testículos.
Espermatogónio
Célula primordial da linhagem germinal masculina. Os espermatogónios surgem a partir da fase de segmentação do ovo fecundado.
Espermatozoide
Gâmeta masculino dos seres vivos pluricelulares.
Espinal Medula
Centro nervoso constituído por uma espécie de cordão extenso que ocupa o canal raquidiano da coluna vertebral desde o orifício occipital até à região caudal.
Esporângio
Órgão vegetal, no interior do qual se formam os esporos. Também se encontram nos fungos.
Durante o período da vegetação pode observar-se uma grande quantidade de esporângios na parte inferior das frondes férteis dos fetos. A deiscência do esporângio, sob o efeito da seca, leva à libertação dos esporos, que garantem a multiplicação da espécie.
Esporo
Elemento reprodutor composto por uma ou várias células, que permite a disseminação de fungos, algas, briófitos e pteridófitos (fetos).
Esporófito
No âmbito das espécies vegetais, o termo designa um organismo com origem num zigoto e que é portador dos esporângios de onde saem os esporos. Nas espécies onde ocorre alternância de gerações, os esporófitos representam a geração assexuada que forma os esporos.
No ciclo de desenvolvimento das plantas, o esporófito representa geralmente a diplófase (fase diploide), que alterna com a haplófase (fase haploide), constituída pelo gametófito.
Estenobático
Contrário de euribático.
Esteneócio
Contrário de euriócio.                                                                                           
Esteneotérmico
Contrário de euritérmico.
Estímulo
Todo e qualquer fator do meio, biótico ou abiótico, capaz de desencadear uma reação específica de um órgão de um organismo.
Estivação
Repouso vital durante a estação seca e o calor estival, observado nalgumas espécies biológicas, como os caracóis do deserto, que se escondem na sua concha e levam uma vida a um ritmo lento, à semelhança do que acontece com outros animais durante a hibernação.
Estoma
Órgão microscópico da epiderme das folhas dos vegetais vasculares que assegura principalmente as trocas gasosas com o meio.
Estrogénio
Hormona produzida principalmente pelos folículos ováricos e que determina o desenvolvimento dos caracteres sexuais femininos.
Estudo de associação do genoma totalTécnica de detecção de genes com efeito ligeiro em doenças e outros fenótipos.
Estudo de gémeosFerramenta usual na investigação genética; estudo comparativo de gémeos verdadeiros, que partilham o ADN na íntegra, e de falsos gémeos, que apenas têm em comum metade do ADN.
Etograma
Catálogo que estabelece o inventário dos comportamentos de uma determinada espécie  biológica nas diversas circunstâncias em que pode encontrar-se no ou nos habitats que ocupa.
Etologia
Ciência do comportamento animal que – ao contrário da psicologia Behaviorista baseada no estudo dos estímulos num ambiente artificial – se ocupa das espécies biológicas sobretudo no seu meio natural. A etologia comparada observa os comportamentos à luz da sua dinâmica evolutiva e da sua filogénese adaptativa.
Eucariota ou Eucariótico
Organismo unicelular ou pluricelular constituído por células providas de um verdadeiro núcleo (com membrana nuclear). Contrário: procariota e procariótico (organitos e sistemas membranares no citoplasma).
Eu e Não Eu
O «eu» imunológico carateriza-se pelos determinantes antigénicos potenciais de um determinado organismo, que não são atacados – visto serem reconhecidos como seus – pelo sistema imunitário do individuo.
O «não-eu» é representado pela totalidade dos outros determinantes, que são atacados pelo sistema imunitário, visto serem reconhecidos como estranhos.
Com efeito, a variabilidade hereditária faz com que cada património imunológico seja diferente, pois depende de um genótipo único, exceto no caso dos gémeos verdadeiros (gémeos homozigóticos ou monozigóticos, com origem num mesmo ovo fecundado) ou de clones.
Eugenia
Teoria de que Francis Galton (1822-1911) é considerado o fundador. Preconiza o aperfeiçoamento da espécie humana através dos métodos aplicados na seleção artificial das plantas cultivadas  e dos animais domésticos. O eugenismo é a abordagem filosófica e política elaborada a partir da eugenia.
Euribático
Diz-se de uma espécie aquática capaz de se adaptar a grandes variações de profundidade das águas. Contrário: estenobático.
Euriécio
Diz-se das espécies biológicas que podem adaptar-se a vários nichos ecológicos e viver em biocenoses diversificadas. Contrário: estenécio.
Euritérmico
Carateriza uma espécie biológica adaptada a grandes variações de temperatura ambiente. Contrário: estenotérmico.
Eutrofização
Desenvolvimento exagerado de uma espécie biológica num ecossistema, provocado por um excesso de elementos nutritivos. Pode resultar num desequilíbrio nocivo para os outros organismos desse mesmo meio.
Por exemplo, a presença excessiva, em certas águas paradas, de fosfatos, nitratos, etc., provoca o crescimento exuberante  de certas algas e de certas espécies de vegetais aquáticas em detrimento de outras espécies biológicas, rompendo com isso o equilíbrio natural.
Evolução
Desenvolvimento e modificação dos seres vivos ao longo do tempo, que originou a grande diversidade de organismos atualmente existentes.
Evolução convergente
Adaptação que conduz a uma analogia das formas por parte de espécies pertencentes a famílias muito diferentes e que ocorre sob o efeito das pressões seletivas exercidas por um mesmo meio. Assim, por exemplo, a adaptação ao meio aquático leva a formas específicas hidrodinâmicas que podem encontrar-se quer nos répteis fósseis, como o ictossauro, quer nos peixes, como os tubarões ou os atuns, quer ainda nos mamíferos, como os golfinhos.
Exão/exõesUnidade(s) dentro dos genes que contêm informação codificante de proteína. Aparecem intercalados com intrões.
Exocitose
Processo de eliminação celular por fusão da membrana de uma vesícula citoplasmática com a membrana plasmática e expulsão do conteúdo vesicular. Contrário: endocitose.
Exócrino
Diz-se que um órgão, de uma célula ou de uma glândula cujo produto segregado é lançado num canal específico, que pode desembocar no exterior (glândulas sudoríparas, por exemplo) ou numa cavidade natural do organismo (glândulas digestivas).
Exogamia
Sistema de reprodução de uma população em que os cruzamentos não consanguíneos são mais numerosos do que permitiria o simples encontro fortuito dos gâmetas segundo as leis da probabilidade geral. Está relacionada com proibições de cruzamento consanguíneos.
Expressão génicaProcesso pelo qual a expressão do gene é ativada ou reprimida.

Fago (bacteriófago)Um tipo de vírus que infecta as bactérias, usado com frequência na investigação genética.
FarmacogenómicaCiência que estuda a prescrição de fármacos de acordo com o perfil genético do doente.
Fator Rhesus
O fator Rhesus (Rh) é um aglutinogénio dos glóbulos vermelhos descoberto em 1940 graças às investigações sobre o parentesco do sangue humano com o do macaco, Macacus Rhesus. Os indivíduos portadores deste fator dizem-se Rh+. No caso das transfusões de sangue, a incompatibilidade dos fatores Rhesus pode explicar os acidentes registados antes da sua descoberta: um individuo Rh- submetido a uma transfusão de sangue Rh+ produz anticorpos anti-Rhesus, o que vai terminar na aglutinação dos glóbulos vermelhos injetados. Nalguns casos, o acidente não se produz na primeira transfusão, mas sim nas seguintes, devido à acumulação dos anticorpos no sangue da pessoa que recebeu a transfusão.
Fenómeno idêntico pode produzir-se nas mulheres Rh- quando estão grávidas de uma criança portadora do fator Rh+. Um contato acidental do sangue materno com o sangue fetal, no momento  do parto, por exemplo, pode desencadear a produção de anticorpos anti-Rhesus por parte da mãe. No decorrer de uma segunda gravidez, se a criança volta a ser Rh+, os anticorpos maternos passam a barreira da placenta e «contaminam» o sangue do feto, o que pode afetar de forma mais ou menos grave o seu desenvolvimento. O recém-nascido é atingido por uma «anemia hemolítica», que se exterioriza sob a forma de uma icterícia. Para o evitar, começou por se praticar uma transfusão total do sangue do recém-nascido, técnica que foi substituída pela injeção de gamaglobulinas anti-Rhesus na mãe.
Fagocitose
Capacidade que determinadas células apresentam para rodear e captar partículas de grandes dimensões, através da deformação do seu citoplasma, e para depois as digerir.
Fanerogâmicas
Plantas vasculares que se reproduzem por flores e sementes
Fecundação
Fusão das duas células especializadas na transmissão do património genético, o gâmeta feminino (óvulo) e o gâmeta masculino (espermatozoide), dando origem ao ovo ou zigoto.
Fecundação artificial
Ela é utilizada no melhoramento das plantas cultivadas e dos animais domésticos para obter novas variedades partindo de cruzamentos escolhidos pelo homem. A polinização forçada das plantas e a inseminação artificial dos animais permitem o controlo dos genitores e também uma multiplicação da descendência para alguns organismos de grande valor reprodutivo.
Fecundação «in vitro» e transferência de embrião (FIVETE)
Procedimento, aperfeiçoado por uma equipa médica anglo-austríaca, que permite atenuar algumas formas de esterilidade (obstrução das trompas uterinas ou mobilidade insuficiente dos espermatozoides, por exemplo).
A técnica, que se tornou clássica, consiste em retirar óvulos do ovário da mãe e depois em coloca-los na presença dos espermatozoides do pai. O zigoto daí resultante irá desenvolver as suas primeiras divisões in vitro antes de ser implantado no útero a mãe até ao nascimento natural. O primeiros «bebé proveta» obtido graças à FIVETE nasceu em 1978.
A fecundação in vitro levantou algumas questões éticas, na medida em que favoreceu o desenvolvimento de práticas como os bancos de esperma ou as mães portadoras.
Fenética
Método de classificação dos organismos baseado na avaliação matemática das semelhanças globais entre as espécies.
Fenótipo
A totalidade dos caracteres anatómicos, morfológicos, fisiológicos e etológicos caraterísticos de um determinado ser vivo. O fenótipo representa a realização visível do genótipo em função de certas condições específicas do meio ambiente.
Fermentação
Conjunto de reações químicas que permitem a degradação enzimática incompleta da glicose (ou de outros glícidos), por oxidação na ausência de oxigénio, e que ocorre na maioria dos seres vivos, sejam eles ou não aeróbios, levando à produção de ATP.
Feromona
Substância química produzida por alguns animais para comunicar ou provocar nos seus congéneres comportamentos específicos.
Feto
No desenvolvimento ontogénico dos vertebrados superiores, o feto é identificável com um indivíduo adulto e com uma espécie biológica, da qual acusa já os traços mais salientes (embriologia). É o caso do feto humano no início do quarto mês de gestação.
Fibra elástica
Fibra proteica produzida por alguns tecidos conjuntivos. As fibras elásticas são constituídas por elastina e formam uma rede que assegura a elasticidade dos tecidos, sem a qual a derme, por exemplo, se torna cada vez mais enrugada.
Fibra muscular
Nome corrente dado às células contráteis que constituem os músculos.
Fibra nervosa
Ver Axónio
Fígado
Glândula anexa da digestão dos animais vertebrados que desempenha um papel importante no metabolismo geral do organismo.
Filo
Táxone que representa um grande ramo da árvore evolutiva do mundo vivo. Grupo sistemático de categoria superior na classificação zoológica.
Filogenia
Também designado filogénese, designa a evolução de um filo, quer se trate de linhas de descendência vegetais ou animais – a partir de um antepassado comum. Segundo a lei dita de Muller-Haeckel, a ontogénese, ou seja o desenvolvimento individual do embrião, é um resumo de certos estádios da filogénese (a evolução da espécie a que esse embrião pertence).
Fisiologia
Ramo da biologia que estuda as funções vitais dos organismos.
Fitófago
Animal que se alimenta exclusivamente de substâncias vegetais.
Fitoplâncton
Ver plâncton.
Fixismo
Doutrina obsoleta, de que os mais ilustres representantes foram, no passado, Lineu e Cuvier, e de acordo com a qual as espécies permanecem imutáveis desde a sua suposta criação.
Flagelo
Organito que assegura a locomoção dos protistas flagelados – euglenas, triponossomas – ou dos gâmetas móveis, como os espermatozoides. O flagelo é constituído por um arranjo específico de proteínas contrácteis que asseguram, assim, a sua dinâmica característica.
Floema
Tecido dos vegetais superiores, também designado liber, que conduz a seiva elaborada que é formada essencialmente nas folhas.
Flor
Órgão de reprodução nas espécies superiores de plantas.
Folha
Órgão essencial das plantas superiores, constituído por um bainha e pelo limbo que se fixa ao caule da planta através do pecíolo (folha completa).
Folículos Ováricos
Conjunto constituído pelo oócito em vias de desenvolvimento e pelas células foliculares que o rodeiam.
Fotoperiodismo
Resposta de um organismo ao fotoperíodo (duração e frequência dos períodos de luz), que estabelece o ritmo da sua atividade em função das estações.
Fotossíntese
Processo pelo qual os vegetais com clorofila elaboram hidratos de carbono a partir do dióxido de carbono, graças à energia luminosa captada pela clorofila.
Fototactismo
Ver Taxia
Fototropismo
Ver Tropismo
Fruto
Órgão auxiliar na reprodução das plantas superiores: envolvendo as sementes, assegura a sua proteção e disseminação.
Fuso acromático
Estrutura que surge no momento da divisão celular nos organismos eucariotas.

