28/05/2014

Anaxágoras - o Fundador


Anaxágoras de Clazómenas (em grego antigo: Ἀναξαγόρας, Anaxagoras; c. 500 a.C. — 428 a.C.), foi um filósofo grego do período pré-socrático. Nascido em Clazómenas, na Jónia, foi o fundador da primeira escola de filosofia de Atenas, contribuindo assim para a expansão do pensamento filosófico e científico que era desenvolvido nas cidades gregas da Ásia. Era protegido de Péricles que também era seu discípulo. Em 431 a.C. foi acusado de impiedade e partiu para Lapseki, uma colónia de Mileto, situada igualmente na Jónia, onde fundou uma nova escola.


Escreveu um tratado aparentemente pequeno intitulado Sobre a Natureza ou Da Natureza, em que tentava conciliar a existência do múltiplo frente à crítica de Parménides e da sua escola, conhecida como "Eleatas". Parménides havia concebido o ser como o princípio absoluto de tudo o que é, identificando o ser com o Uno imutável.


Anaxágoras propôs, assim como os pluralistas, um princípio que atendesse tanto às exigências teóricas do "ser" imutável, princípio de tudo, quanto à contestação da existência das múltiplas manifestações da realidade. A este novo princípio, Anaxágoras chamou de homeomerias. As homeomerias seriam as sementes que dão origem à realidade na sua pluralidade de manifestações. Afirmava que o universo constitui-se pela acção do Nous (νοῦς), conceito que geralmente é traduzido por inteligência. Segundo o filósofo, o Nous actua sobre uma mistura inicial formada pelas homeomerias, sementes que contêm uma porção de cada coisa. Assim, o Nous, que é ilimitado, autónomo e não misturado com nada mais, age sobre estas sementes ordenando-as e constituindo o mundo sensível. Os fragmentos preservados versam sobre: cosmologia, biologia e percepção. Esta noção de causa inteligente, que estabelece uma finalidade na evolução universal, irá-se repercutir em filósofos posteriores, como Platão e Aristóteles e, mais tarde Leibniz, que aproveitará a ideia de homeomerias.


Anaxágoras aparece ao lado de Pitágoras no quadro Escola de Atenas de Rafael, segurando a tabuleta com o número triangular 1+2+3+4, a sagrada tetractys dos Pitagóricos.


Em 455 a.C., Anaxágoras teorizou que a Lua não passava de um pedaço da Terra que se desprendeu. A maioria de seus contemporâneos estavam convencidos de que a Lua era um deus, por isso sua ideia não teve muitos adeptos.

«De todos aqueles que consideramos felizes, não há um único que o seja.» - Anaxágoras

«Prefiro uma gota de sabedoria, a toneladas de riqueza.» - Anaxágoras


Fontes: wikipédia; kdfrases



23/05/2014

Charles-Pierre Baudelaire


Obsessão

Os bosques para mim são como catedrais
Com órgãos a ulular, incutindo pavor...
E os nossos corações, - jazidas sepulcrais, 
De profundis também soluçam n'um clamor.

Odeio do oceano as iras e os tumultos,
Que retratam minh'alma! O riso singular
E o amargo do infeliz, misto de pranto e insultos,
É um riso semelhante ao do soturno mar.
Ai! como eu te amaria, ó Noite, caso tu 
Pudesses alijar a luz que te constéia, 
Porque eu procuro o Nada, o Tenebroso, o Nu!

Que a própria escuridão é também uma téia,
Onde vejo fulgir, na luz dos meus olhares.
Os entes que perdi, - espectros familiares!

Charles Baudelaire, in "As flores do mal"

fonte: www.citador.pt


Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de abril de 1821 — Paris, 31 de agosto de 1867) foi um poeta boémio (dandi ou flâneur) e teórico da arte francesa. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia, juntamente com Walt Whitman, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. A  obra teórica de Baudelaire também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.

21/05/2014

Que sabe o Homem

Incomodam-me as verdades absolutas... aqueles que têm tanta certeza de algo, que a defendem de tal forma que, mesmo sem se aperceberem, se fecham às outras ideias.



