12/11/2015

Extinção em Massa

Uma extinção em massa (também conhecido como um evento de extinção ou uma crise biótica) é uma diminuição rápida e generalizada na quantidade de vida na Terra. Estes eventos são identificados por uma mudança acentuada na diversidade e abundância da vida macroscópica. Acontece quando a taxa de extinção aumenta em relação à taxa de especiação. Porque a maior parte da diversidade e biomassa na Terra é microbiana e, logo, difícil de medir, as extinções registadas afectam o facilmente observável componente biológico complexo da biosfera, em vez da diversidade total e abundância de vida.
Mais de 98% das espécies actualmente documentadas estão extintas, mas a extinção ocorre a um ritmo desigual. Baseado no registo fóssil, a taxa de extinção de fundo na Terra é cerca de duas a cinco famílias taxonómicas de invertebrados e vertebrados marinhos a cada milhão de anos. Os fósseis marinhos são usados na sua maioria para medir as taxas de extinção devido ao seu maior registo fóssil e alcance estratégico do que dos organismos terrestres.
Desde que a vida se iniciou na Terra, várias grandes extinções em massa excederam de forma significativa o fundo da taxa de extinção. O mais recente, o evento de extinção Cretácio-Paleogéno que ocorreu há cerca de 66 milhões de anos atrás, foi uma extinção em massa em larga escala de espécies animais e plantas num curto de tempo geológico. Ao longo dos últimos 540 milhões de anos deram-se cinco eventos de maior magnitude com mais de 50% das espécies a serem aniquiladas. As extinções em massa parecem ser um fenómeno do Fanerozóico, com baixas taxas de extinção antes do surgir de organismos mais complexos.
Estima-se que tenham havido entre cinco a vinte extinções em massa de grande escala durante os 540 milhões de anos.

Grandes eventos de extinção

Num artigo de referência publicado em 1982, Jack Sepkoski e David M. Raup identificaram cinco extinções em massa. Originalmente haviam sido classificados como valores atípicos para uma tendência geral das taxas de extinção durante o Fanerozóico, mas à medida que foram incluídos testes estatisticos mais rigorosos  ao acumular de dados, os "Grande Cinco" já não podem ficar definidos de forma tão clara, mas antes começam a parecer representar os eventos maiores de um continuam relativamente suave de eventos de extinção.

  1. Extinção em massa Cretácio-Paleogéno (Cretáceo Superior, Extinção K-T ou Extinção K-Pg): ocorreu há 66 milhões de anos no intervalo de transição Cretácio Maastrichtiano - Paleogénico Daniano. O evento K-T é atualmente designado de Evento de Extinção Cretáceo-Paleogeno (ou K-Pg) em lugar de Cretácio Terciário. Extinguiram-se cerca de 17% de todas as famílias, 50% de todas as genera e 75% de todas as espécies. Nos mares reduziu a quantidade dos animais sésseis em cerca de 33%. Todos os dinossauros não aviários extinguiram-se nesta altura. O evento de fronteira foi grave com uma quantidade significativa de variabilidade incluída na taxa de extinção entre e ao longo dos clados. Os mamíferos e as aves emergiram como os vertebrados dominantes na idade da nova vida.
  2. Evento de extinção Triássico-Jurássico (Triássico Superior): Há 200 milhões de anos, na transição Triássico-Jurássico. Extinguiram-se cerca de 23% de todas as familias, 48% de todas as genera (20% de famílias marinhas e 55% de genera marinhas) e 70% a 75% de todas as espécies foram extintas. A maior parte dos arcossauros não-dinossauros. a maioria dos terapsideos e a maior parte dos grandes anfíbios foram eliminados, deixando aos dinossauros a competição terrestre. Os arcossauros não-dinossauros continuaram a dominar o ambiente aquático, enquanto que os diapsideos não-arcassaurianos continuaram a dominar os ambientes marinhos. A linhagem de grandes anfíbios Temnospondyli também sobreviveu até ao Cretácio, na Austrália.
  3. Evento de extinção Permiano-Triássico (Permiano Superior): Há 251 milhões de anos na transição Permiano-Triássica. A maior extinção em massa da Terra, matou 57% de todas as famílias, 83% de todas as genera e 90 a 9&% de todas as espécies (53% das familias marinhas, 84% da genera marinha, cerca de 96% de todas as espécies marinhas e, estima-se, que cerca de 70% das espécies terrestres, incluindo insectos). Os dados para as plantas não é tao evidente, mas houve novos taxa a tornarem-se dominantes após a extinção. A "Grande Morte" teve uma significancia evolucionária enorme: em terra, acabou com a primacia dos mamíferos-tipo-réptiles. A recuperação dos vertebrados levou 30 milhões de anos, mas os nichos vazios criaram a oportunidade para os arcossauros ascenderem. Nos mares, a percentagem de animais sésseis diminuiram de 67% para 50%. O Permiano Superior foi uma época dificil para, pelo menos, a vida marinha, mesmo antes da "Grande Morte".
  4. Extinção do Devoniano Superior: Há 375-360 milhões de anos, na transição Devoniana-Carbonífera. No final da Idade Frasniana, nas parte finais do Período Devoniano, várias séries prolongadas de extinções eliminaram cerca de 19% de todas as famílias, 50% de todos os genera e 70% de todas as espécies. Este evento de extinções durou 20 milhões de anos, e existem indícios de uma série de impulsos de extinção dentro deste período.
  5. Evento de extinção Ordoviciano-Silúrico (Ordoviciano Superior ou O-S): Há 450-440 milhões de anos na transição Ordoviciana-Silúrica. Deram-se dois eventos que extinguiram 27% das famílias, 57% de todas as genera e 60 a 70% de todas as espécies. Juntos, são classificados por muitos cientistas como o segundo maior evento de extinção na história da Terra em termos de extinção de genera.
Apesar da popularização destes cinco eventos, não existe uma linha concreta a separá-los de outros eventos de extinção; de facto, ao usar diferentes métodos para o cálculo do impacto de uma extinção pode levar a outros eventos juntamente com os cinco maiores.