Gâmeta
Cada uma das células sexuais reprodutivas, feminina (óvulo) ou masculina (espermatozoide), que se unem no processo de fecundação, dando origem a um zigoto (ovo fecundado).
Nas espécies animais, incluindo a humana, os gâmetas são produzidos nas gónadas (órgãos genitais): o ovário no caso das fêmeas e os testículos no caso dos machos.
Nos vegetais superiores, as oosferas (gâmetas femininos) formam-se no ovário, situado no centro da flor, na base do carpelo, ao passo que os anterozoides (gâmetas masculinos) se encontram no interior dos grãos de pólen.
Gametófito
Órgão vegetal onde se encontram as células sexuais (os gâmetas). Geração produtora de gâmetas nas plantas com alternância de gerações.
Gametogénese
Processo que leva à formação dos gâmetas nas gónadas.
Gânglio linfático
Órgãos linfáticos secundários que se encontram agrupados ao longo do trajeto percorrido pela corrente linfática. A linfa atravessa os gânglios, onde é filtrada de seres e partículas estranhas, prevenindo assim a entrada destes no sistema circulatório e infeções.
Na espécie humana, os gânglios linfáticos são palpáveis ao nível das virilhas, das axilas e do pescoço. No caso de apresentarem uma inflamação anormal, os gânglios linfáticos assinalam a presença de uma infeção no organismo.
Gânglio nervoso
Aglomeração de corpos celulares de neurónios rodeada por células de Schwann, encontrando-se normalmente fora do sistema nervoso central.
Os gânglios cranianos e raquidianos são dotados de neurónios sensoriais e estão situados de ambos os lados do encéfalo e da espinal medula. Estes gânglios são desprovidos de sinapses.
Gástrula
Estado embrionário que sucede ao estado da blástula nos vertebrados pelo processo da gastrulação e que se carateriza pela formação de uma cavidade (gastrocélio ovarquêntero) que origina o futuro tubo digestivo e duas camadas celulares (ectoderme e endoderme).                             
Gene
Os fatores hereditários – revelados pelas leis de Mendel – foram batizados com o nome de genes, em 1909, por Johannsen, geneticista dinamarquês.
A genética molecular considera o gene como um segmento de ADN situado nos cromossomas (ou apenas de ARN no caso dos vírus que não possuem ADN). Esse segmento de ADN define uma unidade de função, portadora da informação hereditária necessária para a síntese de uma proteína, graças a um processo de transcrição, de que o ARN mensageiro é o vetor. O gene, encarado como uma unidade de função, de recombinação e de mutação, encontra-se num locus particular de um cromossoma; os genes dispõem-se de forma linear, como as pérolas num colar.
Um mesmo gene pode exprimir-se no fenótipo de várias maneiras ligeiramente diferentes: essas variantes do mesmo gene são alelos. Uma vez que as células possuem geralmente dois exemplares homólogos de cada cromossoma, cada gene está também presente em dois exemplares. Se os dois exemplares dos genes corresponderem a alelos diferentes, o organismo que os tem denomina-se heterozigótico, se, pelo contrário, o ser vivo é classificado como homozigótico.
Quando um gene controla apenas uma caraterística hereditária, trata-se do fenómeno de mono-hibridismo, como acontece com a cor dos olhos. Em contrapartida, se uma característica está dependente de vários genes, trata-se de um poli-hibridismo. Inversamente, um gene pleiotrópico é aquele que determina no fenótipo várias caraterísticas aparentemente sem relação. Os genes «saltadores», ou transposões, são elementos genéticos transponíveis, descobertos no milho, que se deslocam de um cromossoma para outro. Dada a sua mobilidade, podem contribuir para uma reorganização do genoma.
Gene imprinted (gene marcado)Gene marcado de acordo com a origem materna ou paterna.
Genética clássica, genética formal ou mendelismo
Nascida com a descoberta das leis de Mendel (1865) e, designadamente, com a sua redescoberta (1900) por Hugo de Vries na Holanda, Correns na Alemanha e Tschermak na  Áustria, a genética clássica ocupa-se da distribuição estatística dos fatores hereditários ao longo das gerações, dos cruzamentos e das segregações sucessivas.
Com efeito, as investigações de Mendel – e a aplicação da estatística aos resultados dos cruzamentos das ervilhas – permitiram verificar que após uma primeira geração de híbridos aparentemente uniformes ocorre uma segregação das caraterísticas, nas gerações sucessivas, segundo proporções matemáticas. Esta segregação prova que os fatores hereditários se comportam independentemente uns dos outros, reunindo-se e separando-se através das gerações e das hibridações segundo as leis do acaso.
A expressão evidente de um fator hereditário originário de um dos progenitores, relativamente ao que provém do outro mas permanece «escondido», não expresso, demonstrou que alguns alelos são dominantes e podem impedir a manifestação dos alelos recessivos. Com efeito, estes últimos só aparecem na constituição dos organismos vivos  no estado homozigótico, ou seja, quando os dois alelos que têm como fonte os dois progenitores são da mesma natureza. Por exemplo, a cor azul dos olhos é recessiva, pelo que só aparece se os dois alelos a determinarem.
As leis de Mendel, ignoradas pela ciência oficial durante 35 anos, tiveram de ser redescobertas para entrarem finalmente no circuito científico normal e constituírem o ponto de partida da genética clássica. Morgan, o iniciador, da teoria cromossómica da hereditariedade, abraça e desenvolve o mendelismo – não obstante a sua apreensão inicial – quando verifica que uma mutação observada em Drosophila se transmite às gerações seguintes em função, precisamente, das leis de Mendel.
Genética comportamentalO estudo de fatores genéticos que afetam características não médicas como a inteligência e a personalidade.
Genética cromossómica
Parte da genética fundada por Thomas Hunt Morgan, que identificou os fatores hereditários supostos pelas leis de Mendel nos genes situados nos cromossomas. As cartas cromossómicas vieram precisar os locci, isto é, a localização específica dos genes, segundo o modelo oferecido inicialmente pelos cromossomas gigantes encontrados nas células das glândulas salivares de Drosophila, a mosca do vinagre, que se tornou a cobaia favorita de Morgan e da sua escola.
As descobertas da genética cromossómica podem explicar algumas exceções registadas relativamente às leis estatísticas de Mendel, que estipulam que os fatores hereditários (genes) se transmitem aos descendentes independentemente uns dos outros. Dois fenómenos foram revelados pela escola de Morgan: a linkage e o crossing-over. O primeiro consiste na ligação ou sobreposição de vários genes num pedaço de cromossoma, que pode implicar uma transmissão «em bloco» desses genes, como se se tratasse de apenas um. O crossing-over é uma sobreposição provocada por migrações de fragmentos de cromossomas de um para outro, e leva a recombinações inesperadas. A estes fenómenos vem juntar-se a descoberta de Barbara McClintock, durante muito tempo marginalizada, dos transposões. Mas todas estas exceções relativamente às leis de Mendel apenas confirmam a regra: o mendelismo continua válido.
Genética Evolutiva das Populações
A genética da populações, ou genética evolutiva, ocupa-se da dinâmica da frequência dos genes no  quadro de populações biológicas.
Genoma
  1. A totalidade do material hereditário.
  2. O património genético de um dado organismo (cf. genótipo)
Genótipo
A totalidade das informações hereditárias virtuais contidas no genoma e de que uma parte, constituída pelos caracteres dominantes, pode exprimir-se no fenótipo.
Geotropismo
Orientação do crescimento dos vegetais em função do seu peso, onde a gravidade é o fator estimulante. As raízes mostram um geotropismo positivo (no sentido da força da gravidade), ao passo que os caules adotam um geotropismo negativo. Mas, embora os caules verticais (ditos ortótropos) sejam os mais frequentes no mundo vegetal, algumas plantas têm um crescimento horizontal (os caules rastejantes chamam-se plagiótropos) e parecem insensíveis à força gravitacional.
Gérmen
Termo criado por Weismann (1833) já desatualizado para designar o conjunto das células da linhagem germinal que se isola dos elementos somáticos numa etapa precoce da embriogénese, para constituir as células sexuais, que transmitem o património genético «imortal» ao longo das sucessivas gerações de seres vivos.
Gestação
Período durante o qual as fêmeas dos mamíferos vivíparos transportam a sua progenitura dentro do seu corpo. Este período vai desde a concepção – a formação do zigoto – até ao nascimento. Chamada também gravidez no caso da mulher, a gestação dura cerca de nove meses na espécie humana.
Giberelinas
Hormona vegetal com ação ao nível do crescimento. As giberelinas agem ao nível das zonas ativas das divisões celulares. Permitem um aumento da massa vegetal, estimulam o crescimento das folhas e o alongamento dos caules, e até ao desenvolvimento dos ovários na ausência de fecundação, dando origem a frutos sem pevides.
As giberelinas podem também fazer cessar a dormência dos rebentos e das sementes.
Ginandromorfismo
Fenómeno genético caracterizado pela presença, no mesmo individuo, de partes masculinas e femininas (também designado por ginandria ou ginandrismo).
Glândulas supra-renais
Duas pequenas formações glandulares situadas acima dos rins, compostas por uma zona central (medular supra renal) e uma zona periférica (cortical supra-renal).
Glícidos
Mais conhecidos ainda sob a denominação de açucares, ou glúcidos, estas moléculas orgânicas naturais constituem, juntamente com os prótidos e os lípidos, uma categoria essencial dos compostos orgânicos constitutivos do mundo vivo. Os glícidos representam os elementos nutritivos essenciais para os seres vivos. Estes açúcares, compostos por carbono, hidrogénio e oxigénio têm uma fórmula geral caraterística: Cn(H2O)n. Como possuem, em quantidades iguais, carbono e elementos constitutivos da água, os glícidos começaram por ser designados hidratos de carbono. São insolúveis no éter, no benzeno e noutros solventes orgânicos, mas solúveis na água.
Nos organismos vivos, os açúcares podem encontrar-se ligados a proteínas ou em forma livre. Os dois principais grupos de glícidos são as «oses» e os «osídeos».
As oses representam os glícidos mais simples, cuja molécula é uma cadeia linear ou cíclica de átomos de de carbono associados a átomos de oxigénio e de hidrogénio. A este grupo pertencem as pentoses, formadas por uma cadeia composta por cinco átomos de carbono. Os representantes mais conhecidos deste grupo são a ribose e a desoxirribose, açúcares constitutivos do ARN e do ADN, respetivamente. As hexoses, constituídas por seis átomos, são as mais disseminadas no mundo vivo: a glicose, verdadeiro «carburante universal» das células encontra-se em todos os frutos; a frutose existe no mel e em muitos frutos; a galactose é um dos constituintes do leite (para estes glúcidos mais simples também se utiliza o termo monossacáridos).
Os «osídeos» são açucares mais complexos, resultantes de uma associação de vários tipos de moléculas. No caso dos holosídeos, essa associação limita-se a moléculas de «oses» com outras moléculas.
Os holosídeos mais elementares são compostos por duas moléculas de «oses», sendo neste caso designados diolosídeos. Entre estas moléculas podemos citar a sacarose – o açúcar extraído da beterraba ou da cana, ou a lactose, contida no leite, composta por glicose e galactose (também denominados de oligossacáridos, sendo os mais simples os dissacáridos que resultam de dois açucares simples). A celulose (longa cadeia de glicose), que participa na formação das membranas celulares vegetais, o amido (outra longa cadeia de moléculas de glicose), substância de reserva presente, por exemplo nos tubérculos de batata e, por fim, o glicogénio, substância de reserva animal armazenada no fígado e nos músculos, constituem poliósidos (também designados polissacarídeos).
Os heterosídeos são formados por um glícido e por uma aglicona, ou seja, por uma substância não glicídica, como a quitinina, açúcar aminado que constitui a cutícula dura dos insectos. Os ácidos nucleicos – ARN e ADN -, constituídos por uma pentose, por ácido fosfórico e por bases azotadas, podem ser considerados como heterosídeos complexos.
Glicose
O glícido mais comum no mundo vivo, a glicose (C6H12O6), é elaborado pelas plantas clorofilianas no decorrer da fotossíntese. Nos animais, é obtida através da digestão, por hidrólise, dos glícidos (amido, glicogénio, sacarose, lactose) contidos nos alimentos. É o único glícido capaz de atravessar a parede intestinal. Passada essa fase, é transportado através do sangue para as células, que o utilizam para as suas necessidades energéticas. Em presença de oxigénio, é completamente degradado em moléculas de água e de gás carbónico. Se o oxigénio faltar, a glicose sofre uma fermentação alcoólica ou láctea, ocorrendo a produção de energia.
Reserva energética dos organismos vivos, a glicose encontra-se armazenada sob forma de amido nos grãos dos cereais, nos tubérculos e noutros órgãos dos vegetais. Os mamíferos armazenam a glicose em forma de glicogénio, sobretudo no fígado e nos músculos. O fígado, o sistema nervoso vegetativo e algumas hormonas mantêm a glicemia ( o nível de glicose no sangue) num valor próximo a 1 g/L. Uma subida patológica deste nível origina a diabetes.
Gónada
Glândula genital onde se desenvolvem as células sexuais: o ovário nas fêmeas e os testículos nos machos. No caso dos organismos hermafroditas – sanguessugas e minhocas, por exemplo -, encontram-se os dois tipos de gónada no mesmo individuo. No caracol, a mesma gónada (ovotéstis) produz alternadamente óvulos e espermatozoides.
As gónadas constituem os caracteres sexuais primários, desempenhando assim, nos vertebrados, o papel de uma glândula endócrina, em que as hormonas estimulam os caracteres sexuais secundários: a juba do leão, a pilosidade e a voz do homem, os seios da mulher, etc.
Gónia
Célula sexual imatura e diploide.
Gonócito
Célula germinal embrionária que se multiplica e termina na formação das linhagens de células reprodutivas.
Gonocorismo
Forma de sexualidade na qual os gâmetas masculino e feminino são produzidos por indivíduos diferentes, qualificados como gonocóricos. Oposto ao hermafroditismo, o gonocorismo representa a forma de sexualidade mais comum.
As espécies vegetais gonocóricas são ditas monogâmicas. Podem ser monóicas (quando as flores fêmeas e as flores macho estão presentes em duas plantas distintas).
Granulócito
Leucócito que apresenta um núcleo lobado e vários grânulos no interior do citoplasma e que intervém na resposta imunitária não específica. Distinguem-se três tipos de granulócitos: os basófilos, que fixam os corantes básicos, os eosinófilos, que fixam os corantes ácidos, e os neutrófilos.
Gregário
Diz-se de uma espécie biológica cujos indivíduos vivem geralmente em grupos e no seio dos quais se estabelecem hierarquias sociais mais ou menos elaboradas. O comportamento das espécies gregárias constitui o gregarismo.
Grupo sanguíneo
Conjunto de propriedades antigénicas do sangue que permitem classificar os indivíduos e assegurar a incompatibilidade da transfusão sanguínea entre dadores e receptores.

Haploide
Diz-se de uma célula que possui apenas uma série de n cromossomas no seu genoma, como é o caso das células sexuais.
HaplótipoSequência de um cromossoma que tende a permanecer intacta durante a recombinação. Os blocos de haplótipos são responsáveis pela ligação genética.
Hamatopoise
Processo de formação dos diferentes elementos do tecido sanguíneo a partir de células situadas na medula vermelha dos ossos. Num sentido mais restrito, fala-se de hematopoiese apenas relativamente ao processo que conduz a formação dos glóbulos brancos designados linfopoiese.
Hemofilia
Anomalia hereditária ou congénita que consiste numa deficiência ao nível da coagulação do sangue, susceptível de provocar hemorragias mortais. Esta anomalia constitui um caso de hereditariedade ligada ao sexo, pois é exclusiva do sexo masculino, sendo transmitida pela mãe no heterocromossoma X.
Hemoglobina
Pigmento vermelho localizado no citoplasma dos glóbulos vermelhos, que assegura a fixação e o transporte dos gases respiratórios, especialmente do oxigénio.
Herbívoro
Espécie animal que se alimenta de plantas. Quando se trata de invertebrados (nomeadamente de insetos), utiliza-se sobretudo o termo fitófago.
HerdabilidadeMedida percentual ou decimal da constante da herança na variabilidade de cada fenótipo.
Hereditariedade
Transmissão dos caracteres normais ou patológicos ao longo das gerações.
Hermafroditismo
Reunião, num mesmo individuo, dos caracteres sexuais de reprodução que habitualmente caracterizam os dois sexos.
Heterocronia do Desenvolvimento
Teoria da embriologia evolutiva que explica o aparecimento (ou desaparecimento) e o desenvolvimento (ou atrofia) de um órgão, no decorrer da evolução de uma espécie biológica, por uma modificação da cronologia dos diferentes processos que têm lugar durante o desenvolvimento embrionário.
Heterogametia
Formação, num ou noutro sexo, de dois tipos de gâmetas no decorrer da meiose.
Heterogamia
Forma de reprodução sexuada em que os gâmetas dos dois sexos diferem quanto ao aspeto, às dimensões e ao comportamento. A forma última de heterogamia é a oogamia, na qual o gameta masculino, ou espermatozoide, é um elemento de pequenas dimensões e com grande mobilidade, ao passo que o gâmeta feminino, ou óvulo, é uma célula grande com um citoplasma rico em reservas, mas sem mobilidade.
Heterose
Fenómeno pelo qual os indivíduos obtidos por hibridação de duas linhas de descendência diferentes, mas geneticamente próximas (variedade ou raças), são sistematicamente mais robustos que os seus ascendentes.
Heterotrófica
Designa uma espécie que só consegue elaborar os seus próprios constituintes orgânicos a partir de uma fonte de matéria orgânica preexistente (por oposição a autotrófica). Certas bactérias, a imensa maioria dos fungos e a totalidade dos animais – incluindo o ser humano – são heterotróficos.
Heterozigótico
Individuo que possui, num determinado gene, alelos diferentes em cada um dos dois cromossomas homólogos ao nível dos quais esse gene se situa. A partir desse substrato genético heterogéneo, o organismo pode constituir dois gâmetas diferentes, através da segregação segundo as leis de Mendel.
Hibernação
Estado letárgico em que determinados animais passam o Inverno e que se caracteriza designadamente por uma diminuição importante da temperatura do corpo.
Hibridação
Cruzamento de dois genitores que possuem um património hereditário diferente. Num sentido mais restrito, fala-se de hibridação relativamente ao cruzamento, natural ou artificial, de géneros, de espécies ou de subespécies, de variedades ou de raças que, regra geral, se reproduzem separadamente.
Híbrido
Organismo obtido por cruzamento entre genitores pertencentes a grupos taxonómicos diferentes.
Híbridos «vegetativos» de enxerto
Este tipo de híbrido, que a pseudociência de Lysenko afirma falsamente ter conseguido, não existe. Com efeito, Lysenko, o biólogo favorito de Estaline, decretou que a «hibridação vegetativa e a hibridação sexual são fenómenos da mesma ordem». Segundo ele, a troca de substâncias nutritivas entre o enxerto e o enxertado «modificam» a hereditariedade, conduzindo a híbridos genéticos. Tais aberrações, baseadas em manipulações experimentais deviam, supostamente, destruir as bases cromossómicas da hereditariedade, sobre as quais assenta a genética clássica, e com isso agradar aos dogmas ideológicos do marxismo-leninismo. Na verdade, ´s impossível criar um híbrido genético sem uma troca de material hereditário, ou seja, de ADN.
Hipertelia
Desenvolvimento evolutivo exagerado, que ultrapassa os seus fins adaptados.
Hipófise
Pequena glândula ovoide situada no centro da caixa craniana, que segrega várias hormonas e assegura o controlo e a regulação funcional das outras glândula endócrinas e de vários órgãos.
Hipotálamo
Região do cérebro que constitui a parte inferior do diencéfalo, localizada sob o tálamo e por cima da hipófise, e que assegura um papel duplo de controlo das secreções hormonais hipofisiárias e de controlo da atividade do sistema nervoso vegetativo.
Histologia
Disciplina consagrada ao estudo dos tecidos vegetais e animais, principalmente ao nível microscópio
Os estudos histológicos seguiram a evolução das técnicas de observação, nomeadamente o desenvolvimento da microscopia, desde o século XVIII até aos ultramicroscópios de hoje em dia.
HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)
Tipo de retrovírus cuja infeção na espécie humana engendra a sida. A equipa de Luc Montagnier identificou o HIV1 (1983) e o HIV2 (1986), retrovírus de uma grande variedade adaptativa que atacam as defesas imunitárias das pessoas que infetam. Assim, o doente, privado das defesas imunitárias, torna-se muito sensível aos diferentes agentes patogénicos que o enfraquecem e que acabam por o matar. Outros retrovírus da imunodeficiência podem também afetar os macacos, o que prova, mais uma vez, um estreito parentesco genético na árvore da evolução.
Homeostasia
Capacidade de os organismos de manterem constantes, dentro de certos limites, toda uma série de parâmetros fisiológicos, a fim de preservarem os equilíbrios do seu «meio interno».
Homeotérmico
Endotérmico
Homocromia
Forma de mimetismo desenvolvida por algumas espécies, caraterizado por uma identidade entre as cores do seu corpo e as cores do meio em que vivem.
Homozigótico
Um genótipo cujos dois genes, localizados nos cromossomas homólogos, são representados pelos mesmos alelos. Logo, os gâmetas formados possuirão todos a mesma forma acélica ao mesmo gene.
Hormona
Substância orgânica segregada por um tecido glandular que desempenha um papel de natureza endócrina e que, sendo lançada no meio interior do organismo, pode desencadear à distância uma ação específica dos órgãos alvo.

