13/11/2015

Extinção Ordoviciano-Siluriana


O evento de extinção Ordoviciano-Siluriano, a extinção Ordoviciana, foi a segunda maior das cinco grandes extinções em massa na história da Terra em termos de percentagem de extinção de genera assim como também a segunda maior em termos de perdas de vida. No período entre 450 e 440 milhões de anos atrás, parece terem-se dados dois pulsos de extinção separados por um milhão de anos entre si. Tratou-se da segunda maior extinção da vida marinha, só abaixo do evento de extinção Permiano-Triássico. Na altura, toda a vida conhecida estava confinada aos mares e oceanos. Mais de 60% dos invertebrados marinhos morreram, incluindo dois terços das famílias dos braquiópodes e briozoários. Os braquipodes, os bivalves, os equinodermes, briozoários e corais foram afectados particularmente. A causa imediata da extinção parece ter sido o movimento de Gondwana para a região polar sul. Este acontecimento levou a um arrefecimento global, glaciação e consequente descida dos níveis dos mares. Encontraram-se provas da glaciação nos depósitos do Deserto do Saara. Uma combinação da descida dos níveis do mar e glaciação são razões possíveis para a extinção em massa do Ordoviciano.

A extinção

A extinção deu-se há 443,4 milhões de anos atrás, durante a diversificação mais significativa na história da Terra. Marca a fronteira entre o Ordoviciano e o período Siluriano que lhe seguiu. Durante este evento de extinção houveram várias mudanças pronunciadas nos isótopos biologicamente sensíveis do oxigénio e oxigénio. Esta complexidade pode indicar diversos eventos espaçados entre si mas relacionados, ou fases particulares de um único evento.
Na altura, os organismos multicelulares mais complexos viviam no mar, e cerca de 100 famílias marinhas ficaram extintas, cobrindo cerca de 49% da genera de fauna (uma estimatima mais fidedigna do que as espécies).
As famílias dos braquiopódes e os briozoários, juntamente com muitas das trilobites, conodontes e graptólitos foram dizimadas.
As análises estatísticas das perdas marinhas da altura sugerem que a diminuição na diversidade foi causada principalmente por um forte aumento nas extinções, do que devido a uma diminuição na especiação.


Possíveis causas

Estas extinções encontram-se actualmente sob intenso estudo. Os pulsos parecem corresponder ao início e ao fim da idade do gelo mais grave do Fanerezóico, que marcou o fim de uma tendência de arrefecimento na fase da fauna Hirnantiana até ao fim do Ordoviciano, que tinha experimentado as condições dos efeitos de estufa típicas.
A glaciação do final do Ordoviciano foi precedida por uma queda dos níveis do dióxido de carbono na atmosfera  (de  7000 ppm para 4400 ppm). A queda está relacionada com uma explosão da actividade vulcânica que depositou novas rochas de silicatos, que retiraram o CO2 do ar à medida que erodiam.
Como o supercontinente do sul, Gondwana, se deslocava para o Pólo Sul, formaram-se calotas de gelo no continente.
Foram detectadas estrados de calotes de rochas do Ordoviciano Superior no norte de África e na então adjacente América do Sul, que eram regiões do Pólo Sul na altura. As glaciações retêm as águas dos oceanos, e as épocas inter-glaciais libertam-na, fazendo com que os níveis do mar desçam e subam repetidamente. Os mares rasos intercontinentais do Ordoviciano diminuíram, o que fez com que muitos dos nichos ecológicos fossem eliminados, e mais tarde voltaram a recuperar, trazendo consigo muitas das populações fundadoras em estado enfraquecido, em que faltavam muitas das famílias de organismos inicialmente existentes.