Neste momento estou a pensar no ateísmo e no criacionismo... ambos defensores acérrimos das suas verdades. Os ultradarwinistas, Richard Dawkins, Dan Dennet, etc, até podem estar certos... sinceramente o que dizem convence-me e acho que faz muito sentido - os criacionistas estão em absoluto errados - mas... será que a visão deles, dos ultradarwinistas, estará completa?
Não acredito em Deus como o ser intervencionista em que desejamos algo e feito Pai Natal nos concede. Nem sequer vejo Deus como um "ser", e nem sequer lhe daria uma palavra para designá-lo.Não acredito em Cristo (acredito que existiu, mas só como um homem normal), nem em santos, etc., que para mim está a par dos imensos deuses hindus.

No que acredito é que não devemos ter certezas absolutas. Podemos lutar contra as certezas absolutas, e principalmente quando essas estão erradas - e nesse aspecto louvo o trabalho da Fundação Dawkins - e contra fundamentalismos absolutos e retrógados, mas não devemos fechar os nossos olhos e colocar "tudo no mesmo saco".
A Ciência, apaixonada por ela como sou, tem como base a dúvida, questionar tudo, colocar tudo em causa... e até que a Ciência tenha provado que não há outras verdades para além daquela, não nos devemos limitar a uma única interpretação da mesma.

Quão interessante seria podermos partilhar ideias com outras espécies do nosso planeta. A nossa linguagem é a nossa bênção e maldição... é o que nos faz ir mais além, transgredir as fronteiras do nosso conhecimento, mas somos incapazes de as usar para dialogar com outras espécies. Limita-nos à nossa. Centrados desta forma, achamos-nos especiais, únicos, detentores da verdade... mas conhecemos só o nosso mundo. Já se sabe que as baleias e os golfinhos (tendo-se mesmo descoberto que estes têm sons próprios para designar amigos e familia, o equivalente aos nomes da espécie humana - ver link e vídeo no final) têm uma linguagem sofisticada (outras espécies também, talvez não tão sofisticada, mas ao contrário do que muitos julgam há muitas espécies que comunicam entre si, umas de uma forma mias complexa outras de uma forma mais simples)... Quão interessante seria podermos trocar ideias interespécies? Chamem-me de maluca por ter estes pensamentos, mas eu acho que a espécie Homo iria aprender muito e quebrar ainda mais as suas fronteiras e perder muitas das suas certezas.

Afinal, que sabe o Homem? Muito pouco, direi.




20/05/2014

Criação e Evolução

Para muitos crentes a Teoria da Evolução de Darwin não é uma contradição das suas próprias crenças. Não os choca e vai mesmo de encontro aos ensinamentos iniciais da Igreja Cristã, e ainda correntes da Igreja Ortodoxa.
Santo Agostinho avisou contra os perigos de uma leitura literal do Livro do Génesis, que dizia ser uma alegoria e um mito. As verdades destes livros iriam muito mais para além das palavras nele contidas, pois eram verdades incomensuráveis. St. Agostinho chamou à atenção para o facto de Deus não ser temporal e é só para o Homem, como parte do processo, que o tempo existe.
Só muitos séculos mais tarde, após a Reforma, é que se começaram a fazer as leituras literais da Bíblia começaram a fazer nascer novas ideias que viriam a chocar com os avanços científicos e, nomeadamente com a Teoria da Evolução de Darwin. Um desses defensores literais foi o arcebisbo de Armagh, James Ussher (1561-1656) que fazendo o cálculo de todas as datas da Bíblia disse que Deus havia criado o mundo a 23 de Outubro de 4004 a.C. Poucos acreditaram nele, e são muitos os que continuam a não acreditar. Sabia-se que a Terra seria muito antiga. No entanto o facto de a Bíblia do Rei Jaime conter essa data e ter sido o Livro Sagrado mais lido nos últimos 300 anos, teve o seu peso.

Embora haja duas facções que se encontram em pleno choque, uma liderada por Richard Dawkins e o outro pelos Criacionistas, são vistos por muitos como fundamentalistas, seja por cientistas seja por religiosos, que vêem não a religião e ciência como dois lados opostos.

Neste excelente documentário, o Professor de Teologia e profundo defensor da Teoria da Evolução, Conor Cunningham, mostra-nos como estas duas visões não são incompatíveis, e que, contrariamente ao que se pensa, a Teoria de Darwin não eliminou a crença de Deus, e que nem a Igreja rejeita a teoria do naturalista inglês.

17/05/2014

Safo - A Poetisa


Safo foi uma poetisa grega que viveu na cidade lésbia de Mitilene, um centro cultural activo durante o século VII a.C.. Nascida entre 630 e 612 a.C. foi muito respeitada e apreciada durante a Antiguidade, tendo sido considerada a "décima musa". No entanto, a poesia de Safo, sofreu de censura durante a Idade Média devido ao seu conteúdo erótico, só restando apenas alguns fragmentos da sua obra.