Imago
Aspeto definitivo de um inseto que representa o fenótipo adulto da sua espécie antes do estado reprodutivo. Lineu utilizou este nome latino para sublinhar que o jovem inseto adquiriu a imagem da espécie na fase adulta. É considerado o último estádio do desenvolvimento do animal, após ter sofrido metamorfose completa ou incompleta.
Impressão digital genética (também designado ADN fingerprint)Sequências de bases repetitivas do ADN que permitem identificar cada individuo tendo em conta as propriedades únicas do ADN. Técnica aplicada na ciência forense.
«Imprinting»
Termo da etologia que designa uma impregnação, uma impressão ou uma aquisição precoce e praticamente irreversível (ao contrário de outros tipos de aprendizagem), caraterizada por uma fase sensível inicial. Os casos de imprinting mais citados são o filial e o sexual.
Imunidade
Capacidade de uma espécie biológica ou de um ser vivo para se manter inacessível, espontaneamente ou por intermédio de mecanismos ativos de defesa, à ação de certos agentes patogénicos.
Imunodeficiência
Défice imunitário provocado por um funcionamento deficiente do sistema imunitário de defesa dos organismos.
A imunodeficiência primária, inata, resulta de uma anomalia genética, ao passo que o défice imunitário adquirido tem na sua origem uma infeção, como acontece no caso da sida, onde ocorre a destruição dos linfócitos T4.
Imunogenética
Estudo dos fatores genéticos que determinam as reações imunitárias. Com efeito, certas constituições fenotípicas, elaboradas sob controlo genético, parecem ser espontaneamente refratárias: estima-se, por exemplo, que 2% da população europeia estão naturalmente protegidos da sida.
Imunoglobulina
As imunoglobulinas (lg) são anticorpos – que representam cerca de 20% das proteínas do plasma sanguíneo – elaboradas pelos linfócitos B, quando estimulados por um antigénio.
Imunologia
Disciplina científica que estuda as reações imunitárias capazes de defender a integridade do meio interno do organismo contra intrusões estranhas, sejam elas de agentes patogénicos, tecidos ou órgãos enxertados.
Imunoterapia
Terapia médica destinada a reforçar as reações imunitárias capazes de defender a integridade do meio interno do organismo contra doenças infeciosas de tecidos ou órgãos.
Inato e adquirido
Um organismo vivo pode ser interpretado como a realização de um genótipo inato (património hereditário) num fenótipo particular (um ser concreto), em função de um determinado meio ambiente. Teoricamente, a realização das virtudes do genótipo pode exprimir-se, na escala do seu desenvolvimento, de 0% (efeito letal num meio hostil) a 100% (realização completa num ambiente ótimo). A tradução do inato genético virtual é portanto diretamente proporcional aos graus de concordância do genótipo com um meio definido.
Incubação
Período do desenvolvimento dos embriões nos animais ovíparos (ovos de répteis ou de aves). No caso das aves domésticas, por exemplo, a incubação dura 21 dias no caso da galinha entre 28 e 30 dias nos casos do ganso, do pato e do peru – em condições de temperaturas favoráveis a uma embriogénese normal.
Em patologia o período de incubação é o tempo que decorre entre a penetração de um agente patogénico no organismo e o aparecimento da doença que ele provoca.
Inflorescência
Associação e disposição de grupos de flores nas ramificações das plantas superiores; cada flor, cuja base possui uma pequena folha (bráctea), está ligada a um eixo comum.
Informação genética
A totalidade das informações hereditárias do genoma, cujo substrato material é constituído pelo ADN dos cromossomas e por determinados organitos do citoplasma. Nalguns vírus desprovidos de ADN, os retrovírus, o vetor da hereditariedade é o ARN. A expressão da informação genética (genótipo) no fenótipo é assegurada pela tradução do código genético.
Inquilinismo
Associação entre duas espécies biológicas em que um dos parceiros vive no interior do outro sem representar qualquer perigo para ele, utilizando-o como refúgio e aproveitando uma parte da sua alimentação. É o caso de um caranguejo minúsculo que se aloja na cavidade paleal dos mexilhões ou de certos peixes próximos das enguias (Fillasfer acus) que se alojam na parte final do intestino das holotúrias. (Cf. comensalismo e simbiose.)
Instinto
Impulso hereditário inato e invariável que leva os seres vivos a efetuarem uma série de operações específicas destinadas, a permitir a vida e a sobrevivência do indivíduo e da espécie.
Insulina
Substância hormonal segregada por determinadas células endócrinas (células ß) do pâncreas (os ilhéus de Langerhans).
A insulina provoca a desintegração da glicose, ou seja, diminui os níveis de glicemia no sangue, e estimula o armazenamento da glicose no fígado em forma de glicogénio. Certas formas de diabetes, ditas insulinodependentes, resultam de uma carência de insulina, provocada por um funcionamento patológico do pâncreas. Uma injeção quotidiana de insulina permite restabelecer uma glicemia normal.
Interfase
A face situada entre duas divisões celulares e que se caracteriza pela duplicação do ADN e de outros organitos celulares que ocorrem no processo da mitose. È um período de grande atividade metabólica: os genes expressam-se, os cromatídios convertem-se em cromossomas.
Interferão
Fator de natureza glicoproteica que interfere na ação de um vírus, impedindo a sua proliferação
Interleuquina
Proteína elaborada essencialmente pelos leucócitos (glóbulos brancos) e capaz de assegurar a ativação, a diferenciação ou a proliferação de alguns deles.
Intersexualidade
Hermafroditismo.
Intrão/intrõesSequência de ADN transcrito não codificante. Os intrões situam-se n os exões.
Inversão cromossómica
Alteração cromossómica produzida pela viragem de uma parte do cromossoma sobre si própria. Os genes afetados ficam numa ordem inversa à da situação original.
Involução
Regressão evolutiva, caraterizada pela atrofia ou até o desaparecimento de certos órgãos.
Por exemplo, a adaptação dos organismos ao parasitismo ou a determinados meios específicos (cavernícola, abissal, etc.) é muitas vezes acompanhada por uma atrofia dos olhos.
Isogamia
Tipo de fecundação em que os dois gâmetas ( isogâmetas ) são semelhantes, embora pertencendo a duas categorias sexuai diferentes. A isogamia morfológica encontra-se em determinadas espécies de protozoários, de algas e de fungos → Alogamia

Junção neuromuscular ou sinapse neuromuscular
Zona de transmissão do influxo nervoso motor a uma fibra muscular estriada (constitutiva de músculos do esqueleto).
Junções celulares
Uma série de estruturas que permitem comunicações intercelulares e reforçam a adesão intercelular. Localizam-se ao nível da membrana plasmática e no citoplasma adjacente.
Estas junções são comunicantes (interdigitações), formando uma espécie de túnel que, através de um ajustamento intercelular elétrico, permite a passagem das micromoléculas e dos iões de uma célula para a outra. Existem outros tipos de junções, como os desmossomas, que, ligando as células pelas estruturas solidárias do citoesqueleto, asseguram uma melhor coesão e uma melhor resistência mecânica do tecido celular.

Lamarckismo
Teoria de um transformismo generalizado, apresentada por Lamarck na obra Filosofia Zoológica (1809). Esta teoria baseia-se na hipótese de uma transmissão hereditária dos caracteres adquiridos pelas estruturas somáticas dos indivíduos ao longo das suas vidas. Para sustentar a sua teoria, Lamarck considera, por exemplo, que a necessidade de ir buscar folhas à zona mais alta das árvores durante os períodos de seca foi a causa do alongamento do pescoço das girafas. Da mesma forma, a explicação para a atrofia dos olhos das toupeiras reside na sua “falta de utilização” no meio subterrâneo.
A hipótese da hereditariedade do adquirido pareceu plausível a Lamarck e até a Darwin. Pois surgia como um argumento de peso a favor do transformismo, no seu combate contra o dogma fixista. Os trabalhos de Weismann (1883) e, mais tarde, a redescoberta da genética (1900) foram o fim das << leis>> do lamarckismo. Só a seleção natural, salientada por Darwin, podia explicar adaptações como o pescoço longo das girafas ou os olhos atrofiados da toupeira a partir de variações hereditárias aleatórias, a que q genética mais tarde chamou de mutações.
Contudo Lamarck e a sua teoria não pode, de forma alguma, ser responsabilizados pelo papel negativo que a persistência do conceito de hereditariedade dos caracteres adquiridos acabou por ter mais tarde. Esse neolamarckismo tardio foi particularmente forte em frança, onde constituiu um grande obstáculo ao desenvolvimento da genética (1900-1945), e na URSS, onde conduziu ao triste episódio de Iyssenkismo (1935-1965).
A partir de 1883, o neodarwinismo de Weismann, ao invalidar a hipótese dos caracteres adquiridos (que no entanto foi admitida como um auxiliar da evolução pelo próprio Darwin!), purgou o evolucionismo de uma ideia muito antiga que, desde a remota Antiguidade, perseguia as ciências da natureza. Na Bíblia, por exemplo encontra-se um episódio em que Jacob arranca a casca dos ramos das árvores, até que tais ramos apresentam um mosaico de manchas claras e escuras, para que os carneiros, por uma espécie de hereditariedade adquirida psicológica, pudessem engendrar, só por olharem para tais ramos manchados, crias também com manchas!
Larva
Etapa transitória do desenvolvimento de certas espécies animais durante o qual o espécime jovem apresenta um aspeto imaturo e diferente do adulto, em que se transformará através de uma metamorfose.
Lenhina
Constituinte glícido que reforça a parede celular dos vasos de Xilema, assegurando assim a rigidez e a verticalidade das espécies de plantas arbóreas. A lenhina permitiu a conquista do meio aéreo pelas plantas.
Leucemia
Grupo de doenças cancerosas do sangue caracterizadas por uma proliferação anárquica e anormal de determinadas células da medula óssea, que estão na origem dos glóbulos brancos (leucócitos) do sangue.
Segundo a velocidade a velocidade da evolução, distinguem-se as leucemias agudas e as leucemias crónicas.
Leucócito
Célula do sangue e dos tecidos linfáticos, vulgarmente designada “glóbulo branco”, que tem um papel preponderante nas defesas imunitárias. Distinguem-se os granulócitos, os linfócitos e os monócitos. Estes últimos podem transformar-se em macrófagos.
Líber
Tecido formado por tubos crivados que permitem a circulação da seiva elaborada pelas plantas superiores. O mesmo que floema.
Linfa
Líquido orgânico que circula no meio interno dos vertebrados através das vias linfáticas e, no caso da linfa intersticial, nos espaços intercelulares.
A linfa tem uma composição semelhante à do plasma (proteínas, lípidos) e contém leucócitos, principalmente linfócitos. Desempenha por isso, um papel importante no sistema imunitário.

Linfócito
Tipo específico de leucócito que desempenha um papel fundamental no seio do sistema imunitário.
Língua
Órgão carnudo e móvel, situado na cavidade bucal e que, no ser humano, intervém na deglutição, no gosto e na fala.
Linhagem germinal
Conjunto de que fazem parte os gâmetas e as células que lhes deram origem. Ao contrário das células de linhagem somática, as da linhagem germinal podem transmitir a sua informação genética à geração seguinte, o que lhes confere, de alguma forma, uma imortalidade relativa.
Linhagem pura
Linhagem estável constituída pelo conjunto dos descendentes de progenitores homozigóticos.
Seria suposto que as linhagens puras, assinaladas pelo geneticista Johannsen por volta de 1903, não oferecessem nenhuma oportunidade à seleção natural. Mas a verdade é que uma linhagem pura pode, por vezes, registar mutações.
Linhagem somática
Conjunto das células liplóides que compõe o soma, ou seja, aquelas que, reagrupadas em órgãos preenchem as diversas funções vitais do organismo e morrem com ele.
“Linkage”
Termo  a presença de vários genes ou caracteres num mesmo cromossoma, na medida em que tal presença induz a uma transmissão não independente desses genes através das hibridações e das gerações sucessivas. Com efeito, os genes ligados transmitem-se “em bloco”: trata-se, de uma exceção às leis de Mendel (lei da segregação independente dos caracteres).
Lípido
Composto orgânico indissolúvel na água mas solúvel nos solventes das gorduras, como o clorofórmio, o benzeno e o éter. Os lípidos são ésteres compostos por um ácido gordo característico por um álcool, o glicerol.
Lisogenia
Associação genética entre uma bactéria eu m bacteriófago que perdeu a sua virulência.
Lisossoma
Organito que se encontra no citoplasma em forma de vesículas- cuja origem é o complexo de Golgi- que contém diversas enzimas, ativas em meio ácido. A sua ação enzimática permite a digestão das partículas que se introduzem na célula, a degradação de certas estruturas celulares alteradas pela utilização ou a digestão do material dos vacúolos digestivos.
Lisozima
Enzima segregada por determinados glóbulos brancos que é capaz de provocar a destruição (lise) da parede celular de vários tipos de bactérias (ação bacteriolítica). Essas enzimas podem encontrar-se na saliva, nas lágrimas e na clara dos ovos.
A presença de lisozimas pode explicar o hábito instintivo de alguns animais lamberem ou chuparem as suas feridas.
“Locus”
Local específico de um cromossoma onde está localizado um gene. Os dois alelos de um gene ocupam o mesmo locus em cromossomas homólogos.
Lyssenkismo
O lyssenkismo, a que Lyssenko, o autor, designou “mitchurismo”- com base no nome de Ivan Vladimirovitch Mithourine (1855-1935), horticultor amador que preconizava os “híbridos vegetativos de enxerto” – ou ainda “darwinismo criador soviético”, representa a pseudociência mais tristemente célebre de toda a história das ciências.
O lyssenkismo exerceu a sua influência nefasta na URSS durante trinta anos (1935-1965), bem como outros países comunistas (1948-1965) e até no mundo ocidental, nomeadamente em frança, entre 1948 e 1955.
Embora o mundo científico concorde em afirmar que todas as pretensas “descobertas” de Lyssenko não passam da obra de um falsário, não se deve esquecer que a genética clássica foi destruída na URSS e nos países-satélites durante dezenas de anos e que os geneticistas que não se submetessem às normas acabavam a vida no goulag. O lyssenkismo continua a ser o exemplo mais flagrante de falsa ciência e de inquisição política e ideológica de toda a história das ciências e mesmo da história em geral. Quanto a Lyssenko, morreu em 1976, membro de várias academias soviéticas e agraciado com as mais prestigiosas condecorações da URSS.
Após este verdadeiro massacre dos cromossomas, seguiu-se um verdadeiro massacre de homens, de biólogos – perigosos portadores de genes refractários ao marxismo-leninismo, como o geneticista Vavilov – que tentaram, contra Estaline e Lyssenko, defender a precisão científica.
Oficialmente, todas estas aberrações terminaram na URSS e nos antigos países do bloco soviético em 1965, mas as sequelas do lyssenkismo ainda hoje se fazem sentir. No Ocidente, designadamente em França – assumindo a forma de um “neolamarckismo supertadio” -, o lyssenkismo teve um eco excecional entre 1948 e 1955.

