30/04/2015

As nossas ações

"Para cada ação que realizamos, experienciamos um resultado similar a ela. Se um jardineiro plantar a semente de uma planta medicinal, certamente o que vai brotar será uma planta medicinal, não uma planta venenosa. Se ele não plantar nada, nada crescerá. Do mesmo modo, se realizarmos ações positivas, certamente colheremos resultados felizes, se nossas ações forem negativas, experienciaremos resultados infelizes, e se forem neutras, experienciaremos resultados neutros.
Por exemplo, se sofremos de distúrbios mentais, isso indica que em algum momento do passado causámos dor aos outros - batemos ou atiramos neles, ministramos intencionalmente um remédio errado ou lhes demos comida envenenada. Se não tivéssemos criado a causa cármica para adoecer, seria impossível experienciar o sofrimento da doença física mesmo que nos encontrássemos no meio de uma epidemia e que todos à nossa volta estivessem a morrer. Aqueles que atingiram o nirvana, por exemplo, nunca sentem dores físicas ou mentais, uma vez que pararam de se envolver em ações prejudiciais e purificaram todas as potencialidades não-virtuosas, as causas principais da dor.
A causa principal do sofrimento da pobreza é uma ação de roubar. As causas principais de sofrer opressão são sentir-se superior aos outros ou maltratá-los, explorar pessoas em posições inferiores ou desprezar os outros invés de tratá-los com bondade amorosa. As causas principais dos sofrimentos de ser separado de amigos ou empregados de alguém.
Costumamos pensar que más experiências surgem unicamente da decorrência das condições nesta vida. Uma vez que não conseguimos explicar a maior parte das nossas experiências nesses termos, frequentemente achamos que elas são imerecidas e inexplicáveis e que não há justiça no mundo. Na realidade, a maior parte do que nos acontece nesta vida é causada por ações que cometemos em vidas passadas.
[...]
Contemplando que os resultados das nossas ações são definidos e que aumentam, devemos gerar a forte determinação de evitar até a mais leve não virtude e de cultivar até os mais ínfimos pensamentos positivos e ações construtivas. Meditaremos, então, sobre essa determinação para torná-la constante e estável. Se conseguirmos manter a nossa determinação o tempo todo e colocá-la em prática, as nossas ações de corpo, fala e mente vão-se tornar cada vez mais puras, até que não haja mais base para o sofrimento.
Se não realizarmos uma ação não poderemos experienciar os seus efeitos. Numa batalha, alguns soldados são mortos, enquanto outros sobrevivem. Os sobreviventes não se salvaram porque tiveram mais coragem que os outros, mas porque não haviam criado a causa para morrer naquela ocasião. podemos encontrar diariamente nos jornais muitos exemplos desse tipo. Quando um terrorista coloca uma bomba num edifício, algumas pessoas morrem, enquanto outras, a despeito de estarem no centro da explosão, se salvam. O mesmo pode acontecer num acidente de avião ou numa erupção vulcânica - há pessoas que morrem e outras que escapam por milagre. Em muitos acidentes, os próprios sobreviventes ficam atónitos por estarem vivos, quando outras pessoas ao seu lado morreram.
As ações dos seres vivos nunca se perdem, mesmo que transcorra muito tempo até que os seus efeitos sejam experienciados. Ações não podem simplesmente desaparecer, tampouco podemos dá-las aos outros, eximindo-nos, assim, da nossa responsabilidade. Embora as intenções mentais momentâneas que iniciaram as nossas ações passadas já tenham cessado, os potenciais que elas criaram na nossa mente não vão cessar até que os seus resultados tenham amadurecido. O único meio de destruir potenciais negativos antes que eles amadureçam é purificando-os.
Infelizmente, destruir as nossas potencialidades positivas é bem mais fácil. Podem ser completamente aniquiladas por um único instante de raiva caso não tenhamos dedicado as nossas ações virtuosas, como jóias; se não as protegermos por meio da dedicatória, sempre que ficarmos com raiva será como se tivéssemos colocado um ladrão no meio do nosso tesouro.» 



Trecho de Transforme sua vida, de Geshe Kelsang Gyatso, Editora Tharpa Brasil, reimpressão de 2012

27/04/2015

A enchente do Mar Mediterrâneo

O Mar Mediterrâneo, tal como o conhecemos, formou-se há cerca de 5,3 milhões de anos atrás quando as águas do Oceano Atlântico romperam o estreito de Gibraltar, enviando uma cheia massiva para a bacia mediterrânica.



Durante o início do período da crise de salinidade messiana (há cerca de 6 milhões de anos) um bocado da litosfera desprendeu-se da Ibéria (segundo proposta de Garcia-Castellanos y Villaseñor, Nature, 2011) e afundou-se no manto terrestre, o que provocou um levantamento do sul da Ibéria, fechando a ligação entre
o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo. Uma vez fechado, o clima árido e quente da região, provocou um rápido declínio do nível das águas mediterrânicas, que chegaram a ter um quilómetro, em que 3/4 das águas do mediterrâneo se evaporaram.
Mas um movimento posterior das placas tectónicas fez com que o solo ao redor do Estreito de Gibraltar diminuísse, provavelmente abatendo o istmo que ligava África à Europa, o que permitiu que as águas do Oceano Atlântico abrissem caminho para a bacia do Mediterrâneo.
Inicialmente, segundo o estudo de Daniel Garcia-Castellanos (Nature,2009), a água fluíu lentamente durante um período que levou milhares de anos, mas o seu final abrupto, que encheu cerca de 90% do Mar Mediterrâneo, deu-se num curto espaço que foi de meses a dois anos, com um fluxo que chegou a ser mil vezes superior ao do atual rio Amazonas.
O desnível entre o Oceano Atlântic e o Mar Mediterrâneo era de uma média de 1500 metros e na fase final
da enchente (dos 90%), o Mediterrâneo enchia-se a um ritmo de cerca de 10 metros por dia. Este fluxo acabou por criar no fundo marinho uma erosão de 200 quilómetros de comprimento com vários de largura.
Do outro lado, calcula-se que o Oceano atlântico terá tido uma descida de 9,5 metros no seu nível.
Esta foi a maior e mais violenta inundação, que se saiba, que a Terra conheceu.






Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...