Quanto mais antigo o registo fóssil, mais dificil se torna interpretá-lo. Deve-se a:
  • Os fósseis mais antigos são mais dificeis de encontrar pois geralmente encontram-se enterrados a uma profundidade considerável na rocha.
  • A datação de fósseis mais antigos é mais difícil.
  • Os leitos fósseis produtivos sofrem uma maior investigação do que os improdutivos, deixando, assim, certos períodos por pesquisar.
  • As alterações ambientais pré-históricas podem perturbar o processo de deposição.
  • A preservação dos fósseis varia em terra, mas os fósseis marinhos têm tendência a preservarem-se melhor do que os seus homólogos terrestres.
Tem-se sugerido que as aparentes variações na biodiversidade marinha pode ser um artefacto


Eventos de extinção menores


PeríodoExtinçãoDataCausa
Holoceno
Evento de Extinção do Holoceno
A decorrer
Humana.
Pleistoceno
Evento de extinção Quaternário
640.000, 74.000 e 13.000 anos atrás
Desconhecida: as possibilidades incluem mudanças climáticas e caça excessiva humana.
Plioceno
Extinção marinha da fronteira Plioceno-Pleistoceno
2 milhões de anos atrás
Supernova na associação OB Escorpião-Centauro.
Neogeno
Ruptua do Miocéno Médio
14,5 milhões de anos
Impacto do meteoro Nördinger Ries? Vulcões no Vale do Rift Africano.
Paleogeno
Eoceno-Oligoceno
33,9 milhões de anos
Vulcões? Impactos de meteoros na Baía Chesapeake e cratera Popigai?
Cretáceo
Extinção Aptiana
117 milhões de anos
Episódio vulcânico das Armadilhas Rajmahal na Bengala?

Extinção do Jurássico Superior
145,5 milhões de anos
Maciço de Tamu?
Jurássico
Viragem Toarciana
183 milhões de anos
Karoo-Ferrar?
Triássico
Evento Pluvial Carniano
232 milhões de anos
Basaltos de Inundação de Wrangellia?
Permiano
Extinção Olson
270 milhões de anos

Carbonífero 
Colapso da Floresta Tropical Carbonífera
318 milhões de anos
Mudança climática, cratera Woodleigh?

Evento de extinção Siluriano Superior
416 milhões de anos


Evento Lau
420 milhões de anos


Evento Mulde
424 milhões de anos
Descida do nível das águas a nível global?
Siluriano
Evento Ireviken
428 milhões de anos
Anoxia no fundo do oceano?