Macroevolução
Dinâmica evolutiva com alterações processadas ao longo do tempo no fundo genético das espécies levando ao aparecimento das grandes unidades taxonómicas (filos, classes e ordens) e que também recebe o nome de evolução transespecífica ou macrogénese. Ao ter como ponto de partida as macromutações submetidas a triagem da seleção multipolar, a teoria sinérgica da evolução explica mais facilmente as grandes alterações evolutivas do que o darwinismo clássico e que a teoria sintética que dele deriva – MICROEVOLUÇÃO.
Macrófago
Célula mononucleada do sistema imunitário que tem a capacidade de absorver, por fagocitose, os microrganismos e os detritos orgânicos do sangue, da linfa e de diferentes tecidos do organismo. Derivados dos monócitos, os macrófagos estão localizados no baço, tecido conjuntivo, nos alvéolos pulmonares e nos gânglios linfáticos. Existem também alguns macrófagos fixos (no fígado e no tecido conjuntivo) e livres (nas zonas de inflamação). Os tecidos com uma grande concentração de macrófagos designam-se colectivamente por sistema retículo-endotelial.
Macromolécula
Molécula polímera constituída por um elevado número de moléculas monómeras e cujo peso molecular é elevado.
As macromoléculas orgânicas mais relevantes da biosfera são os ácidos nucleicos, as proteínas, os polissacáridos (amido, celulose, etc.) e os lípidos.
Macromutação
Mutação de grande amplitude, que conduz a alterações cromossómicas. Evidenciadas por H. de Vries am 1901, as macromutaçõe corresponde aos “saltos” da teoria do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould. Mas este último atribui às macromutações uma base genética falsa, poi, segundo ele, tais mutações resultam de “acumulações quantitativas” (o que faz lembrar o lyssenkismo e o neolamarckismo). Na verdade, uma macromutação cromossómica, à semelhança do que acontece com uma micromutação a nível dos genes, resulta de um acidente na transcrição do ADN.
Mama
Órgão glandular situada na região ventral do corpo das fêmeas de mamíferos e que assegura a nutrição das crias graças á produção de leite.
Nos cangurus- e outros marsupiais – as mamas encontram-se numa bolsa marsupial, onde o feto termina o desenvolvimento.
No caso dos mamíferos placentários, as mamas estão dispostas ao longo do ventre de uma forma simétrica relativamente a um eixo longitudinal. O número de mamas varia em função da espécie biológica: um par (os seios) no caso da espécie humana, dois no da vaca, seis no da porca e onze no da fêmea do musaranho. Os canais excretores de cada mama reúnem-se no mamilo (teta) – uma aglomeração cutânea que apresenta um orifício por onde o leite é escoado (na espécie humana, o mamilo é rodeado por uma área pigmentada – a aréola)
 A segregação do leite é controlada pela prolactina, uma hormona hipofisária cuja produção é estimulada pela sucção das crias.
Durante o período de vida fetal, a organogénese das glândulas mamárias ocorre de forma lenta em ambos os sexos. Após o nascimento, o desenvolvimento dessas glândulas é interrompido no caso dos machos e continua entre as fêmeas até à primeira gestação, estimulado pelas hormonas ováricas segregadas a partir da puberdade,
Mamífero
Classe de animais vertebrados tetrápodes caracterizados pela presença de mamas (que asseguram o aleitamento das crias) e de uma pele geralmente coberta de pelos, dotados de um encéfalo volumoso e de uma temperatura corporal constante (homeotérmicos). A sua reprodução é, geralmente vivípara.
Mapa cromossómico
Representação da localização morfológica dos genes nos cromossomas do núcleo celular.
Maturação dos gâmetas
Maturação dos óvulos e dos espermatozoides que te como ponto de partida células provenientes da linhagem germinal. A oogénese e a espermatogénese produzem gâmetas capazes de participar no processo de fecundação.
Mediador químico
Toda e qualquer substância química elaborada e libertada por uma célula, que desempenha o papel de mensageiro químico e que acua sobre a atividade das outras células, permitindo ativar ou regular processos fisiológicos muito diversos (transmissão do influxo nervoso, funcionamento geral dos órgãos, respostas imunitárias, etc.).
Medula
Na botânica corresponde ao tecido que forma o cilindro central do caule e das raízes das plantas, essencialmente parenquimatoso, rodeado pelo tecido vascular.
Medula óssea
Tecido mole presente nas cavidades dos ossos dos vertebrados.
Meiose
Mecanismo de divisão reducional das células que ocorre no decurso da formação dos gâmetas e que consiste em duas divisões nucleares sucessivas, caracterizadas pelo facto de só a primeira ser precedida por uma duplicação de cromossomas
Membrana plasmática
Membrana semipermeável que rodeia o citoplasma das células e que é constituída por lípidos e proteínas.
A membrana plasmática ou celular funciona como uma peneira seletiva que permite a difusão e transporte de determinadas substâncias e a troca de água graças à osmose, mas pode também impedir a penetração de outras substâncias.
Mendelismo
GENÉTICA CLÁSSICA
Menstruação
Hemorragia devida á eliminação de uma parte da mucosa uterina, preparada para a recepção do óvulo fecundado, no caso da fecundação não ter ocorrido. No caso das fêmeas primatas antropoides, essa hemorragia é acompanhada pela expulsão dos restos da própria mucosa uterina, o mesmo acontecendo, portanto, na espécie humana.
Mesoderme
Um dos três folhetos do embrião (também designado mesoblasto), localizado entre a ectoderme e a endoderme, e que está na origem do esqueleto, dos órgãos sexuais, da musculatura e do sistema circulatório.
Metabolismo
Conjunto da reações químicas que caracterizam a unidade bioquímica dos organismos vivos.
Metafase
DIVISÃO CELULAR
Metamerização
Organização de determinados seres vivos numa sucessão de segmentos idênticos, ou metâmeros.
Metamorfose
Transformação fenotípica que ocorre ao longo do desenvolvimento de algumas espécies animais e que têm por base um programa genético específico.
Metazoário
Grupo taxonómico constituído por animais pluricelulares com tecidos diferenciados e/ou organização superior (por oposição a protozoário)
Metilaçãoprocesso pelo qual o ADN é quimicamente modificado, muitas vezes associado ao silenciamento da expressão génica. Importante para e epigenética e imprinting.
Miastenia
Doença grave de origem auto-imune, que afecta a junção neuromuscular. Pode dever-se a uma perturbação na produção de neurotransmissor (a acetilcolina) ou a deficiência dos recetores deste mesmo neurotransmissor. Manifesta-se em perturbações importantes ao nível da contração muscular.
Microevolução
Processo evolutivo relativo ao aparecimento das populações genéticas e das espécies. Como a macroevolução, a microevolução tem origem num conjunto de micromutações e de macromutações sujeitas à seleção multipolar.
Microfilamento
Filamento presente no citoplasma das células eucarióticas. È constituído dos elementos do citoesqueleto e participa nos movimentos intercelulares e manutenção da estrutura celular – MICROTÚBULO.
Micromutação
Mutação genética devida a acidentes na transmissão do ADN. A taxa estatística das mutações pode ser aumentada com recurso a fatores mutagénicos artificiais, como os raios X, por exemplo, cuja ação nesse sentido foi descoberta por H.J. Muller (1927).
Microtúbulo
Microestrutura cilíndrica constituída por um conjunto de moléculas proteicas de tubulina, que, em conjunto com os microfilamentos. Forma os elementos do citoesqueleto.
Mielina
Lípido complexo de cor branca que, nos vertebrados, rodeia uma parte dos axónios dos neurónios.
Miocárdio
Músculo do coração dos vertebrados, formado por fibras cardíacas, umas de estriação longitudinal, outras de estriação transversal.
Miopatia
Doença genética, transmitida aos rapazes pelo cromossoma X da mãe, que leva a uma paralisia progressiva dos músculos.
Mitocôndria
Organito citoplasmático das células eucarióticas que tem um papel essencial no processo da respiração celular.
Mitose
A mitose é um processo de divisão celular que implica a duplicação prévia da maior parte dos componentes essenciais da célula, designadamente do ADN. As células – filhas que se formam a partir de uma única célula-mãe apresentam núcleos idênticos ao original de que procedem.
Nos eucariotas observa-se a cariocinese (a divisão do núcleo), seguida pela citocinese (a divisão do citoplasma), através das quais se obtém duas células idênticas à célula inicial.
Após a duplicação inicial dos componentes celulares, podem distinguir-se quatro fases características do processo da mitose:
- A prófase. A cromatina condensa-se em cromossomas que se separam longitudinalmente em dois cromatídios; ao mesmo tempo a membrana nuclear desintegra-se, os nucléolos desparecem e surge o fuso acromático.
- A metáfase. Os cromossomas visíveis sob a forma de bastonetes, que representam os dois cromatídios reunidos por um centrómero, encontram-se inseridos nas fibras do fuso (graças ao seu centrómero) e agrupam-se no meio da célula, formando assim a placa equatorial.
- A anafase. Os dois cromatídios separam-se e dão lugar a dois cromossomas independentes. Os cromossomas assim constituídos deslizam para os dois pólos opostos, seguindo as fibras do fuso celular.
- A telófase. Representa um regresso à situação característica da interfase (a fase situada entre as duas divisões celulares). Os cromossomas condensam-se em cromatina e as membranas nucleares reconstituem-se.
A citocinese efetua a separação das duas células a partir da célula inicial. O conjunto do processo mitótico desenvolve-se em cerca de uma hora. As células que dele resultam têm um património genético idêntico.
O ritmo das divisões celulares parece obedecer a um relógio biológico que varia com a idade do indivíduo. Parece depender, também, da especialização da célula do organismo em questão.
Além disso, a velocidade da mitose pode variar em função dos fatores do meio exterior. Assim, certas substâncias – hormonas vegetais ou extratos embrionários – aceleram a velocidade da divisão celular, ao passo que outras – a colquicina ou os fatores radioativos – inibem a mitose.
Molde
Em biologia molecular, molécula cujo modelo serve para a síntese de uma outra molécula. Um fragmento de ADN constitui um molde para a síntese do ARN correspondente.
Mongolismo
(Síndrome de Down) Anomalia genética devida à existência, no ser humano, de três exemplares do cromossoma número 21, quando o normal são dois – trissomia 21. O nome popular de «mongoloides» atribuído aos trissómicos tem origem numa certa semelhança das crianças que sofrem desta doença com certas populações asiáticas (rosto largo e maçãs do rosto salientes, estatura pequena, etc.). A origem do mongolismo foi demonstrada em 1959 pelo geneticista Jêrôme Lejeune.
Monócito
Célula produzida pela medula óssea e pertencente ao grupo dos glóbulos brancos ou leucócitos do sangue. É o precursor móvel do macrófago. Os monócitos defendem o organismo ao proceder à fagocitose dos corpos estranhos e microrganismos invasores.
Monofiletismo
Diversificação de novas espécies a partir de um único antepassado comum. Para se estabelecerem classificações, deve tentar-se sempre reconstituir grupos monofiléticos (incluindo o conjunto das espécies atuais e fósseis que partilham, de forma exclusiva, o mesmo antepassado).
Monoibridismo
Cruzamento entre dois indivíduos que só diferem por um carácter do fenótipo. Obtém-se assim um monoibridismo que possui, para o carácter estudado, o fenótipo de um dos dois genitores (esse fenótipo é qualificado de dominante e o outro de recessivo) ou um fenótipo misto, no caso da dominância incompleta.
Monosperma
Fecundação do gâmeta feminino por um único espermatozoide. Esta modalidade constitui a regra no mundo animal.
Mórula
Fase inicial do desenvolvimento embrionário em que o embrião, devido a várias segmentações, é constituído por algumas dezenas de células e tem a aparência de uma pequena amora. É a fase que antecede a blástula.
Músculo
Órgão contráctil que assegura os movimentos dos organismos animais.
Mutação
Variação hereditária acidental causada por  uma modificação da informação genética presente numa molécula de ADN. Em função das consequências que daí advêm, distingue-se a micromutação.
Mutação cromossómica
As mutações (alterações ou aberrações) cromossómicas dividem-se em duas categorias: as numéricas, que resultam de um número anormal de cromossomas genoma inteiros – emploidia – ou cromossomas isolados – aneuploidia), e devem-se a anomalias na distribuição dos cromossomas durante a divisão nuclear; as estruturais, onde as alterações de posição de fragmentos cromossómicos resultam de processos de duplicação, deleção, inversão ou translocação.
Mutação
Teoria que atribui às mutações um papel central no processo evolutivo.
Mutagénese
Estudo dos fenómenos de mutação em condições naturais ou artificiais, bem como dos organismos que sofrem uma mutação (ou mutantes)
Mutualismo
Designa todo o tipo de interação entre duas espécies que seja benéfica para os dois parceiros. Estas associações podem ser ocasionais ou permanentes e englobam a simples cooperação (entre o rinoceronte e o pica-boi, por exemplo, em que este último livra o primeiro de parasitas) ou a simbiose, em que a associação é vital para ambas as espécies.

Nanismo
Crescimento insuficiente dos organismos devido a um desequilíbrio de origem hormonal.
Nariz
Órgão olfactivo dos vertebrados que serve também de regulador térmico e de filtro do sistema respiratório.
Nastismo
Movimento dos órgãos (folhas, pétalas, etc.) de certas plantas em função de estímulos ambientais. Cite-se, por exemplo, o movimento nástio da folhagem da Mimosa sensitiva em reação ao mínimo choque, a abertura da corola das boas-noites durante a noite ou a orientação dos capítulos do sol relativamente ao sol.
Nécton
  Conjunto dos organismos aquáticos, de águas doces ou marinhas, que nadam livremente entre a superfície e o fundo pelos seus próprios meios.
Neodarwinismo
Auguste Weismann, o fundador desta corrente científica, libertou o darwinismo das sequelas da hereditariedade dos caracteres adquiridos através de uma experiência que ficou famosa: ao cortar a cauda a numerosas gerações de ratos, naturalmente, que esse apêndice se mantém sempre normal nos ratos recém-nascidos.
A teoria hereditária corpuscular formulada por Weismann pressupõe um património genético «imortal» (ou seja, duradouro), localizado no núcleo da célula, designadamente nessas «pequenas barras» hoje designadas de cromossomas. Nesta teoria, o organismo é dividido em células somáticas e germinais – ou, segundo a terminologia atual, em fenótipo e genótipo. O neodarwinismo seletivo de Weismann ofereceu assim uma base teórica à redescoberta das leis de Mendel e à genética cromossómica de Morgan e estabeleceu as fundações do neodarwinismo contemporâneo, desde a teoria sintética à teoria sinérgica da evolução.
Neolamarckismo
O lamarckismo foi ressuscitado sob forma de um neolamarckismo após 1883, em reação contra o neodarwinismo de Weismann. De tempos a tempos reaparecem, nomeadamente em França, vestígios de um neolamarckismo tardio, embora nunca nenhuma experiência fiável tenha confirmado a hipótese da hereditariedade dos caracteres adquiridos, considerada uma «lei» de Lamarck e seus sucessores.
Os ataques acerbos e injustificados do lamarckismo contra a nova ciência da hereditariedade no período entre 1900 e 1945 – data da criação da primeira cadeira de Genética da universidade francesa na Sobornne – provocaram um atraso de dezenas de anos no desenvolvimento desta área do conhecimento.
Uma das primeiras derivações do neolamarckismo foi o lyssenkismo, que afetou a URSS mas também a França e que levou à «criação» arbitrária de uma falsa ciência biológica baseada na hereditariedade dos caracteres adquiridos e em manipulações experimentais destinadas a confirmar as asserções inexatas.
Neotenia
Capacidade de uma espécie animal se reproduzir por via sexual ainda no estado larvar. A forma larvar persiste para além do desenvolvimento normal.
Nervo
Via anatómica que permite a circulação do influxo nervoso. Os nervos estabelecem a ligação entre o sistema nervoso central – cérebro, espinal medula, etc. – e um tecido ou órgão, seja ele um órgão dos sentidos, uma glândula ou um músculo.
Neuróglia
Tecido de suporte do sistema nervoso central e dos centros nervosos, que assegura a proteção e a sustentação dos axónios neuronais. Também designado por nevróglia.
Neuro-hormonal
Mediador químico segregado por um neurónio que se distingue dos neurotransmissores pelo fato de agir por via sanguínea, como uma hormona.
Neurologia
Ramo da biomedicina consagrado ao estudo da anatomia, da fisiologia e da patologia do sistema nervoso animal e humano.
Neuromediador
Neurotransmissor.
Neurónio
Célula que forma a unidade estrutural e funcional do sistema nervoso.
Neurotransmissor
Mediador químico segregado por um neurónio na extremidade do seu axónio, ao nível da sinapse, e que constitui o suporte químico da transmissão do influxo nervoso para outro neurónio ou para uma célula muscular.
Neurovegetativo
Sistema neurovegetativo.
Neurulação
Formação, no decorrer do desenvolvimento embrionário, do tubo nervoso primitivo, ou tubo neural, na parte dorsal do embrião. A fase embrionária correspondente a este processo fundamental designa-se nêurula.
 Neutralismo
Hipótese avançada pelo geneticista japonês especializado em genética das populações Motoo Kimura (1924-1994), segundo a qual a evolução seria mais o resultado de uma fixação aleatória dos mutantes neutros que o produto de uma seleção, no sentido que lhe foi atribuído pelo darwinismo.
Ninfa
Estádio da metamorfose dos insetos, intermediário entre a larva e o imago e durante o qual o organismo permanece imóvel e sem se alimentar. Neste estádio produzem-se transformações anatómicas e fisiológicas muito importantes. A fase de ninfa ocorre no casulo ou na pupa, onde a larva se encerra e imobiliza (também designada por crisálida).
Nomenclatura binominal
Designação das espécies com recurso a uma terminologia latina que comporta dois nomes: o nome do género seguido do epíteto específico (por exemplo, Zea mays, o milho, ou Canis lupus, o lobo). Generalizada por Lineu a partir de 1758, esta nomenclatura, de vocação universal e internacional, permite introduzir uma ordem científica na classificação, evitando as confusões provocadas pela diversidade e a imprecisão das diferentes designações locais.
Núcleo
Organito celular limitado por uma membrana dupla que cinge o material genético e o isola parcialmente do citoplasma.
Nucléolo
Estrutura esférica e pequena localizada no núcleo da célula, intervindo na síntese dos ribossomas.
O nucléolo é rico em ARN e em proteínas, mas também contém pequenas quantidades de ADN. É frequente o núcleo conter mais do que um nucléolo, geralmente dois.
Nucleótido
Ácido nucleico.

