04/03/2014

Perderam-se os sonhos?

Este fim de semana vi um filme que adorei, não adorasse eu este género de filmes - História Interminável. Até disse à minha irmã que tinha o livro, e lembro-me que na altura (tal como Bastian) ficava horas agarrada ao livro (embora o conforto fosse outro), ao que ela mo pedia, pois não sabia que eu tinha, para emprestar a uma colega no trabalho que também é fã do género.
Mal piscava os olhos a ver o filme - Fantásia estava a desaparecer pois os homens estavam a deixar de sonhar... e essa é a parte que eu apresento as minhas dúvidas.

Muito se houve falar de que as crianças já não sonham, já não têm as mesmas brincadeiras de antigamente, já não lidam umas com as outras, mas será mesmo verdade? Estará a imaginação dos homens a desaparecer? Estarão as crianças a deixar de sonhar? Ou pelo contrário, até estarão a exigir mais imaginação? 
Logo a seguir fomos ao clube de vídeo da Zon e alugámos o último filme de Thor, fantástico, adorei. Poderão dizer, mas isso é baseado nos livros da Marvel, outros já inventaram... ao que eu terei de replicar, não é bem assim. Eu cresci com os livros da Marvel, quase que aprendi a ler com os Comic Books, mesmo antes de saber ler, já estava agarrada a eles... e as histórias eram mais básicas, a nível psicológico e quase que uma repetição. Bem versus Mal. Hoje em dia já não é bem assim, há todo um fundo psicológico por detrás. 
Mas voltando ao tema principal, em que se afirma que as crianças estão a perder a imaginação - quem veja os jogos com que elas brincam, vê que é preciso imaginação e muita, um simples tetris (ainda se lembram daqueles jogos portáteis que levávamos para a escola de tetris?!) não lhes basta. Querem mais! Querem fantasia, querem uma história por detrás, querem variedade, querem qualidade, querem desafio.
Eu acho que os miúdos estão cada vez mais exigentes, e isso exige MUITA imaginação para os satisfazer.

Falam menos?! Não me parece, nem de perto nem de longe. Antigamente falávamos com os miúdos da nossa rua e da nossa escola... no máximo esse número elevava-se a umas poucas dezenas (e isto estamos a falar dos miúdos muito populares), a maioria contentava-se com uns poucos. E nunca nos nossos sonhos sonhariamos em falar e trocar opiniões com miúdos dos quatro cantos da Terra. Mas é isso que as crianças e jovens de hoje em dia estão a fazer... estão a comunicar, e comunicam sem parar. Comunicam com os seus colegas, comunicam com os amigos destes, e com os amigos dos amigos. Comunicam com outros miúdos de outras raças, nacionalidades, partilham interesses, aumentam a sua imaginação, a sua fantasia... veja-se um trabalho feito em computador, com imagens, videos, etc das crianças de hoje (a par dos de cartolina, que eram os únicos que apresentavam). Nós pensávamos localmente, eles pensam globalmente
Sonham menos? Não!,  eu direi que sonham mais e em grande!

Acerca do autor do livro de História Interminável
Michael Ende, nascido a 12.11.1929, faleceu a 29.08.1995
Foi um escritor alemão de romances sobre fantasia e livros infantis e parte de um movimento antroposófico (estudo do homem sob o ponto de vista moral e intelectual).
Filho do pintor surrealista Edgar Ende, tornou-se conhecido pelo trabalho Die unendliche Geschichte (A História sem Fim), e seus outros livros incluem Momo e o senhor do tempo e Jim Knopf. Ele também foi o autor de Der satanarchäolügenialkohöllische Wunschpunsch (O Ponche dos Desejos), que serviu de base para a série animada Wunschpunsch.
É um dos mais famosos autores do século XX, devido ao sucesso com livros infantis, que convida o leitor a entrar em mundos estranhos cheios de símbolos visionários e o poder de se identificar com os heróis de suas histórias.
Os livros de Michael foram traduzidos em mais de quarenta idiomas e vendidos mais de vinte milhões de cópias.
(Wikipédia)

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