Evento Dresbachiano
502 milhões de anos

Cambriano
Evento de Extinção Botomiano Superior
517 milhões de anos


Extinção Ediacarano Superior
542 milhões de anos
Anoxia oceânica?
Pré-Cambriano
Evento da Grande Oxigenação
2400 milhões de anos
Aumento dos níveis de oxigénio na atmosfera devido ao desenvolvimento da fotossíntese.

 

Importância Evolucionária

As extinções em massa têm, por vezes, acelerado a evolução da vida na Terra. Quando o domínio de um nicho ecológico particular passa de um grupo de organismos para outro, raramente se deve ao facto de o novo grupo ser "superior", mas porque um evento de extinção eliminou o antigo grupo de organismos e abre o caminho para um novo grupo.
Por exemplo, os mammaliaformes ("quase mamíferos") e depois os mamíferos existiram durante o reinado dos dinossauros, mas não podiam competir pelos nichos dos grandes vertebrados terrestres porque os dinossauros monopolizaram-nos. A extinção em massa do  Cretáceo Superior removeu os dinossauros não aviários e tornou possível aos mamíferos expandirem-se até os nichos dos grandes vertebrados. Os dinossauros, por sua vez, haviam sido beneficiários de uma outra extinção em massa, no  Triásico Superior, que havia eliminado os rivais crurotarsi.
Outra visão é apresentada na Hipótese do Escalonamento que prediz que espécies em nichos ecológicos com mais conflitos organismo-para- organismo terá menos hipóteses de sobreviver a extinções em massa. Isto deve-se ao facto de as mesmas características que mantêm uma espécie numerosa e viável debaixo de condições bastante estáticas tornam-se um fardo quando os níveis populacionais concorrentes caem durante o evento de extinção.
Para além disso, muitos grupos que sobreviveram às extinções em massa não recuperam em número e diversidade, e muitos destes acabam por entrar num declínio a longo termo, sendo muitas vezes referidos como "Caminhada das Clades para a Morte". Assim sendo, analisar as extinções em termos de quem morre e de quem sobrevive pode não contar a história toda.
Darwin estava convencido que as interacções bióticas, como a competição por alimento ou espaço - "a luta pela sobrevivência" - tinham uma  importancia maior  na promoção da evolução do que as alterações físicas no ambiente.

Padrões na frequência

Tem-se sugerido que as extinções ocorrem periodicamente, a todos os 26 a 30 milhões de anos, ou que a diversidade oscila episodicamente a cerca de 62 milhões de anos. Existem várias propostas para a tentativa de explicação deste suposto padrão, incluindo a presença de uma hipotética estrela companheira do sol, oscilações no plano galáctico ou a passagem pela espiral da Via Láctea. No entanto, outros autores concluíram que os dados das extinções em massa marinhas não se enquadram na ideia de que os eventos de extinção sejam periódicos, ou que o ecossistema evoluiu até a um ponto  em que a extinção em massa seja inevitável. Defendeu-se que muitas das correlações propostas são falsas. Outros, por sua vez, argumentaram que existem fortes provas a apoiar a periodicidade em diversos dados, e evidencias adicionais na forma de variações periódicas coincidentes em variáveis geoquímicas não-biológicas.
Pensasse que as extinções em massa resultam quando um stress de longo prazo é agravado por um choque de curto prazo. Parece que em qualquer altura do  Fanerozoico,  as taxa individuais eram menos propícias a extinguirem-se, o que pode reflectir cadeias alimentares mais robustas assim como espécies menos propensas à extinção e outros factores como distribuição continental. No entanto, mesmo depois de contar com as amostras de propensão, parece haver uma diminuição gradual na extinção e nas taxas de criação durante o Fenorozóico. Isto pode significar que grupos com taxas maiores de rotatividade estão menos propensos a serem extinguidos por acidente; ou também pode ser ser um artefacto da taxonomia:as famílias tendem a tornarem-se mais especiosas, logo menos propensas a extinguirem-se com o tempo; e grandes grupos taxonomicos (por definição) aparecem cedo no tempo geológico.
Também foi sugerido que os oceanos têm-se tornado gradualmente mais hospitaleiros à vida ao longo dos últimos 500 milhões de anos e, logo, menos vulneráveis às extinções em massa, mas a susceptibilidade à extinção ao nível taxonómico não parece tornar as extinções em massa mais ou menos prováveis.