Olfato
Entre os cinco sentidos, é aquele que permite a deteção de substâncias químicas voláteis graças a recetores químicos especializados no epitélio olfativo.
Olho
Órgão par da visão que, dada a sua fotossensibilidade, constitui um receptor sensorial da luz.
Oligoelemento
Os oligoelementos encontram-se em quantidades ínfimas nos organismos vivos, mas são indispensáveis para o seu metabolismo. Cite-se, por exemplo, o ferro – necessário à constituição da hemoglobina -, o zinco, o manganês, o cobre, o iodo e o cobalto – insubstituível para o metabolismo das proteínas e da água.
Omnívoro
Espécie animal não especializada quanto ao seu regime alimentar. No entanto, as espécies omnívoras costumam ter uma tendência herbívora (como o javali) ou carnívora (como o urso).
Oncogene
Gene que produz tumores cancerosos ao perder as suas funções normais de regulador da proliferação das células. Vírus com ARN ou ADN, designados por oncovírus, podem invadir uma célula, transformando-a numa célula cancerosa. Além disso, as radiações e outras substâncias cancerígenas podem induzir uma oncogénese em células normais.
Oncologia ou cancerologia
Estudo científico das patologias provocadas por uma proliferação anormal das células, conducente à formação de conjuntos de células cancerosas que dão lugar a tumores.
Ontogénese ou ontogenia
Desenvolvimento individual de um ser vivo a partir do ovo até ao estádio adulto, com base no seu genoma.
Oócito ou ovócito
Célula proveniente da gónada feminina, com origem numa oogónia (oócito primário diploide) ou tendo sofrido a primeira divisão da meiose (oócito secundário, haploide). Em muitas espécies animais, o oócito acumula substâncias nutritivas de reserva no decurso da oogénese.
Oogénese ou ovogénese
Desenvolvimento dos gâmetas femininos, até a formação dos óvulos, que tem lugar nos vários dos animais.
Oogónia ou ovogónia
Célula sexual imatura, localizada nos ovários dos animais. Durante a oogénese, designadamente após a divisão meiótica, a oogónia diploide, torna-se num oócito haplóide.
Opiáceo
Substância proveniente da papoila do ópio (Papaver somniferum) e de cujos constituintes fazem parte a morfina, a codeína e a heroína. Os opiáceos são acolhidos pelos mesmos receptores celulares que as endorfinas, mas, dada a sua grande estabilidade, têm uma ação mais duradoura.
Organito celular
Elemento constitutivo da célula de um organismo vivo, cuja estrutura, morfologia e função são características. As mitocôndrias, os cloroplastos e o complexo de Golgi são organitos citoplasmáticos. Os cromossomas e os nucléolos são organitos do núcleo.
Organogénese
Desenvolvimento dos órgãos durante a embriogénese a partir dos folhetos germinais primitivos e, nalgumas espécies animais e vegetais, durante a germinação ou a regeneração.
Órgãos homólogos
Designa as estruturas e os órgãos que têm a mesma origem embrionária (pois possuem a mesma origem evolutiva) mas que podem, eventualmente, preencher funções adaptativas diferentes em função das espécies (por oposição aos órgãos análogos). Os membros superiores da espécie humana, as asas das aves e a barbatana peitoral dos golfinhos são homologias (ou órgãos homólogos).
Ortodromo
Termo criado para significar – no quadro da terapia sinérgica da evolução – uma certa canalização evolutiva verificada na natureza e causada essencialmente, pela pressão da seleção multipolar sobre o genótipo. No caso da seleção artificial, baseada atualmente na engenharia genética, o ortodromo é ainda mais evidente.
Ortogénese
Evolução de uma espécie ou de um grupo de espécies orientada numa direção constante e única. Este conceito, marcado por um determinismo finalista, encontra-se hoje abandonado.
Osseína
Substância fundamental, de origem proteica e muito rica em colagénio, constituída dos ossos e das cartilagens. A partir da osseína pode obter-se gelatina.
Ossificação
Processo de transformação de um tecido conjuntivo em tecido ósseo: trata-se de uma mineralização da substância fundamental.
Osso
Parte constitutiva do esqueleto dos vertebrados.
Osteoblasto
Célula conjuntiva situada à superfície de um tecido ósseo em crescimento. O osteoblasto é capaz de sintetizar a substância intersticial do osso, de que o colagénio constitui um componente essencial. Participa na transformação da cartilagem do tecido ósseo e ao ser encerrada neste adquire as características de osteócito.
Osteócito
Célula com origem no osteoblasto e que se encontra fechada em cavidades de substância fundamental calcificada do osso.
Osteoclasto
Célula de dimensões consideráveis com capacidade para digerir, por fagocitose, a matriz óssea e cartilaginosa durante o período de crescimento. Os osteoclastos desaparecem quando este processo específico termina.
Osteogénese
Génese dos ossos e do esqueleto.
Ouvido
Órgão par da audição, que também participa no equilíbrio físico dos organismos.
Ovário
No mundo vegetal, entre as plantas superiores, o ovário encontra-se na base do gineceu e contém os óvulos.
No mundo animal, o ovário é um órgão par do aparelho genital feminino, onde são produzidos os óvulos (células sexuais femininas).Quando maduros, os óvulos graças á ovulação, são projetados na parte superior do trato genital ao nível do pavilhão do oviducto (trompa de Falópio).
O ovário é também uma glândula endócrina que segrega os estrogénios e a progesterona.
Oviparidade
Capacidade de reprodução através do desenvolvimento dos ovos no exterior do organismo materno.
Ovíparo
Qualifica uma espécie animal que se reproduz através do desenvolvimento dos ovos no exterior do organismo materno, como acontece com os artrópodes, os peixes, os anfíbios, os répteis e as aves.
Ovo ou zigoto
Célula original, diplóide, de um organismo. Resulta da fecundação obtida pela penetração de um espermatozoide num óvulo ou, mais raramente, por partenogénese.
Ovoviviparidade
Qualidade de uma espécie animal ovovivípara.
Ovovivíparo
Qualifica uma espécie animal em que o ovo fecundado permanece durante ou quase todo o desenvolvimento no aparelho genital materno. São ovovivíparos numerosos insetos, alguns gastrópodes, peixes e répteis.
Ovulação
Fase do ciclo ovárico que consiste na expulsão dos óvulos do ovário para o oviducto.
Óvulo
Gâmeta feminino com capacidade de reprodução.

Paleontologia
Ciência que estuda a vida dos seres vivos no passado, tendo como principal objeto de estudo os restos fósseis. Está na fronteira da geologia e da biologia.
Pâncreas
Glândula com função dupla, endócrina e exócrina.
Pangénese
Hipótese formulada por Darwin para tentar encontrar uma base hereditária para os caracteres adquiridos. Segundo esta hipótese, todas as células do corpo emitiriam «gémulas» - corpúsculos que migrariam para as células sexuais, transmitindo-se assim, por divisão, à descendência. Esta hipótese, que implicava que qualquer célula do organismo pudesse transmitir caracteres hereditários adquiridos, foi formalmente refutada pela genética.
Panmixia
Reprodução sexuada numa população em que os acasalamentos se ficaram a dever ao acaso, sem intervenção de fatores de preferência no encontro sexual dos indivíduos. A panmixia só pode ser encarada integralmente relativamente a organismos intermutáveis mais ou menos primitivos, que não têm a possibilidade de efetuar uma seleção sexual.                                                 
Panspermia
Hipótese, já presente no pensamento antigo, segundo a qual a vida se encontra em todo o cosmos e pode circular de um planeta para outro.
Par de basesPar de bases complementares ou nucleótidos (A e T ou C e G).
Parasitismo
Associação entre duas espécies em que uma delas, o parasita, se alimenta e se desenvolve a expensas da outra, o hospedeiro.
Parassexualidade
Processo de recombinação de material genético ou rearranjo genético sem verdadeira fecundação e sem processo de meiose – presente nos vírus, nas bactérias e nalguns fungos -, que podem efetuar-se graças a conjugações, transduções ou transformações.
Paratiróide
Glândula endócrina constituída por quatro corpos das dimensões de uma ervilha, situados na face posterior da tiroide, e que, graças à secreção de uma hormona hipercalcemiante – a paratormona -, contribui para a regulação dos níveis de cálcio no sangue e no tecido intersticial.
Um hiperparatiroidismo ou hiperfunção (atividade excessiva das paratiroides) provoca cálculos renais e uma fragilização dos ossos; um hipoparidoirismo (hipofunção) leva a uma excitabilidade  neuromuscular excessiva, manifesta em espasmos ou numa tetania.
Parede celular
Parede espessa e rígida, formada por glícidos complexos (pectina e principalmente celulose), que envolve as células vegetais, permitindo-lhes resistir aos movimentos de água por osmose.
Esta parede pectocelulósica é atravessada por plasmodesmos, pequenos canais que estabelecem a ligação entre células vizinhas.
Parênquima
Tecido vegetal fundamental constituído por células vivas pouco diferenciadas dotadas de grandes vacúolos e de paredes celulares muito finas.
Partenogénese
Reprodução assexuada a partir de um óvulo virgem, ou seja, não fecundado.
Património Genético
Genoma
Pele
O estrato exterior do corpo, nos vertebrados, que reveste a sua superfície e da qual fazem parte unhas, pelos e vários tipos de glândulas.
Pelo
Produção córnea da pele dos mamíferos cuja função é sobretudo de regulação térmica.
Pelos radiculares
Prolongamento celular das radiculas das plantas superiores, que assegura a absorção da água carregada com os elementos minerais do solo. Esta é absorvida graças à diferença de pressão osmótica entre os vacúolos dos pelos absorventes e o meio líquido exterior.
Pena
Produção da pele das aves, constituída por células queratinizadas e parcialmente calcificadas, mas que possuem espaços lacunares que lhes conferem uma grande leveza.
Pénis
Órgão da cópula de numerosos animais do sexo masculino, de fecundação interna. Faz parte também do sistema urinário.
PharmingExpressão coloquial usada na indústria farmacêutica e em medicina para designar os produtos feitos a partir de animais geneticamente modificados.
Pinocitose
Endocitose.
Placenta
Órgão que assegura as trocas respiratórias e nutritivas entre o embrião – e, mais tarde, o feto – e a sua mãe na maioria dos mamíferos vivíparos (placentários).
Plâncton
Conjunto de todos os organismos que flutuam nas águas doces ou marinhas e cuja deslocação é tributária das correntes.
Plaqueta sanguínea
As plaquetas sanguíneas são elementos figurados de aspeto mais ou menos globular. São pequenos fragmentos celulares sem núcleo. O homem deve possuir entre 200 mil e 400 mil plaquetas por milímetro cúbico de sangue.
As plaquetas sanguíneas desempenham um papel determinante na coagulação do sangue. Elas ativam a trombina, uma enzima que produz a conversão do fibrogénio do plasma em fibrina, cuja rede rodeia os glóbulos vermelhos durante a formação de um coágulo de sangue.
Plasma sanguíneo
Fração líquida do sangue onde se encontram em suspensão glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas sanguíneas.
Embora composto por mais de 90% de água, o plasma é rico em substâncias orgânicas, como as proteínas, os glícidos e os lípidos, bem como em sais minerais. Após a formação da fibrina a partir do fibrogénio no processo de coagulação, o plasma restante encontra-se em forma de soro. Este pode ser obtido por centrifugação, ficando as células depositadas no fundo.
Plasmídeo
Molécula circular de ADN bacteriano extracromossómico.
Plasmócito
Último estado de desenvolvimento de um linfócito B, que tem um papel ativo na defesa imunitária do organismo ao segregar anticorpos específicos.
Plasmodesmo
Filamento citoplasmático fino que atravessa a parede celular das células vegetais, permitindo assim uma comunicação entre os citoplasmas das células vizinhas.
Plasmólise
Fenómeno de retração citoplasmática de uma célula mergulhada numa solução hipertónica, ou seja, mais concentrada que o meio intracelular.
A água contida nos vacúolos sai, por osmose, para o exterior, até ao momento em que se estabelece um equilíbrio osmótico entre o líquido intracelular e a solução ambiente. A plasmólise é reversível mas uma plasmólise demasiado acentuada pode provocar a morte da célula.
Poiquilotérmico
Ectotérmico.
Pólen
Grãos microscópicos produzidos pelos estames das plantas de flor, constituindo cada um deles um gâmeta reprodutor masculino.
Poliandria
Modo de reprodução em que a fêmea acasala com vários machos (e de que é exemplo o cuco).
Polifiletismo
Noção relativa a diversas linhagens de um filo provenientes de fontes ancestrais diferentes, mas que seguiram trajetórias evolutivas convergentes. Para estabelecer classificações válidas tem de se fazer um esforço para «desmascarar» os grupos polifiléticos, pois as espécies que os compõem não derivam do mesmo antepassado.
Poligamia
Modos de reprodução onde ocorre pluralidade simultânea dos progenitores. Compreende a poliandria e a poliginia.
Poligenia
Determinação de uma característica quantitativa – como o comprimento das orelhas ou d cauda, a altura dos seres humanos, por exemplo – por grupo de vários genes, cuja influência de cada um em particular se junta às dos demais.
Poliginia
Modo de reprodução em que os machos acasalam com várias fêmeas. Este fenómeno é comum entre as aves (galos, perus, gansos, pavões) e os mamíferos, alguns dos quais possuem haréns mais ou menos estáveis (foca, elefantes, macacos e até a espécie humana).
Poli- hibridismo
Hibridação em que os progenitores diferem um do outro por vários caracteres. Os indivíduos dela resultante são designados poli-híbridos. O geneticista Philippe L`Héritier considera que se trata de um sinónimo desaconselhado para a designação “heterozigótico múltiplo”
Polimorfismo genético
Existência, no seio de uma espécie biológica, de uma grande diversidade de formas.
Polimorfismo pontual (SNP)    Ponto em que o código genético varia de individuo para individuo por uma bese; forma comum da variação genética.
Polinização
Fecundação de uma flor através do pólen da sua espécie.
Poliploidia
Fenómeno baseado na multiplicação das séries cromossómicas. A poliploidia clássica termina, a partir do stock inicial (n, 2n) de uma espécie, na multiplicação das séries cromossómicas completas (3n, 4n, 5n, 6n cromossomas, etc.), sem que os genes desses cromossomas sejam afetados.
Polispermia
Penetração do óvulo por parte de vários espermatozoides. Este fenómeno é frequente entre as aves, mas só um espermatozoide assegura a fecundação – os demais degeneram. No caso dos mamíferos, certos mecanismos que acompanham o encontro e a fusão dos gâmetas masculino e feminino tornam praticamente impossível a polispermia e favorecem uma monospermia.
Preadaptação
Termo utilizado por Lucien Cuénot para caraterizar mutações aleatórias que revelam com anterioridade ser adaptada a meios onde se podem encontrar ulteriormente.
Preformismo
Teoria do século XVII oposta à epigénese, segundo a qual o indivíduo já se encontra preformado no ovo ou no espermatozoide.
Pressão osmótica
Pressão engendrada pela força de atração molecular exercida pela passagem, através de uma membrana semipermeável, como a membrana celular, das moléculas de água de uma solução hipotónica – de concentração mais baixa – para uma concentração hipertónica – logo, mais concentrada.
Prião
Forma anormal de uma proteína normal – implica em certas afeções neurogenerativas, como a doença das vacas loucas (encefalopatia espongiforme bovina), que afeta os bovinos, e a doença de Creutzfeldt - Jacob, que se manifesta na espécie humana.
Procariota ou procariótico ou procarionte
Qualifica uma célula desprovida de núcleo e em que o material hereditário (ADN) não está isolado do citoplasma por uma membrana, como nos eucariotas. As bactérias são organismos procarióticos.
Profase
Divisão celular.
Progesterona
Hormona sexual segregada pelo corpo amarelo ou lúteo do ovário dos mamíferos. A sua ação facilita a implantação do óvulo fecundado na mucosa uterina e permite a gestação. No caso de a mulher ter um nível insuficiente desta hormona, arrisca-se a abortar. Durante os primeiros meses de gestação, a segregação de progesterona é estimulada por hormonas placentárias. È produzida também no córtex das glândulas supra-renais e inclusivamente nos testículos (em pequena quantidade).
Projeto de HapMapMapa de haplótipos de quatro grupos étnicos, muito utilizado atualmente na investigação genética.
Prostaglandina
Grupo de hormonas constituídas por derivados de ácidos gordos, segregados por certos órgãos (próstata, fígado, intestino delgado, pulmões) e lançadas no sangue, e que provocam ações muito diversas: híper ou hipotensão, inibição da secreção gástrica, broncodilatação, etc.
Próstata
Glândula anexa do aparelho urogenital dos machos dos mamíferos, localizada sobe a bexiga, na junção dos canais deferentes com a uretra.
A próstata lança para a uretra, através de canais excretores, um líquido nutritivo rico em espermina e enzimas, que é um dos componentes do líquido seminal, no qual estão mergulhados os espermatozoides. A hipertrofia da próstata, de origem tumoral, afeta frequentemente os homens com mais de 60 anos. Exerce então uma pressão sobre a uretra, que assim estrangulada, impede a micção. Pode então impor-se a ablação cirúrgica da próstata.
Proteína
Macromolécula orgânica por uma ou mais cadeias peptídicas – estas últimas constituídas por sucessões de aminoácidos associados através de ligações peptídicas, cuja sequência resulta da tradução da mensagem genética do ADN, transmitido por intermédio do ARN mensageiro ao nível dos ribossomas.
Proteólise
Decomposição, por hidrólise, das proteínas até aos aminoácidos que as compõem. Aquando da digestão as proteínas, de origem animal ou vegetal, são decompostas por enzimas em aminoácidos, transportados depois pelo sangue até às células dos organismos, onde podem até servir à síntese de outras proteínas.
Prótido
Molécula orgânica quaternária formada de azoto, ao qual se juntam carbono, hidrogénio e oxigénio e, por vezes, outros elementos.
Protista
Organismo eucariota unicelular. Um dos cinco reinos de Whittaker, incluindo os protozoários, os mixomicófitos, os euglenófitos, os pirrófitos e os crisófitos.
Protoplasto
Célula vegetal privada da sua parede celular, obtida por métodos com origem nas biotecnologias – por exemplo, a utilização de enzimas que provocam a hidrólise da celulose. Os protoplastos podem cultivados em vitro no âmbito de investigações científicas com objetivos práticos. O termo protoplasto pode também designar o conteúdo plasmático de células que perderam a sua parede em virtude de uma mutação.
Protozoário
Filo de seres vivos do reino protista, incluindo organismos unicelulares, heterotróficos e eucariontes.
Pulmão
Respiratório (sistema).

