10/03/2014

Nós e a adivinhação

Quer acreditemos quer não, todos nos sentimos atraídos, ou pelo menos sentimos curiosidade em relação às artes divinatórias.
Usamos-las como base para definir o nosso futuro, como base para nos definirmos a nós e ao outro.
Se me perguntarem, «Pessoalmente, acreditas que o futuro está pré-destinado?» Eu responderei que sim, pois o futuro é a consequência dos nossos actos e escolhas presentes, assim como daquilo que acontece neste preciso momento, e que aconteceu, quer nos afecte directamente ou não. Quer sintamos ou tenhamos consciência disso ou não - isto é, acredito no Determinismo, em que tudo acontece por razões de causalidade.
Laplace disse: "Devemos... imaginar o estado actual do Universo como o efeito do seu estado anterior e como a causa do estado que se seguirá. Aqui não há lugar para liberdade."
Concordo com a primeira sentença, discordo da segunda, ou pelo menos em parte. Há sempre uma liberdade, a liberdade de escolha, é verdade que é uma liberdade limitada, pois as escolhas que se nos oferecem são opções formadas a partir de acções do passado.

E aí perguntar-me-à o leitor, e com razão, «mas onde se insere a astrologia e as outras artes divinatórias nesse meio?»

Terei de ser sincera. «Não se insere. Do meu ponto de vista a astrologia e as suas irmãs, inserem-se na psicologia humana.»

O homem sente necessidade de controlo, e especialmente da sua vida. Utilize para isso ciências físicas, meditações, a coscuvilhice (querer saber tudo) ou artes divinatórias, no fundo está a tentar aplacar as
ansiedades do seu próprio ser. Pensando, talvez erroneamente, que se souber de um facto, seja positivo, mas principalmente negativo, com antecedência, quando este ocorrer não terá um impacto tão grande na sua vida e poderá mesmo controlar esse acontecimento da maneira que acha lhe ser mais frutuoso - considero a palavra chave aqui: Controlo.
Depois há uma segunda parte - a de conhecermos os outros, a necessidade de os inserirmos numa caixa de meia dúzia de características. Porquê essa necessidade? Porque na verdade é impossível conhecermos o outro, e isso, mais uma vez causa-nos ansiedade. Precisamos saber como lidar com ele, como ele vai lidar connosco, mesmo que no fundo saibamos que o ser humano é mutável, seja a nível de anos, seja a nível de minutos. Mais uma vez há a necessidade de controlo, de controlar a relação, de obtermos poder sobre essa relação.
E por último, o controlo sobre nós mesmos. Tal como fazemos com o outro, também nós nos tentamos estilizar dentro de uma caixa de meia dúzia de palavras, com a diferença gritante que desta vez tentamos fazê-lo numa caixa de palavras positivas... Precisamos controlar-nos a nós. Não conseguimos aceitar facilmente que nos somos, tal como o outro, uma anarquia influenciada por apetites, pelo exterior, e mesmo pelo nosso interior que nós não conhecemos (e que muitas vezes o reprimimos por vergonha, pois aquilo não é suposto sermos nós). Com mais facilidade aceitamos o outro do que a nós.

E é aqui que se inserem estas artes todas. São uma resposta para a ansiedade humana, para o facto de ele saber que na verdade não controla absolutamente nada, nem a si mesmo... Já se perguntaram porque atrai tanto o poder? Também este tipo de artes é uma tentativa de obter poder.




04/03/2014

Perderam-se os sonhos?

Este fim de semana vi um filme que adorei, não adorasse eu este género de filmes - História Interminável. Até disse à minha irmã que tinha o livro, e lembro-me que na altura (tal como Bastian) ficava horas agarrada ao livro (embora o conforto fosse outro), ao que ela mo pedia, pois não sabia que eu tinha, para emprestar a uma colega no trabalho que também é fã do género.
Mal piscava os olhos a ver o filme - Fantásia estava a desaparecer pois os homens estavam a deixar de sonhar... e essa é a parte que eu apresento as minhas dúvidas.

Muito se houve falar de que as crianças já não sonham, já não têm as mesmas brincadeiras de antigamente, já não lidam umas com as outras, mas será mesmo verdade? Estará a imaginação dos homens a desaparecer? Estarão as crianças a deixar de sonhar? Ou pelo contrário, até estarão a exigir mais imaginação? 
Logo a seguir fomos ao clube de vídeo da Zon e alugámos o último filme de Thor, fantástico, adorei. Poderão dizer, mas isso é baseado nos livros da Marvel, outros já inventaram... ao que eu terei de replicar, não é bem assim. Eu cresci com os livros da Marvel, quase que aprendi a ler com os Comic Books, mesmo antes de saber ler, já estava agarrada a eles... e as histórias eram mais básicas, a nível psicológico e quase que uma repetição. Bem versus Mal. Hoje em dia já não é bem assim, há todo um fundo psicológico por detrás. 
Mas voltando ao tema principal, em que se afirma que as crianças estão a perder a imaginação - quem veja os jogos com que elas brincam, vê que é preciso imaginação e muita, um simples tetris (ainda se lembram daqueles jogos portáteis que levávamos para a escola de tetris?!) não lhes basta. Querem mais! Querem fantasia, querem uma história por detrás, querem variedade, querem qualidade, querem desafio.
Eu acho que os miúdos estão cada vez mais exigentes, e isso exige MUITA imaginação para os satisfazer.