Causas

O debate acerca das causas para as extinções em massa ainda se encontra aberto. Na sua generalidade, grandes extinções podem resultar quando uma biosfera sobre um longo período de stress sofre um choque de curto prazo. Parece estar presente um mecanismo subjacente à correlação das extinções  e taxas de originação à diversidade. Uma diversidade elevada leva a um aumento persistente das taxas de extinção, enquanto que uma baixa diversidade leva a um aumento das taxas de originação. Estas relações ecológicas supostamente controladas provavelmente amplificam perturbações menores (impactos de asteróides, etc) de forma a produzirem os efeitos observados.

Identificando as causas de determinadas extinções em massa
Uma boa teoria para uma extinção em massa particular deveria:
  1. explicar todas as perdas, e não só focar-se em alguns grupos (como os dinossauros);
  2. explicar porque determinados grupos de organismos morreram e porque outros sobreviveram;
  3. providenciar mecanismos que sejam suficientemente fortes para causar uma extinção em massa, mas não uma extinção total;
  4. basear-se em eventos ou processos que podem ser mostrados como tendo acontecido, e não apenas deduzidos a partir da extinção.
Pode ser útil considerarem-se combinações de causas. Por exemplo, o aspecto marinho da extinção do Cretácio Superior parece ter sido causada por diversos processos que se sobrepuseram parcialmente com o tempo e que podem ter tido diferentes níveis de significado em diferentes partes do planeta.
Arens e West (2006) propuseram um modelo de "pressão/pulso) no qual as extinções em massa geralmente necessitam de dois tipos de causas: pressão e longo termo no ecossistema ("pressão") e uma catástrofe súbita ("pulso") no final do período de pressão. A análise estatística das taxas de extinções em massa ao longo do Fenorozóico sugeriram que nem a pressão a longo termo nem a catástrofe sozinhas eram suficientes de causar  um aumento significativo na taxa de extinção.

As explicações com mais aceitação
Macleod (2001) resumiu a relação entre as extinções em massa e os eventos que são citados com maior frequência como causas das extinções, usando dados de Courtillot et al. (1996), Hallam (1992)e Grieve et al. (1996).
  • Eventos de cheias de basalto: onze ocorrências, todas associadas a extinções significativas. (No entanto, Wignall (2001) concluiu que apenas cinco das maiores extinções coincidiram com erupções de cheias de basalto e que a fase principal das extinções havia começado antes das erupções).
  • Queda do níveis do mar: doze, das quais sete estiveram associadas a extinções com significância.
  • Impactos de asteróides: uma grande impacto associado a uma extinção em massa (tem havido outros impactos semelhantes de menores dimensões, mas não estão associados a extinções de significância).

Eventos de cheias de basalto
Formação de grandes províncias ígneas por eventos de cheias de basalto, que poderão ter:
  • produzido pós e partículas aerossóis que inibiram a fotossíntese, causando assim um colapso nas cadeias alimentares, tanto em terra quanto em mar.
  • emitiram óxidos de enxofre que se precipitaram como chuva ácida e envenenaram muitos organismos, contribuindo ainda mais para o colapso das cadeias alimentares.
  • Emitiram dióxido de carbono e, possivelmente, causando um aquecimento global prolongado assim que o pós e as partículas aerossóis se tenham dissipado.
As cheias de basalto ocorrem como pulsos de actividade marcados por períodos dormentes. Como resultado, são capazes de provocar oscilações climáticas entre o frio e o quente, mas com uma tendência para o aquecimento uma vez que o dióxido de carbono que emitem pode ficar na atmosfera por centenas de anos.
Especula-se que vulcanismo massivo causou, ou contribuiu, para as extinções do Permiano Superior, Triássico Superior e Cretácio Superior. A correlação entre os eventos vulcânicos gigantescos expressos nas grandes províncias ígneas e extinções em massa, foi mostrado nos últimos 260 milhões de anos, sendo que, esta possível correlação foi estendida recentemente para o Éon Fanerozóico.

Descida do nível do mar
Marcadas muitas vezes de forma clara por sequências mundiais de sedimentos contemporâneos, que mostram toda ou parte de uma transição do fundo do mar, a zona das marés da praia para a terra seca - e onde não existe nenhuma evidência de que as rochas nas áreas relevantes tenham sido levantadas por processos geológicos como orogenia. A descida do nível do mar poderia reduzir a zona da plataforma continental (a parte mais produtiva dos oceanos) suficientemente para causar uma extinção em massa marinha, e poderia perturbar os padrões climáticos o bastante para causar extinções em terra. Mas as quedas do nível do mar são, muito provavelmente, o resultado de outros eventos, tais como o arrefecimento global prolongado ou o afundamento das cadeias meso-oceânicas.
Estão associadas descidas do nível do mar à maioria das extinções em massa, incluindo as Grande Cinco, mencionadas acima.
Um estudo publicado pela revista Nature (online, 15 de Junho de 2008) estabeleceu a relação entre a velocidade da extinção em massa e mudanças no nível do mar e sedimentos. O estudo sugere que mudanças em ambientes oceânicos relacionados com o nível do mar, exercem uma influencia sobre a condução das taxas de extinção, e, geralmente, determinam a composição da vida nos oceanos.