Quiescência
Dormência facultativa que permite a sobrevivência de certos organismos vivos num ambiente desfavorável. Este fenómeno é frequente em numerosas espécies de vermes e de artrópodes.
Quimera
(Mosaico Genético) Organismo ou órgão que possui determinadas partes com diferenças genéticas acentuadas.
Quimera vegetativa
Mosaico de tecidos orgânicos obtido por mistura mecânica dos tecidos somáticos do enxerto e do enxertado. Este mosaico anatómico não constitui um mosaico genético, pois o tecido dos elementos envolvidos mantém o seu próprio património
Quisto
1.Forma de resistência às condições desfavoráveis por parte de certas espécies biológicas mais simples – protozoários, fungos e algas – que segregam uma cápsula – uma espécie de invólucro – que lhes permite viver a um ritmo lento durante esse período de enquistamento.
2.Em patologia animal e humana, um quisto é um tumor – quisto do ovário, quisto sebáceo da pele, etc. -, geralmente benigno, mas que por vezes pode tornar-se maligno.

Raça
Subdivisão de uma espécie biológica que agrupa uma ou várias populações genéticas capazes de se reproduzirem entre si.
Radiação adaptativa
Conjunto das divergências evolutivas observadas em populações de seres vivos com origem num mesmo antepassado e que resulta de adaptações aos diferentes nichos ecológicos disponíveis.
Radícula
Rudimento radicular do embrião das plantas superiores.
Radiogenética
Parte da genética relativa ao estudo dos efeitos mutagénicos das radiações, sobre o genoma dos seres vivos.
Raiz
Órgão fundamental da planta que tem o papel mecânico ( assegura a sua fixação ao solo) e fisiológico (permite a absorção da água e dos sais minerais).
Receptor sensorial
Estrutura constituída por células sensoriais especializadas, capazes de converter os estímulos físicos ou químicos, provenientes do meio exterior ou interior, em influxos elétricos comunicados ao sistema nervoso central.
Recessivo
Diz-se de um gene que só se exprime, no carácter fenotípico que determina, na ausência do seu alelo dominante. Por exemplo, a cor azul dos olhos só aparece quando os cromossomas homólogos, portadores do gene que codifica esse carácter, possuem o mesmo alelo (neste caso, aquele que determina a cor azul dos olhos).
Recombinação (Crossing-over)Processo que ocorre durante a meiose, pelo qual há troca de material genético nos cromossomas.
Rede trófica ou teia trófica
Conjunto das cadeias alimentares em interação num ecossistema
Reflexo
Reação automática e involuntária de um organismo a um estímulo particular. As respostas reflexas são sempre muito rápidas pelo facto de estarem controladas por um circuito simples, designado arco reflexo.
Regeneração
Capacidade que determinados organismos possuem para refazer tecidos e órgãos desaparecidos de forma natural (regeneração fisiológica) ou acidental (regeneração traumática).
Região reguladoraSequência de ADN que altera a atividade de outras sequências de ADN.
Reino
Categoria mais alta da taxonomia (classificação da biosfera), por sua vez dividida em filos. Os progressos da genética e da biologia molecular provocarem a fragmentação dos dois reinos tradicionais (animal e vegetal) em cinco reinos distintos: monera (bactérias), protistas, fungos, plantas e animais (classificação proposta em 1979 por Whittaker).
Reorganização genética
Alteração cromossómica caracterizada por perdas, multiplicações ou deslocações de determinados segmentos de ADN. Os transposões do genoma do milho representam um caso particular de reorganização genética.
Replicação
Mecanismo bioquímico que leva à formação de duas moléculas de ADN cópias exatas de uma molécula que serve de molde. Este processo permite uma duplicação da quantidade de ADN na célula antes da sua divisão. As duas células-filhas resultantes desta divisão possuem assim, qualitativa e quantitativamente, o mesmo ADN que a célula-mãe.
Reprodução assexuada
Reprodução sem a participação dos gâmetas, dita também reprodução vegetativa.
Reprodução sexuada
Mecanismo de reprodução característico das espécies biológicas evoluídas e que implica a fusão ou fecundação de gâmetas (células sexuais especializadas) para formar o zigoto (o ovo fecundado)
Respiração
Processo fundamental graças ao qual os organismos aeróbicos produzem a energia necessária ao seu metabolismo. A energia é obtida pela degradação de substâncias orgânicas em presença de oxigénio atmosférico, originando água e dióxido de carbono.
Respiratório (Sistema)
Sistema funcional que assegura a troca de gases (CO2 e O2) entre os fluidos corporais e o exterior (respiração).
Resposta imunitária
Defesa de um organismo contra a intrusão de um corpo estranho, quer se trate de microrganismos, de enxertos ou de órgãos transplantados.
Retículo endoplasmático
Estrutura membranar celular formada por uma rede complexa de dobras menbranárias localizada no citoplasma de quase todas as células eucarióticas.
Retroação (Feedback)
Controlo exercido, por efeito de retorno, sobre um processo fisiológico por parte das substâncias que dele resultam.
Retrovírus
Vírus cujo património hereditário é formado por ARN e não por ADN.
Rhesus
Fator Rhesus.
Ribossoma
Organito granular da célula, abundante no citoplasma, que desempenha um papel determinante na síntese das proteínas.
Rim
Órgão par situado na região dorsal, que representa o elemento central do aparelho excretor dos mamíferos e que desempenha portanto um papel fundamental no equilíbrio do meio interno, ou seja, na homeostasia do organismo.
Ritualização
Processo de comunicação reforçado por movimentos e condutas codificados repetitivos, que tem por função desencadear uma série de comportamentos específicos.