Hipótese da Explosão de Raios Gama
Uma pequena minoria de cientistas tem sugerido que as extinções iniciais poderão ter sido causadas por uma explosão de raios gama originados por uma hiper-nova a 6.000 anos-luz da Terra (num braço próximo da Via Láctea). Uma explosão de dez segundos teria despojado a atmosfera da Terra de metade do seu ozono de forma quase imediata, expondo os organismos que viviam à superfície, incluindo os responsáveis pela fotossíntese planetária, a elevadas radiações ultravioletas. Embora a hipótese seja consistente com os padrões iniciais da extinção, não existem provas não ambíguas de que tenha ocorrido alguma explosão de raios gama.

Glaciação do Ordoviciano
Durante o Cambriano e durante a maior parte do Ordoviciano as massas continentais encontravam-se muito dispersas, o que favorecia uma radiação evolutiva notável: a Grande biodivirsificação ordoviciana.
No Ordoviciano Superior alguns desses blocos continentais começaram a juntar-se, o que vai fazer com que no Siluriano se forme o super-continente Gondwana, que irá derivar em direcção ao sul e no final do Ordoviciano, já se encontrará a grandes latitudes no sul. Ficará então coberto por uma camada de gelo. Esta Idade do Gelo que durante muito tempo se julgou ter sido relativamente breve, e limitada à época Hirnantiana, que termina o Ordoviciano, na realidade durou muito mais tempo, e de forma gradual, desde o Kantiano (de 453 a 445 milhões de anos atrás). Culminou no Hirnantiano (há cerca de 445 e 443 milhões de anos).


Consequências

As consequências desta glaciação foram várias:
  • a consequência maior deu-se no nível do mar, que levou a uma redução considerável nos ambientes das plataformas continentais e, consequentemente, nos habitats e biodiversidade marinhas.
  • Quando as bacias são geralmente isoladas umas das outras, ou pelo menos, a circulação da água dos oceanos é limitada, as águas esgotam o oxigénio o que pode levar à criação de áreas basinais anóxicas. Mas o fenómeno de anóxia mais generalizado, designado de evento anóxico oceanico (EAO), parece desenvolver-se cedo nas glaciações, quando os contrastes entre as temperaturas e salinidades entre as águas de degelo e as águas quentes das baixas latitudes levam à estratificação das águas oceânicas, responsáveis pela anóxia e da sedimentação das argilas negras em grandes áreas do globo. Estes ambientes anóxicos são quase desprovidos de vida selvagem.
  • Os teores estimados de dióxido de carbono (CO2) nos sedimentos depositados durante a Idade do Gelo do Ordoviciano são elevados, o que parece paradoxal pois os níveis elevados de CO2 são características comuns de períodos quentes da Terra, as chamadas "super feito de estufa". Mas na verdade, estes níveis elevados de CO2 são uma resposta à glaciação à alteração dos silicatos (um fenómeno que é em grande consumidor de CO2). Este aumento dos níveis de dióxido de carbono irá traduzir-se muito rapidamente no aumento das temperaturas e início do degelo.
Consequências biológicas
O impacto no mundo vivo foi considerável, principalmente em dois picos de extinção:
  • um primeiro no início da glaciação, causada pela relativamente rápida descida do nível do mar;
  • um segundo, quando no fim da glaciação os níveis do mar voltaram ao normal e a vida animal teve de se readaptar novamente.

A extinção do Ordoviciano-Siluriano levou ao desaparecimento de 27% das famílias e 57% dos géneros dos animais marinhos. É considerada a segunda maior extinção entre as cinco grandes extinções massivas do Fanerozóico, depois da do Permiano-Triássico que ocorreu 200 milhões de anos depois.

Os grupos marinhos mais afectados foram:
  • no plâncton: os quitinozários e as acritarcas
  • os graptolitos
  • as trilobites
  • os braquipodes
  • os corais tabulatos e rugosos
  • os conodontes
  • etc



Fontes

http://fr.wikipedia.org/wiki/Extinction_de_l%27Ordovicien-Silurien
http://en.wikipedia.org/wiki/Ordovician%E2%80%93Silurian_extinction_events



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...