Eventos de impacto
O impacto de um asteróide ou cometa suficientemente grandes poderia ter causado o colapso das cadeias alimentares, tanto em terra como em  mar, produzindo poeira e partículas aerossóis e, assim, inibir a fotossíntese. Impactos sobre rochas ricas em enxofre podem ter emitido óxidos de enxofre, provocando a queda de chuva ácida venenosa, o que contribuiria ainda mais para o colapso das cadeias alimentares. Estes impacto podem ter causado, igualmente, megatsunamis e/ou incêndios florestais.
A maior parte dos paleontólogos concorda actualmente que um asteróide terá atingido a Terra há 66 milhões de anos, mas não existe concordância se o impacto terá sido causa única para o evento de extinção Cretáceo-Paleogéno. Existem evidências de que houve um intervalo de cerca de 300 km do impacto para a extinção em massa. Em 1997, o paleontólogo Sankar Chatterjee chamou a atenção para a proposta, muito mais larga, de 600 km da cratera Shiva e a possibilidade de um cenário de múltiplos impactos. A hipótese de Shiva propõe que as perturbações gravitacionais periódicas fazem com que cometas da nuvem de Oort bombardem a Terra a cada 26 a 30 milhões de anos.
Em 2007 foi apresentada a hipótese de que o impacto que matou os dinossauros há 66 milhões de anos pertencia à família de asteróides Baptistina. Têm-se levantado preocupações sobre a ligação, principalmente por causa da ausência de dados observacionais e de facto, descobriu-se que a Baptistina 298 não partilha a mesma assinatura química que a fonte do impacto K-Pg (Chicxulub). No entanto, apesar de esta descoberta tornar mais difícil a ligação entre o impacto K-T, não a exclui. 
Em 2010 ofereceu-se outra hipótese que implicava o recém descoberto asteróide P/2010 A2, um membro da família de asteróides Flora, e um possível remanescente do impacto K-Pg.

Impactos de asteróides nos oceanos
O dióxido de carbono (CO2) é solúvel na água do mar, estando presente em grandes quantidades, sob a forma, principalmente, do radical bicabornato (-HCO3), que só é estável a temperaturas abaixo dos 50ºC. E de facto, as temperaturas da superfície do mar são, geralmente, inferiores a esta temperatura, mas podem excedê-la com facilidade quando um asteróide atinge o oceano, induzindo um choque térmico. Nestas circunstancias, libertam-se grandes quantidades de CO2 do oceano, que rapidamente se espalham pela atmosfera em concentrações suficientes para sufocar a fauna, selectivamente a baixas altitudes.
Este tipo de impactos não deixam sinais evidentes, mas têm o potencial de serem muito mais devastadores para a vida na terra, do que os impactos que se dão em impactos terrestres.

Arrefecimento global prolongado
 Um arrefecimento global prolongado poderia matar muitas espécies polares e temperadas e forçar outras a migrar em direcção ao equador, reduzindo a área disponível para as espécies tropicais. Este tipo de evento faz, frequentemente, com que o clima da Terra se torne mais árido, principalmente por encerrar a água do planeta como gelo e neve. Acredita-se que os ciclos de glaciação da actual idade do gelo tenham um impacto muito leve na biodiversidade, por isso, a mera existência de um arrefecimento significativo não é o suficiente, por si só, para explicar extinções em massa.
Tem sido sugerido que o arrefecimento global tenha causado ou contribuído para  as extinções do Ordoviciano Superior, Permiano-Triássico, Neodevoniano e possivelmente outras.