Sais minerais
Substâncias que entram na constituição dos organismos e que são indispensáveis ao desenvolvimento dos seres vivos. Os sais minerais absorvidos pelas plantas são elementos essenciais para a sua sobrevivência. No caso das plantas cultivadas, esses elementos são acrescentados em forma de adubos, muito utilizados na agricultura.
Em geral, os animais vão buscar os sais minerais de que necessitam à água que bebem e às plantas que ingerem.
Os sais minerais podem desempenhar vários papéis importantes no quadro do organismo: participam na estrutura molecular orgânica e em diferentes fenómenos de osmose celular e, graças às cargas elétricas dos seus iões, asseguram a passagem de determinadas substâncias através de diferentes órgãos dos organismos vivos.
Uma carência de sais minerais – por exemplo, de cálcio, de potássio ou de sódio, necessário ao sistema ósseo, muscular e nervoso – pode provocar perturbações graves do funcionamento orgânico; a ausência de ferro acarreta deficiências na constituição da hemoglobina, etc.
Saprófita
Qualifica um organismo cuja subsistência depende das substâncias orgânicas resultantes da decomposição de organismos mortos. Muitos dos seres saprófitas são bactérias e fungos.
Segmentação
Fase inicial do desenvolvimento embrionário caracterizada pela divisão mitótica da célula-ovo (zigoto) num número crescente de células – filhas, ou blastómeros, cada vez mais pequenas (visto que o volume global do ovo se mantém constante, o citoplasma do ovo fecundado divide-se num número progressivamente crescente de blastómeros)
Segregação
Termo, que em genética caracteriza a separação estatística dos fatores hereditários (alelos) de acordo com as leis de Mendel.
Seiva
Designação habitualmente atribuída ao líquido em circulação nas plantas vasculares, quer na circulação xilémica (seiva bruta ou ascendente) quer na circulação floémica (seiva elaborada ou ascendente).
Seleção artificial
A seleção artificial- a partir de mutações espontâneas e de cruzamentos naturais ou dirigidos – conduz a modificações em plantas cultivadas e em animais domésticos de interesse para os seres humanos. A enorme diversidade de plantas e de raças animais demonstrou a eficácia deste método. Por analogia Darwin transpôs para a sua teoria evolucionista a ideia de que a seleção, neste caso natural, constituía o principal motor da evolução. Darwin demonstrou que, antes de chegar à seleção metódica praticada naquela época, o homem praticava, desde os tempos mais recuados, uma seleção “ inconsciente”, quando por exemplo, guardava as melhores sementes vegetais ou os melhores animais para reprodução.
Tal como tem sido praticada desde o início a seleção artificial apresenta claramente objetivos utilitários e económicos e também estéticos. Como resultados evidentes do processo de seleção artificial, Darwin cita, entre outros exemplos, a excecional variedade das raças de pombos obtidas a partir de um antepassado comum selvagem, o pombo torcaz (Columba livia), e a diversidade de variedade de galinhas, resultado de mais de cinco mil anos de domesticação do galo bankiva da Índia e da Malásia (Gallus bankiva). A seleção artificial – à qual a engenharia genética passou entretanto a oferecer uma base muito dinâmica – conduz à evolução artificial do mundo vivo.
Seleção clonal imunológica
Teoria que explica a extrema especificidade dos anticorpos produzidos, aquando de uma resposta imunitária humoral, pela «seleção», no seio da muito diversificada população de linfócitos B, dos poucos indivíduos capazes de reconhecer um determinado antigénio. Paralelamente, opera-se uma seleção idêntica entre a população dos linfócitos T4. Estes últimos estimulam então a proliferação de alguns linfócitos B específicos por intermédio de interleuquinas, criando-se assim rapidamente um clone, constituído por numerosos linfócitos B específicos. Depois, estes diferenciam-se dos plasmócitos e segregam assim todos, e em abundância, o mesmo tipo de anticorpos.
Seleção multipolar
Expressão elaborada no âmbito da energia sinérgica da evolução, que parte do facto de a triagem seletiva se produzir também em níveis de integração dos sistemas vivos – nomeadamente ao nível molecular e celular – que não foram considerados pelo darwinismo clássico nem na teoria sintética que dele deriva. Assim, a seleção multipolar apresenta uma concepção seletiva generalizada a todos os níveis do genótipo e do fenótipo. A seleção natural do darwinismo mantém-se essencial, mas não exclusiva.
À medida que a especialização e a complexidade do genótipo aumentam, a probabilidade de uma mutação ser incompatível com a sobrevivência também aumenta; a seleção genotípica, uma das vertentes da seleção multipolar, torna-se assim cada vez mais forte.
A seleção multipolar pode dar conta de uma série de factos que escapam à seleção natural (e artificial) clássica. A seleção multipolar oferece, portanto, uma base sólida para a engenharia genética atual, que pode, por exemplo, acrescentar ou retirar genes, ou até mesmo cromossomas, ao genoma de um ser vivo. Esta manipulação do património hereditário dos organismos vivos, ao nível molecular e celular, constitui uma verdadeira seleção artificial genotípica, nos limites impostos pela seleção natural multipolar (com efeito, os indivíduos com genótipos, portadores de fatores letais, se revelam incompatíveis com a vida são sistematicamente eliminados).
Seleção natural
Charles Darwin e Alfred B. Wallace (1823-1913) verificaram, independentemente um do outro, o papel essencial da seleção natural na evolução das espécies. Mas coube a Darwin o grande mérito de fazer da seleção natural o núcleo de uma teoria da evolução.
Inspirada tanto na tese do sobrepovoamento do economista Thomas R. Malthus (1766-1834) como pela analogia com a seleção artificial, a seleção natural repousa, na concepção de Darwin, na luta pela existência que conduz à sobrevivência do mais apto (ou antes, do mais adaptado). Toda e qualquer variação hereditária vantajosa tem, portanto, tendência a conservar-se através de gerações sucessivas. Encarado no sentido lato – metafórico – da expressão, o conceito de uma luta pela sobrevivência, que seja responsável pela triagem efetuada pela seleção natural, poderia explicar a diferença dos caracteres a partir de um antepassado comum, logo, a adaptação e a evolução mas também a extinção de determinadas espécies, raças e variedades biológicas.
Darwin prefigura também a hipótese neutralista de Kimura, quando afirma que certas variações hereditárias não são úteis nem prejudiciais, mas apenas «indiferentes». Não sendo alvo da seleção natural, essas variações podem, portanto, persistir nas gerações seguintes das espécies polimórficas. No entanto, Darwin específica que a seleção natural tem um papel determinante na adaptação e na evolução das espécies por intermédio de uma luta das espécies por intermédio de uma luta pela sobrevivência que se exerce sobretudo entre os indivíduos da mesma espécie (luta pela sobrevivência que se exerce sobretudo entre os indivíduos da mesma espécie (luta intra-específica), mas que se verifica também entre espécies diferentes (luta interespecífica).
Seleção sexual
A seleção sexual constitui um aspeto particular da seleção natural: o seu motor não é o da luta pela sobrevivência, mas o da luta pela descendência. O dimorfismo sexual e os carcateres sexuais secundários acentuados que se observam nalgumas espécies (os chifres marcadamente desenvolvidos dos veados do sexo masculino, os esporões dos galos, etc.) são testemunhos da seleção sexual. Porém, a força dos machos nos combates nem sempre é suficiente para os fazer aceder às fêmeas. Com efeitos, estas podem selecionar os machos em função de outros critérios (no caso das aves, a ornamentação, as cores, a melodia ou a potência do canto podem entrar em linha de conta).
Em virtude da seleção sexual, determinados caracteres podem constituir hipertelias, parcialmente contrariadas pela seleção natural propriamente dita. Entre as aves, os machos costumam ser mais vistosos, pois são geralmente maiores ou mais coloridos que as fêmeas. A hipertelia que se pode encontrar nos pavões do sexo masculino, designadamente as longas penas da cauda, demonstra que existe um equilíbrio permanente entre a pressão da seleção sexual (os machos que exibem penas mais belas atraem mais facilmente as fêmeas) e a pressão da seleção natural propriamente dita. Pode até interpretar-se esta desvantagem individual aparente em relação aos predadores como uma vantagem seletiva para a espécie, se considerarmos que ao atraírem os predadores  tais machos contribuem indiretamente para a sobrevivência das fêmeas e das crias, menos aptos a escapar aos ataques interespecíficos.
Semidominância
Dominância
Sequenciação do Genoma
Ordenação precisa de cada um dos nucleótidos sucessivos das moléculas de ADN que constituem os genes de um organismo.
Seroterapia
Terapêutica que consiste na utilização de soros de animais imunizados para se combaterem doenças (como a difteria) ou para se prevenir a manifestação de outras (como o tétano). A imunidade obtida por seroterapia é imediata mas de duração relativamente curta, pelo que nalguns casos é complementada por vacinas. A serovacinação pode ser um método terapêutico eficaz.
SIDA
Abreviatura de síndroma de imunodeficiência adquirida. Fase grave e tardia da infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), caraterizada pelo aparecimento de certos tumores malignos, que surgem devido à destruição generalizada das defesas do organismo.
Siobiose
Associação biológica necessária e benéfica para as duas espécies, designadas simbiontes.
Simpátrica (especiação)
Desenvolvimento de espécies e de subespécies biológicas, a partir de uma espécie-mãe, numa mesma área de distribuição biogeográfica, sem cruzamentos recíprocos. Contr.: Alopátrica.
Sinapse
Ligação entre o fluxo nervoso proveniente do axónio de um neurónio pré-sináptico – localizado a jusante; o influxo também pode ir em direção não a uma dendrite mas a uma célula muscular (sinapse neuromuscular), que recebe assim um comando graças à junção neuromuscular.
A transmissão faz-se através de uma fenda sináptica – um pequeno espaço livre entre as células – e tem por base a variação do potencial elétrico da célula pré-sináptica. Esta produz a exocitose de neurotransmissores (como a noradrenalina e a acetilcolina) que, espalhados através da fenda, induzem uma variação elétrica de potencial na célula na célula pós-sináptica.
Além deste tipo de sinapses químicas, encontram-se sinapses entre dois axónios (axo-axonais) ou entre dendrites (sinapses dendríticas entre neurónios que não possuem axónios).
As sinapses podem ter uma ação de excitação neuronal ao transmitirem o influxo nervoso ou podem travá-lo, tendo neste caso um papel inibidor na transmissão nervosa.
Síndroma da feminização testicular
Anomalia no âmbito do desenvolvimento sexual de certos mamíferos cujo sexo cromossómico é masculino. É provocada pela anomalia de genes que determinam os receptor da hormona masculina, a testosterona, ou pela própria ausência de tais genes.
Síndroma de Klinefelter
Anomalia relacionada com mutações ao nível dos cromossomas sexuais: no lugar de dois heterocromossomas (XY), encontram-se três (XXY). Neste caso, o fenótipo é masculino, mas os testículos apresentam-se atrofiados, os seios desenvolvem-se de forma anormal (ginecomastia) e o individuo é estéril. A síndroma de Klinefelter é também acompanhada por um atraso no desenvolvimento psicológico.
Síndroma de Turner
Anomalia do desenvolvimento sexual devida à presença de um único heterocromossoma (X) em vez dos dois (XX) que determinam o sexo feminino. Na espécie humana, as pessoas afetadas pela síndroma de Turner são de estatura pequena, apresentam carateres sexuais secundários femininos pouco desenvolvidos e uma esterilidade causada pela ausência ou pela atrofia das glândulas genitais.
Síntese proteica
Processo bioquímico de síntese das proteínas.
Sintética (Teoria)
Teoria sintética da evolução.
Sistema circulatório (ou cardiovascular)
O sistema circulatório, que assegura a circulação sanguínea , é composto pelo coração – órgão central que desempenha o papel de uma bomba automática – e por uma rede de vasos de comprimentos e dimensões variáveis.
Sistema digestivo
Conjunto das estruturas e dos órgãos que, nos animais pluricelulares, asseguram a absorção e a assimilação molecular da matéria orgânica do meio exterior (seja essa matéria isolada ou constituinte dos seres vivos) para fornecer energia e substâncias elementares às suas células.
Sistema endócrino
Conjunto formado pelas diferentes glândulas de secreção endócrina.
Sistema Excretor (ou urinário)
Conjunto de órgãos que purificam o sangue dos animais de certos resíduos originados pelo metabolismo.
Sistema Imunitário
Conjunto dos órgãos implicados, direta ou indiretamente, nos processos imunitários.
Os órgãos imunitários primários (medula óssea, baço e timo) são o centro da formação, diferenciação e/ou maturação das células imunitárias. Os órgãos imunitários secundários (gânglios linfáticos, amígdalas, apêndice, etc.) são centros de concentração das células imunitárias e encruzilhadas estratégicas que permitem o encontro com os antigénios.
Sistema límbico
Centro nervoso emocional comum ao homem e aos outros mamíferos. Vigia o sistema nervoso autónomo e o eixo hipotálamo-hipófise-glândulas supra-renais, de natureza endócrina. O sistema límbico é formado por zonas corticais – a zona límbica e, em parte, a zona pré-frontal – e áreas subcorticais constituídas por diferentes núcleos, como as amígdalas.
O sistema límbico, que determina o comportamento olfativo e emocional, pode estar na origem de um stress doentio.
Sistema linfático
Conjunto formado pela rede vascular, bem constituído, dos vasos linfáticos e pelos órgãos linfáticos, onde a linfa circula.
Sistema muscular
O sistema muscular, inserido no sistema ósseo, garante a dinâmica do corpo.
Sistema nervoso central
Conjunto orgânico, formado por neurónios, que assegura o papel de coordenação seletiva das atividades e das funções do organismo, como de resposta aos estímulos do meio interno e externo.
Sistema neurovegetativo ou nervoso autónomo
Parte do sistema nervoso que assegura a regulação automática da circulação cardiovascular, da respiração pulmonar e de outros processos relacionados com o funcionamento regular das vísceras e com a atividade das glândulas. O sistema neurovegetativo permite também a manutenção da homeostasia ( a estabilidade do meio interno dos organismos).
Sistema ósseo
Conjunto dos ossos de um organismo constituintes do esqueleto. Juntamente com os músculos estriados, os ossos formam um sistema funcional complexo que assegura o movimento dos organismos.
Os diferentes elementos do esqueleto são unidos por três tipos de articulações: as diartroses, muito móveis – cuja junção se faz por intermédio de ligamentos ou de corpúsculos e através de cavidades articulares -, que se encontram na extremidade dos ossos longos (o dos braços e das pernas); as anfiartroses, cuja mobilidade é reduzida e radica nos discos de união, como acontecem com a coluna vertebral; por fim, as sinartroses (suturas), imóveis e presentes nos ossos constituintes do crânio.
Sistema parassimpático
Sistema neurovegetativo.
Sistema-porta hipotálamo-Hipófise
Conjunto formado pela hipófise e pelo hipotálamo, responsável por conexões vasculares e nervosas. Certos neurônios hipotalâmicos podem, por intermédio de neuro-hormonas, exercer um controlo sobre a ação da hipófise, o que tem repercussões ao nível de todo o sistema endócrino.
Sistema reprodutor
A totalidade dos órgãos que asseguram a reprodução das espécies animais. Na maior parte das espécies, o sistema reprodutor dos dois sexos é bem diferenciado em consequência de uma determinação cromossómica inicial.
Sistema respiratório
Respiratório (sistema).
Sistema simpático
Sistema Neurovegetativo.
Sistemática
Disciplina que se ocupa de todos os problemas científicos relativos à classificação dos seres vivos. Esta ciência da classificação enriquece-se progressivamente através do olhar da filogénese evolutiva. A sistemática dedica-se à determinação das espécies, bem como a atribuir-lhes um nome (taxonomia).
Sistema vascular
É composto por vasos que asseguram a irrigação do organismo pelo sangue. Tais vasos são de vários tipos: as artérias, que distribuem pelos tecidos o sangue proveniente do coração; os capilares, que fazem penetrar o sangue no interior dos tecidos; as veias, que levam o sangue de volta ao coração. Os vasos linfáticos drenam a linfa e enviam-na para o circuito sanguíneo. Em virtude da sua elasticidade, as paredes das artérias podem produzir uma vasodilatação ou uma vasoconstrição, regulando assim o débito sanguíneo. As artérias ramificam-se em arteríolas, que por sua vez, se propagam em capilares, cujas paredes, muito finas, permitem a difusão dos elementos nutritivos e as trocas gasosas. À saída dos capilares, o sangue entra nas vénulas, que através das veias, o conduzem até o coração. As veias possuem válvulas que devem impedir o refluxo da corrente sanguínea para a parte baixa do corpo. O mau funcionamento dessas válvulas pode provocar o aparecimento de varizes.
Sociobiologia
Disciplina científica que tem por objeto o estudo das bases biológicas do comportamento social de todos os animais, incluindo o homem. Desenvolveu-se a partir de 1975, após o aparecimento da obra do entomologista americano Edward O. Wilson intitulada Sociobiology, a New Synthesis.
Soma
Conjunto das células do organismo, com exceção das células reprodutivas (por oposição a gérmen).
Soro
Líquido que é possível separar do plasma sanguíneo. Os soros de alguns animais vacinados contra determinadas doenças infecciosas, que possuem portanto os anticorpos específicos, são utilizados em seroterapia a título preventivo ou curativo. A terapêutica recorre também aos designados anti-soros, que contêm uma quantidade importante de anticorpos específicos de um antigénio.
Splicing (processamento por...)Processo pelo qual os intrões são removidos do ARN mensageiro antes da tradução das proteínas.
SRYGene que determina o sexo masculino e se encontra no cromossoma Y.
Súber
Tecido protetor das raízes, do tronco e dos ramos mais velhos das árvores. Vulgarmente conhecido por cortiça.
Supressor tumoral ou de tumoresGene que identifica mutações potencialmente cancerígenas induzindo o suicídio das células. A sua mutação em tumores ocorre com frequência.