Falam menos?! Não me parece, nem de perto nem de longe. Antigamente falávamos com os miúdos da nossa rua e da nossa escola... no máximo esse número elevava-se a umas poucas dezenas (e isto estamos a falar dos miúdos muito populares), a maioria contentava-se com uns poucos. E nunca nos nossos sonhos sonhariamos em falar e trocar opiniões com miúdos dos quatro cantos da Terra. Mas é isso que as crianças e jovens de hoje em dia estão a fazer... estão a comunicar, e comunicam sem parar. Comunicam com os seus colegas, comunicam com os amigos destes, e com os amigos dos amigos. Comunicam com outros miúdos de outras raças, nacionalidades, partilham interesses, aumentam a sua imaginação, a sua fantasia... veja-se um trabalho feito em computador, com imagens, videos, etc das crianças de hoje (a par dos de cartolina, que eram os únicos que apresentavam). Nós pensávamos localmente, eles pensam globalmente
Sonham menos? Não!,  eu direi que sonham mais e em grande!

Acerca do autor do livro de História Interminável
Michael Ende, nascido a 12.11.1929, faleceu a 29.08.1995
Foi um escritor alemão de romances sobre fantasia e livros infantis e parte de um movimento antroposófico (estudo do homem sob o ponto de vista moral e intelectual).
Filho do pintor surrealista Edgar Ende, tornou-se conhecido pelo trabalho Die unendliche Geschichte (A História sem Fim), e seus outros livros incluem Momo e o senhor do tempo e Jim Knopf. Ele também foi o autor de Der satanarchäolügenialkohöllische Wunschpunsch (O Ponche dos Desejos), que serviu de base para a série animada Wunschpunsch.
É um dos mais famosos autores do século XX, devido ao sucesso com livros infantis, que convida o leitor a entrar em mundos estranhos cheios de símbolos visionários e o poder de se identificar com os heróis de suas histórias.
Os livros de Michael foram traduzidos em mais de quarenta idiomas e vendidos mais de vinte milhões de cópias.
(Wikipédia)

02/03/2014

Leituras

Nas prateleiras da minha casa não se encontram só livros de Richard Dawkins, Carl Sagan, Friedrich Nietzsche, Jung Chang, Carl Grimberg... encontrarão igualmente livros de fantasia. Embora admita que já há algum tempo que deixei de os comprar, pois apesar de o mercado deste género ter aumentado em quantidade, diminuiu em qualidade. Hoje confunde-se fantasia com sexografia (ou mascara-se esta com aquela).
Não que seja púdica, e acredito que todos os tipos de literatura devem existir, mas detesto a parte hipócrita em que as pessoas viram a cara ou se fingem ofendidas com certos comportamentos, quando no fundo estão é atraídas por elas... Este género de literatura não é nova e já os antigos egípcios e romanos escreviam, sendo que entre estes Ovídio é muito conhecido... mas acabei por me afastar do meu tema principal (vão-me perdoar, mas estas contrariedades da nossa sociedade contemporânea do século XXI deixam-me muitas vezes perplexa - ou direi, hipocrisias?)
Viriam a ser passado
para a TV 
Voltando às minhas prateleiras... como disse, não só ciência, filosofia, história, autobiografias, e coisas afins... era ainda eu adolescente quando me ofereceram o primeiro livro de Marion Zimmer Bradley - ainda me lembro, um livro do Círculo de Leitores, A Fonte da Possessão... a esse seguiram-se outros. Fui apresentada ao género e como disse, nunca mais parei, até me cansar da falta de qualidade do género actualmente.
Mais tarde vim a descobrir, que era também autora de livros de ficção científica, género muito do meu agrado diga-se... Sempre que via um livro dela comprava, Brumas de Avalon, A Queda da Atlântida, A Senhora de Avalon, A Casa da Floresta, Presságio de Fogo, A Filha da Noite,  alguns livros da saga Darkover... 
Esta autora não só me apresentou a um novo estilo literário (que diga-se, aos 15/16 anos
último livro de M.Z.B.
ainda não conhecia quase nenhuns, lembro-me de na altura ler imensos policiais), como foi na adolescência que me apaixonei pela cultura céltica.
Uns anos mais tarde viria a conhecer Philip Pullman, que só posso dizer Excelente. Foi grande a minha alegria quando fizeram um filme sobre a Bússola Dourada, mas tristeza por não terem completo a triologia... adorei o filme... e adoro os livros deste escritor.
Mais tarde ainda vim a ler livros de Juliet Mariller, que não sendo Marion Z. Bradley parecia-me ser boa, mas infelizmente quem lê dois ou três livros desta autora, já os leu todos... mudam os nomes, os locais, mas é sempre a mesma coisa...
Claro devo acrescentar que também li o último livro de Marion Z. Bradley, a Sacerdotisa de Avalon, que foi completado postumamente por Diana L. Paxson.

"Nem só de pão vive o homem" (última grande obra de Tolstoi), eu digo "Nem só de realidade vive a mulher".

Sobre Marion Zimmer Bradley: Escritora norte-americana, nascida a 03.06.1930 falecida a 25.09.1999, tendo escrito mais de meia centena de livros.
Proveniente de uma família pobre, cedo começou a escrever estórias sencionalistas para ganhar dinheiro. Durante a década de 1950 escrevia estórias de sexo e mistério para sustentar o marido e filhos a revistas de grande tiragem. Na década de 1960, começou a escrever romances góticos para pagar um curso universitário.
Marion Zimmer Bradley tornou-se uma escritora de prestígio, e uma das mais lidas a nível internacional, com as Brumas de Avalon (as quais viriam a ser adaptadas para um filme).
Em 1985 escreveu A Filha da Noite, livro destinado a um público infantil, mas por muitos considerado para um publico mais adulto, baseado na Flauta Mágica de Mozart.
A série de ficção científica Darkover ainda hoje tem muitos seguidores.



Desejo

«O condenado à morte deixou transparecer uma alegria comovida ao saber do indulto. Mas ao cabo de algum tempo, acentuando-se as melhora...