02/01/2015

Atlântida - a fábula

Aqui neste exemplo é possível ver como o simples deixa de ser simples com o tempo, e o conto passa quase a realidade.
Muitas vezes acontece que um acontecimento real, com o contar e recontar torna-se um mito, mas também acontece o oposto.

Falo especificamente de Atlântida. Atlântida, o continente perdido, a terra maravilhosa que devido à corrupção dos homens foi condenada a ser submersa pelas furiosas águas do oceano (ou do mar, dependendo das versões). Muitas são as investigações e expedições efectuadas à procura deste continente (ou ilha perdida). Desta grande civilização que se perdeu devido a se ter deixado corromper.

Os investigadores dão diversas hipóteses para esta civilização perdida, sendo que as principais hipóteses estão em torno de que Platão ter-se-à inspirado na desaparecida civilização minóica, que se viu a cair em pouco tempo aquando da erupção de Thera, enquanto que outros defendem que o filósofo (e político) terá ido buscar inspiração com a destruição de Helique em 373 a.C. ou à fracassada invasão ateniense da Sicília em 415 a.C - 413 a.C.

Mas há outros que realçam o facto de que a Atlântida só ganhou realce na Idade Moderna. Alan Cameron: "só nos tempos modernos é que as pessoas começaram a levar a sério a história da Atlântida; ninguém o fez na Antiguidade".



Terá de facto Platão ido buscar inspiração a um acontecimento, ou será que a explicação é mais simples? Tal como a alegoria que fez da Caverna, em que contou a estória do homem que se atreveu a ver mais so que a sua própria sombra, esta não será mais uma alegoria, em que Platão não se estava a basear em qualquer acontecimento real, ou fábula, e ele mesmo terá inventado? Em que o relato fazia uma "critica velada a Atenas, ao seu mercantilismo, aos seus costumes políticos decadentes"?

Certamente que ninguém iria à procura da ilha Utopia de Thomas Moro, pois é, tal como o título diz, uma utopia (uma fantasía, um delírio, uma quimera; um lugar que não existe), no entanto, a procura da outra Utopia (Atlântida) já moveu muito dinheiro (e continua a mover).

Qual a diferença? A antiguidade e a interpretação dos homens, que desconhecendo (ou não querendo conhecer) a realidade criam muitas vezes as suas realidades.

Atlântida existiu? Não acredito. Atlântida é uma fábula, e como todas as fábulas não são verdadeiras, mas a mensagem (ensinamento se se quiser) que carregam é que é verdadeira. Porque não interpretar a fábula de Platão, tão real na sua altura quanto agora? Trocam-se as armas (espadas por moeda) e ver-se-à o quão verdadeiros estavam a ser Platão, e Thomas Moro então e agora?



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