Táxis ou taxia
Reação espontânea de orientação ou de deslocação das células e dos organismos móveis em função de alguns estímulos físico-químicos – tropismo.
Táxone
Cada um dos níveis hierárquicos, ou unidades taxonómicas, utilizados nas classificações biológicas para reagrupar as espécies com afinidades. O filo é um táxone de nível superior à classe, a qual inclui todos os táxones subordinados (ordens, famílias, géneros, espécies).
Taxonomia
Sistemática.
Taxonomia Numérica
Fenética
Tecido muscular
Tecido contráctil composto por células alongadas segundo o eixo de contração do órgão, as fibras musculares, nas quais se encontram filamentos de actina e de miosina.
A actina é uma proteína citoplasmática de aparência filamentosa. Os filamentos de actina estão associados à miosina, uma proteína contráctil; a contração muscular resulta do deslizar de filamentos de actina e de miosina uns sobre os outros.
O tecido muscular estriado esquelético é constituído por fibras musculares que se apresentam como células gigantes providas de vários núcleos. Possuem um sarcolema (membrana que cobre a membrana plasmática) e um sarcoplasma (citoplasma), rico em glicogénio e em proteínas (mioglobina, nomeadamente), bem fornecido de mitocôndrias e cujo retículo endoplasmático tem capacidade para armazenar quantidades consideráveis de cálcio.
As estrias longitudinais e transversais destas fibras musculares devem-se à organização particular dos filamentos de actina e de miosina em estruturas chamadas miofibrilhas. Estas miofibrilhas são compostas por sarcómeros – unidades sucessivas limitadas, nas suas extremidades, por estrias. O tecido muscular liso é composto por células com um único núcleo, que formam os músculos lisos, que cobrem essencialmente, a parede das vísceras (estômago, intestinos, bexiga, etc).
O tecido muscular cardíaco é formado por fibras musculadas estriadas, reunidas por zonas de junção específicas – os chamados discos intercalares. É o tecido que constitui o músculo cardíaco – o miocárdio.
Tecidos vegetais
Conjunto das células vegetais especializadas e organizadas para desempenharem funções específicas.
As espécies vegetais possuem tecidos de suporte – colênquima, esclerênquima, tecidos de proteção – tegumentos das sementes, epidermes, súber, tecidos condutores – vasos de xilema e floema; tecidos secretores (nas plantas laticíferas), por fim, o parênquima, tecido fundamental das plantas.
Telofase
Divisão Celular.
TelómeroEstrutura de ADN repetitiva que se encontra nas extremidades dos cromossomas, protegendo-as de danos decorrentes da replicação e divisão celular.
Teoria Cromossómica
Desenvolvida por Thomas Hunt Morgan e a sua escola, a teoria cromossómica da hereditariedade é representada hoje pela genética cromossómica.
Teoria Sinergética da Evolução
Esta nova teoria da evolução fundamenta-se na verificação de que a seleção opera a todos os níveis de integração dos sistemas vivos, da molécula ao ecossistema (e muito particularmente ao nível dos sistemas vivos, da molécula ao ecossistema (e muito particularmente ao nível dos genótipos), e não apenas nos fenótipos, como o sustenta o darwinismo clássico. A seleção natural representa assim um caso particular e específico dessa seleção multipolar generalizada.
Esta pré-seleção genotípica natural é confirmada por uma série de factos científicos: em primeiro lugar, o carácter letal de algumas combinações incompatíveis de genes termina na eliminação, a montante, dos genótipos não viáveis. Existe igualmente uma seleção celular, que limita o fenómeno da poliploidia (ou seja o fenómeno da multiplicação das séries cromossomáticas).
A seleção multipolar constitui também um obstáculo às hibridações entre espécies e géneros biológicos, seja tornando impossível a fecundação, seja favorecendo a esterilidade dos descendentes, como no caso dos híbridos de burro e cavalos, por exemplo.
A teoria sinérgica da evolução, diferentemente do darwinismo clássico e da teoria sintética que dele deriva, toma em consideração o facto de a seleção se aplicar não apenas às micromutações (génicas) mas também às macromutações (mutações cromossómicas), que aliás encontram a sua fonte no mesmo tipo de causas acidentais. Assim, a teoria sinérgica permite ordenar uma concepção global e dinâmica da evolução que de forma alguma rejeita o darwinismo e a teoria sintética, mas que os completa, colocando-os num quadro explicativo mais vasto e mais adequado aos conhecimentos adquiridos pelo evolucionismo atual. Além disso, a teoria sinérgica da evolução oferece uma base teórica sólida à seleção artificial, exercida atualmente ao nível molecular, garças ao desenvolvimento das técnicas da engenharia genética.
Teoria Sintética da Evolução
Esta concepção científica retomou do darwinismo clássico e do neodarwinismo o núcleo essencial, a seleção natural, apoiando-se, nos anos 30 e 40, nas conquistas da genética (nomeadamente na genética das populações), da biogeografia e da paleontologia, às quais se juntaram mais tarde, os dados de várias outras disciplinas biológicas (embriologia evolutiva, taxonomia, ecologia, etologia comparada, etc.).
Segundo esta síntese pluridisciplinar, a evolução parte de uma base genética: as micromutações fortuitas são constantemente passadas pelo crivo da seleção natural. Depois, as pressões exercidas pela seleção natural asseguram as adaptações e a dinâmica evolutiva progressiva dos seres vivos. A genética das populações sublinha o papel importante da estrutura e da repartição das populações sublinha o papel importante da estrutura e da repartição das populações biológicas na formação de novas espécies. A escola de Morgan (nomeadamente o geneticista T. Dobzhanski), o biólogo J. Huxley, o zoólogo E. Mayr e o paleontólogo G. G. Simpson (1902-1984) contam-se entre os fundadores da teoria sintética, que sublinha o papel essencial da seleção natural, capaz de tirar e acumular num sentido adaptativo determinadas micromutações aleatórias.
Um tal modelo evolutivo parece adequado para explicar o aparecimento das novas variedades, raças e mesmo espécies aparentadas. Em contrapartida, e à semelhança do darwinismo clássico refuta as macromutações (ao nível dos cromossomas). No entanto, estas são conhecidas, pelo menos enquanto geradoras de monstruosidades ou de casos tetralógicos. O modelo sintético retira de si próprio, erradamente, os meios científicos indispensáveis para explicar a origem dos grandes grupos taxonómicos como as ordens, as classes e os filos. Esta brecha é colmatada pela teoria sinergética da evolução, que toma em consideração tanto as micro como as macromutações, triadas por uma seleção multipolar – ao nível do genótipo e do fenótipo.
Terapia génicaTécnica médica que consiste na inserção de um vírus modificado geneticamente num organismo, de modo a corrigir defeito genético causador de doença.
Teratogénico
Diz-se dos fatores físicos ou químicos que determinam malformações graves – e até monstruosidades – nos organismos vivos, designadamente no estado embrionário, ao afetar a mãe na gravidez. Algumas grandes catástrofes, como a da central nuclear de Chernobyl (pelas radiações) ou as de Seveso ou de Amoco Cadiz (por substâncias químicas nocivas), são fontes teratogénicas perigosas para a biosfera.
Teratologia
Parte da biologia consagrada ao estudo das malformações, suas causas e tratamentos.
Testículo
Gónada (glândula sexual) masculina, na qual se desenvolve a espermatogénese. Para além da elaboração dos espermatozoides, os testículos têm uma função endócrina e produzem testosterona.
Testosterona
Hormona sexual masculina, produzida pelo tecido intersticial dos testículos dos vertebrados, que controla o desenvolvimento da espermatogénese e das características sexuais secundárias dos machos.
Timo
Órgão linfático e glandular situado ao nível do esterno abaixo do pescoço. Muito desenvolvido entre os indivíduos jovens (moleja de vitela, por exemplo) diminui na puberdade e na idade adulta, subsistindo apenas como vestígio, sob a forma de nódulos linfáticos lobulares.
Tiroide
Glândula endócrina localizada na parte anterior do pescoço. É formada por dois lóbulos laterais unidos por uma espécie de istmo, o que lhe confere a aparência de um H. A glândula tiroide segrega duas hormonas essenciais: a calcitonina e a tiroxina, indispensáveis para o crescimento e o desenvolvimento nos vertebrados.
Tórax
Caixa óssea dos vertebrados tetrápodes (anfíbios, répteis, aves e mamíferos) que contêm e protege os pulmões e o coração. O tórax é delimitado pelas costelas, que na região dorsal são articuladas na coluna vertebral e que na região ventral estão livres ao esterno.
Toxina
Todas as substâncias de natureza proteica com uma ação nocivas e desencadeadoras de antitoxinas nos organismos afetados.
As toxinas podem ser produzidas por microrganismos como as bactérias, pelas plantas, como o ricínio, ou pelos animais.
Tradução
Fase da síntese proteica que se segue à transcrição e que corresponde à conversão das informações do ARN mensageiro numa sequência específica de aminoácidos, o que tem como resultado a formação de proteínas. Ocorre nos ribossomas.
Transcrição
Transmissão da informação hereditária das sequências características de ADN para as cadeias de moléculas de ARN – quer se trate de ARNm (mensageiro), de ARN (ribossómico) ou de ARNt (de transferência) – ou para o ARN viral. A transcrição é a fase inicial da transmissão hereditária a que se segue a tradução, ou seja, a passagem da mensagem hereditária do ARN para os aminoácidos que formam as proteínas – síntese proteica.
Transcriptase inversa
Enzima que permite a um vírus que possui apenas ARN transcrevê-lo para ADN viral, de uma só cadeia que de imediato se associa para formar ADN de cadeia dupla, que se pode então inserir no ADN de uma célula infectada.
Transdução
Transferência de fragmentos de ADN entre vários genomas, por intermédio de vírus bacteriano (bacteriófago ou fago).Por exemplo no mundo das bactérias, os vírus libertados depois da infeção de uma bactéria possuem o seu próprio ADN viral, mas também pedaços de ADN retirados à bactéria atacada. Esses vírus podem infetar outras células bacterianas e, nesse caso, introduzem também os fragmentos de ADN retirados anteriormente – Parrassexualidade.
Transfecção
Operação de manipulação genética que consiste em introduzir nas células cultivadas in vitro moléculas de ADN estranho, recorrendo para isso a vectores como os fagos ou os plasmídeos.
O material hereditário assim introduzido no genoma das células multiplica-se com o ADN original da célula de acolhimento. Técnica usada em experiências de clonagem de ADN recombinante.
Tranferência nuclear da célula somática (TNCS)Técnica de clonagem através da qual se faz a transferência do núcleo de uma célula somática para um óvulo cujo núcleo foi removido.
Transformação bacteriana
Parassexualidade.
Transformismo
Designação antiga referente ao evolucionismo anterior a Darwin e, sobretudo, anterior ao neodarwinismo. Para alguns historiadores das ciências, o transformismo representa uma concepção da evolução baseada em transformações lentas sob a influência de uma pressão adaptativa permanente sobre os organismos e em que cada modificação por eles adquirida é transmitida à sua descendência.
Transgénese ou terapia genética
Operação que consiste em transferir material hereditário – ADN dos genes ou dos cromossomas – para as células sexuais ou somáticas dos vegetais ou dos animais. Os objetivos da transgénese – sem levar em conta o seu interesse científico excecional – são sobretudo a cura de doenças genéticas e a obtenção de indivíduos transgénicos com novas qualidades. Esta transferência de material genético pode ser intra ou interespecífica. Algumas investigações tentam, por exemplo, transferir genes da espécie humana para ratos e porcos, para facilitar um eventual transplante interespecífico de órgãos e a produção de substâncias úteis. A transgénese pode também constituir uma nova via não apenas para a transferência do material hereditário de um indivíduo para outro ou de uma espécie para a outra, mas para introduzir genes e cromossomas de síntese no genoma dos seres vivos, inscrevendo assim um novo capítulo na seleção multipolar artificial no quadro de teoria sinérgica da evolução.
Translocação
Transferência de um ou de vários segmentos de cromossomas para uma parte diferente de um cromossoma homólogo ou para um heterólogo, o que conduz a uma modificação do genoma.
Transplante
Transplante dos tecidos e dos órgãos – Enxerto
Transplante nuclear
Método microcelular que consiste em injetar um núcleo no citoplasma de uma célula previamente anucleada. Este método permite o estudo das relações celulares entre núcleo e citoplasma.
Transposão
Fragmento de ADN móvel que se pode multiplicar e deslocar de um sítio do genoma para outros.
Trissomia
Anomalia cromossómica devida à presença de um cromossoma a mais num par normalmente diploide (2n+1 = trissomia). O caso mais frequente é a trissomia 21, responsável pelo mongolismo. – Aneuploidia.
Trófica (cadeia).
– Cadeia alimentar, rede trófica
Tropismo
Reação e orientação ou do crescimento de um determinado organismo relativamente a um estímulo exterior – Taxia.
Tubos crivosos ou elementos dos tubos crivosos
Tecido do floema, formado por uma sucessão de células vivas sem núcleo cujas paredes transversais apresentam perfurações por onde passam os plasmodesmos numa zona designada por placa crivosa.
Turgescência
Força exercida pelo conteúdo celular sobre a parede quando se verifica a entrada de água. Nas células vegetais, constitui um fenómeno contrário à plasmólise: graças à osmose, a água penetra na célula e enche os vacúolos do citoplasma, conferindo à parede celular externa um aspeto convexo.
No mundo animal encontram-se tecidos que se tornam turgescentes através da retenção de sangue.

Ubiquista
Diz-se de uma espécie biológica que pode viver em todo o tipo de biótopos.
O exemplo mais conhecido é representado pela mosca-doméstica, que dá provas de uma rara capacidade de adaptação a condições bastantes variáveis do meio exterior. Este exemplo eloquente mostra – no caso de ser necessário fazê-lo – que a adaptação não é, de forma alguma, sinónimo de evolução.
A espécie humana pareça ser “pseudoubiquista”. Embora o homem se tenha expandido por toda a biosfera, isso deve-se tanto à capacidade de modificar o ambiente e de criar artificialmente os meios que lhe permitem sobreviver como a uma verdadeira capacidade de adaptação ubiquista.
Útero
Órgão feminino dos mamíferos localizado entre a vagina e os ovários e que assegura a gestação.

Vacina
Substância específica que, introduzindo no meio interno de um individuo que nunca esteve em contato com determinados elementos patogénicos, desencadeia nele, graças produção de anticorpos, uma reação imunitária duradoura semelhante à que se obtém após um encontro natural com tais agentes.
As vacinas são de vários tipos: as vacinas antitóxicas (antitetânica ou antidiftérica, por exemplo), cuja base é formada por toxinas atenuadas pelo calor ou pelo formol; as vacinas compostas por microrganismos mortos ou inativados, como é o caso das vacinas contra a raiva ou a cólera, de suspensões de vírus que foram mortos ou de bactérias sem vida.
A vacina tem, portanto, uma ação preventiva duradoura, mas não instantânea, como acontece com os soros, cuja ação, em contrapartida, desaparece com o tempo. A descoberta histórica da primeira vacina fica a dever-se a Jenner, um médico inglês que observara, no final do século XVIII, que um individuo afetado pela doença da vaca – a vacina – escapava à varíola. Mais tarde foi a vez da vacina anti raiva, de Pasteur, entrar nos anais da medicina.
Vacinação
Introdução de uma vacina no meio interno de um organismo por um de vários métodos por via oral, como a vacina da poliomielite, por escarificação com um aparo especial, como no caso do teste contra a tuberculose, ou mais frequentemente, através de uma injeção.
Vacúolo
Compartimento no interior do citoplasma. Os vacúolos, cujo conjunto forma o aparelho vacuolar, possuem membranas que separam o seu espaço interior do resto da célula (tonoplasto).
Os vacúolos de condensação representam, nalgumas células do pâncreas, vesículas de secreção.
Nas células dos vegetais, o vacúolo central desempenha característico. Ele pode conter uma solução líquida onde se encontram glícidos, lípidos e prótidos, iões e pigmentos. Este vacúolo central assegura a homeostasia, regulando a turgescência da célula, e possui mecanismos de bombeamento através da sua membrana.
Outros vacúolos podem armazenar substâncias nutritivas de reserva, como acontece nos cotilódones das sementes, ou, por vezes, substâncias tóxicas, como o ópio das papoilas ou o látex das eufórbias.
No mundo animal, os vacúolos de algumas espécies de protozoários de água doce – como as amibas e as paramécias – são pulsáteis ou contrácteis, pelo que conseguem rejeitar o excesso de água do citoplasma. Nos protozoários que se alimentam por fagocitose, os vacúolos digestivos encontram a sua origem na invaginação da membrana plasmática da célula, que rodeia a presa; após a digestão, os vacúolos abrem-se para o meio exterior e lançam as suas dejeções.
Variação do número de cópiasDuplicação ou eliminação de sequência de ADN que podem diferir de indivíduo para indivíduo.
Vegetal
No sentido descendente da árvore da evolução, é por vezes difícil distinguir um ser vegetal de um se de outro reino. Por exemplo, entre os protistas encontramos organismos com caraterísticas do tipo vegetal e outros com caraterísticas típicas do reino animal.
Quanto aos procariotas mais primitivos, as cianobactérias e as bactérias, as primeiras possuem a capacidade de fotossíntese ao passo que nas segundas se encontram algumas espéssies fotossintéticas e outras quimiossintéticas.
Os organismos verdadeiramente representativos do mundo vegetal são autotróficos: possuem células dotadas de organitos especializados na fotossíntese, os cloroplastos. O metabolismo desses vegetais permite, graças à assimilação da clorofiliana, a utilização da energia solar, assegurando assim a maior parte das substâncias orgânicas primordiais da biosfera e fornecendo também a maior parte do oxigénio da atmosfera. Ao produzirem substâncias orgânicas primárias, as plantas são a base indispensável para a existência, a adaptação e a evolução do mundo animal, incluindo a da espécie humana.
Vernalização
Processo em que se colocam a baixa temperatura plantas jovens de algumas espécies cultivadas, para induzir uma aceleração das diferentes etapas da sua maturação e assim encurtar o intervalo de tempo entre a sementeira e a floração.
Vírus
Microrganismo muito pequeno incapaz de ter uma vida autónoma por não ter um metabolismo próprio. Parasita das células, de bactérias, de células vegetais ou animais, é inapto para se reproduzir noutro meio que não seja o das células de acolhimento.
Visão
Capacidade que as espécies animais possuem para criarem representações visuais do meio envolvente através de órgãos que se especializaram ao longo do processo evolutivo.
Vitamina
Substâncias indispensáveis ao equilíbrio e mesmo à sobrevivência dos organismos, as vitaminas desempenham um papel essencial no metabolismo dos animais superiores, designadamente na espécie humana.
O papel insubstituível das pequenas quantidades de vitaminas – nomeadamente no organismo humano – foi tornado claro pela observação das avitaminoses, doenças provocadas por carências e de que o escorbuto é uma das mais conhecidas. O excesso de vitaminas – a hipervitaminose – pode igualmente revelar-se perigoso.
Os alimentos cozinhados não possuem vitaminas, pois o calor a que são submetidos provoca a sua destruição. Em contrapartida, as vitaminas podem ser produzidas pelas bactérias que parasitam os intestinos dos animais. Estes últimos – incluindo o homem – podem então utilizá-las para cobrir as suas necessidades orgânicas.
As vitaminas podem ser hidrossolúveis (solúveis em água) ou lipossolúveis (solúveis em solventes orgânicos como o éter e o benzeno). Entre as vitaminas hidrossolúveis distinguem-se os seguintes grupos: B, C, H, P; as vitaminas B e C  são as mais conhecidas pelos seus efeitos no organismo humano.
Assim, a carência de vitamina B1 provoca o beribéri, que gera perturbações nervosas graves. Uma carência em vitamina B2 – de que o leite é a principal fonte natural – produz afeções de pele e perturbações na composição do sangue. A carência de vitamina B6 leva a uma disfunção no metabolismo dos aminoácidos. Por fim, a vitamina B12 é indispensável no tratamento das anemias perniciosas provocadas por anomalias dos glóbulos vermelhos.
A vitamina C, conhecida como vitamina antiescorbútica, pode ser sintetizada por alguns animais (gato, rato) mas não por outros (homens, macacos, cobaias). A carência de vitamina C manifesta-se pelo descarnamento dos dentes, hemorragias gengivais e doenças articulares. Uma falta prolongada desta vitamina pode levar à morte por escorbuto, como aconteceu, no passado, com as tripulações dos navios que passavam muito tempo sem consumir alimentos com este oligoelemento antiescorbútico. A vitamina C encontra-se em frutos como as laranjas e os limões – e daí, sem dúvida, o hábito de levar laranjas aos presos. Tem a vantagem de não produzir hipervitaminose, pois o organismo é capaz de eliminar um eventual excesso dessa vitamina.
Entre as vitaminas lipossolúveis podemos referir a A, D, E, K, F. a vitamina A pode ser sintetizada pelo organismo humano a partir do pigmento das cenouras que representa a provitamina A (o caroteno). A falta desta vitamina manifesta-se em perturbações do crescimento e no obscurecimento da visão em condições de pouca iluminação. Uma carência em vitamina D (elaborada na pele através da ação de doses moderadas dos raios solares ultravioleta) produz o raquitismo, doença devida a um amolecimento ósseo. Por seu lado, a vitamina E (tocoferol) assegura o normal desenvolvimento da espermatogénese e encontra-se nas alfaces e, sobretudo, nos germes de trigo, de milho e de soja. A ausência de vitamina K provoca perturbações na coagulação do sangue; esta vitamina pode encontrar-se nas comuns saladas de couve crua.
Viviparidade
Modo de reprodução animal que consiste num desenvolvimento completo do embrião no interior de uma cavidade natural do organismo materno, que termina com o nascimento de crias completamente formadas.
Vivíparo
Qualifica as espécies animais cuja reprodução se carateriza pela viviparidade.
Vulva
Conjunto constituído pelas partes externas do aparelho genital feminino dos mamíferos.

Xenogamia
Alogamia
Xenotransplante
Transplante em que o dador e o recetor pertencem a espécies biológicas diferentes. As tentativas de transplantes de coração de babuíno ou de porco no ser humano são xenotransplantes.
Xerófila
Qualifica uma espécie vegetal capaz de se adaptar a regiões áridas ou mesmo desérticas, como é o caso de alguns catos.
Xerófito
Planta capaz de suportar uma enorme secura da terra e da atmosfera ambiente.
Xilema
Tecido das plantas superiores, constituído por um parênquima atravessado por vasos lenhosos ou traqueídos que asseguram a circulação da seiva bruta (ascendente). É designado vulgarmente por madeira.

Zigoto
Designa o óvulo fecundado – no mundo vegetal e animal – cujo genoma, diploide, contém o conjunto das virtualidades hereditárias dos genitores.
Zoogoria
Disseminação de sementes ou frutos por intermédio de vetores animais. É o que acontece, por exemplo, quando algumas aves engolem determinados frutos e rejeitam as sementes resistentes à digestão.
Zoologia
Ramo da biologia consagrado ao estudo das espécies, designadamente à sua classificação sistemática.
Zooplâncton
Plâncton.




Fontes:
Dicionário Temático Larousse - Biologia, Denis Buican, Temas e Debates e Larousse, 2007
50 ideias de genética que precisa mesmo de saber, Mark Henderson, D. Quixote, Agosto 2011

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...