21/05/2014

Que sabe o Homem

Incomodam-me as verdades absolutas... aqueles que têm tanta certeza de algo, que a defendem de tal forma que, mesmo sem se aperceberem, se fecham às outras ideias.



Neste momento estou a pensar no ateísmo e no criacionismo... ambos defensores acérrimos das suas verdades. Os ultradarwinistas, Richard Dawkins, Dan Dennet, etc, até podem estar certos... sinceramente o que dizem convence-me e acho que faz muito sentido - os criacionistas estão em absoluto errados - mas... será que a visão deles, dos ultradarwinistas, estará completa?
Não acredito em Deus como o ser intervencionista em que desejamos algo e feito Pai Natal nos concede. Nem sequer vejo Deus como um "ser", e nem sequer lhe daria uma palavra para designá-lo.Não acredito em Cristo (acredito que existiu, mas só como um homem normal), nem em santos, etc., que para mim está a par dos imensos deuses hindus.

No que acredito é que não devemos ter certezas absolutas. Podemos lutar contra as certezas absolutas, e principalmente quando essas estão erradas - e nesse aspecto louvo o trabalho da Fundação Dawkins - e contra fundamentalismos absolutos e retrógados, mas não devemos fechar os nossos olhos e colocar "tudo no mesmo saco".
A Ciência, apaixonada por ela como sou, tem como base a dúvida, questionar tudo, colocar tudo em causa... e até que a Ciência tenha provado que não há outras verdades para além daquela, não nos devemos limitar a uma única interpretação da mesma.

Quão interessante seria podermos partilhar ideias com outras espécies do nosso planeta. A nossa linguagem é a nossa bênção e maldição... é o que nos faz ir mais além, transgredir as fronteiras do nosso conhecimento, mas somos incapazes de as usar para dialogar com outras espécies. Limita-nos à nossa. Centrados desta forma, achamos-nos especiais, únicos, detentores da verdade... mas conhecemos só o nosso mundo. Já se sabe que as baleias e os golfinhos (tendo-se mesmo descoberto que estes têm sons próprios para designar amigos e familia, o equivalente aos nomes da espécie humana - ver link e vídeo no final) têm uma linguagem sofisticada (outras espécies também, talvez não tão sofisticada, mas ao contrário do que muitos julgam há muitas espécies que comunicam entre si, umas de uma forma mias complexa outras de uma forma mais simples)... Quão interessante seria podermos trocar ideias interespécies? Chamem-me de maluca por ter estes pensamentos, mas eu acho que a espécie Homo iria aprender muito e quebrar ainda mais as suas fronteiras e perder muitas das suas certezas.

Afinal, que sabe o Homem? Muito pouco, direi.




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