Aquecimento global prolongado
Este tipo de acontecimento tem o efeito oposto ao anterior, aumentando a área disponível para as espécies tropicais, matando as espécies naturais temperadas ou forçá-las a migrar para os pólos e, causar, possivelmente, a extinção das espécies polares. Torna o clima da Terra muito mais húmido, devido, principalmente pela fusão do gelo e da neve, aumentando, assim, o volume do ciclo da água. Também pode provocar eventos de anoxia nos oceanos.
A extinção em massa tendo como causa o aquecimento global está reconhecido por vários estudos actuais.
O exemplo mais dramático do aquecimento prolongado é o Termal Máximo Paleoceno-Eoceno, que foi associado a uma das extinções em massa menores. Também tem sido sugerido ser a causa para a extinção do Triássico-Jurássico, durante a qual 20% de todas as famílias marinhas foram extintas.
Também foi sugerido que a extinção do Permiano-Triássico tenha sido devido a um aquecimento global.
Actualmente, o aquecimento global causado pelo Homem está a contribuir para as correntes extinções.

Hipótese Arma Clatrato
Os clatratos são compostos em que uma rede de uma substância forma uma gaiola em torno de outra. Os clatratos de metano (em que as moléculas de água são a gaiola) forma-se em plataformas continentais. Estes clatratos são propensos a quebrarem-se rapidamente e libertarem o metano se houver uma rápida subida da temperatura, ou se a pressão sobre ele cair também rapidamente. Por exemplo, em resposta ao aquecimento global repentino, ou a uma queda repentina do nível do mar, ou mesmo terramotos. O metano é um gás de efeito de estufa muito mais forte do que o dióxido de carbono, de modo que uma libertação de metano ("arma clatrato") pode causar um súbito aquecimento global ou torná-lo mais grave.
Tem-se sugerido que as libertações da "arma clatrato" de metano estiveram envolvidas na extinção na extinção do Permiano Superior ("a Grande Morte") e no Termal Máximo Paleoceno-Eoceno, que foi associado a uma das extinções em massa menores.

Eventos Anóxicos
Os eventos anóxicos são situações em que o meio e até mesmo as camadas superiores do oceano se tornam deficientes ou com falta total de oxigénio. As suas causas são complexas e controversas, mas todos os casos conhecidos estão associados com o aquecimento global grave e prolongado, causado principalmente por um vulcanismo forte e prolongado.
Tem-se sugerido que os eventos anóxicos causaram ou contribuíram para as extinções dos Ordoviciano-Siluriano, Devoniano Superior, Permiano-Triassico e Triássico-Jurássico, assim como de uma série de extinções menores (como os eventos de Ireviken, Mulde, Lau, Toarciano e Cenomaniano-Turoniano). Por outro lado existem extensas camadas de xisto preto do Cretácio Médio que indicam eventos anóxicos mas não estão associados a extinções em massa.

Emissão de sulfeto de hidrogénio a partir dos mares
Kump, Pavlov e Arthur (2005) propuseram que, durante o evento de extinção do Permiano-Triássico o aquecimento global também perturbou o equilíbrio oceânico entre o plâncton fotossintético e as bactérias redutoras de sulfato em águas profundas, fazendo com que as emissões massivas de sulfureto de hidrogénio que envenenou tanto em terra quanto em mar, e enfraqueceu severamente a camada de ozónio, expondo grande parte da vida a níveis fatais de radiação UV.

Reviravolta Oceânica
Este tipo de evento é uma perturbação da circulação termo-halina que permite que a água da superfície (que é mais salina do que as águas profundas, devido à evaporação) afunde, trazendo águas anóxicas profundas para a superfície e, logo, matando a maioria dos organismos que respiram oxigénio que habitam a superfície e a profundidade média. Tanto se pode dar no início quanto no final de uma glaciação, embora uma reviravolta no início de uma glaciação seja mais perigosa porque o período de aquecimento anterior terá criado um volume maior de água anóxica.
Contrariamente a outras catástrofes oceânicas, como as regressões (o nível do mar cai) e eventos de anóxia, as reviravoltas não deixam uma assinatura facilmente identificável nas rochas e são consequências teóricas de conclusões dos pesquisadores sobre outreos eventos climáticos e marinhos.
Tem sido sugerido que a reviravolta oceânica tenha causado ou contribuído para as extinções do Devoniano e Permiano-Triássico.

A nova próxima, supernova ou explosão de raios gama
Uma explosão de raios gama próxima (a cerca de 6.000 anos luz de distância) seria forte o suficiente para destruir a camada de ozono da Terra, deixando os organismos vulneráveis à radiação ultravioleta do sol. As explosões gama são bastante raras, ocorrendo apenas algumas vezes numa determinada galáxia por um milhão de anos. Foi sugerido que uma supernova ou raios gama terá causado a extinção do Ordoviciano Superior.

