23/05/2014

Charles-Pierre Baudelaire


Obsessão

Os bosques para mim são como catedrais
Com órgãos a ulular, incutindo pavor...
E os nossos corações, - jazidas sepulcrais, 
De profundis também soluçam n'um clamor.

Odeio do oceano as iras e os tumultos,
Que retratam minh'alma! O riso singular
E o amargo do infeliz, misto de pranto e insultos,
É um riso semelhante ao do soturno mar.
Ai! como eu te amaria, ó Noite, caso tu 
Pudesses alijar a luz que te constéia, 
Porque eu procuro o Nada, o Tenebroso, o Nu!

Que a própria escuridão é também uma téia,
Onde vejo fulgir, na luz dos meus olhares.
Os entes que perdi, - espectros familiares!

Charles Baudelaire, in "As flores do mal"

fonte: www.citador.pt


Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de abril de 1821 — Paris, 31 de agosto de 1867) foi um poeta boémio (dandi ou flâneur) e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia, juntamente com Walt Whitman, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. A  obra teórica de Baudelaire também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.


Estudou no Colégio Real de Lyon e Lycée Louis-le-Grand (de onde foi expulso por não querer mostrar um bilhete que lhe foi passado por um colega).
Em 1840 foi enviado pelo padrasto para a Índia, preocupado com a vida desregrada do jovem,  mas este nunca chegou ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna a Paris. Ao atingir a maioridade, ganha posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia de Jeanne Duval. Em 1844 a mãe entra na justiça, acusando-o de pródigo, e então fortuna do poeta passa a ser  controlada por um notário.
Em 1857 é lançado As flores do mal contendo 100 poemas. O autor do livro é acusado, no mesmo ano, pela justiça, de ultrajar a moral pública. Os exemplares são apreendidos, pagando de multa o escritor 300 francos e a editora 100 francos.
Essa censura deveu-se a apenas seis poemas do livro. Baudelaire aceita a sentença e escreve seis novos poemas, "mais belos que os suprimidos", segundo ele.
Mesmo depois disso, Baudelaire tenta ingressar na Academia Francesa. Há divergência, entre os estudiosos, sobre a principal razão para Baudelaire o ter feito. Uns dizem que foi para se reabilitar aos olhos da mãe (que dessa forma lhe daria mais dinheiro), e outros dizem que ele queria se reabilitar com o público em geral, que via suas obras com maus olhos em função das duras críticas que ele recebia da burguesia.
Morreu prematuramente sem sequer conhecer a fama, em 1867, em Paris,estando sepultado no Cemitério do Montparnasse, em Paris.

fonte: wikipédia

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