E morta jazerás: de ti
não restará lembrança, em tempo algum, 
nem mesmo compaixão jamais despertarás:
nas rosas de Piéria não tiveste parte.

Desconhecida até na casa de Hades,
errante esvoaçarás em meio a obscuros mortos.
- Safo, As Rosas de Piéria

15/05/2014

Byron - O poeta rebelde

George Gordon Byron, 6.º Barão Byron (Londres, 22 de Janeiro de 1788 - Missolonghi, 19 de Abril de 1824), mais conhecido como Lorde Byron, foi um destacado poeta britânico e uma das figuras mais influentes do Romantismo, célebre devido às suas obras primas, como são exemplos Peregrinação de Childe Harold e Don Juan (o último ficou inacabado devido à sua morte iminente)

Byron é considerado como um dos maiores poetas europeus e ainda é extremamente popular na actualidade.
Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a se voltar contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como autobiográfica. Estreou-se pela postura, pelo tom rebelde ante as convenções morais e religiosas e pelo charme cínico de que o seu herói demoníaco sempre se revestiu.

A fama de Lorde Byron não se deve somente à sua escrita, mas também à sua polémica e extravagante vida, que inclui numerosas amantes, dívidas, separações e alegações de incesto.
Morreu em Missolonghi, na Grécia ocidental, quando lutava ao lado dos gregos pela independência desta da opressão turca. Diz-se que a sua morte pode ter sido causada por uremia, complicada por febre reumática.

14/05/2014

Personalidade

«Abandonaremos o princípio de identidade e da unidade do carácter... Não somos nós mesmos. A personalidade não existe.» Ionesco, em Vítimas do Dever, de Hemingway

John L. Brown diz «Na nossa sociedade, o escritor (e não só o escritor, mas o artista em geral) deixa de acreditar na identidade da pessoa humana». - Em Vida e Obra de Hemingway, Biografia

Na verdade não verá o artista que a personalidade (dada como fixa) é uma ilusão criada pelo exterior e pelos outros? Que não há dentro de cada ser a própria nascente? Mas que esta é moldada e moldável e criada seja pela fantasia do indivíduo seja pela da própria sociedade?
Certos filmes mostram as sociedades divididas em grupos muito específicos, nas quais a identidade própria é eliminada em prol da sociedade. Claro que nestes filmes há sempre o herói (e/ou heroína) que entra em conflito e luta pela liberdade da personalidade individual. Mas será mesmo assim? Será que estes filmes, e livros, que mostram estas lutas pelo individual, não mostram antes um desejo do individuo de se  integrar num grupo, ainda que para isso perca a identidade? Isto é, não haverá no individuo da nossa sociedade exactamente o desejo oposto? A opção contrária, seria a de que não existe personalidade individual - o que iria de encontro à sentença de Ionesco.
Hoje em dia defende-se muito a individualidade, a diferença, o direito à personalidade, no entanto esta precisa de se encaixar num determinado grupo, ainda que seja um marginal... Não é esta uma contrariedade dessa própria luta?

09/05/2014

Paul Cézanne

Baigneuses, 1906
Paul Cézanne (Aix-en-Provence, 19 de Janeiro de 1839 - 22 de Outubro de 1906) foi um pintor pós-impressionista francês, cujo trabalho forneceu as bases da transição  entre o impressionismo do século XIX e o cubismo do século XX.
Atribui-se a Matisse e Picasso a frase de que Cézanne "é o pai de todos nós".
Paul Cézanne, 1861
Inicialmente dedicou-se a temas dramáticos e grandiosos próprios da escola romântica, no entanto veio a criar um estilo próprio, com influência de Delacroix, em que introduziu distorções formais e alterações de perspectiva em benefício da composição, ou de forma a ressaltar o volume e peso dos objectos. Trabalhou a cor de modo sem precedentes, em que definiu diferentes volumes que foram essenciais para as suas composições únicas.

08/05/2014

Morte


«O mundo esmaga os indivíduos e em muitos forma-se um calo no local da fractura; mas aqueles que não desejam deixar-se esmagar, a esses então o mundo liquida. Mata indiferentemente os muito bons e os muito doces e os muito bravos». - Frederic em Adeus às Armas de Hemingway


Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...