Placas tectónicas
As configurações finais dos movimentos das placas tectónicas podem causar, ou contribuir, para a extinção de várias maneiras: por iniciar ou acabar com idades do gelo; por alterar as correntes oceânicas e dos ventos e, logo, alterando o clima; por abrir rotas marítimas ou pontes de terra que expõem espécies anteriormente isoladas à competição para a qual estão mal adaptadas. Ocasionalmente a deriva continental cria um super continente que inclui a maioria da área terrestre da Terra que, para além dos efeitos já mencionados anteriormente, pode reduzir a área total da plataforma continental e produzir um interior continental vasto e árido que pode apresentar variações sazonais extremas.
Existe uma teoria de que a criação do super-continente Pangea contribuiu para a extinção em massa do Permiano Superior. A Pangeia formou-se quase totalmente durante a transição do Permiano Médio para o Permiano Superior, e a diversidade do género Marinha mostrou um nível de extinção a partir dessa altura que poderia ter sido incluída nos Cinco Grandes, se não tivesse sido ofuscada pela Grande Morte no final do Permiano.


Outras hipóteses
Foram propostas muitas outras hipóteses, como a disseminação de uma nova doença, ou simplesmente o ficar fora da competição após uma inovação biológica especializada de sucesso. Mas têm sido rejeitadas, geralmente por uma das razões seguintes: requerem eventos ou processos para os quais não existe nenhuma evidência; assumem mecanismos que são contrários aos dados disponíveis; são baseadas noutras teorias já rejeitadas.
Os eventos supervulcânicos podem ter sido igualmente causas de extinções em massa. Embora nenhum dos eventos de extinção no passado da Terra ter sido causada por qualquer erupção supervulcânica, a super-erupção Toba pode ter reduzido os primeiros seres humanos até alguns milhares de indivíduos.
Os cientistas estão preocupados que as actividades humanas possam levar mais plantas e animais à extinção do que em qualquer momento no passado. Junto com as mudanças climáticas feitas pelo homem, algumas extinções podem (e já foram) causadas por excesso de caça, pesca predatória, espécies invasoras, ou a perda de habitat.
O futuro aquecimento e expansão do Sol, combinado com a eventual diminuição do dióxido de carbono atmosférico podia causar de facto uma extinção ainda maior, com o potencial de matar mesmo os micróbios.

Efeitos e Recuperação
O impacto dos eventos de extinção em massa variam muito. Depois de um grande evento de extinçãoo, geralmente as únicas espécies a sobreviver são as invasoras, devido à sua capacidade de sobreviverem em diferentes habitats. Mais tarde, as espécies diversificam-se e ocupam os nichos vazios. Geralmente leva entre 5 a 10 milhões de anos para a recuperação da biodiversidade. Nos casos mais graves pode mesmo levar 15 a 30 milhões de anos.
O pior caso, a extinção Permiano-Triássico, estima-se que tenha devastado mais de 90% das espécies. Esta parece ter-se recuperado na terra. Esta parece ter-se recuperado de forma rápida, mas foi principalmente sob a forma de taxa desastrosas, como o resistente Lystrosaurus.
Pesquisas recentes indicam que os animais especializados que formam ecossistemas complexos, com biodiversidade elevada, teias alimentares complexas e nichos variados, levou muito mais tempo a recuperar. Pensa-se que este tempo de recuperação deveu-se às sucessivas ondas de extinção que inibiram a recuperação, bem como a pressão ambiental prolongada aos organismos que continuou no início do Triássico. Os dados também indicam que a recuperação só começou no início do Triássico Médio, 4 a 6 milhões de anos após a extinção, e alguns estudiosos estimam que a reuperação só ficou completa 30 milhões de anos após a extinção Permiano-Triássico. Após o evento P-T, houve um aumento na provincialização, com espécies a ocuparem áreas menores.
Os efeitos das extinções sobre as plantas são um pouco mais dificeis de quantificar, dadas as tendências inerentes ao registo fóssil das plantas. Algumas extinções em massa (como a do Permiano Superior) foram igualmente catastróficas para as plantas, ao passo que outras, como a do Devoniano Inferior, não afectou a flora.



Fonte

http://en.wikipedia.org/wiki/Extinction_event

Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...